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segunda-feira, maio 19, 2014

Triplete histórico

Vencemos o Rio Ave por 1-0 e somos a primeira equipa a ganhar todas as três provas nacionais em disputa no mesmo ano. Mais: aparte o grande peso das duas Taças dos Campeões Europeus, sendo finalistas vencidos de uma prova europeia, fizemos a terceira melhor época da nossa história (ex-aequo com a primeira do Eriksson, em que também ganhámos a dobradinha e fomos a uma final europeia). Repito: terceira melhor época da história!

Com os regressos dos castigados de Turim (Salvio e Enzo a titulares e Markovic no banco), estava confiante para esta final. Entrámos bem na partida e, durante a 1ª parte, o Rio Ave praticamente não tocou na bola. O problema era que nós jogávamos muito devagarinho, parecendo os jogadores acusar ainda algum cansaço da final de 4ª feira. Não tivemos grandes ocasiões, mas lá nos conseguimos colocar em vantagem aos 20’ num golão do Gaitán de pé direito(!) e fora da área. Pouco depois, num livre, o Garay poderia ter feito o segundo de cabeça, mas o guarda-redes defendeu por instinto.

A 2ª parte foi completamente diferente. Demos o berro em termos físicos e o Rio Ave fartou-se de criar oportunidades. O que nos valeu foi termos o Olbak na baliza, que revelou novamente uma segurança impressionante. Não me custa nada a admitir que o Rio Ave provavelmente mereceria o prolongamento, porque atirou uma bola ao poste e fez com que o Oblak fosse o melhor em campo. Mas também nós merecíamos ter ganho o campeonato e as Ligas Europa do ano passado e deste, portanto paciência o futebol é assim mesmo. Em termos atacantes, pouco fizemos salvando-se um remate do Markovic defendido pelo guarda-redes.

O melhor do Benfica foi de longe o Oblak. Sem ele, provavelmente não conseguiríamos evitar o prolongamento. Outro que fugiu da mediania foi o Lima, que se fartou de lutar. Destaque inevitável para o Gaitán pelo golão decisivo que marcou. Ainda bem que a época termina agora, porque há alguns jogadores do Benfica que, se lhes fecharmos a boca, explodem.

Foi uma exibição que não ficará para a história, mas o que importa é mesmo o resultado: 27 anos depois, voltámos a fazer a dobradinha e conquistámos um inédito triplete interno. Vivemos tempos felizes, mas há que ter a consciência de que uma época destas é muito dificilmente repetível.

P.S. – É incompreensível que não se tenha salvaguardado a ida dos jogadores ao Marquês, seguindo a sua própria vontade. Seria assim tão difícil de prever que poderíamos bem ter ganho ao Rio Ave…?!

quinta-feira, maio 15, 2014

Maldição

Ainda não foi à 10ª que foi de vez! Perdemos a final da Liga Europa com o Sevilha nos penalties (2-4) depois de 0-0 nos 120’. À semelhança da época passada, fomos a melhor equipa em campo e merecíamos ter ganho, mas não temos tido de facto sorte nestas finais. No partida de ontem, a juntar à falta de sorte, revelámos igualmente alguma inépcia no momento do remate e má preparação nos penalties.

Confesso que estranhei o optimismo de muitos benfiquistas com quem me cruzei. Não tenho a MENOR dúvida que com a equipa completa, éramos MAIS que favoritos e a vitória não nos escaparia, SÓ QUE tínhamos quatro baixas muitíssimo importantes: Enzo Pérez, Fejsa, Markovic e Salvio. Ou seja, o meio-campo titular não jogava e na ala direita teríamos de utilizar a terceira opção. Para piorar as coisas, essa terceira opção, o Sulejmani, levou uma pantufada de todo o tamanho e teve que ser substituído aos 24’, jogando nós com uma ala direita composta pelo André Almeida e Maxi Pereira! A questão de jogar o “Manel” é muito bonita, mas ontem tínhamos vários “Maneis” em campo e milagres a nosso favor já vimos que não há. Uma coisa é defender resultados em inferioridade numérica, outra é meter a chicha lá dentro. E para isto é preciso mais do que “Maneis”. Entrámos bem na partida, mas a 1ª parte foi equilibrada. Tivemos oportunidades pelo Garay, Rodrigo e um lance do Gaitán já no final que me pareceu (e foi) penalty.

Na 2ª parte, o Sevilha só durou até aos 60’. A partir daí, o jogo foi completamente nosso e pressionámo-los muito na tentativa de marcar. O problema foi que o André Gomes e o Ruben Amorim não estiveram nada bem no meio-campo, o Gaitán só surgiu a espaços e parece longe da melhor forma física, o Maxi jogou a extremo-direito pela primeira vez em muitos anos, o Rodrigo esteve muito infeliz ao longo de toda a partida e o Lima foi bem marcado. O nosso jogo colectivo ressentiu-se disso e, apesar de a equipa ter lutado muito, não jogámos (nem poderíamos jogar) tão bem como já o fizemos nesta época. Volto a repetir: as ausências eram demasiadas. Mesmo assim, tivemos boas hipóteses pelo Rodrigo, Garay de cabeça e Lima, mas por uma razão ou outra a bola não queria entrar. No prolongamento, foi mais do mesmo com a diferença que o Sevilha deu o berro em termos físicos. Teve uma boa oportunidade num contra-ataque, mas durante meia-hora só nos viu jogar. Nós bem tentávamos, mas as soluções não abundavam no banco, apesar de me ter parecido que talvez o Ivan Cavaleiro pudesse ter entrado mais cedo, porque o Gaitán também deu o estoiro em termos físicos ainda antes dos 90’. Nos penalties, o Cardozo lá voltou à sua corridinha idiota para a bola e o Beto saltou três metros para a frente e defendeu-a. Custa-me a perceber como é que não houve nenhum jogador do Benfica a chamar a atenção do árbitro para isso. Dizê-lo no final é inútil. O outro a falhar foi o Rodrigo: já o vi marcar uns quatro ou cinco penalties desde que está no Benfica e sinceramente não me lembro de alguma vez ter sido golo. O Sevilha marcou os penalties todos como deve ser: em força e colocados.

Em termos individuais, o Maxi Pereira foi de longe o melhor do Benfica, muito bem secundado pelo Oblak, que proporciona uma enorme segurança à equipa. Os centrais tiveram muito trabalho e também não estiveram mal. Todos os outros não passaram da mediania e medíocres estiveram mesmo os já referidos Ruben Amorim (que deve ter feito dos piores jogos pelo Benfica de que me lembro) e o André Gomes (não pode sair a fintar no nosso meio-campo! Alguém lhe meta isso na cabeça!). Com a agravante de ambos terem perdido bolas nas zonas de transição defensiva, que só não resultaram golo, porque o adversário era o Sevilha.

Foi uma grande desilusão, mas honestamente custou-me mais no ano passado. Estávamos muito desfalcados nesta final e os milagres só acontecem contra nós (como já alguém referiu, perdemos a Liga Europa sem termos sido derrotados num único jogo!). Era uma excelente oportunidade para acabar com a maldição do Bela Guttmann, mas também não vamos demonizar o homem que nos deu os dois títulos europeus. É bom é que os jogadores metam na cabeça que há 27 anos que não ganhamos a dobradinha e que o triplete a nível interno nunca foi conseguido. Com o devido respeito pelo Rio Ave, temos que acabar a época a ganhar!

P.S. – No estádio não tinha a melhor visibilidade, mas na televisão já deu para ver que para além do lance do Gaitán há mais dois penalties a nosso favor na 2ª parte que não foram marcados. Queria ver o Sr. Félix Brych a fazer isto se tivesse sido a Juventus a ir à final…

domingo, maio 11, 2014

Previsível

Com uma equipa constituída maioritariamente por suplentes e até alguns jovens da equipa B, perdemos em Mordor por 1-2 e terminámos o campeonato tal como o começámos. Só que esta derrota não belisca em nada o nosso brilhante percurso e a equipa deu muito boa resposta a uma adversário que estava na máxima força.

Quando o CRAC abriu o marcador aos 4’ confesso que temi uma goleada, mas a superioridade do CRAC só durou meia-parte. Pressionaram-nos, mas não criaram muitas ocasiões flagrantes. Aos 26’, o Sr. Rui Gomes Costa fez história ao assinalar um penalty a favor do Benfica em plena casa do CRAC por derrube do Diego Reyes (que grande jogador…!) ao Salvio. Foi o segundo penalty a nosso favor em 35 anos! Sintomático, até porque foram ambos em jogos em que o título já estava decidido. O Enzo Pérez não tremeu e bateu para o lado contrário do Fabiano. A equipa de Mordor sentiu o golo, mas o Sr. Rui Gomes Costa logo tratou de repor a normalidade dos jogos entre o CRAC e o Benfica ao assinalar uma falta fantasma do André Almeida sobre o Jackson Martínez. Cruzamento para a área e o colombiano sentiu o bafo do nosso jogador para se deixar cair. Desta vez não atirou a bola para as nuvens e fez o 2-1 para as forças do Mal.

Na 2ª parte, melhorámos imenso de rendimento e dominámos o adversário. Podíamos ter marcado logo no início quando o Djuricic atirou à barra aproveitando um desentendimento entre o Maicon e o Fabiano. O André Gomes e o entrado Markovic poderiam ter direccionado melhor os remates e eles só tiveram uma grande hipótese pelo Quintero, que rematou a rasar o poste. Numa das últimas jogadas, foi pena o Bernardo Silva ter centrado mal, porque tinha companheiros em excelente posição.

Em termos individuais, ninguém se destaco por aí além. Desta feita, gostei do Steven Vitória, que acompanhou bem o Jardel. O Salvio fez uma boa 1ª parte, mas agarrou-se muito à bola na 2ª. O Lindelof entrou confiante para o lugar do João Cancelo, que teve um péssimo início de jogo, mas depois melhorou progressivamente. O Djuricic não existiu na 1ª parte, mas melhorou na 2ª, saindo lesionado para entrar o Bernardo Silva. Todos os outros estiveram razoáveis.

Temos duas finais importantíssimas na próxima semana, pelo que este jogo seria sempre encarado como um treino, onde se esperaria que não se magoasse ninguém. Obviamente que os jogadores do CRAC foram tentando e tiveram duas ou três entradas assassinas (o André Gomes e o Salvio que o digam), mas aparentemente iremos ter a equipa completa para o Jamor. Mas antes disso, na 4ª feira, vamos ver se finalmente acabamos com a maldição do Béla Guttmann. Agora que já temos uma estátua dele no estádio, pode ser que consigamos finalmente voltar a ganhar uma prova europeia. Lá estaremos em Turim para apoiar o Glorioso!

quinta-feira, maio 08, 2014

Cinco em sete

Vencemos o Rio Ave por 2-0 e temos 71% de vitórias nas edições da Taça da Liga! Não fizemos uma grande exibição (longe disso!), mas o chavão “as finais não são para se jogar, são para se ganhar” foi aplicado com competência. Acima de tudo, mostrámos muita personalidade e a equipa sabe gerir como poucas os tempos do jogo. Na 1ª parte, o Rio Ave ainda deu um ar de sua graça, mas na 2ª praticamente não tocou na bola.

Confesso que não estava à espera que o Jesus desse a titularidade ao Oblak, mas felizmente que assim fez, porque o esloveno salvou um golo certo logo aos 5’. Não entrámos nada bem na partida e perdíamos quase todos os lances divididos com o Rio Ave, que mostrava muito mais vontade do que nós. A partir de um livre perigoso do Rodrigo (passou muito perto do poste) por volta dos 20’, o jogo virou a nosso favor, apesar de até ao intervalo o Rio Ave tentar sempre criar perigo. Aos 40’, uma óptima combinação desmarcou o Siqueira na esquerda, este centrou atrasado e o Rodrigo em boa posição rematou rasteiro para boa defesa do Ventura para canto. Na sequência do mesmo, o Luisão desviou de cabeça e o Rodrigo dominou, e atirou calmamente fora do alcance do guarda-redes. Estava feito o mais importante e este golo mesmo à beira do intervalo tornaria as coisas mais difíceis para o nosso adversário. Aliás, depois vi na TV a reacção do Nuno Espírito Santo a este golo, em que se percebe claramente que ele sentiu que a final estava (quase) perdida.

Facto que se confirmou na 2ª parte. O Rio Ave mudou do dia para a noite e não criou um único lance de perigo apesar de o Sr. Hugo Miguel bem ter tentado enervar os nossos jogadores e ter arranjado algumas faltas perto da nossa área. Nós não aumentámos muito o ritmo, convencidos de que não sofreríamos um golo, mas já se sabe que eu prefiro que se faça este tipo de descanso com bola com dois golos de vantagem. Outra boa combinação ofensiva isolou o Gaitán, que perante o guarda-redes deixou que ele fizesse a mancha. Estávamos na hora de jogo e teria sido bom acabar com ele logo nesta altura. Não foi nesta, mas foi pouco depois: aos 78’, noutro lance de bola parada, o Enzo Pérez colocou na área e o Ventura encarnou o espírito do Ricardo, falhando completamente a intercepção, e permitindo que o Luisão cabeceasse muito devagarinho para a baliza. A vitória ficava garantida e até final o Lima ainda falhou um golo incrível, depois de uma boa iniciativa do Rodrigo, mas tem a atenuante de a bola ter sofrido um pequeno desvio de um defesa mesmo antes de ele rematar.

Em termos individuais, o Luisão foi o melhor. Imperial como sempre nas alturas e com a mais-valia de ter terminado com o jogo. O Rodrigo também esteve bem, embora melhor na 1ª do que na 2ª parte. O Ruben Amorim substituiu bem o Fejsa (que, no entanto, é bom que recupere para Turim..!) e conquistou a sua 6ª Taça da Liga (claro que se tivesse conquistado só cinco, se calhar nós teríamos mais do que 33 campeonatos, mas isso é outra conversa…). O resto da equipa esteve regular, sem grandes rasgos, mas nesta fase o que interessa mesmo é aumentar o espólio do nosso museu.

Cinco jogos realizados, quatro vitórias e um empate, 6-0 em golos é o nosso saldo nesta competição deste ano. Impressionante! Esta era a menos importante das três finais, mas por ser a primeira daria o tom para as outras que se seguem. Também nesse sentido, a vitória foi muito importante e não foi por acaso que os jogadores fizeram a festa que fizeram no final. Além de que, depois do que sofremos na época passada, já temos karma negativo que cubra não só os 110 anos passados, como os 110 futuros. Portanto, não há cá condescendências perante os Rio Aves desta vida. Lamentamos, mas é assim que terá que ser.

P.S. – Arbitragem muitíssimo habilidosa do Sr. Hugo Miguel (para não lhe chamar de ladrão…). A não amostragem de cartão ao defesa do Rio Ave que agarra o Lima à entrada da área deu logo o mote. Desde cantos e lançamentos laterais marcados ao contrário (e sempre a nosso desfavor), até à amostragem dos cartões, este tipo mostrou que é bastante habilidoso. Felizmente conseguimos superar isso, mas lá que tivemos que jogar contra 14 isso é indesmentível.

segunda-feira, maio 05, 2014

Empate na despedida

Não conseguimos vencer o V. Setúbal (1-1) no último jogo desta temporada na Luz. Depois do épico empate em Turim, a equipa apresentou-se em nítida descompressão e nem a colocação de alguns titulares na 2ª parte permitiu-nos chegar à vitória.

A 1ª parte foi para esquecer. Lento, devagarinho e parado foram as três velocidades que utilizámos. As ocasiões de golo foram muito escassas e foi com alívio que chegámos ao intervalo. A 2ª parte foi um pouco melhor (entrou o Lima para o lugar do Djuricic) e conseguimos marcar aos 60’ numa boa arrancada do André Gomes, que tabelou com o Cardozo e depois bateu o guarda-redes. Felizmente, ainda não foi desta vez que ficámos a zeros para o campeonato na Luz. Pouco depois, o Enzo Pérez, que também entrou na 2ª parte, teve uma ocasião soberana para ampliar a vantagem, mas atirou ao lado quando só tinha o guarda-redes pela frente. Fomos deixando correr o marfim e aos 75’ o Maxi rasteirou um adversário na nossa grande-área. Penalty convertido em força pelo Rafael Martins, que bateu o Paulo Lopes. Até final, pressionámos um bocado e tivemos uma boa chance pelo Lima já nos descontos, mas a bola foi salva quase sobre a linha por um defesa. Confesso que não saí satisfeito do jogo, porque um empate em casa é algo que me chateia sempre. Além disso, perdemos uma boa oportunidade para selar a 12ª vitória consecutiva no campeonato e quebrar estes recordes deixa-me invariavelmente com um amargo de boca.

Em termos individuais, não houve ninguém que se destacasse por aí além. Gostei de algumas arrancadas do Salvio e da entrega do Maxi (que acabou por estragar tudo com o penalty escusado). O Djuricic perdeu a sua enésima oportunidade para mostrar que é algo mais do que um jogador com “bons pés” e, sinceramente (e digo isto com o coração exangue), o Cardozo só deveria voltar quando estivesse em perfeitas condições físicas. O modo como ele se arrasta em campo, saindo-lhe quase tudo mal, é penoso de ver. Claro que um golo de bola corrida poderá modificar isto no imediato, já que a falta de confiança é brutal, mas o que é certo é que esse golo está a demorar tempo demais a surgir. E, enquanto isso, nós continuamos a jogar com 10…

Que esta partida tenha sido um intervalo para as próximas duas semanas. Estaremos em três finais e espero que a equipa dê a resposta que sempre tem dado ao longo da temporada, porque isso garantir-nos-á um mês de Maio inolvidável.

P.S. – Parabéns ao Voleibol pelo primeiro bicampeonato da nossa história!

sexta-feira, maio 02, 2014

Para a história!

Empatámos frente à Juventus (0-0) e obtivemos o acesso à final da Liga Europa pela segunda época consecutiva. Para conseguirmos voltar a Turim daqui a 15 dias, tivemos que sofrer bastante num jogo com muitas incidências, mas esta passagem é mais do que merecida.

O Jesus surpreendeu-me bastante ao dar a titularidade ao Oblak, o que muito nos valeu, porque o esloveno esteve em grande plano. Entrámos muito bem na partida e tivemos uma ocasião logo a abrir pelo Rodrigo, que rematou contra o braço de um adversário logo no primeiro minuto. Esta boa entrada durou apenas 5’, porque não esqueçamos que estávamos a jogar em casa do futuro tricampeão italiano. A Juventus pegou no jogo, mas nós nunca nos desorientámos. Mesmo assim, passámos por alguns calafrios na 1ª parte, com remates por cima do Tévez e Vidal, outro do Pirlo para boa defesa do Oblak, uma cabeçada perigosa do Bonucci ao lado e, principalmente, outra cabeçada do Vidal para o Luisão salvar também de cabeça sobre a linha. Conseguimos chegar ao intervalo sem sofrer golos, o que era o objectivo principal, mas em termos atacantes só durante os primeiros 5’ é que demos um ar da nossa graça.

Na 2ª parte, começou a chover copiosamente, o que julgo que nos favoreceu, porque a Juventus começou a vacilar em termos físicos, já que tinha jogado com os titulares na 2ª feira também num campo empapado. O Sr. Mark Clattenburg, que até tinha feito uma boa 1ª parte, começou a inclinar progressivamente o campo. Mostrou um amarelo ridículo ao Enzo Pérez, num lance de falta por empurrão, e expulsou-o por duplo amarelo seis minutos depois aos 67’. Confesso que a partir daqui comecei a ver as coisas muito negras, porque ainda faltava muito tempo para o final. Em termos atacantes, lá conseguimos sair melhor do que na 1ª parte, mas o último toque não esteve famoso: o Rodrigo teve duas excelentes ocasiões (numa delas, praticamente um penalty, rematou por cima com o Buffon estático e noutra adiantou ligeiramente a bola depois de uma brilhante incursão do Markovic) e noutro lance o Lima não fez um bom último passe para o Markovic. A Juventus tinha muita posse de bola, mas não criou grandes situações e, quando o fez, o Oblak esteve seguríssimo (defendeu bem um livre do Pirlo e nas alturas foi sempre imperial). Os minutos finais foram de grande nervosíssimo, com o Markovic a ser escusadamente expulso já depois de ter sido substituído pelo Sulejmani, na sequência de uma altercação com o Vucinic (também expulso), o Salvio também vai ficar fora da final por um braço na bola (amarelo também escusado) e, como se já não bastasse, o Garay levou com a chuteira do Pogba na cara (levou oito pontos) e teve que sair durante os últimos seis minutos. Terminámos o jogo com nove! No entanto, mesmo assim conseguimos com muita bravura manter o resultado, com o Oblak a segurar as últimas bolas cabeceadas para a área com muita segurança.

Em termos individuais, destaque para o Oblak, Siqueira (que confiança a sair com a bola!) e Rúben Amorim (cortes absolutamente providenciais e a fazer esquecer o Fejsa). A equipa foi toda muito brava e com grande entreajuda a defender, com realce também para a dupla de centrais e o Maxi. Em termos atacantes, foi pena aqueles dois lances do Rodrigo (especialmente o penalty por cima). Nota profundamente negativa para o facto de irmos jogar muito desfalcados na final: se a expulsão do Enzo Pérez ainda se aceita por ter sido na disputa de um lance (embora um jogador com a experiência dele devesse ter a consciência que não se entra assim à bola quando já se tem um amarelo, mesmo que injusto…), a do Markovic era perfeitamente escusada e o Salvio também poderia não ter metido o braço à bola.

São estas ausências que não me permitem estar absolutamente eufórico neste momento. Claro que é importantíssimo estarmos na 10ª final europeia do nosso historial (décima, senhores!), mas depois de sete derrotas nas sete últimas vezes, eu queria mesmo MUITO ganhar esta! Estar lá não me satisfaz. Com aqueles três jogadores disponíveis, não tenho dúvida nenhuma que éramos mais que favoritos, mas assim acho que vai ser mais equilibrada. A única boa notícia é que vão estar os três fresquinhos para a final da Taça de Portugal apenas quatro dias depois da Liga Europa. Vamos com calma: estamos em três finais, mas ainda só temos um título conquistado. Depois do que sofremos na última temporada, é MAIS DO QUE justo que estejamos nesta situação, mas para esta época se tornar absolutamente inolvidável é PRECISO ganhar essas finais. Concentração para TODAS elas é o que se pede.

P.S. – A Juventus demonstrou mesmo que é o CRAC de Itália. Para além da rábula do possível castigo ao Enzo Pérez antes do jogo, as declarações do Conte no final da partida são absolutamente nojentas e revelam um mau perder e um ressabiamento que eu só conhecia ao CRAC. Além de que tem o desplante de se queixar dos árbitros! Para já, nós é que temos queixa do da 1ª mão e depois, vindo de um clube que desceu de divisão por corrupção a árbitros, é preciso ter uma distintíssima lata!

domingo, abril 27, 2014

Delicioso!

Vencemos o CRAC nos penalties (4-3) depois de um empate a zero e estamos na final da Taça da Liga! Foi um triunfo muitíssimo saboroso, especialmente por ter sido conseguido a jogar com 10’ durante mais uma hora (outra vez…!) e com uma equipa bastante secundária. Pusemos uma pedra no assunto “catástrofe-da-época-passada” e, segundo rezam as crónicas, há 31 anos que o CRAC não ficava atrás de nós em todas as competições. O Bem triunfou em toda a linha frente ao Mal! Foi a cereja no topo do bolo que está a ser esta época (até agora…!).

O jogo conta-se muito facilmente: até à meia-hora, a altura da expulsão do Steven Vitória, o CRAC foi melhor que nós, exceptuando os primeiros 5’, em que entrámos muito bem. Tiveram uma mão cheia de oportunidades, aproveitando bem o facto de o Steven Vitória ser um enorme buraco. Até que aos 32’, o Sr. Marco Ferreira resolveu expulsar o Steven Vitória por derrube ao Jackson, num lance em que o jogador do CRAC estava numa posição bastante lateral, apesar de estar isolado. Para mim, seria cartão amarelo, mas de uma coisa tenho a certeza: se fosse ao contrário, duvido MUITO que houvesse expulsão. A entrada do Garay (saída do Lima por causa de Turim, tal como referiu o Jesus, quando seria expectável que fosse o Cardozo) estabilizou a nossa defesa e até ao intervalo o CRAC só teve mais uma oportunidade com o Jackson.

Na 2ª parte, fechámos a baliza a sete chaves e o CRAC praticamente não criou perigo. É certo que abdicámos completamente do ataque, mas o Ivan Cavaleiro e o Sulejmani foram muito importantes em termos defensivos. Jogámos muito bem tacticamente e fomos recompensados por isso. Foi com o autocarro? Claro que foi, mas o autocarro é legítimo desde que não se faça antijogo. Porque esta coisa de o Mourinho ser “tacticamente brilhante” quando o utiliza (e só esta semana fê-lo duas vezes frente ao Atlético Madrid e em Liverpool) e os outros todos serem “atentados ao futebol” tem muito que se lhe diga… Conseguimos o objectivo que era chegar aos penalties e conseguimos uma grande vantagem: sermos os primeiros a marcar. Aliás, eu gostava muito de ver uma estatística que pudesse confirmar uma ideia que eu tenho por quase absoluta: a percentagem de vitória é muito maior nas equipas que são as primeiras a marcar os penalties. O Garay atirou à barra e o André Gomes permitiu uma boa defesa ao Fabiano, mas os assumidamente corruptos falharam por três vezes e nós vencemos.

Em termos individuais, não vou destacar ninguém, porque acho que toda a equipa merece crédito pela maneira como defendeu. Mas uma palavra para a segurança do Oblak (gostava TANTO que fosse o titular em Turim…!). [Adenda:] E outra para o Jardel, pelo jogo que fez e principalmente pela flash interview: “o Porto não deve ficar muito triste por esta eliminação, porque foi sempre uma prova que desvalorizou. Nós não.” Sublime! Embrulhem!

Esta vitória soube-me MUITO melhor do que estava à espera. Cravámos a estocada final num clube assumidamente corrupto, que vai terminar a época a zeros. Era bastante importante que isso acontecesse, mas há que ter a noção de que só ganhámos um título até agora. Convém não desprezar em NADA o Rio Ave, porque surpresas em finais já tivemos duas nas duas últimas vezes que fomos ao Jamor. Este par de saborosíssimas eliminações das forças do Mal perderão todo o valor se não conseguirmos trazer os dois canecos e vencermos tudo a nível interno. Algo que, recordo, nunca nenhum clube conseguiu.

P.S. – Eu até gostava do Sr. Marco Ferreira, mas esta arbitragem de hoje foi cirúrgica. O vermelho é muito discutível, mas entre amarelos por mostrar ao Alec Sandro por braço na bola à entrada da área e faltas inacreditáveis ao Siqueira e Markovic a não serem marcadas foi uma inclinação de campo a toda a prova. Só que… hélas, não chegou! Para a próxima, hão-de tentar expulsar dois jogadores nossos frente ao CRAC. Pode ser que assim já nos consigam ganhar…

sexta-feira, abril 25, 2014

Vantagem

Vencemos a Juventus por 2-1 e partimos com ligeiro avanço para o encontro da 2ª mão em Turim que dará o acesso à final da Liga Europa. Dadas as condicionantes da partida, foi um bom resultado e cabe-nos agora jogar em Turim para tentar marcar. Se o conseguirmos, os italianos não terão uma tarefa fácil.

Ainda antes do jogo, tivemos más notícias. Se a lesão do Salvio no domingo já era má, os impedimentos do Fejsa e principalmente do Gaitán (possivelmente o jogador do ano em Portugal) deixaram-me muito pouco confiante. Ainda por cima, o Jesus voltou a apostar no Artur, algo que me tirou quase toda a esperança. MAS (e este “mas” é muito importante) eu não consigo expressar por palavras o quanto eu gosto que o Benfica me contrarie, especialmente quando eu não tenho grande fé e os jogadores em campo tratam de me mostrar que somos mesmo “um clube lutador / que na luta com fervor / nunca encontrou rival / neste nosso Portugal”. Claro que ajudou o facto de termos praticamente entrado a ganhar com o 1-0 logo aos 2’ num canto do Sulejmani para uma cabeçada do Garay, lance em que me pareceu que o Buffon se fez tarde à bola. Jogámos mais tranquilos a partir daí e a Juventus não teve uma única oportunidade de golo durante o primeiro tempo. Ao invés, nós poderíamos ter aumentado o score, mas o Sulejmani rematou muito torto quando estava sozinho perante o Buffon na sequência de um grande contra-ataque do Markovic. E na parte final outra jogada genial do Markovic culminou com um remate deste por cima, quando se tivesse centrado teria encontrado o Cardozo em muito boa posição.

É uma pena que alguns jogos não possam acabar aos 45’. Este era um caso evidente que era bom que isso acontecesse… Na 2ª parte, a Juventus intensificou a pressão e nós já não fomos capazes de os suster tão bem quanto na 1ª. Acusámos algum défice físico, mas com alguma sorte lá os fomos controlando. O Artur teve uma saída disparatada, mas depois conseguiu defender o cabeceamento do Pogba e, claro, como se esperava, o árbitro turco, o Sr. Cuneyt Çakir, perdoou um penalty claríssimo do Cáceres sobre o Enzo Pérez. Já se sabia que, perante o CRAC de Itália, o campo estaria sempre um pouco inclinado, o que, para além deste lance, foi visível no critério das faltas. Aos 72’, aconteceu o que vinha sendo prometido com o golo dos italianos, quando o Tévez numa jogada individual teve alguma sorte no ressalto e ficou isolado perante o Artur, conseguindo colocar-lhe a bola por entre as pernas. Nós estávamos de rastos em termos físicos e o Sulejmani e Cardozo já tinha sido substituídos pelo André Almeida e Lima, mas numa mostra de grande carácter não desistimos. O Jesus colocou ainda o Ivan Cavaleiro no lugar do André Gomes (que estava a fechar o flanco esquerdo com a saída do Sulejmani) e ele foi importantíssimo no golo da vitória aos 84’, ao simular sem tocar na bola, permitindo que o passe do Enzo Pérez chegasse ao Lima, que já dentro da área fuzilou o Buffon! A Luz explodiu e duvido muito que não tivesse vindo abaixo, quando num contra-ataque no minuto seguinte o Markovic rematou rasteiro muito perto do poste. Foi quase…! No entanto, foi o Artur que garantiu a nossa vitória já nos descontos ao defender com a perna um remate do Marchisio que estava sozinho perante ele. E a Juventus ainda teve outra oportunidade num remate muito torto do Chiellini numa bola que foi bombeada para a área. No último lance da partida, também nós poderíamos ter marcado o terceiro quando um remate do Ivan Cavaleiro que seguia para a baliza foi interceptado por um defesa.

Em termos individuais, o melhor em campo foi o Siqueira que fez o melhor jogo desde que chegou ao Benfica. A 1ª parte do Markovic foi de sonho e o Enzo Pérez foi gigante na batalha do meio-campo. Os centrais tiveram muito trabalho, mas também se saíram bem nomeadamente o Garay, que teve o extra de marcar o primeiro golo. O Artur continua a não me inspirar confiança, mas foi essencial já nos descontos. O resto da equipa esteve muito bem, com grande capacidade de luta e sofrimento.

A eliminatória está a meio, mas se o Fejsa e o Gaitán recuperarem tenho alguma esperança para a 2ª mão. Já sabemos que vai ser muitíssimo difícil, não só porque estamos a defrontar a futura tricampeã italiana, mas também porque como CRAC de Itália que é, com a final em sua casa, irá com certeza beneficiar dos favores da arbitragem, tal como hoje. No entanto, às vezes acontecem milagres e nós estamos longe de estar derrotados à partida. Antes isso, no próximo domingo iremos ao antro para a meia-final da Taça da Liga, onde espero que jogue a nossa equipa B. Literalmente, não só por causa do cansaço como também das possíveis lesões. E se há coisa que nós não precisamos nesta altura é de mais lesões! Sempre quero ver se os assumidamente corruptos terão coragem de, se ganharem, comemorar a passagem à final de uma prova que sempre desprezaram. Nada teremos a perder.

segunda-feira, abril 21, 2014

Trinta e três


Vencemos o Olhanense e sagrámo-nos pela 33ª vez campeões nacionais de futebol! O grande objectivo da época está cumprido e tudo o que vier a seguir é lucro, se bem que será uma grande desilusão se não fizermos a dobradinha. O Olhanense revelou-se um adversário muito complicado (é impressionante como nunca nada nos é dado facilmente, temos sempre que batalhar por tudo!), mas o primeiro golo no início da 2ª parte libertou a tensão que já se sentia no estádio e o segundo selou a conquista do título.

Entrámos bem na partida e tivemos ocasiões para decidir o campeonato ainda antes do intervalo. Um remate do Gaitán, interceptado por um defesa logo nos minutos iniciais, e dois falhanços incríveis do Rodrigo (acertou mal na bola) e do Lima (atirou por cima já com o guarda-redes batido) foram o saldo da 1ª parte. É verdade que também poderíamos ter sofrido um golo num erro incrível do Garay, mas felizmente o remate passou ao lado. Notava-se alguma ansiedade por parte dos jogadores e bastante por parte do público, que se foi avolumando com o passar do tempo. Em cima do intervalo, o Salvio partiu o braço num lance fortuito e o Markovic substituiu-o ao intervalo.

Na 2ª parte, o jogo continuou na mesma e o Lima voltou a falhar um golo fácil ao atirar por cima da barra. Mas aos 57’ finalmente lá apareceu o tão desejado golo: contra-ataque do Benfica conduzido pelo Rodrigo, passe atrasado para o remate do Gaitán, o guarda-redes defendeu para a frente e o Lima só teve que encostar. A Luz respirava de alívio ao mesmo tempo que explodia de felicidade. Como tem vindo a ser bom hábito nos últimos jogos, a equipa foi à procura do “golo da tranquilidade” que surgiu três minutos depois novamente pelo Lima. Lançamento em profundidade do Maxi Pereira a demarcar o brasileiro, que correu meio campo para rematar relativamente fraco e à figura, mas o guarda-redes deixou a bola passar por entre as pernas. Foi um frango delicioso que praticamente selou a questão do título e soltou de vez a Luz para o delírio absoluto. Até final, tanto o Lima como o Rodrigo tiveram boas chances, mas o resultado já não se alterou e pudemos todos gritar finalmente “campeões, campeões, nós somos campeões!”

Destaque óbvio para o Lima, que estava a ser dos mais perdulários até que resolveu decidir o jogo. O Enzo Pérez foi novamente o pêndulo do meio-campo e o André Gomes aproveitou o jogo inolvidável de 4ª feira para se afirmar como a solução a trinco até que o Fejsa recupere. A equipa esteve toda ela a um bom nível, apesar de revelar uma natural ansiedade, personificada no Garay, com algumas hesitações muito pouco habituais. O prémio azar do ano vai direitinho para o Salvio: depois de estar a recuperar a forma vindo da grave lesão que teve em Setembro, parte o braço no jogo do título e acaba prematuramente a época! Vai fazer-nos muita falta para os importantes encontros que se seguem.

A festa que se seguiu tanto no estádio como no Marquês foi épica e só espero que seja a primeira de algumas deste ano. Temos ainda coisas importantes para conquistar, a começar já na eliminatória frente à Juventus na próxima 5ª feira.


CAMPEÕES, CAMPEÕES, NÓS SOMOS CAMPEÕES!
VIVA O GLORIOSO SPORT LISBOA E BENFICA!

P.S. – A análise da temporada será feita no final da mesma, mas o grande obreiro deste título é obviamente o presidente Luís Filipe Vieira. Contra muita gente dentro do próprio clube, decidiu manter o Jesus depois do catastrófico final de temporada passada e essa decisão deu o resultado que agora vemos. Eu sempre defendi a continuidade do treinador (antes e mesmo depois do descalabro), mas confesso que tive sérias dúvidas com o nosso início de temporada. Felizmente tudo acabou em bem!

P.P.S. – Aquele defesa-esquerdo do Olhanense (Jander) não é nada mau. Não foi fácil ao Salvio passar por ele e mesmo o Markovic não o conseguiu bater em velocidade. Se calhar, era um jogador interessante para nós…

quinta-feira, abril 17, 2014

Épico! Histórico!

Vencemos o CRAC por 3-1 e qualificámo-nos pelo segundo ano consecutivo para a final da Taça de Portugal. A jogar com 10 desde os 27’, por duplo amarelo ao Siqueira, quando já estávamos a ganhar por 1-0, as forças do Mal empataram no início da 2ª parte, mas nós conseguimos marcar mais dois golos em desvantagem numérica. Por todas estas incidências e pelas razões invocadas no post anterior, não tenho problemas nenhuns em dizer que este foi um dos dias mais felizes que eu tive enquanto benfiquista! De tal modo, que não consegui conter algumas lágrimas no final. Esta vitória era ABSOLUTAMENTE essencial e da maneira como foi conseguida tornou-se verdadeiramente épica.

Entrámos muitíssimo bem no jogo, apesar das ausências do Luisão e Fejsa. Com o Jardel no lugar do primeiro, o Jesus inovou ao colocar o André Gomes no lugar do segundo. Confesso que fiquei com muitas dúvidas acerca desta opção, mas o jogo felizmente dissipou o meu cepticismo. De resto, a equipa esperada com o Cardozo e Salvio a titulares. Fulgarizámos a equipa de Mordor durante os primeiros minutos e conseguimos chegar à vantagem aos 17’ através de um cabeceamento do Salvio depois de um cruzamento brilhante do Gaitán. A eliminatória estava empatada, mas o Sr. Pedro Proença (para não variar) resolveu tornar-se protagonista ao mostrar um primeiro amarelo ridículo ao Siqueira e ao expulsá-lo dois minutos depois. Gostaria de ver se este senhor teria coragem de fazer isso no antro, mas de qualquer maneira isto não desculpa o desequilíbrio mental do Siqueira, que já é a segunda vez que faz isto durante a época. Por acaso, não correu mal nesta partida, mas um jogador tão instável assim não pode ter lugar no Benfica para o ano. Se o Carlos Martins não tem (e bem) lugar no plantel, este tipo também não pode ter. É bom jogador, tenho pena, mas dois enterranços durante a época é demais. O Cardozo foi (e bem) o sacrificado para entrar o André Almeida para a lateral-esquerda e até ao intervalo, conseguimos controlar o ímpeto dos assumidamente corruptos.

Na 2ª parte, estávamos a dar mostrar de continuar a conter o CRAC, quando o Varela tem uma boa jogada, bate o André Almeida de forma algo infantil, o Enzo Pérez não ajuda na dobra, o que colocou o jogador do CRAC frente a frente com o Artur, fazendo-lhe passar a bola por baixo das pernas. Estava feita a igualdade aos 52’. Escusado será dizer que temi o pior, porque teríamos de marcar mais dois golos com menos um jogador em campo. No entanto, a nossa equipa equipa está com uma crença inacreditável e o Rodrigo falhou uma boa oportunidade pouco depois. Aos 59’, aconteceu o lance chave da nossa reviravolta: penalty do Diego Reyes (grande central… sim senhor…!) sobre o Salvio. Quando vi o Rodrigo pegar na bola, assustei-me, mas aparentemente veio a ordem do Jesus no banco para que fosse o Enzo a marcar (tivesse feito o mesmo em Barcelos e neste momento já éramos campeões…!). Guarda-redes para um lado e bola para o outro foi o resultado do penalty e tínhamos 30’ para marcar mais um golo e tornar péssima a época da equipa mais hedionda do planeta. Equipa essa que, acrescente-se, não joga dois tremoços. Segundo jogo na Luz este ano, segunda exibição paupérrima. Logo a seguir ao penalty, o fabuloso Reyes deixou-se bater pelo Rodrigo, que partiu como uma flecha para a baliza, mas escorregou na altura de fintar o Mangala e ficar isolado só com o Fabiano pela frente. Foi pena! Até que aos 80’, o estádio explodiu: boa troca de bola entre o Lima e Gaitán, com este a desmarcar o André Gomes que passou a bola por cima do Fernando e rematou sem hipóteses para o guarda-redes. Estava consumada a reviravolta e as fundações do Estádio da Luz são óptimas, porque aguentaram o vulcão em que ele se transformou. Até final, conseguimos gerir muito bem a partida e o CRAC não teve nenhuma ocasião de perigo, até porque nós soubemos muito bem esconder a bola.

Em termos individuais, o destaque terá que ser para o André Gomes. Inesperada grande exibição de um jogador que vinha mostrando consecutivamente que, apesar de muito bom tecnicamente, era muito lento. Pois nesta partida, não só marcou o golão decisivo da qualificação, como chegou inclusive a ganhar bolas divididas corpo-a-corpo com o Fernando! A partir do momento em que utilize 25% da intensidade que o Enzo Pérez põe em campo, tornar-se-á um médio de eleição. No entanto, mesmo que assim não seja, depois deste lance ganha um crédito infindável pelo menos para mim. O Gaitán foi outro que com duas assistências se salientou, assim como o Salvio marcador do primeiro golo e fabricante do lance do penalty que deu o segundo. O Jardel substituiu bem o Luisão, o Garay foi imperial como de costume e até o Artur só esteve mal num lance (num canto, ficou aos papéis), o que é de salientar. Negativo só mesmo Siqueira que não tem desculpa. Veio dizer no final que não tinha visto o primeiro cartão a ser exibido. Sinceramente, custa-me a acreditar. Estou convencido que, com 11 em campo, poderíamos ter tido a oportunidade de lhes dar uma mão-cheia de golos.

Pelas razões do post baixo, eu considerava este jogo como o mais importante dos últimos 27 anos. Felizmente, os jogadores e equipa técnica do Benfica também perceberam isso e deram um festival de raça, querer e ambição. Ganhar ao CRAC a jogar com 10 durante mais de uma hora e ainda marcando dois golos é algo que nunca me lembro de ter acontecido. Só por isso, esta é uma partida que tem entrada directa no nosso museu. Pusemos um ponto final na época da equipa de Mordor e quiçá isso pode ter sido o princípio do fim. Veremos como correrá a próxima época, mas não tenhamos dúvidas que isto foi uma machadada muitíssimo importante nas forças do Mal. O mundo hoje dormirá melhor e mais tranquilo graças a nós!

Muito obrigado, jogadores e equipa técnica do Glorioso Sport Lisboa e Benfica! VIVA O BENFICA!

P.S. – Este Sr. Pedro Proença é também ele um desequilibrado. Quando começa a mostrar cartões, não pára. Ia estragando o jogo, mas felizmente os jogadores contiveram-se nos momentos mais complicados. Mesmo assim, ainda conseguiu expulsar dois jogadores e os dois treinadores.

quarta-feira, abril 16, 2014

27 anos

A razão de este ser o jogo mais importante das últimas duas décadas e meia. Aqui.

segunda-feira, abril 14, 2014

Mini-Luz

Vencemos o Arouca (2-0) em Aveiro e estamos a meros dois pontos de conquistar o 33º campeonato nacional da nossa história. O que interessa nesta altura é mesmo o resultado pelo que o objectivo foi plenamente cumprido, mesmo que tenha sido longe do brilhantismo de jogos anteriores. Os três próximos jogos, todos em nossa casa, para as três das principais competições vão definir a época.

Sem o Luisão e Fejsa, substituídos pelo Jardel e André Almeida, a nossa 1ª parte resume-se em três palavras: horrível, horrível e horrível. Lentos, sem imaginação, muito marcados, com pouca capacidade de choque e a perder sucessivas bolas divididas (com alguma pancada a mais dos jogadores do Arouca, mas do Sr. Hugo Miguel não se pode esperar grandes punições aos nossos adversários), parecia que os nossos jogadores não tinham entrado em campo num estádio que era 99% nosso. Para complicar as coisas, o Oblak resolveu dar uma arturzada e tentou agarrar uma bola no limite da área, deixando-a obviamente escapar: o que nos valeu foi que o Maxi conseguiu tirar o remate que se seguiu quase em cima da linha de golo, impedindo que o Arouca se colocasse em vantagem, o que a acontecer tornaria o jogo muito complicado para nós. Isto foi aos 38’ e, quando todos esperávamos que a 1ª parte tivesse sido oferecida ao adversário, eis que no último lance dessa mesma 1ª parte inaugurámos o marcador: jogada pela direita do Lima, que centrou para o Cássio falhar a intercepção e o Rodrigo aproveitar a atrapalhação do defesa para atirar para a baliza. Foi literalmente um golo caído do céu que desanuviava muito o ambiente de alguma apreensão que se começava a sentir na mini-Luz, perdão, no Municipal de Aveiro.

Na 2ª parte, contava que o Benfica carregasse para fazer o segundo golo e acabar com as dúvidas, e foi isso que aconteceu logo aos 55’ com uma arrancada do Markovic pelo centro, que depois desmarcou o Gaitán para picar sobre o guarda-redes à saída deste. Foi um golão de um dos melhores jogadores do campeonato (senão mesmo o melhor). O Arouca sentiu imenso o 0-2 e quase não nos criou perigo. Quanto a nós, poderíamos ter aumentado o marcador quase a seguir ao golo com os mesmos Markovic e Gaitán no lance. Aos 65’ deu-se o lance mais aparatoso da partida, com um choque entre o Oblak e um avançado do Arouca (Roberto). Foi de tal forma violento que o nosso guarda-redes teve de sair. Esperemos que o traumatismo craniano não o faça estar de baixa durante muito tempo, porque mesmo com a arturzada desta partida dá muito mais confiança que o Artur… Até final, o Gaitán e o Lima tiveram boas hipóteses para marcar, mas o Cássio opôs-se bem.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Gaitán pelo golão que marcou e por uma 2ª parte muito bem conseguida. Aliás, vamos fazer de conta que a 1ª não existiu para toda a equipa… O Rodrigo continua a ser o nosso avançado em melhor forma e marcou outra vez o seu golito da ordem. O resto da equipa esteve mediana, com a já referida melhoria no 2º tempo.

Com jogos em casa frente ao Olhanense e V. Setúbal, só um verdadeiro cataclismo nos impedirá de não sermos campeões, pelo que vamos é apontar todas as baterias do mundo para derrotar as forças do Mal na próxima 4ª feira para termos hipóteses de 27(!) anos depois conquistarmos a dobradinha.

sexta-feira, abril 11, 2014

Meias-finais europeias

Voltámos a vencer o AZ Alkmaar, desta feita por 2-0, e pela 3ª vez durante o consulado de Jorge Jesus estamos nas meias-finais da Liga Europa. É um feito assinalável que nunca será por demais realçado. E no total é a 14ª(!) vez que estamos numas meias-finais de uma competição europeia. Impressionante!

Com a vantagem na eliminatória, entrámos em campo num ritmo calmo, mas tivemos logo uma grande contrariedade no início, com a grave lesão do Sílvio (fractura da tíbia e perónio) que lhe acabou com a época, com a ilusão de ir ao Mundial e com o início da próxima temporada. Foi um lance estranho com um adversário e o Luisão, acabando o Sílvio com rematar contra a perna do nosso capitão e partir a sua. Entrou o André Almeida, que deu boa conta do recado, mas durante alguns minutos parecemos algo abalados pelo infortúnio do Sílvio. O Cardozo teve três boas oportunidades para marcar, duas delas bem defendidas pelo guarda-redes. Mas aos 39’ o Salvio, que até nem estava a fazer nada de especial, resolveu arrancar antes do meio-campo, passar por dois defesas e centrar largo para o Rodrigo só ter que encostar. Grande jogada e grande golo! Se já estávamos calmos, a partir daí ainda ficámos mais.

Na 2ª parte, baixámos ainda mais o ritmo (eu achei que era cedo demais para isso) e o AZ foi espreitando a possibilidade de marcar um golo. O Artur fez duas boas defesas que o impediram, mas os holandeses nunca deram mostras de ter capacidade para discutir a eliminatória. No entanto, um golo pode surgir de um qualquer lance fortuito e, se sofrêssemos um, arriscávamo-nos a ter um final de jogo complicado (ainda ninguém se esqueceu do que se passou frente ao Tottenham, pois não?). Por isso, é que era essencial marcar mais um para ficar tudo garantido. E esse golo chegou aos 71’ noutro lance individual do Salvio, que cruzou novamente largo para o Rodrigo só ter que encostar. A eliminatória estava definitivamente selada, mas até final ainda poderíamos ter marcado mais um golo, porque o Salvio isolado e o Cardozo por duas vezes tiveram boas oportunidades.

Destaque individual óbvio para o Rodrigo, pelos dois golos, e para o Salvio, pelas duas assistências. Muito bom jogo igualmente do Siqueira, que com a lesão do Sílvio até final da época não vai poder descansar mais. Os centrais estiveram irrepreensíveis, como habitualmente. Quanto ao grande Tacuara, já se movimenta bem melhor, esteve muito mais em jogo e só foi pena não ter concretizado uma das chances que teve. Mas anda a cheirar o golo muito mais do que em partidas anteriores. Pela negativa, acima de todos o Sulejmani. O André Gomes continua de uma lentidão exasperante e mesmo o Fejsa não regressou lá grande coisa depois da lesão que teve.

Juventus, Valência (grande remontada de 0-3 para 5-0 a.p.) e o Sevilha (MUITO obrigado!) são os adversários potenciais. Confesso que não sei bem o que prefiro, já que o ideal era que a Juventus não chegasse à final. Mas se tivermos que os defrontar, acho que teremos mais hipótese de lhes ganhar em dois jogos do que numa final ainda por cima em casa deles. No entanto, mesmo assim, pensando bem, se calhar prefiro um dos dois espanhóis. Pode ser o Sevilha, para vingarmos a honra do país… [Ironic mode on] (Como se a equipa de Mordor alguma vez pudesse honrar o país…!) De qualquer maneira, algo que seria mesmo muito importante era que a 2ª mão fosse em nossa casa.

quinta-feira, abril 10, 2014

Gracias!

4-1! Q-u-a-t-r-o  a  u-m! Muito obrigado, Sevilha!

terça-feira, abril 08, 2014

Categórico

Goleámos o Rio Ave por 4-0 e estamos a duas vitórias de podermos celebrar o tão desejado título de campeão. Perante uma equipa que tinha conquistado 21 dos seus 31 pontos fora de casa com apenas sete golos sofridos, esta partida era vista com muitas cautelas, mas a nossa resposta não poderia ter sido melhor. Marcámos dois golos antes do intervalo, como vem sendo salutar hábito ultimamente, e ainda tivemos o bónus de mais dois golos pelo jogador mais necessitado deles na 2ª parte.

Entrámos fortes como tem sido regra e inaugurámos o marcador aos 17’ através do Rodrigo depois de (mais) uma brilhante iniciativa do Gaitán. O argentino assistiu e depois marcou aos 29’, aproveitando um ressalto de bola depois de uma jogada do Rodrigo. O Rio Ave não dava mostras de poder criar-nos perigo e até ao intervalo realce para outra jogada magistral do jogador do momento, Gaitán, que infelizmente não teve ninguém a secundá-lo no momento de atirar à baliza.

Na 2ª parte, o sentido do jogo não se alterou e nós fizemos uma gestão activa do esforço. Nunca deixámos de jogar para a frente, tentando sempre marcar mais golos, mas sem grandes correrias e dispêndios de energia. O Jesus começou a fazer descansar os mais utilizados e lançou o Cardozo, Djuricic e Jardel. E foi o Tacuara a finalmente quebrar a malapata dos golos, ao concretizar um evidentíssimo penalty sobre o Maxi Pereira aos 77’. Já na compensação, outro indiscutível penalty a nosso favor por derrube ao Enzo Pérez e novo golo do Cardozo para o mesmo lado. O jogo terminava da maneira como eu mais gosto: connosco a marcar!

Em termos individuais, destaque óbvio para o Gaitán e para o Rodrigo, que está numa superforma. Também gostei do André Almeida no meio-campo, embora não seja nenhum Fejsa. Os centrais estiveram irrepreensíveis e com várias oportunidades para marcar. O Oblak poderia perfeitamente ter pago bilhete para ver o jogo… O Lima esteve menos em foco do que em partidas interiores, assim como o Markovic, mas ambos fartaram-se de dar ajuda à defesa. Quanto ao Cardozo, foram dois penalties, sim senhor, mas foram dois golos! Ambos muito bem marcados, por sinal. Espero que lhe sirva de lição para os penalties futuros: se correr decidido para a bola e sem ser com aqueles idiotas passinhos pequenos, as probabilidades de êxito aumentam consideravelmente.

Esta nossa vitória acabou com as possibilidades matemáticas de o CRAC ser campeão. Que grande pena…! Mas a lagartada também esta numa boa série de vitórias consecutivas e até isto estar ganho convém ir com muita cautela. No entanto, é óbvio que estou optimista: estamos a jogar com uma serenidade enorme, sem acusar a pressão e com uma segurança defensiva como nunca tivemos na era Jesus. Agora é apontar baterias para 5ª feira para selar a qualificação para as meias-finais da Liga Europa.