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domingo, agosto 26, 2007

Satisfeito

Empatámos em casa com o V. Guimarães (0-0), mas o resultado foi o que mais me decepcionou no jogo. É claro que ganhar só um ponto é mau, mas sinceramente saio deste jogo com a esperança reforçada para o futuro. A 1ª parte foi equilibrada (o V. Guimarães surpreendeu-me pela positiva), mas na 2ª o nosso domínio foi total e o adversário limitou-se a defender, tendo só criado uma situação de perigo já no final do jogo. Nós tivemos algumas oportunidades, mas a pouca calma na zona da finalização impediu-nos de marcar.

Estou confiante para o futuro pelas seguintes razões:
1) Se um jogador veio de uma lesão, faz só dois treinos e houver jogo europeu a meio da semana, não é convocado nem que se tenha que colocar um júnior no seu lugar. Qualquer semelhança com a utilização deste mesmo Luisão em Paris no ano passado é pura coincidência.
2) Não há medo de colocar juniores a jogar se o banco não oferece melhores alternativas. E é jogar mesmo, não é entrar a dois minutos do fim. Julgo que não andarei longe da verdade se disser que o Miguel Vítor jogou mais tempo hoje do que o João Coimbra em todo o campeonato do ano passado.
3) Criámos mais oportunidades claras de golo neste jogo do que nos dois anteriores.
4) Quando tem a bola, a equipa joga para a frente. A constante lateralização do jogo, que vínhamos assistindo há um ano e meio, morreu de vez.
5) O Nélson parece que renasceu. Jogou melhor neste jogo do que em todo o campeonato do ano passado. Estive a contar os passes que fez para o lado e para trás durante toda a 1ª parte, e foram zero!

É óbvio que ainda há muito a melhorar. Para já, não temos extremos. O Nuno Assis está longe de o ser e o Coentrão tem que amadurecer mais um pouco. O Luís “Filie” (tal como estava impresso na camisola!) não é uma opção válida (inacreditável como, tendo o guarda-redes todo desenquadrado com a baliza, prefere tentar um chapéu a um remate rasteiro). O Nuno Gomes não pode falhar um golo daqueles, mas é dele a magnífica abertura para o Coentrão, que inexplicavelmente preferiu centrar em vez de rematar, quando estava sozinho frente ao guarda-redes. O Cardozo jogou muito pouco, pareceu por vezes perdido em campo, mas teve um petardo num livre a meio do meio-campo(!) que até mim me doeram as mãos. A sua saída nos últimos 9’ foi a única coisa que critico ao Camacho. Poderia estar cansado, mas era importante para o chuveirinho final. E, a partir daí, deixámos de existir em termos atacantes, porque o Bergessio não tem a mesma capacidade de lutar pelas bolas aéreas. Já a saída do Nuno Gomes para a entrada do Romeu Ribeiro aos 69’ pareceu-me justificada, porque o nosso 21 ainda não tem pernas para 90 minutos e o Petit era o único jogador que corria atrás dos adversários no meio-campo, denotando já sinais de cansaço. Além disso, gostei da movimentação e da dinâmica do Romeu Ribeiro. A única coisa que eu teria feito era colocar o Bergessio no lugar do Nuno Assis, porque era importante manter dois avançados para a parte final.

Quanto à estreia do central Miguel Vítor, a melhor maneira de a definir é dizer que não precisamos de mais nenhum defesa-central. O miúdo fez uma partida muito boa, concentrado, tem boa capacidade de antecipação, não corta a bola sem nexo, coloca-a sempre que possível jogável num companheiro e sabe sair a jogar. Para além disso, é a 5ª opção da defesa! Caramba, não vamos passar a época com três centrais lesionados simultaneamente. Por mim, continuava a apostar no miúdo se fosse preciso, porque tendo o Luisão e o Zoro problemas musculares e estando quase recuperados, ainda havendo o David Luiz (que será titular quando voltar) e se necessário o Katsouranis, para quê é que vamos agora buscar mais alguém? Falando no grego, acho que ele também foi um dos melhores em campo. Aliás, neste momento rende mais a defesa do que a médio, porque nos jogos de pré-época não mostrou disponibilidade física para alinhar no centro do terreno.

Na próxima 4ª feira, temos um jogo importantíssimo. Espero que o Luisão recupere convenientemente e, apesar deste início de campeonato só com empates (recordo que em 1993/94 empatámos nas três primeiras jornadas - casa do clube regional, Estoril e Aveiro - e depois fomos campeões), estou confiante. O Gronkjaer não vai jogar e ele é meia-equipa do Copenhaga. Temos obrigação de seguir em frente e se jogarmos para marcar (como julgo que o faremos), as nossas possibilidades aumentarão.


P.S. – Com um bocado de sorte, haverá um empate mais logo entre o Anti-Benfica do Norte e o Anti-Benfica do Sul e continuaremos a dois pontos de ambos. Mas mesmo que um ganhe, o campeonato ainda está no início. E, como disse, os sinais positivos que vi na nossa exibição de hoje (de recordar que o Camacho só fez um treino com o plantel todo junto) deixam-me esperançado.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Relembrar XVIII – Falhanços IV

Com a saída do Fernando Santos, nada melhor do que fechar (por agora) esta sub-secção do “Relembrar” com os maiores falhanços que eu me lembro de ver com a jogadores do Glorioso. Sem desprimor para os outros três, este é talvez o maior desta pequena lista. Foi feito pelo melhor jogador português da transição dos anos 80 para os 90, estava com a bola dominada (ao contrário do Diamantino) e encontrava-se pertíssimo da pequena-área (o César Brito estava fora da grande-área). O Futre foi melhor jogador que o Mostovoi e o remate foi com o seu melhor pé.

Este lance aconteceu no épico Boavista – 2- Benfica – 3 do campeonato de 1992/93. É o famoso jogo em que o Paulo Sousa fez os últimos 20’ a guarda-redes depois da expulsão do Neno (já tínhamos feito todas as substituições), no lance do penalty que daria o 3-2. Estava um dilúvio de todo o tamanho, com o relvado encharcado (como se pode ver cada vez que um jogador o pisa). Esta jogada deu-se na 2ª parte, com o resultado em 2-1 a nosso favor e numa altura em que estávamos a jogar contra 10 (o Isaías ainda fez o 3-1, mas com as expulsões do Hélder e do Neno, acabámos o jogo em inferioridade numérica e com um jogador de campo a guarda-redes!).

Ainda hoje, o Futre deve estar para saber o que aconteceu...




P.S. - A selecção empatou na Arménia (1-1) na passada 4ª feira. É natural que assim aconteça quando, tirando o Ricardo e a espaços o Fernando Meira, nenhum(!) dos outros jogadores tenha feito uma exibição ao menos razoável. Mesmo o Cristiano Ronaldo, do qual só se salvou o golão que marcou. O que valeu foi que a Bélgica deu uma ajudinha ao vencer a Sérvia (3-2). É a estrelinha do Scolari a funcionar.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Momento Kodak



Esta foto não se tira a qualquer um. Está lá o dia e a hora para perpetuar o momento. A esperança de melhores dias renasce. Não é o D. Sebastião, mas ao menos há a certeza agora de haver uma voz de comando e de ter acabado o regabofe de saídas e entradas. “Poucos, mas bons”, disse ele na conferência de imprensa. Lapidar.

P.S. – Eu percebo que o local de treino agora seja no Seixal, mas era previsível que estivesse muita gente a assistir. Trinta minutos antes de começar, a bancada dos 1.500 lugares já estava cheia e estava pelo menos outro tanto cá fora. Em vez de se obrigar as pessoas a saltar vedações com 2 metros de altura, não era melhor ter transferido este primeiro treino para o Estádio da Luz?

segunda-feira, agosto 20, 2007

Mercearia

Ponto prévio: é ÓBVIO que estou contente com o facto de o Sr. Fernando Santos já não ser treinador do Benfica e MAIS AINDA fico com a chegada do Camacho.

Mas porque é que não me sinto eufórico? Por uma razão muito simples: não gosto, aliás, detesto mesmo, que o presidente do Benfica tenha tido uma atitude de filho da mãe em relação ao treinador do clube. Acho lamentável este comportamento de facada nas costas. O final é bom, mas os meios utilizados são condenáveis e eu não acho de todo que os fins justifiquem os meios (caso contrário, provavelmente seria adepto do clube regional, cruzes credo!). Esta decisão peca, no mínimo, por três meses de atraso (porque no fundo o Sr. Fernando Santos NUNCA deveria ter vindo para o Benfica, infelizmente não me enganei nesta previsão). Não cumpriu NENHUM dos objectivos do ano passado e é claro que deveria ter sido dispensado no final da época passada. Mas não, o presidente deixou-o ficar, construir um plantel à sua maneira e ao fim da 1ª jornada(!) despede-o. Se isto não é de um clube de terceiro mundo, não sei o que será...

Todavia, o pior de tudo é que isto estava mesmo a ver-se há já algum tempo. A situação nunca bem esclarecida da presença do Veiga (não estava, mas estava; participou na construção do plantel, mas foi-se embora) e consequentemente a falta de um director desportivo para proteger o treinador e o balneário. A venda do Simão feita nas costas do treinador (num clube bem gerido, o treinador não pode dizer que tem pesadelos com a saída de um jogador e ele ser vendido cinco dias depois). A situação do Manuel Fernandes que, se não estava de corpo e alma no Benfica (como não estava), NUNCA deveria ter feito parte do plantel. Neste caso, já teríamos há muito tempo contratado alguém para o meio-campo e escusaríamos de ter ficado reféns da saída de um titular na véspera(!) de uma partida importantíssima. As declarações do presidente a dizer que o plantel estaria quase fechado a 2 de Julho (como se verificou...) e que no mínimo teríamos de ser campeões este ano, pondo uma pressão imensa no treinador que ele sabia estar MUITO longe de ser bem aceite pelos benfiquistas. E o presidente ter ido passar férias com o Camacho faz-me lembrar a história da mulher de César. Se isto tudo não é para minar o trabalho do treinador, não sei o que é...

O principal culpado desta situação é só um: Luís Filipe Vieira. Tomou agora a decisão mais fácil, arranjando um bode expiatório para a péssima planificação da época e para as suas próprias culpas. Não gosto que o presidente do meu clube o gira ao sabor do vento. Nem numa mercearia isso acontece. E, principalmente, não gosto que não haja todas as condições para que nós sejamos vitoriosos. Se por ventura não conseguirmos a qualificação para a Liga dos Campeões ou, pior ainda, não formos campeões, a culpa será do Camacho, que não formou o plantel? Será do Sr. Fernando Santos, que se foi embora em Agosto? Não, a margem do presidente diminuiu consideravelmente com toda esta situação. Detestaria ver um homem que tirou o Benfica da lama, que nos devolveu a grandeza que possuímos, ser recordado no futuro por ter sido mais um que delapidou o património desportivo do clube. Mas a verdade é só uma: se não conseguirmos ganhar nada este ano, a culpa tem um rosto.

Quanto ao Sr. Fernando Santos, poderia ter-se (e ter-nos) poupado de toda esta situação se tivesse tido a grandeza de carácter de ter posto o seu lugar à disposição no final da época passada. Mas não, continuou (e continuaria) agarrado ao lugar como uma lapa. Era incapaz de ver (ou não queria mesmo ver) como não tinha nenhuma margem de manobra em relação aos benfiquistas. E quando não se cria empatia entre o treinador, o plantel e os adeptos é muito difícil ganhar algo nos dias de hoje. O Trapattoni foi a excepção, porque a pressão no Benfica é muita e é bastante fácil ser-se trucidado.

O regresso do Camacho só peca por tardio. Já deveria ter acontecido há dois anos e no ano passado. Com ele temos a certeza que se acabou a rebaldaria no balneário. Os Stretenovics e os Diaz não terão lugar no plantel. Não se contratarão jogadores para emprestar logo a seguir. Os meio-lesionados não jogarão para não correrem o risco de se tornarem lesionados a longo prazo. É alguém com pulso firme, que conhece o clube e o presidente, e que se dá ao e que impõe respeito. Espero que com esta escolha não tenhamos de falar de treinadores durante umas boas épocas. Seria muito bom sinal!

P.S. 1 – A única explicação plausível para o afastamento agora do Fernando Santos é o Luís Filipe Vieira querer dar-lhe a possibilidade de ser campeão pelo Benfica. É que esta era a única maneira de isso acontecer...

P.S. 2 – O que é que estão à espera para mandar também o preparador-físico embora?! Porque é que só se fala do Fernando Santos e do Rosário, quando um dos maiores problemas do Benfica são as lesões musculares em catadupa?!

domingo, agosto 19, 2007

Expectável

1) O nosso empate (1-1) frente ao Leixões era mais que esperado face ao nosso paupérrimo início de época. E é um resultado justo, porque o Quim teve mais intervenções difíceis que o guarda-redes contrário, apesar de nós termos dominado grande parte da partida;

2) É inadmissível que se sofra um golo aos 93’ depois de se ter marcado um aos 90’! Mais inadmissível ainda é o facto de ter sido a segunda(!) oportunidade do Leixões depois do nosso golo e dos lances serem exactamente iguais: um adversário foge pela esquerda e chega à área com toda a facilidade;


3) O Bergessio não pode não acertar com a baliza quando está isolado frente ao guarda-redes a sete minutos do fim do jogo. Atire ao poste, à barra ou contra o guarda-redes, mas um pontapé de rugby naquela altura não dá para entender. E depois é o Nuno Gomes que falha golos incríveis...;

4) Como é possível o Sr. Fernando Santos ter demorado 70’(!) a perceber que o Luís Filipe estava a mais em campo? A questão de quem deve ser o defesa-direito deve ter ficado resolvida;

5) Os centrais (Katsouranis e David Luiz) foram de longe os melhores jogadores da equipa. Todos os outros estiveram fracos. O Léo e o Petit (apesar do golo) não estão em forma. O Rui Costa não pode ser sempre o salvador da pátria (mas fez o nosso melhor remate). O Nuno Assis passa a vida a jogar para o lado e para trás, mas melhorou quando foi para a direita. O Nuno Gomes está sem ritmo e o Cardozo só foi servido uma única vez(!) em condições. O Bergessio e o Fábio Coentrão não entraram nada bem na partida;

6) As declarações do Nuno Gomes à Sport TV no final da partida são paradigmáticas. O plantel não tem tido tranquilidade. As entradas e saídas sucedem-se (ao contrário do que foi prometido). É preciso URGENTEMENTE alguém que tome conta do futebol, para substituir o José Veiga. O presidente NÃO É a pessoa indicada para isso. O balneário deixou de estar blindado;

7) Estarei eternamente grato ao Luís Filipe Vieira pelo que fez pelo Benfica, mas o grande culpado deste mau início de época é ele. Para já, não deveria ter mantido o treinador. A preparação foi ridícula. Fizemos quatro(!) jogos de preparação antes do primeiro jogo oficial. O plantel, a trabalhar há um mês e meio(!), está longe de estar estabilizado (para que é que vieram o Stretenovic e o Andrés Diaz?). As questões do Simão e do Manuel Fernandes foram muito mal geridas;

8) O Sr. Fernando Santos deveria ter pedido a demissão no final da época passada. Se tivesse o mínimo de personalidade, teria pedido a demissão depois do que lhe fizeram com o Simão e, principalmente, com o Manuel Fernandes (havia de ser o Camacho...). Calou-se, ficou, mas o pior de tudo é que não se vislumbra o mínimo de evolução na equipa. Continuamos lentos ou parados, tal como no início. Faz-se uma ou duas jogadas de jeito durante 90'. Ao menos, espero que tenha a hombridade de pedir a demissão se não conseguirmos a qualificação para a Champions (mas duvido...);

9) Que eu saiba, carga de ombro não é o mesmo que cotovelada e empurrão no pescoço. Ficou um penalty por marcar sobre o Nuno Assis. De resto, não acho que o Sr. Jorge Sousa tenha estado mal, mas é um erro que acaba por ter influência no resultado;


10) Até nem desgosto da camisola rosa, mas é o terceiro jogo com ela e nem uma vitória para amostra...

quarta-feira, agosto 15, 2007

O Maestro, pois claro!

Já o disse aqui e volto a repetir: I pity you, seus pobres de espírito, que não compram um cativo na Luz quando sabem que o Rui Costa faz parte do plantel. Perderão a oportunidade, certamente irrepetível durante muitos anos, de ver ao vivo um dos poucos jogadores mundiais que aliam o amor à camisola com uma tremenda classe. Graças aos dois golos do maestro ganhámos (2-1) ao Copenhaga na 1ª mão da pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O resultado é bastante perigoso, mas será uma vergonha se não conseguirmos a qualificação, porque temos muito mais potencial do que os dinamarqueses (e ainda por cima o Gronkjaer não vai jogar, por causa dos amarelos).

A novela Manuel Fernandes marcou a equipa, porque o Katsouranis não dá, nem de perto nem de longe, o mesmo rendimento atacante. Invariavelmente passa para o lado e para trás, além de parecer em má condição física. Só melhorou quando recuou para defesa após a saída do Luisão (na enésima lesão muscular deste plantel...). Não fizemos um grande jogo, mas fomos a única equipa a querer ganhá-lo. O problema é o que já referi em posts anteriores: com a saída do Simão não há ninguém para acelerar o jogo a meio-campo, o que faz com que as jogadas sejam todas muito previsíveis. Ou há um lançamento directamente para os avançados ou então demoramos séculos a chegar a uma zona de remate. Na 1ª parte, para além do golo do Rui Costa aos 25’ (com a ajuda do guarda-redes), só uma cabeçada ao lado do Cardozo criou perigo. Os dinamarqueses estavam fechados a sete chaves e só se viam no ataque em lances de bola parada. Até que a lesão do Luisão, e a demora na substituição (porque é que ele não se atirou para o chão para ganhar tempo para o aquecimento do colega de equipa?), fez com que chegasse o empate aos 35’. Um mau alívio do defesa brasileiro colocou a bola no extremo Hutchinson, que rematou sem hipóteses para o Quim. Logo a seguir, o Fernando Santos lançou o norte-americano Freddy Adu, que mostrou que ainda precisa de crescer muito, já que ainda é bastante brinca na areia e pouco objectivo a jogar. Ainda por cima, só tem uma semana de treinos com o plantel. Por tudo isto, eu teria preferido colocar o Nélson a extremo, mas enfim.

Na 2ª parte entrou o Fábio Coentrão para o lugar do Bergessio (muito esforçado, mas pouco consequente) e passámos a jogar em 4-3-3. Continuávamos sem jogar bem, mas o Cardozo teve duas boas hipóteses para marcar, com uma cabeçada e um excelente remate de fora da área que o guarda-redes defendeu para canto. O Coentrão não entrou mal, mas continua a atirar-se demasiado para o chão, o que fez com que o árbitro não assinalasse algumas faltas que existiram mesmo sobre ele. Já na fase do desespero entrou o Nuno Gomes para o lugar do Nuno Assis (que fez uma boa 1ª parte, mas baixou imenso na 2ª) e foi a cinco minutos do fim que o maestro teve um remate de raiva e fez o segundo golo. A maneira como festejou e as emoções que demonstrou fazem dele, de facto, um jogador único. É um privilégio poder vê-lo espalhar o seu benfiquismo dentro do campo mesmo à minha frente. Continuem a ficar no sofá que não sabem o que perdem!

Individualmente pouco mais existiu que o Rui Costa. Todos parecem um pouco presos de movimento. Mas o Cardozo, ao qual poucas bolas chegaram em condições, mostrou mais uma vez que é um grande reforço. O remate de fora da área é brilhante. O Luís Filipe raramente subiu no terreno (ordens?) e teve uma 2ª parte desastrada. Penso que o Nélson deverá voltar à titularidade frente ao Leixões. A defesa esteve muito insegura e foi diversas vezes batida em lances aéreos, embora o Léo tenha sido o lateral mais ofensivo (só que lhe falta o Simão para passar a bola...). No meio-campo, o Petit também ainda não está na forma ideal e o Nuno Assis não é constante (o Karagounis faz imensa falta).

Estou muito preocupado com isto, porque não há meio de fazermos uma exibição convincente. Para além disso, só temos quatro(!) jogadores para o meio-campo, que são os que alinharam hoje, porque o Adu e o Di Maria, já não falando na sua juventude, precisam naturalmente de se adaptar. A boa notícia é que finalmente encontrámos um ponta-de-lança a sério, mas se não for servido em condições não nos serve de nada. Precisamos URGENTEMENTE de mais um central e um médio, mas daqueles que possam dar garantias de rendimento imediato. Já basta de remendos e de contratações de jogadores para serem dispensados pouco depois. A planificação desta época foi lamentável e por muito que eu não goste do Fernando Santos (e não gosto), não posso deixar de sentir pena por ele. Qual é a estratégia que sobrevive à perda de um jogador nuclear a 24 horas de uma partida importantíssima?!

segunda-feira, agosto 13, 2007

Incompreensível

Manuel Fernandes está de volta ao Everton

Era preciso chegar à véspera(!) de um dos jogos mais importantes da época para deixar isto acontecer?! Como é que se planeia uma época desta maneira? O homem jogou em todos os jogos de pré-época, seria titular mais que absoluto durante o campeonato, já está numa óptima forma e agora vai embora assim? Estrutura-se a equipa a contar com ele e não se previu esta situação? Bastaria um clube aparecer com 9 milhões de euros e adeus, mesmo que fosse na véspera da pré-eliminatória da Liga dos Campeões? Então ele faz a pré-época a titular, mas depois já não quer estar aqui? Das duas, uma: ou se assumia que o jogador queria sair e aí nem faria parte do plantel, ou então ter-se-ia impedindo uma situação destas (não havia ainda mais 20 milhões para contratações? Este só custava 9).

O balneário volta a ter uma porta giratória. Parece que andam a brincar connosco...


P.S. – Espero que amanhã acorde e que isto tenha sido tudo um pesadelo...

quinta-feira, agosto 09, 2007

Relembrar XVII – Falhanços III

Dois meses antes de justificar a sua contratação pelo Glorioso ao apontar o golo do empate aos 88’ frente ao clube regional nos oitavos-de-final da Taça de Portugal de 1992/93 (em que aconteceu esta e esta vergonha), quando naturalmente já alinhávamos com 10, que nos permitiu fazer o jogo de desempate na Luz (onde ganhámos por 2-0), o russo Mostovoi conseguiu falhar este golo nesse mesmo estádio. Foi numa partida para o campeonato arbitrada pelo Sr. Veiga Trigo em que perdemos por 1-0 com um golo de penalty aos 85’, já depois de o clube regional ter falhado outro penalty na 1ª parte. Eram os saudosos tempos do Apito Dourado, em que era impossível conseguir ganhar naquele estádio. Este jogo ficou ainda marcado por um intenso nevoeiro que quase o colocou em causa e, salvo erro, foi a primeira vez que uma televisão privada (a SIC) transmitiu em directo um jogo entre os grandes para o campeonato.

Ainda hoje estou para perceber como é que se falha um golo destes a meio metro da pequena-área...


segunda-feira, agosto 06, 2007

Melhorzinho

Lá ganhámos o primeiro jogo da pré-época e conquistámos o Torneio do Guadiana aos lagartos. Vencemos por 1-0 com um grande golo de cabeça do David Luiz a 10’ do fim, na sequência de um livre muito bem apontado pelo Manuel Fernandes. Independentemente do resultado, jogámos um pouco melhor do que em jogos anteriores, mas estes tinham sido tão fracos que não é caso para se festejar muito o aumento de produção.

A partida foi equilibrada, mas o que é certo é que as duas grandes defesas foram do Stojkovic (e que defesas!) ambas a remates do Bergessio. Na 1ª parte demos algum espaço aos lagartos à entrada da nossa área, o que permitiu alguns remates dispensáveis, que felizmente não tiveram grande perigo. Em termos atacantes voltámos a demonstrar debilidades, até porque o Rui Costa ficou no banco e o Nuno Assis levou um toque no Egipto, não estando na sua melhor condição. Já se sabe que o Katsouranis não é propriamente um condutor de jogo e, como o Manuel Fernandes esteve uns furos abaixo das partidas anteriores, não conseguíamos ser consequentes no ataque. As coisas melhoraram com a entrada do maestro e, principalmente, do Fábio Coentrão a meio da 2ª parte. O miúdo mostra-se cada vez melhor de jogo para jogo e a falta de que resultou o golo foi feita sobre ele. Para além disso, não tem receio em enfrentar os adversários e tecnicamente é bastante bom.

Todavia, o nosso melhor jogador foi sem dúvida o David Luiz. Marcou o golo que nos deu a vitória e nesta altura é o nosso defesa mais importante. São raros os lances em que é batido e demonstra uma raça enorme. Também gostei do Quim, que esteve muito seguro e efectuou duas defesas muito boas. O Luís Filipe foi titular em vez do Nélson e cumpriu bem em termos defensivos, mas fez dois centros para... trás da baliza. O Luisão melhorou em relação ao jogo frente ao Bétis, mas ainda não é o Luisão a que estamos habituados. O Léo foi o relógio suíço habitual, mas o Petit ainda não está au point. O Katsouranis foi melhor defesa-central do que centro-campista, porque tem a péssima tendência de jogar sempre para o lado e para trás, impedindo a criação de desequilíbrios atacantes. O Nuno Assis esteve mais interventivo na 2ª parte e aumentou de produção com a entrada do Rui Costa, que confere logo à equipa uma referência imprescindível para conduzir o jogo. No ataque, o Mantorras demonstrou a razão pela qual só pode ser utilizado a meio das segundas partes, já que foi uma nulidade, enquanto o Bergessio fez o melhor jogo pelo Benfica até agora. Para além dos dois remates que já referi, ainda teve outro de muito longe em que a bola não saiu muito por cima da barra. Mostrou claramente que é na posição de segundo avançado que rende mais e não na de extremo-direito.

Este resultado serviu essencialmente para aumentar a confiança, porque o próximo jogo é já a 1ª mão da Champions. Estamos melhor, mas ainda muito distantes de um nível que nos deixe descansados em relação à qualificação para a fase de grupos. E é impensável ficarmos de fora dessa fase. Esperemos que com o plantel completo a equipa comece a produzir mais e de uma maneira mais consistente.

P.S. – Não percebo como é que a pouco mais de uma semana da pré-eliminatória se deixa o Freddy Adu ir aos E.U.A. durante cinco(!) dias para tratar da sua mudança para Portugal e se permita que ele perca os últimos jogos de preparação antes dessa partida decisiva... Tendo ele só efectuado um(!) treino com os novos companheiros. Não bastava já termos o Nuno Gomes, Di Maria e Cardozo lesionados?!

sábado, agosto 04, 2007

Lento

Ok, eu sei que vamos ter dois jogos em três dias, mas a velocidade que apresentámos hoje (na continuação da que temos mostrado em jogos anteriores) no empate 0-0 frente ao Bétis é demasiado baixa para quem daqui a 10 dias vai jogar a 1ª mão da pré-eliminatória da Champions. O aspecto positivo é que não sofremos golos, mas em termos atacantes sentiu-se demasiado a falta do Cardozo (lesionado).

Padecemos de um mal congénito que é a falta de aceleração no meio-campo atacante, o que impossibilita a criação de desequilíbrios, já que damos imenso tempo à defesa contrária para se organizar. Na 1ª parte ainda tivemos duas ou três jogadas interessantes, mas não pusemos à prova o guarda-redes, porque os remates saíram invariavelmente ao lado ou por cima. Na 2ª estivemos pior, facto a que não será alheio as substituições que fizemos. Controlámos razoavelmente o ataque contrário que também não me pareceu muito forte, mas sentimos sempre imensas dificuldades para construir jogo atacante, quer no modelo 4-3-3 quer no 4-4-2 em losango. Falta um jogador que desequilibre em velocidade, que espero seja o caso do Di Maria ou do Adu.

Em termos individuais mais uma vez não houve ninguém que se salientasse muito. O melhor terá sido o David Luiz, que se mostra em bastante melhor forma que o Luisão, que hoje se fartou de complicar. O Manuel Fernandes é o nosso melhor reforço este ano e esteve a um nível semelhante ao dos jogos anteriores, o que é bom. O Nélson, finalmente com concorrência, vai ter que melhorar rapidamente, porque a continuar a oferecer bolas ao adversário na nossa zona defensiva perderá rapidamente o lugar para o Luís Filipe, que entrou bem na 2ª parte e fez dois bons centros (espero que sejam para continuar). O Petit só jogou a 1ª parte, mas entre ele e o Katsouranis, que o substituiu, não se notaram grandes diferenças. O Rui Costa, ao invés, jogou os 90’ e não esteve mal, mas a partir de metade da 2ª parte baixou claramente o nível. No ataque, o Dabao entrou de início, mas mostrou que ainda precisa de ser trabalhado. O Mantorras, que alinhou nos segundos 45 minutos, esteve mais em jogo, mas continua trapalhão. Como extremos alinharam o Fábio Coentrão e o Bergessio. O português voltou a mostrar bons pormenores, embora tenha que se mentalizar que é melhor rematar à baliza do que se atirar para o chão, enquanto o argentino me continua a desiludir. Provavelmente não será extremo-direito, mas é um jogador que joga demasiado ao primeiro toque, libertando-se rapidamente da bola, quando a posição em que alinha requer que por vezes a conserve mais. No entanto, há que dizer que luta durante o tempo todo. O Zoro, que entrou ao intervalo para o lugar do Luisão, até estava a fazer uma partida razoável (dentro do seu estilo varredor) quando teve uma lesão muscular e o Butt praticamente não teve trabalho. Nos penalties no final do jogo também houve empate 4-4, tendo o Butt defendido um e o Miguelito falhado o último que nos daria a vitória.

No domingo defrontamos os lagartos e é bom que a qualidade do nosso futebol melhore. Já se sabe que uma partida frente a eles nunca é somente mais um jogo e será bom que não repitamos a gracinha do ano passado.

P.S. 1 – Vamos defrontar o Copenhaga ou o Beitar de Jerusalém na pré-eliminatória da Champions. Os dinamarqueses estão em vantagem, porque ganharam por 1-0 e são os favoritos. Para além disso, têm mais rodagem, porque já vão com três jornadas no seu campeonato. Continuam com o Grønkjær e o Allbäck, mas nós d
efrontámo-los no ano passado e mostrámos que somos mais fortes. Qualquer que seja o adversário, temos OBRIGAÇÃO de o ultrapassar. É preciso conseguir um bom resultado na 1ª mão (em casa) para fazer uma viagem sossegada na 2ª.

P.S. 2 – O “seu a seu dono”. Disse aqui que achava que o Di Maria não seria o jogador que iria fazer comprar mais cativos. Mas o jogador que o presidente referiu nessa conversa, percebeu-se agora, era o Freddy Adu. E espero sinceramente que ele seja mesmo capaz de levantar o estádio.

segunda-feira, julho 30, 2007

Devagar, devagarinho

Interrompi a minha praia algarvia para ver o Glorioso a jogar no Egipto, mas mais valia que não o tivesse feito. Perdemos por 1-2 e regredimos em termos exibicionais em relação ao jogo na Roménia. Para além disso, e o que é pior, mostrámos quão órfãos ficámos do Simão. O jogo decorreu a duas velocidades (devagar e parado), o Al Ahly está longe de ser uma equipa temível, mas nós nunca tivemos velocidade e fomos muito fraquinhos.

O Fernando Santos recorreu ao Butt na baliza, no losango do meio-campo jogaram o Petit, Katsouranis, Manuel Fernandes e o regressado Nuno Assis, tendo ficado o maestro no banco, e o ataque voltou a ser sul-americano. O jogo começou praticamente com o penalty (muito duvidoso) assinalado por falta do Luisão e consequente 0-1. O Al Ahly pouco mais fez durante a 1ª parte, mas nós a mesma coisa. Só na parte final acelerámos um pouco e criámos perigo através do Bergessio (no único lance de jeito que teve), com um excelente remate para defesa do guarda-redes, e do Cardozo, numa óptima rotação em que o remate saiu infelizmente à figura.

Na 2ª parte, com o Rui Costa em campo, melhorámos claramente e foi sem surpresa que chegámos ao empate, através de um passe deste para o Nuno Assis finalizar de primeira. Infelizmente a melhoria exibicional não durou o segundo tempo todo, mas teria chegado para (pelo menos) empatar o jogo, não fosse o Nélson cometer uma suprema burrice num atraso despropositado, que isolou um adversário para fazer o 1-2. Até final, e ainda faltavam cerca de 25’, não conseguimos ser mais perigosos e acabámos mesmo por perder o jogo.

Em termos individuais não houve um jogador que sobressaísse muito em relação aos outros. O Nuno Assis mostrou alguma dinâmica e a entrada do Rui Costa fez com que procurássemos a baliza com mais clarividência. O Petit exibiu alguma da raça habitual e não há dúvida que o Cardozo é bom jogador, apesar de ter estado menos vistoso que na Roménia. O Manuel Fernandes é titular indiscutível, ao contrário, por este andar, do Katsouranis que continua a evidenciar uma lentidão exasperante. O Bergessio continua a mostrar muito pouco, além de me parecer pesado e com pouco pique, e na defesa o Luisão precisa de melhorar a forma, o Nélson de ter rapidamente um concorrente e o David Luiz e o Léo terão lugar cativo. Não deu para ver grandes coisas nos guarda-redes, porque os egípcios não foram muito perigosos. Em relação aos que entraram na 2ª parte, o Fábio Coentrão ainda está um pouco verde, o Zoro irá ver um amarelo em cada jogo que fizer, o Manú praticamente nem se viu e o Mantorras precisa de mais minutos de jogo, assim como o Dabao.

Não foi um bom teste e vamos ver como nos portamos no Torneio do Guadiana. Diz-se que na pré-época os resultados não são o mais importante, mas precisamos rapidamente de começar a ganhar jogos ou a confiança começa a diminuir. E não podemos dar-nos ao luxo de ter um mau arranque de época.

sexta-feira, julho 27, 2007

Obrigado Simão

Embora a notícia já fosse esperada desde 3ª feira, ainda me estou a recompor do choque que vai ser ver o Benfica sem o Simão. Foi um grande profissional e de longe o nosso melhor jogador nos últimos seis anos. E foi também importante para o futebol português, porque se não se tivesse lesionado gravemente na selecção logo no primeiro ano de Benfica, o clube regional não teria ganho a Taça Uefa na época seguinte. Podíamos sempre esperar qualquer coisa de diferente, sempre que a bola lhe chegava aos pés. A sua capacidade de acelerar o jogo era única e julgo que é disso que iremos sentir mais falta. Por outro lado, era bom festejar cada penalty a nosso favor como se de um golo se tratasse, porque em 95% dos casos era isso mesmo que acontecia (que me lembre só falhou três penalties pelo Glorioso: contra o Belenenses no Torneio do Guadiana, Nacional para a Taça de Portugal e Gil Vicente). E nos livres directos a expectativa também era grande, embora sem o galáctico índice de concretização do Van Hooijdonk. Pelas grandes memórias de Manchester, Liverpool, Estádio Nacional contra o clube regional, Luz contra os lagartos para a Taça e por não tremer no penalty do Bessa, só me resta agradecer-lhe profundamente.

Percebo que a saída fosse inevitável, mas não compreendo a opção pelo Atlético de Madrid. Vai auferir o dobro do que ganhava na Luz, mas ou muito me engano ou vai passar cinco anos sem ganhar nenhum título. Um jogador como o Simão merecia uma equipa com mais nome na Europa e que não se limitasse a lutar por um lugar na Uefa. Trocar o maior clube do mundo pelo Belenenses de Espanha parece-me descer de cavalo para burro, mas ele é que sabe. De qualquer modo, e porque não tive, não tenho e jamais terei a memória curta, desejo-lhe toda a sorte do mundo.

De qualquer maneira, não posso deixar de concordar com muito do que já li por alguns blogs benfiquistas. Estarei sempre grato ao Simão, mas nunca o senti como um verdadeiro benfiquista. Como um dos nossos. Como é o Nuno Gomes, o Petit, o Luisão e, acima de todos, o INCOMPARÁVEL Rui Costa. Nada de mal nisso, se o rendimento for o que o Simão sempre mostrou, todavia este facto atenua-me um pouco a pena de o ver sair. Até porque a iniciativa de deixar o Glorioso partiu dele e quando assim é pouco há a fazer. O episódio da braçadeira foi sempre uma pedra no sapato, assim como as constantes novelas de final de época. No entanto, tenho que referir que, à semelhança do João V. Pinto, nunca o vi fazer um frete em campo. Podia haver jogos que não lhe saíam tão bem, mas sempre lutou os 90 minutos e qualquer que fosse o resultado (recordo-me de um lance na Amadora nos minutos finais das meias-finais da Taça, quando já ganhávamos por 3-0, em que o Simão pressionou um adversário no meio-campo deles como se estivéssemos a perder). Mas o que me leva a dizer que nunca o senti como um verdadeiro benfiquista é um gesto muito simples: raramente era ele que chamava os companheiros para a saudação aos adeptos no final dos jogos na Luz. Era quase sempre o Luisão, Petit e Nuno Gomes. Podia ser feitio, mas para mim é defeito.

P.S. – Não tenho por hábito emitir opinião sobre jogadores antes de os ver jogar, mas disseram-nos que o substituto de Simão poderia fazer aumentar a venda de cativos. Foi talvez só uma boca presidencial, mas não acho que seja com o Angel Di Maria e o Andrés Díaz que isso vá suceder, pelo menos no imediato. O primeiro tem 19 anos e, apesar de ter feito um bom Mundial de Sub-20 (não esquecer que o melhor jogador do Portugal 91 foi o... Peixe e o 3º foi o... Paulo Torres), precisará certamente de se ambientar. O segundo, ao que se pode ler, não era titular indiscutível do seu clube, além de ter ficado sem jogar durante um mês por “problemas pessoais”. Não é um bom cartão de visita, mas esperemos que o desminta em campo.

quarta-feira, julho 25, 2007

Etapas

Equipa de Morgado concluiu 53 inquéritos, dos quais 20 resultam em acusações

Primeiro era suspeito, depois arguido, agora acusado (três vezes). Só falta ser réu e a seguir condenado. Entretanto, aguarda-se obviamente a sua irradiação do dirigismo desportivo para que possamos respirar outro ar. Até lá, tudo continua muito pestilento. Esperemos que a verdade desportiva, que há mais de 20 anos é falsificada, reapareça finalmente o mais depressa possível. Ah, e que os títulos que o seu clube comprou, perdão, conquistou (incluindo, é claro, os internacionais) lhe sejam retirados. Que eu saiba o Marselha não é considerado campeão europeu.

Quando a melhor defesa é argumentar a vingança amorosa da ex-concubina ou que Maria José Morgado não tem poderes (!) para proferir as acusações, não é preciso acrescentar mais nada. Só não vê quem não quer. Ou quem é burro.

domingo, julho 22, 2007

Longa foi a espera

Quase dois meses depois tivemos o privilégio de ver o Glorioso jogar outra vez. Até que enfim! Empatámos na Roménia com o Cluj (2-2), mas a principal notícia é se confirmou que contratámos um GRANDE ponta-de-lança. Eu sei que um jogo bom todos os jogadores têm (e um mau também), mas, tal como disse aqui logo na estreia de um jogador que nos deixou saudades, este não engana. É MESMO bom! Marcou um golão e fez mais (pelo menos) quatro remates à baliza dos quais só um passou por cima da barra. Para além disso, tem um óptimo toque de bola, ganha muitas bolas de cabeça no ataque e quando a recebe de costas para a baliza o seu pensamento é logo virar-se para rematar (o que fez pelo menos duas vezes). Enfim, foi desta que acertámos na mouche. Má sorte daqueles que embandeiraram em arco com a sua actuação no 1º jogo do Paraguai na Copa América...

A equipa foi a esperada, com as ausências por diferentes motivos de indiscutíveis como o Léo, Nélson, Petit e Nuno Gomes, às quais se juntou o Nuno Assis. O Zoro actuou a lateral-direito, o Miguelito a esquerdo e a dupla de sul-americanos formou o ataque. Outro grande destaque tem que ir para o Manuel Fernandes, que voltou de Inglaterra ainda melhor jogador do que era antes. Vai ser inquestionavelmente um dos indiscutíveis no meio-campo. Está muito mais possante, mais confiante e com maior participação no jogo ofensivo da equipa. O Simão e o Rui Costa não sabem jogar mal, mas ainda podem fazer melhor, se bem que o nº 10 tenha marcado um bom golo. O David Luiz parece igualmente em boa forma, ao contrário do Luisão, se bem que este tenha feito o primeiro jogo desde Março(!), o que torna compreensível esta não tão boa actuação. Na 2ª parte, gostei igualmente do Fábio Coentrão, que se mantiver a cabeça no lugar pode ser um caso sério, e do Romeu Ribeiro que entrou muito bem para o meio-campo. A rever e com o benefício da dúvida estão o Bergessio e o Zoro. O primeiro esteve muito discreto, apesar de um ou dois bons toques, enquanto o segundo já se percebeu que não é lateral-direito, tornando muito urgente a contratação de alguém para dar luta ao Nélson. Quanto ao Stretenovic não acho igualmente que seja hipótese para lateral-direito. Alcides já tivemos um nessa posição e já bastou. Restará vê-lo a central, mas confesso que não fiquei muito entusiasmado com o que vi.

Não gostei do Katsouranis (muito lento e com culpas no primeiro golo deles, já que não acompanhou o adversário que ficou livre à entrada da área para o remate), do Miguelito (grandes dificuldades para marcar o Semedo) e do Butt (que, apesar de ter feito uma boa defesa no final, sofreu um golo “à Moretto”). Os restantes jogadores estiveram a um nível mediano, o que se entende dado que estamos no início da época.

Todos os quatro golos aconteceram na 2ª parte, mas na 1ª o Cluj esteve melhor que nós. Falhámos alguns passes fáceis que hipotecaram possíveis contra-ataques e estivemos algo lentos na transição para o ataque. Na 2ª melhorámos (a que não é alheio a melhoria que teve igualmente o Rui Costa) e passámos a mandar no jogo. Foi pena a falha do Butt, já que estou convencido que sem ela o resultado teria sido 2-1 a nosso favor. O que parece inegável é que temos um plantel com bastantes mais soluções do que no ano passado, queira o Fernando Santos dar oportunidades a todos. Basta só ver a lista dos que não actuaram nesta partida. Pode ter sido só do entusiasmo de ver o Benfica outra vez, mas acho que já estamos a um nível aceitável para primeiro jogo da época e com o 3º classificado da 1ª Divisão romena. Agora o que não tenho dúvidas é que o Cardozo foi uma GRANDE aquisição!

sexta-feira, julho 06, 2007

Relembrar XVI – Falhanços II

Num dia em que se fala muito de chineses e antes de gozar uma semana de férias, aqui fica mais um falhanço que nos deixa de olhos em bico. Um ano antes de assinar dois memoráveis golos na casa do clube regional, que nos deram praticamente a conquista do respectivo campeonato, o César Brito conseguiu (é mesmo o termo) falhar este golo de baliza aberta nesse mesmo estádio. Perderíamos este jogo e o título deste ano foi igualmente lá para cima, consubstanciado em 11(!) penalties assinalados para o especialista Demol converter (marca esta só superada pela célebre época dos 19 penalties assinalados a favor dos lagartos para o Jardel). O golo deste jogo foi naturalmente obtido de penalty a castigar uma falta do nosso defesa-esquerdo Fonseca, que curiosamente existiu mesmo! Só mais uma curiosidade: a partida foi arbitrada pelo senhor... Francisco Silva!

Só venceríamos uma Supertaça nesta época, mas chegaríamos à final da Taça dos Campeões, em que um golo do Rijkaard deitou por terra os nossos sonhos.