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sexta-feira, março 21, 2014

Sorteio da Liga Europa

AZ Alkmaar – BENFICA
Lyon – Juventus
Basileia – Valência
CRAC – Sevilha

Não há como esconder: o sorteio dos quartos-de-final não nos poderia ter sido mais favorável. Iremos defrontar o 7º classificado do campeonato holandês, que está a 19 pontos do líder, Ajax. Ainda por cima, com o bónus de decidir a eliminatória na Luz. Temos MAIS QUE obrigação de chegarmos às meias-finais e, se assim não acontecer, será uma enorme desilusão. Convém, já agora, respeitarmos o adversário e não fazer um jogo como o de ontem, em que achámos que já estava tudo decidido antes do final da partida. Se assim for, julgo que não teremos dificuldades em nos qualificarmos. O jogo para o campeonato a meio da eliminatória é a recepção ao Rio Ave, pelo que até temos o calendário do nosso lado.

O CRAC também teve alguma sorte e é favorito para passar às meias-finais. Gostaria muito que o Lyon eliminasse a Juventus, mas acho pouco provável. Com a final em Turim, era de toda a conveniência que a Juventus não chegasse lá.

Furioso

Empatámos com o Tottenham (2-2) e conseguimos a qualificação para os quartos-de-final de uma competição europeia pelo quinto ano consecutivo. Isso é o facto positivo a realçar deste jogo.

Como seria previsível, o Jesus fez a rotação da equipa e do meio-campo para a frente não alinhou um único habitual titular. O Tottenham também pareceu dar a eliminatória como perdida e fez várias alterações. Tal como se esperava, jogámos devagarinho e parados. A baliza contrária era um sítio muito distante e o plano de jogo era deixar correr o marfim durante os 90’. Aos 34’, o Salvio lá resolveu fazer uma jogada individual e centrou para o Garay fazer o 1-0 de cabeça. Passou pela cabeça de todos os jogadores que as coisas estavam definitivamente decididas.

A 2ª parte decorreu nas mesmas condições e nós andámos cada vez mais a passo de caracol. Até que aos 78’ os ingleses fizeram o empate com um forte remate rasteiro fora da área. E no minuto seguinte colocaram-se à frente do marcador com um remate na pequena área. Inacreditavelmente iríamos ter dez minutos de grande sofrimento numa eliminatória que já deveria estar mais do que resolvida. E tivemo-los, porque por três(!) vezes os Spurs estiveram perto de marcar, duas das quais salvas por grandes intervenções do Oblak. No último lance do jogo, tivemos a sorte de o Lima ser atropelado por um central e converter ele próprio o penalty, livrando-nos de uma derrota caseira inédita nesta época.

Não vou destacar ninguém, porque o que aconteceu foi inconcebível e todos os que estiveram em campo tiveram culpa. O Jesus bem pode vir dizer no final que nem a melhor equipa do mundo goleia o Tottenham (a “melhor” talvez não, mas este ano foram o Liverpool, Newcastle, Chelsea e Manchester City, este por duas vezes, que o golearam…), que isso não desculpa o facto de quase termos oferecido a eliminatória. Todos dentro do Benfica já deviam saber que as equipas inglesas são competitivas até ao fim e que, entre correr à maluca com 4-0 a nosso favor para marcar o quinto e jogar com calma sem sequer ver as balizas, há todo um meio-termo que convém explorar. E que estamos a demonstrar nas últimas partidas que não o sabemos fazer.

Se alguém está à espera de ler aqui loas sempre que ganhamos ou críticas ferozes sempre que perdemos, desengane-se. As coisas não são assim tão preto e branco. É que, parecendo que não, é a segunda vez no espaço de três dias em que íamos dando cabo de uma vitória quase certa. Na Choupana, valeu-nos a aselhice do jogador do Nacional, nesta partida valeu-nos S. Oblak. E esses lances foram tão, mas tão escusados que foi das poucas vezes que saí do estádio no final sem aplaudir a equipa. Estamos a desafiar a estrelinha de campeão recorrentemente demais para meu gosto. A continuar assim, é inevitável que as coisas nos corram mal um dia destes. E sem necessidade nenhuma disso.

P.S. – Não percebi o porquê da razão de ter sido o Fejsa a ficar fora dos 18, porque ainda por cima não jogou na Choupana. Nos dois últimos jogos sem ele, sofremos quatro golos. Coincidência…?

P.P.S. – Há outra coisa que também me custa a perceber: a não-provocação de um amarelo por parte do Gaitán e Enzo Pérez na primeira mão quando já estava 1-3 iria ter, como seria de esperar, o resultado previsível: o Pérez levou nesta partida, mesmo não tendo jogado os 90’, e agora será baixa nos quartos-de-final. Vamos ver se não nos fará falta… E o Gaitán nem sequer foi convocado. Esperava uma muito melhor gestão destas situações.

terça-feira, março 18, 2014

Vital

Vencemos o Nacional na Choupana por 4-2 e demos um passo importantíssimo na luta pelo título. Como a lagartada ganhou ao CRAC (1-0) mantivemo-los a sete pontos e vemos agora os assumidamente corruptos a 12. Esta partida foi complicada como se esperava, mas tivemos uma forte reacção à desvantagem inicial e a vitória é mais do que justa.

Entrámos muito mal no jogo e o Sr. Manuel Mota ajudou ao assinalar um penalty aos 7’ por suposta mão do Luisão. Como já vi escrito por aí, o Luisão vai ter que ser operado para lhe retirarem a mão do joelho… O Candeias fez o 1-0 e andámos aos papéis durante mais uns bons largos minutos. A partir dos 20’, a equipa decidiu que estava na altura de começar a jogar à bola com destaque para o Rodrigo na 1ª parte. Fez a assistência para o Lima igualar aos 24’ e marcou um golão aos 32’ numa bomba de fora da área. O forte vento que se fazia sentir, e a favor do qual jogámos na 1ª parte, tornava imperioso que fôssemos para o intervalo em vantagem. E até conseguimos alargá-la aos 43’ através de um golpe de cabeça do Garay na sequência de um canto, com o vento a dar uma ajudinha na trajectória que a bola tomou. Até ao intervalo, o Sr. Manuel Mota perdoou o segundo amarelo ao defesa-esquerdo do Nacional (empurrou o Rodrigo para os painéis publicitários), mas duvido que fizesse o mesmo se fosse ao contrário.

Com dois golos de vantagem, na 2ª parte voltámos ao modo “gerir o jogo” que tem caracterizado as últimas partidas. Desta feita, estava o Nacional a favor do vento, mas não conseguia chegar perto da nossa área. No entanto, se tivéssemos forçado um bocadinho mais poderíamos ter conseguido o quarto golo, que resolveria de vez a questão. Não o fizemos e o Nacional reduziu aos 80’ através do Djaniny. Perspectivavam-se uns últimos 10’ de sofrimento e colocámo-nos a jeito para que as coisas corressem mal sem necessidade nenhuma. E poderiam, de facto, ter corrido muito mal, porque a quatro minutos do fim na sequência de um livre um jogador do Nacional falha uma cabeçada só com o Oblak pela frente. A estrelinha de campeão protegeu-nos e na jogada seguinte o Garay decidiu de vez o encontro ao fazer o 2-4 novamente de cabeça depois de um bom centro do Sílvio, entretanto entrado. A vitória estava selada, embora com uma dose de sofrimento que era bem evitável.

Em termos individuais, destaque para o Rodrigo e Garay. O hispano-brasileiro fez uma assistência, um golão e ainda teve outro remate bastante perigoso. O argentino bisou e continua um muro intransponível na defesa. Novo bom jogo do Gaitán, com pormenores deliciosos e muita disponibilidade a defender. O Siqueira viu um amarelo por simulação (seria talvez altura de alguém o aconselhar a fazer isto muito menos vezes…) e ainda tive medo de uma reedição de Barcelos (eu tê-lo-ia tirado ao intervalo), mas aguentou-se bem até o Sílvio entrar aos 72’. O Oblak não esteve tão bem como anteriormente (algumas hesitações, principalmente a sair dos postes) e o Salvio, que entrou na 2ª parte está a demorar a readquirir a forma. O resto da equipa esteve muito homogénea, com o Rúben Amorim a substituir bem o castigado Fejsa.

Os nossos adversários estavam muito esperançados neste jogo pelo grau de dificuldade que se antevia, mas a nossa resposta foi categórica. Estamos muito confiantes, a jogar bom futebol e sem dar sinais de ansiedade, mesmo quando estamos em desvantagem. Na próxima 5ª feira, espera-se a confirmação da qualificação para os quartos-de-final da Liga Europa e até agora esta sobrecarga de jogos não se tem reflectido na produção da equipa. Oxalá continuemos assim até final da época.

sexta-feira, março 14, 2014

Banho de bola

Uma exibição de gala permitiu-nos derrotar o Tottenham em White Hart Lane por 3-1 e colocar-nos em posição privilegiada para atingirmos os quartos-de-final de uma competição europeia pela 5ª época consecutiva. À semelhança do que sucedeu em Salónica, fizemos um jogo muito personalizado e controlámo-lo durante grande parte dos 90’.

Sem o Maxi, Enzo Pérez, Gaitán e Lima, o Jesus fez menos alterações do que na Grécia, mas nesta fase a equipa está tão madura e confiante que praticamente não há oscilação exibicional jogue quem jogue. Não começámos bem a partida, ou antes, o Tottenham começou melhor do que nós. No entanto, apesar de alguma pressão inicial, os ingleses não criaram uma verdadeira situação de golo. Ao invés, na primeira vez que atacámos com perigo marcámos: boa arrancada do Rúben Amorim e abertura fantástica a isolar o Rodrigo na direita, que, com o Lloris pela frente, rematou em arco para o poste mais distante. Estávamos com 29’ e mais uma vez não íamos ficar a zeros num jogo. Até ao intervalo, nada de relevante se passou.

A 2ª parte foi mais movimentada, porque nós aumentámos a velocidade nas transições ofensivas. Porém, foi o Tottenham a ter a primeira (e única) grande oportunidade com o Adebayor a rematar torto quando só tinha o Oblak pela frente. Pouco depois, o Amorim recuperou bem uma bola, tabelou com o Rodrigo e obrigou o Lloris a uma defesa para canto. Desse mesmo canto, marcado pelo Amorim, resultou o 0-2 numa cabeçada do Luisão aos 58’. Dávamos passos firmes no sentido de resolver não só jogo, como a própria eliminatória, mas uma falta um pouco escusada do Sílvio fez com que o Tottenham fizesse o 1-2 através de um livre directo do Eriksen aos 64’. Ainda receei que os ingleses fizessem alguma pressão para chegarem ao empate, mas nada disso aconteceu. O Jesus trocou o Cardozo e Sulejmani pelo Gaitán e Enzo Pérez, e controlámos definitivamente o meio-campo. Um erro clamoroso do Lloris (deixou a bola passar por cima dele) ia-nos proporcionando ao Rodrigo um bis, mas o guarda-redes francês corrigiu-o a tempo. No entanto, o 1-3 acabou mesmo por surgir aos 84’, novamente pelo Luisão, numa recarga depois de uma cabeçada do Garay (que o guarda-redes defendeu para a frente) no seguimento de um livre do Gaitán. Até final, ainda poderíamos ter feito o quarto golo, mas o Siqueira falhou isolado perante o Lloris, depois de nova abertura do Gaitán.

Em termos individuais, há vários destaques a fazer: antes de mais, o Luisão. Grande jogo do nosso capitão, a bisar pela primeira vez num jogo europeu e a ser novamente irrepreensível na defesa, com cortes fantásticos. Se não fosse o Girafa, o melhor em campo seria o Rúben Amorim pelas duas assistências nos dois primeiros golos. O Fejsa, depois de algum desnorte nos primeiros minutos, esteve em todo o lado e foi um tampão essencial às investidas inglesas. Grande primeira parte do Sulejmani, com a mais-valia de ter ajudado a defender. Também o resto da defesa (Sílvio, Garay e Siqueira) esteve muito bem e felizmente o Jesus fez-me a vontade expressa no post anterior, colocando o Oblak em campo. O esloveno esteve novamente bem, embora no golo talvez se pudesse ter estirado. É certo que o livre é muito bem marcado, mas não gosto de ver guarda-redes a sofrerem golos sem se fazerem à bola. O Rodrigo já fez jogos mais conseguidos, mas marcou um grande golo e esteve perto de fazer o segundo. Os outros dois avançados (Cardozo e Markovic) é que estiveram mais discretos. Boa entrada em campo do Gaitán, nem tanto do Enzo Pérez.

Com 1-3 fora, seria um verdadeiro cataclismo se não nos qualificássemos para a próxima eliminatória. Neste sentido, acho que o Gaitán e/ou o Enzo Pérez talvez pudessem ter forçado um amarelo depois do terceiro golo, porque estão ambos tapados. No entanto, obviamente, há que manter a concentração e tentar mais uma vitória para a semana. É bom não só para o ranking, como para o nosso prestígio.

P.S. – O Jesus está naturalmente de parabéns pela forma como armou a equipa para esta grande vitória, mas mostrar três dedos ao treinador do Tottenham depois de terceiro golo é que era bem escusado. Não gosto que o treinador do meu clube exiba esta falta de nível (além de que, para agravar as coisas, já não é a primeira vez que faz uma cena deste género).

quinta-feira, março 13, 2014

segunda-feira, março 10, 2014

Modelar

Vencemos o Estoril por 2-0 e, com o empate da lagartada em Setúbal (2-2), aumentámos a distância para sete pontos (oito na prática) em relação ao 2º classificado. Foi uma partida mais fácil do que se previa, porque não só entrámos bem no jogo fazendo o 1º golo muito cedo, como começámos a fazer a “gestão” do resultado só depois de ter feito o 2-0. Algo que, depois dos sustos das duas últimas jornadas, deveria servir de modelo para o resto da época. Parece que aprendemos a lição. Ainda bem!

De facto, não poderíamos ter entrado melhor com o golo do Luisão de cabeça na sequência de um canto logo aos 6’. O Estoril tem uma óptima equipa, troca muito bem a bola, mas, ao contrário das duas partidas anteriores, nós não baixámos o ritmo e respondíamos sempre em rápidos contra-ataques. Ao 19’, o Gaitán (que já tinha marcado o canto do golo) abriu bem para o Siqueira, que cruzou em balão para a área e o Rodrigo fez o 2-0. Três oportunidades (o Lima isolado já tinha permitido a defesa ao Vagner logo no início do jogo) e dois golos era uma excelente média. Até ao intervalo, o Lima ainda falhou à boca da baliza a hipótese para resolver de fez o jogo, e o Maxi e Fejsa viram amarelos que os vão impedir de alinhar na Choupana. O Estoril teve mais posse de bola, mas nós estamos a defender realmente bem e não eles criaram praticamente chance nenhuma de golo.

A 2ª parte foi melhor, porque tivemos mais bola e, tal como disse o Jesus, passámos ao lado de uma possível goleada. O fiscal-de-linha anulou muito mal o nosso 3º golo, porque o Lima estava mais do que em jogo e ainda tivemos outras oportunidades pelo mesmo Lima e Rodrigo, este numa arrancada impressionante desde o meio-campo, que culminou num remate com o pé direito defendido pelo guarda-redes. O Estoril criou perigo num remate logo no início da 2ª parte, que saiu ao lado, e num livre do Evandro perto do final, em que a bola foi desviada pela barreira e bateu no poste. Nos últimos minutos do jogo e com o golo do empate do V. Setúbal, o estádio entrou em ebulição. Futebol às 17h, com jogos em simultâneo e a ouvir pela rádio o que se passa na outra partida dá outra emoção e faz-me lembrar os saudosos tempos antigos. Foi muito bom poder recordá-los, ainda por cima com um final feliz para nós.

O Gaitán voltou a ser o melhor do Benfica e está indiscutivelmente na melhor forma de sempre. O Rodrigo também se destacou não só pelo golo, como principalmente pela arrancada na 2ª parte. A defesa esteve quase perfeita e tivemos a “estrelinha de campeão” naquele livre a 10’ do fim que nos poderia ter dado uns últimos minutos de sofrimento. O Fejsa foi muito importante como barreira ao meio-campo adversário e (ao contrário de Belém) não se descontrolou com o amarelo visto logo aos 8’. Desta vez, o Rúben Amorim não entrou tão bem como nos últimos jogos e o Salvio continua à procura da sua forma.

Temos uma óptima vantagem em relação aos rivais e, numa qualquer outra época que não fosse a que se segue à passada, certamente já teríamos entrado em euforia. Assim sendo, é melhor ir com calma, apesar de os outros quererem (e compreensivelmente) que já comece a haver “reservados” espalhados pelas rotundas deste país. AINDA BEM que não é assim! Agora é apontar baterias para White Hart Lane, porque a carreira na Liga Europa tem que continuar.

P.S. – A lagartada está em polvorosa com a arbitragem do Sr. Vasco Santos em Setúbal. Feitas as contas, objectivamente foram prejudicados num lance (no 1º golo do V. Setúbal, o jogador está ligeiramente adiantado), porque os outros erros anularam-se mutuamente (há um golo mal anulado à lagartada, mas no seu 1º golo é muito duvidoso que a bola tenha entrado; e ambos os penalties para as duas equipas não existiram). Antes deste jogo, a lagartada estava cinco pontos (seis na prática) atrás de nós (já tendo jogado connosco) e com quatro sobre o CRAC (que defronta na próxima jornada). Se perdesse para a semana e ganhasse todos os outros jogos até final, poderia não ser campeão, mas teria o 2º lugar garantido. Depois deste jogo, com os mesmos resultados, perde o 2º lugar. Eu sei que a lagartada só vê vermelho à frente e acha que todos os males do mundo são culpa do Benfica, mas é só pensar um bocadinho e ver quem é que beneficia mais directamente do que se passou em Setúbal. Ah, é verdade, será certamente só coincidência que o Sr. Vasco Santos (cujo historial contra nós convém não esquecer) seja da AF Porto…

domingo, março 02, 2014

A pedi-las…

Vencemos em Belém por 1-0 e, com o empate do CRAC em Guimarães (2-2), aumentámos para nove pontos a vantagem sobre eles. No entanto, não devemos esquecer que a lagartada está a apenas cinco pontos e não tem que se preocupar com mais nada sem ser o campeonato. É o nosso grande adversário no momento e não convém nada menosprezá-los.

Com o regresso de grande parte dos titulares, esperava uma boa exibição e uma vitória tranquila no Restelo. E, de facto, não poderíamos ter entrado melhor: logo aos 7’ o Gaitán voltou a fazer uma obra-prima com um golão de chapéu, depois de tirar uns quantos adversários do caminho. Como o mais difícil estava (supostamente) feito e o Belenenses era praticamente inofensivo, aguardava-se o nosso segundo golo que acabaria de vez com a partida. Só que infelizmente os jogadores do Benfica entraram logo no modo pós-golo que já tinha caracterizado toda a 2ª parte frente ao V. Guimarães. Ou seja, começámos a jogar muito mais devagar, convencidos de que a possibilidade de sofrer um golo era muito remota, e que portanto a vitória estava garantida. Em vez de pressionar um bocado os azuis para marcar durante a 1ª parte, quando a nossa superioridade foi avassaladora, não o fizemos e assim fomos para o intervalo.

Os primeiros 15’ da 2ª parte foram bons, porque tentámos acelerar um bocado o jogo e criámos algumas oportunidades (principalmente uma cabeçada do Garay a rasar o poste). Mas o golo não surgiu e, com as substituições, o Belenenses foi começando a jogar mais no nosso meio-campo. As bolas bombeadas para a nossa área criaram algum frisson e na sequência de um canto marcaram mesmo aos 70’, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo. Não do jogador que marcou, mas de outro que está no raio de acção do Oblak. Os anti-Benfica vão ladrar durante a semana toda, mas o golo é bem invalidado. Aliás, é parecido com o golo (mal) validado ao Belenenses na primeira volta e que lhes deu o empate. A 10’ do final, o Fredy fartou-se de protestar com o Sr. Jorge Ferreira e viu dois amarelos praticamente seguidos. O Jesus, e bem, tirou o Fejsa que também estava à beira do segundo amarelo, colocou o Ruben Amorim e isso também ajudou a quebrar de vez o Belenenses. Muito perto dos 90’, o Salvio teve uma boa jogada individual, mas o remate foi defendido pelo pé do guarda-redes.

Em termos individuais, o Gaitán voltou a ser o melhor. O golo que marcou é genial e também se voltou a evidenciar nas tarefas defensivas. O Enzo Pérez melhorou em relação à partida frente ao V. Guimarães, mas o Markovic não esteve tão desequilibrador. Na defesa, o Garay voltou a estar muito bem, tal como o Luisão. O resto da equipa exibiu-se a um nível muito sofrível, nomeadamente o Siqueira e o Rodrigo, ambos com exibições para esquecer.

Felizmente correu novamente bem, mas, tal como o Jesus referiu no final, esta sobranceria que a equipa revela quando nos colocamos em vantagem é bom que se dissipe de vez. Perante uma equipa nitidamente inferior a nós, é quase indesculpável que não tenhamos terminado com o jogo quando tivemos possibilidade. Fiamo-nos muito com um único golo sofrido em 15 jogos, mas convém não esquecer que esse golo representou o único empate nesses mesmos 15 jogos! Hoje as coisas não estiveram nada famosas e o Belenenses chegou a colocar a bola na nossa baliza. “Gerir o jogo”, sim senhor, mas com (pelo menos) dois golos de vantagem, sff! É que senão arriscamo-nos a que um lance fortuito nos tire uma vitória que já deveria estar assegurada. Como hoje. Uma situação a rever rapidamente no futuro, porque é estúpido andarmos a desafiar a sorte desta maneira.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Génio

Voltámos a vencer o PAOK (3-0) e qualificámo-nos para os oitavos-de-final da Liga Europa. Foi uma vitória justa, embora por números que mascaram um pouco o desenrolar do jogo, já que só marcámos o primeiro golo aos 70’. A nossa superioridade foi uma constante e por isso mesmo por vezes jogámos com uma lentidão de processos que não é habitual.

O Jesus voltou a mexer na equipa e por exemplo o Enzo Pérez nem sequer foi convocado. Mas quando mesmo assim jogam o Salvio, Cardozo, Gaitán e Garay (todos vindos de lesão), isso diz bem da qualidade do nosso plantel. O meio-campo ficou entregue ao Ruben Amorim e André Gomes, com o Djuricic a dar apoio ao Cardozo, e a 1ª parte foi jogada a um ritmo particularmente baixo que nos convinha. Mesmo assim, ainda deu para o Artur dar o seu frango habitual, que felizmente foi a tempo de corrigir agarrando a bola em cima da linha de golo, e para o Cardozo ter as melhores oportunidades, incluindo um livre com uma defesa milagrosa do guarda-redes.

A 2ª parte seguia na mesma linha, ou seja, o Benfica sem muito interesse em acelerar o jogo e o PAOK incapaz de chegar perto da nossa área, quando num canto o Katsouranis ia marcando de cabeça, com um outro jogador a falhar o desvio mesmo em cima da baliza. Este lance parece ter despertado a nossa equipa, facto para o qual também contribuíram as (boas) mexidas do Jesus colocando o Lima e o Markovic nos lugares dos sem-ritmo Cardozo e Salvio. Pouco depois de ter entrado, o Lima isolou-se a passe do André Gomes e é derrubado pelo Katsouranis muito perto da linha de grande-área. Foi naturalmente expulso, o que também permitiu que o público da Luz o brindasse com uma enorme salva de palmas de reconhecimento pelos anos em que envergou o manto sagrado. Na conversão do livre, o Gaitán soltou o génio que há nele e colocou a bola por cima da barreira para dentro da baliza. Como já se disse, foi um livre à Panenka que apanhou completamente de surpresa o guarda-redes. Golo fabuloso aos 70’! A partir daqui e perante 10 jogadores, as coisas tornaram-se muito mais fáceis e marcámos mais dois golos: Lima de penalty por indiscutível mão aos 78’ e um toque subtil do Markovic (no estádio pareceu-me que ele tinha tentado o chapéu e falhado, mas o toque foi muito intencional) no minuto seguinte. Até final, o Rodrigo, que também entrou, rematou por cima quando estava em boa posição.

Em termos individuais, destaque absoluto para o Gaitán: só o golo dele valeu a ida ao estádio, mas para além disso ainda criou lances para os colegas e inclusive recuperou bolas! Saúda-se o regresso do Garay, que dá outra classe à defesa, na qual merece igualmente referência o Sílvio, a jogar bastante bem na esquerda. O Djuricic esteve menos mal do que me partidas anteriores, mas tem uma tendência para a molenguice que me irrita solenemente. A entrada dos habitualmente titulares (Lima e Markovic) foi fundamental para a resolução da partida.

Iremos agora defrontar o Tottenham na próxima ronda. Não deixa de ser curioso que, quando os defrontámos pela primeira e única vez, fomos bicampeões europeus. Pode ser que isto nos inspire, porque se é certo que o campeonato é o objectivo principal, uma eliminatória com equipas inglesas é sempre estimulante e temos um importante estatuto nesta competição a defender.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Annus Horribilis

Em pouco mais de um mês, perdemos as duas maiores referências que tínhamos. Depois do Eusébio, foi ontem a vez do Grande Capitão nos deixar. O Monstro Sagrado como era conhecido partiu aos 78 anos. Presto-lhe a minha sentida vénia.

Mário Coluna
(1935 - 2014)

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Nervosismo

Conseguimos uma vitória muitíssimo importante frente ao V. Guimarães (1-0) e neste momento estamos com cinco pontos de vantagem perante os lagartos e sete em relação ao CRAC. Aliás, a magnífica vitória do Estoril no antro (1-0) fazia com que esta partida fosse fundamental para podermos alargar a diferença perante os assumidamente corruptos. E, sinceramente, acho que isso provocou algum nervosismo nos nossos jogadores, porque houve uma quantidade anormal de passes falhados e a exibição não foi tão conseguida como as anteriores.

Até entrámos bem na partida, mas aos 5’ houve um choque de cabeças entre o Jardel e o Enzo Pérez, que estiveram a receber assistência durante largos minutos, e isso desconcentrou-nos. O V. Guimarães fez uma excelente partida e criou-nos imensos problemas, inclusive em termos defensivos. O Oblak fez inclusive uma grande defesa a um remate do Maazou. Há que acrescentar que alinhámos muito desfalcados porque o Maxi Pereira e o Gaitán cumpriram castigo, e o Garay e o Cardozo ainda não recuperaram das lesões. O Sulejmani não está ao nível do Gaitán e só através do Markovic é que conseguíamos criar desequilíbrios. Aliás, o sérvio foi de longe o melhor em campo e principalmente na 1ª parte deu um verdadeiro recital, porque cada vez que acelerava criava uma situação de perigo. Tivemos boas oportunidades pelo Rodrigo e Sulejmani, mas foi mesmo o Markovic a decidir a partida aos 40’ numa boa abertura do Rodrigo que o isolou e depois o sérvio fez um golão ao passar a bola por cima do guarda-redes, e a colocá-la calmamente na baliza. Pensei que o mais difícil estava feito (e estava) e, com a necessidade do V. Guimarães procurar outro resultado, a 2ª parte seria mais fácil.

Foi puro engano. Aliás, estivemos bem pior na 2ª parte do que na 1ª. A equipa continuava a revelar alguns sinais de insegurança, persistindo os passes falhados e o desenvolvimento atacante raramente teve a fluidez desejável. O Markovic esteve menos em jogo e disso se ressentiu a equipa. O Salvio entrou aos 70’, mas naturalmente que ainda está longe da forma que o notabilizou. O que faz com que não devesse insistir em lances individuais… A equipa dava mostras de que o objectivo passava mais por defender a vantagem do que procurar aumentá-la, mas por isso mesmo custou-me a perceber que o Jesus tenha demorado tanto tempo a colocar o Ruben Amorim para dar mais solidez ao meio-campo. Só entrou aos 85’ e a partir daí não mais o V. Guimarães teve a bola. Acho que o Jesus arriscou escusadamente jogar com dois pontas-de-lança durante tanto tempo e permitir que o adversário jogasse muito no nosso meio-campo.

Em termos individuais, é óbvio que o homem do jogo foi o Markovic, não só pelo golo de génio que marcou, mas porque foram dele as nossas jogadas mais perigosas. Gostei do Fejsa pela segurança que deu ao meio-campo e o Rodrigo, apesar de algumas falhas, fez a assistência para o golo e outra na 2ª parte que isolou o Lima, que desperdiçou só com o guarda-redes pela frente. O Enzo Pérez foi certamente afectado pelo choque de cabeças, porque fez uma exibição muito distante do que é habitual. Palavra novamente positiva para a nossa defesa que nos últimos 13 jogos só foi batida uma única vez.

Se virmos racionalmente, o V. Guimarães na 2ª parte praticamente não criou perigo, o problema é que só temos noção disso no final da partida. Até lá, há sempre a possibilidade de um lance fortuito que nos custe caro. Confesso que foi dos jogos em que sofri mais, porque depois da grande alegria dada pelo Estoril era absolutamente fundamental não desperdiçar esta oportunidade de ouro. Sofri tanto que demorou algum tempo a bater o facto de estarmos com sete pontos de vantagem perante o CRAC, mas atenção à lagartada que só tem que se preocupar com o campeonato. Nada está decidido e acho bem que todos nos lembremos da época passada para não nos desconcentramos com euforias precipitadas.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Autoridade

Obtivemos uma excelente vitória em Salónica frente ao PAOK (1-0) numa exibição categórica e plena de confiança, que nos abre as portas dos oitavos-de-final da Liga Europa. Mesmo com uma equipa desprovida de grande parte dos habituais titulares, demonstrámos uma personalidade invejável, conseguindo calar um dos públicos mais fervorosos da Grécia e vencer num terreno onde este ano nenhum adversário o tinha conseguido.

Da equipa-tipo, só se mantiveram o Maxi Pereira, Luisão, Enzo Pérez e Lima, o que quer dizer que entrámos em campo com sete(!) jogadores que não costumam ser titulares (Artur, Jardel, Sílvio, Ruben Amorim, André Gomes, Sulejmani e Djuricic). Confesso que quando vi a equipa inicial fiquei um pouco apreensivo e pensei que iríamos jogar com nove, porque o Djuricic tem sido uma desilusão e julguei que o Enzo Pérez iria jogar na direita, onde tem sido muito menos eficaz do que no meio. Mas os primeiros minutos tiraram logo essa apreensão, porque foi o André Gomes a jogar à frente do Maxi e demonstrámos desde muito cedo que iríamos mandar no jogo. O PAOK entregou-nos claramente a iniciativa de atacar (o que não percebi muito bem, visto estarem a jogar em casa…), mas nós só o fazíamos pela certa, o que resultou em poucas oportunidades na 1ª parte. Só o Sílvio, numa boa jogada individual esteve perto de marcar, mas rematou muito por cima com o pé esquerdo quando estava em boa posição.

A 2ª parte começou com a única oportunidade do PAOK, num mau passe do Djuricic à saída da nossa grande área que fez com que um grego recuperasse a bola e rematasse a rasar o poste direito do Artur. Mas aos 59’ marcámos o único golo da partida, depois de uma boa jogada do Sulejmani pela esquerda, com intervenção do Enzo Pérez e assistência de peito do Djuricic para o Lima fuzilar. Felizmente o fiscal-de-linha não viu o (claro) fora-de-jogo do brasileiro e colocámo-nos assim em vantagem. Na senda do que vimos conseguindo nos últimos jogos, praticamente não deixámos o adversário acercar-se da nossa baliza. E ainda foi nossa a maior oportunidade até final, quando o entrado Markovic proporcionou ao guardião contrário a melhor defesa do jogo. Destaque óbvio para o regresso do Salvio, quase seis meses depois da lesão no WC, aos 75’.

Em termos individuais, o melhor do Benfica foi o Sílvio. Na 1ª parte, foi ele que transportou a equipa para a frente no corredor esquerdo e teve a nossa única chance de golo. E demonstrou grande segurança defensiva durante toda a partida. Bom jogo igualmente do Jardel, que conseguiu que não nos lembrássemos muito da lesão do Garay, o que só por si é um enorme feito. O Maxi e o Luisão continuam em excelente forma. No meio-campo, o Ruben Amorim tem a virtude de fazer passes a rasgar para a frente, mas tem que corrigir rapidamente os passes transviados que permitiram aos gregos recuperar a bola no nosso meio-campo, felizmente sem consequências nefastas. O André Gomes não destoou, excepção feita ao amarelo escusado que viu. O Enzo Pérez esteve mais discreto do que nos últimos jogos, mas confere o toque de classe ao nosso meio-campo. Na frente, o Lima foi decisivo e deu imensa luta ao Katsouranis &Cia, o Sulejmani subiu na 2ª parte e o Djuricic melhorou depois da assistência, porque até então tinha sido o jogador mole e com pouca capacidade de luta que é habitual. A entrada do Fejsa aos 64’ fez com que tivéssemos maior segurança defensiva e foi muito importante na manutenção da nossa vantagem. Quanto ao Artur, praticamente não teve trabalho e só se deu por ele pela negativa quando defendeu para a frente um cabeceamento inofensivo, valendo-nos a colocação do Jardel que aliviou a bola. Se calhar, de futuro, talvez não fosse má ideia não fazer a rotação dos guarda-redes…

Na próxima semana na Luz, espera-se que confirmemos o favoritismo e nos qualifiquemos para a próxima ronda. Fomos finalistas no ano passado, temos esse prestígio a defender e esta partida demonstrou mais uma vez que possuímos um plantel fabuloso que nos permite ir ganhar fora nas competições europeias mesmo com jogadores lesionados como o Garay, Gaitán e Cardozo. Já sabemos que o objectivo principal é o campeonato, mas o prestígio de que gozamos ainda hoje fez-se com as vitórias europeias e temos a obrigação de não fazer má figura na Europa.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Eficácia

Vencemos em Paços de Ferreira por 2-0 e mantivemos a liderança isolada da Liga com as mesmas distâncias para os rivais. Apesar de os visitados estarem em último lugar, foi uma partida bem complicada e muito por culpa nossa.

A 1ª parte foi verdadeiramente assustadora. Esteve ao nível da de Barcelos. Minto: foi pior ainda porque não tivemos uma única oportunidade de golo! Para além disso, o Sr. Duarte Gomes amarelou três dos jogadores da nossa defesa, dois dos quais por protestos, pelo que estava mesmo a ver uma repetição do filme de Barcelos na 2ª parte a jogarmos com 10… O Paços dava muita luta, chegava constantemente mais cedo às bolas do que nós, mas também é verdade que não criou perigo nenhum. No entanto, valha a verdade, o objectivo deles não era a nossa baliza.

A 2ª parte foi bastante diferente, porque o Paços não conseguiu manter o nível de pressão do 1º tempo e tivemos mais espaços. O Lima e o Luisão poderiam ter feito melhor em duas ocasiões, mas foi o Garay a abrir o marcador aos 54’ depois de um óptimo centro do Ruben Amorim (titular no lugar do castigado Enzo Pérez). O mais difícil estava feito e agora era só uma questão de não haver desconcentrações na defesa. Claro que um segundo golo tranquilizaria ainda mais a equipa e foi novamente o Ruben Amorim a iniciar a jogada que culminou com uma arrancada do Markovic para fuzilar o guarda-redes. Estávamos no minuto 68’ e a sorte do jogo ficou logo decidida. Até final, conseguimos não permitir que o adversário tivesse uma única grande oportunidade de golo, mas também não pressionámos muito mais para marcar o terceiro. De certo que o jogo de 5ª feira frente ao PAOK passou a estar na mente dos jogadores.

Em termos individuais, o Ruben Amorim foi o melhor, estando presente nos dois golos e subindo claramente de produção na 2ª parte. O futebol é fértil nestas coisas: o Markovic estava completamente desastrado, com quase tudo a sair-lhe muito mal e depois marca um golão daqueles! O Gaitán também manteve o nível alto, mas estará de fora frente ao V. Guimarães por ter visto amarelo. Assim como o Maxi Pereira. O Oblak foi mais um dos espectadores e deveria ter pago bilhete. Os centrais (Luisão e Garay) continuam irrepreensíveis.

A parte boa desta partida (descontando o óbvio facto de termos ganho) é que a equipa nunca se perdeu em campo e não entrou em ansiedade depois daquela péssima 1ª parte. O que demonstra bastante maturidade competitiva. De destacar mais uma vez a forma como estamos a defender, tendo sofrido apenas um golo nos últimos 11 jogos. O Oblak explica alguma coisa, mas não tudo. Agora vem a Liga Europa e, se é verdade que o campeonato é o mais importante, convinha não desperdiçar a oportunidade de aumentar uns pontinhos no nosso ranking europeu. Além de que uma equipa vinda da Champions não pode ficar pelos 1/16 de final.

P.S. – Tal como referi aqui, neste fim-de-semana conquistámos o primeiro troféu da época.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Superioridade frustracional

Depois dos problemas com o efeito da ventania na cobertura que fizeram adiar o derby para esta 3ª feira, vencemos a lagartada por 2-0 e estamos com quatro pontos de vantagem para os assumidamente corruptos e cinco para eles. Foi uma partida em que fomos incomensuravelmente superiores ao adversário e o resultado peca muitíssimo por escasso.

Entrámos “muita fortes” e logo no minuto inicial poderíamos ter aberto o marcador através do Gaitán. O Rodrigo, Lima (de maneira fortuita porque o Rui Patrício rematou-lhe contra a cabeça) e o Luisão tiveram excelentes ocasiões para marcar, mas foi o Gaitán a abrir o marcador aos 27’ de cabeça correspondendo muito bem a um centro (finalmente bem conseguido!) do Maxi Pereira, depois de uma recuperação de bola do Fejsa. Pouco antes do intervalo, foi o mesmo Gaitán a falhar incrivelmente uma óptima oportunidade depois de um passe longo do Garay que o colocou cara-a-cara com o Patrício. Da lagartada, na 1ª parte, só se viram as camisolas.

Voltámos a entrar bem na 2ª parte, mas só durámos 15’. Mesmo assim, um passe genial do Markovic colocou o Rodrigo só com o Patrício pela frente, mas o remate saiu ao lado. Não conseguimos manter a pressão avassaladora da 1ª parte e durante um largo período parecemos estar a dormir à sombra do resultado. É certo que a lagartada era praticamente inofensiva, excepção feita a uma boa iniciativa do estreante Heldon que culminou num remate muito por cima, mas estaríamos sempre sujeitos a um lance fortuito que igualasse a partida. O Enzo Pérez era quem empurrava a equipa para a frente com as suas arrancadas desde o meio-campo e foi ele a terminar com o jogo ao fazer o 2-0 aos 76’ num lance fantástico, que culminou num remate em arco com o pé esquerdo. Até final, controlámos perfeitamente a partida, mas também não nos mostrámos muito interessados em aumentar o resultado. Infelizmente.

Em termos individuais, destaque absoluto para o Enzo Pérez e para o Fejsa. A dupla do meio-campo, apesar de amarelada, esteve irrepreensível na pressão, ganhou inúmeras bolas e o argentino teve a mais-valia de um golo bastante bonito. O Gaitán, curiosamente, não teve dos jogos mais conseguidos (as primeiras intervenções foram quase todas desastradas), mas foi importantíssimo ao marcar o 1º golo. Os centrais estiveram impecáveis (Garay, por favor, não vás para o degredo milionário na Rússia!) e os laterais (Maxi e Siqueira) também estiveram muito concentrados. O Rodrigo esteve duas vezes em frente ao Patrício, mas infelizmente não conseguiu marcar.

A nossa superioridade foi tão evidente que saio deste tipo de jogos com a lagartada sempre algo frustrado por perdemos óptimas oportunidade de vingar os 7-1. Já não é a primeira nem a segunda vez que um pouco de killer instinct arrumaria de vez aquele nefasto resultado. Mas conseguimos reduzi-los à sua insignificância e vamos calá-los durante um bom bocado. É que nem do árbitro se podem queixar como é habitual sempre que perdem connosco. O Sr. Marco Ferreira, à semelhança do jogo do ano passado no WC, fez uma boa arbitragem (prefiro de longe este tipo de árbitro que não carrega nos cartões e não apita faltas por tudo e por nada).

P.S. – Sempre detestei treinadores que inventam em jogos grandes. Qual António Oliveira a colocar o Costa em Old Trafford aqui há uns anos (e a levar 4-0 do Man Utd), o Leonardo Jardim resolveu inventar: a lagartada tem jogado sempre em 4-3-3 só com um ponta-de-lança, mas é precisamente no jogo na Luz que o seu treinador resolve jogar com dois pontas-de-lança pela primeira vez na época! À grande! Mostraram-se sem surpresa nenhuma sempre desligados e foram completamente inofensivos. Mais uma razão para me chatear bastante não termos aproveitado para golear…

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

A ferros

Uma vitória muito difícil em Penafiel (1-0) permitiu-nos qualificar para as meias-finais da Taça de Portugal. Perante uma equipa que plantou dois autocarros em frente à sua baliza, mas valha a verdade sem fazer nenhuma espécie de antijogo, só conseguimos marcar o golo do triunfo aos 84’ através do melhor em campo, o Sulejmani.

Do onze de Barcelos só sobraram o Luisão e o Maxi Pereira (podemos dar-nos por satisfeitos por o Penafiel ter eliminado o Marítimo, pois caso contrário teríamos jogado na Madeira e duvido que o fizéssemos com estes titulares), mas até entrámos bem na partida. Tivemos oportunidades pelo Cardozo (a bola ia na direcção da baliza, mas bateu nas costas de um defesa), Jardel (falhanço imperdoável de cabeça) e do Sulejmani (bom remate defendido pelo guarda-redes). Em termos defensivos não passámos por calafrios, excepto uma saída em falso do Artur num livre, que nos poderia ter custado caro caso o jogador do Penafiel não tivesse falhado a cabeçada.

Na 2ª parte, a partida manteve igual, ou seja, a célebre expressão “aluga-se meio-campo” continuava a fazer todo o sentido. O Cardozo teve um falhanço inacreditável com um remate muito torto bem dentro da área, mas o Penafiel defendia-se bastante bem e era complicado criar situações de perigo. Isto também se deveu ao facto de os médio-centros (Ruben Amorim e André Gomes) jogarem muito para os lados e para trás, e à pouca velocidade na frente de ataque (excepção a Sulejmani). O Jesus lá se decidiu a mexer na equipa e entraram o Rodrigo, Markovic e Lima, tendo a nossa produção subido. A seis minutos do fim, uma boa sequência de passes entre o Lima e o Rodrigo fez com que este desmarcasse o Sulejmani para decidir o encontro com um remate de pé direito.

Evidentemente que o Sulejmani merece destaque individual e não só pelo golo que marcou. Todos os outros estiveram muito medianos, com o Cardozo a precisar de mais minutos (mas colocá-lo a titular frente à lagartada parece-me absolutamente fora de questão) e o Djuricic a continuar a exasperar-me. O Ivan Cavaleiro teve umas boas arrancadas, mas foi (quase sempre) inconsequente no passe.

Conseguimos o mais importante (a qualificação) e poupámos grande parte da equipa para defrontar a lagartada. Nas meias-finais, iremos defrontar o CRAC, que bateu o Estoril por 2-1 com o Jackson a conseguir estar em fora-de-jogo em ambos os golos e a ter intervenção neles. São lances muito à queima, mas ele está de facto em posição irregular e já se sabe que a regra no futebol português é “em caso de dúvida, favorece-se o CRAC”.

domingo, fevereiro 02, 2014

Furioso

Empatámos em Barcelos (1-1) frente ao Gil Vicente e desperdiçámos uma oportunidade de ouro de colocar o CRAC a seis pontos de distância (perdeu 1-0 no Marítimo). Assim, ficamos com quatro de vantagem, o que não só sabe a pouco, como também poderemos vir a ter a companhia dos lagartos caso ganhem à Académica.

Se há coisa que me tira do sério é o Benfica não aproveitar as abébias dos rivais já sabendo delas! Por isso, este é um post conscientemente escrito a quente e com bastante raiva. É certo que o relvado estava complicado por causa da chuva que tinha caído, mas isso não era razão para oferecer a 1ª parte ao adversário. O Rodrigo, em óptima posição, atrapalhou-se na lama na altura do remate e um pontapé de longe do Siqueira foram as únicas oportunidades reais que tivemos.

Na 2ª parte, entrámos muito melhor e o Rodrigo poderia ter marcado num lance em que é claramente agarrado por um adversário. Mesmo assim deveria ter feito o golo, já que chegou a tocar na bola. Aos 58’, acontece o momento decisivo da partida: já depois de ter visto (mal) um amarelo por pretensa simulação, o Siqueira empurra um adversário que se escapava pela linha. Resultado? Segundo amarelo e expulsão. Todavia, quatro minutos depois um jogador do Gil Vicente dá um pontapé nas costas do Gaitán em plena área. Penalty muito bem marcado pelo Lima e colocávamo-nos na frente. Mesmo com menos um jogador, pensei que conseguíssemos manter a vantagem, até porque o Gil Vicente raramente criava perigo. No entanto, o Jesus demorou muito a reorganizar a defesa (e acabou por não o fazer), que passou a ter o Gaitán como lateral-esquerdo. Aos 73’, caiu-nos um balde gélido em cima: na sequência de um canto, remate de primeira de fora da área, o Oblak chega a tempo, mas defende para dentro da baliza. Primeiro golo sofrido pelo guardião esloveno e no limite de ser um frango. O Jesus lá se decidiu mexer na equipa e colocou o Cardozo e Ivan Cavaleiro. O paraguaio teve uma grande oportunidade num canto, mas o guarda-redes defendeu com a perna! Já na compensação, e depois de ter perdoado o segundo amarelo a um central, o Sr. Bruno Paixão assinala penalty por pretensa falta sobre o Djuricic. Para mim, é muito simples: não acho que seja penalty nenhum, mas se seguirmos a lógica de apitar a tudo (como o Sr. Bruno Paixão fez ao longo da partida), é natural que o tenha assinalado. No entanto, a fazer lembrar Setúbal no ano em que fomos campeões, o Cardozo falhou, porque rematou rasteiro e quase ao meio da baliza. Poderia (e deveria) ter feito muito melhor. Aliás, nem deveria ter sido ele a marcar, mas sim o Lima!

Em termos individuais, gostei do Gaitán e do Fejsa. O Markovic fez boas arrancadas e não concordei com a sua substituição. Não percebo porque é que o Jesus não indicou o Lima para marcar o penalty. Tinha marcado bem o primeiro, estava já quente e dentro do jogo, e não vinha de uma lesão de 3 meses. Foi um grande estupidez e que nos custou dois preciosos pontos. Assim como a inexplicável demora do Jesus a reequilibrar a equipa depois do golo, que acabou por não acontecer (a jogar com dois avançados, depois de marcar mandaria a prudência substituir um deles). O Oblak também não ajudou, antes pelo contrário (o remate não é muito colocado e é mais que defensável), mas ainda tem créditos para gastar. Finalmente, o Siqueira: já não é a primeira vez que faz isto (em Guimarães valeu-nos a complacência do árbitro) e o grande culpado da perda de pontos também é muito ele. Entre o que ele fez e o que fez o Carlos Martins no jogo contra o Estoril no ano passado, a diferença é quase nula. Por isso, se fosse eu a mandar, o lateral-esquerdo ir-lhe-ia fazer companhia. Não se pode dar este género de vantagem ao adversário num altura em que ainda estava 0-0 e nós a pressioná-lo.

Na 4ª feira, teremos um encontro muito importante para continuarmos na Taça de Portugal. Iremos a Penafiel e convém só começarmos a pensar na partida frente à lagartada depois disso. Não esquecer que a Taça de Portugal é um dos grandes objectivos da época. Se não oferecermos a 1ª parte ao adversário e não nos fizermos expulsar por idiotices, estaremos mais próximos de o conseguir.