segunda-feira, agosto 25, 2014
Duro
Vencemos o Boavista no relvado sintético do Bessa (1-0) e continuamos no
grupo da frente do campeonato com duas vitórias em dois jogos. Foi uma vitória
sem nota artística, mas o mais importante foi conseguido numa partida bastante
mais complicada do que se estaria à espera perante um adversário que vinha de
duas divisões abaixo.
Não entrámos bem no jogo e demorámos muito tempo a criar perigo. Sem o Enzo
Pérez, a equipa perde muita qualidade no jogo atacante, situação que foi
agravada pela enésima lesão do Rúben Amorim, desta feita por culpa do relvado.
Com André Almeida e Talisca, o nosso meio-campo não é bem a mesma coisa… Um
remate de ressaca do Eliseu e um desvio do Gaitán proporcionaram duas boas
defesas ao guarda-redes Dany Monllo que, felizmente, errou redondamente aos 44’
num remate do Eliseu fora da área que ressaltou à sua frente, mas era
defensável. Foi um golo caído do céu, porque não estávamos a fazer muito para o
conseguir. Mérito total para o nosso defesa-esquerdo.
Pensei que na 2ª parte, com o natural avanço do Boavista, tivéssemos
melhores oportunidades para dar a estocada final no resultado, mas raramente
conseguimos sair a jogar. Lá está, a falta de um melhor meio-campo impediu que
desenvolvêssemos o nosso jogo habitual de trocas de bola até criar
desequilíbrios. O que valeu foi que defendemos bem e o Boavista só conseguiu
atingir a baliza através de lances em claro fora-de-jogo que foram bem
assinalados pelo fiscal-de-linha. Um remate do Talisca e outro do Lima, este
muito ao lado, foram os nossos lances de maior perigo.
Em termos individuais, referência obrigatória para o Eliseu pelo golo
decisivo e pela tentativa que já tinha feito anteriormente. Estava um pouco
céptico com a sua contratação, mas parece que felizmente me enganei… O Salvio e
o Gaitán tentaram dar alguma nota artística ao nosso futebol, mas o dia não
estava para isso. Ficou novamente demonstrada a enorme importância que o Enzo
Pérez tem no actual Benfica e, com a lesão do Amorim, é bom que o grego Samaris
comece a render no imediato. Afinal, outra coisa não se espera outra coisa de
quem custou 10M€.
Vamos receber os lagartos com
dois pontos de vantagem sobre eles e é muito importante continuar com esta
senda vitoriosa, porque isso significaria colocá-los já a cinco em apenas três
jornadas. E, já se sabe, que o lagarto
é um ser que se entusiasma com pouco e vai ficando cada vez mais insuportável,
portanto convém cortarmos-lhes as vazas logo de início.
P.S. – Eu até tinha boa impressão do Sr. Marco Ferreira, mas o que se
passou no Bessa foi uma vergonha como já há algum tempo não via. Uma dualidade
de critérios gritantes, faltas evidentes a nosso favor não assinaladas e cargas
de ombro nossas convertidas em falta. Pareceu-me que ficou um penalty sobre o
Jara por marcar (convertido em… cartão amarelo!) e o que nos valeu foi que os
dois golos anulados ao Boavista foram evidentes foras-de-jogo, para além de
nenhum adversário se ter lembrado de atirar para a piscina na área, caso contrário, muito provavelmente estaríamos a lamentar
dois pontos roubados já à 2ª jornada. Este campeonato promete…
segunda-feira, agosto 18, 2014
Maldição quebrada
Dez(!) anos depois voltámos finalmente a vencer na 1ª jornada do campeonato
ao derrotar o Paços de Ferreira por 2-0. Foi um triunfo mais que justo numa
partida agradável e bem disputada, especialmente na 1ª parte. Na 2ª, a nossa
superioridade foi incontestável e o Paços não criou nenhuma oportunidade de
golo.
Como a minha religião não me
permite faltar a missas na Catedral,
houve que interromper as férias e fazer 600 km em seis horas de comboio para
assistir in loco à estreia dos
campeões nacionais no campeonato. Não entrámos tão bem na partida como na
Supertaça e o Paços surpreendeu-me ao não se remeter ao autocarro habitual das equipas mais pequenas. O encontro foi por
isso muito repartido na 1ª parte, com o Talisca a não saber muito bem onde se
colocar na posição de segundo avançado, o que impedia alguma fluidez no nosso
jogo. Aos 10’, o Sr. Cosme Machado entrou em acção ao assinalar um penalty
contra nós por pretenso empurrão do Eliseu a um adversário. Tenho a certeza
absoluta que, se fosse ao contrário, nada marcaria. O Artur, à semelhança de
Aveiro, voltou a brilhar nos penalties e a defender mais um. Foi muito
importante esta manutenção do empate, porque um golo adversário nesta altura
certamente que nos intranquilizaria muito. Uma excelente combinação atacante
entre o Maxi e o Gaitán aos 25’ permitiu ao uruguaio ser o primeiro marcador do
Benfica no campeonato. Perto do final da 1ª parte, o Enzo Pérez queixou-se e
foi substituído pelo Jara. É pena não ser já 1 de Setembro para estarmos mais
tranquilos…
A 2ª parte foi mais desequilibrada, connosco a assumir o completo controlo
de jogo muito através do Ruben Amorim que foi dos melhores em campo. Tivemos
alguns remates com algum perigo, mas nunca acertando na baliza, até que aos 72’
o Gaitán voltou a fazer magia e colocou a bola na cabeça do Salvio para outro
bonito golo. A partida ficou praticamente decidida e até final foi pena não
termos marcado mais nenhum golo, que nos colocaria na frente do campeonato (não
é importante nesta altura, mas é sempre bom estar na frente mesmo por diferença
de golos…).
Em termos individuais, óbvio destaque para o Gaitán pelas duas assistências
a fazer mais que jus ao número 10 que agora enverga (esta coisa de termos
prometido o número 10 a um Djuricic qualquer para ele assinar mais rapidamente,
quando o Gaitán já o andava a pedir há muito tempo, é algo que não percebo…) e
para o Ruben Amorim que foi o rei do
meio-campo. Menção também evidente para o Artur por ter defendido um penalty
numa altura muito precoce do jogo e para a dupla de centrais (Luisão e Jardel),
que esteve sempre muito atenta. O Jara entrou bem e esteve muito lutador,
embora com algumas dificuldades em acertar na baliza… O Talisca teve um jogo em
crescendo, mas acho que não é jogador para ser segundo avançado. Falta-lhe
colocação no terreno e killer instinct.
Matámos um borrego com dez anos e
a última vez que vencemos na 1ª jornada quebrámos um jejum de vitórias no
campeonato com 11 anos. Pode ser que seja um bom prenúncio para esta época
voltarmos a fazer algo que já não fazemos há mais de 30 anos…
P.S. – Não se pode acelerar o tempo e chegarmos já a 1 de Setembro…?!
segunda-feira, agosto 11, 2014
Poker 2014
Vencemos o Rio Ave
nos penalties (3-2) depois de um injustíssimo 0-0 ao longo dos 120’ e
conquistámos a 5ª Supertaça do nosso palmarés. Mas mais relevante do que isso é
termos feito história, porque é a primeira vez que um clube ganha todos os troféus
nacionais em disputa num mesmo ano civil. Foi obtida da maneira mais sofrida,
mas impediu-se uma das maiores injustiças futebolísticas de todos os tempos.
Com os regressos do
Luisão, Jardel e, PRINCIPALMENTE, do Enzo Pérez, a equipa transfigurou-se em
relação ao que havia feito até agora. Fizemos DE LONGE a melhor exibição desde
o início da temporada, com uma 1ª parte com nota artística muito elevada, mas
revelando desde logo grandes problemas na finalização. (Pois é, parece que o
outro que “não jogava nada e só sabia marcar golos” afinal ainda vai fazer
muita falta, não é, seus acéfalos que o assobiavam…?!). Com o Talisca a jogar a
10, mas sem revelar o killer instinct
necessário para aquela posição (aquelas duas bolas em que chega atrasada, o
Cardozo metê-las-ia de caras e depois alguns diriam “pois, era só encostar”…
Pois era, mas ele estava lá para o fazer!), o Enzo deu um verdadeiro recital
durante 45’, muito bem secundado pelo Salvio e pelo Gaitán que, quando decidir
ser mais objectivo na hora do remate e não querer entrar com a bola pela baliza
adentro, tornar-se-á um jogador ainda mais genial do que já é. Infelizmente,
tal vendaval de qualidade futebolística não fez com que chegássemos ao
intervalo em vantagem.
Na 2ª parte, não
tivemos oportunidades tão flagrantes (muito por culpa de erros no último passe,
cerimónia na altura do remate ou cruzamentos que só encontravam os centrais do
Rio Ave), mas mesmo assim um tiraço de pé esquerdo do Lima deu-me a sensação de
golo. No prolongamento, o Rio Ave finalmente lembrou-se que havia uma baliza na
qual era suposto tentar marcar e inacreditavelmente podê-lo-ia ter feito já
perto do final, quando o Artur dá uma casa
de todo o tamanho num canto (tenta socar uma bola perfeitamente agarrável, ela
bate-lhe no peito e ressalta para o lado) e o Jardel, ao tentar aliviar, remata
para onde estava virado, e a bola bate na barra. Não estava nada confiante para
os penalties, porque era o objectivo do Rio Ave, que teria essa vantagem
psicológica e, além disso, foram eles a começar a marcar (algo que teoricamente
é mais vantajoso). Felizmente que desta feita (e ao contrário da Liga Europa)
os penalties foram na baliza onde estavam os nossos adeptos e isso também
ajudou. O Artur, que já na 1ª parte tinha tentado fintar na área e ainda agora
estou para saber como não fez penalty e expulsão, foi o herói ao defender três
penalties (e, além disso, adivinhou o lado para onde todos eles forma batidos).
O futebol não deixa de ter estas coisas curiosas. O último penalty foi batido
pelo Tiago Pinto (filho do grande João Vieira Pinto) e gostaria de ver uma
estatística que pudesse confirmar aquilo que uma observação empírica me inclina
a concluir: é muito alta a percentagem de defesas-esquerdos que falha penalties
neste tipo de desempate, pelo que quando vi que era ele a marcar a minha
confiança aumentou.
Em termos
individuais, destaque para o trio de argentinos (Enzo, Salvio e Gaitán), com o
vice-campeão mundial a ser eleito o “homem do jogo”. Começámos a chamar por ele
no final, ele agradeceu, dizendo adeus com a mão e batendo com ela no símbolo
do Benfica. Espero SINCERAMENTE que não queira dizer quilo que julgo que quis
dizer, porque nem quero imaginar como será o nosso jogo sem ele. Viu-se bem
nesta partida a ENORME diferença que ele faz, jogando e fazendo também os
companheiros jogarem. Grandes exibições também do Luisão e Jardel, que teve a
sorte de não se tornar o “vilão” do jogo no último lance, algo que seria
bastante injusto. Também gostei muito do Eliseu, tanto a defender como a
atacar, que foi uma boa surpresa em relação ao que esperava. O Artur também merece
obviamente grande destaque, mas concordo com o que já li por aí: já arranjámos no
nosso Tim Krull, agora só falta o guarda-redes…
Começámos esta
temporada da mesma maneira que a anterior, ou seja, a ganhar troféus oficiais e
vamos ver se para a semana matamos um borrego
já com 10(!!!) anos e voltamos a ganhar na 1ª jornada do campeonato!
P.S. – Dê lá por
onde der, NÃO DEIXEM SAIR o Enzo! Ofereçam o nome do Estádio ao Peter Lim, o
Jesus dá-lhe metade do seu ordenado, qualquer coisa, mas é fundamental que ele fique!
segunda-feira, agosto 04, 2014
Obrigado, Cardozo!
Meu caro Óscar,
Era inevitável, mas hoje é um dia muito triste para mim. Obviamente sabia que qualquer dia terias de sair do Benfica, talvez esta até tenha sido a melhor altura, já que estarás certamente consciente que, depois da grave lesão da época passada, nunca mais foste o mesmo e nem nós nem tu queríamos que a última imagem fosse menos positiva. Mas como um adepto de futebol age mais com o coração do que com a cabeça, secretamente eu ainda tinha a esperança que voltasses a ser o que sempre foste e via em cada toque teu bem conseguido, e cada tabelinha que entrava nesta pré-época, um sinal de que estavas a subir de forma. No entanto, vieram os turcos com uma boa proposta para ti e não seria justo cortarmos-te as pernas nesta fase da tua carreira.
Serve este post para te dizer, em meu nome e de todos os benfiquistas que não deixam o cérebro em casa quando vão ao estádio, e portanto sempre te admiraram, MUITO OBRIGADO por tudo o que fizeste no Glorioso. 171 golos em 293 jogos só não impressionam pessoas com acentuada deficiência cognitiva e que portanto acham que o mais importante do futebol não é… meter a bola na baliza! É que eu não tenho problemas nenhuns em confessar uma fraqueza minha: gosto de jogadores que… marquem golos com regularidade! Tens o teu lugar mais que assegurado na história do nosso clube (o melhor marcador estrangeiro de sempre, o segundo melhor marcador nas competições europeias – só atrás do teu ídolo Eusébio -, o nono melhor marcador de sempre), mas mais do que isso tiveste ao longo do tempo grandes demonstrações de que te tornaste benfiquista e que sentes muito o Glorioso (basta recordar como te comportaste no funeral do Eusébio). Por tudo isso, e como todos os adeptos têm uma predilecção especial por este ou aquele jogador, eu festejava os teus golos ainda com mais alegria (seguindo o que fazia com os golos do Manniche, Magnusson, João Pinto, Rui Costa ou Nuno Gomes). É que eram golos do Benfica e DE Benfica!
Tenho imensa pena que não tenhas tido oportunidade de te despedir de nós durante um jogo na Luz (pecha de que igualmente sofreram o Nuno Gomes e o Aimar, por exemplo), porque tu e nós merecíamo-lo. Gostaria de ter podido entoar o teu cântico uma última vez contigo a assistir. Não foi possível, mas espero que um dia destes voltes para nos visitar e tenhas a possibilidade de ir ao relvado antes de um jogo para te saudarmos uma última vez. Desejo-te imensas felicidade na Turquia e mais uma vez expresso-te o nosso AGRADECIMENTO eterno.
Até sempre, Tacuara! Serás sempre o Maior!
P.S. – Só a falta de sensibilidade materna para uma belíssima homenagem impediu que o meu filho mais novo se chamasse Óscar. Situação de que ainda hoje me arrependo, já que um dia depois de ele ter nascido, tu lembraste-te de enfiar três batatas aos lagartos no inolvidável jogo da Taça da época passada. Foi a melhor prenda de boas-vindas que ele poderia ter tido!
* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.
Primeira e última
Perdemos com o
Valência por 1-3 e ficámos em último lugar na Emirates Cup, com o fantástico pecúlio de duas derrotas e
2-8 em golos… É bom que tenhamos gostado de lá ir, porque provavelmente foi a
primeira e última participação neste torneio: depois de tal demonstração de
fragilidade competitiva, duvido que sejamos novamente convidados.
Com uma equipa
substancialmente diferente da que alinhou frente ao Arsenal e basicamente
constituída por (supostas) segundas linhas, até começámos bem com a estreia do
Derley a marcar pelo Benfica logo aos 2’. A 1ª parte foi bastante razoável, com
várias situações da nossa parte (incluindo uma bola à barra na única coisa de
jeito que o Jara fez), mas também oportunidades por parte do Valência (também
com uma bola ao poste). Na 2ª, entraram o André Gomes, Rodrigo e outro
centrocampista nos espanhóis, nós substituímos o João Cancelo pelo Luís Felipe,
e estas quatro alterações foram decisivas para o desfecho do encontro. O
Valência marcou três golos em dez minutos e aos 60’ já ganhava por 3-1. Todos
os golos nasceram do lado direito da nossa defesa (vá-se lá saber porquê…), com
o Artur a ter preciosa colaboração
num deles e dando dois frangos
descomunais nos outros dois. O jogo ficou praticamente decidido, apesar de até
final termos demonstrado vontade de fazer marcar mais um golo.
De positivo nesta
partida, o Derley, que ficou muito confiante com o golo e foi claramente o
melhor do Benfica, ao receber bem as bolas de costas para a baliza, rodopiar e
fazer jogar os companheiros, e o Bebé, que mostrou durante a 1ª parte
pormenores interessantes e parece estar a subir de forma. Quanto ao resto, foi
basicamente para esquecer: o Jara tem muito vontade, mas a bola atrapalha-o
imenso, o Candeias parece seguir a linha dos Nandinhos e Carlitos desta vida e
o Sidnei é melhor oferecê-lo enquanto é tempo. Quanto ao Artur, acho que nem
oferecido, já que está a encarnar com bastante competência o espírito do
Roberto e, se não vier um guarda-redes até domingo, é melhor jogarmos com o
Paulo Lopes na Supertaça (ou um júnior qualquer), e o Luís Felipe pode pedir
uma indemnização a quem o convenceu que tinha jeito para jogar à bola. Entrou
ao intervalo e saiu aos 76’ naquela que terá sido (ESPERO BEM) a última vez que
vestiu a camisola do Benfica. Nós já devíamos saber que “Luís Felipe” e
“lateral-direito” são palavras que não combinam nada bem, mas nem isso nos
deixou alerta. Neste momento, tenho uma grande dúvida: se foi ele que veio
preencher a “quota Cortez” ou se o Cortez é que veio preencher a “quota Luís
Felipe” do plantel. O defesa-esquerdo durou até Dezembro, espero que este nem
inicie a época. (Sinceramente, e fora de brincadeira, com o Maxi a ser dono do
lugar, e tendo o André Almeida, João Cancelo e possivelmente Sílvio como
segundas opções, QUEM É QUE SE LEMBROU de trazer esta abécula?!).
Posto isto, o Jesus
já veio dizer, meio a sério, meio a brincar, que, se sair mais alguém, ele
também sai. Neste momento, já deve estar mais que arrependido de não ter
aceitado o convite do Milan (não sendo adepto do clube que estivesse a treinar,
eu estaria…), mas é bom que aquelas palavras sirvam de alerta a quem de
direito. Começamos para a semana a época oficial e as perspectivas não são nada
positivas. Se sair o Enzo e/ou o Gaitán, se calhar o melhor mesmo é fecharmos
para férias durante um ano e voltarmos em 2015/16… É que sinceramente não me
lembro de uma pré-época com seis(!) derrotas em oito jogos.
sábado, agosto 02, 2014
Humilhante embaraço
Fomos goleados pelo Arsenal por 1-5 no primeiro jogo na Emirates Cup. E até
poderia ter sido pior, porque nos últimos minutos levámos com duas bolas nos
postes. Tal como referi no post
anterior, temia o pior, o que infelizmente se veio a confirmar.
De nada serve dizer que até nem começámos mal, com o Gaitán a 10 e o Ola John na esquerda, e que nos
primeiros 25 minutos a partida foi equilibrada, tendo nós inclusive atirado uma
bola à barra pelo Gaitán, porque assim que sofremos um primeiro golo naquele
minuto começou o descalabro defensivo. Com o César e o Sidnei a centrais, a
nossa defesa foi um passador e homenageámos
o Brasil ao sofrer três golos nos últimos cinco minutos(!) da 1ª parte. A
começar a 2ª parte, levámos logo mais um num poker do Sanogo. Aos 61’, marcámos o golo de honra pelo nosso
melhor jogador, Gaitán.
Não vou fazer análises individuais, porque num jogo com este resultado não
vale a pena. O que eu gostava mesmo de saber (e vou repetir isto até à
exaustão) é quem é que se lembrou de marcar jogos na 4ª e 5ª com a Emirates Cup
já agendada há não sei quanto tempo?!?! É que não estamos a falar do torneio do
Guadiana, com o devido respeito! A Emirates Cup é vista em muitos países e uma
humilhação destas, mesmo sendo na pré-temporada, fica muito mal no nosso
currículo. Ao mundo do futebol é indiferente o facto de termos a equipa
dizimada e muitos jogadores importantes lesionados: quem lá jogou foi a equipa
principal do Benfica e foi essa que levou uma tareia que é impossível não nos
envergonhar. O pior disto tudo é que se estava mesmo a ver, porque a época
começou coxa de muitos jogadores e no
planeamento inicial não estavam incluídos aqueles dois jogos na 4ª e 5ª feira.
Mas não, alguma mente luminosa achou que era boa ideia chegar com a equipa
fisicamente de rastos a um torneio com tanto prestígio. Estamos no bom caminho,
não haja dúvida…!
sexta-feira, agosto 01, 2014
Desagradável
Perdemos com o Athletic Bilbao por 0-2 no segundo jogo em dias
consecutivos. Não há muito a dizer desta derrota a não ser que foi merecida e
que até poderia ter tido números piores para nós. Quando não se cria uma única
clara situação de golo em 90’, não se pode esperar mais.
O que me apraz dizer acerca desta partida é que espero que esta digressão à
Suíça tenha valido bem a pena em termos financeiros. É que uma coisa é jogar em
dias seguidos com os Étoile Carouges e os Sions desta vida, outra é fazer
quatro jogo em cinco dias perante adversários da craveira do A. Bilbao, Arsenal
e Valência. Ainda por cima, com a equipa desfalcada. Em termos desportivos, não
se entende esta gestão que vai fazer tudo menos dar confiança à equipa. Já
temos quatro derrotas em seis jogos e temo bem que possamos acabar a pré-época
com seis derrotas em oito jogos. O que, mesmo tendo em conta a valia dos adversários,
está longe de ser satisfatório.
quinta-feira, julho 31, 2014
Agradável
Voltámos finalmente a vencer na pré-temporada no já clássico desta altura do ano frente ao
Sion (2-0). Confirmámos algumas boas indicações deixada na Eusébio Cup, mas há
que ter em conta que o opositor era bastante fraquito. No entanto, as vitórias
são sempre bem-vindas e, se outros ficam eufóricos por ganharem a equipas com
nome de tendões, ninguém nos pode recriminar por estamos satisfeitos.
Com uma série frenética de quatro jogos em cinco dias(!) e com vários lesionados (só estão 28 disponíveis, entre os quais alguns deles espero bem que não façam parte do plantel…), na 1ª parte jogou uma equipa mais perto de ser titular e na 2ª outra. E a exibição das duas foi semelhante. Marcámos um golo em cada parte, pelo Jara e João Teixeira (primeiro golo com a camisola sénior do Benfica), mas curiosamente foram estes mesmos dois jogadores que falharam mais três clamorosas situações em que só tinham o guarda-redes pela frente (uma o argentino, duas o português). Apesar destes falhanços, voltei a gostar do João Teixeira, desta feita a jogar a oito, o Ola John está definitivamente com outra entrega e um novo espírito, o Bebé já foi mostrando qualquer coisita, e o Talisca confirma-se como um bom jogador. O Derley falhou uma cabeçada isolado e continua sem se estrear a marcar, e o Eliseu ainda mostra falta de ritmo, além de que me parece algo pesado. Quanto aos velhos, destaque para as acelerações do Salvio e o Gaitán a cair muitas vezes na posição que faz jus ao número da camisola que agora enverga.
Os três próximos jogos serão bastante mais difíceis e vamos ver se a equipa confirma esta aparente subida de forma. A Supertaça está a 11 dias de distância.
Com uma série frenética de quatro jogos em cinco dias(!) e com vários lesionados (só estão 28 disponíveis, entre os quais alguns deles espero bem que não façam parte do plantel…), na 1ª parte jogou uma equipa mais perto de ser titular e na 2ª outra. E a exibição das duas foi semelhante. Marcámos um golo em cada parte, pelo Jara e João Teixeira (primeiro golo com a camisola sénior do Benfica), mas curiosamente foram estes mesmos dois jogadores que falharam mais três clamorosas situações em que só tinham o guarda-redes pela frente (uma o argentino, duas o português). Apesar destes falhanços, voltei a gostar do João Teixeira, desta feita a jogar a oito, o Ola John está definitivamente com outra entrega e um novo espírito, o Bebé já foi mostrando qualquer coisita, e o Talisca confirma-se como um bom jogador. O Derley falhou uma cabeçada isolado e continua sem se estrear a marcar, e o Eliseu ainda mostra falta de ritmo, além de que me parece algo pesado. Quanto aos velhos, destaque para as acelerações do Salvio e o Gaitán a cair muitas vezes na posição que faz jus ao número da camisola que agora enverga.
Os três próximos jogos serão bastante mais difíceis e vamos ver se a equipa confirma esta aparente subida de forma. A Supertaça está a 11 dias de distância.
domingo, julho 27, 2014
Eusébio Cup
Perdemos com o Ajax (0-1) na sétima edição da Eusébio Cup, mas fizemos a
nossa melhor exibição até ao momento. É certo que a contabilidade não é nada
famosa (três derrotas em quatro jogos), mas nesta partida a equipa mostrou
claras melhorias que espero se confirmem nos próximos jogos.
Tivemos algumas oportunidades na 1ª parte, mas sofremos o golo já perto do
intervalo (41’). Na 2ª parte, pensei que jogássemos pior, já que iria haver
várias substituições, mas continuámos a fazer um futebol relativamente
agradável, se descontarmos o item “remate à baliza”. Teremos quatro jogos
durante a próxima semana, onde se aguarda que este problema comece a ser
resolvido. De preferência, sem ter o Jara a marcar penalties, porque
sinceramente não me lembro da última vez que vi um penalty ser agarrado pelo
guarda-redes (já agora, não era o Derley a marcar os penalties no Marítimo…?)
Gostei bastante do Talisca (duas aberturas fenomenais e grande influência
no nosso jogo atacante), do Salvio e do Ola John, que é bom que tenha
consciência que será o terceiro extremo (ou segundo, se o Gaitán sair) e
portanto se dedique um pouco mais do que na época passada. O César fez a pior
exibição até agora e está ligado ao golo, mas continuo a ter esperanças nele.
Finalmente o Gaitán lá ficou com a camisola 10, o que espero seja um estímulo
para ficar… O Cardozo esteve melhor do que nos últimos jogos (se o pontapé de
bicicleta tem entrado…) e espero que seja sintoma de subida progressiva. Estrearam-se
o Eliseu e o Bebé, mas não fizeram nada de relevante.
Era bom que conseguíssemos fechar o plantel o mais cedo possível (a propósito,
vi umas imagens do Romero na Sampdória que me fizeram lembrar o Roberto… Espero
que a culpa fosse do cabelo, que entretanto foi cortado…), porque o início da época
oficial está quase aí. Sion, Athletic Bilbao, Arsenal e Valência serão os
adversários que se seguem, e certamente não iremos ter jogos fáceis.
quinta-feira, julho 24, 2014
Nova derrota
Perdemos com o Marselha (1-2) no terceiro jogo de
pré-temporada. Ainda conseguimos sair na frente do marcador (golo do Gaitán),
mas erros defensivos custaram-nos a vitória. Apresentámos naturalmente a melhor
equipa do momento, mas é bom que venham reforços porque se voltou a verificar
que a grande vantagem da época passada (um banco de luxo) é apenas uma miragem
este ano.
Não há muito a dizer de diferente acerca desta partida por comparação com as anteriores. Os novos jogadores voltaram a evidenciar as mesmas qualidades e os mesmos defeitos da Taça de Honra. Continua a parecer-me que o César será o companheiro natural do Luisão na defesa (jogou o Sidnei, que até está com um número na camisola – 26 – que poderá querer dizer que é para ficar no plantel, mas só daqui a menos 10 kg é que valerá a pena falar dele), o Benito esteve regular (mas a contratação do Eliseu poderá significar a sua ida para o banco) e o Talisca melhorou nas bolas paradas (o que já não é mau nesta fase). Na 2ª parte, entrou o João Teixeira que, apesar de revelar naturalmente excessos de juventude (sair com a bola controlada no nosso meio-campo, quando se está rodeado de adversários, não será a melhor das ideias), continua a ser dos que mais me impressionou até agora. Ao invés, o Luís Felipe parece mesmo preencher a “quota Cortez” do plantel (a sério, se é para ser substituto do Maxi Pereira não temos já lá o João Cancelo, que está longe de ser um génio, mas ao menos é da casa, e o André Almeida – já para não falar do Sílvio…?!), o Derlei passou muito ao lado do jogo (e mostrou algumas dificuldades na recepção da bola) e o Jara resolveu agredir um adversário no início da 2ª parte fazendo-nos jogar com 10 até final.
Podemos sempre olhar para isto como o copo meio-cheio ou meio-vazio: faltam muitos titulares (Luisão, Maxi, Fejsa, Enzo Pérez, Salvio, mais um guarda-redes), o que só por si é mais de meia-equipa, e mais dois ou três reforços, mas o que é certo é que a época oficial está a começar daqui a pouco mais de 15 dias e o que apresentámos até agora é bastante fraquito. Já agora, gostaria de a começar com um título oficial e com algo que não acontece há 10 anos: ganhar na 1ª jornada!
Não há muito a dizer de diferente acerca desta partida por comparação com as anteriores. Os novos jogadores voltaram a evidenciar as mesmas qualidades e os mesmos defeitos da Taça de Honra. Continua a parecer-me que o César será o companheiro natural do Luisão na defesa (jogou o Sidnei, que até está com um número na camisola – 26 – que poderá querer dizer que é para ficar no plantel, mas só daqui a menos 10 kg é que valerá a pena falar dele), o Benito esteve regular (mas a contratação do Eliseu poderá significar a sua ida para o banco) e o Talisca melhorou nas bolas paradas (o que já não é mau nesta fase). Na 2ª parte, entrou o João Teixeira que, apesar de revelar naturalmente excessos de juventude (sair com a bola controlada no nosso meio-campo, quando se está rodeado de adversários, não será a melhor das ideias), continua a ser dos que mais me impressionou até agora. Ao invés, o Luís Felipe parece mesmo preencher a “quota Cortez” do plantel (a sério, se é para ser substituto do Maxi Pereira não temos já lá o João Cancelo, que está longe de ser um génio, mas ao menos é da casa, e o André Almeida – já para não falar do Sílvio…?!), o Derlei passou muito ao lado do jogo (e mostrou algumas dificuldades na recepção da bola) e o Jara resolveu agredir um adversário no início da 2ª parte fazendo-nos jogar com 10 até final.
Podemos sempre olhar para isto como o copo meio-cheio ou meio-vazio: faltam muitos titulares (Luisão, Maxi, Fejsa, Enzo Pérez, Salvio, mais um guarda-redes), o que só por si é mais de meia-equipa, e mais dois ou três reforços, mas o que é certo é que a época oficial está a começar daqui a pouco mais de 15 dias e o que apresentámos até agora é bastante fraquito. Já agora, gostaria de a começar com um título oficial e com algo que não acontece há 10 anos: ganhar na 1ª jornada!
segunda-feira, julho 21, 2014
Taça de Honra AFL
Vencemos o Estoril por 1-0 e perdemos na final contra a
Naval, perdão, a lagartada por 0-1. Foram os dois primeiros jogos da
pré-temporada e não se pode dizer que as perspectivas sejam as melhores. Ao de
dia de hoje, temos uma razia de cinco titulares da época passada (Oblak, Garay,
Siqueira, Markovic e Rodrigo) e, por enquanto, nenhum dos que chegaram estão à
altura deles. Como o dia 31 de Agosto ainda está muito longe, resta-nos rezar a
todos os santinhos para que as perdas fiquem por aqui, porque, caso saiam o
Gaitán e/ou principalmente o Enzo Pérez, eu nem quero pensar no que para aí
vem…
Na partida frente aos canarinhos, ganhámos com um golo de cabeça do Talisca depois de um bom centro do Benito e, curiosamente, a 1ª parte com muitos dos reforços foi mais interessante do que a 2ª com os jogadores da época passada. Frente à Naval, perdão, à lagartada já actuámos com a melhor equipa neste momento (em que faltam os mundialistas e os lesionados) e a exibição foi sofrível, apesar de ter sido um jogo bem disputado, especialmente na 1ª parte.
Na pré-temporada, os olhos estão invariavelmente postos nos novos jogadores e destes o que melhor impressão me deixou foi o César, defesa-central, que é rápido sobre a bola e impõe algum respeito na sua zona de acção. Também gostei do Benito, defesa-esquerdo, que me parece raçudo e aparentemente com qualidade nos centros. O Talisca, apesar do golo no primeiro jogo, passou completamente ao lado da partida frente à Naval, perdão, à lagartada. É um jogador a rever, embora seja prematuro estarmos a atirar para os ombros de um miúdo com 20 anos (é o que diz o BI, espero que não seja outro Ednilson…), acabado de chegar, a responsabilidade de organizar o nosso jogo atacante. Além disso, deverá melhor substancialmente os cantos e os livres curtos, porque para aí de 20 nos dois jogos terá acertado cerca de dois. O Derlei não me parece mau (boas tabelinhas e movimentação interessante no primeiro jogo), mas ainda se está a adaptar ao nosso estilo de jogo. Quem me impressionou mais foi o João Teixeira, trinco vindo directamente dos juniores, apesar de ter tido o grande azar de o golo da Naval, perdão, da lagartada ter resultado de um erro clamoroso seu. Mas revelou personalidade, não deixou os adversários em paz e ainda tentou colocar a bola na frente com critério. Quanto aos “esquece, não vai dar”, temos o Jara, que já conhecíamos, mas que voltou basicamente na mesma e o Luís Felipe, defesa-direito. Aliás, bastaria esta combinação “Luís Felipe + defesa-direito” para nós sabermos que dali não viria nada de bom. Se é para ser suplente do Maxi, já lá temos o André Almeida, Sílvio (quando regressar) e João Cancelo. Ir buscar um brasileiro que não joga desde Novembro só se justifica pela quota de ter sempre que ter um Cortez no plantel todos os anos…
Dos velhos, não desgostei do Ola John, que aparentemente revela mais vontade de correr e de se aplicar, o Gaitán é um artista, mas deveria perceber que o adorno dos lances só costuma resultar já bem dentro da época, o Cardozo continua na senda da parte final da época passada, o que é deveras preocupante, o Artur mostra novamente que precisamos MESMO de um guarda-redes para ser titular de caras e o Lima não teve grandes oportunidades de brilhar.
Enfim, veremos o que os próximos jogos perante adversários bem mais difíceis (Marselha, Ajax, Arsenal e Valência) nos irão mostrar, mas por enquanto isto não está nada famoso...
Na partida frente aos canarinhos, ganhámos com um golo de cabeça do Talisca depois de um bom centro do Benito e, curiosamente, a 1ª parte com muitos dos reforços foi mais interessante do que a 2ª com os jogadores da época passada. Frente à Naval, perdão, à lagartada já actuámos com a melhor equipa neste momento (em que faltam os mundialistas e os lesionados) e a exibição foi sofrível, apesar de ter sido um jogo bem disputado, especialmente na 1ª parte.
Na pré-temporada, os olhos estão invariavelmente postos nos novos jogadores e destes o que melhor impressão me deixou foi o César, defesa-central, que é rápido sobre a bola e impõe algum respeito na sua zona de acção. Também gostei do Benito, defesa-esquerdo, que me parece raçudo e aparentemente com qualidade nos centros. O Talisca, apesar do golo no primeiro jogo, passou completamente ao lado da partida frente à Naval, perdão, à lagartada. É um jogador a rever, embora seja prematuro estarmos a atirar para os ombros de um miúdo com 20 anos (é o que diz o BI, espero que não seja outro Ednilson…), acabado de chegar, a responsabilidade de organizar o nosso jogo atacante. Além disso, deverá melhor substancialmente os cantos e os livres curtos, porque para aí de 20 nos dois jogos terá acertado cerca de dois. O Derlei não me parece mau (boas tabelinhas e movimentação interessante no primeiro jogo), mas ainda se está a adaptar ao nosso estilo de jogo. Quem me impressionou mais foi o João Teixeira, trinco vindo directamente dos juniores, apesar de ter tido o grande azar de o golo da Naval, perdão, da lagartada ter resultado de um erro clamoroso seu. Mas revelou personalidade, não deixou os adversários em paz e ainda tentou colocar a bola na frente com critério. Quanto aos “esquece, não vai dar”, temos o Jara, que já conhecíamos, mas que voltou basicamente na mesma e o Luís Felipe, defesa-direito. Aliás, bastaria esta combinação “Luís Felipe + defesa-direito” para nós sabermos que dali não viria nada de bom. Se é para ser suplente do Maxi, já lá temos o André Almeida, Sílvio (quando regressar) e João Cancelo. Ir buscar um brasileiro que não joga desde Novembro só se justifica pela quota de ter sempre que ter um Cortez no plantel todos os anos…
Dos velhos, não desgostei do Ola John, que aparentemente revela mais vontade de correr e de se aplicar, o Gaitán é um artista, mas deveria perceber que o adorno dos lances só costuma resultar já bem dentro da época, o Cardozo continua na senda da parte final da época passada, o que é deveras preocupante, o Artur mostra novamente que precisamos MESMO de um guarda-redes para ser titular de caras e o Lima não teve grandes oportunidades de brilhar.
Enfim, veremos o que os próximos jogos perante adversários bem mais difíceis (Marselha, Ajax, Arsenal e Valência) nos irão mostrar, mas por enquanto isto não está nada famoso...
sexta-feira, julho 04, 2014
R.I.P. Rui Tovar (Instantâneos V)
Recupero aqui uma
das rubricas esquecidas do blog por um péssimo motivo. Faleceu ontem uma grande
figura do jornalismo desportivo português e um senhor que está nas minhas
memórias desde sempre, ou não me tivesse eu habituado a vê-lo a apresentar os
resumos dos jogos na RTP desde que me conheço. Há relativamente pouco tempo
conheci-o pessoalmente, falei com ele um par de vezes (a última das quais, por
mero acaso, em plena cidade de Turim em Maio passado) e fiquei sempre com a
impressão de uma pessoa de excelente trato, muito cordial, um verdadeiro gentleman, e com uma cultura desportiva
e futebolística muito acima da média. Uma verdadeira enciclopédia ambulante,
que nunca precisou de ser colocar em bicos de pés e utilizar metáforas
ridículas para sobressair nos comentários que fazia.
A sua sobriedade e
a sua competência vai fazer-nos muita falta, e daqui envio um voto de enorme
pesar para a família, em especial para a mulher e para o filho, que já está a continuar o legado do pai no que toca a ser uma enciclopédia futebolística
(para quem não sabe, o Rui Miguel Tovar é o autor dos “Almanaques” dos três
grandes, verdadeiro serviço público para os adeptos respectivos).
sexta-feira, junho 27, 2014
Vitória insuficiente
Vencemos o Gana por 2-1 e a Alemanha ganhou aos EUA por 1-0, mas ficaram a faltar-nos três golos para podermos seguir em frente no Mundial. Golos esses que poderiam ter surgido todos nos últimos 15', quando o Cristiano Ronaldo teve três excelentes hipóteses para facturar.
Foi a nossa menos má exibição, o que não chega para apagar uma campanha decepcionante. Tivemos sorte ao inaugurar o marcador num autogolo aos 31', mas o Gana empatou aos 57' e deitou por terra todas as (poucas) esperanças que tínhamos. Numa réstia de orgulho, ainda chegámos à vitória aos 80' no único golo do C. Ronaldo neste Mundial.
Isto começou a correr mal logo desde início com as dúvidas acerca da lesão do C. Ronaldo. Depois vieram todas as outras lesões musculares a levantarem muitas suspeitas quanto à preparação da equipa. No jogo com a Alemanha, houve alguns jogadores a perderem a cabeça e outros que nem entraram com ela no jogo. Contra os EUA, a defesa foi uma desgraça (simplesmente não me consigo esquecer da movimentação do Bruno Alves no 2º golo). Ontem, perante os ganeses, o mal já estava todo feito e era muito improvável conseguirmos dar a volta. Apesar de algumas opções do Paulo Bento serem incompreensíveis, também não deixa de ser verdade que não houve um único(!) jogador da selecção que pudéssemos dizer "está em forma". E, quando assim é, os milagres não abundam e a aventura brasileira terminou muito mais cedo do que o previsto.
Foi a nossa menos má exibição, o que não chega para apagar uma campanha decepcionante. Tivemos sorte ao inaugurar o marcador num autogolo aos 31', mas o Gana empatou aos 57' e deitou por terra todas as (poucas) esperanças que tínhamos. Numa réstia de orgulho, ainda chegámos à vitória aos 80' no único golo do C. Ronaldo neste Mundial.
Isto começou a correr mal logo desde início com as dúvidas acerca da lesão do C. Ronaldo. Depois vieram todas as outras lesões musculares a levantarem muitas suspeitas quanto à preparação da equipa. No jogo com a Alemanha, houve alguns jogadores a perderem a cabeça e outros que nem entraram com ela no jogo. Contra os EUA, a defesa foi uma desgraça (simplesmente não me consigo esquecer da movimentação do Bruno Alves no 2º golo). Ontem, perante os ganeses, o mal já estava todo feito e era muito improvável conseguirmos dar a volta. Apesar de algumas opções do Paulo Bento serem incompreensíveis, também não deixa de ser verdade que não houve um único(!) jogador da selecção que pudéssemos dizer "está em forma". E, quando assim é, os milagres não abundam e a aventura brasileira terminou muito mais cedo do que o previsto.
segunda-feira, junho 23, 2014
Desilusão
Empatámos com os
EUA (2-2) e só um milagre nos permitirá passar à segunda fase do Mundial. Já
tivemos um meio-milagre que foi conseguir empatar o jogo aos 94’, caso
contrário a última partida frente ao Gana serviria mesmo só para cumprir
calendário. Assim, ainda dará para não fazermos já companhia à Espanha e à
Inglaterra.
Até entrámos bem no
jogo com um golo logo aos 5’ pelo Nani. Só que os EUA vieram para cima de nós e
tivemos sorte em não sofrer nenhum golo até ao intervalo, porque o Miguel Veloso
fazia figura de corpo presente a trinco e os americanos conseguiram rematar uma
série de vezes de fora da área sem oposição. Com o William Carvalho no banco,
não se percebe esta insistência do Paulo Bento… Perto do fim da 1ª parte, o
Nani atirou ao poste e o Éder não acertou bem na bola na recarga permitindo a
defesa ao Tim Howard. Claro que, à semelhança do primeiro jogo, tivemos mais um
par de lesões musculares (Postiga e André Almeida), o que não pode deixar de
levantar muitas dúvidas acerca da preparação da equipa (digam-me outra selecção
que tenha tido tantos problemas musculares em tão pouco tempo…).
Na 2ª parte, lá
entrou o William Carvalho para o lugar do lesionado André Almeida, mas o Miguel
Veloso na lateral-esquerda continuou a ser uma desgraça. Não conseguimos meter
um ou outro contra-ataque que nos teria permitido matar o jogo e a igualdade surgiu aos 64’ num remate fora da área
depois de um canto, em que o Nani não aliviou bem e depois não saiu ninguém na
dobra. Percebeu-se logo que seria muito complicado ganharmos, mas mesmo assim
ainda tivemos um ou outro lance em que poderíamos ter feito melhor, porém o
Éder esteve desastrado (eu acho-o melhor que o Postiga e Hugo Almeida, mas quando
se diz que ele pode ser o substituto do Cardozo até fico com suores frios…! Meu
rico Tacuara!). Aos 81’, o Bruno
Alves confundiu o relvado com um areal brasileiro e ficou deitado na
pequena-área mais tempo do que seria desejável colocando em jogo o Dempsey que,
com a barriga, fez o 1-2 para os EUA. Inacreditável! Já estávamos praticamente
a fazer as malas, quando o Cristiano Ronaldo fez a única coisa de jeito no jogo
todo e centrou largo para o Varela marcar um bom golo de cabeça e impedir a
qualificação directa dos EUA, dando-nos uma réstia de esperança.
Quando o melhor de
Portugal é o Ricardo Costa, isto diz praticamente tudo acerca da nossa
exibição. Tirou uma bola em cima da linha ainda com 1-0 para nós e foi dos
poucos a mostrar alguma garra. O Nani também não esteve mal, embora longe da
sua melhor forma. O André Almeida não comprometeu a lateral-esquerdo, mas saiu
por lesão ao intervalo. E o Varela merece destaque pelo golo do empate. Todos
os outros estiveram muito sofríveis, com realce para a não-existência do Miguel
Veloso e do Raul Meireles. O Moutinho melhorou ligeiramente em relação à
Alemanha, mas está irreconhecível.
E, pronto,
preparamo-nos para voltar para casa sem honra nem glória. As culpas terão de
ser repartidas por algumas pessoas e não acho que o Paulo Bento seja o grande
culpado de tudo. Mas esse balanço será feito depois do último jogo. Não
acredito num milagre por duas razões: lembro-me do Alemanha – Áustria do
Mundial de 82 e um empate entre alemães e americanos qualificam os dois (e não
é preciso dizer quem é o treinador dos EUA…); mas principalmente não acredito
que nós ganhemos ao Gana (e muito menos por uma grande diferença de golos).
segunda-feira, junho 16, 2014
Descalabro
Esta selecção já
entrou para a história com o pior resultado em fases finais de grandes
competições. Perdemos 0-4 com a Alemanha e perdemos muito bem.
Tirando dois
remates relativamente perigosos nos primeiros cinco minutos, a nossa exibição foi
confrangedora. Sofremos golos aos 12’ (penalty do João Pereira), 32’, 45’ e 78’,
o Mundial acabou para o Fábio Coentrão, o Hugo Almeida e o Rui Patrício também
se lesionaram (nestes dois casos, não sei se será necessariamente mau…), mas
ainda são recuperáveis para os jogos a eliminar (se lá chegarmos), e o Pepe
mostrou onde foi formado e cabeceou o Müller aos 37’, sendo naturalmente
expulso. Como se não bastassem todas estas vicissitudes negativas, temos
jogadores a anos-luz da sua melhor forma (o caso mais evidente é o Moutinho) e
outros que, sendo medianos e com mais dois anos em cima, não conseguem dar a
mesma resposta de 2012 (Miguel Veloso e João Pereira, por exemplo).
O Paulo Bento, de
quem continuo a gostar (se o homem era bestial por ter feito com que este
conjunto de jogadores medianos chegasse ao 3º lugar do Europeu, não é este
resultado que o torna automaticamente uma besta), vai ter mesmo que deixar o
seu conservadorismo na gaveta e fazer alterações para o jogo com os EUA. Não se
percebe porque é que o William não foi titular e, já agora, o Éder, que foi dos
mais esforçados frente aos alemães, depois de substituir o Hugo Almeida. No
meio-campo, eu também colocaria o Ruben Amorim em vez o Meireles ou do Moutinho.
Tem que se tentar fazer qualquer coisa diferente, porque qualquer resultado que
não a vitória frente aos norte-americanos, deixar-nos-á quase de certeza de
fora do Mundial.
P.S. – Contestámos muito
o Sr. Milovan Ristic da Sérvia, mas o seu erro
clamoroso (penalty evidente sobre o Éder) aconteceu já com 0-3 no marcador… O
penalty contra nós e a expulsão aceitam-se.
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