segunda-feira, outubro 27, 2014
Encomenda
Perdemos em Braga
(1-2) e vimos a nossa vantagem reduzida para um ponto em relação ao CRAC. A
partida foi muito difícil, como já se esperava, dentro, à volta e fora do
relvado. Desde há uns anos para cá que as idas a Braga têm sempre umas encomendas extra-futebol e esta não foi
excepção: ou são agressões no túnel ao intervalo, ou é a luz que falta
não-sei-quantas vezes na 1ª parte ou são agressões no relvado que só a muito
custo levam… amarelo. Enfim, é sempre cá um destes azares… Curioso é também
o facto de os cinco pontos que perdemos até agora para o campeonato terem em
comum… os jogos serem arbitrados pelo Sr. Marco Ferreira.
Não poderíamos ter
um início mais auspicioso com o nosso golo logo aos 2’ numa boa combinação
atacante pela esquerda, com o Gaitán a desmarcar o Eliseu, que temporizou muito
bem e assistiu o Talisca na marca de penalty para um desvio precioso sobre o
guarda-redes. Para um jogo difícil, nada melhor que um começo destes, que aliás
se prolongou durante a primeira meia-hora. O Braga estava completamente às aranhas, o Lima proporcionou ao
guarda-redes Matheus a primeira de uma série de defesas decisivas, o Talisca
teve um bom remate fora da área que também criou perigo, o nosso domínio era
total. O problema é que não conseguimos marcar o (merecido) segundo golo, que
nos daria outra tranquilidade. Aos 28’, num contra-ataque nosso muito mal
resolvido pelo Lima, a bola aliviada pela defesa do Braga encontra um jogador
deles no meio-campo que dá origem a um contra-ataque que terminou com o Éder a
fazer a igualdade. Foi um balde de água
fria muito imerecido naquela altura. Até ao intervalo, o Salvio e o Talisca
ainda tiveram remates que poderiam ter tido melhor destino.
Nestes jogos após
as competições europeias, as nossas segundas partes costumam não ser tão boas
como as primeiras e ontem não foi excepção. Ainda para mais, este ano há a
agravante de não termos um banco à altura. O Braga entrou muito melhor que nós
e foi aproximando-se da nossa baliza, com alguns remates que o Artur foi defendendo.
Cerca da uma hora de jogo, o Jesus fez entrar o Jonas para o lugar do amarelado
Samaris e o jogo virou a nosso favor. Acelerámos os processos atacantes e fomos
começando a criar perigo para a baliza do Braga. O problema é que o Lima está
muito fora de forma e não temos matador
à altura neste momento. O Braga lá ia contra-atacando com menos frequência, mas
num desses lances aos 81’ deu a volta ao marcador num remate da esquerda do
Salvador Agra, que passou por entre as pernas do Maxi e bateu no poste antes de
entrar na baliza do Artur. Em directo pareceu-me frango, até porque a bola entra no ângulo mais próximo, mas na
repetição vê-se que o remate é muito puxado e com força. Poderia ser defensável
se o Artur fosse mais rápido, mas não o qualificaria como frango. Até final, quase não houve jogo, como é habitual naquele
sítio e com o inevitável sururu perto do banco do Braga, mas mesmo assim mesmo no último minuto de compensação, o Matheus fez
duas defesas impossíveis no mesmo lance a uma cabeçada do Gaitán e à recarga do
Maxi. A sorte não quis mesmo nada connosco.
Em termos
individuais, gostei do Talisca naquela primeira meia-hora e também a espaços do
Gaitán e do Eliseu. O Salvio está muito individualista e precisa de soltar mais
a bola, o Enzo Pérez é bom que se mentalize que a época já começou, e o Lima
convinha que melhorasse rapidamente, porque precisamos de um avançado que
marque com regularidade. Todos os outros estiveram a um nível mediano e é
significativo que num jogo que perdemos o Jesus só tenha feito uma
substituição.
O grande objectivo
que era chegar a Mordor com os quatro pontos de vantagem já não vai ser
conseguido. Marcámos passo na primeira deslocação difícil, num jogo em que até
nem jogámos mal, mas em que sofremos em dois contra-ataques. Agora é manter a
cabeça fria e tornar este desaire fortuito com vitórias nos próximos jogos.
P.S. – O Sr. Marco
Ferreira teve uma arbitragem muito habilidosa (aliás na senda do que já tinha
feito no jogo frente aos lagartos ao Boavista). O
Danilo do Braga teve três(!) lances para amarelo na 1ª parte e só viu um.
Acabou o jogo com cinco(!) lances para amarelos, só vendo o segundo já no
período de compensação. O Ruben Micael agride o Jonas com os pitons e só vê
amarelo. O Braga fez o dobro(!) das nossas faltas, deu trancada à moda antiga e amarelos só a muito custo. Para além do
aspecto disciplinar que nos condicionou muito, há uma placagem clara na área ao
Gaitán na 2ª parte, num lance onde está a bola(!), portanto nem se pode dizer
que o árbitro não estava a olhar para lá, e penalty nem vê-lo. O Braga queixa-se
de dois penalties a favor deles, mas o primeiro é uma jogada embrulhada entre o
Eliseu e o Pardo, e no segundo há falta do Lisandro, sim senhor, mas o que eles
se esqueceram de referir é que o
avançado arrancou de um metro(!) fora-de-jogo, que não foi assinalado.
quinta-feira, outubro 23, 2014
Empate
Para não variar nos jogos da Liga dos Campeões, entrámos pessimamente no
encontro. Os primeiros 25’ foram todos do Mónaco que se fartou se nos
pressionar e falhou uma bola de baliza aberta, por causa de um ressalto no
(mau) relvado do seu estádio. Nós alinhámos com a equipa previsível, com o
André Almeida a trinco, e até ao intervalo também tivemos uma boa chance
através do Lima, que o guarda-redes defendeu bem.
Os franceses voltaram a ter uma situação de golo no início da 2ª parte, com
um remate a rasar o poste, mas depois acabaram ofensivamente. Nós fomos
melhorando de nível e obrigámos o guarda-redes deles a difíceis defesas
juntamente com uns quantos remates que deveriam ter tido melhor direcção. Foi
pena aquela jogada e posterior remate do Gaitán não ter entrado… A cerca de 15’
do final, o Lisandro, já com amarelo, teve uma entrada estúpida sobre o João
Moutinho (olha quem…) e foi naturalmente estúpido. Se estávamos por cima do
encontro até essa altura, deixámos rapidamente de estar e o objectivo passou a
ser manter a igualdade, porque não dava mesmo para mais.
Em termos individuais, elejo o André Almeida como o melhor do Benfica.
Muito certo a defender e a libertar rapidamente a bola, foi o que se pede a um
trinco. Gostei a espaços do Talisca, mas a 100% do Maxi Pereira e Luisão, que
souberam sempre transmitir calma aos colegas. O Artur está mais confiante,
embora devesse ter saído a um ou outro cruzamento. Ao invés, esperava mais do
Gaitán e Enzo Pérez, que me pareceram longe da condição física ideal. E o Lisandro simplesmente NÃO pode ter um lance daqueles depois de já estar amarelado!
Sinceramente, eu já só faço contas ao apuramento para a Liga Europa: se
ganharmos os dois jogos em casa e empatarmos no Zenit, devemos lá chegar. Sim,
porque as finais perdidas ingloriamente ainda me estão (muito) atravessadas.
Mas antes disso temos é que nos concentrar no campeonato e o próximo encontro
em Braga vai ser bastante complicado. É fundamental trazer os três pontos, para
manter a pressão do lado dos rivais.
sábado, outubro 18, 2014
Jonas
Um hat-trick do Jonas, numa
estreia de sonho a titular, permitiu-nos eliminar o Covilhã (3-2) na 3ª
eliminatória da Taça de Portugal. Foi um jogo muito mais difícil do que se
esperava, também porque alinhámos com uma equipa constituída maioritariamente
por segundas linhas.
Não poderíamos ter entrado melhor, com uma arrancada do Ola John logo no
minuto inicial que terminou num claro derrube na área. Penalty indiscutível e o
Jonas a enganar o guarda-redes. Pensei que seria um passeio, mas não poderia ter
estado mais errado. Uma oferta do
Benito (como é que se pode não cortar uma bola daquelas?!) deixou que um
adversário se isolasse e repusesse a igualdade aos 9’. A partida estava muito
repartida e o Covilhã dava boa réplica. Nós até mostrávamos vontade, mas as
coisas não nos estavam a sair nada bem. Outra contrariedade ainda na 1ª parte,
com a lesão do Ola John e a estreia do ainda júnior Gonçalo Guedes, que deu
muito boa conta do recado. Uma boa jogada colectiva terminou num remate do
Pizzi, que o guarda-redes defendeu por instinto, mas ao 43’ aconteceu um balde de água fria com o 2-1 para os locais. Falta escusada do Gonçalo
Guedes, centro para a área e os centrais a dormir.
Confesso que estava a ver as coisas muito mal paradas, porque o Jesus
arriscou ao não levar nenhum titular nem para o banco e teriam de ser os que
estavam em campo a dar a volta ao jogo. O que felizmente acabou por acontecer
na 2ª parte. Aos 54’ golão do Jonas numa grande abertura do Cristante! O
brasileiro, sem deixar a bola cair no chão, deu um toque com a parte exterior
do pé e desviou a bola do guarda-redes. Que golo fabuloso! A partir daqui, deu
sempre a sensação que era uma questão de tempo até nos colocarmos em vantagem,
porque o Covilhã começava a quebrar fisicamente. O golo da vitória lá surgiu
aos 71’ numa grande arrancada do Gonçalo Guedes e num óptimo passe do Pizzi a
desmarcar o Jonas, que fez a bola passar por cima do guarda-redes. Até final,
ainda permitimos que o Covilhã jogasse mais no nosso meio-campo do que seria
desejável, mas conseguimos manter o nulo.
Em termos individuais, óbvio destaque para o Jonas. Três golos, sendo dois
deles muito bons, e uma série de pormenores de classe demonstraram que este não
engana: é mesmo craque! Também gostei bastante do Gonçalo Guedes que, com 17
anos, é uma enorme pérola e só foi pena que não tivesse marcado no último lance
de encontro. O Cristante melhorou em relação a Leverkusen (também não era
difícil…) e a abertura para o segundo golo é fantástica. O Bebé ainda fez duas
ou três arrancadas, mas tem que melhorar (e muito) a qualidade dos centros.
Nota negativa para o Benito, que até me tinha surpreendido favoravelmente na
pré-época, mas hoje esteve completamente desastrado (e ligado ao 1º golo do
Covilhã). O Pizzi no lugar do Enzo também não me convence, embora me pareça bom
jogador.
Seguimos em frente que é o que era importante, mas arriscámos demasiado ao
não convocar praticamente nenhum titular. Agora temos que nos concentrar na
partida em Braga, porque é imperioso que cheguemos a casa do CRAC no mínimo com
a vantagem actual.
P.S. – A lagartada foi ganhar a
casa do CRAC (3-1) e eliminou-os da Taça de Portugal. Acho que o presidente do CRAC,
como pessoa coerente que é, só tem uma atitude a tomar: renovar já com o
Lopetegui!
quarta-feira, outubro 15, 2014
Estrelinha
Vencemos na Dinamarca por 1-0 com um golo do Cristiano Ronaldo aos 95’! A
falta de sorte sempre presente na cara do Fernando Santos deve ter-se esquecido
de apanhar o avião para Copenhaga. A vitória caída do céu até acaba por ser
justa, porque se contabilizarmos as oportunidades de golo nós tivemos mais, apesar
de os dinamarqueses terem atirado uma bola ao poste.
Depois do ensaio em França, onde perdemos num particular na 6ª feira por 1-2,
a equipa esteve melhor em termos defensivos, mas a criar poucas oportunidades de
golo. O que valeu foi que os dinamarqueses pouco fizeram também, pelo que deu a
sensação que o jogo estava sempre controlado. No último minuto dos descontos, o
Quaresma sacou um bom centro e o C. Ronaldo teve uma elevação fantástica para
fazer o golo da vitória. Corrigimos assim da melhor maneira a derrota caseira
frente à Albânia e já só estamos a um ponto dos dois da frente. Podemos decididamente
começar a pensar na qualificação directa.
segunda-feira, outubro 06, 2014
Enganador
Vencemos o Arouca por 4-0 e mantivemos a vantagem na Liga. Quem olhar para
o resultado sem ter visto o jogo, pensará certamente que tivemos uma partida
fácil. Mas bastará olhar para o minuto do primeiro golo (75’) para se perceber
que sofremos bastante na Luz.
Não entrámos nada bem na partida. Sem o Enzo Pérez, que nem no banco ficou
(consequências de Leverkusen), a equipa entrou muito apática, com falta de
dinâmica, perante um Arouca que me surpreendeu, pois esteve longe de só vir
defender. Aliás, o Artur foi absolutamente essencial até ao intervalo para
manter o nulo (tal como referiu o Jesus no final), ao efectuar pelo menos três brilhantes
defesas. Quanto a nós, foram os remates do Talisca e pouco mais. Convém
acrescentar que o guarda-redes do Arouca, o Goicoechea, também se fartou de
defender. Perto do intervalo, o Lima lesionou-se o que permitiu a estreia do
Jonas.
No início da 2ª parte, houve poucas alterações no desenrolar do jogo. O
Arouca continuava muito bem organizado e teve novamente uma grande
oportunidade, mas o remate saiu felizmente ao lado. O Sr. Hugo Miguel lá
continuava a tentar irritar os nossos jogadores e perdoou escandalosamente o
segundo amarelo ao Bruno Amaro. O Pedro Emanuel, que não é parvo nenhum,
tirou-o logo a seguir. Nós começámos a carregar com mais força e o Lisandro
López (outra estreia) atirou de cabeça ao poste, tendo o Jonas falhado a
recarga. Até que a 15’ do fim, o Talisca arrancou de meio-campo, tabelou muito
bem com o Derley e finalizou de pé direito só com o guarda-redes pela frente.
Foi uma explosão de alegria no estádio e teve-se a sensação que a partir daqui
as coisas só podiam melhorar. O Arouca foi completamente abaixo e marcámos mais
três golos: grande jogada do Salvio e concretização do Derley (que ia falhando,
já que a bola ainda bateu no poste…!), e duas óptimas iniciativas do Ola John
pela esquerda, com centros para o Salvio (de cabeça) e o Jonas marcarem. Foi um
resultado muito pesado para o Arouca, mas a justeza da nossa vitória é
indiscutível.
Em termos individuais, gostei bastante do Derley que, apesar de um pouco
trapalhão, é muito esforçado e ficou com um golo e uma assistência para o seu
currículo, do Talisca (já é o melhor marcador do campeonato e mesmo os remates
da 1ª parte, foram todos à baliza) e do Ola John, que parece com vontade de
regressar aos bons velhos tempos. Depois de uma 1ª parte onde terá acusado a
paragem de quatro meses, o Lisando López subiu bastante na 2ª e aparenta mais
classe do que o Jardel. Palavra imprescindível também para o Artur, sem o qual
teríamos chegado a perder ao intervalo, e uma referência para o Jonas, ainda
naturalmente longe da melhor forma física, mas com um toque de bola que não
engana.
Confesso que cheguei a ver isto muito mal parado: o Arouca não usou o autocarro, nem fez antijogo e nós
estávamos a certa altura sem o Enzo Pérez, Gaitán e Lima. Felizmente, temos o
Talisca e por enquanto isso vai bastando. Estes jogos depois das competições
europeias são regra geral muito complicados e na nossa capacidade de resposta
vai estar uma das chaves para o campeonato. A Liga vai parar agora para as
selecções e depois Taça de Portugal, mas quando regressar vamos ter uma difícil
saída a Braga que, lá está, será depois do decisivo jogo no Mónaco. Veremos o
que acontecerá, mas nunca é demais repetir que era muito importante no mínimo
manter esta vantagem até à ida a Mordor.
quinta-feira, outubro 02, 2014
Confrangedor
Perdemos em Leverkusen (1-3) e comprometemos seriamente a passagem aos
oitavos-de-final da Champions. Está a
tornar-se um triste hábito fazer por esta altura o pior jogo do ano nas
competições europeias. No ano passado, foi em Paris, esta época na Alemanha.
A partida conta-se muito rapidamente: não entrámos em campo na 1ª parte e na 2ª parte já foi tarde demais. Os
alemães chegaram ao intervalo a ganhar por 2-0 e com mais oportunidades para
aumentar o marcador. Quanto a nós, a produção roçou o zero…
Na 2ª parte melhorámos, mas só porque o Leverkusen tirou o pé. No entanto, raramente
conseguimos criar perigo e o nosso golo caiu um bocado do céu, porque não
tínhamos feito nada para o justificar. Foi aos 62’ através do Salvio. Só que no
minuto seguinte, o árbitro de baliza inventou um penalty do Jardel sobre o
Kiessling e o desfecho da partida ficou logo ali selado.
Em termos individuais, destaques só se for pela negativa. O Jesus fez uma
grande asneira, que foi lançar às feras
o Cristante logo de início. Convém não esquecer que o miúdo tem 19 anos e só
tinha jogado 15’ em Setúbal, ainda por cima num jogo que já estava mais que
ganho. O Leverkusen entrava como queria na 1ª parte e o resultado foi
lisonjeiro para nós. Na 2ª parte, o nosso treinador lá emendou a mão e fez
entrar o Maxi e o Lima. A estreia do Júlio César na Champions com a nossa camisola ficou marcada pelo enorme frango do 1º golo (largou uma bola fácil
para a frente). O Gaitán e o Enzo só se fizeram notar pelos amarelos que
levaram. O Salvio não esteve melhor, mas tem o golo para contrabalançar um
pouco. É nestes jogos que podemos ver as limitações do Jardel e do Eliseu. E
mesmo assim, o central foi dos menos maus, assim como o André Almeida na 1ª
parte! Aliás, percebemos que algo está mal na equipa quando são estes dois os
jogadores que se destacam. O Luisão e o Maxi ainda foram segurando as pontas,
mas ninguém fez um jogo para mais tarde recordar.
Sim, o objectivo principal é o campeonato e, sim, é preferível uma final da
Liga Europa (com o troféu já agora) do que os quartos-de-final da Liga dos
Campeões, mas não podemos fazer este tipo de exibições na maior montra do
futebol europeu. A equipa esteve amorfa, apática e sem reacção. Não se percebe.
Não saímos goleados por alguma sorte e convém não esquecer que já este ano
tivemos uma passagem para esquecer pela Emirates
Cup. O nosso prestígio internacional não se coaduna com o que mostrámos
hoje. Uma coisa é não nos qualificarmos para os oitavos da Champions, outra é sairmos das competições europeias já em
Dezembro. Isso é impensável, mas corremos esse sério risco.
domingo, setembro 28, 2014
Sofrimento escusado
Vencemos o Estoril na Amoreira (3-2) e, juntamente com o empate entre a lagartada e o CRAC no WC, aumentámos a
distância para seis e quatro pontos, respectivamente. Depois da pré-época que
tivemos, estarmos com esta vantagem à 6ª jornada não me passaria pela cabeça
nem nos meus sonhos mais optimistas (que raramente os tenho quanto ao Benfica).
Não poderíamos ter melhor entrada em campo: o Talisca, que esteve em dúvida
depois da trancada que sofreu frente ao Moreirense, arrancou de meio-campo e só
parou quando meteu a bola na baliza logo aos 3’. Que golão! Cinco minutos
depois, o Gaitán roubou uma bola perto da área adversária e ofereceu o bis ao Talisca. Estava a ser fácil
demais e mais tarde a equipa deslumbrou-se por causa disso. A 1ª parte foi toda
nossa e, para além de boas combinações atacantes, atirámos duas bolas aos
postes (Lima e Jardel, este já depois de 1-2). O Estoril foi aparecendo no
jogo, fruto do nosso relaxamento, e reduziu a diferença aos 38’ na mesma jogada
em que também atirou ao poste. De um jogo completamente controlado, passámos
para uma situação de vantagem mínima que não augurava nada de bom.
Voltámos a entrar bem na 2ª parte, mas foi o Estoril a empatar a partida
aos 53’ numa boa jogada atacante. Estive mesmo a ver a nossa vida andar para
trás… Com uma vantagem de dois golos desperdiçada e o jogo da Champions a aproximar-se, temi que
desperdiçássemos esta magnífica oportunidade de alagar a vantagem. Mas aos 66’
a partida tornou-se mais fácil com o duplo amarelo (justíssimo) a um jogador do
Estoril por derrube ao Enzo Pérez. O Jesus já tinha feito entrar o Derley e o
Ola John, e foi o brasileiro a estar na jogada do golo da vitória aos 70’ ao
desmarcar-se bem, aproveitar o falhanço do guarda-redes, rematar quase sem
ângulo para o Lima só ter que encostar (pareceu-me nas imagens da televisão que
a bola não entraria se não fosse o toque do Lima). Até final, nunca mais
deixámos o Estoril voltar a criar perigo, enquanto nós ainda poderíamos ter
metido mais um (o Lima tem que afinar rapidamente a pontaria…).
Em termos individuais, destaque óbvio para o Talisca, que já leva cinco
golos no campeonato, gostei dos extremos (Gaitán e Salvio) e a espaços do Enzo.
Não é que tenha cometido grandes erros defensivos, mas o Jardel não pode ser o
nosso segundo central. Para terceiro, é perfeito, mas ser titular do Benfica
exige outra classe (a quantidade de passes mal feitos é assustadora). O Eliseu
também não esteve nada feliz. Ao invés, voltei a gostar do Samaris, que desta
vez só foi sacrificado mais tarde no jogo.
Temos um avanço interessante sobre os rivais, que nos permite neste momento
ir perder a Mordor e continuar no comando. Mas que este jogo nos sirva de lição
para o futuro, porque não podemos estar com dois golos de vantagem e oferecer o empate ao adversário.
Sofremos de uma maneira perfeitamente evitável.
P.S. – Convinha que a Liga e os clubes tivessem um pouco mais de respeito
pelos espectadores que pagam bilhetes para ir aos jogos. Placards publicitários
são muito bonitos e certamente muito úteis financeiramente, mas já agora
convinha não taparem a visão aos espectadores! Experimentem sentar-se na
segunda fila da bancada nascente da Amoreira e só vêm as cabeças dos jogadores,
porque as lonas publicitárias no gradeamento tapam completamente a visão do
relvado. Ah, e outra coisa, eu também gosto de ver a linha lateral do lado da
minha bancada. Se pudessem não a tapar, por mais alto que se esteja sentado na
bancada, e recuassem um pouco mais os painéis publicitários seria óptimo…!
segunda-feira, setembro 22, 2014
Muito suado
Vencemos o Moreirense e, como as três equipas que estavam connosco na
frente (Rio Ave, V. Guimarães e CRAC) não ganharam, somos líderes isolados à 5ª
jornada. Quem só vir o resultado e não souber como correu a partida, pode pensar
que foi uma vitória fácil. Nada mais errado, já que até aos 68’ estivemos a
perder e cheguei a temer o pior.
O Jesus lá resolver estrear o Júlio César na nossa baliza, mas este não
teve grande trabalho. Fomos nós a dar o pontapé inicial e demos logo o tom para
toda a 1ª parte: passe errado na saída de bola e o Moreirense a ficar com ela.
Um brilhante passe do Talisca isolou o Lima, que permitiu a defesa do
guarda-redes e foi a única coisa de jeito que fizemos em toda a 1ª parte. Foi
ainda antes dos 16’, altura do golo do Moreirense: cruzamento para a área,
Eliseu a hesitar e um adversário a cabecear à vontade para a baliza. Era
importante chegar ao intervalo pelo menos empatados, mas criámos muito poucas
oportunidades de golo para o justificarmos. Numa decisão praticamente inédita,
o Jesus fez a primeira alteração ainda na 1ª parte e colocou o Derley em vez do
Samaris aos 34’. Estava mais do que visto que tínhamos de jogar com dois
avançados, como sempre fizemos na maior parte dos jogos nos cinco anos
anteriores do Jesus.
A 2ª parte foi muito melhor conseguida, já que sufocámos o Moreirense e
praticamente não os deixámos respirar. Foram progressivamente acusando o
desgaste de estarem a jogar no campo todo na 1ª parte e as coisas ficaram
piores para eles aos 56’ num justíssimo segundo amarelo a castigar uma falta
sobre o Talisca (que acabou por sair uns minutos mais tarde), depois de uma
brilhante jogada deste. Com 10, o Moreirense praticamente não saiu do seu
meio-campo, mas nós revelámos muita inépcia atacante. Quando, num livre para a
área, tanto o Jardel como o Luisão não conseguiram marcar, comecei a pensar que
aquele não era o nosso dia. Felizmente, o Eliseu (que até então estava a fazer
um jogo horrível) descontou de vez o preço que custou ao atirar uma bomba de longíssimo da área, fazendo a
bola entrar ao canto superior direito da baliza. Foi aos 68’ e até final ainda
tínhamos mais de 20’ para tentar a reviravolta. Que surgiu 10’ depois, numa boa
jogada do Ola John (entretanto entrado para o lugar do Talisca), centro do
Gaitán e o Maxi Pereira a fuzilar. Dificilmente a vitória nos fugiria e ainda
fizemos o terceiro golo num penalty sobre o Lima, que o próprio converteu,
terminando assim uma seca de golos que já durava desde a Juventus a 24 de
Abril…
Em termos individuais, destaque para o Eliseu, por ter desengatado o jogo,
para o Ola John, cuja entrada deu cabo da cabeça do Moreirense, e para o Maxi
pela sua inesgotável energia e por mais um golito decisivo. O Derley, à
semelhança de 3ª feira, não entrou nada mal e, apesar de ter algumas limitações
técnicas, pode ser um jogador muito importante contra este tipo de equipas. O
Salvio continua longe da sua forma habitual e hoje praticamente não se viu, o
Enzo Pérez ainda parece distante da sua forma física ideal (embora a arrancada
perto dos 90’ não esteja ao alcance de qualquer um) e o Gaián também poderia
ter-se envolvido mais no jogo.
O Petit, que sempre foi o maior(!), resolveu dar-nos uma grande prenda e
foi empatar com Boavista em Mordor a zero. Não estava nada à espera disto e são
quatro pontos que as forças do Mal desperdiçam em duas jornadas consecutivas!
Continuem lá entretidos com os BATE Borisovs desta vida e a rodar
não-sei-quantos jogadores por jogo, sff. Para a semana o CRAC vai ao WC e pode
ser que os lagartos demonstrem que,
afinal, servem para alguma coisa…
quarta-feira, setembro 17, 2014
Relativizar
Perdemos em casa com o Zenit (0-2) e entrámos da pior maneira na fase de
grupos da Liga dos Campeões. Já se sabia que os russos tinham melhores
jogadores do que nós, mas a sua superioridade foi ajudada pelo facto de o Artur
ter sido expulso logo aos 18’ quando ainda por cima já estavam a ganhar por
1-0. Como o 2º golo surgiu pouco depois, o jogo ficou praticamente decidido,
embora nós tenhamos dado uma grande demonstração de brio profissional e lutado
sempre para pelo menos marcar um golo.
Entrámos muito mal na partida e um mau passe do Jardel deu origem ao golo
do Hulk logo aos 5’. Pouco mais de 10’ depois, outro mau passe do Jardel
iniciou o lance da expulsão do Artur, da qual ele também não está isento de
culpas, porque demorou os séculos habituais a sair da baliza e depois derrubou
o Danny. O Witsel fez o 0-2 aos 22’ (sem comemorar) e a partir daqui o meu medo
era que fôssemos goleados. Felizmente, os russos tiraram um pouco o pé do
acelerador e assim chegámos ao intervalo sem maiores danos.
A 2ª parte foi mais repartida, com ocasiões para ambos os lados, mas
ninguém mais conseguiu marcar. Deu sempre a sensação que o Zenit tinha o jogo
na mão e, com um homem a mais, trocava a bola com maior à-vontade fazendo assim
a gestão da partida. Nós tivemos algumas boas chances, com uma cabeçada do
Luisão e um remate do Lima, ambos defendidos pelo guarda-redes, mas por outro
lado ainda vimos o Zenit atirar uma bola ao poste pelo inevitável Hulk e o
Rondón a falhar um lance isolado.
Em termos individuais, voltei a gostar do Samaris e o Salvio melhorou em
relação a Setúbal. O Enzo continua a parecer-me longe do seu melhor em termos
físicos e o Gaitán também não se destacou como habitualmente. Em termos
negativos, menção óbvia para o Jardel que serve para os Setúbais e Moreirenses
desta vida, mas isto é outro nível e talvez fosse melhor começar a dar jogo ao
5º central da selecção vice-campeã mundial… O Artur voltou igualmente a
comprometer, porque se tem sido mais expedito a sair da baliza teria chegado primeiro
à bola. Além disso, não deveria ter feito a falta para expulsão, porque era
preferível ter sofrido o 2º golo a jogar com 11. É bom que o Júlio César
recupere depressa…
Fui para este jogo mais tranquilo que o habitual. Isto era para desfrutar,
porque o essencial é o bicampeonato. Esta época não temos um plantel
(especialmente um banco) que nos dê muitas esperanças na Europa, pelo que é bom
que concentremos energias na principal prova interna. Claro que odeio perder
(coisa que já não acontecia em casa há quase dois anos), mas quero é que a equipa
se apresente bem no domingo perante o Moreirense.
P.S. – Este jogo vai ficar na memória pelo magnífico espectáculo que os No Name deram nos últimos minutos
contagiando todo o estádio no apoio à equipa. Foram momentos belíssimos,
especialmente raros neste contexto de iminente derrota (aconteceu o mesmo
frente ao Galatasaray na época do Quique), mas que nos enchem a alma de
benfiquismo. Todos nós percebemos que a equipa deu tudo em campo e que honrou a
camisola, merecendo sem dúvida este enorme tributo.
sexta-feira, setembro 12, 2014
Goleada
Vencemos em Setúbal por 5-0 e regressámos da melhor maneira às vitórias.
Foi uma partida mais fácil do que estava à espera e um modelo daquilo que eu
gostava que fossem sempre os jogos do Benfica: 3-0 ao intervalo, mas um par de
golitos na 2ª parte.
O Júlio César lesionou-se durante a semana, pelo que voltou a jogar o
Artur. Felizmente o V. Setúbal foi inofensivo e portanto o nosso guarda-redes
não teve trabalho nenhum. A chave para a nossa vitória foi marcarmos muito
cedo: aos 10’, o Salvio fez um golão num remate em arco de pé esquerdo de fora
da área. O adversário, que até tinha entrado bem, nunca mais se encontrou
depois do golo e até ao intervalo o Talisca falhou dois desvios na área, mas
compensou isso com dois golos (38’ e 43’). O descanso chegava com a vitória
praticamente garantida.
Na 2ª parte, o jogo manteve-se inalterado e era apenas uma questão de tempo
até aumentarmos a vantagem, o que aconteceu aos 54’ no hat-trick do Talisca. Ficou tudo decidido e até final ainda
marcámos mais um (76’) numa assistência do Lima para o Ola John só ter que
encostar. Em termos defensivos, o V. Setúbal não nos criou perigo nenhum.
Em termos individuais, óbvio destaque para o Talisca. Não só marcou três
golos, como ainda fez jogar os seus companheiros. O grego Samaris estreou-se e
gostei bastante: farta-se de correr atrás dos adversários, tem critério no
passe e compleição física que impõe respeito. O Lima não está numa boa fase em
termos de finalização (não marca há uma série de tempo), mas entrega-se muito
ao jogo. O Salvio marcou um golão, mas não fez absolutamente mais nada e
estragou muito jogo. O Enzo Pérez e o Gaitán estiveram mais discretos desta
vez. Realce ainda para a estreia do Cristante, que entrou a cerca de 15’ do fim
com o jogo já resolvido e não deu para ver grande coisa.
Foi uma exibição agradável apesar da fraca oposição. Espero que isto sirva
para a equipa aumentar a confiança, porque na próxima 3ª feira já aí temos a Champions.
segunda-feira, setembro 08, 2014
Humilhante
Perdemos em casa frente à Albânia (0-1) no 1º jogo de qualificação para o
Euro 2016 em França. Foi apenas a 3ª vitória dos albaneses numa qualificação
para o Euro e certamente o momento mais alto da sua história futebolística. Poder-se-ia
falar dos 19 remates que fizemos versus os dois(!) dos albaneses, mas a
estatística que talvez melhor explique o resultado é que dos 19 apenas quatro
foram à baliza, enquanto o adversário acertou na baliza os dois remates que fez.
Sem o Cristiano Ronaldo, somos uma selecção que roça a vulgaridade. Facto
exponenciado pela má forma de alguns jogadores e falta de qualidade de muitos
deles. Só o João Moutinho jogou alguma coisa de forma constante, acompanhado a
espaços pelo Coentrão. Todos os outros foram de uma mediocridade atroz, com o
João Pereira e o Éder à cabeça. O Ivan Cavaleiro, que entrou na 2ª parte,
mostrou a razão pela qual foi emprestado pelo Benfica, enquanto ainda não foi
desta que o André Gomes me convenceu que não fizemos um óptimo negócio em
vendê-lo por 15 M€.
Como os dois primeiros são classificados directamente e o 3º ainda vai a um
play-off, seria uma catástrofe que
não nos qualificássemos para o Euro. Mas temos que melhorar muito nos próximos
jogos, caso contrário o panorama torna-se mesmo muito negro.
segunda-feira, setembro 01, 2014
Obrigado e adeus, Artur!
Empatámos com a lagartada (1-1) e perdemos os primeiros
pontos no campeonato. É um ponto com um sabor muito amargo, porque tivemos mais
e melhores oportunidades, e porque oito anos depois o Artur resolveu oferecer
um golo aos lagartos na Luz, tornando
este certamente (nem outra coisa me passa pela cabeça!) o seu último jogo com a
camisola do Benfica.
Entrámos muito
fortes na partida e marcámos logo aos 12’ numa boa combinação entre Maxi e
Salvio finalizada pelo Gaitán com o pé direito! A lagartada tremeu, acusou o golo e esperava-se que nós
aproveitássemos este facto para aumentar a vantagem e dar a sentença final à
partida. Infelizmente, entrámos em campo com 10, o que, se já é mau por si só,
muito pior se torna quando quem falta é o guarda-redes! O espectáculo Artur começou
logo com uma saída em falso num canto ainda nos primeiros minutos, que só não
resultou em golo, porque o lagarto
cabeceou ao lado. Pouco depois, noutro canto houve uma bola muito mal socada e
finalmente aos 20’ cometeu a proeza de
virar o sentido do jogo ao rematar contra um adversário, escorregar e deixar
que o Slimani cabeceasse à vontade para a baliza deserta. Um frango monumental! Até ao intervalo,
nada mais fizemos de relevante, porque a equipa se intranquilizou imenso com o
galináceo que estava na baliza e nunca conseguiu sair a jogar como costuma
fazer. A lagartada teve uma grande
oportunidade, quando o Slimani, em ligeiro fora-de-jogo, fez um passe ao Artur quando estava só com ele
pela frente (creio que o argelino deve ter julgado que estava mesmo
fora-de-jogo, porque o remate é ridículo).
No regresso dos balneários,
voltámos a entrar bem e criámos uma série de oportunidades. Só o Salvio teve
três(!) à sua conta, houve remates do Talisca e Enzo Pérez também perigosos,
cabeceamento do André Almeida para grande defesa do Rui Patrício e outro do
Gaitán por cima num canto. A lagartada
teve uma grande oportunidade mesmo a acabar o jogo, com um desvio do Slimani e
boa defesa do Artur, que segurou o empate que ele próprio provocou.
Em termos
individuais, gostei muito do André Almeida (neste jogos em que o trinco tem
mais que destruir do que construir, as suas limitações nesse campo são menos
evidentes), que se fartou de cortar bolas e correr atrás dos adversários. O Gaitán
teve os seus habituais toques de classe e marcou o golo. O Luisão também esteve
bem na defesa, assim como o Maxi e o Eliseu (boa contratação!). O Artur insiste
em jogar com o Jardel como se este fosse o Garay, mas não pode ser. Boa
resposta também do Talisca no seu primeiro derby, embora tenha rebentado aos 70’. O Lima fartou-se de
lutar, mas continua sem molhar o bico.
Já se sabe que o Enzo Pérez não sabe jogar mal, mas não esteve nos seus dias,
assim como o Salvio que falhou belíssimas oportunidades para nos fazer ganhar o
jogo. Quando ao Artur, depois do jogo é fácil dizer o contrário, mas se eu
fosse o Jorge Jesus também o teria posto de início. Porque até agora ele nada
tinha feito que justificasse a perda da titularidade e, se por acaso o Júlio
César desse um frango logo na estreia,
era difícil justificar a troca. Mas também assumo claramente que eu tê-lo-ia
tirado ao intervalo. Aquela 1ª parte foi de bradar
aos céus e arriscámo-nos mesmo a perder o jogo por causa dele. Agradeço-lhe
a conquista da Supertaça desta época, já está na história do Benfica, mas adeus
até nunca mais. Já chega!
O campeonato vai
agora parar por causa das selecções e, quando voltar, teremos logo aí à porta a
1ª jornada da Champions. Espero que
dia de hoje de fecho do mercado não traga surpresas desagradáveis (Enzo, fica
por favor!) e se nos caísse no plantel um avançado que desse garantias de golos
dava algum jeito…
sábado, agosto 30, 2014
Sorteio da Liga dos Campeões
O tempo de férias não me permitiu postar
mais cedo acerca do sorteio da passada quinta-feira. Um grupo pior do que
tivemos só se fosse com o Borussia Dortmund, Liverpool e Roma… Calhou-nos o
Zenit, Bayer Leverkusen e Mónaco. Ou seja, uma equipa milionária do campeonato
russo que nos veio buscar o Garay, Witsel e agora também tem o Javi García, uma
forte equipa do supercompetitivo campeonato alemão (do 2º lugar para baixo) e a
equipa do pote 4, que geralmente custam ser garantida de seis pontos, é… um dos
novos milionários do futebol europeu! Se o Falcão for para o Real Madrid,
ajudará um pouco, mas um grupo destes não é garantia de nada. Nem sequer de uma
continuação na Europa League, porque nós estamos muito mais fracos este ano
(mesmo que não saia mais ninguém) e já não há Cardozos e Matics para nos
ajudarem a eliminar o Leverkusen, por exemplo.
Enfim, veremos o que vai acontecer, mas não estou nada optimista com este
sorteio. Ainda por cima, não são equipas que costumem movimentar grandes
adeptos e portanto duvido que o estádio esgote uma vez que seja.
P.S. – Ao invés, os assumidamente corruptos tiveram a vaca costumeira nestas ocasiões, porque Shakhtar Donetsk, Athletic
Bilbao e BATE Borisov dever-lhe-ão assegurar a qualificação para os oitavos sem
grandes dificuldades e mesmo a lagartada,
com Chelsea, Schalke 04 e Maribor, terá algumas hipóteses de ficar em 2º lugar
e, mesmo que não o consiga, se forem eliminados das competições europeias pelo
Maribor será uma vergonha até para eles.
segunda-feira, agosto 25, 2014
Duro
Vencemos o Boavista no relvado sintético do Bessa (1-0) e continuamos no
grupo da frente do campeonato com duas vitórias em dois jogos. Foi uma vitória
sem nota artística, mas o mais importante foi conseguido numa partida bastante
mais complicada do que se estaria à espera perante um adversário que vinha de
duas divisões abaixo.
Não entrámos bem no jogo e demorámos muito tempo a criar perigo. Sem o Enzo
Pérez, a equipa perde muita qualidade no jogo atacante, situação que foi
agravada pela enésima lesão do Rúben Amorim, desta feita por culpa do relvado.
Com André Almeida e Talisca, o nosso meio-campo não é bem a mesma coisa… Um
remate de ressaca do Eliseu e um desvio do Gaitán proporcionaram duas boas
defesas ao guarda-redes Dany Monllo que, felizmente, errou redondamente aos 44’
num remate do Eliseu fora da área que ressaltou à sua frente, mas era
defensável. Foi um golo caído do céu, porque não estávamos a fazer muito para o
conseguir. Mérito total para o nosso defesa-esquerdo.
Pensei que na 2ª parte, com o natural avanço do Boavista, tivéssemos
melhores oportunidades para dar a estocada final no resultado, mas raramente
conseguimos sair a jogar. Lá está, a falta de um melhor meio-campo impediu que
desenvolvêssemos o nosso jogo habitual de trocas de bola até criar
desequilíbrios. O que valeu foi que defendemos bem e o Boavista só conseguiu
atingir a baliza através de lances em claro fora-de-jogo que foram bem
assinalados pelo fiscal-de-linha. Um remate do Talisca e outro do Lima, este
muito ao lado, foram os nossos lances de maior perigo.
Em termos individuais, referência obrigatória para o Eliseu pelo golo
decisivo e pela tentativa que já tinha feito anteriormente. Estava um pouco
céptico com a sua contratação, mas parece que felizmente me enganei… O Salvio e
o Gaitán tentaram dar alguma nota artística ao nosso futebol, mas o dia não
estava para isso. Ficou novamente demonstrada a enorme importância que o Enzo
Pérez tem no actual Benfica e, com a lesão do Amorim, é bom que o grego Samaris
comece a render no imediato. Afinal, outra coisa não se espera outra coisa de
quem custou 10M€.
Vamos receber os lagartos com
dois pontos de vantagem sobre eles e é muito importante continuar com esta
senda vitoriosa, porque isso significaria colocá-los já a cinco em apenas três
jornadas. E, já se sabe, que o lagarto
é um ser que se entusiasma com pouco e vai ficando cada vez mais insuportável,
portanto convém cortarmos-lhes as vazas logo de início.
P.S. – Eu até tinha boa impressão do Sr. Marco Ferreira, mas o que se
passou no Bessa foi uma vergonha como já há algum tempo não via. Uma dualidade
de critérios gritantes, faltas evidentes a nosso favor não assinaladas e cargas
de ombro nossas convertidas em falta. Pareceu-me que ficou um penalty sobre o
Jara por marcar (convertido em… cartão amarelo!) e o que nos valeu foi que os
dois golos anulados ao Boavista foram evidentes foras-de-jogo, para além de
nenhum adversário se ter lembrado de atirar para a piscina na área, caso contrário, muito provavelmente estaríamos a lamentar
dois pontos roubados já à 2ª jornada. Este campeonato promete…
segunda-feira, agosto 18, 2014
Maldição quebrada
Dez(!) anos depois voltámos finalmente a vencer na 1ª jornada do campeonato
ao derrotar o Paços de Ferreira por 2-0. Foi um triunfo mais que justo numa
partida agradável e bem disputada, especialmente na 1ª parte. Na 2ª, a nossa
superioridade foi incontestável e o Paços não criou nenhuma oportunidade de
golo.
Como a minha religião não me
permite faltar a missas na Catedral,
houve que interromper as férias e fazer 600 km em seis horas de comboio para
assistir in loco à estreia dos
campeões nacionais no campeonato. Não entrámos tão bem na partida como na
Supertaça e o Paços surpreendeu-me ao não se remeter ao autocarro habitual das equipas mais pequenas. O encontro foi por
isso muito repartido na 1ª parte, com o Talisca a não saber muito bem onde se
colocar na posição de segundo avançado, o que impedia alguma fluidez no nosso
jogo. Aos 10’, o Sr. Cosme Machado entrou em acção ao assinalar um penalty
contra nós por pretenso empurrão do Eliseu a um adversário. Tenho a certeza
absoluta que, se fosse ao contrário, nada marcaria. O Artur, à semelhança de
Aveiro, voltou a brilhar nos penalties e a defender mais um. Foi muito
importante esta manutenção do empate, porque um golo adversário nesta altura
certamente que nos intranquilizaria muito. Uma excelente combinação atacante
entre o Maxi e o Gaitán aos 25’ permitiu ao uruguaio ser o primeiro marcador do
Benfica no campeonato. Perto do final da 1ª parte, o Enzo Pérez queixou-se e
foi substituído pelo Jara. É pena não ser já 1 de Setembro para estarmos mais
tranquilos…
A 2ª parte foi mais desequilibrada, connosco a assumir o completo controlo
de jogo muito através do Ruben Amorim que foi dos melhores em campo. Tivemos
alguns remates com algum perigo, mas nunca acertando na baliza, até que aos 72’
o Gaitán voltou a fazer magia e colocou a bola na cabeça do Salvio para outro
bonito golo. A partida ficou praticamente decidida e até final foi pena não
termos marcado mais nenhum golo, que nos colocaria na frente do campeonato (não
é importante nesta altura, mas é sempre bom estar na frente mesmo por diferença
de golos…).
Em termos individuais, óbvio destaque para o Gaitán pelas duas assistências
a fazer mais que jus ao número 10 que agora enverga (esta coisa de termos
prometido o número 10 a um Djuricic qualquer para ele assinar mais rapidamente,
quando o Gaitán já o andava a pedir há muito tempo, é algo que não percebo…) e
para o Ruben Amorim que foi o rei do
meio-campo. Menção também evidente para o Artur por ter defendido um penalty
numa altura muito precoce do jogo e para a dupla de centrais (Luisão e Jardel),
que esteve sempre muito atenta. O Jara entrou bem e esteve muito lutador,
embora com algumas dificuldades em acertar na baliza… O Talisca teve um jogo em
crescendo, mas acho que não é jogador para ser segundo avançado. Falta-lhe
colocação no terreno e killer instinct.
Matámos um borrego com dez anos e
a última vez que vencemos na 1ª jornada quebrámos um jejum de vitórias no
campeonato com 11 anos. Pode ser que seja um bom prenúncio para esta época
voltarmos a fazer algo que já não fazemos há mais de 30 anos…
P.S. – Não se pode acelerar o tempo e chegarmos já a 1 de Setembro…?!
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