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quinta-feira, outubro 02, 2014

Confrangedor

Perdemos em Leverkusen (1-3) e comprometemos seriamente a passagem aos oitavos-de-final da Champions. Está a tornar-se um triste hábito fazer por esta altura o pior jogo do ano nas competições europeias. No ano passado, foi em Paris, esta época na Alemanha.

A partida conta-se muito rapidamente: não entrámos em campo na 1ª parte e na 2ª parte já foi tarde demais. Os alemães chegaram ao intervalo a ganhar por 2-0 e com mais oportunidades para aumentar o marcador. Quanto a nós, a produção roçou o zero…

Na 2ª parte melhorámos, mas só porque o Leverkusen tirou o pé. No entanto, raramente conseguimos criar perigo e o nosso golo caiu um bocado do céu, porque não tínhamos feito nada para o justificar. Foi aos 62’ através do Salvio. Só que no minuto seguinte, o árbitro de baliza inventou um penalty do Jardel sobre o Kiessling e o desfecho da partida ficou logo ali selado.

Em termos individuais, destaques só se for pela negativa. O Jesus fez uma grande asneira, que foi lançar às feras o Cristante logo de início. Convém não esquecer que o miúdo tem 19 anos e só tinha jogado 15’ em Setúbal, ainda por cima num jogo que já estava mais que ganho. O Leverkusen entrava como queria na 1ª parte e o resultado foi lisonjeiro para nós. Na 2ª parte, o nosso treinador lá emendou a mão e fez entrar o Maxi e o Lima. A estreia do Júlio César na Champions com a nossa camisola ficou marcada pelo enorme frango do 1º golo (largou uma bola fácil para a frente). O Gaitán e o Enzo só se fizeram notar pelos amarelos que levaram. O Salvio não esteve melhor, mas tem o golo para contrabalançar um pouco. É nestes jogos que podemos ver as limitações do Jardel e do Eliseu. E mesmo assim, o central foi dos menos maus, assim como o André Almeida na 1ª parte! Aliás, percebemos que algo está mal na equipa quando são estes dois os jogadores que se destacam. O Luisão e o Maxi ainda foram segurando as pontas, mas ninguém fez um jogo para mais tarde recordar.

Sim, o objectivo principal é o campeonato e, sim, é preferível uma final da Liga Europa (com o troféu já agora) do que os quartos-de-final da Liga dos Campeões, mas não podemos fazer este tipo de exibições na maior montra do futebol europeu. A equipa esteve amorfa, apática e sem reacção. Não se percebe. Não saímos goleados por alguma sorte e convém não esquecer que já este ano tivemos uma passagem para esquecer pela Emirates Cup. O nosso prestígio internacional não se coaduna com o que mostrámos hoje. Uma coisa é não nos qualificarmos para os oitavos da Champions, outra é sairmos das competições europeias já em Dezembro. Isso é impensável, mas corremos esse sério risco.

domingo, setembro 28, 2014

Sofrimento escusado

Vencemos o Estoril na Amoreira (3-2) e, juntamente com o empate entre a lagartada e o CRAC no WC, aumentámos a distância para seis e quatro pontos, respectivamente. Depois da pré-época que tivemos, estarmos com esta vantagem à 6ª jornada não me passaria pela cabeça nem nos meus sonhos mais optimistas (que raramente os tenho quanto ao Benfica).

Não poderíamos ter melhor entrada em campo: o Talisca, que esteve em dúvida depois da trancada que sofreu frente ao Moreirense, arrancou de meio-campo e só parou quando meteu a bola na baliza logo aos 3’. Que golão! Cinco minutos depois, o Gaitán roubou uma bola perto da área adversária e ofereceu o bis ao Talisca. Estava a ser fácil demais e mais tarde a equipa deslumbrou-se por causa disso. A 1ª parte foi toda nossa e, para além de boas combinações atacantes, atirámos duas bolas aos postes (Lima e Jardel, este já depois de 1-2). O Estoril foi aparecendo no jogo, fruto do nosso relaxamento, e reduziu a diferença aos 38’ na mesma jogada em que também atirou ao poste. De um jogo completamente controlado, passámos para uma situação de vantagem mínima que não augurava nada de bom.

Voltámos a entrar bem na 2ª parte, mas foi o Estoril a empatar a partida aos 53’ numa boa jogada atacante. Estive mesmo a ver a nossa vida andar para trás… Com uma vantagem de dois golos desperdiçada e o jogo da Champions a aproximar-se, temi que desperdiçássemos esta magnífica oportunidade de alagar a vantagem. Mas aos 66’ a partida tornou-se mais fácil com o duplo amarelo (justíssimo) a um jogador do Estoril por derrube ao Enzo Pérez. O Jesus já tinha feito entrar o Derley e o Ola John, e foi o brasileiro a estar na jogada do golo da vitória aos 70’ ao desmarcar-se bem, aproveitar o falhanço do guarda-redes, rematar quase sem ângulo para o Lima só ter que encostar (pareceu-me nas imagens da televisão que a bola não entraria se não fosse o toque do Lima). Até final, nunca mais deixámos o Estoril voltar a criar perigo, enquanto nós ainda poderíamos ter metido mais um (o Lima tem que afinar rapidamente a pontaria…).

Em termos individuais, destaque óbvio para o Talisca, que já leva cinco golos no campeonato, gostei dos extremos (Gaitán e Salvio) e a espaços do Enzo. Não é que tenha cometido grandes erros defensivos, mas o Jardel não pode ser o nosso segundo central. Para terceiro, é perfeito, mas ser titular do Benfica exige outra classe (a quantidade de passes mal feitos é assustadora). O Eliseu também não esteve nada feliz. Ao invés, voltei a gostar do Samaris, que desta vez só foi sacrificado mais tarde no jogo.

Temos um avanço interessante sobre os rivais, que nos permite neste momento ir perder a Mordor e continuar no comando. Mas que este jogo nos sirva de lição para o futuro, porque não podemos estar com dois golos de vantagem e oferecer o empate ao adversário. Sofremos de uma maneira perfeitamente evitável.

P.S. – Convinha que a Liga e os clubes tivessem um pouco mais de respeito pelos espectadores que pagam bilhetes para ir aos jogos. Placards publicitários são muito bonitos e certamente muito úteis financeiramente, mas já agora convinha não taparem a visão aos espectadores! Experimentem sentar-se na segunda fila da bancada nascente da Amoreira e só vêm as cabeças dos jogadores, porque as lonas publicitárias no gradeamento tapam completamente a visão do relvado. Ah, e outra coisa, eu também gosto de ver a linha lateral do lado da minha bancada. Se pudessem não a tapar, por mais alto que se esteja sentado na bancada, e recuassem um pouco mais os painéis publicitários seria óptimo…!

segunda-feira, setembro 22, 2014

Muito suado

Vencemos o Moreirense e, como as três equipas que estavam connosco na frente (Rio Ave, V. Guimarães e CRAC) não ganharam, somos líderes isolados à 5ª jornada. Quem só vir o resultado e não souber como correu a partida, pode pensar que foi uma vitória fácil. Nada mais errado, já que até aos 68’ estivemos a perder e cheguei a temer o pior.

O Jesus lá resolver estrear o Júlio César na nossa baliza, mas este não teve grande trabalho. Fomos nós a dar o pontapé inicial e demos logo o tom para toda a 1ª parte: passe errado na saída de bola e o Moreirense a ficar com ela. Um brilhante passe do Talisca isolou o Lima, que permitiu a defesa do guarda-redes e foi a única coisa de jeito que fizemos em toda a 1ª parte. Foi ainda antes dos 16’, altura do golo do Moreirense: cruzamento para a área, Eliseu a hesitar e um adversário a cabecear à vontade para a baliza. Era importante chegar ao intervalo pelo menos empatados, mas criámos muito poucas oportunidades de golo para o justificarmos. Numa decisão praticamente inédita, o Jesus fez a primeira alteração ainda na 1ª parte e colocou o Derley em vez do Samaris aos 34’. Estava mais do que visto que tínhamos de jogar com dois avançados, como sempre fizemos na maior parte dos jogos nos cinco anos anteriores do Jesus.

A 2ª parte foi muito melhor conseguida, já que sufocámos o Moreirense e praticamente não os deixámos respirar. Foram progressivamente acusando o desgaste de estarem a jogar no campo todo na 1ª parte e as coisas ficaram piores para eles aos 56’ num justíssimo segundo amarelo a castigar uma falta sobre o Talisca (que acabou por sair uns minutos mais tarde), depois de uma brilhante jogada deste. Com 10, o Moreirense praticamente não saiu do seu meio-campo, mas nós revelámos muita inépcia atacante. Quando, num livre para a área, tanto o Jardel como o Luisão não conseguiram marcar, comecei a pensar que aquele não era o nosso dia. Felizmente, o Eliseu (que até então estava a fazer um jogo horrível) descontou de vez o preço que custou ao atirar uma bomba de longíssimo da área, fazendo a bola entrar ao canto superior direito da baliza. Foi aos 68’ e até final ainda tínhamos mais de 20’ para tentar a reviravolta. Que surgiu 10’ depois, numa boa jogada do Ola John (entretanto entrado para o lugar do Talisca), centro do Gaitán e o Maxi Pereira a fuzilar. Dificilmente a vitória nos fugiria e ainda fizemos o terceiro golo num penalty sobre o Lima, que o próprio converteu, terminando assim uma seca de golos que já durava desde a Juventus a 24 de Abril…

Em termos individuais, destaque para o Eliseu, por ter desengatado o jogo, para o Ola John, cuja entrada deu cabo da cabeça do Moreirense, e para o Maxi pela sua inesgotável energia e por mais um golito decisivo. O Derley, à semelhança de 3ª feira, não entrou nada mal e, apesar de ter algumas limitações técnicas, pode ser um jogador muito importante contra este tipo de equipas. O Salvio continua longe da sua forma habitual e hoje praticamente não se viu, o Enzo Pérez ainda parece distante da sua forma física ideal (embora a arrancada perto dos 90’ não esteja ao alcance de qualquer um) e o Gaián também poderia ter-se envolvido mais no jogo.

O Petit, que sempre foi o maior(!), resolveu dar-nos uma grande prenda e foi empatar com Boavista em Mordor a zero. Não estava nada à espera disto e são quatro pontos que as forças do Mal desperdiçam em duas jornadas consecutivas! Continuem lá entretidos com os BATE Borisovs desta vida e a rodar não-sei-quantos jogadores por jogo, sff. Para a semana o CRAC vai ao WC e pode ser que os lagartos demonstrem que, afinal, servem para alguma coisa…

quarta-feira, setembro 17, 2014

Relativizar

Perdemos em casa com o Zenit (0-2) e entrámos da pior maneira na fase de grupos da Liga dos Campeões. Já se sabia que os russos tinham melhores jogadores do que nós, mas a sua superioridade foi ajudada pelo facto de o Artur ter sido expulso logo aos 18’ quando ainda por cima já estavam a ganhar por 1-0. Como o 2º golo surgiu pouco depois, o jogo ficou praticamente decidido, embora nós tenhamos dado uma grande demonstração de brio profissional e lutado sempre para pelo menos marcar um golo.

Entrámos muito mal na partida e um mau passe do Jardel deu origem ao golo do Hulk logo aos 5’. Pouco mais de 10’ depois, outro mau passe do Jardel iniciou o lance da expulsão do Artur, da qual ele também não está isento de culpas, porque demorou os séculos habituais a sair da baliza e depois derrubou o Danny. O Witsel fez o 0-2 aos 22’ (sem comemorar) e a partir daqui o meu medo era que fôssemos goleados. Felizmente, os russos tiraram um pouco o pé do acelerador e assim chegámos ao intervalo sem maiores danos.

A 2ª parte foi mais repartida, com ocasiões para ambos os lados, mas ninguém mais conseguiu marcar. Deu sempre a sensação que o Zenit tinha o jogo na mão e, com um homem a mais, trocava a bola com maior à-vontade fazendo assim a gestão da partida. Nós tivemos algumas boas chances, com uma cabeçada do Luisão e um remate do Lima, ambos defendidos pelo guarda-redes, mas por outro lado ainda vimos o Zenit atirar uma bola ao poste pelo inevitável Hulk e o Rondón a falhar um lance isolado.

Em termos individuais, voltei a gostar do Samaris e o Salvio melhorou em relação a Setúbal. O Enzo continua a parecer-me longe do seu melhor em termos físicos e o Gaitán também não se destacou como habitualmente. Em termos negativos, menção óbvia para o Jardel que serve para os Setúbais e Moreirenses desta vida, mas isto é outro nível e talvez fosse melhor começar a dar jogo ao 5º central da selecção vice-campeã mundial… O Artur voltou igualmente a comprometer, porque se tem sido mais expedito a sair da baliza teria chegado primeiro à bola. Além disso, não deveria ter feito a falta para expulsão, porque era preferível ter sofrido o 2º golo a jogar com 11. É bom que o Júlio César recupere depressa…

Fui para este jogo mais tranquilo que o habitual. Isto era para desfrutar, porque o essencial é o bicampeonato. Esta época não temos um plantel (especialmente um banco) que nos dê muitas esperanças na Europa, pelo que é bom que concentremos energias na principal prova interna. Claro que odeio perder (coisa que já não acontecia em casa há quase dois anos), mas quero é que a equipa se apresente bem no domingo perante o Moreirense.

P.S. – Este jogo vai ficar na memória pelo magnífico espectáculo que os No Name deram nos últimos minutos contagiando todo o estádio no apoio à equipa. Foram momentos belíssimos, especialmente raros neste contexto de iminente derrota (aconteceu o mesmo frente ao Galatasaray na época do Quique), mas que nos enchem a alma de benfiquismo. Todos nós percebemos que a equipa deu tudo em campo e que honrou a camisola, merecendo sem dúvida este enorme tributo.

sexta-feira, setembro 12, 2014

Goleada

Vencemos em Setúbal por 5-0 e regressámos da melhor maneira às vitórias. Foi uma partida mais fácil do que estava à espera e um modelo daquilo que eu gostava que fossem sempre os jogos do Benfica: 3-0 ao intervalo, mas um par de golitos na 2ª parte.

O Júlio César lesionou-se durante a semana, pelo que voltou a jogar o Artur. Felizmente o V. Setúbal foi inofensivo e portanto o nosso guarda-redes não teve trabalho nenhum. A chave para a nossa vitória foi marcarmos muito cedo: aos 10’, o Salvio fez um golão num remate em arco de pé esquerdo de fora da área. O adversário, que até tinha entrado bem, nunca mais se encontrou depois do golo e até ao intervalo o Talisca falhou dois desvios na área, mas compensou isso com dois golos (38’ e 43’). O descanso chegava com a vitória praticamente garantida.

Na 2ª parte, o jogo manteve-se inalterado e era apenas uma questão de tempo até aumentarmos a vantagem, o que aconteceu aos 54’ no hat-trick do Talisca. Ficou tudo decidido e até final ainda marcámos mais um (76’) numa assistência do Lima para o Ola John só ter que encostar. Em termos defensivos, o V. Setúbal não nos criou perigo nenhum.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Talisca. Não só marcou três golos, como ainda fez jogar os seus companheiros. O grego Samaris estreou-se e gostei bastante: farta-se de correr atrás dos adversários, tem critério no passe e compleição física que impõe respeito. O Lima não está numa boa fase em termos de finalização (não marca há uma série de tempo), mas entrega-se muito ao jogo. O Salvio marcou um golão, mas não fez absolutamente mais nada e estragou muito jogo. O Enzo Pérez e o Gaitán estiveram mais discretos desta vez. Realce ainda para a estreia do Cristante, que entrou a cerca de 15’ do fim com o jogo já resolvido e não deu para ver grande coisa.

Foi uma exibição agradável apesar da fraca oposição. Espero que isto sirva para a equipa aumentar a confiança, porque na próxima 3ª feira já aí temos a Champions.

segunda-feira, setembro 08, 2014

Humilhante

Perdemos em casa frente à Albânia (0-1) no 1º jogo de qualificação para o Euro 2016 em França. Foi apenas a 3ª vitória dos albaneses numa qualificação para o Euro e certamente o momento mais alto da sua história futebolística. Poder-se-ia falar dos 19 remates que fizemos versus os dois(!) dos albaneses, mas a estatística que talvez melhor explique o resultado é que dos 19 apenas quatro foram à baliza, enquanto o adversário acertou na baliza os dois remates que fez.

Sem o Cristiano Ronaldo, somos uma selecção que roça a vulgaridade. Facto exponenciado pela má forma de alguns jogadores e falta de qualidade de muitos deles. Só o João Moutinho jogou alguma coisa de forma constante, acompanhado a espaços pelo Coentrão. Todos os outros foram de uma mediocridade atroz, com o João Pereira e o Éder à cabeça. O Ivan Cavaleiro, que entrou na 2ª parte, mostrou a razão pela qual foi emprestado pelo Benfica, enquanto ainda não foi desta que o André Gomes me convenceu que não fizemos um óptimo negócio em vendê-lo por 15 M€.

Como os dois primeiros são classificados directamente e o 3º ainda vai a um play-off, seria uma catástrofe que não nos qualificássemos para o Euro. Mas temos que melhorar muito nos próximos jogos, caso contrário o panorama torna-se mesmo muito negro.

segunda-feira, setembro 01, 2014

Obrigado e adeus, Artur!

Empatámos com a lagartada (1-1) e perdemos os primeiros pontos no campeonato. É um ponto com um sabor muito amargo, porque tivemos mais e melhores oportunidades, e porque oito anos depois o Artur resolveu oferecer um golo aos lagartos na Luz, tornando este certamente (nem outra coisa me passa pela cabeça!) o seu último jogo com a camisola do Benfica.

Entrámos muito fortes na partida e marcámos logo aos 12’ numa boa combinação entre Maxi e Salvio finalizada pelo Gaitán com o pé direito! A lagartada tremeu, acusou o golo e esperava-se que nós aproveitássemos este facto para aumentar a vantagem e dar a sentença final à partida. Infelizmente, entrámos em campo com 10, o que, se já é mau por si só, muito pior se torna quando quem falta é o guarda-redes! O espectáculo Artur começou logo com uma saída em falso num canto ainda nos primeiros minutos, que só não resultou em golo, porque o lagarto cabeceou ao lado. Pouco depois, noutro canto houve uma bola muito mal socada e finalmente aos 20’ cometeu a proeza de virar o sentido do jogo ao rematar contra um adversário, escorregar e deixar que o Slimani cabeceasse à vontade para a baliza deserta. Um frango monumental! Até ao intervalo, nada mais fizemos de relevante, porque a equipa se intranquilizou imenso com o galináceo que estava na baliza e nunca conseguiu sair a jogar como costuma fazer. A lagartada teve uma grande oportunidade, quando o Slimani, em ligeiro fora-de-jogo, fez um passe ao Artur quando estava só com ele pela frente (creio que o argelino deve ter julgado que estava mesmo fora-de-jogo, porque o remate é ridículo).

No regresso dos balneários, voltámos a entrar bem e criámos uma série de oportunidades. Só o Salvio teve três(!) à sua conta, houve remates do Talisca e Enzo Pérez também perigosos, cabeceamento do André Almeida para grande defesa do Rui Patrício e outro do Gaitán por cima num canto. A lagartada teve uma grande oportunidade mesmo a acabar o jogo, com um desvio do Slimani e boa defesa do Artur, que segurou o empate que ele próprio provocou.

Em termos individuais, gostei muito do André Almeida (neste jogos em que o trinco tem mais que destruir do que construir, as suas limitações nesse campo são menos evidentes), que se fartou de cortar bolas e correr atrás dos adversários. O Gaitán teve os seus habituais toques de classe e marcou o golo. O Luisão também esteve bem na defesa, assim como o Maxi e o Eliseu (boa contratação!). O Artur insiste em jogar com o Jardel como se este fosse o Garay, mas não pode ser. Boa resposta também do Talisca no seu primeiro derby, embora tenha rebentado aos 70’. O Lima fartou-se de lutar, mas continua sem molhar o bico. Já se sabe que o Enzo Pérez não sabe jogar mal, mas não esteve nos seus dias, assim como o Salvio que falhou belíssimas oportunidades para nos fazer ganhar o jogo. Quando ao Artur, depois do jogo é fácil dizer o contrário, mas se eu fosse o Jorge Jesus também o teria posto de início. Porque até agora ele nada tinha feito que justificasse a perda da titularidade e, se por acaso o Júlio César desse um frango logo na estreia, era difícil justificar a troca. Mas também assumo claramente que eu tê-lo-ia tirado ao intervalo. Aquela 1ª parte foi de bradar aos céus e arriscámo-nos mesmo a perder o jogo por causa dele. Agradeço-lhe a conquista da Supertaça desta época, já está na história do Benfica, mas adeus até nunca mais. Já chega!

O campeonato vai agora parar por causa das selecções e, quando voltar, teremos logo aí à porta a 1ª jornada da Champions. Espero que dia de hoje de fecho do mercado não traga surpresas desagradáveis (Enzo, fica por favor!) e se nos caísse no plantel um avançado que desse garantias de golos dava algum jeito…

sábado, agosto 30, 2014

Sorteio da Liga dos Campeões

O tempo de férias não me permitiu postar mais cedo acerca do sorteio da passada quinta-feira. Um grupo pior do que tivemos só se fosse com o Borussia Dortmund, Liverpool e Roma… Calhou-nos o Zenit, Bayer Leverkusen e Mónaco. Ou seja, uma equipa milionária do campeonato russo que nos veio buscar o Garay, Witsel e agora também tem o Javi García, uma forte equipa do supercompetitivo campeonato alemão (do 2º lugar para baixo) e a equipa do pote 4, que geralmente custam ser garantida de seis pontos, é… um dos novos milionários do futebol europeu! Se o Falcão for para o Real Madrid, ajudará um pouco, mas um grupo destes não é garantia de nada. Nem sequer de uma continuação na Europa League, porque nós estamos muito mais fracos este ano (mesmo que não saia mais ninguém) e já não há Cardozos e Matics para nos ajudarem a eliminar o Leverkusen, por exemplo.

Enfim, veremos o que vai acontecer, mas não estou nada optimista com este sorteio. Ainda por cima, não são equipas que costumem movimentar grandes adeptos e portanto duvido que o estádio esgote uma vez que seja.

P.S. – Ao invés, os assumidamente corruptos tiveram a vaca costumeira nestas ocasiões, porque Shakhtar Donetsk, Athletic Bilbao e BATE Borisov dever-lhe-ão assegurar a qualificação para os oitavos sem grandes dificuldades e mesmo a lagartada, com Chelsea, Schalke 04 e Maribor, terá algumas hipóteses de ficar em 2º lugar e, mesmo que não o consiga, se forem eliminados das competições europeias pelo Maribor será uma vergonha até para eles.

segunda-feira, agosto 25, 2014

Duro

Vencemos o Boavista no relvado sintético do Bessa (1-0) e continuamos no grupo da frente do campeonato com duas vitórias em dois jogos. Foi uma vitória sem nota artística, mas o mais importante foi conseguido numa partida bastante mais complicada do que se estaria à espera perante um adversário que vinha de duas divisões abaixo.

Não entrámos bem no jogo e demorámos muito tempo a criar perigo. Sem o Enzo Pérez, a equipa perde muita qualidade no jogo atacante, situação que foi agravada pela enésima lesão do Rúben Amorim, desta feita por culpa do relvado. Com André Almeida e Talisca, o nosso meio-campo não é bem a mesma coisa… Um remate de ressaca do Eliseu e um desvio do Gaitán proporcionaram duas boas defesas ao guarda-redes Dany Monllo que, felizmente, errou redondamente aos 44’ num remate do Eliseu fora da área que ressaltou à sua frente, mas era defensável. Foi um golo caído do céu, porque não estávamos a fazer muito para o conseguir. Mérito total para o nosso defesa-esquerdo.

Pensei que na 2ª parte, com o natural avanço do Boavista, tivéssemos melhores oportunidades para dar a estocada final no resultado, mas raramente conseguimos sair a jogar. Lá está, a falta de um melhor meio-campo impediu que desenvolvêssemos o nosso jogo habitual de trocas de bola até criar desequilíbrios. O que valeu foi que defendemos bem e o Boavista só conseguiu atingir a baliza através de lances em claro fora-de-jogo que foram bem assinalados pelo fiscal-de-linha. Um remate do Talisca e outro do Lima, este muito ao lado, foram os nossos lances de maior perigo.

Em termos individuais, referência obrigatória para o Eliseu pelo golo decisivo e pela tentativa que já tinha feito anteriormente. Estava um pouco céptico com a sua contratação, mas parece que felizmente me enganei… O Salvio e o Gaitán tentaram dar alguma nota artística ao nosso futebol, mas o dia não estava para isso. Ficou novamente demonstrada a enorme importância que o Enzo Pérez tem no actual Benfica e, com a lesão do Amorim, é bom que o grego Samaris comece a render no imediato. Afinal, outra coisa não se espera outra coisa de quem custou 10M€.

Vamos receber os lagartos com dois pontos de vantagem sobre eles e é muito importante continuar com esta senda vitoriosa, porque isso significaria colocá-los já a cinco em apenas três jornadas. E, já se sabe, que o lagarto é um ser que se entusiasma com pouco e vai ficando cada vez mais insuportável, portanto convém cortarmos-lhes as vazas logo de início.

P.S. – Eu até tinha boa impressão do Sr. Marco Ferreira, mas o que se passou no Bessa foi uma vergonha como já há algum tempo não via. Uma dualidade de critérios gritantes, faltas evidentes a nosso favor não assinaladas e cargas de ombro nossas convertidas em falta. Pareceu-me que ficou um penalty sobre o Jara por marcar (convertido em… cartão amarelo!) e o que nos valeu foi que os dois golos anulados ao Boavista foram evidentes foras-de-jogo, para além de nenhum adversário se ter lembrado de atirar para a piscina na área, caso contrário, muito provavelmente estaríamos a lamentar dois pontos roubados já à 2ª jornada. Este campeonato promete…

segunda-feira, agosto 18, 2014

Maldição quebrada

Dez(!) anos depois voltámos finalmente a vencer na 1ª jornada do campeonato ao derrotar o Paços de Ferreira por 2-0. Foi um triunfo mais que justo numa partida agradável e bem disputada, especialmente na 1ª parte. Na 2ª, a nossa superioridade foi incontestável e o Paços não criou nenhuma oportunidade de golo.

Como a minha religião não me permite faltar a missas na Catedral, houve que interromper as férias e fazer 600 km em seis horas de comboio para assistir in loco à estreia dos campeões nacionais no campeonato. Não entrámos tão bem na partida como na Supertaça e o Paços surpreendeu-me ao não se remeter ao autocarro habitual das equipas mais pequenas. O encontro foi por isso muito repartido na 1ª parte, com o Talisca a não saber muito bem onde se colocar na posição de segundo avançado, o que impedia alguma fluidez no nosso jogo. Aos 10’, o Sr. Cosme Machado entrou em acção ao assinalar um penalty contra nós por pretenso empurrão do Eliseu a um adversário. Tenho a certeza absoluta que, se fosse ao contrário, nada marcaria. O Artur, à semelhança de Aveiro, voltou a brilhar nos penalties e a defender mais um. Foi muito importante esta manutenção do empate, porque um golo adversário nesta altura certamente que nos intranquilizaria muito. Uma excelente combinação atacante entre o Maxi e o Gaitán aos 25’ permitiu ao uruguaio ser o primeiro marcador do Benfica no campeonato. Perto do final da 1ª parte, o Enzo Pérez queixou-se e foi substituído pelo Jara. É pena não ser já 1 de Setembro para estarmos mais tranquilos…

A 2ª parte foi mais desequilibrada, connosco a assumir o completo controlo de jogo muito através do Ruben Amorim que foi dos melhores em campo. Tivemos alguns remates com algum perigo, mas nunca acertando na baliza, até que aos 72’ o Gaitán voltou a fazer magia e colocou a bola na cabeça do Salvio para outro bonito golo. A partida ficou praticamente decidida e até final foi pena não termos marcado mais nenhum golo, que nos colocaria na frente do campeonato (não é importante nesta altura, mas é sempre bom estar na frente mesmo por diferença de golos…).

Em termos individuais, óbvio destaque para o Gaitán pelas duas assistências a fazer mais que jus ao número 10 que agora enverga (esta coisa de termos prometido o número 10 a um Djuricic qualquer para ele assinar mais rapidamente, quando o Gaitán já o andava a pedir há muito tempo, é algo que não percebo…) e para o Ruben Amorim que foi o rei do meio-campo. Menção também evidente para o Artur por ter defendido um penalty numa altura muito precoce do jogo e para a dupla de centrais (Luisão e Jardel), que esteve sempre muito atenta. O Jara entrou bem e esteve muito lutador, embora com algumas dificuldades em acertar na baliza… O Talisca teve um jogo em crescendo, mas acho que não é jogador para ser segundo avançado. Falta-lhe colocação no terreno e killer instinct.

Matámos um borrego com dez anos e a última vez que vencemos na 1ª jornada quebrámos um jejum de vitórias no campeonato com 11 anos. Pode ser que seja um bom prenúncio para esta época voltarmos a fazer algo que já não fazemos há mais de 30 anos…

P.S. – Não se pode acelerar o tempo e chegarmos já a 1 de Setembro…?!

segunda-feira, agosto 11, 2014

Poker 2014

Vencemos o Rio Ave nos penalties (3-2) depois de um injustíssimo 0-0 ao longo dos 120’ e conquistámos a 5ª Supertaça do nosso palmarés. Mas mais relevante do que isso é termos feito história, porque é a primeira vez que um clube ganha todos os troféus nacionais em disputa num mesmo ano civil. Foi obtida da maneira mais sofrida, mas impediu-se uma das maiores injustiças futebolísticas de todos os tempos.

Com os regressos do Luisão, Jardel e, PRINCIPALMENTE, do Enzo Pérez, a equipa transfigurou-se em relação ao que havia feito até agora. Fizemos DE LONGE a melhor exibição desde o início da temporada, com uma 1ª parte com nota artística muito elevada, mas revelando desde logo grandes problemas na finalização. (Pois é, parece que o outro que “não jogava nada e só sabia marcar golos” afinal ainda vai fazer muita falta, não é, seus acéfalos que o assobiavam…?!). Com o Talisca a jogar a 10, mas sem revelar o killer instinct necessário para aquela posição (aquelas duas bolas em que chega atrasada, o Cardozo metê-las-ia de caras e depois alguns diriam “pois, era só encostar”… Pois era, mas ele estava lá para o fazer!), o Enzo deu um verdadeiro recital durante 45’, muito bem secundado pelo Salvio e pelo Gaitán que, quando decidir ser mais objectivo na hora do remate e não querer entrar com a bola pela baliza adentro, tornar-se-á um jogador ainda mais genial do que já é. Infelizmente, tal vendaval de qualidade futebolística não fez com que chegássemos ao intervalo em vantagem.

Na 2ª parte, não tivemos oportunidades tão flagrantes (muito por culpa de erros no último passe, cerimónia na altura do remate ou cruzamentos que só encontravam os centrais do Rio Ave), mas mesmo assim um tiraço de pé esquerdo do Lima deu-me a sensação de golo. No prolongamento, o Rio Ave finalmente lembrou-se que havia uma baliza na qual era suposto tentar marcar e inacreditavelmente podê-lo-ia ter feito já perto do final, quando o Artur dá uma casa de todo o tamanho num canto (tenta socar uma bola perfeitamente agarrável, ela bate-lhe no peito e ressalta para o lado) e o Jardel, ao tentar aliviar, remata para onde estava virado, e a bola bate na barra. Não estava nada confiante para os penalties, porque era o objectivo do Rio Ave, que teria essa vantagem psicológica e, além disso, foram eles a começar a marcar (algo que teoricamente é mais vantajoso). Felizmente que desta feita (e ao contrário da Liga Europa) os penalties foram na baliza onde estavam os nossos adeptos e isso também ajudou. O Artur, que já na 1ª parte tinha tentado fintar na área e ainda agora estou para saber como não fez penalty e expulsão, foi o herói ao defender três penalties (e, além disso, adivinhou o lado para onde todos eles forma batidos). O futebol não deixa de ter estas coisas curiosas. O último penalty foi batido pelo Tiago Pinto (filho do grande João Vieira Pinto) e gostaria de ver uma estatística que pudesse confirmar aquilo que uma observação empírica me inclina a concluir: é muito alta a percentagem de defesas-esquerdos que falha penalties neste tipo de desempate, pelo que quando vi que era ele a marcar a minha confiança aumentou.

Em termos individuais, destaque para o trio de argentinos (Enzo, Salvio e Gaitán), com o vice-campeão mundial a ser eleito o “homem do jogo”. Começámos a chamar por ele no final, ele agradeceu, dizendo adeus com a mão e batendo com ela no símbolo do Benfica. Espero SINCERAMENTE que não queira dizer quilo que julgo que quis dizer, porque nem quero imaginar como será o nosso jogo sem ele. Viu-se bem nesta partida a ENORME diferença que ele faz, jogando e fazendo também os companheiros jogarem. Grandes exibições também do Luisão e Jardel, que teve a sorte de não se tornar o “vilão” do jogo no último lance, algo que seria bastante injusto. Também gostei muito do Eliseu, tanto a defender como a atacar, que foi uma boa surpresa em relação ao que esperava. O Artur também merece obviamente grande destaque, mas concordo com o que já li por aí: já arranjámos no nosso Tim Krull, agora só falta o guarda-redes…

Começámos esta temporada da mesma maneira que a anterior, ou seja, a ganhar troféus oficiais e vamos ver se para a semana matamos um borrego já com 10(!!!) anos e voltamos a ganhar na 1ª jornada do campeonato!

P.S. – Dê lá por onde der, NÃO DEIXEM SAIR o Enzo! Ofereçam o nome do Estádio ao Peter Lim, o Jesus dá-lhe metade do seu ordenado, qualquer coisa, mas é fundamental que ele fique!

segunda-feira, agosto 04, 2014

Obrigado, Cardozo!


Meu caro Óscar,

Era inevitável, mas hoje é um dia muito triste para mim. Obviamente sabia que qualquer dia terias de sair do Benfica, talvez esta até tenha sido a melhor altura, já que estarás certamente consciente que, depois da grave lesão da época passada, nunca mais foste o mesmo e nem nós nem tu queríamos que a última imagem fosse menos positiva. Mas como um adepto de futebol age mais com o coração do que com a cabeça, secretamente eu ainda tinha a esperança que voltasses a ser o que sempre foste e via em cada toque teu bem conseguido, e cada tabelinha que entrava nesta pré-época, um sinal de que estavas a subir de forma. No entanto, vieram os turcos com uma boa proposta para ti e não seria justo cortarmos-te as pernas nesta fase da tua carreira.

Serve este post para te dizer, em meu nome e de todos os benfiquistas que não deixam o cérebro em casa quando vão ao estádio, e portanto sempre te admiraram, MUITO OBRIGADO por tudo o que fizeste no Glorioso. 171 golos em 293 jogos só não impressionam pessoas com acentuada deficiência cognitiva e que portanto acham que o mais importante do futebol não é… meter a bola na baliza! É que eu não tenho problemas nenhuns em confessar uma fraqueza minha: gosto de jogadores que… marquem golos com regularidade! Tens o teu lugar mais que assegurado na história do nosso clube (o melhor marcador estrangeiro de sempre, o segundo melhor marcador nas competições europeias – só atrás do teu ídolo Eusébio -, o nono melhor marcador de sempre), mas mais do que isso tiveste ao longo do tempo grandes demonstrações de que te tornaste benfiquista e que sentes muito o Glorioso (basta recordar como te comportaste no funeral do Eusébio). Por tudo isso, e como todos os adeptos têm uma predilecção especial por este ou aquele jogador, eu festejava os teus golos ainda com mais alegria (seguindo o que fazia com os golos do Manniche, Magnusson, João Pinto, Rui Costa ou Nuno Gomes). É que eram golos do Benfica e DE Benfica!

Tenho imensa pena que não tenhas tido oportunidade de te despedir de nós durante um jogo na Luz (pecha de que igualmente sofreram o Nuno Gomes e o Aimar, por exemplo), porque tu e nós merecíamo-lo. Gostaria de ter podido entoar o teu cântico uma última vez contigo a assistir. Não foi possível, mas espero que um dia destes voltes para nos visitar e tenhas a possibilidade de ir ao relvado antes de um jogo para te saudarmos uma última vez. Desejo-te imensas felicidade na Turquia e mais uma vez expresso-te o nosso AGRADECIMENTO eterno.

Até sempre, Tacuara! Serás sempre o Maior!

P.S. – Só a falta de sensibilidade materna para uma belíssima homenagem impediu que o meu filho mais novo se chamasse Óscar. Situação de que ainda hoje me arrependo, já que um dia depois de ele ter nascido, tu lembraste-te de enfiar três batatas aos lagartos no inolvidável jogo da Taça da época passada. Foi a melhor prenda de boas-vindas que ele poderia ter tido!

* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.

Primeira e última

Perdemos com o Valência por 1-3 e ficámos em último lugar na Emirates Cup, com o fantástico pecúlio de duas derrotas e 2-8 em golos… É bom que tenhamos gostado de lá ir, porque provavelmente foi a primeira e última participação neste torneio: depois de tal demonstração de fragilidade competitiva, duvido que sejamos novamente convidados.

Com uma equipa substancialmente diferente da que alinhou frente ao Arsenal e basicamente constituída por (supostas) segundas linhas, até começámos bem com a estreia do Derley a marcar pelo Benfica logo aos 2’. A 1ª parte foi bastante razoável, com várias situações da nossa parte (incluindo uma bola à barra na única coisa de jeito que o Jara fez), mas também oportunidades por parte do Valência (também com uma bola ao poste). Na 2ª, entraram o André Gomes, Rodrigo e outro centrocampista nos espanhóis, nós substituímos o João Cancelo pelo Luís Felipe, e estas quatro alterações foram decisivas para o desfecho do encontro. O Valência marcou três golos em dez minutos e aos 60’ já ganhava por 3-1. Todos os golos nasceram do lado direito da nossa defesa (vá-se lá saber porquê…), com o Artur a ter preciosa colaboração num deles e dando dois frangos descomunais nos outros dois. O jogo ficou praticamente decidido, apesar de até final termos demonstrado vontade de fazer marcar mais um golo.

De positivo nesta partida, o Derley, que ficou muito confiante com o golo e foi claramente o melhor do Benfica, ao receber bem as bolas de costas para a baliza, rodopiar e fazer jogar os companheiros, e o Bebé, que mostrou durante a 1ª parte pormenores interessantes e parece estar a subir de forma. Quanto ao resto, foi basicamente para esquecer: o Jara tem muito vontade, mas a bola atrapalha-o imenso, o Candeias parece seguir a linha dos Nandinhos e Carlitos desta vida e o Sidnei é melhor oferecê-lo enquanto é tempo. Quanto ao Artur, acho que nem oferecido, já que está a encarnar com bastante competência o espírito do Roberto e, se não vier um guarda-redes até domingo, é melhor jogarmos com o Paulo Lopes na Supertaça (ou um júnior qualquer), e o Luís Felipe pode pedir uma indemnização a quem o convenceu que tinha jeito para jogar à bola. Entrou ao intervalo e saiu aos 76’ naquela que terá sido (ESPERO BEM) a última vez que vestiu a camisola do Benfica. Nós já devíamos saber que “Luís Felipe” e “lateral-direito” são palavras que não combinam nada bem, mas nem isso nos deixou alerta. Neste momento, tenho uma grande dúvida: se foi ele que veio preencher a “quota Cortez” ou se o Cortez é que veio preencher a “quota Luís Felipe” do plantel. O defesa-esquerdo durou até Dezembro, espero que este nem inicie a época. (Sinceramente, e fora de brincadeira, com o Maxi a ser dono do lugar, e tendo o André Almeida, João Cancelo e possivelmente Sílvio como segundas opções, QUEM É QUE SE LEMBROU de trazer esta abécula?!).

Posto isto, o Jesus já veio dizer, meio a sério, meio a brincar, que, se sair mais alguém, ele também sai. Neste momento, já deve estar mais que arrependido de não ter aceitado o convite do Milan (não sendo adepto do clube que estivesse a treinar, eu estaria…), mas é bom que aquelas palavras sirvam de alerta a quem de direito. Começamos para a semana a época oficial e as perspectivas não são nada positivas. Se sair o Enzo e/ou o Gaitán, se calhar o melhor mesmo é fecharmos para férias durante um ano e voltarmos em 2015/16… É que sinceramente não me lembro de uma pré-época com seis(!) derrotas em oito jogos.

sábado, agosto 02, 2014

Humilhante embaraço

Fomos goleados pelo Arsenal por 1-5 no primeiro jogo na Emirates Cup. E até poderia ter sido pior, porque nos últimos minutos levámos com duas bolas nos postes. Tal como referi no post anterior, temia o pior, o que infelizmente se veio a confirmar.

De nada serve dizer que até nem começámos mal, com o Gaitán a 10 e o Ola John na esquerda, e que nos primeiros 25 minutos a partida foi equilibrada, tendo nós inclusive atirado uma bola à barra pelo Gaitán, porque assim que sofremos um primeiro golo naquele minuto começou o descalabro defensivo. Com o César e o Sidnei a centrais, a nossa defesa foi um passador e homenageámos o Brasil ao sofrer três golos nos últimos cinco minutos(!) da 1ª parte. A começar a 2ª parte, levámos logo mais um num poker do Sanogo. Aos 61’, marcámos o golo de honra pelo nosso melhor jogador, Gaitán.

Não vou fazer análises individuais, porque num jogo com este resultado não vale a pena. O que eu gostava mesmo de saber (e vou repetir isto até à exaustão) é quem é que se lembrou de marcar jogos na 4ª e 5ª com a Emirates Cup já agendada há não sei quanto tempo?!?! É que não estamos a falar do torneio do Guadiana, com o devido respeito! A Emirates Cup é vista em muitos países e uma humilhação destas, mesmo sendo na pré-temporada, fica muito mal no nosso currículo. Ao mundo do futebol é indiferente o facto de termos a equipa dizimada e muitos jogadores importantes lesionados: quem lá jogou foi a equipa principal do Benfica e foi essa que levou uma tareia que é impossível não nos envergonhar. O pior disto tudo é que se estava mesmo a ver, porque a época começou coxa de muitos jogadores e no planeamento inicial não estavam incluídos aqueles dois jogos na 4ª e 5ª feira. Mas não, alguma mente luminosa achou que era boa ideia chegar com a equipa fisicamente de rastos a um torneio com tanto prestígio. Estamos no bom caminho, não haja dúvida…!

sexta-feira, agosto 01, 2014

Desagradável

Perdemos com o Athletic Bilbao por 0-2 no segundo jogo em dias consecutivos. Não há muito a dizer desta derrota a não ser que foi merecida e que até poderia ter tido números piores para nós. Quando não se cria uma única clara situação de golo em 90’, não se pode esperar mais.

O que me apraz dizer acerca desta partida é que espero que esta digressão à Suíça tenha valido bem a pena em termos financeiros. É que uma coisa é jogar em dias seguidos com os Étoile Carouges e os Sions desta vida, outra é fazer quatro jogo em cinco dias perante adversários da craveira do A. Bilbao, Arsenal e Valência. Ainda por cima, com a equipa desfalcada. Em termos desportivos, não se entende esta gestão que vai fazer tudo menos dar confiança à equipa. Já temos quatro derrotas em seis jogos e temo bem que possamos acabar a pré-época com seis derrotas em oito jogos. O que, mesmo tendo em conta a valia dos adversários, está longe de ser satisfatório.