terça-feira, março 20, 2007
Petit
Com o castigo ao Katsouranis, o Fernando Santos resolveu apostar no sistema que tão pouco resultado deu na Vila das Aves: Derlei a titular, colado à linha, com o Simão no lado contrário. Torci logo o nariz a esta opção. Já estamos rotinados com o losango, é indesmentível que o Simão está a fazer a melhor época de sempre neste sistema, para quê re-inventar tudo? E a 1ª parte deu-me razão. Jogámos muito pouco, não encontrámos espaços suficientes, velocidade nem vê-la e ocasiões de golo quase nulas. O E. Amadora só defendia, mas fazia-o bem. A nossa inspiração parecia ter tirado férias e só numa jogada do Simão pela esquerda criámos algum perigo, mas o remate do nosso capitão saiu muito frouxo e à figura. Tivemos vários cantos a nosso favor, mas sem o Luisão e o Katsouranis não conseguimos sequer fazer a bola chegar à baliza.
Na 2ª parte, o E. Amadora entrou melhor nos primeiros cinco minutos e fez uma bola roçar na barra na sequência de um mau alívio do Léo. Mas passado este período tomámos definitivamente conta do jogo e aumentámos ligeiramente a velocidade. O Fernando Santos lá percebeu que o Derlei era um corpo estranho e colocou o João Coimbra no seu lugar, permitindo-nos voltar ao losango, com o Karagounis a passar do meio para a esquerda e o Simão no sentido oposto. A partir daqui, as oportunidades começaram a aparecer com mais frequência. A melhor de todas começou no Simão e foi terminada da pior maneira pelo Nuno Gomes que falhou o remate em cheio na bola, quando estava só com o guarda-redes pela frente. É certo que não era um lance fácil, já que o centro do Simão foi desviado por um defesa e a bola vinha no ar, mas o Nuno Gomes foi à bola sem confiança nenhuma, de tal maneira que ainda ele não lhe tinha acertado e já eu dizia “vai falhar”. E falhou mesmo! Pouco depois há um lance duvidoso (para dizer o mínimo) na área do E. Amadora, em que me pareceu que o Amoreirinha puxou a camisola do Nuno Gomes, impedindo-o de chegar à bola. O Sr. João Vilas-Boas nada assinalou. Estávamos a meio da 2ª parte e o golo não aparecia. O Miccoli teve uma excelente cabeçada, depois de um centro do João Coimbra, mas a bola voltou a sair ao lado. Até que a nove minutos do fim, num livre a uns bons 35m da baliza, o E. Amadora resolveu não fazer barreira. O Petit remata, a bola ressaltou na cabeça de um adversário e entrou no canto inferior direito da baliza. Foi uma alegria imensa e uma enorme sensação de alívio. Até final ainda tivemos mais três oportunidades, mas nem o Miccoli (grande jogada individual!), nem o Nuno Gomes (ficou em contrapé numa jogada do João Coimbra) e nem o Karagounis (livre a rasar o poste) conseguiram marcar o golo da tranquilidade. O que valeu foi que o E. Amadora praticamente nem conseguiu chegar à nossa área, com excepção de um cabeceamento do Amoreirinha que ninguém desviou.
O melhor em campo foi de longe o Petit. Ele, que nos pregou um susto ao receber assistência médica no aquecimento, esteve em todo o lado, cortou incontáveis bolas a meio-campo e marcou pelo terceiro jogo consecutivo, dando-nos os vitais três pontos. Todos os outros estiveram num nível mediano, incluindo o Simão que não foi o jogador de jogos anteriores, não sei pela sua diferente colocação em campo, ou se porque é humano e não pode estar sempre a 200%. O Moretto praticamente não teve trabalho (ainda bem!), com excepção a um corte com o pé na sequência de um atrasado inacreditável do Anderson que ia colocando a bola na nossa baliza! O Léo também esteve muitos furos abaixo do habitual, ao contrário do Nélson que me pareceu melhor que em jogos anteriores. O David Luiz confirmou a sua qualidade, mas teve uma ou duas intervenções menos acertadas (também tem direito). O Karagounis melhor imenso quando passou para a esquerda e os avançados subiram igualmente de rendimento na 2ª parte, mas estiveram ambos muito azarados na hora de acertar com a baliza. O Derlei continua a não convencer, se bem que hoje jogasse fora da sua posição e o João Coimbra entrou muito bem na partida.
O campeonato vai agora parar por causa da selecção e neste caso ainda bem, porque temos jogadores a recuperar de lesões e precisamos de algum descanso. A equipa parece exausta e não sei até que ponto temos pernas para duas competições. Não há qualidade no plantel para haver rotatividade e hoje em dia está longe o rolo-compressor que chegámos a mostrar em alguns jogos, em que os adversários eram sistematicamente empurrados para a sua área num sufoco constante. Enfim, vamos esperar que esta pausa faça bem à maioria do plantel (embora os mais cansados estejam nas selecções e por isso o descanso está fora de questão) e que voltemos em força no dia 1 de Abril. Estamos a um ponto, só dependemos de nós e faltam oito jogos para terminar, dos quais teremos cinco em casa (clube regional, Braga, lagartos, Naval e Académica) e três fora (Beira-Mar, Marítimo e V. Setúbal). Será que é possível?
sexta-feira, março 16, 2007
Espanyol
Outro aspecto positivo do sorteio de hoje é que jogamos fora na 1ª mão, o que sendo a partida logo depois do embate frente ao clube regional é mais conveniente para nós. Pelo menos, não teremos a obrigação de que assumir o jogo como faríamos se fosse na Luz. Mas se jogarmos como durante grande parte do jogo de ontem, não teremos hipóteses nenhumas.
A ferros
O Fernando Santos surpreendeu toda a gente e deu a titularidade ao Moretto, o que me deixou logo furioso. Para além de achar uma tremenda injustiça face ao Moreira (ele sempre afirmou que os dois guarda-redes tinham valor igual e por isso mesmo rodavam no banco), continuo a pensar que o Moreira é muito superior ao brasileiro. Fosse ou não por isto, não senti um Inferno da Luz particularmente quente nos momentos iniciais. A partida esteve cheia de altos e baixos da nossa parte. Entrámos muito mal e durante uns cinco minutos foi o PSG quem a controlou. No entanto, uma bola mal aliviada pela defesa deles aos 12’, permitiu ao Nuno Gomes desmarcar o Simão que FINALMENTE marcou um golo isolado frente ao guarda-redes. O PSG acusou muito o tento e durante os minutos seguintes poderíamos ter ampliado a vantagem. O Katsouranis acertou na barra (assim de cor, já é pelo menos a 5ª vez este ano) e o Karagounis no poste, mas aos 27’ o Petit marcou um golão de chapéu ao Landreau. Faltava só um para a tranquilidade total, pensei eu. Mas foi o PSG que pouco depois, aos 32’, reduziu através do Pauleta (quem havia de ser?), num lance de indiscutível mérito da sua parte, mas em que o Anderson poderia ter feito melhor. A partir daqui desconcentrámo-nos completamente até ao intervalo e poderíamos ter sofrido o golo do empate em pelo menos duas ocasiões, uma das quais oferecida pelo Moretto na sequência de um canto.
Esperava eu que na 2ª parte melhorássemos o nível exibicional, mas aconteceu precisamente o oposto. Entrou o João Coimbra para o lugar do Karagounis (espero que tenha sido por lesão deste, caso contrário é uma substituição injustificável), mas continuávamos a perder o meio-campo, porque o Petit não é (infelizmente) omnipresente e o Katsouranis deu o berro ainda na 1ª parte. As bolas não chegavam aos avançados e o próprio Simão esteve mais discreto. O resultado é que durante boa parte do 2º período não conseguimos criar perigo nenhum. O Katsouranis e o Simão tiveram as únicas oportunidades, mas ambos os remates não atingiram o alvo. Os franceses, por seu lado, estavam mais soltos e conseguiam melhor circulação de bola, mas verdade seja dita que não criaram perigo nenhum (e ainda bem, porque a baliza está longe de estar em boas mãos...). Até que a quatro minutos do fim, uma grande jogada do Léo pela esquerda resulta no seu derrube dentro da área. Foi penalty indiscutível que o Simão transformou da forma habitual: bola rasteira para a direita do guarda-redes. Estávamos nos quartos-de-final, apesar de termos feito uma péssima 2ª parte.
Destaco o grande jogo que o Petit fez, não só pelo golão que marcou, como também porque teve que suportar o meio-campo (quase) sozinho. O Simão foi decisivo com os seus dois golos, mas já o vimos mais participativo este ano. O Léo foi igualmente importante no resultado, porque o penalty é sobre ele, e não comprometeu na defesa. O Nuno Gomes também não esteve mal e fez a assistência para o 1º golo. Mas o nosso grande problema são os jogadores que estão abaixo do seu rendimento habitual. O Miccoli está a precisar de marcar um golo, para ver se aumenta a confiança. A forma do Nélson mete dó, principalmente em termos atacantes (os cruzamentos saíram todos para trás da baliza), embora neste jogo, fruto do estoiro do Katsouranis, tenha estado muitas vezes perante dois adversários. O Anderson continua muito anjinho na forma de disputar os lances e poderia ter feito melhor no lance do primeiro golo. O Katsouranis precisa de descansar e rapidamente, no entanto temo que só um jogo de fora não seja suficiente. Esta partida também valeu pela confirmação da categoria do David Luiz. Neste momento está (é?) melhor que o Anderson, mas tenho a certeza que este continuará na equipa assim que o Luisão voltar. Quanto ao Moretto, teve uma boa intervenção logo aos 2’, mas é um susto nos cruzamentos (falhou a saída a um deles num canto que nos ia custando um golo). Espero que o Quim regresse o mais rapidamente posível, já que o brasileiro não me dá confiança nenhuma. No entanto, quero dizer que acho mal que se cante pelo nome do Moreira quando o Moretto está no chão lesionado. Desta feita, o Derlei entrou bem e não tenho dúvidas em afirmar que foi importante no resultado.
Logo mais já saberemos qual será o adversário (Espanhol, Osasuna, Sevilha, AZ Alkmar, Bayer Leverkusen, Tottenham e Werder Bremen). São todas equipas bastante fortes, mas preferia o Espanhol, Osasuna ou AZ Alkmar. No entanto, e acima de tudo, espero que saibamos recuperar bem fisicamente para os jogos que se avizinham. Esta 2ª parte deixou-me muitíssimo apreensivo e não sei se teremos equipa para nos mantermos nas duas competições.
terça-feira, março 13, 2007
Escusado sofrimento
Por isso, e mantendo o que é hábito, entrámos bem no jogo, muito pressionantes no meio-campo, usando bastante velocidade nas transições para o ataque e criando várias possibilidades de remate, que infelizmente nem sempre tiveram o destino desejado. Mas foi sem surpresa que marcámos logo aos 16’, um golão do Simão com um remate de pé esquerdo fora-da-área, depois de flectir da direita para o centro. Indefensável e um dos melhores tentos que vimos este ano. Depois do golo, e ao invés do que fizemos em Paris, não abrandámos o ritmo e tivemos mais umas quantas possibilidades de aumentar a vantagem. Infelizmente a bola não entrava e comecei a ficar preocupado, até porque o Leiria nunca ficou muito fechado na defesa. Os nossos avançados têm que rever a pontaria, porque não se justifica que não consigam concretizar algumas das inúmeras oportunidades que criamos. A partir da meia-hora, baixámos claramente o ritmo e o Leiria aproveitou para se aproximar mais da nossa baliza, porém sem criar grande perigo.
Na 2ª parte, entrámos decididos a marcar cedo, para acabar com as dúvidas acerca do vencedor, mas o problema da falta de pontaria manteve-se e tínhamos a tendência para complicar o que era fácil. De qualquer forma, também não estávamos tão bem quanto no início da partida e o jogo parecia caminhar para um impasse. Nem nós o resolvíamos de vez, nem o Leiria se mostrava com capacidade para nos incomodar. Para lançar alguma confusão sobre tudo isto, o Quim lesionou-se depois de fazer uma defesa para a frente e aos 73’ entrou o Moreira (felizmente era dia dele no banco...). A equipa não tremeu com a troca de guarda-redes (nem tinha que o fazer), mas algumas decisões do Sr. Paulo Pereira puseram-nos com os cabelos em pé. O árbitro fez uma arbitragem “à inglesa”, mas houve lance em que a falta foi por demais evidente e não foi assinalada. Até que a quatro minutos do fim, o Petit resolveu acertar na baliza com um dos seus balázios habituais, aliás acertou primeiro no poste (nem sei como é que ele ficou inteiro), e ficámos com a (justa) vitória definitivamente garantida. A próxima jornada é na Amadora, mas sem o Katsouranis que viu o 5º amarelo. Antevêm-se grandes dificuldades até porque o Luisão continua lesionado.
Individualmente, e pela 342ª vez esta época, tenho que destacar o Simão. Abençoado Valência que abdicaste de o levar! O nosso capitão está na melhor forma de sempre e já está na frente dos melhores marcadores. No entanto, e à semelhança de Paris, baixou de rendimento na 2ª parte. Outro destaque tem que ir para o David Luiz. Ou muito me engano ou temos ali jogador. Bom tecnicamente, com garra, voz de comando (ouviste Anderson?!), sabe iniciar jogadas de ataque, fazer passes longos para os companheiros e só tem ainda 19 anos. Percebo as explicações do Fernando Santos (a perspectiva de ter de jogar um só jogo, com o regresso do Luisão, é diferente do caso actual), mas ele já deveria ter jogado nas Aves. No entanto, o melhor em campo foi o Karagounis. Só de pensar que ele esteve quase para se ir embora, dispensado, fico com suores frios. Excelente técnica, muito bem fisicamente, corre quilómetros e neste jogo queria marcar à força um golo, mas os seus diversos remates não acertaram com a baliza. O Petit também foi importante no meio-campo e deve ter marcado dos golos mais bonitos na carreira (curiosa a forma como foi comemorá-lo com o Barbas, é mesmo “um dos nossos”). O Nuno Gomes, apesar de não ter marcado, provou que a sua presença no banco frente ao PSG foi um grande equívoco. Ao invés, o Miccoli parece numa fase de menor acerto, assim como o Nelson que teve vários cruzamentos lamentáveis. Estranhamente também com dificuldades esteve o Léo, que fez um jogo muito fraquito. Pelo contrário, o Katosouranis parece arrastar-se em campo, mas está invariavelmente no sítio certo para cortar a bola e iniciar a jogada de ataque.
Este jogo serviu ainda para quebrar algumas malapatas. Aproveitando a (feliz) iniciativa de o Glorioso oferecer a possibilidade de chamar amigos dos sócios aniversariantes para assistir a jogos, revolvi convidar alguns entre os quais o já referido TMA e (eu sei que arrisquei, mas algum dia o mau karma tinha que acabar) o J.M. Quando as coisas estavam num impasse a meio da 2ª parte, ainda pensei se não estava na altura de ele se ir embora, mas felizmente tudo acabou em bem. Curiosamente um outro amigo que foi só tinha visto o Benfica em três ocasiões: Chelsea, Juventus (ambos na pré-época do ano passado) e Boavista este ano. Ou seja, nem sequer tinha visto um golo do Benfica ao vivo e perdemos dois dos três jogos! Foi mesmo muito arriscado, mas acho que as malapatas acabaram. Será bom prenúncio para o resto da época?!
domingo, março 11, 2007
“Ici c’est Paris!”
Acabei de chegar de Paris e a viagem correu muitíssimo bem, se exceptuarmos o resultado do Glorioso. Quando voltava do estádio, no metro só se ouvia o grito do título deste post, uma espécie de “Glorioso SLB” deles, e “où sont les portugais?”. Apesar de a derrota por 2-1 ser um resultado menos mau em termos de competições europeias, confesso que fique bastante chateado com ele: primeiro, porque o Glorioso não me ofereceu uma vitória no dia dos meus anos e segundo, porque perdemos uma óptima oportunidade de somar mais dois pontos ao nosso ranking (estamos perto de entrar para o grupo dos segundos cabeças-de-série da Liga dos Campeões do próximo ano). Não tenho dúvidas que somos muito superiores ao PSG e que, se por acaso formos eliminados (cruzes, canhoto!), será uma das maiores vergonhas da nossa história.
Começámos muito bem a partida e foi sem surpresa que o Simão inaugurou o marcador logo aos 10’. O nosso controlo era absoluto e esperei que tivéssemos uma vitória tranquila, já que o PSG era confrangedor (passes transviados, jogadas mal ligadas, falta de classe em vários sectores, nomeadamente na defesa), mas nada disso aconteceu, e por culpa própria. É verdade que a lesão do Luisão (quando é que nós aprendemos a não utilizar jogadores que não estão a 100%?) por volta dos 30’ foi o momento marcante do jogo, mas a nossa atitude a seguir ao golo foi muito má. Houve várias jogadas em que poderíamos ter partido para o contra-ataque, mas que sucessivamente abrandávamos o ritmo e renunciávamos à velocidade (com o Derlei em particular destaque negativo neste aspecto). Ou seja, começámos a fazer a “gestão do resultado” aos 10 minutos! Sempre detestei a “gestão do resultado”, ainda para mais só com a vantagem de um golo e na 1ª parte! Claro que poderíamos ter apontado o segundo em pelo menos duas ocasiões (Derlei e Miccoli), mas quantas possibilidades de atacar não perdemos nós por falta de velocidade nas transições? Com a saída do Luisão e a estreia do David Luiz abanámos (e de que maneira) e em três minutos o PSG deu a volta ao resultado, sendo um dos golos do Pauleta.
Na 2ª parte, o jogo voltou a estar sob o nosso controlo e o PSG tentou contra-atacar, mas foi incapaz de criar grande perigo para nós, se bem que o contrário também fosse verdade. Não conseguimos criar muitas situações de golo e as que aconteceram acabaram invariavelmente com remates para as nuvens. O nosso nível exibicional diminuiu bastante a que não será alheio a falta do Katsouranis e a saída do Luisão. Por outro lado, o Fernando Santos resolveu manter o ridículo Derlei em campo durante 69’ e quando o Beto entrou aos 72’ vi logo que o jogo acabava ali. Seria muito difícil marcar um golo. Individualmente, destacou-se o Simão (apesar da quebra na 2ª parte) e também gostei bastante do João Coimbra. Não é nenhum Katsouranis, é óbvio, mas saliento a maturidade e o pouco nervosismo que manifestou em campo (e logo num jogo da Uefa). Nervosismo, sim, que apresentou o David Luiz logo nos minutos iniciais à sua entrada, mas que se foi dissipando ao longo do jogo. Só tem 19 anos, mas não me parece mau jogador. O Miccoli é que esteve uns furos abaixo do que nos habituou e o Anderson não está decididamente em grande forma (e sem a presença do Luisão ao lado nos próximos jogos nem quero pensar no que acontecerá). Todo o resto da equipa esteve a um nível normal, embora seja quase inconcebível que os remates fora da área tenham saído tão longe do alvo.
O Parque dos Príncipes é um estádio relativamente feio por fora, mas bonito por dentro, com cadeiras azuis e vermelhas. Sendo mais antigo do que os nossos do Euro 2004, é natural que perca em comparação, mas tem um grande ambiente. As claques do PSG (e contei pelo menos cinco!) não se calaram durante um minuto, mesmo quando a equipa estava a jogar muito mal nos primeiros minutos do jogo. Estavam naturalmente bastantes portugueses e na bancada onde eu fiquei, no anel superior do estádio (não era a reservada aos adeptos do Benfica, já que comprei o bilhete pela internet), eram mesmo em número superior aos franceses. Achei muito curioso o facto de ver adeptos com a nossa gloriosa camisola a falar francês, especialmente crianças. É fantástico como o sentimento benfiquista ultrapassa a própria barreira linguística!
Espero que na 5ª feira rectifiquemos este resultado. A diferença é abissal, provemo-la em campo!
terça-feira, março 06, 2007
J’y vais!
Claro está que se aproveita para fazer umas mini-férias de cinco dias na cidade-luz, razão pela qual este blog estará em standby de 4ª a Domingo. Espero voltar um ano mais velho e com uma grande vitória na bagagem! Allez Glorioso SLB!
domingo, março 04, 2007
Fraco
Com o castigo ao Luisão, foi o Katsouranis que recuou para central, entrando o Derlei na equipa. Jogámos com quatro (!) avançados, mas não se pode dizer que tenha sido muito positivo. Entrámos muito lentos no jogo e só tivemos duas oportunidades na 1ª parte: o remate do Miccoli às malhas laterais e a cabeçada do Derlei para fora. A marcação do Aves era muito cerrada e nós não utilizávamos a velocidade para tentar superá-la. Deixámos o jogo correr, como que à espera que o golo caísse do céu. Mas o que é certo é que a grande oportunidade da 1ª parte foi deles, com o tal penalty aos 35’. O Karagounis fez um carrinho na área, mas não cortou o braço a tempo, pelo que a bola lhe bateu e o Sr. Jorge Sousa, sempre muito solícito, assinalou o penalty. Felizmente o Quim adivinhou o lado e defendeu-o. A acontecer golo não quero pensar no que poderia acontecer, porque já estávamos a sentir imensas dificuldades em impor o nosso jogo mesmo com 0-0.
Na 2ª parte melhorámos um pouco, mas não o suficiente para chegarmos a uma exibição positiva. Antes do golo, o Nuno Gomes fez um remate rasteiro que proporcionou ao Nuno a defesa mais difícil da noite. Parece que o nosso ponta-de-lança começa finalmente a rematar mais vezes à baliza. Aos 60’ fizemos o resultado, numa boa jogada na direita entre o Derlei, Miccoli e Nelson, com um centro deste e o Nuno Gomes a antecipar-se ao defesa (num movimento “à ponta-de-lança”), e a rematar por baixo do corpo do guarda-redes. Seis minutos depois, o Sérgio Nunes pensou que estava no Andebol e defendeu com os braços um remate do Karagounis. Como já tinha visto um amarelo, ao ver o segundo foi para a rua. O jogo estava a correr de feição para nós, que nunca imaginei que fizéssemos uma meia-hora final tão paupérrima. Inexplicavelmente não mantínhamos a posse de bola, permitíamos ao Aves acreditar, chegar-se perto da nossa área e ganhar faltas sucessivas, sempre muito rapidamente assinaladas pelo Sr. Jorge Sousa. No entanto, nunca houve uma situação de verdadeiro perigo, mas detesto jogos em que estamos a ganhar pela margem mínima e fazemos a “gestão do resultado”. Quantas vezes não vi eu perdermos pontos em lances fortuitos perto do fim por causa desta mesma “gestão”, que faz com que não venhamos para a frente para tentar aumentar o resultado. Mas felizmente isso não aconteceu ontem, pelo que ganhámos pela primeira vez acima do Mondego (vamos ver qual é a próxima malapata que a comunicação social nos vai inventar, depois da “chapa três”, da seca do Nuno Gomes e das não-vitórias acima do Mondego).
Individualmente é difícil destacar alguém, porque estiveram todos muito sofríveis. O Simão era o único a empregar velocidade, mas não esteve tão em jogo como nos últimos tempos. O Nuno Gomes, apesar de algumas intervenções menos felizes, foi o “homem do jogo” pelo importante golo que marcou. A defesa não comprometeu e o Katsouranis revela-se cada vez mais como um jogador completo. O Miccoli deve ter feito das mais fracas exibições pelo Glorioso, apesar do bom toque que desmarcou o Nelson no lance do golo. O Derlei revelou sempre alguma dificuldade em dominar a bola e neste momento ainda não justifica a titularidade em pleno. O Petit esteve incansável no meio-campo, especialmente porque não tinha a companhia do Katsouranis e o Karagounis não é tão bom a defender. Incompreensível mesmo foi a demora do nosso treinador a fazer substituições. Não estancávamos os ataques do Aves e continuávamos com os quatro avançados em campo. Deveria ter entrado alguém para o meio-campo mais cedo, para tentar que tivéssemos mais posse de bola, mas a primeira substituição foi feita aos 82’!
Conseguimos ganhar e isso era o fundamental, até para nos dar confiança para o jogo da próxima 5ª feira em Paris. O PSG voltou a perder e está na zona de despromoção, pelo que é nossa mais que obrigação superar esta eliminatória. Até porque seria muito bonito podermos oferecer a conquista de um troféu europeu depois de tanto tempo à memória do grande homem que nos abandonou esta semana.
P.S. - Depois deste jogo, temos o Simão, Petit e Katsouranis com o quatro amarelo. Aposto com quem quiser que um deles não vai jogar contra o clube regional daqui a três jornadas.
sexta-feira, março 02, 2007
Relembrar XI – Manuel Galrinho Bento
O primeiro lance mostra a sua segunda faceta. Foi num jogo contra o clube regional para o campeonato de 1982/83, em que, aparentemente vindo do nada, resolveu oferecer um penalty ao nosso adversário. Se no caso do "relembrar" anterior, o Manuel Fernandes toca-lhe mesmo na cabeça, neste o lance o contacto do Walsh parece casual. Mas mesmo assim, o nosso Bento decidiu fazer das suas. O que valeu é que se redimiu pouco depois, defendendo o penalty e ajudando a conservar o 0-0 até final. Para (não) variar fomos campeões nesse ano.
O segundo conjunto de imagens recorda provavelmente a sua melhor exibição de sempre. Foi no célebre França-Portugal das meias-finais do Euro 84, em que brilhou o Chalana lá na frente e o Bento cá atrás. Sofreu três golos (perdemos por 3-2), mas estas defesas falam por si. De realçar a coragem com que saía aos pés dos adversários e a elasticidade entre os postes.
Descansa em paz, grande Bento!
quinta-feira, março 01, 2007
Grande choque
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Importante
O Nuno Gomes voltou à equipa e foi a única novidade em relação aos titulares de Bucareste. Voltámos a fazer uma excelente exibição na 1ª parte, tal como aconteceu no jogo frente ao Boavista. Foram 35’ a grande velocidade e em que marcámos dois golos, ambos bastante especiais: aos 8’ o Simão voltou a marcar de livre directo (sinceramente não me lembro da última vez que o terá feito) e aos 33’ o Nuno Gomes pôs fim ao jejum de golos para o campeonato, com um cabeceamento “à ponta-de-lança” depois de uma excelente jogada individual do Karagounis. Para além destes golos, ainda criámos mais oportunidades: o Miccoli permitiu duas grandes defesas ao guarda-redes (mas o árbitro só viu a segunda, já que na primeira não assinalou canto), embora numa delas tivesse obrigação de ter marcado já que estava isolado, mas em vez de desviar a bola tentou o remate em potência, e o Luisão voltou a falhar uma cabeçada num canto (tal como em Bucareste). A equipa pressionava muito o adversário, não o deixando ter espaços para sair em contra-ataque. O nosso meio-campo, com especial destaque para o Petit, fazia uma marcação muito cerrada a quem tinha a bola. Só que contra todas as expectativas, o Paços marcou antes do intervalo, na sequência de um canto depois de um grande remate do Geraldo (que não volta a fazer outro igual na carreira) e uma boa defesa do Quim. Mas no canto, a equipa, guarda-redes incluído, estava toda a dormir e permitimos a redução da nossa vantagem. Ou seja, passámos de um jogo que já deveria estar ganho, e até com mais de dois golos de diferença, para uma situação de vantagem mínima.
Na 2ª parte, o Paços entrou melhor e nós estivemos enervados na parte inicial por causa da arbitragem miserável do Sr. Paraty. Sinceramente, eu estava a ver o caso mal parado, porque nós não entrámos tão bem como na 1ª parte e o árbitro estava a conduzir habilidosamente o jogo para tornar viável o empate: faltas a nosso favor não marcadas (e numa delas o empate esteve mesmo à vista, quando um empurrão ao Luisão não foi sancionado, e na sequência da jogada a bola passou a rasar o poste do Quim), faltas contra nós inventadas, jogo duro do Paços não sancionado, etc. Foi um fartar vilanagem. Felizmente, o Simão resolveu bisar depois de uma boa jogada do Miccoli, em que este cruzou quase para cima da baliza e o nosso capitão (que não estava fora-de-jogo, acrescente-se, estava “em linha”) só teve que empurrar de cabeça. O Paços não se deu por vencido e até ao fim ainda podia ter marcado mais um golo. Por outro lado, apesar dos dois golos de vantagem, eu também não estava muito descansado, porque não sabia quando é que o Sr. Paraty ia fazer das suas. E um golo deles tornaria tudo incerto outra vez. Mas isso não aconteceu e alcançámos uma vitória mais que justa.
A equipa voltou a estar globalmente bem, com os destaques habituais para o Simão, Luisão (que levou um amarelo e por isso não joga na Vila das Aves, e ainda bem porque estava tapado e o jogo frente ao clube regional é já daqui a quatro jornadas) e o Petit. Os dois gregos complementam-se: o Katsouranis não se mexe muito em campo, mas também não precisa, está sempre no caminho da bola, enquanto o Karagounis está em excelente forma (fez uma 1ª parte magistral), corre bastante e raramente se deixa desarmar. O Nuno Gomes regressou aos golos e espero que a confiança lhe volte em definitivo, e o Miccoli parece muito bem fisicamente (correu o jogo todo), mas voltou a não estar feliz na hora de rematar à baliza. O Anderson está a subir de forma (já só faz duas faltas de apoiar-se no ponta-de-lança contrário por jogo) e o Léo é o pêndulo do costume. O Nélson mostrou a sua pouca confiança, ao preferir correr para a linha quando estava dentro da área e numa excelente posição para rematar à baliza, mas defensivamente não esteve mal. O Quim teve duas saídas em falso, mas fez uma boa defesa já no final do jogo.
Espero que tenhamos entrado em velocidade de cruzado no que às vitórias diz respeito. Mas temo que bastará um jogo com um resultado negativo (como aconteceu frente ao Varzim) para que venhamos abaixo psicologicamente. A não ser que essa partida tenha sido deixada perder (tal como frente ao CSKA há dois anos) por causa da sobrecarga de jogos que daí adviria se ganhássemos. Estava a ser mais difícil do que se supunha e a equipa ter-se-á deixado andar. Temos tudo para ir longe na Taça Uefa e no campeonato é fundamental não perder pontos até recebermos o clube regional, mas temos que nos manter estáveis a nível exibicional. No entanto, e apesar das oscilações, o que é certo é que somos a equipa que está a jogar melhor futebol neste momento.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Obrigação
O Fernando Santos inovou no onze inicial ao incluir o Derlei em vez do Nuno Gomes. Confesso que não gostei muito de saber isto, porque estes rasgos inovatórios dos técnicos nos jogos europeus muitas vezes dão mau resultado (com as devidas diferenças, lembro-me sempre da titularidade do Costa no clube regional, quando era treinado pelo Oliveira e foi levar 4-0 a Manchester). Apesar de o Nuno Gomes estar em crise de golos, no Funchal, e com a companhia do Miccoli, tinha-se mostrado um jogador (ainda mais) útil nas tabelinhas, algo que seria essencial em Bucareste para podermos chegar com perigo à área contrária. No entanto, a opção pelo brasileiro acabou por resultar, apesar de ele não ter feito uma exibição de encher o olho. Começámos o jogo a controlá-lo a nosso bel-prazer, mas chateei-me logo aos 10’, quando desaproveitámos uma situação de 3 para 1! É inadmissível que não tenhamos acabado logo ali com a eliminatória, por falha de concentração na altura de passar a bola (o que é tão mais grave, quanto os jogadores envolvidos eram o Derlei, Simão e Miccoli). O italiano acabou por rematar, mas já não nas condições ideais e a bola foi interceptada por um defesa.
O jogo seguia lento, mas na única (!) jogada de jeito em todo o jogo, os romenos marcaram aos 23’. Passe para a área e entrada em diagonal no meio dos centrais do Munteanu, que passou a bola por baixo do Quim. A eliminatória estava empatada, mas custava-me a acreditar como isto era possível, já que éramos muito melhor que eles. Não reagimos bem ao golo e só voltámos a criar perigo a cinco minutos do intervalo. E logo em dose tripla (Derlei, Simão e Katsouranis), mas o guarda-redes Lobont esteve bem nas três ocasiões. Apesar do resultado, não estava muito apreensivo, porque a nossa superioridade era muito grande e jogos como contra o Boavista não acontecem sempre.
A 2ª parte foi praticamente iniciada com o golo do empate. O Anderson estreou-se a marcar esta época (finalmente!) com um remate de cabeça, na sequência de um canto do Simão aos 50’. Foi bom para que pudéssemos acalmar, mas infelizmente isto não aconteceu logo, já que os romenos reagiram bem e colocaram a nossa defesa, mais uma vez imperialmente comandada pelo Luisão, em dificuldades. Não conseguíamos manter a posse de bola e, se bem que o Dínamo não tivesse nenhuma oportunidade descarada de golo, iríamos sofrer até ao fim se o jogo continuasse daquela maneira, até porque ainda faltava muito tempo. E, na eventualidade de sofrermos um golo, as coisas poder-se-iam complicar. Estava na cara que um tento nosso mataria de vez a partida e felizmente isso aconteceu aos 64’. Outro canto do Simão e desta vez foi o Katsouranis (que tinha tido uma série de más intervenções minutos antes, incluindo um atraso idiota ao Quim, o que me fez pedir a sua substituição, até porque me parecia cansado e não recuperava defensivamente tanto quanto deveria; o futebol é uma arte estranha!) a concretizar, num golo muito semelhante ao que obteve na casa do clube regional. Estávamos definitivamente apurados e o objectivo agora era manter a vitória no jogo. Até final tivemos mais algumas situações que poderiam ter dado em golo, nomeadamente um chapéu do Miccoli que foi uma pena não ter entrado, mas o resultado manteve-se.
Começa a tornar-se repetitivo, mas não há nada a fazer. Os destaques vão para os suspeitos do costume, Simão e Luisão, desta feita muito bem acompanhados pelo Petit que fez um jogo enorme ao cortar inúmeras bolas a meio-campo. O capitão só fez duas assistências e dinamizou todo o nosso ataque, e o brasileiro cortou praticamente todas as bolas na sua área de jurisdição. O Quim não teve grande trabalho, o Anderson está finalmente a subir de forma, o Léo não sabe jogar mal, mas o Nélson voltou a não estar ao seu nível, com algumas perdas de bola a meio-campo que poderiam ter sido comprometedoras. Quanto aos gregos, desta vez o Karagounis esteve melhor que o Katsouranis (apesar do golo deste), o Derlei subiu na 2ª parte e o Miccoli criou perigo, está nitidamente a subir de forma, mas não esteve feliz na altura do remate.
O jogo da 1ª mão em Paris é numa data muito especial para mim. Espero que o Benfica faça o que fez naquele dia há precisamente um ano. E, se o meu plano correr bem, estarei lá ao vivo para assistir a tudo!
domingo, fevereiro 18, 2007
Miccoli decide
Para entrar o Miccoli na equipa, o sacrificado foi o Karagounis. Todavia, não o foi por muito tempo, já que o Rui Costa saiu ainda antes do primeiro quarto-de-hora com problemas musculares. Vamos lá a ver se não fica mais três meses de fora... O equilíbrio foi apenas aparente em toda a primeira parte, porque nós rematámos muito mais vezes à baliza do Nacional, só que para não variar raramente acertámos na baliza. Acho inadmissível que os jogadores do Benfica não acertem na baliza em remates de fora da área com a bola dominada. Na única vez que o fizemos, o guarda-redes Diego Benaglio fez uma defesa magistral para o poste, num estoiro do Petit já muito perto do intervalo.
Na segunda parte, entrámos com mais velocidade e o Nacional deixou de ter tanta posse de bola. As substituições que eles fizeram, tirando médios para colocar avançados, também enfraqueceram o seu meio-campo e nós tivemos muito mais espaços para jogar. O único lance de perigo do Nacional foi um remate de fora da área que o Quim defendeu bem para canto. Já antes, numa boa triangulação no ataque entre o Simão, Nuno Gomes e Miccoli, este remata de primeira também para fora. Até que aos 62’ surgiu o nosso primeiro golo. O Nélson centra da direita, o Nuno Gomes amortece para o Miccoli, que levanta a bola e, sem a deixar cair, remata rasteiro e cruzado. Grande golo! A partir daqui controlámos ainda melhor a partida, já que o Nacional teve que arriscar mais e naturalmente abriu mais espaços atrás. Tanto assim foi que, apenas nove minutos depois, voltámos a marcar. Houve um livre a favor do Nacional, que a nossa defesa aliviou para a frente, o Miccoli ganhou a bola, bateu dois adversários, isolou-se e, só com o guarda-redes pela frente, consegui desviar a bola dele (embora este ainda lhe tivesse tocado), para dentro da baliza. Faltavam 20’ para o fim, mas não se estava a ver forma de não ganharmos o jogo. Demos a iniciativa aos madeirenses, mas um Luisão imperial cá atrás controlou todos os ataques adversários. Estes últimos minutos foram mais um treino activo para o difícil jogo de Bucareste.
Individualmente tenho que destacar o Miccoli e o Luisão. O italiano porque, à semelhança do que fez na 4ª feira passada, foi decisivo ao marcar os golos da vitória, apesar de não ter feito uma exibição de encher o olho (mas também para quê, quando se é tão eficaz?). O brasileiro porque foi intransponível para os adversários. O Simão continua bastante influente, mas felizmente parece que vai tendo companhia na qualidade das exibições. O Petit foi igualmente muito importante, ao ser o primeiro a travar as tentativas de ataques contrários. E viu-se bem a diferença da pressão que o nosso meio-campo faz com o Petit em comparação com o que aconteceu na 2ª parte do jogo frente aos romenos. O Katsouranis mal se dá por ele, mas é de um grande eficácia e opta sempre pela solução mais segura na altura de passar a bola. O Karagounis não entrou mal, apesar de ser a frio, e é bastante importante quando se trata de conservar a posse da bola. O Nuno Gomes esteve melhor que nos jogos anteriores na medida em que arriscou mais o remate, como se exige a um ponta-de-lança. Para além disso, abriu muitos espaços para os remates fora da área dos companheiros. O Nélson continua numa forma intermitente, mas hoje subiu mais do que no jogo anterior. Ao invés, o Léo esteve mais discreto em termos ofensivos, já que a defender raramente é batido. O Quim esteve bem e seguro, mas o Anderson continua a fazer-me sentir saudades do Ricardo Rocha.
Vejamos se recuperamos bem em termos físicos para Bucareste (espero que a lesão do maestro não seja grave), porque é fundamental continuarmos nas competições europeias. Estou relativamente optimista para o jogo, porque temos melhor equipa que os romenos.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Vantagem mínima
Entrámos com o mesmo onze que fez o jogão frente ao Boavista, mas cedo se percebeu que a dinâmica estava longe de ser a mesma. Durante a 1ª parte arriscámos muito pouco, parecendo que estávamos mais com medo de sofrer golos do que de marcá-los. Como o Dínamo de Bucareste também se recusou a atacar, o jogo foi bastante enfadonho. Criámos uma grande oportunidade aos 17’, mas o remate do Nuno Gomes na sequência de um bom centro do Simão foi bem defendido pelo guarda-redes. O meio-campo imprimia muito pouca velocidade na transição de bola, os jogadores da frente estavam muito marcados e tínhamos a péssima tendência de afunilar o jogo, pelo que raramente conseguimos chegar à baliza em condições de rematar.
Na segunda parte, entrou o Miccoli para o lugar do Petit (já com amarelo e vindo de lesão), mas não se notaram grandes melhorias, bem pelo contrário, durante os primeiros 15’. O Dínamo de Bucareste soltou-se mais e, com boas trocas de bola, conseguia chegar perto da nossa baliza, embora não criasse verdadeiras situações de golo. Depois deste quarto-de-hora inicial, voltámos a subir lentamente de produção e aos 69’ o Simão acertou pela primeira vez nesta época na baliza num livre directo, só que teve pontaria a mais e a bola foi à trave. Pouco depois entrou o Derlei para o lugar do Nuno Gomes, que está com um nível de confiança assustador (paradigmática aquela jogada em que, à entrada da área e em perfeitas condições de rematar, prefere passar a bola para o Léo que estava em fora-de-jogo). A 3’ do fim, o brasileiro teve um bom movimento de cabeça e a bola passou rente ao poste. Estávamos longe de mostrar o rolo-compressor como no jogo frente ao Boavista, mas mesmo assim já justificávamos a vantagem no marcador. Que acabou por surgir no último minuto, na sequência de um centro do maestro a que o Simão acorreu muito bem, proporcionando ao guarda-redes Lobont uma grande defesa por instinto para a frente, sobrando a bola para o Miccoli rematar contra o chão e finalmente metê-la na baliza. Foi o delírio e um grande suspiro de alívio no estádio da Luz. Até final, ainda deu para o Fernando Santos queimar tempo (!), colocando o João Coimbra no lugar do Rui Costa e para o Nélson preferir jogar para trás (!) quando estava em boa posição de centrar para a área (ninguém o avisou que a eliminatória não está ganha e ainda falta o 2º jogo?!).
Individualmente não houve nenhum jogador que se tenha destacado muito dos demais. O Simão não esteve tão bem como em jogos anteriores, a que não será alheio as constantes alterações tácticas que tem que fazer (começou na frente, ficou a “nº 10” na 2ª parte e raramente esteve nas alas, onde manifestamente rende mais). O Nélson fez um jogo bastante mau, mostrando não ter superado o trauma da Póvoa (o que é deveras preocupante, porque não tem substituto à altura no plantel). O Nuno Gomes continua a seco e ou sobe rapidamente de forma ou arrisca-se a sair da equipa. Os centrais acabaram por fazer um bom jogo, juntamente com o Léo, este especialmente na 2ª parte. Ao invés, os gregos não estiveram tão bem, parecendo o Katsouranis em nítida baixa física a partir de meio da 2ª parte e o Karagounis com uma tendência enervante para afunilar o jogo. O Miccoli também não entrou nada bem no jogo (pareceu perdido no ataque na maior parte do tempo), mas depois estava no sítio certo para marcar.
Mesmo assim, globalmente somos melhor equipa do que os romenos e temos obrigação de passar a eliminatória, mas é bom que estejamos preparados para sofrer em Bucareste. O jogo não vai ser nada fácil e devemos meter na cabeça que temos que marcar golos, caso contrário o cenário poderá tornar-se muito negro. É fundamental passar esta eliminatória, até porque eliminaremos uma equipa do país que é o grande adversário de Portugal no ranking da Uefa e daremos uma ajuda para manter a terceira equipa na pré-eliminatória da Liga dos Campeões daqui a dois épocas.
domingo, fevereiro 11, 2007
Inconcebível
Estava com muito medo deste jogo, porque dois dos maiores roubos destes últimos anos sucederam-se na casa do Varzim. O célebre jogo do “deixem jogar o Mantorras” em 2001/2002, em que o Sr. Isidoro Rodrigues conseguiu empatá-lo a dois golos, depois de estarmos a ganhar por 2-0, expulsando-nos dois jogadores e dando oito (!) minutos de compensação e, no ano seguinte, a derrota por 2-1 provocada por um penalty muito duvidoso (no mínimo) do João Manuel Pinto, já depois de o Simão ter sido expulso. Por outro lado, assim que soube da nomeação do Sr. Olegário Benquerença para este jogo, as minhas preocupações aumentaram. Para compôr o ramalhete, sempre que voltamos de jogos da selecção há jogadores lesionados, como é agora o caso do Petit e do Karagounis. Mas mesmo apesar destas condicionantes todas, tínhamos mais que obrigação de vencer, até porque o Varzim não está nada bem classificado e despediu inclusive o treinador há pouco tempo.
Com as lesões daqueles dois médios, o Fernando Santos optou pela titularidade do Beto e João Coimbra. Não começámos mal o jogo, mas eles marcaram no primeiro ataque que tiveram aos 13’, através de um autogolo do Nélson. Todavia, o nosso defesa sofreu um empurrão (curiosamente nenhum comentador referiu isto), que o fez desequilibrar-se e tocar inadvertidamente na bola. A partir daqui, pressionámos mais o Varzim e chegámos ao empate aos 30’ num grande golo de cabeça do Simão depois de um centro teleguiado do Rui Costa. Não estávamos a jogar mal, apesar de o Beto a meio-campo ser um grande empecilho à fluidez do nosso jogo atacante. O Simão está de facto em grande forma e a maior parte das nossas jogadas de perigo passaram por ele. Pouco depois do golo, o defesa Alexandre (o tal que não deixou jogar o Mantorras há cinco anos - ele eram empurrões, rasteiras, agarrar a camisola - e só levou um amarelo a cinco minutos do fim!) atirou-se para cima do Simão na grande-área, mas o Sr. Benquerença fez o que muito bem sabe: não assinalou o respectivo penalty a favor do Benfica.
Na 2ª parte, entrámos com o Mantorras logo de início para o lugar do João Coimbra, opção que muito estranhei, porque apesar de tudo não estávamos a jogar mal e criávamos oportunidades. Por outro lado, ainda menos compreensível era a manutenção do Beto em campo, porque ao menos o João Coimbra ainda pode valer alguma coisa, ao passo que do outro já nada se pode esperar. E a péssima decisão que foi esta troca tão cedo comprovou-se durante todo o 2º tempo. Deixámos de conseguir pressionar o Varzim e fomos muito menos perigosos do que na 1ª parte. O Simão deixou de vagabundear pelo ataque e desapareceu do jogo ao assumir o lado esquerdo do losango. Estávamos muito mais lentos, não conseguíamos criar desequilíbrios no ataque e ninguém se desmarcava em condições. Parecia que estávamos à espera que o golo da vitória caísse do céu. O Varzim, ao ver a nossa inoperância atacante, começou a acreditar e a subir mais no terreno. E as coisas poderiam ter ficado muito mais complicadas para nós, quando o Beto teve uma paragem cerebral e fez uma falta passível de amarelo à entrada da área (!) do Varzim, pouco depois de já ter visto um. Neste caso, o Sr. Benquerença teve uma decisão que nos favoreceu, o que é um momento histórico na vida deste árbitro. O Fernando Santos emendou a mão e substituiu finalmente o brasileiro. Mas aos 77’ o Nélson resolveu oferecer a eliminatória ao Varzim. Se no 1º golo ainda tem a desculpa do empurrão que sofreu, neste 2º é inadmissível que faça uma falta perto da linha lateral, quando o adversário está virado para a sua própria baliza! Eu parecia que estava a adivinhar, quando berrei contra ele. Converte-se um lance inofensivo num livre perigoso para a nossa área, do qual viria a resultar o 2-1 para eles. Até final tivemos duas oportunidades de ir a prolongamento, mas o Luisão proporcionou uma boa defesa ao guarda-redes e o Marco Ferreira tirou o golo ao Mantorras, depois de uma abertura fantástica do Rui Costa.
O Petit e o Karagounis fizeram muita falta, mas a derrota deveu-se à atitude passiva da 2ª parte. Quando vi uma das páginas d’ A Bola desta semana, que referia o facto de termos jogos de três em três dias este mês se passássemos esta eliminatória da Taça, achei logo mau prenúncio. E a (não) atitude do 2º tempo deixa-me pensar que isto pode ter estado no subconsciente dos jogadores. Por outro lado, temos alguns elementos em má forma, como é o caso evidente do Nuno Gomes, que foi de uma inoperância total. O Simão não dá para tudo e não podemos esperar do Rui Costa um jogo completo a 100 à hora (mesmo assim fez duas assistências fantásticas). O Nélson fez dos piores jogos pelo Benfica e mesmo o Léo não esteve ao seu nível. O Katsouranis teve que estar preocupado com as asneiras do Beto e portanto não apareceu tanto no ataque como de costume, ao passo que o Anderson continua a ganhar muito poucos lances aos pontas-de-lança adversários. Mas o Fernando Santos tem grandes responsabilidades principalmente por causa das substituições que nos estragaram o jogo.
Esta derrota irá certamente afectar a afluência de público no jogo da próxima 4ª feira com o Dínamo de Bucareste, mas espero que não afecte o desempenho dos jogadores. Já perdemos uma Taça e portanto é bom que nos mentalizemos que temos outra para ganhar. Se chegarmos ao fim da época sem nenhum troféu, a desilusão será tremenda.
sábado, fevereiro 03, 2007
A maior injustiça da história do futebol
Poucas vezes terei saído do estádio tão chateado. A sensação de incredulidade acompanhar-me-á durante boa parte desta semana. De tal maneira que nem tenho muita vontade de escrever sobre o jogo. Houve nitidamente algo de sobrenatural na noite de ontem. Pressionámos e subjugámos o Boavista durante uma hora inteira, só escapando os primeiros e últimos 15 minutos, mas pura e simplesmente a bola não quis entrar. E não me venham com histórias. Os tais falhanços do Anderson (logo aos 17), do Nuno Gomes (cabeçada sem tirar os pés do chão e só com o guarda-redes pela frente) e Simão (completamente isolado) são aselhice, mas as quatro bolas nos postes e barra são manifesta falta de sorte. E fico-me por aqui, porque estou tão fora de mim que não me apetece discorrer mais.
P.S. – Não percebi a substituição do Karagounis logo aos 63’. Era manifesto que o Katsouranis e o Rui Costa não iriam durar até ao fim àquele ritmo e o Fernando Santos lembra-se de tirar o médio que se estava a tornar mais influente em jogo, especialmente na segunda parte. Se estávamos a jogar bem (e estávamos), qual era a necessidade de fazer substituições tão cedo?! Perdemos muito gás depois dessa troca, até porque alterámos o sistema de jogo para 4-3-3, abandonando o losango.
P.S. 2 – Alguém explique ao Derlei, por favor, que o Benfica é muito diferente daquele clube onde ele jogou há três anos? Cotoveladas a jogadores que estão a passar por ele, com a bola noutro lado, faz parte da cultura desse tal clube, não do Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Eu sei que o vírus desse clube é muito forte e que quem por lá passa depressa fica contagiado (basta ver as declarações do Jesualdo ainda sobre a expulsão do Quaresma), mas parece que ele ainda não percebeu onde está agora... Poderíamos (e deveríamos) ter ficado a jogar com 10 por causa de uma atitude que nos envergonha a todos.









