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segunda-feira, novembro 23, 2009

Objectivo falhado

Perdemos em casa com o V. Guimarães (0-1) e fomos eliminados da Taça de Portugal. Um dos dois declarados objectivos de conquista da época já se foi e de uma maneira que não nos pode deixar de consciência tranquila. A atitude da equipa não foi a melhor, à semelhança de Poltava e Atenas, e o resultado esteve à vista.

É bom que os jogadores do Benfica se mentalizem que ainda não ganharam nada e até agora até estão pior que no ano passado, em que fomos eliminados da Taça nos oitavos-de-final fora e não na 4ª eliminatória em casa. Sinceramente não percebi aquela 1ª parte. Tirando uns 10’ iniciais, a apatia tomou conta da generalidade da equipa e a exibição fez recordar alguns momentos da época anterior. Sem velocidade, com futebol previsível, sem criar grandes situações de golo, a 1ª parte foi mesmo muito fraca. Para piorar as coisas, estivemos a dormir na defesa e deixámos que o V. Guimarães chegasse à vantagem aos 24’ através de um pontapé de canto.

A 2ª parte foi toda nossa, mas continuamos a sentir muito a falta do Cardozo. A eficácia do paraguaio está longe de ter seguidores na equipa e não conseguimos marcar, apesar de termos tido algumas boas oportunidades. Revelámos precipitação, pouca cabeça e também tem que se dizer que o V. Guimarães defendeu bem (com algum antijogo, mas é o futebol que temos). Acho igualmente que o Jesus demorou algum tempo nas substituições e que houve jogadores que ficaram até final e não deveriam. Mas o que esta partida fundamentalmente mostrou é que o chip do campeonato não é o mesmo nas outras competições. Os jogadores esqueceram-se que o outro grande objectivo da época era a conquista da Taça de Portugal e mais uma vez não terminaremos a época no Jamor.

Individualmente não tenho vontade de destacar ninguém. Houve jogadores que se esforçaram, mas a desinspiração foi quase geral. Pela negativa, ao invés, tenho que referir o Di María que fez provavelmente o pior jogo desde que está no Benfica. Aliás, o Aimar e o Saviola também estiveram bastantes furos abaixo do que é habitual, tornando esta uma noite horrível para os argentinos. O Ramires voltou de lesão e ainda não tem o ritmo necessário. O Fábio Coentrão esteve igualmente muito discreto e os centros não lhe saíram nada bem. O Keirrison teve uma 1ª parte razoável, mas desapareceu completamente na 2ª. Na defesa, a voz de comando do Luisão fez falta.

Com este afastamento inglório e muito precoce, espero sinceramente que a equipa se concentre na Liga Europa (claro que o campeonato é o principal objectivo). Como a final desta competição é quatro dias antes da da Taça de Portugal, acho que isto esteve no subconsciente dos jogadores. Entre uma e outra, preferem a dobradinha com uma conquista europeia. Se assim acontecer, estão perdoados.

P.S. – Por enquanto, é obrigatório que a resposta a este resultado negativo seja implacável. O 8º classificado vai ter que sofrer as consequências.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Relembrar XXIV - Tamagnini Néné

Este Senhor (o "s" maiúsculo não é inocente) faz hoje 60 anos. E 41 deles são passados no Benfica. Os números são impressionantes: 575 jogos, 362 golos (média de 0,63 / jogo), 10 campeonatos, 6 Taças de Portugal e 2 Supertaças. É a mística em pessoa. Dos 362 golos, estes três foram certamente dos mais saborosos. Muitos parabéns, Néné!



P.S. - Apesar destes números, o Néné não era, como se sabe, consensual no 3º Anel. Por vezes, nós, benfiquistas, temos destas coisas. Prestamos mais atenção aos fait-divers como "não sujar os calções" do que aos golos marcados. Que este exemplo do Néné nos sirva de ensinamento para não sermos injustos com alguns dos actuais jogadores. Deixemos os "cabelos" de lado e concentremo-nos na sua importância no plantel. A mística também passa muito por aí.

* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.

quinta-feira, novembro 19, 2009

No Mundial

Uma vitória (1-0) na Bósnia permitiu qualificarmo-nos para o Mundial da África do Sul. Seria vergonhoso se assim não acontecesse, mas não nos devemos esquecer da miserável fase de qualificação que fizemos. Com três castigados e mais o Misimovic lesionado, a Bósnia apresentou-se muito desfalcada e raramente criou perigo para a nossa baliza. Ficou mais uma vez provado que o "ambiente terrível" das bancadas não tem influência nenhuma, se os jogadores se apresentarem concentrados e mentalizados para a vitória.

Depois de um empate em casa e um triunfo no último minuto na Albânia, e três bolas no poste da Bósnia no jogo da 1ª mão, não se pode dizer que não tenhamos tido uma pontinha de sorte (não esquecendo ainda que a Dinamarca ganhou à Suécia, que estava à nossa frente) neste apuramento. Vamos ver agora como será o sorteio e o que nos estará reservado no Mundial. Não estou nada confiante. Esta selecção está cheia de equívocos (guarda-redes e defesa-esquerdo, só para dar dois exemplos) e é manifesta a falta de liderança em campo e no banco. Mas vamos lá estar e isso era o mais importante.

domingo, novembro 15, 2009

Portugal - 1 - Bósnia - 0

Vencemos a Bósnia na 1ª mão dos play-off de acesso ao Mundial num resultado muito lisonjeiro para nós. Não que não tenhamos sido a equipa que mais tentou ganhar a partida ao longo dos 90’, mas quando se apanham três(!) bolas nos postes, todas as teorias do domínio territorial e qualidade exibicional vão por água abaixo (por muito que custe ao nosso excelso seleccionador). Tivemos sorte e ponto final.

Estava com algumas saudades de ver um jogo ao vivo na Luz sem grande stress. Foi o caso. Claro que quero que a selecção se apure para o Mundial, mas esta selecção de Portugal está longe de ser “a” selecção de todos nós. O capital de empolgamento e identificação criado por Scolari foi rapidamente quebrado por este projecto de treinador que nos comanda agora. Onde antes havia alguma coerência de construção da equipa e escolha dos jogadores (concordando-se ou não com ela), agora há um Deus-dará dirigido pelo mais puro populismo. Exemplo? A convocação do Nuno Assis por causa do jogo em Guimarães e a sua não-convocação agora, e a entrada do Fábio Coentrão por estarmos em pleno Estádio da Luz, só para dar dois exemplos.

Bem, mas falemos do jogo. Dominámos durante a maior parte do tempo, fiquei contente e aplaudi o golo, até ver quem é que o tinha marcado. Aí confesso que foi mais forte do que eu e limitei-me a… ficar contente (peço desculpa, mas vestindo-lhe a camisola que se quiser, uma besta é sempre uma besta). Perto do intervalo, veio a 1ª bola ao poste num cabeceamento na pequena-área depois de um canto a que o Eduardo, naturalmente, não chegou. Na 2ª parte aproveitámos um certo adiantamento do adversário para criar algumas oportunidades, mas a maior de todas foi da Bósnia perto do fim com duas bolas nos ferros na mesma jogada. Claro que uma inacreditável substituição do Queiroz aos 88’, tirando o Simão e colocando o Hugo Almeida, ajudou a isto. Portugal ficou a jogar com dois pontas-de-lança, mudou a táctica para o losango, isto tudo estando a ganhar e faltando dois minutos para o final da partida! Claro que houve desorganização na equipa e os bósnios iam aproveitando para empatar.

O jogo na próxima 4ª feira prevê-se bastante complicado e não acho que nos consigamos qualificar sem marcar golos. Mas com este treinador tenho muito medo que estejamos com ideias de jogar para o 0-0. Vamos ver, sendo certo que somos superiores à Bósnia e que será um escândalo se não estivermos na África do Sul.

P.S.- Quanto ao que realmente interessa, o Glorioso conquistou o 5º troféu da temporada ao bater na 6ª feira o Santa Clara nos penalties (5-3) num jogo de homenagem ao Pauleta, depois de 1-1 nos 90’ Há que dizer que tivemos bastante sorte na partida, já que só a aselhice dos jogadores adversários lhes retirou a vitória. Contei pelo menos cinco oportunidades de avançado contra o guarda-redes que eles falharam. Em relação aos jogadores, alinhámos com uma equipa bastante secundária, mas mesmo assim gostei do Urreta enquanto teve pilhas, do golão do Keirrison e de alguns movimentos do Nuno Gomes. Todos os outros ou desaproveitaram a oportunidade ou não sobressaíram dos demais.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Porquê, Enke?



É preciso ter ao mesmo tempo uma grande coragem e uma grande cobardia para cometer suicídio. Seja como for, os motivos que o levaram a tal acto foram certamente muito fortes. Foi, provavelmente, o melhor guarda-redes não estratosférico que vi no Benfica (Bento e Preud'homme à parte, claro). Deixou saudades não só pela sua qualidade futebolística, mas pela sua personalidade. Descansa em paz, Robert Enke (24/8/1977 - 10/11/2009).

terça-feira, novembro 10, 2009

A ferríssimos

Ganhámos à Naval (1-0) e, com as derrotas do Braga e CRAC e o empate dos lagartos, voltámos ao 1º lugar ex-aequo com o Braga, conquistando um total de oito pontos aos rivais mais directos. Foi uma vitória muito sofrida, por motivos diferentes do que eu previ aqui. O Sr. Lucílio Baptista não foi o grande adversário da noite, e quem chegasse agora a Portugal até poderia pensar que era um bom árbitro, mas o Peiser, guarda-redes da Naval. Fez uma exibição que lembrou a do Peçanha na 1ª jornada. O homem defendeu tudo e mais alguma coisa e só uma cabeçada do Javi García aos 88’ é que nos deu o triunfo.

Tal como escrevi na Tertúlia, se formos campeões no final da época, um dos momentos marcantes será esta partida. Era uma oportunidade, quiçá única, de ganharmos pontos a três concorrentes directos e o modo como foi obtida só nos pode fazer acreditar cada vez mais que é possível quebrarmos o jejum de quatro anos. Foi acima de tudo uma vitória do querer, da raça, da ambição e de uma equipa que nunca desiste. Sem o Ramires e, principalmente, o Cardozo, substituídos pelo Rúben Amorim e o Nuno Gomes, o Benfica entrou bem na partida, mas o que não estava no programa era apanharmos pela frente um guarda-redes tão inspirado. Fez pelo menos quatro defesas fabulosas na 1ª parte. Não se pode dizer que não tenhamos sentido a falta daqueles dois titulares indiscutíveis, mas mesmo assim jogámos bem perante uma Naval que não trouxe o autocarro, mas dois camiões-tir. Foi uma partida massacrante, num só sentido e de extremo desgaste para nós, que ainda por cima vínhamos de uma jornada europeia a meio da semana. Para além do Peiser, lá tivemos a providencial bola no poste perto do intervalo pelo Saviola.

Na 2ª parte, e com a Naval a fechar-se cada vez mais, não tivemos tantas oportunidades como na 1ª. Mesmo assim, o Nuno Gomes falhou incrivelmente uma recarga a um remate do Javi García e o Di María fez um fantástico remate que o guarda-redes desviou para o poste. A 2’ do fim fez-se justiça com uma óptima cabeçada do nº 6. De modo incrível, ainda permitimos à Naval ter uma grande oportunidade que uma certa estrelinha da nossa parte (mas também tínhamos direito depois de todo o azar no resto do jogo) desviou da baliza.

Antes dos destaques individuais, queria deixar aqui uma palavra à Naval. É certo que defenderam durante os 90’ com dois camiões-tir, mas fizeram um jogo honesto, sem simular lesões nem queimar tempo da maneira vergonhosa que fez, por exemplo, o Marítimo na 1ª jornada. Tal como disse o Jesus na conferência de imprensa, a Naval assumiu a superioridade do Benfica e fez o jogo possível. Não foi bonito para o espectáculo, mas ia sendo eficaz. Agora, tenho curiosidade de ver se esta mesma Naval vai jogar assim noutros campos, ou se vai abrir a perninha a certas equipas.

Em termos individuais, há que destacar obviamente o Javi García. Fez uma partida soberba, sem cometer (ao que me lembre) uma única falta (ele que estava tapado para Alvalade) e ainda participou imenso no jogo ofensivo. Um livre muito bem marcado, um remate perigoso e um golo revelaram que, para além de um fabuloso médio-defensivo, temos um óptimo médio-centro. Também gostei imenso do Fábio Coentrão outra vez a defesa-esquerdo. Muito bem a defender (igualmente tapado por amarelos) e a subir constantemente pela esquerda para ajudar o Di María. Este ressentiu-se um pouco na 2ª parte do esforço em Liverpool, tal como o Saviola, mas foi dele o cruzamento para o golo. O Rúben Amorim fez igualmente uma boa partida a médio-direito e o Maxi melhorou muito na 2ª parte. O Nuno Gomes é sempre esforçado, mas não pode falhar um golo daqueles na 2ª parte. O lance na 1ª pareceu-me no estádio um falhanço escandaloso, mas visto na repetição há muito mérito do defesa que não lhe permitiu ter espaço para o remate. E lamento ter que dizer isto, até parece perseguição mas não é porque eu respeito todos os jogadores do Benfica, principalmente aqueles que já foram campeões, mas em relação à grande oportunidade da Naval no final da partida, o que eu vi foi o seguinte: de um sítio muito semelhante, o guarda-redes da Naval conseguiu evitar um autogolo com uma estirada plena de reflexos; o Quim nem se mexeu num remate de um adversário. Não estou a dizer que iria defender a bola, mas se não se lançar a ela é que não a defende de certeza.

Uma vitória mais que justa perante a nossa besta negra (é incrível como temos tido tantas dificuldades em ganhar à Naval: três empates nos três primeiros jogos e só duas vitórias por mais de um golo de diferença em oito partidas) permite-nos encarar com outro espírito mais uma paragem do campeonato, agora por duas semanas para a selecção e a Taça de Portugal. O que lamento, porque adoraria ir já ao WC na próxima semana…

sexta-feira, novembro 06, 2009

Inquestionável

Vencemos o Everton em Liverpool (2-0) e colocámo-nos em muita boa posição para passarmos aos 1/16 avos de final da Liga Europa, até porque houve um empate entre o AEK e o Bate Borisov. Precisamos apenas de mais um ponto nos dois jogos que faltam para nos qualificarmos. Parece-me cada vez mais claro que o maior adversário do Benfica este ano vão ser os Srs. Jorge Sousas que se nos atravessam no caminho, já que quando temos arbitragens honestas acabamos por ganhar mesmo jogos mais equilibrados.

Não sendo uma partida decisiva no apuramento, era no entanto muito importante em termos anímicos. Era fundamental a equipa dar uma resposta cabal ao resultado negativo do passado sábado e mostrar ao sistema que vai ter que corromper e roubar muito para nos parar. É algo que não cessa de me espantar este ano: respondemos sempre muito bem a qualquer resultado menos bom. E para o do passado sábado muito contribuíram factores externos, já que a nossa exibição não foi assim tão má.

Perante um Everton que, não me canso de repetir, ficou em 5º lugar no campeonato inglês do ano passado e que jogava em casa, demonstrámos uma personalidade imensa, classe e perfeita noção do que tínhamos que fazer para os neutralizar. Como se esperava, o Aimar ficou no banco e jogámos com o Javi García e o Ramires no meio, o Sidnei a central e o David Luiz na esquerda. As despesas do ataque eram do Di María, Fábio Coentrão, Saviola e Cardozo. A 1ª parte foi equilibrada, mas fomos nós que criámos mais perigo, incluindo uma bola ao poste pelo Cardozo seguida de um bom remate do Saviola superiormente defendido pelo Tim Howard. Perto do intervalo tivemos uma péssima notícia com a lesão muscular do Ramires, que espero seja recuperável a tempo de Alvalade. Ainda por cima, o brasileiro estava a ser dos melhores. Entrou o Maxi para lateral-direito e Amorim subiu para o meio-campo.

A 2ª parte foi um festival. O Everton deixou praticamente de criar perigo, enquanto nós tivemos muito cedo duas boas ocasiões pelo Di María. Aos 60’ o Jorge Jesus decidiu que estava na altura de ganhar o jogo e lançou o Aimar. Foi a estocada final. Se até aí tínhamos espaço para atacar, depois da entrada do argentino ficámos com alguém que sabia muito bem o que fazer com esse espaço. Aos 63’ uma boa combinação entre o Di María e o Saviola permitiu a este último inaugurar o marcador. A 15’ do fim a vitória ficou assegurada com um golo do Cardozo (em ligeira posição de fora-de-jogo) depois de um remate do Amorim desviado por um defesa. Muito perto do fim, num lance que me pareceu claríssimo fora-de-jogo, o Júlio César fez uma defesa magistral num remate isolado de um jogador do Everton na sequência de um canto. Foi daqueles lances de golo certo que o guarda-redes salva, algo que infelizmente não estou habituado a ver no Benfica nos últimos tempos.

Individualmente há que destacar o trio de argentinos (Di María, Saviola e Aimar) que fizeram a cabeça em água aos ingleses. O Javi García esteve imperial como sempre e gostei igualmente do Sidnei, que não pareceu que não tem jogado muito este ano. O Luisão é cada vez mais um pilar de toda a equipa e, que me lembre, só foi batido uma vez ao longo da partida. O Cardozo lá marcou o golito do costume e o Amorim subiu de produção quando foi para o meio-campo. Voltei a gostar da segurança do Júlio César.

O prestígio europeu do Benfica, que ficou um pouco abalado depois da vergonhosa campanha da época passada, está a ser recuperado, o que só nos deve encher de orgulho. Desde o jogo na Ucrânia frente ao Shakhtar há quase dois anos que não ganhávamos fora na Europa, malapata essa que foi agora quebrada em grande estilo. Por outro lado, uma boa campanha europeia é fundamental para que na próxima época, se formos à Champions, fiquemos no pote 2. Quanto aos jogos que faltam, era conveniente selarmos já o apuramento na Bielorrússia, para que na partida frente ao AEK Atenas utilizemos os suplentes. É que apenas três dias depois desta recebemos o CRAC na jornada antes do interregno do campeonato para o Natal.

domingo, novembro 01, 2009

Uma VERGONHA

Perdemos em Braga (0-2) num jogo em que o Sr. Jorge Sousa foi preponderante para a vitória bracarense. Como me comentava o meu pai, como é que é possível que em apenas nove jornadas esta seja a 2ª vez que este LADRÃO nos apita? Não há mais árbitros na 1ª categoria? A resposta foi dada em campo.

Entrámos muito mal na partida e sofremos um golo logo aos 7’ num livre lateral do Hugo Viana em que o Quim tem uma movimentação digna de um iniciado. Aquele livre nunca pode ser golo! O nosso guarda-redes dá dois passos laterais na direcção do poste que supostamente está coberto pela barreira e deixa o outro completamente livre. Ou seja, parecia que estava a defender um penalty, ao escolher um dos lados. Respondemos muitíssimo bem e tivemos bastantes oportunidades para empatar, o que conseguiríamos através do Luisão não fosse a providencial intervenção do Sr. Jorge Sousa. O Braga jogou os primeiros 10’ e depois montou o autocarro, fazendo só dois ou três contra-ataques no resto da 1ª parte.

No intervalo, o Sr. Jorge Sousa aproveitou uma discussão colectiva para expulsar o Cardozo e um defesa-central deles. Como é óbvio, o nosso avançado fez muito mais falta e ficará certamente de fora em Alvalade. Mais uma encomenda entregue. Na 2ª parte, para mim o Jesus comete um erro ao fazer entrar o Keirrison logo aos 54’. O Weldon e o Nuno Gomes, para além de terem muito mais experiência para jogos destes, não vinham de lesões. Mesmo com o seu sub-rendimento, tivemos algumas ocasiões não aproveitadas e num contra-ataque a sensivelmente 10’ do fim, o Braga matou o jogo. Até final ainda tentámos não ficar em branco, mas a pontaria não estava afinada.

Individualmente voltei a gostar do Fábio Coentrão a defesa-esquerdo, não se atemorizando com um cartão amarelo logo aos 6’ no livre que deu origem ao 1º golo. Os centrais também não estiveram mal e o Saviola fez uma boa 1ª parte (era escusada a simulação para tentar ganhar um penalty). O Ramires e o Di María não estiveram ao seu nível e o próprio Aimar teve dificuldade em libertar-se da marcação. E, lamento dizê-lo, ainda estou à espera de ver o Quim fazer uma daquelas defesas impossíveis. Mas mesmo assim fomos de longe a melhor equipa, a que teve mais oportunidades e a que, pelo menos, não perderia se a partida não tivesse sido condicionada por um LADRÃO travestido de árbitro.

Resumindo: anulou um golo limpo do Luisão e não quis marcar um braço descarado do defesa-esquerdo dentro da área na 2ª parte. Para além disto, aproveitou para afastar o nosso melhor marcador dos próximos jogos num lance de confusão colectiva. É com pena que digo que isto só vai ao sítio quando um dia um tipo destes não chegar inteiro a casa. Infelizmente é o país que temos, em que a justiça não funciona e o sentimento de impunidade destes LADRÕES é enorme. Esta partida foi paradigmática: quando o jogo é equilibrado, é bastante mais fácil ser o árbitro a decidi-lo. Por mim, só me resta agradecer o facto de não viver na mesma cidade que este LADRÃO. Se se atravessasse à frente do meu carro, correria o sério risco de confundir o travão com o acelerador...

P.S. – Como é que nós pudemos acreditar que à 9ª jornada nos deixariam estar cinco pontos à frente do CRAC? O que não estava no programa era mesmo o empate deles em casa com o Belém. Caso contrário, já estariam colados a nós.

terça-feira, outubro 27, 2009

No céu

Goleámos o Nacional (6-1) e, com o empate do Braga em Vila do Conde, chegámos finalmente ao 1º lugar, embora em igualdade pontual com eles. A diferença de golos é obviamente a nosso favor (30-5 vs. 13-4). Começam-me a faltar os adjectivos para descrever as exibições do Glorioso. Estamos a jogar como nunca me lembro e os nossos adversários devem estar a ficar seriamente preocupados.

Gostei bastante do jogo na 1ª parte. O Nacional é uma boa equipa e criou-nos inúmeros problemas nesse período. Não entrámos com a velocidade e a pressão do costume muito por mérito deles. Mesmo assim chegámos à vantagem aos 16’ pelo inevitável Cardozo na sequência de um centro do Fábio Coentrão desmarcado genialmente pelo Aimar. O mais difícil estava feito, só que o que não estava no programa era a entrada na partida do Sr. Vasco Santos e dos seus fiscais-de-linha. O Sr. Alexandre Freitas não quis ver um indiscutível fora-de-jogo e o Nacional empatou. Pouco depois, e num lance semelhante, o fiscal-de-linha do outro lado já viu e anulou-nos um golo ao Saviola. O argentino está ligeirissimamente adiantado, mas louve-se a coerência: as decisões foram sempre contra nós. Por estas condicionantes todas era muito importante chegar ao intervalo em vantagem, o que conseguimos aos 39’ em mais uma assistência do Coentrão para a cabeça do Saviola.

A 2ª parte foi demolidora da nossa parte, à semelhança da partida frente ao Everton. O Aimar ganhou um penalty logo aos 48’ naquela que foi a única decisão importante que nos beneficiou. Não foi falta, já que o argentino é que provocou a queda. O Cardozo marcou o penalty em força e quase para meio da baliza. O Nacional mal passava do meio-campo e notou-se a quebra física deles para causa do jogo na Liga Europa. Nós continuámos, como sempre, a atentar marcar mais golos, o que aconteceu novamente aos 63’ pelo Saviola. O Nacional protestou uma falta não assinalada no início do lance, o que até poderá ter acontecido, mas equiparar este lance a um penalty ou fora-de-jogo mal assinalado é desonestidade intelectual. Quanto mais não fosse, porque houve outro erro grave contra nós: fora-de-jogo mal assinalado ao Aimar num lance que resultou em golo. Daqui a bocado estamos a discutir lançamentos laterais... Até final, ainda houve duas expulsões contra eles, por derrube a jogadores nossos que ficariam isolados, e conseguimos marcar mais dois golos: o da ordem pelo Nuno Gomes e mais um penalty do Cardozo.

Individualmente destaco o jogo do Fábio Coentrão a defesa-esquerdo (o César Peixoto lesionou-se no aquecimento) e naturalmente o Cardozo por mais um hat-trick. O paraguaio sozinho tem mais golos marcados que 11(!) equipas da I Liga, onde se incluem os lagartos! E tem apenas menos um que outras duas. O Di María e o Ramires estiveram menos vistoso que na passada 5ª feira, mas mesmo assim as exibições foram positivas. O Saviola é um excelente complemento ao Cardozo e só as suas tabelinhas com o Aimar fazem valer o preço do bilhete. A defesa esteve sóbria e também em alto nível.

47.011 pessoas num jogo numa 2ª feira é noite é algo que só nós conseguimos. No próximo sábado espera-se novamente apoio maciço em Braga, numa partida muito importante, já que se ganharmos vamos colocar muita gente (ainda mais) preocupada connosco. Primeiro era só a pré-época, depois os adversários eram acessíveis, agora ganhamos e goleamos o Everton e o Nacional, mas como estamos sempre em teste, é fundamental uma vitória em Braga. Até para colocar todos os outros definitivamente em sentido.

sexta-feira, outubro 23, 2009

De gala

Goleámos o Everton por 5-0 e fizemos história: foi, a fazer fé no que ouvi na rádio, a nossa maior vitória de sempre na Taça Uefa / Liga Europa e a maior derrota europeia do 5º classificado do campeonato inglês do ano passado. Eu vou repetir: depois do Manchester United, Liverpool, Chelsea e Arsenal, ficaram estes senhores. “Equipa de segundo plano”? Pois, pois…

Estava quase tentado a escrever um post só com o resultado do jogo. É difícil manter a racionalidade quando estamos a jogar da maneira que estamos. Eu já sei que só defrontámos equipazinhas de segundo plano até agora, mas se as coisas correrem bem e ganharmos títulos no fim da época, será que vão continuar a dizer que “faltou um teste a sério” ao Benfica? É que já oiço esta conversa há muito tempo. Como se ganhar em Guimarães, Leiria e golear o Everton (só para referir alguns casos) fossem as coisas mais fáceis do mundo…

Entrámos bem na partida e o Luisão teve duas boas oportunidades para marcar na sequência de dois lances de bola parada, mas foi o Saviola a fazê-lo aos 13’ com um golão depois de um centro do Di María. A 1ª parte foi muito dividida sem grandes oportunidades para qualquer das equipas. Gostei de ver a forma como o Benfica soube posicionar-se em campo não dando grandes espaços aos ingleses e adoptando um ritmo mais baixo do que é habitual. Nem todos os jogos podem ter um ritmo frenético e há que saber jogar-se das duas maneiras.

Ao invés, o início da 2ª parte foi alucinante. Foi dos melhores períodos de sempre desde que vejo o Benfica. Em sete minutos, repito, s-e-t-e m-i-n-u-t-o-s marcámos três golos! Cardozo aos 46’ e 47’ (assistências do Saviola e Di María, respectivamente) e Luisão de canto aos 52’. Para além disso, o nº 20 atirou com estrondo à barra pouco depois. O Everton deixou de saber de que terra é que era e nós abrandámos o ritmo, mas não deixámos de ter a baliza contrária em vista. Com a partida decidida tão cedo, ainda deu para fazer descansar o Aimar, entrando o Carlos Martins, e o Cardozo, entrando o Fábio Coentrão. Possivelmente ao perceber que iria ser substituído pelo Weldon, o Saviola não quis ficar atrás do seu companheiro de ataque e marcou o 5º golo aos 84’, novamente assistido pelo Di María.

Em termos individuais, é impossível não se destacar o Di María. Três assistências para golo, uma bola à barra e toda a partida em excesso de velocidade fazem dele um dos homens do jogo. O outro é indiscutivelmente esse “velho” que veio cá para a “reforma” chamado Saviola (um homem de visão, este). Dois golos e uma assistência provam-no. O Luisão esteve mais uma vez imperial na defesa, ainda com a mais-valia de ter marcado. Gostei igualmente da atenção do Júlio César nas ocasiões em que teve que sair da baliza e na sua autoridade nos lances aéreos. O Ruben Amorim foi a novidade em vez do Maxi Pereira e o melhor que tenho a dizer dele é que não dei pela diferença. O Ramires esteve menos vistoso que em partidas em anteriores, mas só em termos atacantes. A sua acção no meio-campo foi fundamental. Assim como o posicionamento, a inteligência e a percepção do jogo que tem esse Grande jogador (o “g” maiúsculo é propositado) chamado Javi García. Ou muito me engano ou estes dois foram duas pechinchas.

Com a vitória do Bate Borisov sobre o AEK Atenas, ficámos em 1º lugar do grupo em igualdade pontual com o Everton (óbvia vantagem no confronto directo) e com os outros dois a três pontos. Era fundamental que chegássemos à última jornada com o apuramento já garantido, porque o jogo com o AEK é apenas três dias antes de receber o CRAC e convinha ter a equipa principal fresca para essa batalha. Um passo muito importante para isso seria ganhar em Liverpool daqui a 15 dias. E importante igualmente para o nosso ego, já que há quase dois anos que não vencemos fora para as competições europeias. Está na altura de quebrar (em grande) esse enguiço!

sábado, outubro 17, 2009

Goleada na Taça

Vencemos o Monsanto em Torres Novas (6-0) e qualificámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Por causa dos jogos das selecções e da Liga Europa na próxima semana, alinhámos com uma equipa sem vários titulares, mas a boa atitude manteve-se e a vitória foi incontestável.

O 1º golo só surgiu aos 29’ numa boa iniciativa do Felipe Menezes culminada com um remate de fora da área. Até então o Monsanto tinha dado boa réplica, especialmente em termos defensivos, reduzindo-nos os espaços e aproveitando-se da pouca velocidade com que jogávamos. Não criaram perigo para a baliza do Moreira, mas também não nos deixaram ter grandes situações para marcar.

Na 2ª parte tudo foi diferente, porque nós passámos a jogar com mais velocidade e as pernas deles começaram a ceder. O 2-0 pelo Carlos Martins logo aos 46’ colocou-nos a salvo de qualquer imprevisto que uma vantagem mínima sempre traz e a partir daí controlámos a partida tentando sempre marcar mais, uma imagem de marca do Benfica deste ano (e que recupera a tradição gloriosa do nosso clube). O Carlos Martins bisou, o Saviola (entretanto entrado) é o 1º jogador a marcar em todas as competições oficiais em que participamos e tivemos a estreia do César Peixoto (bom livre), e do Fábio Coentrão (até que enfim!) a marcar com a nossa camisola.

Gostei da equipa na generalidade, porque apesar de não termos entrado tão pressionantes como é habitual, tivemos uma atitude séria e de respeito para com o adversário e o público. Podem sempre argumentar que defrontámos uma equipa de um escalão inferior, mas não é preciso recuar muito para verificar em que anos anteriores estes jogos significavam bastantes vezes exibições sofríveis e vitórias muito suadas. Individualmente destaco a boa 1ª parte do Felipe Menezes, a manutenção da veia goleadora do Carlos Martins, mais um bom jogo do Coentrão (abrilhantado pela sua estreia a marcar) e a sempre saudada entrada do Mantorras.

Na próxima 5ª feira, teremos uma partida importantíssima e obviamente bastante mais difícil do que a de hoje. Voltarão os habituais titulares e é fundamental ganharmos em casa ao Everton para darmos um passo importante para a qualificação para os 1/16 avos de final da Liga Europa. Eu sei que a prioridade é o campeonato, mas o prestígio internacional do nosso clube obriga-nos a, pelo menos, ultrapassar a fase de grupos.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Portugal - 4 - Malta - 0

Com o expectável triunfo sobre a selecção maltesa, apurámo-nos para o play-off de acesso ao Mundial. Na próxima 2ª feira saberemos quem nos calhará em sorte: Irlanda, Ucrânia, Bósnia ou Eslovénia. Se eu pudesse escolher, sairia esta última. Depois de uma fase de apuramento vergonhosa em que nos deveríamos ter qualificado em 1º lugar, vamos ter que fazer mais dois jogos adicionais. Espero obviamente que Portugal possa estar presente na África do Sul.

A partida de ontem não teve muita história. A superioridade da selecção portuguesa nunca esteve em causa e, com o 1º golo a surgir cedo e o 2º mesmo antes do intervalo, a ansiedade não se sentiu. Individualmente, o Nani foi dos melhores e o Simão marcou mais um golito. Tive pena que o Nuno Gomes não tivesse entrado, porque certamente acrescentaria mais um golo à sua conta pessoal. Mas, se calhar, há alguém que não quer que isso aconteça.

Nas outras partidas em que tivemos jogadores presentes, o escaldante Uruguai - Argentina permitiu à alviceleste apurar-se directamente (ganhou 1-0) remetendo os uruguaios ao play-off de acesso com a Costa Rica. Conto que o Maxi Pereira acompanhe o Aimar, Di María e (espero) Saviola ao Mundial. O Luisão e o Ramires também já lá estão e teremos uma das maiores (senão mesmo a maior) representações de sempre de jogadores do nosso clube nesta competição.

domingo, outubro 11, 2009

Portugal – 3 – Hungria – 0

Lá cumprimos a nossa obrigação e vencemos os coxos dos húngaros no penúltimo jogo de qualificação. Como os dinamarqueses foram nossos amigos e ganharam aos suecos (1-0), conseguimos chegar ao 2º lugar que dá acesso aos play-off. É impensável que não vençamos Malta na próxima 4ª feira e portanto iremos disputar, com o estatuto de cabeças-de-série, a presença no Mundial com uma selecção que estará teoricamente ao nosso alcance.

Para quem está habituado a ver o Benfica jogar este ano naquele palco, não deixou de ser confrangedor verificar a qualidade(?) exibicional da nossa selecção. Nunca esteve em causa a superioridade de Portugal perante uma equipa húngara que apenas queria não perder por muitos, mas mesmo assim manifestámos um nervosismo incompreensível que só acabou quando marcámos o 2º golo.

O Simão lá me deu a alegria de marcar por duas vezes no Estádio da Luz, mantendo velhos hábitos, apesar de não ter feito uma exibição por aí além. O C. Ronaldo só jogou meia-hora, ainda participou no 1º golo, e se eu fosse adepto do Real Madrid estaria fulo, porque agravou naturalmente a lesão e agora estará um mês fora dos relvados, estando inclusive em dúvida para os play-off. Gostei bastante do Pedro Mendes, mas claro está que na próxima 4ª lá jogará o Pepe para que o caceteiro-mor do CRAC mantenha o lugar na defesa. Temos dois problemas gravíssimos na equipa que ou serão resolvidos rapidamente ou então não iremos a lado nenhum: não temos guarda-redes (aquela saída do Eduardo no final da 1ª parte é inacreditável e tivemos sorte de a bola bater no poste) e o Duda como defesa-esquerdo é uma anedota. Aliás, os próprios húngaros confundiram-nos como um jogador deles e resolveram devolver-lhe a bola depois de ele ter feito um grande disparate, o que lhe permitiu realizar a única acção positiva em toda a partida e fazer a assistência para o 3-0.

Aguardemos por 4ª feira e depois pelo sorteio dos play-off, mas aqueles cinco minutos finais em que, com 3-0, resolvemos andar a trocar a bola entre os defesas e o meio-campo (se lá estivesse o Jesus, eles iriam ouvir das boas) diz tudo acerca da valia do Carlos Queiroz como treinador. Medroso.

P.S. – Um grande bem-haja a quem de direito (Deus, Manchester ou outra entidade qualquer) que fez com que este projecto de treinador não viesse para o Glorioso na época passada…

terça-feira, outubro 06, 2009

Regresso ao habitual

Vencemos em Paços de Ferreira (3-1) e recolocámo-nos no 2º lugar a dois pontos do Braga. Com o empate dos lagartos em casa frente ao Belenenses, temo-los agora a oito pontos de distância. Foi um triunfo importantíssimo, especialmente depois do jogo na Grécia e levando em consideração que, para além de Paços de Ferreira não ser um terreno fácil, alinhámos sem três titulares indiscutíveis (Aimar, Di María e Maxi Pereira) que tiveram que ir para as respectivas selecções.

Só que este ano estamos mesmo diferentes. O Jorge Jesus disse na conferência de imprensa antes da partida que o Benfica tinha que ter agressividade e atitude se quisesse ganhar o jogo, e foi exactamente isso que se viu em campo. Com os condicionalismos todos, de certeza que os nossos adversários estavam sedentos de pelo menos um empatezinho nesta deslocação, o problema é que nós entrámos em campo “à Benfica”. Marcámos logo aos 3’ pelo David Luiz na sequência de um canto muito bem marcado pelo Carlos Martins que substituiu, com distinção, o Aimar. Ao invés de baixarmos a guarda com a vantagem no marcador, o Benfica deste ano tenta sempre mais golos. Continuámos a jogar muito bem e a criar oportunidades (Saviola e Cardozo viram o guarda-redes Cássio negar-lhes o golo) e chegámos ao 2-0 aos 21’ num fantástico remate fora da área do Carlos Martins. O jogo estava a ser bom, porque o Paços também tentava ripostar. A 5’ do intervalo o Sr. João Ferreira transforma um vermelho directo num amarelo, por derrube ao Saviola quando ficaria isolado. Felizmente temos no plantel alguém como o Cardozo que chamou a este livre um figo. Golaço do meio da rua! Fomos para o intervalo com uma boa vantagem, que se veio a revelar decisiva para o resultado final.

Na 2ª parte, baixámos claramente o ritmo. Estava a chover, tínhamos tido o jogo na 5ª e o próprio Jorge Jesus disse que já sabia que isso ia acontecer. Daí que tenhamos entrado tão fortes no 1º tempo, para termos margem para um pouco de ronha no 2º. Num passado não muito recente, teria acontecido exactamente o contrário e provavelmente não ganharíamos o jogo. A contribuir para a baixa de rendimento esteve igualmente a substituição por lesão do Carlos Martins pelo Felipe Menezes. O jovem brasileiro mostrou que ainda está no seu processo de adaptação ao futebol europeu e não conseguiu fazer tão bem a posse de bola como o Carlos Martins. Mas também o resto da equipa não ajudou. A bola deixou de chegar jogável aos dois avançados e nós não conseguíamos igualmente mantê-la longe da nossa baliza. O Paços foi criando algumas oportunidades e foi sem surpresa que reduziu a vantagem aos 68’. Logo de seguida, o Jorge Jesus tirou o Rúben Amorim que já tinha um amarelo e colocou o César Peixoto, desviando o Ramires para defesa-direito. O Paços ainda criou mais uma oportunidade através do Cristiano, mas depois conseguimos finalmente controlar melhor a partida e não permitir ao adversário acercar-se tanto da nossa baliza. E o encontro terminou sem que a nossa vitória estivesse minimamente em causa.

Individualmente gostei muito do Carlos Martins, que só jogou a 1ª parte, mas foi fundamental na nossa vitória: uma assistência e um golo, para além de uma série de bons passes a desmarcar os companheiros. O Cardozo e o Saviola estiveram igualmente bem na 1ª parte, destacando-se obviamente o golão do paraguaio. Os centrais estiveram imperiais e ainda por cima o David Luiz abriu o marcador. O Ramires não sabe jogar mal, mas não foi tão decisivo como em partidas anteriores, assim como Javi García. Acho que se notou bem o excesso de jogos e o consequente cansaço. O Shaffer voltou à esquerda, mas não gostei tanto dele como noutros jogos. De qualquer maneira, esteve bem a defender.

O campeonato vai parar agora três semanas por causa das selecções e da Taça de Portugal. E também por isso era importantíssimo manter a pressão sobre o Braga e os rivais atrás de nós. Por outro lado, era uma dupla oportunidade: dar resposta àqueles que estavam à espera que um resultado negativo na Europa tivesse reflexos no campeonato e mostrar que não estamos assim tão dependentes de dois ou três jogadores. Tudo isso foi conseguido e com especial brilhantismo na 1ª parte.

A tendência passada de alternar bons jogos com péssimas exibições parece estar arredada de vez este ano. Talvez por isso se perceba o crescente nervosismo dos adversários, que raramente fazem alguma declaração pública sem falar de nós. Do presidente do CRAC já nem falo, a natureza há-de fazer o seu trabalho espero que proximamente. Agora, do presidente dos lagartos não estava nada à espera daquelas declarações canalhas. Se pensasse mais no seu clube e menos em nós, talvez a época não lhe estivesse a correr como está. A mesquinhez e inveja são sentimentos muito feios.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Desprestigiante

Perdemos em Atenas frente ao AEK (0-1) na 2ª jornada da Liga Europa. Foi uma derrota inglória perante um adversário notoriamente mais fraco do que nós e que, ainda por cima, vinha de resultados péssimos no campeonato grego. Descemos para o 3º lugar do grupo e estamos a três pontos do Everton. Este desaire ficou a dever-se principalmente a uma atitude diferente (para pior) da que a equipa vem exibindo internamente. O que não se compreende. É óbvio que o principal objectivo é o campeonato, mas as competições europeias são muito importantes para o prestígio do clube. É bom que os jogadores ponham de vez isso na cabeça. Já é a 2ª vez que a equipa revela uma deficiente atitude em jogos europeus fora de casa.

No entanto, até entrámos bem na partida. O AEK mostrou ter muito respeito por nós e poderíamos ter marcado relativamente cedo, quando um remate do Di María embateu com estrondo no poste. A nossa superioridade era evidente, só que inexplicavelmente depois desse lance começámos a baixar o ritmo da partida e a dar oportunidade ao AEK de subir no terreno. E isto sem estarmos na frente do marcador. Sinceramente, não percebi... Pouco antes do intervalo sofremos o golo na sequência de um canto, em que os dois centrais (Luisão e David Luiz) não ficaram isentos de culpas.

Como era expectável, a 2ª parte foi melhor, mas aí entrou em acção o guarda-redes adversário, que defendeu quatro(!) bolas de golo. Di María, Saviola, Cardozo de livre e Fábio Coentrão teriam festejado golos se não fosse um tal de Sebastián Saja. As substituições que foram feitas também não correram particularmente bem, já que o Coentrão não esteve tão inspirado como em partidas anteriores e o Weldon demonstrou claramente falta de ritmo. Os gregos defenderam-se bem e mantiveram a vantagem até final.

Individualmente só o Di María esteve perto do seu nível. O Luisão também teria feito um bom jogo, se não estivesse ligado ao lance do golo. Muito abaixo do que já nos habituou esteve o Ramires, que acabou a lateral-direito, mas que me pareceu fatigado durante boa parte da partida. O Aimar e Saviola também não estiveram nada inspirados e, quando assim acontece, é-nos difícil conseguir fluidez no jogo atacante. O Javi García esteve discreto e o Cardozo evidenciou pontaria desafinada, com excepção do tal livre. Mas principalmente, e não é para bater no ceguinho, continuo a não perceber a insistência do César Peixoto a lateral-esquerdo. Foi dos piores jogadores da equipa. Acho que é uma posição em que poderia haver mais rotatividade, já que ele jogou no Sábado e o Shaffer estaria de certeza mais fresco. Também não entendi a entrada tão cedo do Weldon em vez do Nuno Gomes, já que se estava mesmo a ver que não vinha com o ritmo ideal depois de uma lesão. O guarda-redes Júlio César não me parece uma mais-valia em relação aos outros dois. Tem qualidade, mas mostra o mesmo problema dos outros nos cruzamentos.

E, pronto, segundo jogo fora nas competições europeias, segunda derrota. Há quase dois anos (desde o Shakhtar Donetsk) que não vencemos fora na Europa, tendência que espero que possamos inverter ainda esta época. Era importantíssimo termos conseguido pelo menos pontuar por duas razões: os próximos dois jogos são contra o Everton e as duas últimas jornadas são em dias próximos dos dois clássicos. Se já estivéssemos qualificados, poderíamos fazer melhor a gestão do plantel. No duplo confronto com os ingleses, precisamos de somar pelo menos quatro pontos se quisermos ter aspirações ao 1º lugar do grupo. É claro que o mais importante é assegurar a qualificação, mas, por um lado, somos a equipa com melhor ranking e, por outro, ficando em 1º defrontaremos teoricamente adversários mais acessíveis nos 1/16 avos-de-final.