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domingo, janeiro 27, 2008

Contra tudo e contra todos

Vencemos em Guimarães por 3-1 e reforçámos o nosso 2º lugar. Dois golos do Cardozo e um do Maxi Pereira deram-nos um triunfo muito justo, mas bastante problemático, já que tivemos que jogar contra 14.

Não percebo o porquê de os jogadores do Benfica não mostrarem este espírito de sacrifício em todos os jogos. Sem o Luisão e com o David Luiz a sair ao intervalo, conseguimos manter-nos coesos e a pressionar o V. Guimarães muito perto da área deles (principalmente na 1ª parte). Chegámos ao intervalo a ganhar milagrosamente (já explico porquê) por 2-0 e depois de sofrermos um golo aos 15’ da 2ª parte, conseguimos aguentar a pressão de tal modo que o V. Guimarães não criou praticamente mais nenhuma oportunidade flagrante. No último minuto, o Cardozo acabou com as dúvidas.

Individualmente merecem destaque o paraguaio, pelos dois golos (e espero que de uma vez por todas seja ele a primeira opção para marcar os livres) e por ter ganho inúmeras bolas de cabeça aos defesas, o Di María, pela brilhante jogada do 2º golo e por ter recuado bastantes vezes para ajudar o Nélson, e o Petit, que qual Fénix renasceu das cinzas e fez uma óptima exibição. Mas a equipa esteve em geral toda bem, sendo igualmente de destacar o Nuno Assis, que entrou muitíssimo bem e foi muito importante a segurar a bola na 2ª parte. Mesmo o Luís Filipe não esteve ao seu nível habitual, o que é obviamente um elogio.

No entanto, o grande destaque do jogo foi infelizmente o trio liderado pelo Sr. João Ferreira. Há bastante tempo que não via uma arbitragem tão VERGONHOSA! Como disse, foi um milagre termos chegado ao intervalo a ganhar. Fomos EXPOLIADOS de uma forma escandalosa, mas como ganhámos aposto que isto vai passar despercebido. E como nós, anjinhos que somos, não temos director desportivo nem nenhum porta-voz oficial, também não é preciso ser adivinho para saber que esta ROUBALHEIRA vai passar incólume até da nossa parte. O V. Guimarães tem sido de longe a equipa mais beneficiada deste campeonato e hoje ter-se-ia matado dois coelhos de uma cajadada. Ficavam eles no 2º lugar e a nossa distância para o clube regional aumentaria. Infelizmente para eles, o Cardozo & Cia estragaram-lhes a festa. Mas isto tem que acabar de uma vez por todas! O Apito Dourado nunca mais se resolve e estas vergonhas continuam a acontecer com maior ou menor periodicidade. Talvez só se lá vá com medidas drásticas, mas o que é certo é que isto começa a fartar. Senão vejamos:

- Nos dois únicos lances perigosos do V. Guimarães na 1ª parte, ambos os jogadores que remataram à baliza (Fajardo e Mrdakovic) estavam claramente em fora-de-jogo (claro está que os ORDINÁRIOS da Sport TV esqueceram-se de mencionar isso no resumo);
- Um lance em que o Cardozo ficaria isolado foi anulado por fora-de-jogo, quando estavam dois(!) adversários a colocá-lo em jogo;
- Foi assinalada mão ao Cardozo, quando a bola lhe bate nos cotovelos que estavam encostados ao peito. Claro que o paraguaio se preparava para isolar pela direita;
- Uma rasteira ao Rui Costa, que ficaria só com o guarda-redes pela frente, foi transformado de expulsão do adversário em amarelo a ele por simulação! E o maestro até teve que ser assistido fora do campo!
- O Petit leva amarelo quando a bola lhe ressalta do pé para o braço. Isto quando as entradas por trás dos adversários passaram incólumes (logo no 1’ houve uma sobre o Maxi Pereira) e quando um lance semelhante, mas ao contrário, não teve o mesmo tratamento;
- É assinalada falta ao Rui Costa na área do V. Guimarães, quando há uma disputa de bola dele com um adversário;
- Um atraso ao guarda-redes, na sequência de um cruzamento do Cardozo, não é assinalado e claro que os ORDINÁRIOS da TVI nem sequer mostraram repetição do lance;
- O jogador que marca o golo deles está fora-de-jogo no momento da marcação do livre. No resumo da Sport TV, o jornalista Pedro Ricardo Martins diz que, como a bola foi tocada pelo Luís Filipe, não é fora-de-jogo! Claro está que esse lagarto insuportável do Valdemar Duarte da TVI (que orgasmos que o homem tinha cada vez que a bola se aproximava da nossa baliza!) não disse nada.

Isto já para não falar nas faltas sobre o Cardozo nas disputas de bola que continuam a não ser assinaladas. Enfim, a equipa de arbitragem teve azar com o bom jogo que fizemos e que não lhes permitiu levar a deles avante. Mas isto é INADMISSÍVEL e vai ter que ter um fim mais tarde ou mais cedo. Tal como me comentava o Pedro F.F. ao intervalo, nós achamos que só quando jogamos bem e merecemos ganhar é que temos moral para falar destas VERGONHAS e não deixa de ter razão. O péssimo jogo que realizámos contra o Leixões abafou a inacreditável roubalheira do Sr. Paulo Costa. Ah, mas é verdade, esqueci-me. Mesmo que assim não fosse, isto ficaria sempre abafado porque não temos NINGUÉM que se levante e diga BASTA. O Camacho não faz isso, os jogadores não podem fazer porque senão são castigados e isto não é trabalho do presidente. Eles andem aí, mas nós continuamos a não denunciar as coisas. Tudo isto é lamentável!


[Adenda: pela pertinência das imagens, aqui fica o resumo de muitas das coisas que referi no post. Um abraço ao Bakero, o responsável por este autêntico serviço público.]


sábado, janeiro 19, 2008

Lisonjeiro

Vencemos o Feirense por 1-0 e apurámo-nos para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. Mas continuamos a exibir-nos a um nível muito baixo. E, tal como sucedeu com o Leixões no passado sábado, na 2ª parte, apesar de o Cardozo (que disparate foi aquele de oferecer a camisola a um adepto?!) ter marcado o nosso golo logo aos 49’, poderíamos perfeitamente ter sofrido pelo menos um. Eles tiveram mesmo uma oportunidade flagrante a 10’ do fim, numa das muitas ofertas do Butt. Em relação à nossa exibição, voltou a acontecer o habitual, uma das partes (1ª) foi melhor que a outra (2ª), sendo que nenhuma delas fosse alguma coisa de jeito.

Estamos muito nervosos e as coisas não saem bem. Não quero estar sempre a bater na mesma tecla, mas há uns quantos jogadores que não se percebe o que estão a fazer na equipa. Acima de todos, o Maxi Pereira que é de uma nulidade atroz. O Luís Filipe também se voltou a exibir ao seu nível habitual. O Di María precisa de ser menos intermitente e mais objectivo. Mas o que mais me espantou foi o facto de não termos alinhado com dois avançados de início. Caramba, estávamos a jogar contra o Feirense! Só o Rui Costa fazia qualquer coisa de jeito e na 1ª parte todo o nosso jogo passou por ele. Atirámos uma bola ao poste pelo regressado Katsouranis e, mesmo não jogando bem, merecíamos ter chegado ao intervalo a ganhar. O grego e o Nuno Assis também estiveram uns furos acima dos restantes companheiros.

Na 2ª parte, entraram logo de início o Adu e o Cardozo e saíram o Maxi Pereira (ena, ena!) e o Di María. Marcámos muito cedo, mas isso não serviu para nos acalmar e melhorar a exibição. Ao invés, foi o Feirense que começou a atacar e a criar oportunidades. Temos um grave problema: o nosso guarda-redes suplente (que se diz custar 100.000€/mês) faz o Moretto parecer o melhor do mundo! Não sei como é que vamos descalçar esta bota, já que dificilmente o conseguiremos colocar nalgum clube. É uma das várias incongruências que temos no plantel (juntando o seu ordenado com o do Zoro e oferecendo-o ao Simão, aposto que ele teria ficado). A sua exibição de hoje roçou o ridículo com três erros graves que nos poderiam ter custado outros tantos golos. Então aquela a 10’ do fim, depois de outro erro do Luís Filipe, foi de bradar aos céus. Nós não conseguimos matar o jogo e tivemos alguma sorte em não sofrer nenhum golo, já que houve uma bola que embateu na nossa barra (num dos erros do Butt). Na 2ª parte, o Feirense jogou de igual para igual em relação a nós.

Principalmente nesta altura o que mais interessava era ganhar e seguir em frente. Isso foi conseguido, mas estou a ver o panorama muito negro. Alguns jogadores fundamentais estão em má forma (Luisão), ou lesionados ou ambas as coisas (Petit) e não estou a ver como é que poderemos ganhar em Guimarães. Ainda por cima, os minhotos têm jogado sistematicamente com 14 durante muitos jogos (Setúbal – casa e fora - e frente ao Braga em casa, só para referir dois casos). Vamos esperar para ver, mas os tempos são tristes.

P.S. – Já agora, era bom que o sorteio da Taça de Portugal na próxima 3ª feira nos fosse simpático. O Atlético de Valdevez em casa, por exemplo.

domingo, janeiro 13, 2008

Adeus

O empate em casa (0-0) frente ao Leixões significou, se dúvidas ainda houvesse, o fim das esperanças relativamente à conquista do título. 11 pontos de desvantagem, por muita confiança que eu tenha no Jesualdo Ferreira, acho que nem o Luís Campos seria capaz de desperdiçar. Há que reconhecer que estamos em crise e que a equipa não dá sinais de melhoria. E, perante o que se viu no jogo de ontem, este resultado esteve longe de ser injusto.

Logo no início da 2ª parte, comentei com os meus colegas de bancada que nem estávamos a jogar muito mal e que portanto estava bastante preocupado com a possibilidade de os segundos 45 minutos serem piores. Não foi difícil acertar nesta previsão. Mais uma vez mantivemos a tendência das últimas partidas, com a diferença que o adversário foi-nos nitidamente superior no 2º tempo e teve neste período mais oportunidades do que nós para ganhar o jogo, incluindo duas bolas aos postes (se bem que na segunda o Quim estivesse a cobrir o ângulo). Com a suspensão do Katsouranis e a lesão do C. Rodríguez (que ficou no banco durante os 90’), alinhámos finalmente com o Nuno Gomes e o Cardozo na frente, e o Di María no lado esquerdo. E a dupla atacante foi protagonista de um dos maiores roubos do campeonato até agora. Aos 16’, o Sr. Paulo Costa e o seu fiscal-de-linha conseguiram anular um golo ao Nuno Gomes quando este tinha não um, mas dois(!) adversários a colocá-lo em jogo. Nem sequer estava em linha! Perto do final da 1ª parte, o Sr. Paulo Costa assinalou um penalty por empurrão sobre o Léo, mas segundo indicações do tal fiscal-de-linha corrigiu a decisão e marcou livre directo. O lance é duvidoso, mas parece-me que o toque é ligeiramente fora da área. De qualquer maneira, e mais uma vez, desperdiçámos esta soberana oportunidade, ao marcar o livre de forma indirecta tal como em Glasgow. Resultado: a bola OBVIAMENTE bateu na barreira! Será que os jogadores do Benfica não se convencem que livres directos à entrada da área são para marcar de forma... DIRECTA?! Ou haverá alguma regra que o impeça?

A 2ª parte foi de bradar aos céus. Perdemos o controlo do jogo e as poucas oportunidades que tivemos, tirando o bom remate do Léo, foram na sequência de ressaltos. Apesar de eu gostar do Camacho, não posso estar NADA de acordo com as substituições que fez. Começou por tirar o Nélson aos 62’ para colocar o Nuno Assis. O Maxi Pereira, que estava a fazer um péssimo jogo, recuou para defesa-direito, enquanto o Assis foi para extremo-esquerdo e o Di María para o lado direito. Confuso, não? Haverá alguma cláusula no contrato do Maxi que o impeça de ser substituído?! Ainda por cima, o Nélson estava longe de ser dos piores e era dos poucos na equipa que tinha velocidade. Depois, as restantes substituições foram como habitualmente já nos últimos 15’: Mantorras e Adu. Para tornar as coisas mais discutíveis, tirou o Cardozo, cuja presença na área teria sido importante para a pressão final (que, claro, acabou por não haver). Por outro lado, deve haver aqui outra regra interna que impeça o Adu de jogar mais de 10’ por partida, caso contrário também não se percebe-se o porquê da sua entrada tão tarde. Entre as duas bolas ao poste sofridas e outra oportunidade à boca da baliza falhada pelo Leixões já perto do fim, e o tal lance do Léo juntamente com dois remates do Petit, que foram defendidos com o pé pelo guarda-redes, se passou a 2ª parte. Que ainda teve o bónus de nos presentear com possivelmente o pior livre directo da história do Benfica: o remate do Petit à entrada da área foi parar ao 3º anel (Simão, where art thou?).

Individualmente vou destacar o Rui Costa. É o único que merece. Voltou a ser o melhor, a tentar levar a equipa para a frente e ainda a vir recuperar algumas bolas atrás. É muito inglório que tenha uma época destas para despedida de carreira (outro GRANDE erro que vamos cometer, mas enfim...). O Luisão e o Petit devem ter feito provavelmente o pior jogo das suas vidas e com estes dois membros do núcleo duro nesta forma é difícil que estejamos a jogar alguma coisa. E deixo aqui uma pergunta: quantos mais jogos é que o Maxi Pereira vai fazer a extremo-direito?

Corremos o risco de nos arrastar penosamente até final da época e espero bem que o Feirense para a semana não seja um novo Gondomar.

domingo, janeiro 06, 2008

Tiros no pé

Defrontar fora uma equipa (V. Setúbal) cujo único jogo que perdeu até agora (clube regional) foi de propósito e ter dois dos mais experientes jogadores (Luisão e Katsouranis) quase a chegarem a vias de facto em pleno relvado(!) muito dificilmente teria outro resultado que não a cedência de pontos (1-1). O facto de o golo do empate do adversário ter acontecido a dois minutos do fim foi o que tornou pior as coisas. Acho bem que vão buscar estes pontos perdidos às carteiras daqueles dois jogadores.

Ao contrário das últimas partidas, entrámos bem no jogo. De tal forma, que o V. Setúbal pouco mais fez do que uns tímidos contra-ataques durante a 1ª parte. No entanto, não conseguimos criar gritantes oportunidades de golo, com excepção de um cabeceamento do C. Rodríguez aos 15’. À passagem da meia-hora, o uruguaio teve aparentemente um problema muscular e foi substituído pelo Di María, tornando-se a terceira baixa de vulto para o jogo juntamente com o Nuno Gomes e o Léo. Os nossos remates fora da área raramente iam à baliza e foram mesmo os setubalenses a terem a última oportunidade do 1º tempo na sequência de um canto, com os cumprimentos do Sr. Paraty que deu dois minutos de desconto, mas só apitou para o intervalo três minutos e vinte segundos(!) depois, naturalmente após a marcação do tal canto. Tudo dentro da normalidade, tal como a regra específica do nosso campeonato que diz que sobre o Cardozo nunca é falta. Podem apoiar-se, empurrar e pontapear que não faz mal nenhum.

Na 2ª parte estivemos pior, confirmando a tendência para uma grande discrepância na exibição entre as duas partes do jogo. Um remate à figura do Petit foi o melhor que conseguimos antes do incrível minuto 64. Em 31 anos de vida e de Benfica nunca tinha visto tal coisa em pleno jogo (os affairs Thomas-Kandaurov e Argel-Everson foram em treinos). Dois companheiros a empurrarem-se mutuamente, tendo de ser separados pelos colegas é algo que não se encaixa naquilo que deve ser o Glorioso Sport Lisboa e Benfica e os que o representam. Ainda por cima, estão longe de ser novatos e um deles até é um dos capitães da equipa. O que vale é que temos no banco alguém que cortou logo o mal pela raiz e os substituiu passado pouco tempo. Espero SINCERAMENTE que eles sejam punidos e BEM punidos, pelo menos com uma multa de um mês de ordenado. Entraram o Edcarlos e o Mantorras e na altura não percebi o porquê de não colocar o Adu em campo em vez do angolano. Afinal, o americano tem mais minutos nas pernas e tem-nos dado alegrias perto do final dos jogos. Só que há de facto algo de divino no Mantorras. Assim que tocou na bola tratou de me mostrar quão errado estava, ao marcar um golo à ponta-de-lança. É certo que foi feliz no remate, mas a maneira como preparou a bola foi muito boa. Estávamos no minuto 71 e conseguíamos o mais difícil. Só que o pior veio depois, com o Edcarlos a mostrar porque é que é suplente. Uma falta perigosa e desnecessária à entrada da área e um corte falhado que permitiu ao Edinho ficar na cara do Quim precederam a abébia do golo a dois minutos do fim. Não só não deu um passo em frente que colocaria o mesmo Edinho fora-de-jogo, como ainda por cima falhou o corte de cabeça, permitindo ao avançado do V. Setúbal empatar a partida. Claro que o Luís Filipe se limitou a estender a passadeira vermelha para ele cabecear à vontade, mas a grande dose de culpa vai para o defesa brasileiro. Com o jogo partido, até final ainda tivemos duas ocasiões, mas tanto o remate do Mantorras como o do Maxi Pereira foram defendidos pelos guarda-redes. Empatámos um pouco ingloriamente, mas não se pode dizer que o V. Setúbal não tenha feito os seus avisos prévios.

Individualmente há que destacar o Nélson que quase fez esquecer o Léo na esquerda. Só lhe contei uma falha na partida inteira que foi mais que compensada pelos inúmeros cortes fantásticos quando era o nosso último defesa. O Rui Costa melhorou bastante na 2ª parte e como é habitual todo o nosso jogo passou por ele. O Cardozo esteve muito esforçado, mas mais uma vez demonstrou-se que não pode jogar sozinho na frente. Esforçado foi igualmente o Maxi Pereira, mas para ser extremo-direito do Benfica é preciso ter velocidade e saber ganhar duelos individuais, o que não é de todo o caso dele. O C. Rodríguez estava a ser dos melhores quando se lesionou e o Di María não o fez esquecer. Espero que este golo seja sinónimo do ressuscitar do Mantorras, que bem precisamos de alguém que agite as águas quando é preciso. O Petit ainda está longe da sua forma, o que se compreende dado as lesões que já teve este ano. O David Luiz e o Luís Filipe estiveram ambos no seu nível habitual (não é preciso dizer mais nada, pois não?). O Quim limitou-se a ser um espectador e sobre o Luisão e Katsouranis recuso-me a falar.

Se ganhámos três pontos ao clube regional na jornada passada, nesta vamos oferecer-lhe dois. A derrota dos lagartos no Bessa é parca compensação, mas permite-nos não só manter o 2º lugar, como aumentar a distância para três pontos. Sejamos realistas, nove pontos de diferença para a liderança no final da 1ª volta é muito ponto. Apesar de ter muita confiança nesse vendido chamado Jesualdo Ferreira, acho melhor que nos concentremos verdadeiramente na Taça de Portugal e, principalmente, Taça Uefa, porque, como já disse mais que uma vez, não podemos passar outra época sem ganhar nada.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Ano Novo

Para além dos votos habituais, o que eu mais desejo este ano é não ter que repetir no início de 2009 aquilo que escrevi em 2007. Porque, infelizmente, agora em 2008 ainda permanece actual.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Feliz Natal

Neste dia especial, renovo o meu desejo habitual de um Natal GLORIOSO a todos os que merecem.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Sorteio Uefa

Menos mal. Vamos defrontar o Nuremberga e pode ser que nos inspiremos na gloriosa campanha europeia de 61/62, quando fomos bi-campeões europeus. Outra curiosidade é que vai haver uma reunião dos “amigos do Ricardo”: Luisão e Charisteas. Se passarmos, iremos defrontar o vencedor do AEK Atenas – Getafe, o que tomando em conta algumas equipas que estão em prova (Bayern Munique, Tottenham, Fiorentina, Werder Bremen, Everton e PSV) não se pode considerar mau de todo. Acho que temos obrigação de chegar aos quartos-de-final, mas eu também fiquei contente por nos ter calhado o Espanyol e pelo grupo da Champions do ano passado, e fomos eliminados em todos eles, pelo que todo o cuidado é pouco. Mas lá que o sorteio poderia ter sido pior, lá isso poderia. E, sonhando um pouco alto, se no ano passado comemorei o meu aniversário em Paris, pode ser que este ano seja em Madrid...

Quanto aos outros, o clube regional lá teve a sua habitual sorte em sorteios europeus e irá defrontar o Schalke 04, os lagartos também tiveram brinde com o Basileia (pode ser que o Carlitos finalmente justifique a sua contratação pelo Benfica) e ao Braga calhou-lhe a fava com o Werder Bremen. Mas o mais engraçado é ver que, se os lagartos passarem, irão defrontar o vencedor do Bolton – Atlético Madrid! Até seria capaz de ir ao WC só para matar saudades do Simão... :-)

Ligeiras melhorias

Voltámos às vitorias ao derrotar o E. Amadora por 3-0. No entanto, estivemos longe de fazer uma boa exibição, tendo a 1ª parte assemelhado-se (e de que maneira!) ao hediondo jogo do Restelo. Após o intervalo as coisas melhoraram e o golo logo aos 52’ ajudou a estabilizar a equipa. Mas é indesmentível que algo vai mal no Benfica. Aquele 1º tempo foi muito estranho.
O Camacho voltou a apostar na mesma equipa do Restelo, só o Binya entrou para o lugar do lesionado Petit. Quanto a mim, ele voltou a errar ao não colocar o Nuno Gomes ao lado do Cardozo. Caramba, estávamos a jogar em casa frente ao Estrela! No entanto, e muito sinceramente, não percebi os jogadores durante os primeiros 45’. Jogaram sempre devagar ou parados. A velocidade era um termo chinês para a maioria deles. Qual foi a ideia? Uma repetição do jogo de Belém era tudo o que nós não queríamos ver. Querem tramar o treinador? O presidente? Os adeptos? Mesmo assim, como o E. Amadora é bastante mais fraco do que o Belenenses, ainda conseguimos criar duas oportunidades, com cabeceamentos do Cardozo e C. Rodríguez. Nada justifica a 1ª parte de certos jogadores, especialmente do Maxi Pereira. Parecia que tinha aterrado de pára-quedas na equipa, tal a forma como tudo lhe saiu mal. O Katsouranis, Nélson e C. Rodríguez também estiveram irreconhecíveis. O Cardozo estava muito desacompanhado e o Rui Costa fazia o que podia, embora não estivesse a fazer um grande jogo. O Di María e o Nuno Gomes começaram a aquecer ainda antes do intervalo, o que indiciava alterações na equipa.

Estranhamente na 2ª parte ficaram o Nélson e o Rui Costa nos balneários para entrarem aqueles dois jogadores. Caiu-me o queixo ao chão! Se o Nélson estava a jogar mal, o Maxi Pereira nem se fala! Mas o que mais me espantou foi mesmo a saída do maestro. O Benfica está acima de tudo e não deve haver vacas sagradas no plantel. No entanto, só quem não tem olhos na cara é que pode achar que o Rui Costa merecia sair ao intervalo. E é isto que me preocupa no Benfica. O que é que se passa? Como é que o Rui Costa sai e o Maxi Pereira ou o Katsouranis ficam? Não foi por uma questão de merecimento, isso é certo, então porque foi? Eu tenho o Camacho por um treinador justo, mas ele não o foi neste jogo. Porquê? Tenho medo que se passe alguma coisa menos boa dentro do plantel. Melhorámos a produção, não porque o Rui Costa saiu, mas devido ao facto de toda a equipa se entregar mais à luta e começar a ganhar mais bolas ao adversário. O golo cedo ajudou e o E. Amadora nunca criou verdadeiro perigo. Não deslumbrávamos, mas controlámos perfeitamente a partida. Com dois avançados na frente, criámos bastantes mais desequilíbrios (ó Camacho, por favor, percebe lá isto!) e as oportunidades foram surgindo, nomeadamente pelo Cardozo, Katsouranis e Nuno Gomes. Até que aos 70’, o David Luiz sofreu uma falta do tamanho do mundo dentro da área e o Cardozo converteu bem o respectivo penalty, atirando para o lado esquerdo da baliza, quando até agora tinha sempre marcado para o lado direito. A partida estava ganha, mas ainda tivemos tempo de marcar mais um, aos 90’, numa boa jogada de contra-ataque do Di María que assistiu muito bem o Nuno Gomes, e de o Cardozo falhar outro, já perto do apito final do árbitro.

Individualmente destacou-se o Di María, que foi o principal desequilibrador da 2ª parte, porque utilizou uma coisa muito simples: velocidade. O Binya esteve bem a recuperar bolas, mas mal no passe. O C. Rodríguez não parece o mesmo jogador que quando chegou, mas mesmo assim melhorou no 2º tempo. O David Luiz também não esteve mal, especialmente quando se incorporou no ataque. Outro que fez um jogo bem acima da média é o maior mistério do Benfica neste momento: Léo. Gostaria muito que me explicassem qual é a dúvida em relação à sua renovação. O homem é titular indiscutível, dá sempre tudo em campo, tem qualidade, está mais que identificado com o Benfica e com os adeptos, mostra interesse em ficar: qual é o problema? Queremos ir buscar outro Cristiano, Rojas ou Escalona, é isso?

Só uma nota final para dizer o seguinte ao Luisão: um capitão do Benfica, depois de acabar um jogo na Luz, NÃO PODE ser o primeiro a correr para os balneários. Nunca em caso de derrota e também não quando ganhamos. Qual foi a pressa? Ias apanhar o avião? TODOS os jogadores têm obrigação de saudar os adeptos no final da partida, especialmente se ganhamos, e um capitão ainda mais. Nós não atiramos as vossas camisolas de volta para o campo como outros, merecemos ser respeitados e a simbose entre a equipa e os adeptos faz-se muito nestes momentos. Ainda bem que estava alguém em campo como o Nuno Gomes, que ficou incrédulo com a deserção da maioria dos colegas, mas ainda conseguiu saudar os adeptos com o Léo (olha, que coincidência...!), Quim e Adu. Espero que tenha sido apenas um momento menos bom da tua parte, Luisão.

P.S. – Para o sorteio da Uefa amanhã, era bom que evitássemos a Fiorentina e o Tottenham. Quanto aos outros, prefiro o Spartak Moscovo (estará em pré-época na altura dos jogos), Helsingborg ou Basileia. O Nürnberg e o Panathinaikos também não são inacessíveis (até porque os gregos são treinados pelo... Peseiro!), mas presumem-se mais complicados que os anteriores.

domingo, dezembro 16, 2007

Miserável

A pior exibição da época só podia resultar numa derrota. Perdemos em Belém (0-1) e devemos ter dito de vez adeus ao título. Em duas jornadas passámos de uma possível distância de um para 10 pontos em relação ao 1º classificado. Se perder é sempre péssimo, uma prestação como a deste jogo é inqualificável. O Camacho tinha avisado durante a semana, mas parece que os jogadores não lhe deram ouvidos. De tal maneira, que o Petit e o Rui Costa se viram obrigados a pedir desculpa aos adeptos no final da partida. Quem levou com o frio que estava e com 30€ em cima (como foi o meu caso, na boa companhia do D’Arcy) merecia um pouco mais de respeito.

Sinceramente nem tenho vontade de escreve sobre o jogo. Não se aproveitou nada. Entrámos pessimamente e nunca conseguimos ser superiores ao Belenenses. A nossa lentidão de processos foi exasperante e também há alguns jogadores que demonstram uma clara quebra de forma. O mais notório é o caso do C. Rodríguez, que desde que voltou da selecção, não parece o mesmo. O Maxi Pereira também não existiu (aquele domínio falhado que lhe permitiria seguir isolado para a baliza foi patético) e o Katsouranis andou sempre perdido no meio-campo. O desgraçado do Cardozo, apesar de ter falhado um golo relativamente fácil, teve muito pouco jogo e é bom que o Camacho se convença que tem que jogar com ele e o Nuno Gomes na maioria dos jogos. As nossas melhores oportunidades (embora fossem muito poucas) deram-se com os dois em campo. O Rui Costa foi o único que fez alguma coisa de jeito na 1ª parte, mas na 2ª esteve irreconhecível. Além disso, falhou muitos passes para o que é habitual. A defesa também não esteve brilhante, sendo o Luisão muito mal batido no lance do golo, ao dar muito espaço ao avançado contrário. O Nélson melhorou na 2ª parte, mas nunca criou desequilíbrios atacantes. O David Luiz também foi dos menos maus, assim como o Léo.

Era importantíssimo conseguir duas vitórias nestes dois jogos antes das férias natalícias, não só para não perder mais pontos para o 1º, como para ganhar confiança, até porque vem aí o mercado do Janeiro e teoricamente podemos melhorar a qualidade da equipa. Mas não, fizemos um jogo displicente e pareceu que entrámos vencidos. Depois de duas vitórias que nos permitiram seguir em frente nas taças, muito sinceramente não percebi esta atitude da equipa.

P.S. – Estes tipos do Belenenses inventam sempre uma nova. No ano passado foi o inefável “e quem salta é pastel... é pastel... é pasteleeeeee”. Este ano lembraram-se de colocar nos altifalantes do estádio em altos berros durante o jogo(!) os cânticos da meia-dúzia de membros da sua claque. Ridículo!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Inútil sofrimento

Um golo do Luisão e o segundo bis consecutivo do Cardozo permitiram-nos derrotar a Académica (3-1) e seguir em frente na competição em que temos a obrigação de chegar à final. A Taça de Portugal é realisticamente o troféu mais ao nosso alcance e um clube como o Benfica não pode estar mais um ano sem nada ganhar. Chegámos ao intervalo a ganhar por 2-0, mas o Butt resolveu dar um pouco de emoção ao jogo ao conceder um frango descomunal aos 53’, que o Sr. Carlos Xistra aproveitou (e de que maneira!) para inclinar o campo a favor da nossa baliza. No entanto, nem com meia-dúzia de livres inventados, a Académica foi capaz de igualar. Paciência, Sr. Xistra, para a próxima tem que ser mais eficiente. Experimente um penaltizinho, que é mais fácil! Foi inacreditável a mudança da arbitragem da 1ª para a 2ª parte.

O Camacho aproveitou para fazer algumas alterações na equipa e saíram o Quim, David Luís, Katsouranis, Maxi Pereira e Rui Costa, entrando o Butt, Edcarlos, Binya, Nuno Assis e Nuno Gomes em relação ao último jogo. A 1ª parte foi muito lenta, mas mesmo assim poderíamos ter marcado antes dos 40’. O Edcarlos atirou ao poste logo aos 7’ e o Cardozo também teve uma boa oportunidade, mas rematou por cima. A Académica era inofensiva e o golo do Luisão veio dar justiça ao marcador. Cinco minutos depois, uma excelente jogada do Léo, pontuada com uma óptima tabelinha do Nuno Gomes, isolou o Cardozo que só com o Pedro Roma pela frente fez o que se pede a um matador. Pensava eu que íamos assistir a uma 2ª parte bem calma, mas pelos motivos acima referidos isso não se passou. Para além desses, também estivemos estranhamente nervosos e não criámos nem de perto nem de longe tantas oportunidades como no 1º tempo. O Léo lesionou-se num choque de cabeças logo aos 48’ e isso foi determinante para a viragem da partida, porque entrou o Luís Filipe para defesa-esquerdo e a Académica naturalmente aproveitou para fazer o seu ataque todo por esse lado. A 15 minutos do fim, lá entrou o Adu que, para não variar, ia metendo um golo na primeira vez que tocou na bola. E para manter a tradição, lá marcámos um golo nos últimos cinco minutos com ele em campo. Foi um belo cruzamento do Nuno Gomes, a que o Cardozo correspondeu com uma óptima cabeçada. Acho impossível que o paraguaio não ande a treinar este tipo de lances, já que é o segundo jogo consecutivo em que um excelente cabeceamento resulta em golo.

Em termos individuais, o Cardozo merece novamente destaque. Mais dois golos para a conta pessoal e um nunca desistir de lutar pela bola. O que a confiança faz, parece outro jogador. Gostei igualmente do Nuno Gomes (participou activamente em dois golos), mas mantém o terrível hábito de ter medo de rematar à baliza. No entanto, continuo a achar que na maioria dos jogos só temos a lucrar em jogar com dois avançados, até porque quando partimos para contra-ataque (e isso foi muito visível nesta partida) faz imensa diferença ter dois homens na frente em vez de um só. O resto da equipa esteve a um nível regular. O Nélson precisa de mais alguns jogos para atingir o seu nível, mas é infinitamente melhor que o Luís Filipe. O Petit e o Binya falharam muitos passes no meio-campo e a equipa ressentiu-se disso, em especial na 2ª parte. O Di María, apesar de não ter estado mal, continua a ter mais minutos que o Adu, o que é algo que não percebo. Por fim, se dúvidas houvesse em relação à titularidade na baliza, ficaram de vez dissipadas.

Numa partida em que tive a agradável companhia do JAS, do Jota e, ao intervalo, da Magnolia Azul, alcançámos o objectivo estar na próxima eliminatória da Taça de Portugal. Não fomos brilhantes, mas fomos eficazes. E isso é muito mais importante.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Somos GRANDES!

É por estas e por outras que os outros nunca chegarão aos nossos calcanhares! Foi uma exibição de raça, querer, determinação, humildade (que não é para todos) e capacidade de sacrifício, afinal aquilo que está no código genético do nosso clube. Ganhámos em Donetsk (2-1) e garantimos a passagem à Taça Uefa. Depois de uma semana complicadíssima, com três jogos de elevado grau de dificuldade seis dias, conseguimos superar-nos e mantivemo-nos nas competições europeias, cujo afastamento seria catastrófico em termos financeiros e de prestígio.

Com o Nélson, Di María e Cardozo na equipa não poderíamos ter melhor começo. Logo aos 5’, uma falha defensiva dos ucranianos, é bem aproveitada pelo paraguaio para nos colocar em vantagem. Desta vez não precisámos de 21 remates para meter um golo, se bem que o remate do Cardozo por pouco não tenha embatido no poste, o que seria uma perdida escandalosa, já que estava isolado. O Shakhtar respondia, imprimindo muita velocidade ao jogo e passámos por momentos de algum apuro junto da nossa baliza. Mas aos 22’ fizemos o segundo remate à baliza e marcámos o 2º golo! Excelente centro do Maxi Pereira a que o Cardozo respondeu com um cabeceamento à Rui Águas. Será que já anda a treinar o jogo de cabeça? Mas oito minutos depois, o David Luiz (que estava a ser dos melhores em campo) demonstrou que ainda precisa de crescer e empurrou desnecessariamente o Lucarelli na área. Foi o italiano quem marcou o penalty e o Quim esteve pertíssimo de o defender, mas a bola bateu no seu pé e infelizmente entrou na baliza. Faltavam jogar 2/3 da partida e a tarefa não se afigurava nada fácil. A pressão dos ucranianos foi bastante intensa até ao intervalo, mas perto do fim da 1ª parte tivemos uma boa ocasião pelo Maxi Pereira, que rematou de pé esquerdo por cima, quando estava em excelente posição na área.

O início da 2ª parte foi muito mau. Durante 5’ não conseguimos sair do nosso meio-campo e fartámo-nos de oferecer bolas ao adversário, que todavia não aproveitou para criar nenhuma situação clara de golo. Depois disso controlámos melhor a partida e o Shakhtar não foi capaz de criar tanto perigo como na 1ª parte. Infelizmente não saímos com a regularidade necessária para o contra-ataque e quando o fizemos muitas vezes os passes eram mal direccionados, o que nos impediu de criar situações de golo na baliza contrária. O tempo demorou imenso a passar, mas visto agora a frio nunca estivemos verdadeiramente em xeque. No entanto, a história do futebol está cheia de casos de golos fortuitos que deitam tudo a perder, pelo que o nervosismo foi enorme até final. O Camacho fez entrar o Nuno Assis para o lugar do Di María aos 67’ e passámos a controlar mais as subidas do lateral direito, já que o médio português defende bastante melhor. Na parte final entraram ainda o Luís Filipe e o Nuno Gomes (este deveria ter entrado mais cedo, porque o Cardozo deu mostras de bastante cansaço a partir de meio da 2ª parte) e conseguimos manter o resultado.

Em termos individuais, o Cardozo merece obviamente destaque. Esperemos que estes dois golos decisivos na Champions sejam o despertar da sua veia goleadora. Saúdo o regresso do Nélson, que, apesar de um ou outro disparate, demonstrou (como se fosse preciso...) ser muito melhor que o Luís Filipe. O Petit foi importantíssimo a meio-campo, assim como o Katsouranis, se bem que este com alguma intervenções menos felizes, especialmente quando atrasava a bola e esta calhava em pés adversários. Tirando o enorme disparate do penalty, o David Luiz esteve irrepreensível, mas a defesa depois dos calafrios da 1ª parte, lá se recompôs na 2ª. O Rui Costa está bastante cansado, o que é perfeitamente normal, mas apesar de algumas más opções na hora de libertar a bola, é essencial na marcação do timing do nosso ataque. O Di María necessita de melhorar o apoio ao lateral esquerdo, mas subiu de rendimento no 2º período. Finalmente, o Quim esteve lá quando foi preciso.

Vamos ver o que o sorteio nos reservará daqui a duas semanas, mas espero que cheguemos pelo menos tão longe como no ano passado, apesar desta época haver melhores equipas na Taça Uefa. Mas por enquanto saboreemos esta magnífica vitória!

sábado, dezembro 01, 2007

Sem pernas

Perdemos 0-1 com uma equipa que, se Portugal fosse um país onde o crime não compensasse, deveria estar neste momento a fazer o seu périplo na II Divisão. Por tudo o que aconteceu talvez o resultado mais justo fosse o empate, mas o resultado reflecte muito o que se passou na 4ª feira passada. O clube regional foi fazer turismo a Liverpool, enquanto nós dominámos o campeão europeu durante grande parte do jogo. Só que as pernas não dão para tudo e hoje isso notou-se muito claramente. Não conseguimos ser a equipa pressionante, que luta até ao último minuto e consegue resultados, que vínhamos sendo.

A posteriori é mais fácil dizer isto, mas acho que não era preciso ter dotes de adivinho para suspeitar que muito dificilmente poderíamos, com os mesmos jogadores, manter o ritmo de jogo que aplicámos frente ao Milan. O clube regional jogou com quatro jogadores novos em relação ao glorioso jogo europeu e notou-se a diferença. Se é verdade que há jogadores insubstituíveis, acho que o Camacho esteve mal ao não colocar o Binya de início. O Petit vem de uma lesão e já na 4ª feira tinha demonstrado não estar a 100%, o que é perfeitamente natural. Ainda por cima, na próxima 3ª feira vai ter que jogar de certeza por causa do castigo do camaronês. Perdemos muitas bolas no meio-campo e não havia ninguém com capacidade física para as recuperar. Por outro lado, o C. Rodríguez confirmou hoje o que se viu frente ao Milan, não parecendo o mesmo jogador que nos levou às costas durante uma série de jogos. A selecção, a lesão que teve e as viagens não lhe fizeram nada bem. E aqui o Camacho esteve novamente mal, ao mantê-lo em campo durante os 90’. Quando entrou o Adu deveria ter sido ele a sair e não o Nuno Gomes, que finalmente estava a jogar com o Cardozo ao lado. Por último, considero que o Camacho também errou ao fazer entrar o Di María antes do Adu. Já frente ao Milan, o argentino não esteve nada feliz e hoje voltou a não estar. Releva-se demasiado individualista e demora muito tempo a soltar a bola, enquanto o americano teve logo um remate perigoso assim que entrou e é mais objectivo.

Mas o mais importante é que em jogo decisivos não se podem falhar golos como o do Nuno Gomes logo no primeiro minuto. Ainda por cima, vi na TV que a bola nem sequer ia à baliza! Perdemos logo aí a melhor oportunidade que tivemos em todo o jogo. Os primeiros 10’ foram mesmo o período em que conseguimos empurrar mais o clube regional, mas a partir daí e até ao intervalo foram eles a tomar conta do jogo. A muito habilidosa arbitragem do Sr. Jorge Sousa nesses minutos iniciais, ao inventar uma série de faltas inexistentes a favor do clube regional, cortando muitas vezes a pressão que fazíamos, também teve a sua quota-parte de influência na mudança das coisas. Assim, foi natural que eles criassem mais oportunidades do que nós e não espantou o golo com que chegaram à vantagem pouco antes do intervalo. Golo esse que aconteceu numa perda de bola do C. Rodríguez em zona proibida que permitiu ao artista de circo fazer a única coisa de jeito durante a partida toda. Mas infelizmente acabou por ser decisiva. Na 2ª parte, o clube regional consentiu-nos o domínio e tivemos logo aos 46’ uma grande oportunidade outra vez pelo Nuno Gomes, mas desta vez com um bom remate que o Helton defendeu para canto. Rematámos mais que o adversário, mas as bolas que não iam para fora eram invarialvelmente chutadas com muito pouca força. E sem força física não conseguimos fazer a pressão que nos tem dado tantas vitórias nos últimos minutos.

Individualmente acho que o Nuno Gomes foi dos menos maus do Benfica, mas a exibição da equipa não foi mesmo nada de especial. O Rui Costa esteve razoável, mas quando assim é dificilmente conseguimos criar desequilíbrios suficientes. O Maxi Pereira foi outro que mudou do dia para a noite em relação ao Milan e o Katsouranis também esteve muito discreto. A defesa teve algumas dificuldades com a velocidade que o meio-campo do clube regional imprimiu especialmente durante a 1ª parte, mas o Léo foi importante na 2ª quando se fartou de descer pelo seu flanco.

O clube regional voltou a alargar a diferença quando ainda nem chegámos a meio do campeonato. Continuo com bastante fé nesse ser que trocou valores morais por títulos (um prostituto, portanto) de seu nome Jesualdo Ferreira, mas o campeonato ficou mais longe. Estou bastante pessimista para 3ª feira, especialmente em termos da resposta física que iremos dar, mas quem sabe se uma prematura eliminação das competições europeias (que será sempre uma desgraça) não nos permitirá melhorar em termos de campeonato. As coisas estão mais difíceis, mas em teoria estamos a quatro pontos do 1º lugar.

quinta-feira, novembro 29, 2007

O costume

Empatámos frente ao Milan (1-1) e com a vitória “à Glorioso” do Celtic (aos 93’!) frente ao Shakhtar Donetsk já não temos hipóteses de qualificação para os oitavos-de-final da Champions. Como já referi, enquanto não tivermos equipa para lutar pela vitória na Liga dos Campeões, prefiro seguir para a Taça Uefa depois da fase de grupos, porque um palmarés faz-se com títulos e não com oitavos ou quartos-de-final. Só que o problema é que mesmo a qualificação para a Uefa está muito complicada, já que temos que fazer aquilo que não conseguimos desde o glorioso dia 8 de Março de 2006: ganhar fora para a Liga dos Campeões. Muito sinceramente acho difícil, especialmente pela sequência de jogos desta semana. Mas enfim, vamos ter esperança.

Esta partida frente aos italianos foi igual a muitas outras. Fomos a melhor equipa, tivemos mais ocasiões, mas no fim não ganhámos. Geralmente é sempre assim, em especial quando jogamos em casa. Ao contrário do que é habitual, não entrámos nada bem no jogo. Tivemos medo, como o próprio Rui Costa reconheceu, e não espantou que o Milan aproveitasse para se colocar em vantagem logo aos 15’. Inacreditavelmente deixámos o Pirlo rematar à vontade fora da área (ninguém na equipa vê resumos da Liga Italiana?!) e claro que a bola foi direitinha para dentro da baliza. Pouco depois, o Nuno Gomes conseguiu ganhar uma bola no lado direito do meio-campo e correu isolado em direcção à baliza. Fiquei fulo quando ele fez um passe de morte para o C. Rodríguez em vez de tentar o remate, mas pude depois verificar na TV que ele fez bem, porque já tinha o Nesta em cima. Infelizmente, o uruguaio não dominou bem a bola e não conseguiu rematar em condições. Mas aos 20’ o Maxi Pereira teve um momento para recordar para a vida toda. É quase impossível não ter sido o melhor golo da carreira dele, um remate colocadíssimo fora da área, com o pé esquerdo(!), que ainda bateu no poste antes de entrar. A partir daqui e até ao intervalo, fomos a melhor equipa e tivemos algumas boas ocasiões para fazer o 2-1 (especialmente aquela em que o Nuno Gomes isola o Maxi Pereira na direita, mas o remate que até ia ao lado foi interceptado), se bem que o Milan estivesse sempre à espreita do contra-ataque. Então quando a bola chegava ao Kaká (que deveria ser multado pelo seu excesso de velocidade...), temia-se sempre o pior, mas mesmo assim conseguimos defendê-lo relativamente bem.

Na 2ª parte, o Milan fechou-se na defesa e deixou de atacar. Muito “à italiana”. Enquanto isso, nós íamos fazendo jus à fama de sermos a equipa que mais remata na Liga dos Campeões, o que não deixando de ser positivo, revela igualmente a terrível falta de eficácia que temos. O Rui Costa, Petit e Nuno Gomes tiveram boas ocasiões para marcar, mas o destino da bola nunca foi o lado de dentro da baliza. Como a equipa estava a jogar bem e a pressionar o Milan era natural que o Camacho tardasse a fazer substituições, mas quando as realizou a 15’ do fim percebeu-se que era mesmo para ganhar o jogo: saiu o Luís Filipe para entrar o Di María e houve a troca directa de pontas-de-lança (Nuno Gomes por Cardozo). Aquele passe do Rui Costa a isolar o paraguaio, em que a bola saiu 50cm mais para a direita do que deveria, impedindo o Cardozo de chegar à bola, foi uma pena. Quando se fez a substituição da fezada, com a entrada do Adu, o Camacho surpreendeu ao tirar o David Luiz e a ratice italiana veio ao de cima. As duas únicas oportunidades deles na 2ª parte foram nessa altura. Mas felizmente o Kaká falhou em ambas e o empate manteve-se até ao fim.

O melhor do Benfica foi o Maxi Pereira, que realizou a exibição mais conseguida desde que chegou à Luz e não só pelo golo que marcou. O David Luiz também esteve muito bem, demonstrando grande classe (mesmo assim, ainda bem que o Inzaghi não veio, já que o Gilardino é bem mais fraco). O Rui Costa demorou um pouco a entrar no jogo, mas na 2ª parte os lances de perigo passavam todos por eles. Quem também foi crescendo de produção ao longo da partida foi o C. Rodríguez, que fez uma péssima 1ª parte. O Petit é que mostrou estar a um nível abaixo dos companheiros, o que é natural dado a sua recuperação da lesão, mas mesmo assim na 2ª parte melhorou imenso.

Só uma última palavra para a assistência. Considero LAMENTÁVEL que, num jogo decisivo frente ao campeão europeu e depois de cinco vitórias para o campeonato, o estádio tenha tido apenas cerca de 50.000 espectadores. Alguma coisa está mal quando isto acontece, mas não me parece que a culpa seja da equipa... Mas quem foi apoiou, e muito bem, o Glorioso.

P.S. – Isto de ganhar em Anfield Road é só para grandes equipas. As pequenas geralmente saem de lá derrotadas e por vezes por 4-1...

domingo, novembro 25, 2007

A 7ª vez

Vencemos em Coimbra por 3-1 e alcançámos a 5ª vitória seguida para o campeonato. Além disso, seguindo uma tradição camachiana é a 7ª vez que marcamos golos nos últimos cinco minutos de jogo, sendo que somente em Milão não evitámos a derrota. Portanto, são seis jogos em que estes golos são essenciais. Podem chamar-lhe sorte, vaca, o que quiserem, mas parece-me que é algo mais do que isso. Em 18 partidas com o Camacho, haver quase 40% delas em que conseguimos este feito não pode ser só coincidência. Parece-me mais o resultado do querer, do nunca desistir e jamais baixar os braços. E isto acaba por ter os seus frutos.

Para este encontro em Coimbra tivemos duas baixas muito importantes, o Maxi Pereira e o C. Rodríguez (malditas selecções!), e além disso gastámos uma substituição logo aos 10’, quando o Nuno Assis se magoou (não sei se não foi penalty, mas enfim...) e foi substituído pelo Cardozo. O David Luiz recuperou o seu lugar na defesa e o Katsouranis voltou ao meio-campo, alinhando juntamente com o Binya, Rui Costa e Di María. A consequência prática da saída do Nuno Assis foi a deslocação do maestro para a direita, o que penalizou bastante a construção do nosso jogo atacante. A partida estava equilibrada, mas o Luís Filipe resolveu dar um brinde à sua antiga equipa na sequência de um livre directo, ao fazer uma brilhante assistência quando tentava aliviar a bola, colocando-a nos pés do Lito, que rematou de primeira para golo aos 24’. A nossa defesa demonstrava alguma insegurança, mas nenhuma equipa merecia estar em vantagem naquela altura. Reagimos muito bem e dois minutos depois o Di María fez o seu primeiro remate de jeito (já não era sem tempo...) desde que chegou ao Benfica e a bola foi ao poste. Na recarga, o Nuno Gomes também rematou bem, mas o guarda-redes Ricardo (obrigado, Domingos, por colocares o Pedro Roma no banco!) defendeu bem. Aos 32’ tivemos um livre perto da área e mais uma vez marcámo-lo de forma indirecta, com dois toques e remate. Só que a acção do Nuno Gomes na barreira impediu o defesa de chegar a tempo à bola e assim o Rui Costa pode fazer a igualdade. Passei rapidamente de pior que estragado por não rematarmos directamente (ainda reminiscências do lance semelhante em Glasgow) para a euforia do golo!

Na 2ª parte, e conforme já sucedeu em ocasiões anteriores, não entrámos nada bem. Não conseguimos ter o controlo do jogo e empurrar a Académica para o seu meio-campo. De tal modo, que demorámos uma eternidade a rematar à baliza. Vendo isto, o Camacho promoveu o regresso do Petit aos 60’, tirando o Katsouranis (deixámos assim de ter totalistas no campeonato), quando eu preferia ter visto o Binya a sair, porque este já tinha sido avisado por duas vezes pelo Sr. Olegário Benquerença, e se levasse mais um amarelo não jogaria frente ao clube regional. Felizmente, o camaronês portou-se bem até final da partida. Logo no minuto seguinte, o Rui Costa tem uma abertura das dele e isola o Di María, só que este estava ligeiramente fora-de-jogo e assim o seu remate à barra já não contou. Dois minutos depois, o Camacho esgotou as substituições, entrando o Adu para o lugar do Nuno Gomes. Devo confessar que não gostei da substituição, até porque o Rui Costa se vinha queixando e arriscávamo-nos a jogar com dez até final. Por outro lado, estávamos empatados e tirávamos um avançado. Mas o que é certo é que melhorámos com esta troca. O Rui Costa voltou para o seu lugar natural e o americano foi colocar-se na direita. Com o reforço do meio-campo, conseguimos finalmente empurrar o jogo para a baliza da Académica. Aos 81’ o maestro inicia bem uma jogada, abrindo para o Di María na esquerda, que centra atrasado, devolvendo-lhe a bola, mas o Rui Costa falha clamorosamente o pontapé de primeira quando estava em excelente posição para marcar. O lance não era fácil, mas o maestro tinha obrigação de fazer melhor. E aos 85’, o guarda-redes Ricardo justificou a fezada do Domingos em colocá-lo, saindo a destempo a um lançamento lateral do Binya, permitindo que a bola sobrasse para o Luisão, que de calcanhar(!) a enviou para a baliza. Não satisfeito com a saída a destempo, o guarda-redes adversário ainda se deu ao luxo de falhar a defesa, quando tentava recuperar o seu lugar na baliza, permitindo que a bola passasse por cima da sua mão. A tradição, ao contrário do que eu já começava a duvidar, manteve-se! E ainda tivemos o bónus de mais um golo do Adu, aos 93’, num remate fora da área, em que pareceu igualmente que o guarda-redes poderia ter feito melhor.

Não fizemos um jogo muito conseguido e individualmente não é fácil apontar alguém de caras, mas o Rui Costa terá sido o melhor. O Di María teve bons momentos, mas falta-lhe aparecer mais em jogo, como faz o C. Rodríguez. Com o Nélson operacional, espero sinceramente que a opção pelo Luís Filipe acabe depressa, se bem que ele tenha vindo a acertar mais nos centros. Mas quando faz assistências para golos do adversário está tudo dito. O Adu voltou a justificar que se aposte nele mais vezes e o Cardozo pareceu ainda não totalmente recuperado da agressão do Ricardo Silva. O resto da equipa esteve a um nível mediano, sendo no entanto de salientar o bom regresso do David Luiz, que nem pareceu ter estado tanto tempo lesionado.

A sete dias de receber o clube regional era imperioso vencer e com o empate dos lagartos em Matosinhos, já temos seis pontos de vantagem em relação a eles. Vem aí a semana mais difícil da época, mas tendo finalmente todo o plantel operacional, estou confiante que, como diria o outro, poderemos fazer “coisas bonitas”.

quinta-feira, novembro 22, 2007

À rasca

Lá conseguimos o apuramento para o Euro 2008 ao empatar em casa com a Finlândia (0-0). O fantasma da Polónia e da Sérvia ainda pairou nos últimos minutos do jogo, mas felizmente desta vez não sofremos nenhum golo. Sobre a partida de ontem apraz-me dizer duas coisas:

1) Convém não esquecer que alinhámos sem cinco(!) titulares indiscutíveis (Miguel, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Petit e Deco), sendo que três deles são defesas. Com meia equipa de fora é natural que a exibição não tenha sido muito brilhante, mas nós somos mesmo um povo muito difícil de satisfazer: primeiro, queremos o apuramento, depois já não chega só o apuramento e se não ganharmos os jogos todos por 3-0 anda tudo a criticar o seleccionador. Já o disse e volto a repetir: inimigos dos meus inimigos, meus amigos são e por isso hei-de sempre gostar do Scolari. Apesar de algumas opções criticáveis, é de longe o melhor seleccionador de sempre do futebol português. Vice-campeão da Europa, 4º lugar no Mundial e apuramento para outro Europeu. Querem mais?

2) Continuo sem perceber porque é que jogámos mais uma vez com 10 durante 84’! Durante o jogo, por vezes, pensava que era perseguição da minha parte, mas o nº 27 fazia sempre questão de me dar razão. Há muito tempo que não via um jogador não fazer NADA durante um jogo inteiro. Quer dizer, há muito tempo não, desde o último jogo deste tipo pela selecção. É INACREDITÁVEL como com dois jogadores de futebol no banco, e que ainda por cima são extremos (Simão e Nani), o Scolari insista em fazer alinhar um artista de circo. Estou a pensar seriamente em deixar de ver jogos de Portugal quando ele for titular. A minha irritação começa a atingir os limites do suportável, ainda por cima ajudada pelo Luís Baila e os seus orgasmos consecutivos cada vez que o homem toca na bola. O que me deixa mais fora de mim é ver que o tipo não tem a humildade para jogar simples quando as coisas não lhe correm bem. Não, insiste sempre nos malabarismos que resultam sempre em palhaçadas inconsequentes. É exasperante!

P.S. – Despediram o Eriksson, não foi? Pois bem, agora os ingleses podem ver o Europeu pela televisão!