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sexta-feira, abril 06, 2007

Menos mau

Quando aos 58’ o Espanyol fez o 3-0, temi que fôssemos corridos da Uefa sem honra nem glória. A nossa exibição estava a ser má demais e a derrota era humilhante. Felizmente marcámos dois golos em dois minutos e recolocámo-nos em posição de discutir outra vez a eliminatória. Mas o jogo de hoje deve constituir um sério aviso à equipa, porque voltarmos às “chapas 3” do início da época é inadmissível nesta altura. Contra uma equipa mais poderosa estaríamos eliminados de certeza.

Em relação à equipa que alinhou frente ao clube regional, o Fernando Santos colocou o João Coimbra (e ainda bem, porque o Rui Costa não está com ritmo para os 90’ e era preferível que ele estivesse em campo na parte final do jogo do que no seu início) em vez do Katsouranis, que estava castigado, e o Derlei entrou para o lugar do Miccoli, quando toda a imprensa dava como certa a saída do Nuno Gomes. No entanto, o que mais me surpreendeu foi a mudança táctica, com o abandono do losango e a adopção do 4-3-3 com o Simão e Derlei junto às linhas. Curiosamente (ou talvez não...), a equipa baralhou-se completamente neste sistema e fez uma 1ª parte de fugir. Não conseguíamos ligar o jogo, o Nuno Gomes estava perdido na frente e, pior do que tudo, dávamos espaço ao Espanyol para manobrar à vontade e acercar-se da nossa área (ao contrário do que fizemos frente ao clube regional, em que apesar da também má 1ª parte, não os deixámos criar grande perigo). E os golos ridículos começaram a aparecer (hoje foram logo os três!). Aos 15’ uma grande falha do Daviz Luiz permitiu ao Tamudo isolar-se e bater o Quim que, apesar de o remate ter sido feito à queima-roupa, me pareceu que se encolheu para defender, em vez de ficar com os braços mais levantados. Pouco depois da meia-hora surgiu o segundo golo, com (desta vez sem dúvidas) grandes culpas do Quim, que hesitou e não agarrou a bola num cruzamento, e do Nélson que cabeceia a bola, que provavelmente iria para fora, para dentro da baliza. Era o desnorte completo e tanto assim foi que o Fernando Santos teve que fazer entrar o maestro ainda na 1ª parte. Até ao intervalo tivemos duas boas ocasiões para marcar, mas o guarda-redes defendeu muito bem o remate de cabeça do Simão e um desvio subtil do Nuno Gomes.

Na 2ª parte entrámos melhorzinho, todavia sem a intensidade do jogo do passado domingo. Mantínhamos o mesmo sistema de 4-3-3 e continuávamos a ter dificuldades em chegar à grande-área deles. Além disso, estávamos a jogar com 10, porque o Derlei simplesmente não estava em campo. O Espanyol não tinha o ritmo da 1ª parte (que já não era muito elevado), mas mesmo assim deu para o 3º golo aparecer aos 58’, em mais um lance que deveria ir para os “apanhados”. O Nélson dá uns bons cinco metros (!) ao extremo contrário, que assim pode centrar à vontade, e o Anderson (para não variar) deixa-se antecipar pelo Pandiani. Entretanto, o Miccoli já tinha entrado dois minutos antes e FINALMENTE voltámos a jogar no 4-4-2 em losango, para o qual estamos mais que rotinados nesta altura da época. Pareceu que tinha voltado a ser dia em Montjuïc. Voltámos a jogar um futebol com nexo e aos 63’ reduzimos através do Nuno Gomes, depois de um óptimo passe em profundidade do David Luiz a isolar o Miccoli que não foi egoísta e, com o guarda-redes pela frente, passou para o lado onde o 21 isolado só teve que empurrar. Deixámos de estar numa posição calamitosa, mas a diferença de dois golos ainda era grande. Felizmente, dois minutos depois essa diferença passou a ser só de um, quando o Simão numa boa jogada individual pelo lado esquerdo furou no meio de dois e rematou em arco, com a bola ainda a tabelar num defesa e a desviar-se do guarda-redes. A partir daqui tirámos um pouco o pé do acelerador, mas mesmo assim tivemos três oportunidades para o empate, com remates do Rui Costa, Miccoli (por cima e ao lado, respectivamente, sendo o do italiano quase indesculpável) e do Karagounis para outra boa defesa do guarda-redes. Na parte final, foram eles a criar perigo, com dois remates para duas boas defesas do Quim, especialmente um já depois dos 90’ em que uma bola mal perdida pelo Simão no meio-campo nos ia saindo muito cara, já que o adversário acabou por se isolar.

É difícil destacar alguém individualmente, porque toda a equipa teve culpas nos péssimos primeiros 60’ que fizemos. No entanto, um dos melhores acabou por ser o Petit que, especialmente na 2ª parte, cortou imensos espaços aos centro-campistas adversários. O Simão melhorou bastante quando passou para o meio e o Rui Costa foi muito importante nessa melhoria, já que passou a ter ele a responsabilidade de organizar o nosso jogo e já se sabe que a bola fica logo mais redonda. O Nuno Gomes acabou por não fazer um mau jogo, porque criou uma boa oportunidade na 1ª parte e teve acção directa nos dois golos. O Karagounis também subiu imenso na 2ª parte, como vem sendo hábito nele, e o Miccoli foi bastante importante porque mexeu com o nosso ataque, embora qualquer um tivesse feito melhor que o Derlei que foi de longe o nosso pior jogador (reconhecia-lhe alguma capacidade técnica, mas o homem mais do que uma vez precisou de 5m para dominar a bola...). A defesa esteve bastante mal, sendo o David Luiz o melhorzinho, apesar da falha do 1º golo. O Léo, apesar de não ter culpas directas nos golos, não me parece bem fisicamente e talvez fosse de considerar a hipótese de colocar o Miguelito frente ao Beira-Mar. O Nélson está ligado a dois golos sofridos e o Anderson continua de uma insegurança atroz.

Uma derrota é sempre um mau resultado (até porque não marcámos pontos para o nosso ranking), mas com este resultado é nossa obrigação marcar presença na 12ª meia-final de uma competição europeia. Espero que o Luisão já esteja apto e que o estádio esteja cheio. E dentro do possível talvez fosse boa ideia dar descanso a um ou dois jogadores frente ao Beira-Mar.


P.S. – Como é possível não se marcar um penalty daqueles sobre o Simão? O resultado ainda estava 3-0 e o árbitro estava muitíssimo bem colocado. Já não falo de um lance na 1ª parte em que também me pareceu mão de um jogador do Espanyol depois de um cabeceamento do Nuno Gomes, nem das inúmeras faltas que não eram assinaladas contra nós, mas é impossível não se ver um penalty daqueles. Será que o Sr. Eric Braamhaar se confundiu com aquelas camisolas e achou que estava a arbitrar um jogo de uma certa equipa do campeonato português?

terça-feira, abril 03, 2007

1.316

Tenho estado a conter-me para não falar mais dos incidentes de domingo passado na Luz, até porque me estão a faltar diferentes sinónimos de m****, que é o que são aquelas coisas que estiveram no piso 3 da bancada de Coca-Cola. Nem de animais podem ser qualificados, porque o seu nível (ou melhor, a total falta dele) não se aproxima nem de longe nem de perto do deles.

No entanto, o comunicado que aquele clube execrável emitiu ontem leva uma pessoa a sair fora-de-si. NUNCA é dito que lamentam o que se passou no domingo, antes preferem uma condenação da violência em geral (claro, deve ser desde que não seja praticada contra adeptos do Benfica), e culpabilizam o Benfica e a Polícia pelo sucedido. Isto é tão inacreditável que nem vou acrescentar mais nada para além disto que li algures aí pelos blogs: a lógica deste argumento é o mesmo que dizer que as raparigas são violadas porque andam de tops e saias muito curtas. Para além de irresponsável, é uma desculpabilização absolutamente nojenta, bem conforme ao clube que são.

A única solução para evitar mais situações como esta é o Benfica se recusar a enviar mais bilhetes para os adeptos daquele clube, enquanto aquele ser for presidente deles. É ele que os instiga, é ele que os defende e é ele que é protegido por eles quando vai ao tribunal. Nunca ninguém lhe ouviu qualquer declaração a condená-los pelos 3.452.526 actos de vandalismo que já provocaram até hoje. Paguem-se as multas que forem necessárias à Liga, à Federação, ou a quem quer que seja, mas o lugar dos animais é no zoo e o lugar daquelas coisas é no esgoto. Se as entidades responsáveis não os vêem como tal, o problema é delas, agora na Catedral não deveriam entrar NUNCA mais. Até porque, segundo o comunicado do Benfica, deixámos de vender 1.316 bilhetes para criar uma “bolsa de segurança” para eles. Mesmo ao preço mais barato de 10€ cada, deixámos de facturar pelo menos 13.160€ por causa disto. O ar ficaria mais respirável, o estádio torna-se-ia seguro, a receita seria maior e até a magnífica coreografia poderia ser feita na totalidade das bancadas. Seriam só vantagens.

[Adenda: chamo a atenção e recomendo vivamente a leitura deste post do Antitripa, que estava no sector onde caíram os petardos e as cadeiras. Elucidativo.]

segunda-feira, abril 02, 2007

Ocasião perdida

Desperdiçámos hoje uma óptima possibilidade de nos colocarmos na frente do campeonato ao empatar em casa com o clube regional por 1-1. Continuamos a um ponto deles (que na prática são dois), mas estou bastante pessimista para o resto do campeonato especialmente por duas razões: temos um calendário bastante mais difícil do que eles e ainda estamos nas competições europeias.

Com a recuperação do Quim, voltámos a alinhar com o nosso onze-base, com excepção do Luisão. Entrámos pessimamente no jogo e a nossa 1ª parte esteve ao nível dos piores jogos da época. Não conseguíamos fazer uma jogada com pés e cabeça, a bola era constantemente chutada para a frente sem nexo, o meio-campo foi completamente absorvido pelo do clube regional, enfim foi um desastre. O que valeu foi que adversário não criou grandes situações de golo, com excepção de uma do Adriano que uma óptima saída do Quim aos seus pés resolveu. A nossa única grande ocasião foi um remate de recarga do Petit a um livre dele próprio, em que a bola passou a rasar o poste, com o Helton já batido. A cinco minutos do intervalo na sequência de um livre do lado esquerdo, o Quaresma centra, o Anderson esquece-se (para variar...) de marcar o Pepe e o clube regional coloca-se em vantagem que, já naquela altura, apesar do seu domínio territorial era imerecida. Nesta 1ª parte viu-se bem a diferença entre ter um só jogador (e que mesmo assim só alinhou durante 90’) ou cinco (em que quatro deles alinharam os dois jogos completos) envolvidos nas selecções. Em termos físicos notou-se uma grande discrepância entre as equipas.

Para o 2º tempo, o Fernando Santos trocou o inoperante Katsouranis e colocou o maestro em campo. Isto e uma atitude diametralmente oposta à dos primeiros 45 minutos fizeram com que estivéssemos durante toda a 2ª parte em cima do clube regional. Inevitavelmente as oportunidades foram aparecendo, mas a bola não entrava. Remates do Nuno Gomes, Miccoli, Petit ou Rui Costa ou eram defendidos pelo Helton ou era cortados pelo defesas. O clube regional deixou de atacar, mas estava muito bem fechado atrás, o que nos criou bastantes problemas para furar a defesa. Para além disso, havia uma certa confusão táctica na nossa equipa, que tanto se dispunha no losango como em 4-3-3. Muitas vezes via-se vários jogadores do Benfica estarem juntos no meio do terreno. No entanto, a sete minutos do fim tivemos o nosso momento de sorte, porque depois de um livre do Simão uma bola cabeçada pelo David Luiz embateu no poste, ressaltou no corpo do Lucho Gonzalez e acabou por entrar na baliza. Estava feita mais que justiça! O jogo ainda durou mais 12 minutos e foi já nos descontos que tivemos as nossas melhores oportunidades, com uma cabeçada do Mantorras que o Helton defendeu milagrosamente (é a defesa do campeonato, fazendo lembrar a do Banks frente ao Pélé no Mundial do México em 1970, considerada a melhor defesa dos Mundiais), um pontapé acrobático do Derlei para outra defesa do guarda-redes, e um remate disparatado do Rui Costa já dentro da área depois de um canto “à Camacho” do Simão. É certo que o clube regional também teve dois contra-ataques perigosos, mas com um bocado mais de sorte teríamos ganho a partida.

Em termos individuais, tenho que destacar o David Luiz e o Karagounis. Espero bem que o Fernando Santos seja um pouco corajoso e retire o Anderson quando o Luisão voltar. O miúdo brasileiro é mesmo bom jogador (não me lembro de ele ter perdido nenhum lance) e tem a grande vantagem de sair com a bola controlada da defesa, e criar desequilíbrios no meio-campo contrário. O grego esteve muito discreto na 1ª parte, mas subiu imenso na 2ª e foi ele um dos principais responsáveis pela nossa dinâmica atacante. O Simão esteve muito bem marcado pelo Paulo Assunção e não foi tão desequilibrador como em jogos passados, mas já se sabe que nunca joga mal. O Rui Costa também entrou bem e criou finalmente estabilidade no nosso meio-campo. Houve um ou dois lances em que poderia ter tomado uma opção diferente (nomeadamente aquele contra-ataque em que não passou a tempo ao Derlei, que estava sozinho na direita, antes de sofrer a falta do Quaresma) e aquele remate final tinha obrigação de ser melhor, mas é um grande prazer vê-lo de volta a estes jogos. O Petit também subiu na 2ª parte e fartou-se de recuperar bolas. Os pontas-de-lanças lutaram muito, mas não tiveram grandes ocasiões para rematar, embora aquele falhanço do Miccoli já na grande-área seja imperdoável para um jogador da sua qualidade. O Derlei entrou bem no jogo e felizmente desta vez não pôs em prática os ensinamentos cotovelísticos que recebeu no clube regional. O Nélson não esteve bem nos dois primeiros centros, mas depois lá acertou e especialmente não deixou o Quaresma fazer nada durante todo o jogo. O Léo foi importantíssimo na 2ª parte, em que fez várias piscinas do lado esquerdo. O Katsouranis está a passar por uma fase de menos pulmão e espero que o descanso em Barcelona (por causa do cartões) lhe faça bem. O Anderson tem culpas no golo e continua muito distante do jogador da época passada, enquanto o Quim não teve grande trabalho com excepção daquela tal saída aos pés do Adriano.

Já nesta 5ª feira reentramos no esquema de três jogos por semana e temo bem que a nossa equipa não tenha pernas para isso. Se ainda quisermos ter ambições no título temos que chegar ao jogo frente aos lagartos sem nenhum ponto perdido, o que quer dizer que temos que ganhar os próximos três. Isto tudo com Taça Uefa pelo meio. Vamos ver no que dá, mas seria frustrante estarmos numa de “quase”...

P.S. – Quando se abre uma pocilga tem que se ter cuidado com o que de lá sai. Gostava de saber de quem foi a brilhante ideia de colocar aqueles excrementos da raça humana no 3º anel do estádio. Tinham caminho livre para atirarem coisas para o 1º anel e o resultado foi o rebentamento de pelo menos meia-dúzia de petardos, e dois adeptos do Benfica que saíram em maca, um dos quais com a cabeça partida por causa do arremesso de uma cadeira. Isto tudo perante a atitude impávida da polícia-de-choque e dos stewards, que só tinham era que evacuar aquela bancada por questões de segurança. Bem sei que no estrangeiro os adeptos visitantes, quando são em grande número, geralmente ficam nos pisos superiores, mas atenção que aí estamos a falar de PESSOAS, o que não é de todo este o caso. Aquelas coisas são um atentado à raça humana e é inadmissível que ainda sejam tratados como pessoas. Uma viagenzinha directa e grátis até ao piso 0 é o que eles mereciam! Não se perdia nada...

quinta-feira, março 29, 2007

Únicos

Não resisto a transcrever um excerto da crónica da Leonor Pinhão n’A Bola de hoje.

“É por isso que gosto de Rui Costa. Porque me revejo nele, com o devido respeito. Sentado, na bancada da Reboleira, o maestro estava tão transido quanto os outros 6 milhões. «Ele é mesmo um de nós, não é?» - disse-me um muito jovem benfiquista, igualmente transido, quando a meio da segunda parte o empate persistia e o realizador nos mostrava um Rui Costa, imóvel, numa compostura de sofredor tão bem apanhada que nos era possível ler-lhe os pensamentos, sendo que os pensamentos dele eram iguaizinhos aos nossos. Por isso nos vemos e nele nos revemos.”

É por estas e por outras que nós somos invejados pelos outros, nomeadamente pelo parzinho das riscas. Porque eles não têm uma identificação assim com nenhum jogador. Porque não há nenhum jogador que lhes demonstre que é “um deles” desta maneira. Por muitos anos que lá se esteja, ou se é escorraçado no final e se vai acabar a carreira para o estrangeiro, ou se acaba a carreira quase incógnito no próprio clube. Ou então, nunca se volta e se prefere ir para as Arábias.

Qual a razão, caros amigos? Talvez porque na própria cultura desses clubes está o ódio e a inveja ao nosso, que nunca lhes permite desfrutar plenamente de emoções que não atinjam directamente o Benfica. Porque eles falam mais do nosso clube do que do deles. Porque nós não entoamos cânticos ofensivos aos outros quando marcamos golos a clubes terceiros, nem quando um ex-jogador deles falece. Porque nós não preferimos a derrota do nosso clube só para não beneficiar os outros. É essa nossa mística e a nossa força. É isso que nos faz grandes e é por isso que é um privilégio fazer parte deste clube. Se este ideal nos guiar sempre, independentemente dos resultados, continuaremos a ser únicos e o maior clube do mundo.

P.S. - Parabéns, Rui Costa!

2 x Selecção

A selecção conseguiu dois resultados positivos na dupla jornada de qualificação para o Euro 2008: ganhámos à Bélgica por 4-0 e empatámos na Sérvia por 1-1.

O jogo do passado sábado frente aos belgas valeu pela 2ª parte, altura em que fizemos os quatro golos, com o nosso Nuno Gomes a abrir o marcador. Na excelente companhia do Pedro F. Ferreira e do D’Arcy, fui ver o jogo ao vivo e o meu registo no WC continua 100% vitorioso: três jogos, três vitórias. Como comentei com eles, foi bom ver um jogo sem grande stress, para variar um bocado. A Bélgica tem uma equipa bastante fraca, mas a nossa 1ª parte deixou muito a desejar. Na 2ª lá aumentámos o ritmo e a goleada surgiu sem surpresa. Destaque para o golo do Quaresma que, tirando isso e o centro para o tento do Cristiano Ronaldo, não acho que tenha feito uma exibição por aí além, ao contrário do que a crítica se fartou de gritar. Tem a mania extremamente irritante (bem secundado pelo C. Ronaldo, embora este com mais objectividade) de não conseguir tocar na bola sem fazer um malabarismo qualquer. Na 2ª parte, quando estes dois deixaram as palhaçadas de lado e começaram a jogar mais para a equipa, as coisas melhoraram. Para além dos golos, tive ocasião para a standing ovation ao Petit aquando da sua substituição. Quanto às saídas do Quaresma e C. Ronaldo, aplaudi, mas... sentado. Há que estabelecer as diferenças!

Quanto ao jogo frente aos sérvios, poderíamos perfeitamente tê-lo ganho. Os dois golos surgiram na 1ª parte, sendo o do Tiago um golão, mas na 2ª tivemos inúmeras oportunidades para nos recolocarmos em vantagem. Infelizmente o guarda-redes adversário fez umas quantas boas defesas. O Scolari colocou o Simão (que não tinha jogado frente aos belgas por castigo) no lugar do Quaresma, contra a opinião de toda a nossa imprensa que achava que deveríamos prescindir do ponta-de-lança só por se chama Nuno Gomes. O Quaresma lá entrou nos últimos 10 minutos, depois de os comentadores da TV reclamarem por ele durante quase toda a 2ª parte. Mas deu bem para ver que a diferença entre o Simão e ele é a mesma entre um futebolista e um artista de circo. Os nossos (Petit, Simão e Nuno Gomes) estiveram bastante bem, especialmente os dois primeiros, que estão de facto numa super-forma. O Nuno Gomes esteve muito esforçado, como de costume, e foi dele o amortecimento para o chapéu do Tiago. Pelo que já vi de todas as selecções, temos obrigação de nos qualificarmos para o Europeu, até porque vamos receber a maioria dos adversários directos em casa.

Falando de coisas bastante mais importantes, aparentemente não temos jogadores lesionados, o que era o melhor que poderíamos desejar nestes encontros da selecção. Vamos a ver se todos recuperam fisicamente para o jogo de domingo. Estou especialmente apreensivo em relação aos gregos que jogaram ambos os 90’ dos dois jogos da sua selecção. E sabe-se como o Katsouranis não está nada bem em termos físicos. O Luisão não vai recuperar para o jogo e há dúvidas sobre o Quim. Por muito que o Moretto não me dê confiança (e não me dá nenhuma!), espero bem que ele só jogue se estiver a 100%. Haja esperança que tenhamos finalmente aprendido a lição. Aliás, se o Luisão não tem jogado em Paris, de certeza que agora estaria bom. A única boa notícia é que o maestro está apto, mas espero que comece o jogo no banco. Gosto imenso dele, mas não joga há mês e meio e o Karagounis tem sido muito importante.

quarta-feira, março 21, 2007

Sempre a limar

É a primeira vez que o menciono aqui no blog, mas a paciência tem limites. Há um senhor que escreve n’ A Bola às terças-feiras quartas-feiras e que, como lagarto que se preze, tem uma obsessão doentia pelo Benfica. Obsessão essa que o leva a cair no ridículo e, não poucas vezes, na profunda estupidez. É o caso desta semana, em que fosse o problema a assunção que a vitória do seu clube na casa do clube regional lhe trouxe um amargo de boca por ter ajudado o Benfica (confirmando assim o que todos já sabíamos, os lagartos são acima de tudo antibenfiquistas), estaríamos nós bem. Mas não, este senhor vai mais longe. E aí já cai na estupidez. Diz ele sobre o Benfica:

“Ao qual acrescentam um direito presuntivo e supostamente divino, desde a era de ouro benfiquista dos anos 60, a privilégios, atenções e favores únicos por parte da comunicação social e dos vários poderes […], mesmo que com isso se atropelem direitos de terceiros ou se distorça a verdade desportiva (!!!). A forma como o Benfica ganhou o seu único Campeonato nos últimos 12 anos – os benefícios das arbitragens, o jogo com o Estoril em campo neutro, o golo em falta de Luisão, etc. – ainda está bem presente como exemplo esclarecedor.”

Partindo do princípio que o senhor em causa não é atrasado mental nem cego nem estará mal informado, será que a obsessão dele não lhe permite pensar racionalmente? Estamos em pleno processo Apito Dourado, finalmente com dirigentes acusados, e ele vem falar da “distorção da verdade desportiva” e dos supostos “benefícios das arbitragens” ao Benfica numa época?! O jogo com o Estoril?! Quantas vezes jogaram os lagartos com o Salgueiros no Estádio da Maia, por causa da receita televisiva? Estarei enganado ou no último campeonato que eles ganharam houve 19 (d-e-z-a-n-o-v-e!) penalties a seu favor?! Alguns tão evidentes como o do Jardel na Luz? Conclui ele:

“É tudo isto que ajuda a perceber (a quem tenha o distanciamento analítico de não fazer do Benfica o centro do mundo e a causa de todas as coisas) (!!!) as opções lógicas (o sublinhado é meu), as inevitáveis simpatias e antipatias dos adeptos dos outros clubes.”

Claro, é “logicamente” preferível ficar contente com as vitórias de um clube que nos últimos 20 anos através de frutas e cafezinhos com leite ganhou o que ganhou. É infinitamente mais importante ser antibenfiquista primário do que querer que haja vencedores limpos e honestos. Assim se definem os verdadeiros lagartos. E este senhor ainda tem o desplante de dizer que tem o “distanciamento analítico de não fazer do Benfica o centro do mundo e a causa de todas as coisas”. Será que já houve alguma crónica dele que não falasse do Glorioso?

terça-feira, março 20, 2007

Petit

Um golo quase de meio-campo do Petit aos 81’ deu-nos uma vitória fundamental na Reboleira e permitiu-nos encurtar a distância para o clube regional para apenas um ponto. No sábado passado, os lagartos finalmente fizeram uma coisa de jeito (alguma vez teria de ser a primeira...) e foram ganhar a casa do clube regional. Como na próxima jornada recebemos essa equipa hedionda, temos tudo para chegar finalmente ao primeiro lugar.

Com o castigo ao Katsouranis, o Fernando Santos resolveu apostar no sistema que tão pouco resultado deu na Vila das Aves: Derlei a titular, colado à linha, com o Simão no lado contrário. Torci logo o nariz a esta opção. Já estamos rotinados com o losango, é indesmentível que o Simão está a fazer a melhor época de sempre neste sistema, para quê re-inventar tudo? E a 1ª parte deu-me razão. Jogámos muito pouco, não encontrámos espaços suficientes, velocidade nem vê-la e ocasiões de golo quase nulas. O E. Amadora só defendia, mas fazia-o bem. A nossa inspiração parecia ter tirado férias e só numa jogada do Simão pela esquerda criámos algum perigo, mas o remate do nosso capitão saiu muito frouxo e à figura. Tivemos vários cantos a nosso favor, mas sem o Luisão e o Katsouranis não conseguimos sequer fazer a bola chegar à baliza.

Na 2ª parte, o E. Amadora entrou melhor nos primeiros cinco minutos e fez uma bola roçar na barra na sequência de um mau alívio do Léo. Mas passado este período tomámos definitivamente conta do jogo e aumentámos ligeiramente a velocidade. O Fernando Santos lá percebeu que o Derlei era um corpo estranho e colocou o João Coimbra no seu lugar, permitindo-nos voltar ao losango, com o Karagounis a passar do meio para a esquerda e o Simão no sentido oposto. A partir daqui, as oportunidades começaram a aparecer com mais frequência. A melhor de todas começou no Simão e foi terminada da pior maneira pelo Nuno Gomes que falhou o remate em cheio na bola, quando estava só com o guarda-redes pela frente. É certo que não era um lance fácil, já que o centro do Simão foi desviado por um defesa e a bola vinha no ar, mas o Nuno Gomes foi à bola sem confiança nenhuma, de tal maneira que ainda ele não lhe tinha acertado e já eu dizia “vai falhar”. E falhou mesmo! Pouco depois há um lance duvidoso (para dizer o mínimo) na área do E. Amadora, em que me pareceu que o Amoreirinha puxou a camisola do Nuno Gomes, impedindo-o de chegar à bola. O Sr. João Vilas-Boas nada assinalou. Estávamos a meio da 2ª parte e o golo não aparecia. O Miccoli teve uma excelente cabeçada, depois de um centro do João Coimbra, mas a bola voltou a sair ao lado. Até que a nove minutos do fim, num livre a uns bons 35m da baliza, o E. Amadora resolveu não fazer barreira. O Petit remata, a bola ressaltou na cabeça de um adversário e entrou no canto inferior direito da baliza. Foi uma alegria imensa e uma enorme sensação de alívio. Até final ainda tivemos mais três oportunidades, mas nem o Miccoli (grande jogada individual!), nem o Nuno Gomes (ficou em contrapé numa jogada do João Coimbra) e nem o Karagounis (livre a rasar o poste) conseguiram marcar o golo da tranquilidade. O que valeu foi que o E. Amadora praticamente nem conseguiu chegar à nossa área, com excepção de um cabeceamento do Amoreirinha que ninguém desviou.

O melhor em campo foi de longe o Petit. Ele, que nos pregou um susto ao receber assistência médica no aquecimento, esteve em todo o lado, cortou incontáveis bolas a meio-campo e marcou pelo terceiro jogo consecutivo, dando-nos os vitais três pontos. Todos os outros estiveram num nível mediano, incluindo o Simão que não foi o jogador de jogos anteriores, não sei pela sua diferente colocação em campo, ou se porque é humano e não pode estar sempre a 200%. O Moretto praticamente não teve trabalho (ainda bem!), com excepção a um corte com o pé na sequência de um atrasado inacreditável do Anderson que ia colocando a bola na nossa baliza! O Léo também esteve muitos furos abaixo do habitual, ao contrário do Nélson que me pareceu melhor que em jogos anteriores. O David Luiz confirmou a sua qualidade, mas teve uma ou duas intervenções menos acertadas (também tem direito). O Karagounis melhor imenso quando passou para a esquerda e os avançados subiram igualmente de rendimento na 2ª parte, mas estiveram ambos muito azarados na hora de acertar com a baliza. O Derlei continua a não convencer, se bem que hoje jogasse fora da sua posição e o João Coimbra entrou muito bem na partida.

O campeonato vai agora parar por causa da selecção e neste caso ainda bem, porque temos jogadores a recuperar de lesões e precisamos de algum descanso. A equipa parece exausta e não sei até que ponto temos pernas para duas competições. Não há qualidade no plantel para haver rotatividade e hoje em dia está longe o rolo-compressor que chegámos a mostrar em alguns jogos, em que os adversários eram sistematicamente empurrados para a sua área num sufoco constante. Enfim, vamos esperar que esta pausa faça bem à maioria do plantel (embora os mais cansados estejam nas selecções e por isso o descanso está fora de questão) e que voltemos em força no dia 1 de Abril. Estamos a um ponto, só dependemos de nós e faltam oito jogos para terminar, dos quais teremos cinco em casa (clube regional, Braga, lagartos, Naval e Académica) e três fora (Beira-Mar, Marítimo e V. Setúbal). Será que é possível?

sexta-feira, março 16, 2007

Espanyol

Pela segunda época consecutiva, vamos a Barcelona para as competições europeias, esperemos que desta vez com melhor sorte até porque o Espanyol não se compara ao Barça. Dado que, com o desenrolar do sorteio, as últimas três equipas que nos poderiam sair eram o Sevilha, o Tottenham e o Espanyol, ele até foi bastante favorável. Como disse no post anterior, esta equipa era uma das minhas preferidas (melhor mesmo só o Osasuna que está pior classificado na Liga Espanhola). Temos obrigação de chegar às meias-finais e, se assim for, defrontaremos o vencedor do confronto AZ Alkmar e Werder Bremen. Pela lógica será este último, mas veremos.

Outro aspecto positivo do sorteio de hoje é que jogamos fora na 1ª mão, o que sendo a partida logo depois do embate frente ao clube regional é mais conveniente para nós. Pelo menos, não teremos a obrigação de que assumir o jogo como faríamos se fosse na Luz. Mas se jogarmos como durante grande parte do jogo de ontem, não teremos hipóteses nenhumas.

A ferros

Confesso que não estou muito eufórico com a vitória por 3-1 frente ao PSG e consequente qualificação para os quartos-de-final da Taça Uefa. É óbvio que estou bastante contente, mas sinceramente não gostei nada do jogo, especialmente pelo que dele se adivinhou em termos de futuro. Temo que a nossa equipa esteja a ficar de rastos em termos físicos, o que se deve à quase nula rotatividade de jogadores (também por falta de opções credíveis no banco, obviamente). Ganhámos com mérito, mas com alguma sorte porque marcámos o golo da vitória e qualificação num penalty (indiscutível) aos 88’. E durante a 2ª parte pouco fizemos para justificar esse golo, apesar de termos tido algumas (poucas) oportunidades.

O Fernando Santos surpreendeu toda a gente e deu a titularidade ao Moretto, o que me deixou logo furioso. Para além de achar uma tremenda injustiça face ao Moreira (ele sempre afirmou que os dois guarda-redes tinham valor igual e por isso mesmo rodavam no banco), continuo a pensar que o Moreira é muito superior ao brasileiro. Fosse ou não por isto, não senti um Inferno da Luz particularmente quente nos momentos iniciais. A partida esteve cheia de altos e baixos da nossa parte. Entrámos muito mal e durante uns cinco minutos foi o PSG quem a controlou. No entanto, uma bola mal aliviada pela defesa deles aos 12’, permitiu ao Nuno Gomes desmarcar o Simão que FINALMENTE marcou um golo isolado frente ao guarda-redes. O PSG acusou muito o tento e durante os minutos seguintes poderíamos ter ampliado a vantagem. O Katsouranis acertou na barra (assim de cor, já é pelo menos a 5ª vez este ano) e o Karagounis no poste, mas aos 27’ o Petit marcou um golão de chapéu ao Landreau. Faltava só um para a tranquilidade total, pensei eu. Mas foi o PSG que pouco depois, aos 32’, reduziu através do Pauleta (quem havia de ser?), num lance de indiscutível mérito da sua parte, mas em que o Anderson poderia ter feito melhor. A partir daqui desconcentrámo-nos completamente até ao intervalo e poderíamos ter sofrido o golo do empate em pelo menos duas ocasiões, uma das quais oferecida pelo Moretto na sequência de um canto.

Esperava eu que na 2ª parte melhorássemos o nível exibicional, mas aconteceu precisamente o oposto. Entrou o João Coimbra para o lugar do Karagounis (espero que tenha sido por lesão deste, caso contrário é uma substituição injustificável), mas continuávamos a perder o meio-campo, porque o Petit não é (infelizmente) omnipresente e o Katsouranis deu o berro ainda na 1ª parte. As bolas não chegavam aos avançados e o próprio Simão esteve mais discreto. O resultado é que durante boa parte do 2º período não conseguimos criar perigo nenhum. O Katsouranis e o Simão tiveram as únicas oportunidades, mas ambos os remates não atingiram o alvo. Os franceses, por seu lado, estavam mais soltos e conseguiam melhor circulação de bola, mas verdade seja dita que não criaram perigo nenhum (e ainda bem, porque a baliza está longe de estar em boas mãos...). Até que a quatro minutos do fim, uma grande jogada do Léo pela esquerda resulta no seu derrube dentro da área. Foi penalty indiscutível que o Simão transformou da forma habitual: bola rasteira para a direita do guarda-redes. Estávamos nos quartos-de-final, apesar de termos feito uma péssima 2ª parte.

Destaco o grande jogo que o Petit fez, não só pelo golão que marcou, como também porque teve que suportar o meio-campo (quase) sozinho. O Simão foi decisivo com os seus dois golos, mas já o vimos mais participativo este ano. O Léo foi igualmente importante no resultado, porque o penalty é sobre ele, e não comprometeu na defesa. O Nuno Gomes também não esteve mal e fez a assistência para o 1º golo. Mas o nosso grande problema são os jogadores que estão abaixo do seu rendimento habitual. O Miccoli está a precisar de marcar um golo, para ver se aumenta a confiança. A forma do Nélson mete dó, principalmente em termos atacantes (os cruzamentos saíram todos para trás da baliza), embora neste jogo, fruto do estoiro do Katsouranis, tenha estado muitas vezes perante dois adversários. O Anderson continua muito anjinho na forma de disputar os lances e poderia ter feito melhor no lance do primeiro golo. O Katsouranis precisa de descansar e rapidamente, no entanto temo que só um jogo de fora não seja suficiente. Esta partida também valeu pela confirmação da categoria do David Luiz. Neste momento está (é?) melhor que o Anderson, mas tenho a certeza que este continuará na equipa assim que o Luisão voltar. Quanto ao Moretto, teve uma boa intervenção logo aos 2’, mas é um susto nos cruzamentos (falhou a saída a um deles num canto que nos ia custando um golo). Espero que o Quim regresse o mais rapidamente posível, já que o brasileiro não me dá confiança nenhuma. No entanto, quero dizer que acho mal que se cante pelo nome do Moreira quando o Moretto está no chão lesionado. Desta feita, o Derlei entrou bem e não tenho dúvidas em afirmar que foi importante no resultado.

Logo mais já saberemos qual será o adversário (Espanhol, Osasuna, Sevilha, AZ Alkmar, Bayer Leverkusen, Tottenham e Werder Bremen). São todas equipas bastante fortes, mas preferia o Espanhol, Osasuna ou AZ Alkmar. No entanto, e acima de tudo, espero que saibamos recuperar bem fisicamente para os jogos que se avizinham. Esta 2ª parte deixou-me muitíssimo apreensivo e não sei se teremos equipa para nos mantermos nas duas competições.

terça-feira, março 13, 2007

Escusado sofrimento

Não tínhamos necessidade de ter sofrido tanto frente ao Leiria até conseguirmos marcar o “golo da tranquilidade” aos 86’, que selou a nossa vitória por 2-0, num jogo a que tive o privilégio de assistir na companhia do TMA. É certo que o adversário quase não criou situações de golo, mas estou farto de perder pontos preciosos frente a adversários que também pouco fazem em termos atacantes. Com as vitórias dos rivais neste fim-de-semana era imperioso ganhar para manter as distâncias.

Por isso, e mantendo o que é hábito, entrámos bem no jogo, muito pressionantes no meio-campo, usando bastante velocidade nas transições para o ataque e criando várias possibilidades de remate, que infelizmente nem sempre tiveram o destino desejado. Mas foi sem surpresa que marcámos logo aos 16’, um golão do Simão com um remate de pé esquerdo fora-da-área, depois de flectir da direita para o centro. Indefensável e um dos melhores tentos que vimos este ano. Depois do golo, e ao invés do que fizemos em Paris, não abrandámos o ritmo e tivemos mais umas quantas possibilidades de aumentar a vantagem. Infelizmente a bola não entrava e comecei a ficar preocupado, até porque o Leiria nunca ficou muito fechado na defesa. Os nossos avançados têm que rever a pontaria, porque não se justifica que não consigam concretizar algumas das inúmeras oportunidades que criamos. A partir da meia-hora, baixámos claramente o ritmo e o Leiria aproveitou para se aproximar mais da nossa baliza, porém sem criar grande perigo.

Na 2ª parte, entrámos decididos a marcar cedo, para acabar com as dúvidas acerca do vencedor, mas o problema da falta de pontaria manteve-se e tínhamos a tendência para complicar o que era fácil. De qualquer forma, também não estávamos tão bem quanto no início da partida e o jogo parecia caminhar para um impasse. Nem nós o resolvíamos de vez, nem o Leiria se mostrava com capacidade para nos incomodar. Para lançar alguma confusão sobre tudo isto, o Quim lesionou-se depois de fazer uma defesa para a frente e aos 73’ entrou o Moreira (felizmente era dia dele no banco...). A equipa não tremeu com a troca de guarda-redes (nem tinha que o fazer), mas algumas decisões do Sr. Paulo Pereira puseram-nos com os cabelos em pé. O árbitro fez uma arbitragem “à inglesa”, mas houve lance em que a falta foi por demais evidente e não foi assinalada. Até que a quatro minutos do fim, o Petit resolveu acertar na baliza com um dos seus balázios habituais, aliás acertou primeiro no poste (nem sei como é que ele ficou inteiro), e ficámos com a (justa) vitória definitivamente garantida. A próxima jornada é na Amadora, mas sem o Katsouranis que viu o 5º amarelo. Antevêm-se grandes dificuldades até porque o Luisão continua lesionado.

Individualmente, e pela 342ª vez esta época, tenho que destacar o Simão. Abençoado Valência que abdicaste de o levar! O nosso capitão está na melhor forma de sempre e já está na frente dos melhores marcadores. No entanto, e à semelhança de Paris, baixou de rendimento na 2ª parte. Outro destaque tem que ir para o David Luiz. Ou muito me engano ou temos ali jogador. Bom tecnicamente, com garra, voz de comando (ouviste Anderson?!), sabe iniciar jogadas de ataque, fazer passes longos para os companheiros e só tem ainda 19 anos. Percebo as explicações do Fernando Santos (a perspectiva de ter de jogar um só jogo, com o regresso do Luisão, é diferente do caso actual), mas ele já deveria ter jogado nas Aves. No entanto, o melhor em campo foi o Karagounis. Só de pensar que ele esteve quase para se ir embora, dispensado, fico com suores frios. Excelente técnica, muito bem fisicamente, corre quilómetros e neste jogo queria marcar à força um golo, mas os seus diversos remates não acertaram com a baliza. O Petit também foi importante no meio-campo e deve ter marcado dos golos mais bonitos na carreira (curiosa a forma como foi comemorá-lo com o Barbas, é mesmo “um dos nossos”). O Nuno Gomes, apesar de não ter marcado, provou que a sua presença no banco frente ao PSG foi um grande equívoco. Ao invés, o Miccoli parece numa fase de menor acerto, assim como o Nelson que teve vários cruzamentos lamentáveis. Estranhamente também com dificuldades esteve o Léo, que fez um jogo muito fraquito. Pelo contrário, o Katosouranis parece arrastar-se em campo, mas está invariavelmente no sítio certo para cortar a bola e iniciar a jogada de ataque.

Este jogo serviu ainda para quebrar algumas malapatas. Aproveitando a (feliz) iniciativa de o Glorioso oferecer a possibilidade de chamar amigos dos sócios aniversariantes para assistir a jogos, revolvi convidar alguns entre os quais o já referido TMA e (eu sei que arrisquei, mas algum dia o mau karma tinha que acabar) o J.M. Quando as coisas estavam num impasse a meio da 2ª parte, ainda pensei se não estava na altura de ele se ir embora, mas felizmente tudo acabou em bem. Curiosamente um outro amigo que foi só tinha visto o Benfica em três ocasiões: Chelsea, Juventus (ambos na pré-época do ano passado) e Boavista este ano. Ou seja, nem sequer tinha visto um golo do Benfica ao vivo e perdemos dois dos três jogos! Foi mesmo muito arriscado, mas acho que as malapatas acabaram. Será bom prenúncio para o resto da época?!

domingo, março 11, 2007

“Ici c’est Paris!”



Acabei de chegar de Paris e a viagem correu muitíssimo bem, se exceptuarmos o resultado do Glorioso. Quando voltava do estádio, no metro só se ouvia o grito do título deste post, uma espécie de “Glorioso SLB” deles, e “où sont les portugais?”. Apesar de a derrota por 2-1 ser um resultado menos mau em termos de competições europeias, confesso que fique bastante chateado com ele: primeiro, porque o Glorioso não me ofereceu uma vitória no dia dos meus anos e segundo, porque perdemos uma óptima oportunidade de somar mais dois pontos ao nosso ranking (estamos perto de entrar para o grupo dos segundos cabeças-de-série da Liga dos Campeões do próximo ano). Não tenho dúvidas que somos muito superiores ao PSG e que, se por acaso formos eliminados (cruzes, canhoto!), será uma das maiores vergonhas da nossa história.

Começámos muito bem a partida e foi sem surpresa que o Simão inaugurou o marcador logo aos 10’. O nosso controlo era absoluto e esperei que tivéssemos uma vitória tranquila, já que o PSG era confrangedor (passes transviados, jogadas mal ligadas, falta de classe em vários sectores, nomeadamente na defesa), mas nada disso aconteceu, e por culpa própria. É verdade que a lesão do Luisão (quando é que nós aprendemos a não utilizar jogadores que não estão a 100%?) por volta dos 30’ foi o momento marcante do jogo, mas a nossa atitude a seguir ao golo foi muito má. Houve várias jogadas em que poderíamos ter partido para o contra-ataque, mas que sucessivamente abrandávamos o ritmo e renunciávamos à velocidade (com o Derlei em particular destaque negativo neste aspecto). Ou seja, começámos a fazer a “gestão do resultado” aos 10 minutos! Sempre detestei a “gestão do resultado”, ainda para mais só com a vantagem de um golo e na 1ª parte! Claro que poderíamos ter apontado o segundo em pelo menos duas ocasiões (Derlei e Miccoli), mas quantas possibilidades de atacar não perdemos nós por falta de velocidade nas transições? Com a saída do Luisão e a estreia do David Luiz abanámos (e de que maneira) e em três minutos o PSG deu a volta ao resultado, sendo um dos golos do Pauleta.

Na 2ª parte, o jogo voltou a estar sob o nosso controlo e o PSG tentou contra-atacar, mas foi incapaz de criar grande perigo para nós, se bem que o contrário também fosse verdade. Não conseguimos criar muitas situações de golo e as que aconteceram acabaram invariavelmente com remates para as nuvens. O nosso nível exibicional diminuiu bastante a que não será alheio a falta do Katsouranis e a saída do Luisão. Por outro lado, o Fernando Santos resolveu manter o ridículo Derlei em campo durante 69’ e quando o Beto entrou aos 72’ vi logo que o jogo acabava ali. Seria muito difícil marcar um golo. Individualmente, destacou-se o Simão (apesar da quebra na 2ª parte) e também gostei bastante do João Coimbra. Não é nenhum Katsouranis, é óbvio, mas saliento a maturidade e o pouco nervosismo que manifestou em campo (e logo num jogo da Uefa). Nervosismo, sim, que apresentou o David Luiz logo nos minutos iniciais à sua entrada, mas que se foi dissipando ao longo do jogo. Só tem 19 anos, mas não me parece mau jogador. O Miccoli é que esteve uns furos abaixo do que nos habituou e o Anderson não está decididamente em grande forma (e sem a presença do Luisão ao lado nos próximos jogos nem quero pensar no que acontecerá). Todo o resto da equipa esteve a um nível normal, embora seja quase inconcebível que os remates fora da área tenham saído tão longe do alvo.

O Parque dos Príncipes é um estádio relativamente feio por fora, mas bonito por dentro, com cadeiras azuis e vermelhas. Sendo mais antigo do que os nossos do Euro 2004, é natural que perca em comparação, mas tem um grande ambiente. As claques do PSG (e contei pelo menos cinco!) não se calaram durante um minuto, mesmo quando a equipa estava a jogar muito mal nos primeiros minutos do jogo. Estavam naturalmente bastantes portugueses e na bancada onde eu fiquei, no anel superior do estádio (não era a reservada aos adeptos do Benfica, já que comprei o bilhete pela internet), eram mesmo em número superior aos franceses. Achei muito curioso o facto de ver adeptos com a nossa gloriosa camisola a falar francês, especialmente crianças. É fantástico como o sentimento benfiquista ultrapassa a própria barreira linguística!

Espero que na 5ª feira rectifiquemos este resultado. A diferença é abissal, provemo-la em campo!

terça-feira, março 06, 2007

J’y vais!

Como disse no post de 23 de Fevereiro, se tudo corresse bem iria festejar o meu 31º aniversário a Paris para ver o Glorioso no Parque dos Príncipes. E tudo correu bem! Na 2ª feira da semana passada consegui reservar os bilhetes no site do PSG no único (!) dia em que estiveram à venda ao público. Na 3ª voltei lá e já só estavam disponíveis no Parque dos Príncipes. Ainda por cima o Benfica não colocou bilhetes à venda na Luz, só sendo possível obtê-los através das viagens organizadas. Que grande sorte que tive!

Claro está que se aproveita para fazer umas mini-férias de cinco dias na cidade-luz, razão pela qual este blog estará em standby de 4ª a Domingo. Espero voltar um ano mais velho e com uma grande vitória na bagagem! Allez Glorioso SLB!


domingo, março 04, 2007

Fraco

Vencemos na Vila das Aves somente por 1-0, com um golo do Nuno Gomes, naquela que terá sido a pior exibição dos últimos tempos. É um chavão dizer-se que “são jogos destes que fazem ganhar campeonatos”, mas não deixa de ser irónico que tenhamos ganho com uma exibição destas, enquanto frente ao Boavista empatámos. O futebol não é de facto a coisa mais justa do mundo. Mas atenção que, apesar da má performance (e ao contrário do que achou o cómico Prof. Neca), a nossa vitória é inquestionável. Mesmo assim fomos melhor equipa do que o Aves, não obstante eles terem falhado um penalty.

Com o castigo ao Luisão, foi o Katsouranis que recuou para central, entrando o Derlei na equipa. Jogámos com quatro (!) avançados, mas não se pode dizer que tenha sido muito positivo. Entrámos muito lentos no jogo e só tivemos duas oportunidades na 1ª parte: o remate do Miccoli às malhas laterais e a cabeçada do Derlei para fora. A marcação do Aves era muito cerrada e nós não utilizávamos a velocidade para tentar superá-la. Deixámos o jogo correr, como que à espera que o golo caísse do céu. Mas o que é certo é que a grande oportunidade da 1ª parte foi deles, com o tal penalty aos 35’. O Karagounis fez um carrinho na área, mas não cortou o braço a tempo, pelo que a bola lhe bateu e o Sr. Jorge Sousa, sempre muito solícito, assinalou o penalty. Felizmente o Quim adivinhou o lado e defendeu-o. A acontecer golo não quero pensar no que poderia acontecer, porque já estávamos a sentir imensas dificuldades em impor o nosso jogo mesmo com 0-0.

Na 2ª parte melhorámos um pouco, mas não o suficiente para chegarmos a uma exibição positiva. Antes do golo, o Nuno Gomes fez um remate rasteiro que proporcionou ao Nuno a defesa mais difícil da noite. Parece que o nosso ponta-de-lança começa finalmente a rematar mais vezes à baliza. Aos 60’ fizemos o resultado, numa boa jogada na direita entre o Derlei, Miccoli e Nelson, com um centro deste e o Nuno Gomes a antecipar-se ao defesa (num movimento “à ponta-de-lança”), e a rematar por baixo do corpo do guarda-redes. Seis minutos depois, o Sérgio Nunes pensou que estava no Andebol e defendeu com os braços um remate do Karagounis. Como já tinha visto um amarelo, ao ver o segundo foi para a rua. O jogo estava a correr de feição para nós, que nunca imaginei que fizéssemos uma meia-hora final tão paupérrima. Inexplicavelmente não mantínhamos a posse de bola, permitíamos ao Aves acreditar, chegar-se perto da nossa área e ganhar faltas sucessivas, sempre muito rapidamente assinaladas pelo Sr. Jorge Sousa. No entanto, nunca houve uma situação de verdadeiro perigo, mas detesto jogos em que estamos a ganhar pela margem mínima e fazemos a “gestão do resultado”. Quantas vezes não vi eu perdermos pontos em lances fortuitos perto do fim por causa desta mesma “gestão”, que faz com que não venhamos para a frente para tentar aumentar o resultado. Mas felizmente isso não aconteceu ontem, pelo que ganhámos pela primeira vez acima do Mondego (vamos ver qual é a próxima malapata que a comunicação social nos vai inventar, depois da “chapa três”, da seca do Nuno Gomes e das não-vitórias acima do Mondego).

Individualmente é difícil destacar alguém, porque estiveram todos muito sofríveis. O Simão era o único a empregar velocidade, mas não esteve tão em jogo como nos últimos tempos. O Nuno Gomes, apesar de algumas intervenções menos felizes, foi o “homem do jogo” pelo importante golo que marcou. A defesa não comprometeu e o Katsouranis revela-se cada vez mais como um jogador completo. O Miccoli deve ter feito das mais fracas exibições pelo Glorioso, apesar do bom toque que desmarcou o Nelson no lance do golo. O Derlei revelou sempre alguma dificuldade em dominar a bola e neste momento ainda não justifica a titularidade em pleno. O Petit esteve incansável no meio-campo, especialmente porque não tinha a companhia do Katsouranis e o Karagounis não é tão bom a defender. Incompreensível mesmo foi a demora do nosso treinador a fazer substituições. Não estancávamos os ataques do Aves e continuávamos com os quatro avançados em campo. Deveria ter entrado alguém para o meio-campo mais cedo, para tentar que tivéssemos mais posse de bola, mas a primeira substituição foi feita aos 82’!


Conseguimos ganhar e isso era o fundamental, até para nos dar confiança para o jogo da próxima 5ª feira em Paris. O PSG voltou a perder e está na zona de despromoção, pelo que é nossa mais que obrigação superar esta eliminatória. Até porque seria muito bonito podermos oferecer a conquista de um troféu europeu depois de tanto tempo à memória do grande homem que nos abandonou esta semana.

P.S. - Depois deste jogo, temos o Simão, Petit e Katsouranis com o quatro amarelo. Aposto com quem quiser que um deles não vai jogar contra o clube regional daqui a três jornadas.

sexta-feira, março 02, 2007

Relembrar XI – Manuel Galrinho Bento

Este é o "relembrar" mais triste que escrevo. Não era (outra vez) o Bento o próximo da lista, mas não podia deixar de o homenagear mais uma vez no dia seguinte ao seu falecimento. E faço-o mostrando as suas duas facetas de génio e louco, afinal as características mais marcantes da sua carreira desportiva.

O primeiro lance mostra a sua segunda faceta. Foi num jogo contra o clube regional para o campeonato de 1982/83, em que, aparentemente vindo do nada, resolveu oferecer um penalty ao nosso adversário. Se no caso do "relembrar" anterior, o Manuel Fernandes toca-lhe mesmo na cabeça, neste o lance o contacto do Walsh parece casual. Mas mesmo assim, o nosso Bento decidiu fazer das suas. O que valeu é que se redimiu pouco depois, defendendo o penalty e ajudando a conservar o 0-0 até final. Para (não) variar fomos campeões nesse ano.

O segundo conjunto de imagens recorda provavelmente a sua melhor exibição de sempre. Foi no célebre França-Portugal das meias-finais do Euro 84, em que brilhou o Chalana lá na frente e o Bento cá atrás. Sofreu três golos (perdemos por 3-2), mas estas defesas falam por si. De realçar a coragem com que saía aos pés dos adversários e a elasticidade entre os postes.

Descansa em paz, grande Bento!


quinta-feira, março 01, 2007

Grande choque

Caiu-me agora tudo ao chão quando abri a página d’ A Bola online e vi a notícia de que tinha falecido, somente com 58 anos, o nosso grande Bento. Foi o primeiro guarda-redes que eu vi com a camisola do Glorioso e muitas tardes de alegria me proporcionou com as suas magníficas defesas e grande agilidade apesar da pequena estatura. O choque ainda é maior quanto ele tinha estado ontem na Gala no Casino Estoril de celebração do nosso 103º aniversário. Foi morte súbita e daqui endereço os meus mais sentidos pêsames à sua família. Os benfiquistas e verdadeiros desportistas estão todos de luto.