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terça-feira, outubro 27, 2009

No céu

Goleámos o Nacional (6-1) e, com o empate do Braga em Vila do Conde, chegámos finalmente ao 1º lugar, embora em igualdade pontual com eles. A diferença de golos é obviamente a nosso favor (30-5 vs. 13-4). Começam-me a faltar os adjectivos para descrever as exibições do Glorioso. Estamos a jogar como nunca me lembro e os nossos adversários devem estar a ficar seriamente preocupados.

Gostei bastante do jogo na 1ª parte. O Nacional é uma boa equipa e criou-nos inúmeros problemas nesse período. Não entrámos com a velocidade e a pressão do costume muito por mérito deles. Mesmo assim chegámos à vantagem aos 16’ pelo inevitável Cardozo na sequência de um centro do Fábio Coentrão desmarcado genialmente pelo Aimar. O mais difícil estava feito, só que o que não estava no programa era a entrada na partida do Sr. Vasco Santos e dos seus fiscais-de-linha. O Sr. Alexandre Freitas não quis ver um indiscutível fora-de-jogo e o Nacional empatou. Pouco depois, e num lance semelhante, o fiscal-de-linha do outro lado já viu e anulou-nos um golo ao Saviola. O argentino está ligeirissimamente adiantado, mas louve-se a coerência: as decisões foram sempre contra nós. Por estas condicionantes todas era muito importante chegar ao intervalo em vantagem, o que conseguimos aos 39’ em mais uma assistência do Coentrão para a cabeça do Saviola.

A 2ª parte foi demolidora da nossa parte, à semelhança da partida frente ao Everton. O Aimar ganhou um penalty logo aos 48’ naquela que foi a única decisão importante que nos beneficiou. Não foi falta, já que o argentino é que provocou a queda. O Cardozo marcou o penalty em força e quase para meio da baliza. O Nacional mal passava do meio-campo e notou-se a quebra física deles para causa do jogo na Liga Europa. Nós continuámos, como sempre, a atentar marcar mais golos, o que aconteceu novamente aos 63’ pelo Saviola. O Nacional protestou uma falta não assinalada no início do lance, o que até poderá ter acontecido, mas equiparar este lance a um penalty ou fora-de-jogo mal assinalado é desonestidade intelectual. Quanto mais não fosse, porque houve outro erro grave contra nós: fora-de-jogo mal assinalado ao Aimar num lance que resultou em golo. Daqui a bocado estamos a discutir lançamentos laterais... Até final, ainda houve duas expulsões contra eles, por derrube a jogadores nossos que ficariam isolados, e conseguimos marcar mais dois golos: o da ordem pelo Nuno Gomes e mais um penalty do Cardozo.

Individualmente destaco o jogo do Fábio Coentrão a defesa-esquerdo (o César Peixoto lesionou-se no aquecimento) e naturalmente o Cardozo por mais um hat-trick. O paraguaio sozinho tem mais golos marcados que 11(!) equipas da I Liga, onde se incluem os lagartos! E tem apenas menos um que outras duas. O Di María e o Ramires estiveram menos vistoso que na passada 5ª feira, mas mesmo assim as exibições foram positivas. O Saviola é um excelente complemento ao Cardozo e só as suas tabelinhas com o Aimar fazem valer o preço do bilhete. A defesa esteve sóbria e também em alto nível.

47.011 pessoas num jogo numa 2ª feira é noite é algo que só nós conseguimos. No próximo sábado espera-se novamente apoio maciço em Braga, numa partida muito importante, já que se ganharmos vamos colocar muita gente (ainda mais) preocupada connosco. Primeiro era só a pré-época, depois os adversários eram acessíveis, agora ganhamos e goleamos o Everton e o Nacional, mas como estamos sempre em teste, é fundamental uma vitória em Braga. Até para colocar todos os outros definitivamente em sentido.

sexta-feira, outubro 23, 2009

De gala

Goleámos o Everton por 5-0 e fizemos história: foi, a fazer fé no que ouvi na rádio, a nossa maior vitória de sempre na Taça Uefa / Liga Europa e a maior derrota europeia do 5º classificado do campeonato inglês do ano passado. Eu vou repetir: depois do Manchester United, Liverpool, Chelsea e Arsenal, ficaram estes senhores. “Equipa de segundo plano”? Pois, pois…

Estava quase tentado a escrever um post só com o resultado do jogo. É difícil manter a racionalidade quando estamos a jogar da maneira que estamos. Eu já sei que só defrontámos equipazinhas de segundo plano até agora, mas se as coisas correrem bem e ganharmos títulos no fim da época, será que vão continuar a dizer que “faltou um teste a sério” ao Benfica? É que já oiço esta conversa há muito tempo. Como se ganhar em Guimarães, Leiria e golear o Everton (só para referir alguns casos) fossem as coisas mais fáceis do mundo…

Entrámos bem na partida e o Luisão teve duas boas oportunidades para marcar na sequência de dois lances de bola parada, mas foi o Saviola a fazê-lo aos 13’ com um golão depois de um centro do Di María. A 1ª parte foi muito dividida sem grandes oportunidades para qualquer das equipas. Gostei de ver a forma como o Benfica soube posicionar-se em campo não dando grandes espaços aos ingleses e adoptando um ritmo mais baixo do que é habitual. Nem todos os jogos podem ter um ritmo frenético e há que saber jogar-se das duas maneiras.

Ao invés, o início da 2ª parte foi alucinante. Foi dos melhores períodos de sempre desde que vejo o Benfica. Em sete minutos, repito, s-e-t-e m-i-n-u-t-o-s marcámos três golos! Cardozo aos 46’ e 47’ (assistências do Saviola e Di María, respectivamente) e Luisão de canto aos 52’. Para além disso, o nº 20 atirou com estrondo à barra pouco depois. O Everton deixou de saber de que terra é que era e nós abrandámos o ritmo, mas não deixámos de ter a baliza contrária em vista. Com a partida decidida tão cedo, ainda deu para fazer descansar o Aimar, entrando o Carlos Martins, e o Cardozo, entrando o Fábio Coentrão. Possivelmente ao perceber que iria ser substituído pelo Weldon, o Saviola não quis ficar atrás do seu companheiro de ataque e marcou o 5º golo aos 84’, novamente assistido pelo Di María.

Em termos individuais, é impossível não se destacar o Di María. Três assistências para golo, uma bola à barra e toda a partida em excesso de velocidade fazem dele um dos homens do jogo. O outro é indiscutivelmente esse “velho” que veio cá para a “reforma” chamado Saviola (um homem de visão, este). Dois golos e uma assistência provam-no. O Luisão esteve mais uma vez imperial na defesa, ainda com a mais-valia de ter marcado. Gostei igualmente da atenção do Júlio César nas ocasiões em que teve que sair da baliza e na sua autoridade nos lances aéreos. O Ruben Amorim foi a novidade em vez do Maxi Pereira e o melhor que tenho a dizer dele é que não dei pela diferença. O Ramires esteve menos vistoso que em partidas em anteriores, mas só em termos atacantes. A sua acção no meio-campo foi fundamental. Assim como o posicionamento, a inteligência e a percepção do jogo que tem esse Grande jogador (o “g” maiúsculo é propositado) chamado Javi García. Ou muito me engano ou estes dois foram duas pechinchas.

Com a vitória do Bate Borisov sobre o AEK Atenas, ficámos em 1º lugar do grupo em igualdade pontual com o Everton (óbvia vantagem no confronto directo) e com os outros dois a três pontos. Era fundamental que chegássemos à última jornada com o apuramento já garantido, porque o jogo com o AEK é apenas três dias antes de receber o CRAC e convinha ter a equipa principal fresca para essa batalha. Um passo muito importante para isso seria ganhar em Liverpool daqui a 15 dias. E importante igualmente para o nosso ego, já que há quase dois anos que não vencemos fora para as competições europeias. Está na altura de quebrar (em grande) esse enguiço!

sábado, outubro 17, 2009

Goleada na Taça

Vencemos o Monsanto em Torres Novas (6-0) e qualificámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Por causa dos jogos das selecções e da Liga Europa na próxima semana, alinhámos com uma equipa sem vários titulares, mas a boa atitude manteve-se e a vitória foi incontestável.

O 1º golo só surgiu aos 29’ numa boa iniciativa do Felipe Menezes culminada com um remate de fora da área. Até então o Monsanto tinha dado boa réplica, especialmente em termos defensivos, reduzindo-nos os espaços e aproveitando-se da pouca velocidade com que jogávamos. Não criaram perigo para a baliza do Moreira, mas também não nos deixaram ter grandes situações para marcar.

Na 2ª parte tudo foi diferente, porque nós passámos a jogar com mais velocidade e as pernas deles começaram a ceder. O 2-0 pelo Carlos Martins logo aos 46’ colocou-nos a salvo de qualquer imprevisto que uma vantagem mínima sempre traz e a partir daí controlámos a partida tentando sempre marcar mais, uma imagem de marca do Benfica deste ano (e que recupera a tradição gloriosa do nosso clube). O Carlos Martins bisou, o Saviola (entretanto entrado) é o 1º jogador a marcar em todas as competições oficiais em que participamos e tivemos a estreia do César Peixoto (bom livre), e do Fábio Coentrão (até que enfim!) a marcar com a nossa camisola.

Gostei da equipa na generalidade, porque apesar de não termos entrado tão pressionantes como é habitual, tivemos uma atitude séria e de respeito para com o adversário e o público. Podem sempre argumentar que defrontámos uma equipa de um escalão inferior, mas não é preciso recuar muito para verificar em que anos anteriores estes jogos significavam bastantes vezes exibições sofríveis e vitórias muito suadas. Individualmente destaco a boa 1ª parte do Felipe Menezes, a manutenção da veia goleadora do Carlos Martins, mais um bom jogo do Coentrão (abrilhantado pela sua estreia a marcar) e a sempre saudada entrada do Mantorras.

Na próxima 5ª feira, teremos uma partida importantíssima e obviamente bastante mais difícil do que a de hoje. Voltarão os habituais titulares e é fundamental ganharmos em casa ao Everton para darmos um passo importante para a qualificação para os 1/16 avos de final da Liga Europa. Eu sei que a prioridade é o campeonato, mas o prestígio internacional do nosso clube obriga-nos a, pelo menos, ultrapassar a fase de grupos.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Portugal - 4 - Malta - 0

Com o expectável triunfo sobre a selecção maltesa, apurámo-nos para o play-off de acesso ao Mundial. Na próxima 2ª feira saberemos quem nos calhará em sorte: Irlanda, Ucrânia, Bósnia ou Eslovénia. Se eu pudesse escolher, sairia esta última. Depois de uma fase de apuramento vergonhosa em que nos deveríamos ter qualificado em 1º lugar, vamos ter que fazer mais dois jogos adicionais. Espero obviamente que Portugal possa estar presente na África do Sul.

A partida de ontem não teve muita história. A superioridade da selecção portuguesa nunca esteve em causa e, com o 1º golo a surgir cedo e o 2º mesmo antes do intervalo, a ansiedade não se sentiu. Individualmente, o Nani foi dos melhores e o Simão marcou mais um golito. Tive pena que o Nuno Gomes não tivesse entrado, porque certamente acrescentaria mais um golo à sua conta pessoal. Mas, se calhar, há alguém que não quer que isso aconteça.

Nas outras partidas em que tivemos jogadores presentes, o escaldante Uruguai - Argentina permitiu à alviceleste apurar-se directamente (ganhou 1-0) remetendo os uruguaios ao play-off de acesso com a Costa Rica. Conto que o Maxi Pereira acompanhe o Aimar, Di María e (espero) Saviola ao Mundial. O Luisão e o Ramires também já lá estão e teremos uma das maiores (senão mesmo a maior) representações de sempre de jogadores do nosso clube nesta competição.

domingo, outubro 11, 2009

Portugal – 3 – Hungria – 0

Lá cumprimos a nossa obrigação e vencemos os coxos dos húngaros no penúltimo jogo de qualificação. Como os dinamarqueses foram nossos amigos e ganharam aos suecos (1-0), conseguimos chegar ao 2º lugar que dá acesso aos play-off. É impensável que não vençamos Malta na próxima 4ª feira e portanto iremos disputar, com o estatuto de cabeças-de-série, a presença no Mundial com uma selecção que estará teoricamente ao nosso alcance.

Para quem está habituado a ver o Benfica jogar este ano naquele palco, não deixou de ser confrangedor verificar a qualidade(?) exibicional da nossa selecção. Nunca esteve em causa a superioridade de Portugal perante uma equipa húngara que apenas queria não perder por muitos, mas mesmo assim manifestámos um nervosismo incompreensível que só acabou quando marcámos o 2º golo.

O Simão lá me deu a alegria de marcar por duas vezes no Estádio da Luz, mantendo velhos hábitos, apesar de não ter feito uma exibição por aí além. O C. Ronaldo só jogou meia-hora, ainda participou no 1º golo, e se eu fosse adepto do Real Madrid estaria fulo, porque agravou naturalmente a lesão e agora estará um mês fora dos relvados, estando inclusive em dúvida para os play-off. Gostei bastante do Pedro Mendes, mas claro está que na próxima 4ª lá jogará o Pepe para que o caceteiro-mor do CRAC mantenha o lugar na defesa. Temos dois problemas gravíssimos na equipa que ou serão resolvidos rapidamente ou então não iremos a lado nenhum: não temos guarda-redes (aquela saída do Eduardo no final da 1ª parte é inacreditável e tivemos sorte de a bola bater no poste) e o Duda como defesa-esquerdo é uma anedota. Aliás, os próprios húngaros confundiram-nos como um jogador deles e resolveram devolver-lhe a bola depois de ele ter feito um grande disparate, o que lhe permitiu realizar a única acção positiva em toda a partida e fazer a assistência para o 3-0.

Aguardemos por 4ª feira e depois pelo sorteio dos play-off, mas aqueles cinco minutos finais em que, com 3-0, resolvemos andar a trocar a bola entre os defesas e o meio-campo (se lá estivesse o Jesus, eles iriam ouvir das boas) diz tudo acerca da valia do Carlos Queiroz como treinador. Medroso.

P.S. – Um grande bem-haja a quem de direito (Deus, Manchester ou outra entidade qualquer) que fez com que este projecto de treinador não viesse para o Glorioso na época passada…

terça-feira, outubro 06, 2009

Regresso ao habitual

Vencemos em Paços de Ferreira (3-1) e recolocámo-nos no 2º lugar a dois pontos do Braga. Com o empate dos lagartos em casa frente ao Belenenses, temo-los agora a oito pontos de distância. Foi um triunfo importantíssimo, especialmente depois do jogo na Grécia e levando em consideração que, para além de Paços de Ferreira não ser um terreno fácil, alinhámos sem três titulares indiscutíveis (Aimar, Di María e Maxi Pereira) que tiveram que ir para as respectivas selecções.

Só que este ano estamos mesmo diferentes. O Jorge Jesus disse na conferência de imprensa antes da partida que o Benfica tinha que ter agressividade e atitude se quisesse ganhar o jogo, e foi exactamente isso que se viu em campo. Com os condicionalismos todos, de certeza que os nossos adversários estavam sedentos de pelo menos um empatezinho nesta deslocação, o problema é que nós entrámos em campo “à Benfica”. Marcámos logo aos 3’ pelo David Luiz na sequência de um canto muito bem marcado pelo Carlos Martins que substituiu, com distinção, o Aimar. Ao invés de baixarmos a guarda com a vantagem no marcador, o Benfica deste ano tenta sempre mais golos. Continuámos a jogar muito bem e a criar oportunidades (Saviola e Cardozo viram o guarda-redes Cássio negar-lhes o golo) e chegámos ao 2-0 aos 21’ num fantástico remate fora da área do Carlos Martins. O jogo estava a ser bom, porque o Paços também tentava ripostar. A 5’ do intervalo o Sr. João Ferreira transforma um vermelho directo num amarelo, por derrube ao Saviola quando ficaria isolado. Felizmente temos no plantel alguém como o Cardozo que chamou a este livre um figo. Golaço do meio da rua! Fomos para o intervalo com uma boa vantagem, que se veio a revelar decisiva para o resultado final.

Na 2ª parte, baixámos claramente o ritmo. Estava a chover, tínhamos tido o jogo na 5ª e o próprio Jorge Jesus disse que já sabia que isso ia acontecer. Daí que tenhamos entrado tão fortes no 1º tempo, para termos margem para um pouco de ronha no 2º. Num passado não muito recente, teria acontecido exactamente o contrário e provavelmente não ganharíamos o jogo. A contribuir para a baixa de rendimento esteve igualmente a substituição por lesão do Carlos Martins pelo Felipe Menezes. O jovem brasileiro mostrou que ainda está no seu processo de adaptação ao futebol europeu e não conseguiu fazer tão bem a posse de bola como o Carlos Martins. Mas também o resto da equipa não ajudou. A bola deixou de chegar jogável aos dois avançados e nós não conseguíamos igualmente mantê-la longe da nossa baliza. O Paços foi criando algumas oportunidades e foi sem surpresa que reduziu a vantagem aos 68’. Logo de seguida, o Jorge Jesus tirou o Rúben Amorim que já tinha um amarelo e colocou o César Peixoto, desviando o Ramires para defesa-direito. O Paços ainda criou mais uma oportunidade através do Cristiano, mas depois conseguimos finalmente controlar melhor a partida e não permitir ao adversário acercar-se tanto da nossa baliza. E o encontro terminou sem que a nossa vitória estivesse minimamente em causa.

Individualmente gostei muito do Carlos Martins, que só jogou a 1ª parte, mas foi fundamental na nossa vitória: uma assistência e um golo, para além de uma série de bons passes a desmarcar os companheiros. O Cardozo e o Saviola estiveram igualmente bem na 1ª parte, destacando-se obviamente o golão do paraguaio. Os centrais estiveram imperiais e ainda por cima o David Luiz abriu o marcador. O Ramires não sabe jogar mal, mas não foi tão decisivo como em partidas anteriores, assim como Javi García. Acho que se notou bem o excesso de jogos e o consequente cansaço. O Shaffer voltou à esquerda, mas não gostei tanto dele como noutros jogos. De qualquer maneira, esteve bem a defender.

O campeonato vai parar agora três semanas por causa das selecções e da Taça de Portugal. E também por isso era importantíssimo manter a pressão sobre o Braga e os rivais atrás de nós. Por outro lado, era uma dupla oportunidade: dar resposta àqueles que estavam à espera que um resultado negativo na Europa tivesse reflexos no campeonato e mostrar que não estamos assim tão dependentes de dois ou três jogadores. Tudo isso foi conseguido e com especial brilhantismo na 1ª parte.

A tendência passada de alternar bons jogos com péssimas exibições parece estar arredada de vez este ano. Talvez por isso se perceba o crescente nervosismo dos adversários, que raramente fazem alguma declaração pública sem falar de nós. Do presidente do CRAC já nem falo, a natureza há-de fazer o seu trabalho espero que proximamente. Agora, do presidente dos lagartos não estava nada à espera daquelas declarações canalhas. Se pensasse mais no seu clube e menos em nós, talvez a época não lhe estivesse a correr como está. A mesquinhez e inveja são sentimentos muito feios.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Desprestigiante

Perdemos em Atenas frente ao AEK (0-1) na 2ª jornada da Liga Europa. Foi uma derrota inglória perante um adversário notoriamente mais fraco do que nós e que, ainda por cima, vinha de resultados péssimos no campeonato grego. Descemos para o 3º lugar do grupo e estamos a três pontos do Everton. Este desaire ficou a dever-se principalmente a uma atitude diferente (para pior) da que a equipa vem exibindo internamente. O que não se compreende. É óbvio que o principal objectivo é o campeonato, mas as competições europeias são muito importantes para o prestígio do clube. É bom que os jogadores ponham de vez isso na cabeça. Já é a 2ª vez que a equipa revela uma deficiente atitude em jogos europeus fora de casa.

No entanto, até entrámos bem na partida. O AEK mostrou ter muito respeito por nós e poderíamos ter marcado relativamente cedo, quando um remate do Di María embateu com estrondo no poste. A nossa superioridade era evidente, só que inexplicavelmente depois desse lance começámos a baixar o ritmo da partida e a dar oportunidade ao AEK de subir no terreno. E isto sem estarmos na frente do marcador. Sinceramente, não percebi... Pouco antes do intervalo sofremos o golo na sequência de um canto, em que os dois centrais (Luisão e David Luiz) não ficaram isentos de culpas.

Como era expectável, a 2ª parte foi melhor, mas aí entrou em acção o guarda-redes adversário, que defendeu quatro(!) bolas de golo. Di María, Saviola, Cardozo de livre e Fábio Coentrão teriam festejado golos se não fosse um tal de Sebastián Saja. As substituições que foram feitas também não correram particularmente bem, já que o Coentrão não esteve tão inspirado como em partidas anteriores e o Weldon demonstrou claramente falta de ritmo. Os gregos defenderam-se bem e mantiveram a vantagem até final.

Individualmente só o Di María esteve perto do seu nível. O Luisão também teria feito um bom jogo, se não estivesse ligado ao lance do golo. Muito abaixo do que já nos habituou esteve o Ramires, que acabou a lateral-direito, mas que me pareceu fatigado durante boa parte da partida. O Aimar e Saviola também não estiveram nada inspirados e, quando assim acontece, é-nos difícil conseguir fluidez no jogo atacante. O Javi García esteve discreto e o Cardozo evidenciou pontaria desafinada, com excepção do tal livre. Mas principalmente, e não é para bater no ceguinho, continuo a não perceber a insistência do César Peixoto a lateral-esquerdo. Foi dos piores jogadores da equipa. Acho que é uma posição em que poderia haver mais rotatividade, já que ele jogou no Sábado e o Shaffer estaria de certeza mais fresco. Também não entendi a entrada tão cedo do Weldon em vez do Nuno Gomes, já que se estava mesmo a ver que não vinha com o ritmo ideal depois de uma lesão. O guarda-redes Júlio César não me parece uma mais-valia em relação aos outros dois. Tem qualidade, mas mostra o mesmo problema dos outros nos cruzamentos.

E, pronto, segundo jogo fora nas competições europeias, segunda derrota. Há quase dois anos (desde o Shakhtar Donetsk) que não vencemos fora na Europa, tendência que espero que possamos inverter ainda esta época. Era importantíssimo termos conseguido pelo menos pontuar por duas razões: os próximos dois jogos são contra o Everton e as duas últimas jornadas são em dias próximos dos dois clássicos. Se já estivéssemos qualificados, poderíamos fazer melhor a gestão do plantel. No duplo confronto com os ingleses, precisamos de somar pelo menos quatro pontos se quisermos ter aspirações ao 1º lugar do grupo. É claro que o mais importante é assegurar a qualificação, mas, por um lado, somos a equipa com melhor ranking e, por outro, ficando em 1º defrontaremos teoricamente adversários mais acessíveis nos 1/16 avos-de-final.

domingo, setembro 27, 2009

Futebol?!

Vencemos o Leixões por 5-0 e mantivemo-nos dois pontos atrás do vacoso do Braga que marcou em Olhão aos 93’! Com a vitória do CRAC sobre os lagartos, temos os nossos vizinhos a seis pontos de distância.

Ponto prévio: prefiro que o Benfica ganhe perante 11 jogadores. Ao contrário da maioria dos adeptos do CRAC que gosta de ganhar de qualquer maneira e, se possível, humilhando o adversário (colocando, por exemplo, um seu guarda-redes a marcar penalties quando já estão a ganhar por 2-0), eu não. Só que, quando se defronta uma equipa que tem um guarda-redes a simular uma lesão aos 3’(!) e fica 2’ no chão, está tudo dito. O Leixões, há que dizê-lo com frontalidade, fez um jogo NOJENTO. Quer dizer, a bem da verdade, se fez algum tipo de jogo, não foi de futebol com certeza. Quando vi aquela cena do guarda-redes, pensei num Marítimo – parte II, mas enganei-me porque foi pior. O Marítimo fez antijogo, mas o Leixões juntou a isso a caça às pernas dos nossos jogadores! E depois o seu treinador, o inefável Zé Mota, admira-se de ter a equipa pejada de amarelos e com dois elementos expulsos! Mesmo depois de o resultado estar já em 3-0 e com nove em campo, essa caça continuava. Está-lhes mesmo no sangue. Mas, curiosamente, é só contra nós. Quando defrontaram o CRAC, não se viu esta agressividade. Coincidências, certamente.

Há pouco a dizer sobre esta partida. O Benfica, decorrente do seu processo de crescimento, ainda lida mal com este tipo de adversários que utilizam esquemas ignóbeis para não nos deixar jogar. A 1ª parte foi fraca, porque os nossos jogadores enervaram-se com tamanha negação do futebol. Felizmente conseguimos marcar antes do intervalo através do David Luiz aos 48’ (o árbitro deu, e bem, 5’ de desconto), o que era ESSENCIAL, para que a equipa se tranquilizasse e, quiçá, o Leixões mostrasse que também sabe jogar futebol e fosse à procura do golo. Só que isso não aconteceu na 2ª parte. A nossa equipa tranquilizou-se, mas o adversário continuou mais preocupado com as nossas pernas do que com a bola. Com a inevitável e justa superioridade numérica, o resultado foi-se avolumando com naturalidade: Cardozo por duas vezes (se se concentrar daquela maneira antes dos penalties e os marcar assim, não falhará mais nenhum na carreira), Ramires e Maxi Pereira marcaram os golos.

Individualmente não houve ninguém que se destacasse por aí além, já que funcionámos como um todo. Melhor na 2ª do que na 1ª parte. Mas é de salientar a manutenção da veia goleadora do Cardozo e do Ramires que, como diz o Artur, se vai revelando um concorrente de peso do Falcão pelo 2ª lugar na lista dos melhores marcadores... :-) O César Peixoto melhorou no 2º tempo, tal como o Aimar, e o Fábio Coentrão voltou a entrar bem na partida. O Luisão continua intransponível e o Javi García não demonstrou resquícios nenhuns dos problemas físicos que teve durante a semana.

Na 5ª feira temos uma partida muito importante para a Liga Europa, mas, não me canso de repetir, o que mais me impressiona no Benfica, é esta procura incessante pelo golo independentemente da proximidade temporal dos encontros que se seguem. Uma vitória na partida frente ao AEK Atenas representará um passo muito importante para a qualificação para os 1/16 final da Liga Europa. Onde obviamente temos obrigação de estar. Estou confiante que assim acontecerá e que essa vitória será com uma boa exibição da nossa parte. Até porque os gregos não vão certamente jogar(?!) como o Leixões.

P.S. – Só agora pude escrever sobre o jogo, porque ontem à noite segui directamente da Luz para o Restelo para os 30 anos da maior banda portuguesa. Fiquei muito chateado por ser tudo à mesma hora, gosto muito dos Xutos, mas o Benfica não é OBVIAMENTE negociável. Ainda deu para ver duas horas de concerto, cujo momento alto surgiu mesmo no final: o Kalú (ninguém é perfeito...) vestiu uma camisola do CRAC e 2/3 do estádio começou a cantar “SLB Glorioso SLB”! A conclusão perfeita de uma noite inesquecível!

sexta-feira, setembro 25, 2009

Eleições

No próximo Domingo, haverá eleições para a Assembleia da República. Numa altura tão difícil para o país e para o mundo, este acto eleitoral é de uma importância extrema. Neste sentido, é fundamental escolhermos em consciência o que é melhor para o país, socorrendo-nos dos valores que consideramos fundamentais.

Assim sendo, o meu sentido de voto é muito simples. Nos últimos anos, uma boa parte dos deputados da nação foram coniventes com actos de corrupção praticados por uma pessoa que, ao invés de ter a justiça à perna, ainda teve honras de ser convidado para almoçar na Assembleia da República! No ano passado e neste ano. Somente dois partidos não tiveram deputados presentes no beija-mão, perdão, no almoço. Como estão em pólos opostos do sistema político, a minha escolha é muito fácil. Quem quer ser respeitado, tem que dar-se ao respeito. Haja vergonha na cara!

segunda-feira, setembro 21, 2009

UFA!

Foi esta a sms que o meu amigo P me enviou no final do jogo. Demonstra bem o sofrimento que todos nós passámos a ver a vitória do Glorioso em Leiria por 2-1. Como era de prever, foi uma partida dificílima, porque o insuportável lagarto do Manuel Fernandes é bom treinador e porque se presumia que a equipa não estava no seu auge físico por causa do encontro europeu de 5ª feira, o que se veio a confirmar.

O desgaste dessa partida fez com que o Cardozo começasse esta no banco (logo na 5ª feira, não percebi porque é que não foi ele a sair quando levou a patada, mas sim o Nuno Gomes...), entrando o Keirrison, e o Shaffer voltou a ser titular em detrimento do César Peixoto (até que enfim!). Não poderíamos ter entrado melhor, já que marcámos aos 4’ pelo Saviola na sequência de um livre do Aimar. Pensei que poderíamos assistir a um jogo mais descansado, já que costumamos exibir-nos bem quando estamos em vantagem, mas isso não aconteceu. Tivemos uma boa oportunidade, mas o Keirrison não conseguiu desviar a bola do guarda-redes e uma falta escusada do Maxi Pereira permitiu à U. Leiria empatar. Centro do Silas e autogolo do David Luiz aos 18’. Até final da 1ª parte mantivemos o domínio da partida, mas não conseguimos criar grandes oportunidades de golo.

A 2ª parte não começou tão bem quanto seria desejável. O Benfica não estava a conseguir exibir-se ao nível que já nos habituou também muito por culpa da U. Leiria, que não nos deixava jogar. De uma maneira, deva referir-se, absolutamente legal, sem abusar do antijogo. Aos 64’ o Jorge Jesus lá se decidiu por fazer entrar o Cardozo, juntamente com o Nuno Gomes, para os lugares do Keirrison (ainda um corpo estranho na equipa) e Ramires (as sequelas do jogo europeu foram visíveis, já que a exibição não foi tão boa como as anteriores). Pressionámos mais o adversário, que respondia em contra-ataque e, num deles, poderia ter-se colocado em vantagem, mas o avançado atirou por cima da barra. Até que aos 78’ aconteceu o lance que decidiu o jogo. Penalty CLARÍSSIMO, vou repetir, C-L-A-R-Í-S-S-I-M-O(!), sobre o Aimar depois de uma boa tabelinha deste com o Nuno Gomes. O adversário abalroa-o completamente, é indiferente se tocou ou não na bola, estamos entendidos Rui Santos, Manuel Fernandes & Cia antibenfiquista lda?! Aliás, bastava pensarem um bocadinho e para o Sr. Jorge Sousa marcar um penalty a favor do Benfica ele tem mesmo que existir, não?! O Cardozo lá conseguiu marcar golo, apesar de o remate não ter saído muito colocado, mas a força dele fez com que passasse por baixo do corpo do guarda-redes. Até final ainda poderíamos ter aumentado a vantagem pelo Nuno Gomes e, no último lance da partida, o Quim resolveu afugentar os fantasmas do V. Setúbal (em casa) no ano passado e do Sion na pré-época deste ano, ao defender para canto uma bola bombeada para a sua baliza.

Em termos individuais, gostei muito da 1ª parte do Saviola e Aimar, e o Luisão continua absolutamente imperial. O Shaffer fez uma partida esforçada e acho que deve manter a titularidade, já o Maxi Pereira não esteve tão regular como habitualmente, o que é normal se considerarmos que vem de uma lesão prolongada. O Di María esteve francamente desinspirado tal como o Keirrison. Quem é um relógio suíço é o Javi García que, no entanto, levou mais um amarelo. O David Luiz não esteve mal, mas teve azar no autogolo. No entanto, como ouvi alguém referir, este azar persegue-o, já que está ligado aos três golos que sofremos até agora para o campeonato. O Nuno Gomes voltou a não entrar mal na equipa ao participar do lance do penalty e o Cardozo isolou-se nos melhores marcadores com cinco golos.

Com a derrota do CRAC A em casa do CRAC B(raga), isolámo-nos no 2º lugar ainda a dois pontos do 1º e temos o clube assumidamente corrupto a três de nós. Também por isso esta vitória era fundamental, porque não seria a 1ª vez que desperdiçaríamos a oportunidade de aproveitarmos um resultado negativo deles. Nem sempre as exibições podem ser de encher o olho, mas é precisamente nestes casos que ganhar é ainda mais importante. Os 22.676 que lotaram o estádio da U. Leiria pela 1ª vez desde o Euro 2004 (ou muito me engano ou este jogo vai ter mais espectadores que os outros 14 juntos...) bem mereceram este triunfo. A onda vermelha é impressionante e, a continuarmos assim, não irá parar tão cedo.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Tranquilo

Entrámos a ganhar na Liga Europa ao derrotar o Bate Borisov por 2-0. Convém recordar que estávamos a defrontar o tri (em vias de ser tetra) campeão da Bielorrússia e, se tínhamos naturalmente de assumir o favoritismo até porque jogávamos em casa, não deveríamos pensar que seriam favas contadas.

E, de facto, não pensámos. Fizemos quatro alterações na equipa titular (Júlio César, Maxi Pereira, Felipe Meneses e Nuno Gomes), deixando o Saviola no banco e o Aimar e Quim na bancada. A partida começou muito dividida e os bielorrussos mostraram que sabiam trocar a bola. A nossa intensidade era menor do que nos encontros anteriores, o que era perfeitamente normal, já que o Aimar e o Saviola não estavam em campo. Mesmo assim, imprimimos alguma velocidade, em especial pelo Di María, e começámos a acercar-nos da baliza contrária. Não criámos tantas oportunidades como em partidas anteriores, mas foi sem surpresa que chegámos à vantagem aos 36’ num golão do Nuno Gomes depois de uma boa jogada do Maxi Pereira. O mais difícil estava feito e 5’ depois fizemos o 2-0 através do Cardozo depois de uma assistência brilhante do Nuno Gomes. Antes do intervalo, o Di María teve um remate muito perigoso, mas, se tivesse levantado a cabeça, teria visto o Ramires isolado na direita e a nossa vantagem no descanso seria provavelmente superior.

Estava curioso para ver como seria a 2ª parte, em especial a gestão do esforço por causa do jogo com o Leiria no Domingo, mas entrámos decididos a marcar o 3º golo e pôr-nos a salvo de que um lance fortuito do adversário recolocasse a diferença mínima no marcador. Durante 20’ pressionámos o Bate Borisov, tivemos algumas boas oportunidades (nomeadamente um mau domínio do Nuno Gomes que estava isolado), mas a bola não entrou. A partir da saída do capitão aos 66’, coincidência ou não, baixámos de rendimento (o Saviola esteve discreto) e os bielorrussos começaram a sondar a nossa baliza. Tiveram uma ou duas boas oportunidades, mas, quando o Jorge Jesus fez entrar o Rúben Amorim para o lugar do Di María aos 77’, a brincadeira acabou e eles nunca mais criaram perigo.

O melhor em campo para mim foi o Nuno Gomes. Um golo e uma assistência tornam-no num elemento fundamental para a nossa vitória. Só foi pena aquele mau domínio de bola que lhe teria dado o bis. Não concordei com a sua substituição, porque estava a jogar bem e porque seria uma boa oportunidade para o Cardozo descansar, mas o Jorge Jesus não entendeu assim. O Felipe Menezes ainda está um pouco verde (salvo seja!), mas nota-se que tem muito bom toque de bola. Para estreia, não foi mau. O Di María esteve melhor que no Restelo, mas também não levou com uma pantufada logo no início do jogo. O Luisão fez um jogo praticamente perfeito e, não fora o Nuno Gomes, seria o melhor em campo. O Júlio César não teve muito trabalho, mas sinceramente acho injusto para o Moreira, que fez uma muito boa pré-época e teve apenas um deslize em Poltava. Acho que ele merecia ser o titular na Liga Europa. O Maxi só se notou que tinha vindo de lesão, quando deu o berro no último quarto de hora. Daí também a entrada do Amorim para defesa-direito, subindo ele para médio. Como nota menos positiva, continuo a não compreender a insistência no César Peixoto em detrimento do Shaffer.

É certo que os 8-1 e 4-0 fora de casa nos enchem a alma, mas o modo como foi obtida esta vitória é extraordinariamente importante para nos dar confiança para o futuro. Quando não conseguimos o “80”, estamos no “40”, o que nos permite ganhar à mesma. Esta inteligência de saber ter paciência para nos colocarmos em vantagem e controlar o adversário, limitando-lhe ao máximo as hipóteses de criar perigo na nossa baliza, é outra das conquistas fundamentais deste ano. Esperamos que seja para continuar, de preferência já no Domingo em Leiria. E muita atenção ao Jorge Sousa!

P.S. – O Rúben Amorim é sócio do Benfica desde que nasceu e tem todas as condições para vir a ser um dos capitães daqui a umas épocas. Mas não pode ter atitudes como a de hoje no final da partida. A saudação ao público depois do jogo é FUNDAMENTAL para manter a união da equipa com os adeptos. Sair disparado para os balneários depois do árbitro apitar, sejam quais forem as razões (presume-se amuo por não ter sido titular, o que ainda é pior), não é justificável. Muito bem esteve o Jorge Jesus a ir buscá-lo e a fazê-lo voltar ao campo. Espero que este mau momento dele não se repita. Até por ele ser assumidamente benfiquista e dever, acima de todos, perceber a importância daquele gesto.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Chapa 4

Ganhámos em Belém por 4-0 em mais uma demonstração do excelente momento que atravessamos. Foi uma vitória indiscutível e o que mais me impressionou foi que nem sequer forçámos muito. Se o tivéssemos feito, nem quero pensar qual seria o resultado. Aliás, foi uma atitude inteligente da nossa parte, porque vamos ter três jogos numa semana e as pernas têm que dar para tudo.

Da equipa inicial, e apesar da recuperação do Maxi Pereira, o Rúben Amorim continuou a titular, mas a grande surpresa (e incompreensível, para mim) foi a inclusão do César Peixoto na lateral esquerda em detrimento do Shaffer. Não percebi a opção, porque já no jogo frente ao V. Setúbal o César Peixoto não tinha estado bem naquele lugar e hoje foi indiscutivelmente o pior jogador do Benfica. Eu compreendo que haja jogadores de que os treinadores gostem mais, mas esta dúvida permanente do Jorge Jesus em relação ao valor do Shaffer é algo que me ultrapassa. O homem é dos melhores no plantel a centrar e está melhor a defender, mas parece que não é suficiente...

Não poderíamos ter entrado melhor na partida com o Saviola a correr 60 metros e marcar um golo fabuloso logo aos 6’. Foi a resposta a uma das raríssimas oportunidades do Belenenses logo no minuto inicial, quando o Quim resolveu sair mal a um cruzamento (como é hábito). Pouco depois do nosso golo, outra óptima jogada do Saviola ia permitindo ao Cardozo aumentar o marcador, mas o cabeceamento foi mal efectuado. Até ao intervalo, o nosso ritmo diminuiu bastante, mas o Belenenses também não se mostrava capaz de criar perigo.

A vantagem mínima era perigosa, até porque o árbitro era o Sr. Olegário Benquerença e nunca fiando. A 2ª parte foi bastante melhor, porque os jogadores do Benfica foram para cima do adversário para acabar de vez com a partida. O que aconteceu logo aos 57’ com um golo do Cardozo depois de assistência do Saviola. A partir daqui, o Belenenses baixou os braços, mas nós, mesmo em ritmo de treino se compararmos com o jogo frente ao V. Setúbal, fomos sempre tentando marcar mais. E assim aconteceu com os golos do Javi García (76’) e Ramires (88’). O que mais impressiona neste Benfica é precisamente esta fome de golos. De uma maneira ou de outra, e mesmo controlando mais a partida, tentamos sempre marcar mais. A nossa velocidade no último terço de campo é impressionante e dá gosto ver quatro jogadores a correr para a baliza, tentando dar opções de passe ao Aimar que tinha a bola, com 3-0 a nosso favor.

Individualmente há que destacar o Saviola, principalmente pela 1ª parte. Para quem está “velho” e vem para cá para a “reforma”, não está nada mal. Outro em grande nível foi o Ramires. Que jogador! São raras as intervenções erradas que tem no jogo. Também gostei do Aimar, cuja inteligência a jogar à bola é fantástica. O Javi García não sabe jogar mal, mas vai ser um dos jogadores mais perseguidos pelos árbitros (já vai no 3º amarelo). O Di María levou uma grande trancada no início do jogo e não esteve tão acutilante como em partidas anteriores. O Cardozo, apesar de só ter jogado cinco minutos na sua selecção, vem sempre muito desgastado das viagens e fez um jogo fraquinho. Só que, como diz o Leão Eça Cana aka Carlos Silva, “não joga nada e sabe marcar golos... :-)” A defesa não esteve mal (com excepção do César Peixoto, mas em termos atacantes), todavia o David Luiz tem que ser mais inteligente nalgumas situações de jogo em que faz faltas desnecessárias perto da linha lateral quando o adversário está em dificuldades. Provoca livres perigosos contra nós que são completamente escusados.

Na maior enchente dos últimos (largos) anos no Restelo e com quase meia-Tertúlia Benfiquista (Pedro F. Ferreira, D’Arcy, Gwaihir, Pedrov, Superman Torras e Artur) novamente presente tal como na época passada, este triunfo recolocou-nos novamente no 2º lugar. E só não estamos em 1º, porque o CRAC B, perdão, o Braga ganhou na Madeira com um penalty fantasma a 5’ do fim. Quero ver o que vai acontecer para a semana quando defrontarem a casa-mãe. Quanto a nós, na 5ª feira é muito importante começar a carreira na Liga Europa com uma vitória frente ao Bate Borisov. Para ver se começamos a limpar a má imagem da péssima carreira europeia do ano passado

quinta-feira, setembro 10, 2009

Relembrar XXIII - Os outros oito

Ainda no rescaldo da magnífica goleada frente ao V. Setúbal e como inspiração para os nossos jogadores, recordo aqui os últimos quatro jogos em que o Benfica marcou oito golos para o campeonato nacional. Sit back, relax, são 32 golos do Benfica em pouco mais de 12 minutos. Um pouco de "Benfica Memória" faz-nos sempre bem. Até porque estes tempos idos parecem estar a querer regressar. Para alegria de todos nós.

Benfica - 8 - Alcobaça - 1
Época 1982/83
Marcadores: Néné (5), Diamantino (2), Chalana.
Realço a eficácia do Néné (cinco golos!), a finta do Chalana no 2-0 e o seu golo. Este jogo foi a 14 de Maio (bela data!), véspera da 2ª mão da final da Taça Uefa frente ao Anderlecht. Não houve cá poupanças...




Benfica - 8 - V. Guimarães - 0
Época 1983/84
Marcadores: Diamantino (2), Manniche (2), Néné (2), José Luís, Stromberg.
Destaco os dois golos do Manniche, especialmente o segundo, e o Néné que entrou aos 70', e ainda bisou. O guarda-redes do V. Guimarães era o Silvino.




Benfica - 8 - Penafiel - 0
Época 1983/84
Marcadores: Néné (4), Diamantino, Carlos Manuel, Manniche, Stromberg.
Como não destacar os dois penalties inacreditáveis não assinalados sobre o Stromberg? O Manniche ia furando as redes e o Néné estava sempre lá para encostar. Este jogo foi a seguir à eliminação em casa frente ao Liverpool (1-4). Que resposta!




Benfica - 8 - Famalicão - 0
Época 1993/94
Marcadores: Celestinho (autogolo) (2), Yuran (2), Ailton, Rui Costa, Mozer, Rui Águas.
Grande jogada no golo do Ailton e o jogo que lançou para o estrelado o Celestino, who else? Jogo na véspera da ida a Leverkusen... Poupança?

* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.

Esperança

Vencemos na Hungria (1-0) com mais um golo brasileiro, desta feita do Pepe, e mantivemos as hipóteses de atingir o 2º lugar para jogarmos o play of de acesso ao Mundial 2010. Ao contrário do jogo na Dinamarca, a nossa exibição de ontem foi paupérrima e só se salvou mesmo a vitória.

Tivemos o mérito de marcar muito cedo (9’), mas quando se esperava que isso permitisse à equipa libertar-se da pressão e jogasse bom futebol, aconteceu precisamente o contrário. Rapidamente o objectivo passou a ser não sofrer golos, o que deu origem a uma partida chatíssima em que uma equipa tentava segurar a vantagem e a outra não tinha capacidade para a pôr em causa, excepto em lances de bola parada. A táctica do autocarro acabou por dar resultado e lá conseguimos o triunfo.

Estivemos quase a chegar ao 2º lugar já que a Suécia só marcou em Malta aos 83’ e através de um autogolo! Mas o empate da Dinamarca na Albânia acabou por nos favorecer, já que assim eles precisam do resultado frente à Suécia para se qualificarem. Ou seja, o arranjinho do Euro 2004 (em que só um 2-2 permitia que ambos passassem aos quartos-de-final em detrimento da Itália e o placard foi... 2-2!) não vão ter sequela. Ainda por cima, a Holanda (já qualificada) fez o favor de ir ganhar à Escócia e fez com que os britânicos fossem o pior 2º classificado, pelo que estou convencido que, se Portugal ganhar os dois jogos em casa que faltam, conseguirá ir ao play of. Espero que isso aconteça, mas nada apagará esta vergonhosa fase de qualificação.

domingo, setembro 06, 2009

Sina portuguesa

A selecção nacional empatou na Dinamarca (1-1) e, com a vitória da Suécia na Hungria (2-1), deixou de depender apenas dela para chegar ao play-of de acesso ao Mundial 2010. Foi um jogo perfeito do que costuma ser a selecção portuguesa (Scolari e Humberto à parte, obviamente): muitas e claras oportunidade de golo, falhanços inacreditáveis, eficácia do adversário e óptima desculpa de um penalty por marcar a nosso favor para justificar o resultado menos positivo.

Jogando na táctica da moda, o famigerado losango, Portugal fez a melhor exibição dos últimos tempos. Chegámos a ser brilhantes e assumimos mais uma vez o nosso estatuto de melhor selecção do mundo de futebol sem balizas. Na hora de rematar é que estava tudo estragado. O Simão esteve particularmente infeliz neste aspecto e teve dois falhanços de baliza aberta. Os dinamarqueses pouco chatearam a nossa defesa, excepto perto do intervalo quando inauguraram o marcador.

Na 2ª parte, a fazer lembrar esta célebre substituição, o senhor professor Carlos Queiroz fez entrar o Liedson, mas alterou a táctica para o 4-3-3! Porquê continuar a jogar bem no losango, quando se mete um ponta-de-lança que está é mesmo habituado a jogar em 4-3-3? Ou não será assim? Será que o Liedson sempre jogou é num losango no seu clube? Assim sendo, nada melhor do que provar que ele também é bom no 4-3-3, não é, senhor professor Carlos Queiroz? Como é óbvio, a 2ª parte da selecção não foi tão boa, também porque o Deco, que tinha sido dos melhores na 1ª, baixou imenso de nível. O Liedson falhou uma oportunidade de baliza aberta, mas compensou com o golo do empate a 5’ do fim. Até final, ainda tivemos oportunidade para chegar à vantagem, mas não conseguimos.

Vai ser um escândalo, mas muito provavelmente a selecção vai ficar fora do Mundial. Para continuar a ter esperanças, é imperioso ganhar na Hungria na próxima 4ª feira. Se não o fizermos, ficaremos mesmo em casa, mas como estamos num país onde a falta de vergonha impera, aposto que vai continuar tudo na mesma. Ou seja, o senhor professor Carlos Queiroz não vai ter a hombridade de colocar o lugar à disposição. Quem quer apostar?

P.S. – E o burro era o outro...!