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domingo, julho 28, 2013

Fernando Martins

Morreu o primeiro presidente do Benfica de que me lembro. Estará para sempre associado à vinda do Eriksson e, principalmente, ao fecho do Terceiro Anel do Estádio da Luz. Independentemente de não ter sabido escolher certas amizades depois de deixar a presidência do Glorioso, foi um presidente que, em seis anos, ganhou quatro Campeonatos, quatro Taças de Portugal, uma Supertaça e ainda fomos a uma final europeia. Ou seja, foi um dos grandes presidentes da nossa história e é essa memória muito positiva que mais importa salientar na hora em que parte. Paz à sua alma.

Levante e Nice

Concluímos o mini-estágio no Algarve com duas vitórias pelo mesmo resultado (2-1) frente a duas equipas da I Divisão de Espanha e França. Em termos de exibição, o encontro frente ao Nice foi melhor, a que não é alheio o facto de termos alinhado com a equipa presumivelmente titular.

A 1ª parte contra o Levante foi paupérrima e, se há a atenuante de serem novos no plantel e prováveis suplentes, não deixa de causar alguma apreensão que haja tanta diferença de ritmo entre estes e os titulares. Sofremos o golito do costume, mas na 2ª parte, com a entrada da maioria dos titulares, as coisas melhoraram um bocado e acabámos por ganhar com dois golos de bola parada do Lima (livre e indiscutível penalty já nos descontos).

Contra o Nice, entrámos muitíssimo bem e conseguimos rapidamente uma vantagem de dois golos através do Markovic (que golão, senhores, que golão!) e do inevitável Lima. O Sr. Bruno Esteves, fazendo jus a um jogo de preparação, abrilhantou-nos com uma arbitragem inacreditável (aquela entrada ao Salvio é obviamente vermelho directo!) e expulsou o Artur num lance clássico de avançado frente a guarda-redes. A questão é que o Artur não tocou no avançado… Penalty convertido e nós a jogar mais de uma hora com 10. O Markovic foi o sacrificado e, a partir daqui, o jogo perdeu muito interesse, porque nós estivemos naturalmente mais preocupados em não sofrer golos e deixámos de criar tantos lances atacantes.

Estes jogos no Algarve confirmaram algumas coisas: o Salvio e o Gaitán são os jogadores mais desequilibradores do Benfica e em melhor forma. O Lima marca que se farta (mas se julgamos que podemos fazer uma época inteira só com um ponta-de-lança – o Rodrigo está péssimo – estamos bem enganados). O Markovic é grande craque! Duvido que o consigamos manter para além desta época, porque a bola fica com olhos cada vez que sai dos pés dele, é eficaz frente à baliza e só tem 19 anos. Um diamante! O Ruben Amorim vai ser um dos décimo-segundos jogadores do plantel. Menos positivo é o facto de estamos a sofrer golos em todos os jogos, algo a rever urgentemente. Veremos que conclusões tiraremos das próximas partidas.

P.S. – Propositadamente não falei da nossa vergonhosa presença na Taça de Honra, no fim-de-semana passado. Quando nove jogadores do plantel principal do Glorioso perdem perante onze jogadores da equipa B dos lagartos, é melhor fingir que nem aconteceu…

quinta-feira, julho 25, 2013

Peñarol

Empatámos com os uruguaios (1-1) em mais um encontro de preparação desta feita no estádio do Portimonense. Confirmámos as virtudes e dos defeitos dos jogos na Suíça e, se aquelas estão a melhorar, estes estão a impedir-nos de ganhar jogos.

Virtudes:
- Novo golo do Markovic, que não engana ninguém. É craque! A luta com o Djuricic pelo lugar de nº 10 vai ser engraçada. Com esta qualidade logo aos 19 anos, duvido que fique cá por muito tempo...
- Boas combinações atacantes, especialmente na 1ª parte. Gaitán já em forma e muito mais lutador do que em épocas anteriores.
- Ruben Amorim a solidificar-se como a terceira opção do meio-campo, logo atrás dos indiscutíveis Matic e Enzo Pérez. Vai ser uma melhoria em relação à epoca passada.
- Salvio, Gaitán, Sulejmani, Ola John (e ainda possivelmente Markovic e Djuricic) garantem-nos muita qualidade nos extremos. Haja alguém na frente que marque golos com regularidade... Para além do Lima. (Sim, estou a referir-me a quem vocês estão a pensar!)

Defeitos:
- Os adversários continuam a precisar de apenas meia-oportunidade para marcar golos.
- Pensei que o Sílvio fosse melhorzito. Até agora, muito fraco. O golo resulta de um buraco criado por ele.
- O Artur sofre outro golo parecido com o do Kelvin, com a diferença de este remate não ter sido tão bom. A bola passa-lhe muito perto da mão. Reforço o que já disse: ainda vamos ter um grande problema na baliza este ano...
- Alguma falta de eficácia perante oportunidades mais do que suficientes para ganhar. Espero que não pensemos que Lima e Rodrigo são suficientes para uma época tão longa. Se alguém souber de um goleador que garanta 25 a 30 golos por época e que esteja disponível (preferencialmente a custo zero), avise, sff...! (Percebe-se que estou FURIOSO, não se percebe...?!)
- Rodrigo, capitão do Benfica?! Com o Artur (e o Ruben Amorim) em campo...?

quarta-feira, julho 17, 2013

12-6

Foi este o score final de duas vitórias e um empate nos três jogos efectuados na Suíça. Ontem vencemos o Sion por 3-2, mas estivemos a ganhar por 3-0 e depois consentimos (novamente) mais dois golos (ambos de bola parada, mas um deles de forma infantil).

Se quisermos olhar para isto de forma positiva, poderemos sempre dizer que foi bom não termos perdido nenhum jogo (eu sei que é “treino” e tal, mas nunca é bom perder) e ter uma média de quatro golos marcados por partida. Se quisermos olhar de forma negativa, teremos o argumento de que três golos sofridos em dois jogos tendo por adversários o Étoile Carouge e o Sion é muito mau, e sofrer outros tantos frente ao Bordéus também está longe de ser aceitável. Porque, afinal de contas, ter o dobro dos golos marcados em relação aos sofridos equivale a termos tido vitórias por 2-0 e 2-1, e um empate 2-2.

Na 1ª parte, com a maior parte dos presumíveis titulares, não entrámos bem, mas depois fartámo-nos de falhar golos (incluindo o desperdício de um penalty pelo Lima). Uma jogada genial do Salvio (de longe, o jogador em melhor forma) permitiu ao brasileiro redimir-se e ser o único jogador a marcar nas três partidas. Na 2ª parte, entrou o Markovic, que marcou os outros dois golos, sendo um deles um golão de chapéu. Na parte final, já com a defesa suplente, sofremos os tais dois golos, mas felizmente que o árbitro acabou o jogo poucos depois do minuto 91, não fosse o diabo tecê-las...

Temos excesso de qualidade na frente (entre Salvio, Gaitan, Ola John, Sulejmani, Djuricic e Markovic, presumivelmente só há lugar para metade), o Cortez confirmou as qualidades (atacantes) e os defeitos (defensivos) dos jogos anteriores, mas lá atrás temos que arranjar uma maneira de não sofrer tantos golos. Os internacionais vão regressar e vamos ver depois qual será a lista de dispensas. Aguardemos pelos próximos episódios.

domingo, julho 14, 2013

Começar de novo

Ainda bem que a nova temporada começou para ver se consigo finalmente ultrapassar a desilusão da anterior… Como já vem sendo habitual nos últimos anos, faremos três jogos em quatro dias na Suíça. Nos dois primeiros, realizados este fim-de-semana, vencemos o Étoile Carouge (um clássico na pré-época…) por 6-1 e empatámos com o Bordéus por 3-3.

A equipa revelou tudo o que é habitual logo no início, ou seja, cansaço, falta de ritmo de alguns jogadores e erros infantis, mas também já se viu a espaços bom futebol, combinações atacantes interessantes e toques de classe. A maior curiosidade reside sempre em ver os novos jogadores e já deu para perceber algumas coisas: a camisola 10 não irá ficar mal entregue ao Djuricic (melhor frente aos suíços do que os franceses), o Lisandro (óptimo golo frente ao Bordéus) não engana, é mesmo bom e o Sulejmani é outro que também é como o algodão, o que vai tornar a luta nas faixas laterais muito interessante (ainda maior se o Gaitán não sair). O Bruno Cortez pareceu-me muito melhor a atacar do que a defender (a rever, mas com este perfil já tínhamos o Melgarejo…), o Markovic ainda mostra alguma verdura (salvo seja!), mas tem toque de bola e o Mitrovic demonstrou que não mentiu quando disse que se tinha preparado nas férias. Apesar de não ter estado particularmente bem, acho que o Sílvio vai ser útil, até porque pode fazer as duas laterais.

Quanto aos velhos, o Salvio marcou três golos em dois jogos, o Gaitán esteve muito bem frente ao Bordéus, o Lima também marcou nos dois jogos e saúdo o regresso do Ruben Amorim, que vai ser um bom complemento ao Matic ou Enzo Pérez. Ainda falta voltarem os jogadores que estiveram nas selecções e naturalmente que alguns dos que estão neste estágio vão ter que ir embora, mas estas primeiras indicações revelam que temos muito que trabalhar na defesa (apesar de estarmos a melhorar: sofremos o empate frente ao Bordéus aos 91’…) e que o ataque promete.

P.S. – Não me parece que as férias tenham feito bem ao Artur. Se não lhe arranjarmos concorrência a sério, arriscamo-nos a ter um enorme problema na baliza…

sábado, junho 08, 2013

Portugal - 1 - Rússia - 0


Vitória muito importante da selecção nacional com vista a atingir os play-off de qualificação para o Mundial do Brasil. Não foi um jogo brilhante de Portugal, longe disso, mas a vitória acaba por ser justa, porque tivemos mais oportunidades que os russos.

À semelhança do jogo em Moscovo, a equipa da casa marcou muito cedo (8’) num livre do Miguel Veloso em que o Postiga remata, a bola é desviada pelo defesa, depois bate no poste e entra na rede lateral do outro lado da baliza! Falando em sorte…! Tivemos mais alguns lances para fazer o 2-0, mas contámos igualmente com a colaboração do Sr. Damir Skomina, que demonstrou ser um árbitro de confiança para a Uefa e Fifa, porque depois de ter ajudado a colocar o Chelsea nas meias-finais da Champions da época passada e quase ter qualificado o Marselha na Liga Europa há três anos, conseguiu não ver um braço do tamanho do mundo do Fábio Coentrão na nossa área ainda na 1ª parte. Um Mundial no Brasil sem Portugal e sem o Cristiano Ronaldo não seria, de facto, a mesma coisa…

Em termos individuais, gostei do Luís Neto na defesa, o Moutinho encheu o campo e o Coentrão também não esteve nada mal. O Paulo Bento continua a fazer milagres, porque se virmos individualmente há nesta selecção jogadores muito fraquitos. O pior é que não há alternativas mesmo…

P.S. – Não percebo porque é que o Benfica não vendeu bilhetes aos sócios como costuma fazer sempre que há jogos da selecção. Gostaria imenso de ter podido ver o jogo no meu lugar. Só espero que não tenha sido poluído por nenhum lagarto ou, pior ainda, adepto do CRAC…

sexta-feira, junho 07, 2013

"Dar o exemplo"?!

Na iminência de fazermos uma grande asneira

Obrigado, Deus!

Foram cinco anos de enorme privilégio por ver este Senhor envergar o manto sagrado. Deus vai, por ora, embora, mas espero que volte num futuro próximo. Um Homem com estas qualidades tem sempre lugar no Benfica. O prazer foi todo nosso, Pablito! Volta depressa, El Mago!

domingo, junho 02, 2013

Campeões Europeus de Hóquei em Patins!

Uma grande e inesquecível vitória em pleno antro do Mal (6-5) deu-nos pela primeira vez na nossa história o título máximo de clubes a nível europeu em Hóquei em Patins. A raça, o querer e a ambição venceram a intimidação, a ignomínia e o ser desprezível. Como facilmente se comprova, quando os jogos são dirigidos por árbitros estrangeiros e isentos, é possível vencer em Mordor. Que isto seja uma lição para todas as outras modalidades: EXIGIMOS isenção e que as vitórias sejam conquistadas só dentro de campo. O Bem triunfou sobre o Mal e isso é motivo de regozijo para todos os que vêem o desporto como deve ser visto: competição, sim, mas lealdade e respeito pelo adversário acima de tudo.

Muitos parabéns a todos os elementos da secção de Hóquei em Patins! VIVA O BENFICA!


terça-feira, maio 28, 2013

Renovação de Jorge Jesus?

Resposta aqui. Há que manter a cabeça fria apesar do terrível choque. E eu não mudo de opinião por causa de um jogo. Por mais miserável que tenha sido. Foi UM jogo.

segunda-feira, maio 27, 2013

Sem desculpa

Fomos derrotados pelo V. Guimarães (1-2) na final da Taça de Portugal e cinco anos depois voltamos a acabar uma temporada sem conquistar nenhum troféu oficial. O que poderia ter sido uma época de sonho tornou-se um grande pesadelo. Se nos dois desaires anteriores, tivemos uma grande dose de azar, o que se passou neste jogo foi imperdoável. Perante uma equipa manifestamente inferior a nós, bastava que os igualássemos em vontade de ganhar para a taça ser nossa. Não o fizemos e merecidamente foi para o outro lado.

Não conseguimos pôr em prática o nosso jogo habitual, nem criar grandes situações de golo e chegámos à vantagem aos 31’ quando um defesa contrário rematou contra o Gaitán e a bola acabou dentro da baliza. Até ao intervalo, o V. Guimarães também teve uma boa oportunidade, mas o Lima deveria ter acabado com o jogo ao rematar por cima, quando estava sozinho na área perto da marca de penalty.

Se a 1ª parte não tinha sido nada de especial, a 2ª foi ainda pior. Conseguimos controlar o V. Guimarães, mas nunca nos mostrámos muito interessados em resolver a partida com um segundo golo. Aos 69’, o Jesus faz entrar o Urreta, mas manda sair o Cardozo, o que a meu ver foi um grande erro, porque o Lima também não estava a fazer nada de especial e, se alguma coisa corresse mal, depois não tínhamos o Tacuara em campo. E as coisas correram de facto muito mal! O André Almeida, que fez de longe o pior jogo da época, fez um atraso à queima para o Artur e este voltou a falhar o remate, colocando a bola num adversário, que desmarcou o Soudani (em nítido fora-de-jogo, mas isso não interessou ao fiscal-de-linha do Sr. Jorge Sousa assinalar) para a igualdade. Isto aconteceu aos 79’ e apenas dois minutos depois deu-se o golpe de teatro total, com o 1-2 pelo Ricardo num remate fora da área que ressalta no Luisão e engana o Artur. Absolutamente inacreditável! Até final, não conseguimos criar uma única situação de perigo.

Em termos individuais, grande jogo do Matic e do Gaitán. O Enzo não esteve mal a espaços e todos os outros foram sofríveis. Pela negativa, o André Almeida (eu aceito a colocação dele a titular, mas perante o que não mostrou deveria ter saído ao intervalo) que nos fez jogar com 10 durante 90’, do Salvio (precisa desesperadamente de férias) e, principalmente do Artur. Depois dos jogos contra o CRAC na Luz, Estoril e hoje, acho que não podemos continuar a ter um guarda-redes que falha clamorosamente nos momentos decisivos. O Jesus esteve péssimo nas substituições, porque depois de tirar o Cardozo, tirou o Gaitán, que estava a ser dos melhores, já depois de estar 1-2.

Uma cidade, uma equipa e uns adeptos (14.000 cativos vendidos para a época) como os do V. Guimarães já mereciam um título relevante. Foi pena é ter sido contra nós, mas jogaram limpo, o discurso foi bom e gosto da postura do Rui Vitória. E foi tanto demérito nosso que não podemos reclamar de nada (sim, nem do golo mal validado).

Quanto a nós, teremos de fazer uma reflexão profunda acerca desta parte final da época. O que se passou não foi admissível. Depois de todo o apoio que tiveram a seguir às derrotas no estádio do CRAC e em Amesterdão, é inconcebível que os jogadores do Benfica não tenham deixado a pele em campo para oferecer esta alegria aos adeptos. Sim, Matic, éramos nós que merecíamos um título este ano. Pelo que (não) jogaram hoje (tu foste uma honrosa excepção), os jogadores do Benfica pareciam não estar muito interessados nisso. Inaceitável.

P.S. - Quanto ao empurrão do Cardozo ao Jesus no final de jogo, é óbvio que ele não pode fazer aquilo, mas foi a quente e estava de cabeça perdida. A frustração que sentia era igual à nossa e, por isso, acho que tem atenuantes. Prefiro jogadores assim, que sentem a camisola e de vez em quando explodem, do que outros para os quais ganhar ou perder é igual.

segunda-feira, maio 20, 2013

Sou do Benfica e isso m’envaidece!

Vencemos o Moreirense por 3-1, mas, tal como se previa, não conseguimos ser campeões, porque o CRAC apresentou-se muito reforçado com o Sr. Hugo Miguel em Paços de Ferreira e também triunfou. Terminamos o campeonato um ponto atrás deles numa das maiores injustiças de sempre do mundo do futebol, já que fomos durante a época claramente a melhor equipa e só uma himalaica falta de sorte fez com que fôssemos derrotados na pocilga.

Os jogadores provaram que são humanos e, depois de terrível duplo choque desta semana, fizeram uma 1ª parte muito fraca. Quantos de nós conseguimos fazer alguma coisa de jeito na semana que passou? Quem é que, sendo benfiquista, não ficou profundamente abatido? Entrámos apáticos no jogo e sofremos o 0-1 aos 43’. Como na Mata Real o Sr. Hugo Miguel conseguiu um converter um lance em que nem falta(!) há em penalty e expulsão, o estado de espírito não era o melhor.

A 2ª parte foi completamente diferente. A equipa puxou dos galões e resolveu presentear os 51.349 espectadores com uma vitória. O Cardozo iniciou e finalizou de cabeça a jogada do 1-1 aos 50’, e depois o Lima bisou aos 80’ e 90’, este de penalty claro a punir uma mão adversária. Entre o 1º e o 2º golo, o guarda-redes adversário, Ricardo Ribeiro, fez uma série de defesas que impediram que nos colocássemos em vantagem mais cedo.

A equipa fez uma exibição relativamente mediana, mas a entrada do Gaitán ao intervalo para o lugar do inoperante Ola John foi fundamental para a nossa subida na 2ª parte. O Cardozo marcou um golo, mas falhou outros dois relativamente fáceis e o Lima acabou por ser o nosso melhor marcador no campeonato com 20 golos. O tributo à magnífica temporada do Enzo Pérez, aquando da sua substituição, foi muito merecido.

Como Deus comprovadamente não existe, não houve milagre nenhum em Paços de Ferreira. Aliás, mesmo que Deus exista, para além de ser uma refinada besta sádica (o que nos aconteceu nesta semana e, principalmente, o MODO como aconteceu ultrapassa todas as fronteiras admissíveis), se premia desta forma imerecida quem é vil, corrupto, tacanho, mesquinho, asqueroso, nojento, provinciano, então é de uma inutilidade total. Se não terá sido o momento mais doloroso de uma equipa em toda a história do futebol, não sei qual será (principal competição interna e competição continental ao ar aos 92’ e em apenas quatro dias!).

Resta-nos fechar uma época que foi enormemente positiva com a conquista da Taça de Portugal no Jamor. Aliás, o público homenageou a equipa com uma longa salva de palmas no final desta partida. Independentemente do desfecho da Taça, repito mais uma vez o orgulho que eu tenho nesta equipa e em pertencer a este clube. Não trocava os nossos últimos 30 anos pelos de outros clubes. Gosto de andar de cabeça levantada na rua, tronco direito e jamais me sentiria bem com a minha consciência se festejasse títulos obtidos de maneira. Às pessoas sem escrúpulos é-lhes indiferente e provavelmente ainda lhes sabe melhor assim.

quinta-feira, maio 16, 2013

INCOMENSURÁVEL ORGULHO!

(Aviso prévio: este é um testamento ainda maior do que é habitual. Escrito com o coração, depois de 2,5h de sono e com os olhos marejados a 10.000 m de altitude.)

Perdemos com o Chelsea (1-2) na final da Liga Europa. Segundo alguém me disse, temos o indesejável recorde de sermos a equipa com mais finais europeias perdidas (sete). MAS (e as maiúsculas não são gralha) é uma terrível crueldade que seja apenas o resultado que fique para a História. Porque a história do que se passou no campo é completamente diferente: fomos melhores durante toda a partida, mostrámos mais vontade de ganhar e MERECÍAMOS ter ganho. Toda a gente reconhece isso. Desde o próprio Ramires, como amigos meus estrangeiros que me enviaram inesperadamente mensagens no final do jogo. Quem for honesto intelectualmente não pode deixar de o pensar (o que exclui imediatamente 95% de adeptos de um certo clube…). MERECÍAMOS ter ganho, estava eu a dizer, tanto os jogadores como os adeptos que, nas ruas de Amesterdão e nas bancadas do Amsterdam ArenA, deram uma demonstração inesquecível de benfiquismo e do que é AMAR um clube.

Se nós partimos para esta final na ressaca de uma derrota no antro com requintes de malvadez, o que dizer de, apenas quatro dias depois, perdermos novamente aos 92’?! Depois de uma 1ª parte completamente dominada por nós (somente com o aspecto negativo de revelarmos muita parcimónia na altura de rematar à baliza), o Chelsea adianta-se no marcador pelo Torres aos 60’, mas nós conseguimos igualar através de um penalty do grande Cardozo aos 68’. Aos 92’, quando eu vejo a bola em balão em câmara lenta na minha cabeça cabeceada pelo Ivanovic fazer um arco para dentro da nossa baliza, tive a mesma reacção que se tem ao ver um acontecimento inacreditável: fiquei estático, anestesiado, letárgico e sem querer acreditar no que estava a ver! A sério, não é possível!!! Ainda agora, 12 horas depois, custa-me a acreditar no que se passou: em somente quatro dias, nós perdemos uma final europeia e (muitíssimo provavelmente) o campeonato, de um modo mais do que injusto, através de golos no período de desconto! Nem nos nossos piores pesadelos, pensámos que isto fosse possível, muito menos em apenas quatro dias! Não me cansarei de repetir: QUATRO DIAS!!! (Por contraponto, haverá certamente muita gente vil, rasteira, baixa, reles, cuja inútil existência se alimenta somente do ódio a terceiros e que, no fundo, é um desperdício de matéria orgânica que nunca na vida terá tido um orgasmo tão bom.) Ninguém merece! NINGUÉM MERECE!!! Muito menos os bravos que estiveram em campo e os enormes bravos na bancada. A reacção dos adeptos do Benfica no final do jogo foi dos momentos em que mais orgulho tive de pertencer a esta família. Revelou GRANDEZA! Que é muito diferente de ser grande. Há quem diga que o é (grande, embora seja apenas regional), mas NUNCA na vida revelou Grandeza. E a sorte tem bafejado esses, numa demonstração clara para mim da inexistência de Deus (ou então, se Tu existes mesmo, podes ir para o raio que te parta, minha refinada besta!). E mesmo os (para aí) cinco adeptos desses clubes que se aproveitam, e não são ou escumalha ou acriticamente acéfalos, não mereceriam uma coisa destas. Quanto mais nós…!

Não tenho vergonha nenhuma de dizer que chorei no final do jogo. Não foram umas lagrimazitas, chorei mesmo. Não chorava com uma derrota do Benfica desde que os lagartos vieram ganhar à Luz na penúltima jornada da época 1985/86 oferecendo o campeonato ao CRAC. Tinha 10 anos. Mas ontem foi impossível conter-me por variadíssimas razões:
- Chorei de raiva por causa de duas injustiças seguidas do tamanho do mundo.
- Chorei, porque até poderíamos ter jogado mal e merecido perder. Porque poderíamos ter jogado assim-assim e o Chelsea ter sido mais eficaz. Mas não! Fomos melhores e fomos derrotados novamente no período de compensação!
- Chorei, porque depois de tudo o que fizemos esta época é inacreditável pensar que a poderemos terminar sem nenhum troféu ganho. (Quero acreditar que não, que a equipa vai dar a volta em termos psicológicos e derrotar o Guimarães na final da Taça).
- Chorei, por ter visto in loco o maravilhoso povo benfiquista a chegar a Amesterdão aos magotes, de todas as formas e feitios, para apoiar a equipa durante os 90’ como nunca me lembro de ter acontecido (é que não só não deve ter havido um único momento de pausa, como eu não me lembro de ter visto um jogo tantas vez de pé) e, não só a não ser recompensado com a vitória, como voltar a perder da mesma maneira de Sábado… (Já disse que ninguém merece isto?!)
- Chorei, por ver que a reacção dos jogadores no relvado assim que o árbitro apitou era igual à nossa.
- Chorei, porque nem na porra do último lance do jogo, já depois do 1-2, tivemos sorte no ressalto quando o Cardozo estava quase na cara do Cech.
- Chorei, porque se aquela final Man. Utd – Bayern da Liga dos Campeões jamais irá ser esquecida pelos adeptos do futebol, nós tivemos duas edições disso em apenas 96 horas!
- Chorei, porque sei que isto vai custar IMENSO a passar (nunca irá passar para mim…) e porque, 12 horas depois, a escrever esta crónica no avião de regresso a Lisboa, ainda tenho que fazer algumas pausas, porque o ecrã fica momentaneamente embaciado…

No entanto, podem perguntar-me se, mesmo que soubesse previamente o resultado e a forma como ele aconteceu, deixaria de fazer esta viagem? NUNCA na vida! Foi um orgulho ter estado presente num evento que fez transbordar a minha alma de benfiquismo. Para mim, o Benfica é isto! Onze jogadores em campo a dar esta vida e a outra para tentar ganhar um jogo. Nas bancadas haver um apoio incansável e os adeptos, apesar da derrota, tributarem a equipa do modo como o fizeram no final da partida. Eu não sou do Benfica, porque temos ganho muito ao longo da nossa história. Eu não quero ganhar sem olhar a meios (como outros…). A Grandeza de um clube não se mede só por vitórias. Mede-se também, e muito, no modo como se ganha e, sobretudo, como se perde. Ser magnânime é muito importante, porque isso revela a nossa condição humana e ultrapassa a fronteira estritamente desportiva (por exemplo, o facto de termos convidado para assistirem à final os dirigentes das equipas que eliminámos nesta inesquecível caminhada foi algo que me deixou tremendamente orgulhoso). O Benfica e os valores que o norteiam tornam-me uma melhor pessoa. Não tenho dúvidas nenhumas acerca disso.

Neste longo testamento, uma última palavra para os jogadores. Não vou destacar ninguém em particular. Houve uns que jogaram melhor do que outros, o que é normal. Mas estiveram TODOS à altura do acontecimento e todos honraram (e de que maneira!) o manto sagrado. E eu nunca vos peço mais do que isso. MUITO OBRIGADO a todos eles, na pessoa do grande capitão Luisão! É uma frase feita, da qual eu nem gosto muito, mas que aqui se exige: vocês são uns campeões e nunca esquecerei o quanto nos deram este ano! Pode não ser em títulos, mas em algo que, apesar de não poder ser contabilizado, é muito mais importante para mim: o facto de terem contribuído para o crescimento do (já ENORME) orgulho que eu tenho em ser benfiquista!

VIVA O BENFICA! Sempre.

P.S. – Este obrigado aos jogadores é naturalmente extensível à equipa técnica e a todos os dirigentes do Benfica que contribuíram para esta caminhada. E volto a repetir o que já disse aqui: se, por algum motivo (e quer ganhemos ou não a Taça de Portugal), o Jesus não continuar no Benfica (apesar das palavras do presidente, as declarações do próprio foram enigmáticas), será uma terrível perda para nós.

P.P.S. – Eu sou um gajo democrático e, por norma, aprovo todos os comentários. Entre seis milhões de adeptos, há espaço para muita gente. Mesmo para quem é idiota ou cega. Depois daquela demonstração de querer, categoria e crença de ontem, quem vier aqui dizer que estivemos mal, porque deveríamos ter feito isto ou aquilo, ou que o Jesus errou seja porque colocou aquele e não outro, como por dever ter optado pela táctica ‘x’ em vez da ‘y’, ou se insere na primeira categoria ou na segunda. As simple as that. É preferir olhar para um arbusto em vez de ser para a floresta inteira. Têm direito a tempo de antena, mas não esperem resposta da minha parte. Tenho mais que fazer e não quero ser batido em experiência…

domingo, maio 12, 2013

A prova definitiva da inexistência de Deus

Um golo aos 91' permitiu ao clube regional assumidamente corrupto derrotar-nos (2-1) e passar para a nossa frente no campeonato. Foi uma partida em que não jogámos para ganhar, mas também não merecíamos perder. Não deixámos o CRAC criar grandes situações de perigo e, depois de o fiscal-de-linha ter deixado passar um fora-de-jogo claro que proporcionou ao James um remate ao poste perto do final (lá teria sido mais um campeonato ganho com a conivência da equipa de arbitragem do Sr. Pedro Proença), o balde de gelo surgiu quando já ninguém esperava.Depois de uma vaca destas, que protege um clube hediondo que desonra o desporto, só um otário é que ainda pode acreditar nalgum tipo de justiça divina.

O Enzo Pérez foi o maior e, apesar de não ter havido exibições que se destacassem por aí além, a equipa foi solidária e só foi pena que não tivesse colocado mais velocidade nas transições ofensivas. Mas a temporada já vai muito longa e a fadiga de alguns jogadores esbarra no facto de não terem substitutos.

Esta desilusão vai custar MUITO a passar (pessoalmente, nunca mais me irei esquecer dela), mas acho bem que os jogadores do Benfica se mentalizem para o seguinte: uma época com as conquistas de um troféu europeu (que há mais de 50 anos não ganhamos) e de uma Taça de Portugal, é uma época brilhante.

terça-feira, maio 07, 2013

Sinal

É isto que deveria ser feito já esta semana!