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domingo, abril 27, 2014

Delicioso!

Vencemos o CRAC nos penalties (4-3) depois de um empate a zero e estamos na final da Taça da Liga! Foi um triunfo muitíssimo saboroso, especialmente por ter sido conseguido a jogar com 10’ durante mais uma hora (outra vez…!) e com uma equipa bastante secundária. Pusemos uma pedra no assunto “catástrofe-da-época-passada” e, segundo rezam as crónicas, há 31 anos que o CRAC não ficava atrás de nós em todas as competições. O Bem triunfou em toda a linha frente ao Mal! Foi a cereja no topo do bolo que está a ser esta época (até agora…!).

O jogo conta-se muito facilmente: até à meia-hora, a altura da expulsão do Steven Vitória, o CRAC foi melhor que nós, exceptuando os primeiros 5’, em que entrámos muito bem. Tiveram uma mão cheia de oportunidades, aproveitando bem o facto de o Steven Vitória ser um enorme buraco. Até que aos 32’, o Sr. Marco Ferreira resolveu expulsar o Steven Vitória por derrube ao Jackson, num lance em que o jogador do CRAC estava numa posição bastante lateral, apesar de estar isolado. Para mim, seria cartão amarelo, mas de uma coisa tenho a certeza: se fosse ao contrário, duvido MUITO que houvesse expulsão. A entrada do Garay (saída do Lima por causa de Turim, tal como referiu o Jesus, quando seria expectável que fosse o Cardozo) estabilizou a nossa defesa e até ao intervalo o CRAC só teve mais uma oportunidade com o Jackson.

Na 2ª parte, fechámos a baliza a sete chaves e o CRAC praticamente não criou perigo. É certo que abdicámos completamente do ataque, mas o Ivan Cavaleiro e o Sulejmani foram muito importantes em termos defensivos. Jogámos muito bem tacticamente e fomos recompensados por isso. Foi com o autocarro? Claro que foi, mas o autocarro é legítimo desde que não se faça antijogo. Porque esta coisa de o Mourinho ser “tacticamente brilhante” quando o utiliza (e só esta semana fê-lo duas vezes frente ao Atlético Madrid e em Liverpool) e os outros todos serem “atentados ao futebol” tem muito que se lhe diga… Conseguimos o objectivo que era chegar aos penalties e conseguimos uma grande vantagem: sermos os primeiros a marcar. Aliás, eu gostava muito de ver uma estatística que pudesse confirmar uma ideia que eu tenho por quase absoluta: a percentagem de vitória é muito maior nas equipas que são as primeiras a marcar os penalties. O Garay atirou à barra e o André Gomes permitiu uma boa defesa ao Fabiano, mas os assumidamente corruptos falharam por três vezes e nós vencemos.

Em termos individuais, não vou destacar ninguém, porque acho que toda a equipa merece crédito pela maneira como defendeu. Mas uma palavra para a segurança do Oblak (gostava TANTO que fosse o titular em Turim…!). [Adenda:] E outra para o Jardel, pelo jogo que fez e principalmente pela flash interview: “o Porto não deve ficar muito triste por esta eliminação, porque foi sempre uma prova que desvalorizou. Nós não.” Sublime! Embrulhem!

Esta vitória soube-me MUITO melhor do que estava à espera. Cravámos a estocada final num clube assumidamente corrupto, que vai terminar a época a zeros. Era bastante importante que isso acontecesse, mas há que ter a noção de que só ganhámos um título até agora. Convém não desprezar em NADA o Rio Ave, porque surpresas em finais já tivemos duas nas duas últimas vezes que fomos ao Jamor. Este par de saborosíssimas eliminações das forças do Mal perderão todo o valor se não conseguirmos trazer os dois canecos e vencermos tudo a nível interno. Algo que, recordo, nunca nenhum clube conseguiu.

P.S. – Eu até gostava do Sr. Marco Ferreira, mas esta arbitragem de hoje foi cirúrgica. O vermelho é muito discutível, mas entre amarelos por mostrar ao Alec Sandro por braço na bola à entrada da área e faltas inacreditáveis ao Siqueira e Markovic a não serem marcadas foi uma inclinação de campo a toda a prova. Só que… hélas, não chegou! Para a próxima, hão-de tentar expulsar dois jogadores nossos frente ao CRAC. Pode ser que assim já nos consigam ganhar…

sexta-feira, abril 25, 2014

Vantagem

Vencemos a Juventus por 2-1 e partimos com ligeiro avanço para o encontro da 2ª mão em Turim que dará o acesso à final da Liga Europa. Dadas as condicionantes da partida, foi um bom resultado e cabe-nos agora jogar em Turim para tentar marcar. Se o conseguirmos, os italianos não terão uma tarefa fácil.

Ainda antes do jogo, tivemos más notícias. Se a lesão do Salvio no domingo já era má, os impedimentos do Fejsa e principalmente do Gaitán (possivelmente o jogador do ano em Portugal) deixaram-me muito pouco confiante. Ainda por cima, o Jesus voltou a apostar no Artur, algo que me tirou quase toda a esperança. MAS (e este “mas” é muito importante) eu não consigo expressar por palavras o quanto eu gosto que o Benfica me contrarie, especialmente quando eu não tenho grande fé e os jogadores em campo tratam de me mostrar que somos mesmo “um clube lutador / que na luta com fervor / nunca encontrou rival / neste nosso Portugal”. Claro que ajudou o facto de termos praticamente entrado a ganhar com o 1-0 logo aos 2’ num canto do Sulejmani para uma cabeçada do Garay, lance em que me pareceu que o Buffon se fez tarde à bola. Jogámos mais tranquilos a partir daí e a Juventus não teve uma única oportunidade de golo durante o primeiro tempo. Ao invés, nós poderíamos ter aumentado o score, mas o Sulejmani rematou muito torto quando estava sozinho perante o Buffon na sequência de um grande contra-ataque do Markovic. E na parte final outra jogada genial do Markovic culminou com um remate deste por cima, quando se tivesse centrado teria encontrado o Cardozo em muito boa posição.

É uma pena que alguns jogos não possam acabar aos 45’. Este era um caso evidente que era bom que isso acontecesse… Na 2ª parte, a Juventus intensificou a pressão e nós já não fomos capazes de os suster tão bem quanto na 1ª. Acusámos algum défice físico, mas com alguma sorte lá os fomos controlando. O Artur teve uma saída disparatada, mas depois conseguiu defender o cabeceamento do Pogba e, claro, como se esperava, o árbitro turco, o Sr. Cuneyt Çakir, perdoou um penalty claríssimo do Cáceres sobre o Enzo Pérez. Já se sabia que, perante o CRAC de Itália, o campo estaria sempre um pouco inclinado, o que, para além deste lance, foi visível no critério das faltas. Aos 72’, aconteceu o que vinha sendo prometido com o golo dos italianos, quando o Tévez numa jogada individual teve alguma sorte no ressalto e ficou isolado perante o Artur, conseguindo colocar-lhe a bola por entre as pernas. Nós estávamos de rastos em termos físicos e o Sulejmani e Cardozo já tinha sido substituídos pelo André Almeida e Lima, mas numa mostra de grande carácter não desistimos. O Jesus colocou ainda o Ivan Cavaleiro no lugar do André Gomes (que estava a fechar o flanco esquerdo com a saída do Sulejmani) e ele foi importantíssimo no golo da vitória aos 84’, ao simular sem tocar na bola, permitindo que o passe do Enzo Pérez chegasse ao Lima, que já dentro da área fuzilou o Buffon! A Luz explodiu e duvido muito que não tivesse vindo abaixo, quando num contra-ataque no minuto seguinte o Markovic rematou rasteiro muito perto do poste. Foi quase…! No entanto, foi o Artur que garantiu a nossa vitória já nos descontos ao defender com a perna um remate do Marchisio que estava sozinho perante ele. E a Juventus ainda teve outra oportunidade num remate muito torto do Chiellini numa bola que foi bombeada para a área. No último lance da partida, também nós poderíamos ter marcado o terceiro quando um remate do Ivan Cavaleiro que seguia para a baliza foi interceptado por um defesa.

Em termos individuais, o melhor em campo foi o Siqueira que fez o melhor jogo desde que chegou ao Benfica. A 1ª parte do Markovic foi de sonho e o Enzo Pérez foi gigante na batalha do meio-campo. Os centrais tiveram muito trabalho, mas também se saíram bem nomeadamente o Garay, que teve o extra de marcar o primeiro golo. O Artur continua a não me inspirar confiança, mas foi essencial já nos descontos. O resto da equipa esteve muito bem, com grande capacidade de luta e sofrimento.

A eliminatória está a meio, mas se o Fejsa e o Gaitán recuperarem tenho alguma esperança para a 2ª mão. Já sabemos que vai ser muitíssimo difícil, não só porque estamos a defrontar a futura tricampeã italiana, mas também porque como CRAC de Itália que é, com a final em sua casa, irá com certeza beneficiar dos favores da arbitragem, tal como hoje. No entanto, às vezes acontecem milagres e nós estamos longe de estar derrotados à partida. Antes isso, no próximo domingo iremos ao antro para a meia-final da Taça da Liga, onde espero que jogue a nossa equipa B. Literalmente, não só por causa do cansaço como também das possíveis lesões. E se há coisa que nós não precisamos nesta altura é de mais lesões! Sempre quero ver se os assumidamente corruptos terão coragem de, se ganharem, comemorar a passagem à final de uma prova que sempre desprezaram. Nada teremos a perder.

segunda-feira, abril 21, 2014

Trinta e três


Vencemos o Olhanense e sagrámo-nos pela 33ª vez campeões nacionais de futebol! O grande objectivo da época está cumprido e tudo o que vier a seguir é lucro, se bem que será uma grande desilusão se não fizermos a dobradinha. O Olhanense revelou-se um adversário muito complicado (é impressionante como nunca nada nos é dado facilmente, temos sempre que batalhar por tudo!), mas o primeiro golo no início da 2ª parte libertou a tensão que já se sentia no estádio e o segundo selou a conquista do título.

Entrámos bem na partida e tivemos ocasiões para decidir o campeonato ainda antes do intervalo. Um remate do Gaitán, interceptado por um defesa logo nos minutos iniciais, e dois falhanços incríveis do Rodrigo (acertou mal na bola) e do Lima (atirou por cima já com o guarda-redes batido) foram o saldo da 1ª parte. É verdade que também poderíamos ter sofrido um golo num erro incrível do Garay, mas felizmente o remate passou ao lado. Notava-se alguma ansiedade por parte dos jogadores e bastante por parte do público, que se foi avolumando com o passar do tempo. Em cima do intervalo, o Salvio partiu o braço num lance fortuito e o Markovic substituiu-o ao intervalo.

Na 2ª parte, o jogo continuou na mesma e o Lima voltou a falhar um golo fácil ao atirar por cima da barra. Mas aos 57’ finalmente lá apareceu o tão desejado golo: contra-ataque do Benfica conduzido pelo Rodrigo, passe atrasado para o remate do Gaitán, o guarda-redes defendeu para a frente e o Lima só teve que encostar. A Luz respirava de alívio ao mesmo tempo que explodia de felicidade. Como tem vindo a ser bom hábito nos últimos jogos, a equipa foi à procura do “golo da tranquilidade” que surgiu três minutos depois novamente pelo Lima. Lançamento em profundidade do Maxi Pereira a demarcar o brasileiro, que correu meio campo para rematar relativamente fraco e à figura, mas o guarda-redes deixou a bola passar por entre as pernas. Foi um frango delicioso que praticamente selou a questão do título e soltou de vez a Luz para o delírio absoluto. Até final, tanto o Lima como o Rodrigo tiveram boas chances, mas o resultado já não se alterou e pudemos todos gritar finalmente “campeões, campeões, nós somos campeões!”

Destaque óbvio para o Lima, que estava a ser dos mais perdulários até que resolveu decidir o jogo. O Enzo Pérez foi novamente o pêndulo do meio-campo e o André Gomes aproveitou o jogo inolvidável de 4ª feira para se afirmar como a solução a trinco até que o Fejsa recupere. A equipa esteve toda ela a um bom nível, apesar de revelar uma natural ansiedade, personificada no Garay, com algumas hesitações muito pouco habituais. O prémio azar do ano vai direitinho para o Salvio: depois de estar a recuperar a forma vindo da grave lesão que teve em Setembro, parte o braço no jogo do título e acaba prematuramente a época! Vai fazer-nos muita falta para os importantes encontros que se seguem.

A festa que se seguiu tanto no estádio como no Marquês foi épica e só espero que seja a primeira de algumas deste ano. Temos ainda coisas importantes para conquistar, a começar já na eliminatória frente à Juventus na próxima 5ª feira.


CAMPEÕES, CAMPEÕES, NÓS SOMOS CAMPEÕES!
VIVA O GLORIOSO SPORT LISBOA E BENFICA!

P.S. – A análise da temporada será feita no final da mesma, mas o grande obreiro deste título é obviamente o presidente Luís Filipe Vieira. Contra muita gente dentro do próprio clube, decidiu manter o Jesus depois do catastrófico final de temporada passada e essa decisão deu o resultado que agora vemos. Eu sempre defendi a continuidade do treinador (antes e mesmo depois do descalabro), mas confesso que tive sérias dúvidas com o nosso início de temporada. Felizmente tudo acabou em bem!

P.P.S. – Aquele defesa-esquerdo do Olhanense (Jander) não é nada mau. Não foi fácil ao Salvio passar por ele e mesmo o Markovic não o conseguiu bater em velocidade. Se calhar, era um jogador interessante para nós…

quinta-feira, abril 17, 2014

Épico! Histórico!

Vencemos o CRAC por 3-1 e qualificámo-nos pelo segundo ano consecutivo para a final da Taça de Portugal. A jogar com 10 desde os 27’, por duplo amarelo ao Siqueira, quando já estávamos a ganhar por 1-0, as forças do Mal empataram no início da 2ª parte, mas nós conseguimos marcar mais dois golos em desvantagem numérica. Por todas estas incidências e pelas razões invocadas no post anterior, não tenho problemas nenhuns em dizer que este foi um dos dias mais felizes que eu tive enquanto benfiquista! De tal modo, que não consegui conter algumas lágrimas no final. Esta vitória era ABSOLUTAMENTE essencial e da maneira como foi conseguida tornou-se verdadeiramente épica.

Entrámos muitíssimo bem no jogo, apesar das ausências do Luisão e Fejsa. Com o Jardel no lugar do primeiro, o Jesus inovou ao colocar o André Gomes no lugar do segundo. Confesso que fiquei com muitas dúvidas acerca desta opção, mas o jogo felizmente dissipou o meu cepticismo. De resto, a equipa esperada com o Cardozo e Salvio a titulares. Fulgarizámos a equipa de Mordor durante os primeiros minutos e conseguimos chegar à vantagem aos 17’ através de um cabeceamento do Salvio depois de um cruzamento brilhante do Gaitán. A eliminatória estava empatada, mas o Sr. Pedro Proença (para não variar) resolveu tornar-se protagonista ao mostrar um primeiro amarelo ridículo ao Siqueira e ao expulsá-lo dois minutos depois. Gostaria de ver se este senhor teria coragem de fazer isso no antro, mas de qualquer maneira isto não desculpa o desequilíbrio mental do Siqueira, que já é a segunda vez que faz isto durante a época. Por acaso, não correu mal nesta partida, mas um jogador tão instável assim não pode ter lugar no Benfica para o ano. Se o Carlos Martins não tem (e bem) lugar no plantel, este tipo também não pode ter. É bom jogador, tenho pena, mas dois enterranços durante a época é demais. O Cardozo foi (e bem) o sacrificado para entrar o André Almeida para a lateral-esquerda e até ao intervalo, conseguimos controlar o ímpeto dos assumidamente corruptos.

Na 2ª parte, estávamos a dar mostrar de continuar a conter o CRAC, quando o Varela tem uma boa jogada, bate o André Almeida de forma algo infantil, o Enzo Pérez não ajuda na dobra, o que colocou o jogador do CRAC frente a frente com o Artur, fazendo-lhe passar a bola por baixo das pernas. Estava feita a igualdade aos 52’. Escusado será dizer que temi o pior, porque teríamos de marcar mais dois golos com menos um jogador em campo. No entanto, a nossa equipa equipa está com uma crença inacreditável e o Rodrigo falhou uma boa oportunidade pouco depois. Aos 59’, aconteceu o lance chave da nossa reviravolta: penalty do Diego Reyes (grande central… sim senhor…!) sobre o Salvio. Quando vi o Rodrigo pegar na bola, assustei-me, mas aparentemente veio a ordem do Jesus no banco para que fosse o Enzo a marcar (tivesse feito o mesmo em Barcelos e neste momento já éramos campeões…!). Guarda-redes para um lado e bola para o outro foi o resultado do penalty e tínhamos 30’ para marcar mais um golo e tornar péssima a época da equipa mais hedionda do planeta. Equipa essa que, acrescente-se, não joga dois tremoços. Segundo jogo na Luz este ano, segunda exibição paupérrima. Logo a seguir ao penalty, o fabuloso Reyes deixou-se bater pelo Rodrigo, que partiu como uma flecha para a baliza, mas escorregou na altura de fintar o Mangala e ficar isolado só com o Fabiano pela frente. Foi pena! Até que aos 80’, o estádio explodiu: boa troca de bola entre o Lima e Gaitán, com este a desmarcar o André Gomes que passou a bola por cima do Fernando e rematou sem hipóteses para o guarda-redes. Estava consumada a reviravolta e as fundações do Estádio da Luz são óptimas, porque aguentaram o vulcão em que ele se transformou. Até final, conseguimos gerir muito bem a partida e o CRAC não teve nenhuma ocasião de perigo, até porque nós soubemos muito bem esconder a bola.

Em termos individuais, o destaque terá que ser para o André Gomes. Inesperada grande exibição de um jogador que vinha mostrando consecutivamente que, apesar de muito bom tecnicamente, era muito lento. Pois nesta partida, não só marcou o golão decisivo da qualificação, como chegou inclusive a ganhar bolas divididas corpo-a-corpo com o Fernando! A partir do momento em que utilize 25% da intensidade que o Enzo Pérez põe em campo, tornar-se-á um médio de eleição. No entanto, mesmo que assim não seja, depois deste lance ganha um crédito infindável pelo menos para mim. O Gaitán foi outro que com duas assistências se salientou, assim como o Salvio marcador do primeiro golo e fabricante do lance do penalty que deu o segundo. O Jardel substituiu bem o Luisão, o Garay foi imperial como de costume e até o Artur só esteve mal num lance (num canto, ficou aos papéis), o que é de salientar. Negativo só mesmo Siqueira que não tem desculpa. Veio dizer no final que não tinha visto o primeiro cartão a ser exibido. Sinceramente, custa-me a acreditar. Estou convencido que, com 11 em campo, poderíamos ter tido a oportunidade de lhes dar uma mão-cheia de golos.

Pelas razões do post baixo, eu considerava este jogo como o mais importante dos últimos 27 anos. Felizmente, os jogadores e equipa técnica do Benfica também perceberam isso e deram um festival de raça, querer e ambição. Ganhar ao CRAC a jogar com 10 durante mais de uma hora e ainda marcando dois golos é algo que nunca me lembro de ter acontecido. Só por isso, esta é uma partida que tem entrada directa no nosso museu. Pusemos um ponto final na época da equipa de Mordor e quiçá isso pode ter sido o princípio do fim. Veremos como correrá a próxima época, mas não tenhamos dúvidas que isto foi uma machadada muitíssimo importante nas forças do Mal. O mundo hoje dormirá melhor e mais tranquilo graças a nós!

Muito obrigado, jogadores e equipa técnica do Glorioso Sport Lisboa e Benfica! VIVA O BENFICA!

P.S. – Este Sr. Pedro Proença é também ele um desequilibrado. Quando começa a mostrar cartões, não pára. Ia estragando o jogo, mas felizmente os jogadores contiveram-se nos momentos mais complicados. Mesmo assim, ainda conseguiu expulsar dois jogadores e os dois treinadores.

quarta-feira, abril 16, 2014

27 anos

A razão de este ser o jogo mais importante das últimas duas décadas e meia. Aqui.

segunda-feira, abril 14, 2014

Mini-Luz

Vencemos o Arouca (2-0) em Aveiro e estamos a meros dois pontos de conquistar o 33º campeonato nacional da nossa história. O que interessa nesta altura é mesmo o resultado pelo que o objectivo foi plenamente cumprido, mesmo que tenha sido longe do brilhantismo de jogos anteriores. Os três próximos jogos, todos em nossa casa, para as três das principais competições vão definir a época.

Sem o Luisão e Fejsa, substituídos pelo Jardel e André Almeida, a nossa 1ª parte resume-se em três palavras: horrível, horrível e horrível. Lentos, sem imaginação, muito marcados, com pouca capacidade de choque e a perder sucessivas bolas divididas (com alguma pancada a mais dos jogadores do Arouca, mas do Sr. Hugo Miguel não se pode esperar grandes punições aos nossos adversários), parecia que os nossos jogadores não tinham entrado em campo num estádio que era 99% nosso. Para complicar as coisas, o Oblak resolveu dar uma arturzada e tentou agarrar uma bola no limite da área, deixando-a obviamente escapar: o que nos valeu foi que o Maxi conseguiu tirar o remate que se seguiu quase em cima da linha de golo, impedindo que o Arouca se colocasse em vantagem, o que a acontecer tornaria o jogo muito complicado para nós. Isto foi aos 38’ e, quando todos esperávamos que a 1ª parte tivesse sido oferecida ao adversário, eis que no último lance dessa mesma 1ª parte inaugurámos o marcador: jogada pela direita do Lima, que centrou para o Cássio falhar a intercepção e o Rodrigo aproveitar a atrapalhação do defesa para atirar para a baliza. Foi literalmente um golo caído do céu que desanuviava muito o ambiente de alguma apreensão que se começava a sentir na mini-Luz, perdão, no Municipal de Aveiro.

Na 2ª parte, contava que o Benfica carregasse para fazer o segundo golo e acabar com as dúvidas, e foi isso que aconteceu logo aos 55’ com uma arrancada do Markovic pelo centro, que depois desmarcou o Gaitán para picar sobre o guarda-redes à saída deste. Foi um golão de um dos melhores jogadores do campeonato (senão mesmo o melhor). O Arouca sentiu imenso o 0-2 e quase não nos criou perigo. Quanto a nós, poderíamos ter aumentado o marcador quase a seguir ao golo com os mesmos Markovic e Gaitán no lance. Aos 65’ deu-se o lance mais aparatoso da partida, com um choque entre o Oblak e um avançado do Arouca (Roberto). Foi de tal forma violento que o nosso guarda-redes teve de sair. Esperemos que o traumatismo craniano não o faça estar de baixa durante muito tempo, porque mesmo com a arturzada desta partida dá muito mais confiança que o Artur… Até final, o Gaitán e o Lima tiveram boas hipóteses para marcar, mas o Cássio opôs-se bem.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Gaitán pelo golão que marcou e por uma 2ª parte muito bem conseguida. Aliás, vamos fazer de conta que a 1ª não existiu para toda a equipa… O Rodrigo continua a ser o nosso avançado em melhor forma e marcou outra vez o seu golito da ordem. O resto da equipa esteve mediana, com a já referida melhoria no 2º tempo.

Com jogos em casa frente ao Olhanense e V. Setúbal, só um verdadeiro cataclismo nos impedirá de não sermos campeões, pelo que vamos é apontar todas as baterias do mundo para derrotar as forças do Mal na próxima 4ª feira para termos hipóteses de 27(!) anos depois conquistarmos a dobradinha.

sexta-feira, abril 11, 2014

Meias-finais europeias

Voltámos a vencer o AZ Alkmaar, desta feita por 2-0, e pela 3ª vez durante o consulado de Jorge Jesus estamos nas meias-finais da Liga Europa. É um feito assinalável que nunca será por demais realçado. E no total é a 14ª(!) vez que estamos numas meias-finais de uma competição europeia. Impressionante!

Com a vantagem na eliminatória, entrámos em campo num ritmo calmo, mas tivemos logo uma grande contrariedade no início, com a grave lesão do Sílvio (fractura da tíbia e perónio) que lhe acabou com a época, com a ilusão de ir ao Mundial e com o início da próxima temporada. Foi um lance estranho com um adversário e o Luisão, acabando o Sílvio com rematar contra a perna do nosso capitão e partir a sua. Entrou o André Almeida, que deu boa conta do recado, mas durante alguns minutos parecemos algo abalados pelo infortúnio do Sílvio. O Cardozo teve três boas oportunidades para marcar, duas delas bem defendidas pelo guarda-redes. Mas aos 39’ o Salvio, que até nem estava a fazer nada de especial, resolveu arrancar antes do meio-campo, passar por dois defesas e centrar largo para o Rodrigo só ter que encostar. Grande jogada e grande golo! Se já estávamos calmos, a partir daí ainda ficámos mais.

Na 2ª parte, baixámos ainda mais o ritmo (eu achei que era cedo demais para isso) e o AZ foi espreitando a possibilidade de marcar um golo. O Artur fez duas boas defesas que o impediram, mas os holandeses nunca deram mostras de ter capacidade para discutir a eliminatória. No entanto, um golo pode surgir de um qualquer lance fortuito e, se sofrêssemos um, arriscávamo-nos a ter um final de jogo complicado (ainda ninguém se esqueceu do que se passou frente ao Tottenham, pois não?). Por isso, é que era essencial marcar mais um para ficar tudo garantido. E esse golo chegou aos 71’ noutro lance individual do Salvio, que cruzou novamente largo para o Rodrigo só ter que encostar. A eliminatória estava definitivamente selada, mas até final ainda poderíamos ter marcado mais um golo, porque o Salvio isolado e o Cardozo por duas vezes tiveram boas oportunidades.

Destaque individual óbvio para o Rodrigo, pelos dois golos, e para o Salvio, pelas duas assistências. Muito bom jogo igualmente do Siqueira, que com a lesão do Sílvio até final da época não vai poder descansar mais. Os centrais estiveram irrepreensíveis, como habitualmente. Quanto ao grande Tacuara, já se movimenta bem melhor, esteve muito mais em jogo e só foi pena não ter concretizado uma das chances que teve. Mas anda a cheirar o golo muito mais do que em partidas anteriores. Pela negativa, acima de todos o Sulejmani. O André Gomes continua de uma lentidão exasperante e mesmo o Fejsa não regressou lá grande coisa depois da lesão que teve.

Juventus, Valência (grande remontada de 0-3 para 5-0 a.p.) e o Sevilha (MUITO obrigado!) são os adversários potenciais. Confesso que não sei bem o que prefiro, já que o ideal era que a Juventus não chegasse à final. Mas se tivermos que os defrontar, acho que teremos mais hipótese de lhes ganhar em dois jogos do que numa final ainda por cima em casa deles. No entanto, mesmo assim, pensando bem, se calhar prefiro um dos dois espanhóis. Pode ser o Sevilha, para vingarmos a honra do país… [Ironic mode on] (Como se a equipa de Mordor alguma vez pudesse honrar o país…!) De qualquer maneira, algo que seria mesmo muito importante era que a 2ª mão fosse em nossa casa.

quinta-feira, abril 10, 2014

Gracias!

4-1! Q-u-a-t-r-o  a  u-m! Muito obrigado, Sevilha!

terça-feira, abril 08, 2014

Categórico

Goleámos o Rio Ave por 4-0 e estamos a duas vitórias de podermos celebrar o tão desejado título de campeão. Perante uma equipa que tinha conquistado 21 dos seus 31 pontos fora de casa com apenas sete golos sofridos, esta partida era vista com muitas cautelas, mas a nossa resposta não poderia ter sido melhor. Marcámos dois golos antes do intervalo, como vem sendo salutar hábito ultimamente, e ainda tivemos o bónus de mais dois golos pelo jogador mais necessitado deles na 2ª parte.

Entrámos fortes como tem sido regra e inaugurámos o marcador aos 17’ através do Rodrigo depois de (mais) uma brilhante iniciativa do Gaitán. O argentino assistiu e depois marcou aos 29’, aproveitando um ressalto de bola depois de uma jogada do Rodrigo. O Rio Ave não dava mostras de poder criar-nos perigo e até ao intervalo realce para outra jogada magistral do jogador do momento, Gaitán, que infelizmente não teve ninguém a secundá-lo no momento de atirar à baliza.

Na 2ª parte, o sentido do jogo não se alterou e nós fizemos uma gestão activa do esforço. Nunca deixámos de jogar para a frente, tentando sempre marcar mais golos, mas sem grandes correrias e dispêndios de energia. O Jesus começou a fazer descansar os mais utilizados e lançou o Cardozo, Djuricic e Jardel. E foi o Tacuara a finalmente quebrar a malapata dos golos, ao concretizar um evidentíssimo penalty sobre o Maxi Pereira aos 77’. Já na compensação, outro indiscutível penalty a nosso favor por derrube ao Enzo Pérez e novo golo do Cardozo para o mesmo lado. O jogo terminava da maneira como eu mais gosto: connosco a marcar!

Em termos individuais, destaque óbvio para o Gaitán e para o Rodrigo, que está numa superforma. Também gostei do André Almeida no meio-campo, embora não seja nenhum Fejsa. Os centrais estiveram irrepreensíveis e com várias oportunidades para marcar. O Oblak poderia perfeitamente ter pago bilhete para ver o jogo… O Lima esteve menos em foco do que em partidas interiores, assim como o Markovic, mas ambos fartaram-se de dar ajuda à defesa. Quanto ao Cardozo, foram dois penalties, sim senhor, mas foram dois golos! Ambos muito bem marcados, por sinal. Espero que lhe sirva de lição para os penalties futuros: se correr decidido para a bola e sem ser com aqueles idiotas passinhos pequenos, as probabilidades de êxito aumentam consideravelmente.

Esta nossa vitória acabou com as possibilidades matemáticas de o CRAC ser campeão. Que grande pena…! Mas a lagartada também esta numa boa série de vitórias consecutivas e até isto estar ganho convém ir com muita cautela. No entanto, é óbvio que estou optimista: estamos a jogar com uma serenidade enorme, sem acusar a pressão e com uma segurança defensiva como nunca tivemos na era Jesus. Agora é apontar baterias para 5ª feira para selar a qualificação para as meias-finais da Liga Europa.

sexta-feira, abril 04, 2014

Boa vitória

Ganhámos ao AZ em Alkmaar (1-0) e estamos em excelente posição para atingirmos as meias-finais da Liga Europa. Fizemos uma partida muito inteligente e só foi pena não termos marcado um segundo golo que acabaria de vez com a eliminatória.

O Jesus voltou a fazer alterações, mas não tantas quanto se esperava. O Artur regressou à baliza e jogaram o André Gomes, Rúben Amorim, Salvio e Cardozo. Não entrámos bem, o AZ ganhava sempre os lances divididos e no nosso meio-campo só o Amorim não parecia estar perdido. Na primeira metade da 1ª parte valeu-nos o Artur com um punhado de boas defesas a evitar o golo dos holandeses. A partir daí, as coisas equilibraram-se e dispusemos de oportunidades pelo André Gomes e Rodrigo. Aos 37’, aconteceu o lance mais triste do jogo com a lesão no tendão de Aquiles do Rúben Amorim. Vamos lá a ver se não tem o Mundial em risco…

A 2ª parte não poderia ter começado melhor: fizemos o golo logo aos 48’, quando o Salvio recargou com êxito um remate do Cardozo que o guarda-redes defendeu com a cabeça. Os holandeses sentiram (e de que maneira!) o golo e o nosso domínio foi total a partir daí. O Rodrigo teve dois falhanços quase seguidos e ainda um grande remate fora da área, e o Lima que substituiu o Cardozo desviou de cabeça um canto para uma grande defesa do guarda-redes. Na nossa baliza, o perigo não foi tão grande, excepto no lance final da partida em que um frango do Artur (largou uma bola fácil bombeada para a área) só não deu golo, porque o Salvio defendeu com as costas o remate do adversário.

Em termos individuais, destaque para o Salvio pelo golo que marcou, que se espera lhe dê mais confiança para o futuro. Golo esse que também ficaria bem ao Cardozo, que, embora ainda permanecendo um corpo estranho na equipa, teve ligeiras melhorias em relação à partida no antro. O Amorim estava a ser dos melhores até se lesionar, mas gostei bastante de ver o André Almeida que, para quem não joga há muito tempo, esteve irrepreensível. Ao contrário do André Gomes, que continua a ser de uma lentidão de processos exasperante. O Gaitán permanece igualmente em grande forma, assim como o Rodrigo que foi provavelmente o nosso melhor jogador. A defesa tremeu um bocado na parte inicial, mas quando acertou as marcações nunca mais falhou. Quanto ao Artur, se é certo que fez magníficas defesas na 1ª parte, ia estragando tudo com aquele lance no final…

Estamos em vantagem e até deu para limpar os amarelos do Maxi Pereira e do Gaitán (infelizmente, o do Rúben também deverá ficar limpo…). No entanto, convém não embandeirarmos em arco, até porque temos ainda todos a lembrança do jogo frente ao Tottenham…

P.S. – Mais um borrego morto: há 45 anos que não ganhávamos na Holanda.

domingo, março 30, 2014

Irritado

Vencemos em Braga por 1-0 e demos um passo importantíssimo (quiçá decisivo) rumo ao tão desejado título. Para o conseguir, bastar-nos-á ganhar os três jogos em casa que faltam, mas até estar tudo matematicamente garantido estará sempre na nossa mente que também na época passada bastava ganhar em casa aos dois primodivisionários nas últimas três jornadas e aconteceu o que aconteceu.

No futuro, tudo o que importará é olhar para este resultado, mas como eu já disse se nem tudo é necessariamente uma catástrofe quando perdemos, também nem tudo está sempre bem quando ganhamos. E hoje as coisas não estiveram mesmo nada bem. Perante um Braga desfalcado de nove, repito nove(!) jogadores (como o Alan, Custódio, Nuno André Coelho ou Rafa, tudo titulares indiscutíveis), até entrámos bem na partida e o Gaitán falhou uma boa ocasião logo de início. Mas marcámos aos 13’ na sequência de uma boa iniciativa do Rodrigo e de uma boa movimentação na área do Lima, que lhe permitiu enganar a defesa e rematar sem oposição. O mais difícil estava feito e sinceramente a partir daqui esperei um jogo mais descansado, até porque o Braga também tinha jogado a meio da semana e nós fizemos as poupanças que fizemos no antro. No entanto, nada disto aconteceu: o Braga mostrava mais vontade do que nós e ganhava praticamente todas as bolas divididas. Felizmente, não conseguiu criar grandes situações de perigo, mas nós terminámos a 1ª parte com dois(!) remates feitos à baliza.

A 2ª parte foi melhorzita da nossa parte, mas sem nunca acelerar o suficiente para marcar o golo da tranquilidade. Tivemos algumas oportunidades, é certo, como uma cabeçada do Fejsa, um remate do Rodrigo por cima da barra e um chapéu do Lima que saiu mal, depois de um remate do Markovic defendido pelo Eduardo. No entanto, também do outro lado o Braga teve duas semi-oportunidades, uma das quais com o Oblak a tapar bem a baliza numa recarga de calcanhar. O problema é sempre o mesmo: se não matamos o jogo, pomo-nos a jeito de qualquer eventualidade. Como, por exemplo, o facto absolutamente histórico de o Sr. Pedro Proença não ter expulso por segundo amarelo o Fejsa a 10’ do fim, quando até o poderia ter feito (não percebo como é que um jogador do Benfica, já com amarelo, faz uma falta agarrando a camisola do adversário…!). Esta eventualidade que não aconteceu por acaso (foi a primeira vez na vida que vi o Sr. Pedro Proença a ter uma decisão destas a nosso favor) poderia ter-nos complicado e muito a parte final da partida. Outra coisa que contribuiu sobremaneira para a minha profunda irritação foi a questão do penalty já nos descontos: PORQUE RAIO DE CARGA DE ÁGUA É QUE FOI O RODRIGO A MARCÁ-LO?! Mas estamos a brincar, ou quê?! Com o Lima em campo, lá porque a falta foi sobre o Rodrigo tinha de ser ele a marcar?! Desde quando é que o Rodrigo marcou alguma vez algum penalty pelo Benfica? Quer dizer, não nos serviu de nada o que se passou em Barcelos, não foi? Pusemo-nos a jeito sem necessidade nenhuma (ainda houve um livre bombeado para a nossa área depois disso), ainda por cima porque um eventual golo do Lima aproximá-lo-ia da liderança dos melhores marcadores. Foi uma decisão ABSOLUTAMENTE INCOMPREENSÍVEL E INACEITÁVEL!

Em termos individuais, não se notou nada a folga que a maior parte destes jogadores teve na 4ª feira. Foi, portanto, para isto que quase pusemos em causa uma presença na final da Taça, foi? O Rodrigo estava a ser dos menos maus até falhar o penalty e o Lima foi decisivo por causa do golo. A defesa esteve bem (o Siqueira conseguiu controlar-se depois do amarelo ainda na 1ª parte), mas ao invés o Enzo Pérez não esteve em campo. Assim como o Markovic. O Gaitán foi muito intermitente e o Fejsa deve ter muito mais cuidado no futuro, porque hoje poderia ter-nos feito passar grandes dificuldades na parte final.

A exibição muito sofrível e a cena do penalty fizeram com que depois do apito final não conseguisse festejar logo uma vitória destas como ela merecia. E, também como já disse, só há uma coisa que me irrita mais do que um mau resultado do Benfica: é sair chateado de um jogo depois de um bom resultado nosso. Claro está que o mais importante foi conseguido, mas foi-o de uma maneira muito mais sofrida e sofrível do que deveria. Veremos a resposta que a equipa vai dar na Holanda na próxima 5ª feira, sendo que perante o que se viu hoje talvez não haja necessidade de tanto descanso de muitos titulares…

quarta-feira, março 26, 2014

Inconcebível

Oferecemos a vitória ao CRAC (0-1) na 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal. Para uma equipa que já não perdia há quase cinco meses e que marcava golos consecutivamente há não sei quantos jogos, fizemos uma péssima exibição e colocámos desnecessariamente em risco a qualificação para a final da Taça de Portugal.

O Jorge Jesus resolveu voltar a “rodar a equipa” e jogámos grande parte do tempo com nove (o Salvio e o Cardozo fizeram figura de corpo presente). Para piorar as coisas, o Garay reencarnou a forma do princípio da época e ficou sentado a ver o Jackson Martínez a cabecear aos 6’ para fazer o único golo do jogo. Não poderíamos ter entrado pior e até ao intervalo a equipa não se encontrou. Claro que o facto de estarmos a jogar com dois a menos ajudou… O CRAC pressionou-nos muito durante principalmente a primeira meia-hora, mas só teve uma grande ocasião quando o Sr. Marco Ferreira não assinalou um pisão do Fernando ao Fejsa (num dos seus poucos erros, valha a verdade, confirmando a boa impressão que eu tinha dele), que permitiu que o Varela depois se isolasse para uma boa mancha do Artur.

Melhorámos na 2ª parte (também pior era difícil…) e estava-se à espera que o Jesus fizesse entrar alguns titulares, já que para além dos dois jogadores referidos, também o Sulejmani não existiu. Finalmente, este lá saiu aos 65’ para entrar o Gaitán, mas dois minutos depois o Jesus tem uma decisão incompreensível ao tirar o nosso melhor jogador (Rodrigo) para colocar o Lima. Isto com o Cardozo em campo… Com o passar do tempo, o CRAC foi tendo espaço para o contra-ataque e por mais de uma vez poderia ter marcado, mas o Jackson atirou uma bola ao poste e por duas vezes falharam de maneira incrível o último passe. Nós só tivemos uma verdadeira ocasião quando um canto à Camacho finalmente(!) saiu bem e o Rúben Amorim rematou para excelente defesa do Fabiano. Pouco depois acabava uma partida que esteve perfeitamente ao nosso alcance: bastaria só não ter entrado a medo e ter jogado sempre com 11…

Em termos individuais, o Sílvio foi dos poucos que não se afundou. O Luisão fez cortes muito importantes na 1ª parte, mas na 2ª errou passes que não são habituais. O Amorim começou pessimamente, mas foi melhorando ao longo do tempo e o Artur não deu nenhum frango o que é sempre de relevar.

Bem, já que seis titulares tiveram descanso, não se espera nada menos do que uma vitória em Braga, mesmo que tenhamos que defrontar o mais temível adversário até ao momento: o Sr. Pedro Proença. Quanto à 2ª mão desta meia-final, logo veremos o que vai suceder, mas vai-me ser muito difícil perdoar ao Jorge Jesus uma eventual eliminação perante este CRAC…

segunda-feira, março 24, 2014

Absoluta tranquilidade

Vencemos a Académica por 3-0 e mantivemos as distâncias para os rivais. Se alguém me perguntar como é que eu gosto que os jogos de Benfica sejam, este é o exemplo perfeito: marcar cedo, 2-0 antes do intervalo e 3-0 pouco depois do recomeço. Os níveis de ansiedade raramente passaram do zero e por mim poderia ser sempre assim.

Marcámos na primeira oportunidade que tivemos aos 11’: óptima iniciativa do Rodrigo, remate ao poste e no ressalto o Lima foi mais rápido que o Halliche, e este acabou por aliviar a bola contra o pé do nosso jogador. Já se sabe que perante este tipo de equipas o primeiro golo costuma ser sempre um abre-latas, mas neste caso não foi bem assim, porque a Académica nunca se desposicionou defensivamente. Continuava a jogar como se estivesse 0-0 e nós fomos controlando a partida a um ritmo relativamente baixo. Só que, quero acreditar que escaldados com alguns encontros anteriores, nunca perdemos de vista a baliza contrária e de vez em quando acelerávamos. Foi numa bela jogada de sucessivas trocas de bola, em que praticamente participaram todos os jogadores, que fizemos o 2-0 aos 28’ num bis do Lima depois de uma assistência do Markovic. Pouco antes do intervalo, o Ricardo defendeu com a perna um remate do Siqueira naquele que teria sido possivelmente o melhor golo do campeonato, noutra jogada cheia de nota artística da nossa parte, com diversos toques de calcanhar.

Na 2ª parte, esperava-se uma reedição de partidas anteriores connosco a não acelerar muito e a deixar o tempo correr sem grandes sobressaltos, mas felizmente antes de isso acontecer ainda fizemos o 3-0 aos 59’ pelo Enzo Pérez, depois de uma recuperação de bola dele próprio e uma tabela com o Rodrigo. Até final, ainda atirámos duas bolas aos postes (Rodrigo e Salvio), mas a Académica também criou duas vezes perigo. O Jesus aproveitou para rodar a equipa e entraram os habituais Salvio, Cardozo e Rúben Amorim, mas o resultado manteve-se.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Lima que, com mais dois golos, está a apenas quatro da liderança dos melhores marcadores, e para o Rodrigo que esteve presente em dois dos golos. O resto da equipa esteve num nível médio-alto, embora com o Gaitán em menor destaque quiçá por ter vindo de uma pequena lesão durante a semana.

Para o campeonato, estamos há inacreditáveis 75 jogos consecutivos a marcar na Luz e há 58 jogos no total. São números impressionantes, mas o que mais se destaca esta época é a segurança com que estamos a jogar, sem o deslumbramento que vimos em anos anteriores, é certo, mas com muito maior consistência. Na próxima 4ª feira, iremos ao antro para a meia-final da Taça de Portugal e espero que os jogadores do Benfica tenham em mente que não ganhamos uma dobradinha há quase 30 anos. Se o campeonato é o principal objectivo, esta questão da dobradinha não é de somenos importância, portanto espera-se um bom resultado em casa dos assumidamente corruptos.

P.S. – Por motivos profissionais, foi-me completamente impossível escrever esta crónica mais cedo. As minhas desculpas por isso.

sexta-feira, março 21, 2014

Sorteio da Liga Europa

AZ Alkmaar – BENFICA
Lyon – Juventus
Basileia – Valência
CRAC – Sevilha

Não há como esconder: o sorteio dos quartos-de-final não nos poderia ter sido mais favorável. Iremos defrontar o 7º classificado do campeonato holandês, que está a 19 pontos do líder, Ajax. Ainda por cima, com o bónus de decidir a eliminatória na Luz. Temos MAIS QUE obrigação de chegarmos às meias-finais e, se assim não acontecer, será uma enorme desilusão. Convém, já agora, respeitarmos o adversário e não fazer um jogo como o de ontem, em que achámos que já estava tudo decidido antes do final da partida. Se assim for, julgo que não teremos dificuldades em nos qualificarmos. O jogo para o campeonato a meio da eliminatória é a recepção ao Rio Ave, pelo que até temos o calendário do nosso lado.

O CRAC também teve alguma sorte e é favorito para passar às meias-finais. Gostaria muito que o Lyon eliminasse a Juventus, mas acho pouco provável. Com a final em Turim, era de toda a conveniência que a Juventus não chegasse lá.

Furioso

Empatámos com o Tottenham (2-2) e conseguimos a qualificação para os quartos-de-final de uma competição europeia pelo quinto ano consecutivo. Isso é o facto positivo a realçar deste jogo.

Como seria previsível, o Jesus fez a rotação da equipa e do meio-campo para a frente não alinhou um único habitual titular. O Tottenham também pareceu dar a eliminatória como perdida e fez várias alterações. Tal como se esperava, jogámos devagarinho e parados. A baliza contrária era um sítio muito distante e o plano de jogo era deixar correr o marfim durante os 90’. Aos 34’, o Salvio lá resolveu fazer uma jogada individual e centrou para o Garay fazer o 1-0 de cabeça. Passou pela cabeça de todos os jogadores que as coisas estavam definitivamente decididas.

A 2ª parte decorreu nas mesmas condições e nós andámos cada vez mais a passo de caracol. Até que aos 78’ os ingleses fizeram o empate com um forte remate rasteiro fora da área. E no minuto seguinte colocaram-se à frente do marcador com um remate na pequena área. Inacreditavelmente iríamos ter dez minutos de grande sofrimento numa eliminatória que já deveria estar mais do que resolvida. E tivemo-los, porque por três(!) vezes os Spurs estiveram perto de marcar, duas das quais salvas por grandes intervenções do Oblak. No último lance do jogo, tivemos a sorte de o Lima ser atropelado por um central e converter ele próprio o penalty, livrando-nos de uma derrota caseira inédita nesta época.

Não vou destacar ninguém, porque o que aconteceu foi inconcebível e todos os que estiveram em campo tiveram culpa. O Jesus bem pode vir dizer no final que nem a melhor equipa do mundo goleia o Tottenham (a “melhor” talvez não, mas este ano foram o Liverpool, Newcastle, Chelsea e Manchester City, este por duas vezes, que o golearam…), que isso não desculpa o facto de quase termos oferecido a eliminatória. Todos dentro do Benfica já deviam saber que as equipas inglesas são competitivas até ao fim e que, entre correr à maluca com 4-0 a nosso favor para marcar o quinto e jogar com calma sem sequer ver as balizas, há todo um meio-termo que convém explorar. E que estamos a demonstrar nas últimas partidas que não o sabemos fazer.

Se alguém está à espera de ler aqui loas sempre que ganhamos ou críticas ferozes sempre que perdemos, desengane-se. As coisas não são assim tão preto e branco. É que, parecendo que não, é a segunda vez no espaço de três dias em que íamos dando cabo de uma vitória quase certa. Na Choupana, valeu-nos a aselhice do jogador do Nacional, nesta partida valeu-nos S. Oblak. E esses lances foram tão, mas tão escusados que foi das poucas vezes que saí do estádio no final sem aplaudir a equipa. Estamos a desafiar a estrelinha de campeão recorrentemente demais para meu gosto. A continuar assim, é inevitável que as coisas nos corram mal um dia destes. E sem necessidade nenhuma disso.

P.S. – Não percebi o porquê da razão de ter sido o Fejsa a ficar fora dos 18, porque ainda por cima não jogou na Choupana. Nos dois últimos jogos sem ele, sofremos quatro golos. Coincidência…?

P.P.S. – Há outra coisa que também me custa a perceber: a não-provocação de um amarelo por parte do Gaitán e Enzo Pérez na primeira mão quando já estava 1-3 iria ter, como seria de esperar, o resultado previsível: o Pérez levou nesta partida, mesmo não tendo jogado os 90’, e agora será baixa nos quartos-de-final. Vamos ver se não nos fará falta… E o Gaitán nem sequer foi convocado. Esperava uma muito melhor gestão destas situações.