origem

segunda-feira, outubro 30, 2006

Nojento

Por absurdo imaginemos os seguintes factos:

1) O Hitler ressuscitava e criticava o genocídio que houve no Ruanda nos anos 90; a Al Qaeda vinha repudiar o atentado que houve contra as crianças da escola na Tchechénia em 2004; os responsáveis pela Inquisição voltavam a este mundo e verberavam contra os países onde a pena de morte é aplicada. Que moral havia para tudo isto? Pensariam eles que o resto do mundo tem a memória curta ou que somos todos atrasados mentais?

2) Há um filme do John Waters, chamado Pink Flamingos, em que uma personagem come fezes de cão na cena final. Ora, o interessante disto é que as fezes eram verdadeiras (!), como podem confirmar aqui. Estaremos de acordo se pensarmos que isto alarga as fronteiras do que consideramos nojento.

O que é que estes preâmbulos têm a ver com o clube regional, perguntarão vocês?

Como existe tal clube, as fronteiras do que é nojento são ilimitadas e estão sempre a ser superadas. Esse clube emitiu um comunicado no seu site (que, por razões óbvias de higiene, me dispenso de linkar) em que declara ter havido premeditação por parte do Benfica na lesão do Anderson. Ou seja, o clube do mundo com mais historial no campo das entradas assassinas perante os adversários vem criticar o Benfica por um jogador seu ter tido o azar de ter partido a perna depois de uma entrada PERFEITAMENTE NORMAL do Katsouranis, que tenta (e consegue) jogar a bola. Muito diferente desta e destas entradas, em que bola nem vê-la... Há gente sem nenhuma vergonha na cara!

Questão prévia: lamento a lesão do Anderson até porque está há pouco tempo no clube regional, ainda não adquiriu a sua cultura, é um excelente jogador e portanto faz falta ao futebol. Consequentemente muito diferente de espécimes como o André, Paulinho Santos, Jorge Costa entre outros que foi pena não terem acabado as respectivas carreiras mais cedo, tal o nível de assassinatos que praticavam em campo. O Anderson esteve lesionado durante quase duas semanas e não sei até que ponto estava disponível para jogar, mas mesmo partindo do princípio que estava, como é que é possível dizerem que foi lesionado de propósito?! Eu sei que moral, ética e valores de fair-play e desportivismo estão há muito arredados de quem representa aquele clube, mas tentarem fazer-nos passar por parvos é que não! Basta só ver as imagens da televisão. O Katsouranis só olha para a bola e faz um carrinho de lado para a tentar cortar. Infelizmente para o Anderson a sua perna direita ficou por baixo da coxa esquerda do Katsouranis, que faz um movimento regular e consegue tocar na bola com o pé direito, atirando-a para fora. Ver aqui uma agressão semelhante a uma entrada por trás sem bola é sintoma de uma mente bastante retorcida. Apanágio, afinal, de quem é daquele clube...

Por outro lado, reparemos no absurdo da questão: se o Benfica tivesse planeado lesionar o Anderson porquê fazê-lo à meia-hora de jogo e com o resultado já em 0-2?! Não seria mais lógico fazê-lo logo no início, quando se poderia minorar os estragos? Eles não só acham que nós seríamos capazes de tal acto hediondo, como ainda por cima pensam que temos o Q.I. tão baixo quanto o deles para o cometer quando o jogo já estivesse decidido...! Ah, e ele ainda voltou ao jogo e esteve a festejar aos pulos no fim, algo muito saudável para alguém que tinha uma perna partida... Quem é que nos garante que aquilo não era uma fissura e que foi por causa desse esforço de ter voltado ao jogo e estado aos pulos no fim que se tornou uma fractura?

Para quem se advoga agora de grande moral para fazer estas acusações, gostaria apenas de relembrar duas situações (há muitas mais, mas um post com quatro páginas seria extremamente maçudo...), até porque pode haver pessoas com a memória curta que venham dizer que nunca um jogador de tal clube lesionou gravemente um adversário:

1) De que clube era o assassino, perdão, jogador que, com o jogo PARADO e de uma maneira vil e cobarde, deu uma cotovelada que partiu o maxilar do capitão da equipa adversária (em jogo da época 97/98), remetendo-o ao estaleiro durante um mês e, não contente com isso, ainda andou dois dias a negar tal agressão até que (finalmente) surgiram as imagens televisivas que a mostraram?

2) De que clube era o jogador que provocou a única lesão grave da carreira do Figo, num jogo da Liga dos Campeões em 2002, cuja recuperação nunca se deu completamente e que o fez jogar o Mundial desse ano em inferioridade física, com os resultados que se conheceram para a selecção nacional?

Façam um favor à Humanidade: afoguem-se todos numa ETAR!

domingo, outubro 29, 2006

Inglório

Como eu previa saímos derrotados da casa do clube regional (2-3), só que nunca imaginei que fosse desta forma. É a segunda vez que temos um resultado negativo sofrendo um golo aos 91’. E este foi na sequência de um lançamento da linha lateral! Perfeitamente inacreditável, especialmente depois da bela recuperação que fizemos.

Ao contrário do que tem sido habitual, começámos pessimamente o jogo e aos 20’ já perdíamos por 0-2. Nesta altura cheguei a temer que a minha previsão de 0-3 falharia por defeito. Não conseguíamos ligar uma jogada, a bola não chegava aos jogadores da frente, os espaços no meio-campo eram mais que muitos e deixávamos os jogadores de clube regional rematar à vontade. O primeiro golo surgiu aos 12’, quando um remate do Postiga é desviado inadvertidamente pelo Lisandro e trai o Quim. Ficamos a saber que a sorte não só protege os audazes como também os corruptos. Oito minutos depois foi a vez do Quaresma tirar o Nélson do caminho e fazer o 0-2, mas há uma falta não assinalada sobre o Petit no início desta jogada... Só que o Anderson lesionou-se e teve que sair por volta da meia-hora e a partir daí conseguimos equilibrar as coisas. O clube regional atacava mais, mas nós poderíamos ter chegado ao intervalo empatados se o Helton não tivesse feito duas intervenções do outro mundo a remates do Kikin Fonseca e do Paulo Jorge. Ao intervalo, o resultado seria justo se houvesse só um golo de diferença.

Na segunda parte entrámos um pouco melhor (também pior do que na primeira era impossível) e o jogo ficou equilibrado, com o clube regional a jogar declaradamente em contra-ataque. Aos 53’ o Nuno Assis entrou para o lugar do Paulo Jorge e aí a balança começou a pender para o nosso lado. Já conseguíamos trocar a bola e chegar-nos à baliza adversária. Até que por volta dos 60’, e também já com o Mantorras em campo no lugar do Fonseca, marcámos o nosso primeiro golo através do Katsouranis. Foi na sequência de um canto muito bem marcado pelo Simão com o desvio do grego ao primeiro poste. Cerca de 10’ depois, o Mantorras teve uma excelente oportunidade após uma óptima simulação do Nuno Gomes, mas falhou o remate. Estávamos claramente em cima deles e sentia-se que o empate era possível. E assim aconteceu aos 81’ na melhor jogada da partida. Foi num contra-ataque nosso, com um bom passe do Mantorras a desmarcar o Nélson, que centrou rasteiro para o Nuno Gomes desviar do guarda-redes. Tínhamos feito o impensável e o jogo estava empatado. Mas no único ataque de jeito que o clube regional fez nos últimos dez minutos conseguiu um lançamento lateral. E aí alguém se esqueceu do Bruno Moraes que marcou de cabeça, já dentro da pequena-área, o (injustíssimo) golo da vitória aos 91’. É incrível como a desconcentração faz perder pontos desta maneira!

Em termos individuais há que destacar o Simão que mesmo durante a nossa péssima meia-hora inicial era o único jogador que tentava empurrar a equipa para a frente. Também gostei bastante do Ricardo Rocha que esteve praticamente intransponível. O Quim fez um par de boas defesas e não teve culpa nenhuma nos golos. O Nélson viu-se um pouco aflito na primeira parte, mas depois subiu de rendimento e fez a sua segunda assistência da época para o Nuno Gomes. O Luisão e o Léo estiveram regulares, com o esquerdino a combinar muito bem com o Simão. No meio-campo, o Petit esteve muito mal. Durante toda a primeira parte raramente acertou um passe e nunca foi tampão suficiente aos ataques do clube regional. O Katsouranis também pareceu perdido durante boa parte do jogo, mas marcou um excelente golo de cabeça (tivesse ele feito isto em Glasgow…). O Paulo Jorge foi a surpresa na equipa titular dado que vinha de uma lesão com duas semanas e não esteve ao nível que já vimos. Mesmo assim participou directamente nas duas oportunidades que tivemos na primeira parte com a assistência numa delas e o remate na outra. O Fonseca foi muito esforçado e teve o tal remate que poderia ter entrado. O Nuno Gomes estava a ser um dos jogadores que mais estava a passar despercebido até marcar o golo do empate. Típico dos grandes jogadores e com isto já tem três golitos no campeonato. O Nuno Assis deveria ter sido titular, já que a sua entrada revolucionou a equipa e mesmo o Mantorras entrou bem na partida.

A sorte não quis nada connosco (o primeiro golo deles foi à tabela e o terceiro caiu literalmente do céu), mas considero que nós cometemos um grande erro depois de chegarmos ao empate. Em vez de os pressionarmos um pouco mais para chegar à vitória, já que se percebeu perfeitamente que o clube regional estava em baixo em termos anímicos, começámos a tentar fazer o “controlo” do jogo. Quando ganhávamos a bola não éramos tão rápidos a partir para o ataque, o Nuno Gomes estranhamente começou a posicionar-se no lado esquerdo em vez de estar na área e demonstrámos que o empate nos servia. Mesmo assim não deixámos o clube regional criar perigo nenhum, mas acabámos por sair derrotados quando poderíamos ter ganho. A falta de audácia paga-se caro. Por outro lado, não percebi a constituição inicial da equipa. O Nuno Assis, que tem sido um dos nossos melhores jogadores, foi para o banco, preferindo o Fernando Santos colocar em campo o Paulo Jorge que já não jogava há duas semanas. Viu-se bem a diferença quando o Nuno Assis entrou em campo… Um aspecto preocupante e que tem que ser revisto rapidamente é que aquele meio-campo, quando é submetido a alguma pressão, treme por todos os lados e é inconcebível que estejamos a perder por 0-2 aos 20’.

Estou imensamente frustrado com esta derrota, porque ficou a sensação que a vitória estava ao nosso alcance. Em termos globais não jogámos mal, mas cometemos erros incríveis. Estamos indiscutivelmente a jogar melhor que há uns tempos atrás, mas continuamos com o péssimo hábito de sofrer três golos. Espero que na próxima 4ª feira possamos dar a volta obtendo uma vitória frente ao Celtic, porque, apesar de eu já não acreditar no apuramento, sempre são 600 mil euros que entram para a nossa conta.

P.S. – É a primeira vez que me lembro de sairmos da casa do clube regional sem ter visto cartões amarelos. Quer isto dizer que o Sr. Lucílio Baptista esteve bem? Pelo menos, não esteve mal e eu estava à espera de sermos bastante mais prejudicados. Claro que os dois golos aos 20’ ajudaram o árbitro a não ter que ficar nervoso…

P.S. 2 - Qual foi a ideia de termos jogado com os calções pretos?! Achavam que iamos dar 4-0 como em Leiria?! Não percebo estas fezadas num clube profissional...

quarta-feira, outubro 25, 2006

IV Jantar de Bloguiquistas

Ora cá está! Chegou a hora de a blogosfera benfiquista se voltar a reunir em mais um repasto comemorativo da nossa condição de sócios e adeptos do maior clube do mundo. Afinal, já passaram mais de seis meses desde o último convívio, pelo que o núcleo duro e totalista dos jantares (D’Arcy, Pedro F. Ferreira e eu próprio) decidiu que estava mais do que na hora de o voltar a repetir. O local e a hora são os do costume, a Catedral da Cerveja no Estádio da Luz às 20h, estando o repasto marcado para sábado, dia 11 de Novembro. Não vai haver jogos do campeonato nesse fim-de-semana, porque a selecção jogará na 4ª feira seguinte frente ao Cazaquistão, pelo que não há qualquer espécie de impedimento clubístico. Como também não é um fim-de-semana prolongado, não há razão para faltas! :-)

Como de costume, quem estiver interessado(a) em ir poderá enviar um email para
naosemencioneoexcremento@hotmail.com.

segunda-feira, outubro 23, 2006

De encomenda

Ganhámos 3-1 ao E. Amadora, mas esse não foi o facto mais saliente do jogo. O que sobressaiu foi a arbitragem MISERÁVEL desse sujeito que dá pelo nome de Carlos Xistra. Para quem não se recorde foi o mesmo que não viu um penalty do tamanho do mundo sobre o Léo a 10 minutos do fim do jogo frente à Naval em casa no ano passado, que empatámos 0-0. Hoje tivemos uma verdadeira arbitragem de encomenda, porque para a semana há um jogo importante num certo sítio que eu, por razões de higiene, me abstenho de referir e não convinha que o Benfica fosse jogar lá perto da máxima força. Portanto, vá de arranjar vários amarelos durante a partida até que o Miccoli (por acaso o nosso melhor marcador) foi o feliz contemplado com um segundo, o que o tira desse jogo. Infelizmente, parece que é preciso que qualquer dia aconteça uma tragédia e um árbitro destes não consiga sair inteiro de um estádio de futebol para que algo mude. Até lá está toda a gente a assobiar para o lado e andamos todos felizes a gastar dinheiro para ver algo que já está decidido à partida.

Se eu mandasse no Benfica, palavra de honra que para a semana aparecia com os juniores em campo ou então até nem ia. Perdíamos por falta de comparência e ficávamos a três pontos desse clube inominável. Nada que não desse para recuperar até final. Seria uma medida que daria imensa visibilidade à infame manutenção deste estado de coisas. É impossível disputar um campeonato desta maneira! A arbitragem de hoje mostrou que está tudo na mesma e raramente saí tão irritado de um jogo em que tivéssemos ganho. O festival de cartões amarelos aos nossos jogadores foi inacreditável. As amostragens ao Simão, Karyaka e Beto (todos com faltas perfeitamente inócuas) entraram para o anedotário nacional. O Miccoli leva um amarelo, porque o fiscal-de-linha só levanta a bandeirola (para assinalar um fora-de-jogo inexistente, registe-se) depois de ele ter tocado na bola, quando o italiano tinha olhado para o fiscal-de-linha antes de começar a correr atrás do esférico (o lance foi mesmo à minha frente). O apito do árbitro mal se ouviu, mas como o Miccoli continuou a jogada levou um amarelo. O segundo amarelo é ainda mais incrível. Ele é agarrado e derrubado, e no meio dos agarrões vira-se para trás para se libertar. NÃO toca no adversário e acaba na rua. Que conveniente não jogar para a semana…

Quanto ao jogo, considero que fizemos uma exibição bastante razoável. Entrámos bem na partida (para não variar), mas no primeiro ataque que o Estrela fez marcou um golo na sequência do canto aos 13’. Ao contrário do que tem sido habitual, não reagimos assim tão mal ao golo sofrido e, depois de o Simão ter falhado uma oportunidade de baliza aberta, por volta da meia-hora empatámos numa boa insistência do Katsouranis que assistiu o Miccoli, para este bem colocado na área empurrar para a baliza. Até ao intervalo continuámos a tentar, mas mais uma vez não tivemos engenho para acertar na baliza. Na segunda parte não entrámos tão bem, mas numa boa jogada do Nélson aos 54’ há uma jogador do Estrela que faz falta sobre ele dentro da área e o árbitro assinala o respectivo penalty. Esse jogador viu o segundo amarelo e foi expulso. O Simão atirou como habitualmente para o lado direito do guarda-redes, mas a colocação do remate tornou a bola indefensável. A 20’ do fim, o Fernando Santos coloca o Karyaka em campo e tira o Katsouranis, uma substituição arrojada apesar de estarmos a jogar frente a 10. Pouco depois há o tal lance do segundo amarelo ao Miccoli e a (justa) contestação ao árbitro não parou mais até final do jogo. Há um outro jogador do Estrela que vê também dois amarelos e a “batalha campal” saldou-se por 14 amarelos e três vermelhos! O Karyaka ainda teve tempo para falhar duas oportunidades de baliza aberta, antes de marcar o terceiro golo de cabeça depois de um excelente cruzamento do Léo. Será que este ano vai marcar golos também a outras equipas? Voltámos definitivamente ao famigerado losango, mas a constante rotação entre os jogadores da frente permite ocupar os espaços de uma maneira que não conseguíamos no início da época. A nossa vitória foi mais que justa e, com o empate no jogo entre o Anti-Benfica do Sul e o do Norte, ficámos a três pontos do primeiro lugar e com um jogo em atraso.

Individualmente é difícil destacar alguém, mas o Simão parece voltar à boa forma. Também gostei do Katsouranis, principalmente na primeira parte. Os dois avançados estiveram igualmente bem, embora o Nuno Gomes tenha perdido duas boas ocasiões para marcar. O Léo é outro que volta a estar ao nível que nos habituou. Mas mais uma vez sofremos um golo que tínhamos a obrigação de evitar. Desta feita foi o Petit que falhou a intercepção de cabeça. O Nélson, apesar de não estar ainda como no ano passado, TEM que ser titular. A diferença em relação ao Alcides é abismal!

Não obstante as nossas melhorias exibicionais, para a semana vamos jogar num certo sítio fétido de onde sairemos certamente derrotados e não acabaremos o jogo com 11. Alguém que apostar? Enquanto alguns seres continuarem a pulular impunemente no futebol nacional, isto não vai mudar. É triste viver num país que permite isto…

P.S. – Gostei das declarações do Fernando Santos sobre a premeditação do árbitro em expulsar um jogador nosso. É bom que haja algum responsável nosso a dizer as verdades.
P.S. 2 – Quando é que voltaremos a marcar um golo num livre “à Camacho”? O primeiro e único foi há quatro anos em Braga pelo Zahovic. Hoje foi o Miccoli a acertar mal na bola…
P.S. 3 – Tão amiguinhos que estavam os dois presidentes do Anti-Benfica do Sul e do Norte no camarote presidencial. Depois, os lagartos que venham dizer que são um clube “diferente”. Lamentável…

quarta-feira, outubro 18, 2006

Falta de pontaria

Quando só se acerta duas vezes na baliza em 14 remates e o adversário num total de 12 marca três golos em seis remates que foram à baliza, não se pode almejar a grandes feitos. Perdemos 0-3 em Glasgow frente ao Celtic e devemos ter dito adeus à Liga dos Campeões deste ano. Três jogos, um ponto e zero golos marcados em quatro horas e meia é o nosso (cruel) cartão de visita deste ano.

Todavia, a primeira parte não deixou transparecer o que acabou por suceder depois. Tivemos 15 minutos iniciais em que trememos bastante, tendo o Celtic criado uma excelente oportunidade logo no segundo minuto, muito bem defendida pelo Quim. Mas depois fomos nós que tomámos conta do jogo e repetimos a boa exibição de Leiria. Boas trocas de bola, jogadores em constante movimento e sempre com os olhos na baliza foram 30’ em que dominámos completamente os escoceses. No entanto, tivemos o grande contra de não criar verdadeiras situações de golo, porque as bolas nunca seguiam na direcção da baliza. Quatro remates quase frontais, sem oposição, e foram todos ao lado! A nossa melhor oportunidade surgiu já perto do intervalo num cruzamento do Léo que encontra o Katsouranis completamente isolado, mas este cabeceia por cima da barra. Começámos a perder o jogo nesse lance.

Na segunda parte voltámos a sentir a pressão dos escoceses, com a diferença que eles marcaram logo aos 55’. O Alcides deu todo o espaço do mundo (como é habitual) para que o cruzamento fosse efectuado, há um jogador que remata torto perto da marca de penalty, mas a bola, que seguia para fora, é desviada intencionalmente pelo Miller (um bom avançado) para dentro da baliza. Ainda pensei que conseguíssemos reagir, porque efectivamente estamos a jogar melhor que há uns tempos atrás, mas nada disso aconteceu. A excepção foi um grande remate do Nuno Assis que embateu na barra. A partir daí não criámos mais perigo nenhum e o Celtic conseguiu marcar outro golo igualmente pelo Miller, desta feita num contra-ataque muito bem efectuado depois de um canto a nosso favor. Estávamos derrotados e ainda faltavam 25’ para o fim do jogo. A equipa continua a acusar muito os golos sofridos e até o Fernando Santos reconhece isso (mas já teve TRÊS MESES para corrigir esta situação, não?!) As nossas substituições não resultaram, porque o Nélson entrou muito mal no jogo (foi para extremo) e o Fonseca também não fez nada de especial. O élan que tínhamos criado na primeira parte desvaneceu-se com as saídas do Katsouranis e Nuno Gomes e com a situação de desvantagem. Até final, ainda sofremos um terceiro golo no último minuto, o que torna esta derrota (injustamente) muito pesada.

Gostei bastante do Nuno Assis, de longe o melhor do Benfica. Deu dinâmica ao meio-campo e, ao contrário do que é habitual nele, jogou bastantes vezes para a frente. O Ricardo Rocha também esteve impecável e consolida cada vez mais a sua posição de titular. O Quim não podia ter feito nada nos golos e o Luisão e Léo também não estiveram mal. Globalmente jogámos bem até sofrermos o primeiro golo, com o Petit e Katsouranis muito interventivos, mas com o trio da frente com menos inspiração do que no passado sábado. O Simão ainda deu nas vistas (que pena aquele livre frontal ao lado ainda com 0-0…), mas o Nuno Gomes e, principalmente, o Miccoli estiveram muito desinspirados.

Espero que este jogo dê para o Fernando Santos tirar algumas conclusões: o Alcides NÃO PODE ser titular a defesa-direito. Foi o pior jogador em campo e é uma nulidade no ataque. Há a estória da altura, mas relembro que fizemos uma grande exibição em Old Trafford no ano passado com o Nélson e Léo nas laterais, além de que o Celtic não tem muitos jogadores altos na frente. Por outro lado, não percebo a convocatória do Karyaka e a sua permanência no banco, tendo nós feito só duas substituições. Se era assim, porque é que não foi o Manú para o banco? Não será mais extremo que o Nélson?!

Acho melhor começarmos já a pensar na Taça Uefa e concentrarmos as nossas energias no campeonato, que deverá ser o nosso grande objectivo. Da maneira como estamos este ano, ficaríamos muito provavelmente pelos oitavos-de-final e pode ser que na Uefa tenhamos mais hipóteses. Acho que jogámos bem, mas enquanto cada golo sofrido nos fizer abater animicamente desta maneira será difícil irmos longe.

P.S. – Então, ainda há alguém que ache que foi bom empatar em Copenhaga? Um empate fora na Champions é sempre bom resultado, é…? Pois, pois…

domingo, outubro 15, 2006

Há quanto tempo…

A primeira vitória fora desta época surgiu na sequência da melhor exibição do Benfica deste ano e uma das melhores das últimas época em jogos realizados fora do Estádio da Luz. Ganhámos 4-0 em Leiria e, ao contrário do que sugeriu o repórter da Sport Tv ao Fernando Santos, dizendo-lhe que o Benfica tinha tido 100% de eficácia (o FS ia caindo para o lado!), poderíamos ter marcado outros tantos golos. Finalmente em Outubro, mais de três meses depois do início da época, mostrámos futebol de qualidade. Resta-nos ver é se isto é para continuar ou foi apenas um oásis no deserto.

Ainda antes do jogo se iniciar tivemos outra má notícia: o Paulo Jorge também se tinha magoado. Como se já não bastasse a lesão do Karagounis na selecção grega, o outro jogador em melhor forma do plantel não iria igualmente jogar. Confesso que estava com as expectativas muito em baixo, porque já não ganhávamos em Leiria há quatro anos e eles, como sucursal do clube regional que são, têm sido das equipas mais beneficiadas neste início do campeonato. Todavia, seguindo o bom exemplo de jogos anteriores, entrámos bem na partida. O Fernando Santos colocou o Petit, Katsouranis e Nuno Assis no meio-campo e o Simão, Nuno Gomes e Miccoli na frente, e este trio trocou várias vezes de posição o que criou uma dinâmica atacante como nunca se tinha visto até agora nesta época. Apesar de não termos um extremo direito definido, havia sempre um jogador do Benfica solto e pronto para receber a bola. As oportunidades começaram a surgir bem cedo e o guarda-redes do Leiria teve quatro (!) defesas muito boas que safaram outros tantos golos. Agora que o Costinha se foi embora para o Belenenses, pensei que teríamos paz, mas afinal os guarda-redes do Leiria fazem gala em defender tudo e mais alguma coisa quando nos defrontam. Confesso que me assustei ao ver a exibição do guarda-redes, porque tantas oportunidades defendidas não é normal e estava com medo que no primeiro ataque do Leiria sofrêssemos um golo, como diria o Gabriel Alves, “contra a corrente” do jogo (já não seria a primeira vez...). Felizmente nada disso aconteceu e aos 30’ um passe do Katsouranis isolou o Miccoli, que estava em linha com a defesa contrária (vá lá que o fiscal-de-linha não marcou fora-de-jogo como tinha feito uns minutos antes em que um jogador nosso se ia isolar e estava mais de meio metro atrás do defesa) e fez um chapéu magnífico. O Leiria tinha dificuldades em reagir, porque o nosso meio-campo fazia uma pressão muito grande, e foi sem surpresa que marcámos o segundo golo já perto do intervalo, numa excelente assistência do Nuno Gomes para um remate de primeira e muito bem colocado do Miccoli. Até ao intervalo, o Nuno Assis comete uma falta idiota à entrada da nossa área (idiotice só comparável à amostragem do amarelo), mas felizmente o livre passou por cima da barra.

Na segunda parte, o Leiria entrou mais pressionante como seria natural, mas nunca criou verdadeiras situações de perigo. Ao contrário do que tem sido habitual, nós tentávamos jogar sempre para a frente perseguindo o terceiro golo. O Miccoli, que já tinha falhado uma boa oportunidade ainda com 0-0, rematando à figura do guarda-redes, voltou a falhar outra boa ocasião, quando, isolado, tentou fazer outro chapéu, mas não conseguiu enganar o guardião contrário. À passagem dos 60’ aconteceu outro excelente golo: o Nélson cruzou rasteiro e atrasado e o Nuno Gomes, de primeira, rematou à meia-volta para dentro da baliza. Estava feito o seu centésimo golo para o campeonato com a Gloriosa camisola (nada mau para um jogador que “não presta”…). Cinco minutos depois, um defensor do Leiria pensou que estava a jogar com a camisola da sua equipa A e cortou a bola com a mão na grande área. Como entre a equipa A e a B ainda há algumas diferenças, e porque o jogo já estava decidido, o árbitro assinalou o respectivo penalty. O Simão aproveitou para rematar colocado para o lado habitual (direita do guarda-redes) e estava feito o 4-0. Até ao final, o Fernando Santos aproveitou para poupar os jogadores que estiveram nas selecções, porque na 3ª feira vamos a Glasgow.

Individualmente, há que destacar o regresso à boa forma do Miccoli, muito bem acompanhado pelo Nuno Gomes e Simão. Com os três a jogarem bem ao mesmo tempo, tornamo-nos uma equipa temível (e ainda falta o maestro…). O meio-campo também esteve muito bem, com o Katsouranis colocado sob a direita e sendo o Petit o único trinco. Parece que o Fernando Santos já aprendeu a lição de que o Katsouranis e o Petit não podem jogar lado a lado, porque aí falta-nos sempre um jogador para o ataque. Mas estou convencido de que quando o Karagounis regressar um deles vai ter que sair. O Nuno Assis também esteve muito mexido embora se note que não é do nível do trio atacante. A defesa esteve segura, embora o Nélson tenha estado infeliz nas acções atacantes (exceptuando o centro do terceiro golo). Todavia, para mim é esta que deve ser a nossa defesa (Nélson, Luisão, Ricardo Rocha e Léo).

Esta retumbante (e inesperada) vitória deixa-nos com água na boca para Glasgow. Verdade seja dita que o Fernando Santos (como ele próprio referiu) já vinha dizendo há algum tempo que a equipa estava a melhorar, mas até este jogo isso não tinha sido visível desta forma tão nítida. O nosso plantel é de facto excelente e era um mistério perceber porque é que não estava a render. Vamos ver se teremos o regresso das grandes noites da Champions na próxima 3ª feira, ou se o que se passou neste jogo foi uma bonança passageira.

P.S. – A arbitragem foi imensamente habilidosa. Ainda com 2-0, houve uma série de (inexistentes) faltas perigosas que foram assinaladas contra nós e os lances divididos eram todos para o Leiria. Já nem falo dos foras-de-jogo fantasmas ainda com 0-0. Mas com 4-0 era impossível à equipa de arbitragem fazer mais. O pior é que nem sempre se consegue um resultado tão dilatado, pelo que este campeonato promete ser bastante difícil…

quinta-feira, outubro 12, 2006

Selecção a dobrar

Confesso que já estou um pouco farto da Selecção. O Mundial acabou há muito pouco tempo, correu bem e tivemos uma óptima participação, mas os jogos da selecção só deveriam voltar em 2007. Quer uma pessoa ver o seu clube a jogar e todos os meses há um interregno por causa dos jogos de qualificação para o Euro 2008. Desta vez foram dois seguidos: ganhámos 3-0 ao Azerbaijão e perdemos 1-2 na Polónia.

No jogo frente aos azeris não há nada de especial a reter, tirando os dois golos do Cristiano Ronaldo que entrou no top ten dos goleadores da selecção. Os jogadores do Glorioso estiveram globalmente bem, com o Ricardo Rocha sem muito trabalho porque o Azerbaijão praticamente não atacou, o Simão melhor na segunda parte do que na primeira e o Nuno Gomes um pouco perdulário.

Quanto ao jogo na Polónia não poderia ter corrido pior. Aos 18 minutos já estávamos a perder por 2-0. Até ao fim da primeira parte não conseguimos criar um único (!) lance de perigo e só não sofremos o terceiro golo, porque houve uma bola que bateu no poste. O Cristiano Ronaldo sofreu uma falta dura a meio da primeira parte e jogou o resto da partida nitidamente inferiorizado, pelo que não teve nenhuma das suas arrancadas típicas. O Nuno Valente era um passador na esquerda e incrivelmente conseguiu ficar em campo os 90 minutos. Na segunda parte melhorámos um pouco, mas a Polónia esteve sempre mais perto de marcar o terceiro do que nós de reduzir. A nossa melhor oportunidade surgiu já nos últimos 10 minutos quando o C. Ronaldo, muito bem desmarcado pelo Nani, conseguiu falhar isolado frente ao guarda-redes. Já no período de compensação, houve um golo do Benfica: cruzamento do Simão e desvio do Nuno Gomes. O melhor dos portugueses foi o Ricardo Rocha, que apesar de ter um cabeceamento falhado que dá origem ao contra-ataque do segundo golo, fartou-se de cortar bolas especialmente na segunda parte. Nesse lance do golo, é incrível a forma como o Miguel não avançou no terreno e colocou em jogo o polaco isolado. O Simão voltou a subir de rendimento na segunda parte, mas a exibição da equipa foi muito fraquinha na globalidade e a derrota foi merecida. Daqui a um mês temos a óbvia obrigação de ganhar em casa ao Cazaquistão.

Só uma última nota para os detractores do Nuno Gomes (incluindo os comentadores da RTP que não perderam a oportunidade): nos últimos quatro jogos oficiais, só não marcou no mais fácil (frente ao Azerbaijão em casa). Contra a Alemanha, Finlândia e Polónia, todos fora de casa, saliente-se, molhou o bico. Convenhamos que é mais difícil marcar nestes do que frente ao Luxemburgo e Liechtenstein…

quarta-feira, outubro 04, 2006

Inconcebível!

Rui Costa em tratamento

Desculpem lá, mas não percebo isto. Então o homem andou três semanas a recuperar de uma lesão, joga 45 minutos e descobrem agora que a lesão não só não está curada, como ainda vai ter que ter uma “paragem mais prolongada, necessária ao seu correcto tratamento” (fala-se em três a quatro semanas, o que provavelmente quererá dizer dois meses). E isto porque na altura não fizeram todos os exames necessários?! Só agora é que se lembraram de uma ressonância magnética?! Se isto fosse caso isolado, estaríamos bem, mas aqui cheira-me a muita incompetência vinda do departamento médico. Já no ano passado andámos metade da época a alinhar com jogadores a recuperar (mal) de lesões, que inevitavelmente acabavam por se agravar (Simão, Manuel Fernandes, Miccoli, por exemplo). Será que este caso do Rui Costa também vai passar em claro? A culpa vai morrer solteira? Vamos ficar sem ele para os embates decisivos frente ao Celtic (em Glasgow, é certo, e provavelmente na Luz também) e ninguém assume responsabilidades? Eu não sou médico, mas esta história está muito mal contada…

segunda-feira, outubro 02, 2006

Ainda sofrível

Pode parecer estranho um título destes numa vitória por 4-1 frente ao Desp. Aves, mas o que é facto é que continuamos com um futebol que é na maior parte do tempo aos repelões, com a transição da defesa para o ataque a ser muito atabalhoada. Voltámos a ganhar, mas ainda estamos longe do que valemos.

Finalmente o Fernando Santos colocou o Nélson a defesa-direito, entrando igualmente de início o Ricardo Rocha e o Miguelito (para o lugar do castigado Léo). Os dois gregos estavam no meio-campo e jogámos com dois pontas-de-lança (Nuno Gomes e Miccoli). Entrámos novamente bem no jogo, com duas oportunidades (Simão e Katsouranis por cima) logo nos minutos iniciais. Fazíamos as coisas com alguma velocidade e numa boa jogada do Miguelito à linha, o Paulo Jorge fez o 1-0 aos 19’. Todavia, pouco antes disso já o Quim tinha feito uma magnífica defesa perante um adversário isolado na sequência de um corte defeituoso do Ricardo Rocha, mas o Aves não mostrava valor para conseguir mais. No entanto, o Quim resolveu dar uma ajuda, imitando Moretto com um frango monumental aos 27’, ao deixar passar um remate inofensivo entre as pernas. Gostei da reacção do público que mesmo assim aplaudiu o nosso guarda-redes. Lances destes podem acontecer, mas não convém é serem frequentes (como com o outro…). Até ao final da primeira parte, tivemos de volta a pobreza franciscana. É incrível como o Benfica se deixa abater com um golo sofrido. Mesmo do Aves, que se via mesmo não ter capacidade para mais! A mentalização dos jogadores está pelas ruas da amargura e não é difícil ver quem é o culpado… Desconcentrámo-nos e o futebol piorou imenso de qualidade.

Na segunda parte, a música foi outra muito por culpa do maestro que voltou passado três semanas e substituiu o “passa-para-o-lado-e-para-trás” Katsouranis. Tudo fica mais simples quando passa pelos pés do Rui Costa e as dificuldades de transição defesa-ataque deixaram de ser tão visíveis. Felizmente marcámos o segundo golo logo aos 50’, numa boa cabeçada do Nuno Gomes a um centro do Simão. Cerca de 10 minutos depois, houve um jogador do Aves que teve uma paragem cerebral e resolveu meter a mão à bola na grande-área num lance inofensivo. O Simão aproveitou para voltar a ser eficaz nos penalties. O jogo estava ganho e nós deixámos de procurar o golo com tanta insistência, perdendo uma boa ocasião para fazer uma exibição que tranquilizasse os adeptos. O Aves não dava para mais, mas o que é certo é que não tivemos grandes oportunidades para aumentar o score. Até que aos 89’ veio a pièce de résistance do jogo. Como o Simão já tinha saído (para entrar o Nuno Assis), foi o Karagounis a marcar um livre a cerca de 25 m da baliza. Resultado: uma bola ao canto superior esquerdo e um golão!

Em termos individuais, destaco o Karagounis cuja produção subiu especialmente depois do intervalo com a presença do Rui Costa ao lado. Neste momento, é um jogador fundamental na equipa e espero que o regresso do Petit não o atire para o banco (quero crer que será o Katsouranis a ir para lá, porque na maioria dos jogos não podemos ter um trinco que não arrisca quase nada em termos atacantes). Também gostei do Miguelito e restante defesa. O Paulo Jorge continua muito combativo, mas houve períodos do jogo na segunda parte em que esteve escondido. O Simão e o Nuno Gomes também subiram nos segundos 45’, a que não será alheia a presença do Rui Costa. Sinceramente não gostei do Miccoli (não fez nenhum remate à baliza, nunca se posicionou correctamente no ataque e parece fora de forma) e do Katsouranis (pelo que já disse).

Continuamos muito dependentes do maestro e viu-se logo a diferença assim que ele entrou. Mas voltámos a não apresentar um futebol consistente durante grande parte do jogo. Houve alturas em que contei quatro (!) jogadores muito perto uns dos outros no meio-campo e ninguém nas faixas laterais. Marcámos quatro golos, é certo, mas não saí muito convencido do estádio. O Aves é um forte candidato à descida e daqui a 15 dias, quando defrontarmos o clube regional B em Leiria, teremos uma prova bastante mais difícil. Iremos defrontar 14 adversários e a jogar desta maneira não sei se conseguiremos ser bem sucedidos.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Relembrar VIII - No sítio certo

Como já se percebeu que muito dificilmente teremos alegrias europeias este ano, é altura de voltarmos a lembrar as antigas. E para fechar o capítulo “Filipovic”, deixo-vos aqui provavelmente o golo mais importante da sua carreira no Glorioso. Foi na segunda mão das meias-finais da Taça Uefa da tal época 82/83, em que defrontámos o Universitatea Craiova (crónica do TMA), equipa romena temível na altura (tinha ganho dois dos últimos três campeonatos), mas que agora anda pelos últimos lugares da classificação. Depois da dupla vitória frente à Roma, toda a gente estava à espera de passar o Craiova mais facilmente, mas o que é facto é que esta equipa tinha já eliminado a Fiorentina, o Bordéus e o Kaiserslautern. As dificuldades foram bastantes e o jogo da primeira mão na Luz ficou 0-0, apesar do autêntico massacre que impusemos aos romenos.

Na segunda mão, em Craiova, o Bento resolveu oferecer um golo na primeira parte. Antes do intervalo, o Filipovic ainda atirou uma bola ao poste, mas o golo decisivo aconteceu já durante a segunda. Foi uma jogada de insistência em que o jugoslavo apareceu solto na área na sequência de um ressalto e, à matador, não falhou. Estávamos pela primeira (e única) vez na nossa história na final da Taça Uefa. Infelizmente a derrota na final impediu-nos de fazer a tripla nesse ano.


quarta-feira, setembro 27, 2006

Incapacidade de reacção

Mais uma derrota frente ao Manchester United (0-1) num jogo em que pelo que fizemos na primeira parte e até sofrer o golo (aos 60 min.) não merecíamos perder, se bem que depois do golo o Manchester estivesse mais próximo do 2-0 do que nós da igualdade. Com esta derrota a nossa posição no grupo fica muito difícil e é imperioso que conquistemos no mínimo quatro pontos frente ao Celtic, apesar de eu achar que se não ganharmos os dois jogos será difícil seguirmos em frente, porque a última partida é em Old Trafford. Como eu previa ainda vamos chorar muito aquele jogo MISERÁVEL em Copenhaga…

A nossa primeira parte foi de grande nível, já que não deixámos o Manchester United fazer nada (só um remate do Cristiano Ronaldo que o Quim defendeu), apesar de não termos criado situações de golo iminente. Dominámos bastante, mas foi muito complicado ter oportunidades para rematar com perigo. A equipa inicial foi mais ou menos a prevista, já que com a saída do Fonseca dos convocados era de esperar que o Miccoli ficasse no banco, caso contrário só teríamos uma opção atacante (Mantorras) se as coisas corressem mal. Por outro lado, o Paulo Jorge foi o nosso melhor jogador em Paços de Ferreira pelo que a sua perda de titularidade seria uma grande injustiça, além de que ele defende, ao contrário do italiano. Confesso que não percebi a entrada inicial do Anderson em vez do Ricardo Rocha, a não ser que este ainda não estivesse nas melhores condições físicas. Mas mais uma vez cometemos o erro crasso de jogar com o Alcides em detrimento do Nélson. Um lateral direito tem que criar desequilíbrios atacantes, algo que o brasileiro é totalmente incapaz de fazer, como se viu outra vez durante este jogo. Mesmo assim, com um bocadinho de sorte poderíamos ter marcado um golo até ao intervalo, especialmente através de um remate do Nuno Gomes que saiu ao lado.

Na segunda parte, acusámos (e de que maneira!) o esforço físico da primeira e não estivemos tão pressionantes. O resultado foi que o Manchester United teve mais espaços e, na primeira ocasião de verdadeiro perigo que criou num contra-ataque, marcou através do Saha, num remate em que se o Anderson não tem tocado na bola o Quim teria defendido. Não foi um erro tão grave quanto os do Bessa e Paços de Ferreira, mas o defesa brasileiro ficou mais uma vez ligado a um golo sofrido. Neste caso, poderia ter pressionado mais o Saha antes de ele entrar na área com a bola dominada, mas enfim… A partir daqui e com as substituições que fizemos logo a seguir, morremos. O Fernando Santos resolveu tirar os dois jogadores que mais estavam a sobressair (Karagounis e Paulo Jorge) e fez entrar o Nuno Assis e Miccoli. Não conseguimos mais ligar uma jogada até ao fim da partida. Os jogadores ficaram perdidos e deixou de haver táctica. O Nuno Assis não sabia se ia para a esquerda ou para o meio e acabou na direita. O Miccoli nunca encontrou um lugar para jogar. Por outro lado, os centro-campistas rebentaram e não conseguimos fazer nenhuma pressão sobre os ingleses. As bolas nem sequer chegavam aos avançados. Acho que nessa altura o Fernando Santos deveria ter colocado o Nélson no lugar do Alcides, porque tem velocidade e estávamos a precisar disso nos flancos, já que o Simão praticamente não existiu e já não havia Paulo Jorge. Mas não, resolveu tirar o Anderson e colocar o Mantorras, aumentando ainda mais a confusão na área. Quando as bolas raramente lá chegam em condições, não vale a pena pôr avançados que ainda por cima não sabem jogar de cabeça. Até final, destaque apenas para três, repito, t-r-ê-s (!) defesas magistrais do Quim na mesma jogada (!), na sequência de um livre e duas recargas, em que o resto da defesa ficou a dormir.

Individualmente gostei novamente do Karagounis, o único com capacidade para transportar a bola para a frente, do Paulo Jorge, que não se atemorizou com o adversário e mostrou a raça do costume (mas tem que treinar melhor o remate; aquele livre “à Camacho”…!) e do Quim, pelas razões referidas. O Luisão e o resto da defesa também estiveram globalmente bem (até ao golo), mas os laterais têm que ser mais perigosos no ataque. O Simão necessita urgentemente de subir de forma e o Katsouranis de durar até ao fim do jogo. Tirando as substituições, não acho que a culpa tenha sido toda do Fernando Santos, apesar de a contestação começar a ser visível com os lenços brancos. Estamos com dificuldade em marcar golos e assim é impossível ganhar. Todavia, há um aspecto que infelizmente tem sido uma constante esta época e que é responsabilidade do treinador: quando sofremos um golo primeiro, não conseguimos reagir e há quase um baixar de braços. Ora, o técnico tem que incutir nos jogadores que os jogos duram 90 minutos e que até ao fim tudo é possível. E não me parece que o Fernando Santos saiba fazer isso…

Domingo frente ao Aves é imprescindível uma boa exibição e uma vitória clara, caso contrário as coisas começam a ficar muito negras e quase sem retorno para o treinador.

sábado, setembro 23, 2006

Furioso

Jogos destes deixam-me fora de mim! Empatámos em Paços de Ferreira (1-1) com o golo deles a ser marcado no segundo minuto de compensação. Custa-me mais perder pontos desta maneira, depois de duas (!) bolas ao poste e perante um adversário que não criou quase nenhum perigo, do que em jogos como o do Bessa. No entanto, a perda destes dois pontos tem um rosto: Léo. É INADMISSÍVEL que um jogador do Benfica se deixe expulsar daquela maneira (dois amarelos seguidos, o primeiro por protestos e o segundo por aplaudir esse mesmo amarelo)! Estávamos a ganhar por 1-0, já na segunda parte e com o jogo perfeitamente controlado.

Tal como na semana passada, entrámos bem na partida, com o meio-campo muito interventivo e o Paulo Jorge a dar nas vistas (foi de longe o nosso melhor jogador, mas também gostei do Karagounis e Katsouranis). A única jogada de perigo que o Paços criou foi aos 20’ num remate de longe em que o Quim fez uma grande defesa. Mas quem comandava o jogo éramos nós e numa bela jogada do Paulo Jorge concluída com um centro, o Katsouranis marcou de cabeça à ponta-de-lança em plena pequena-área. Infelizmente, e à semelhança da semana passada, desacelerámos a seguir ao golo. Para piorar as coisas, o Nuno Assis é atingido inadvertidamente com os pitons de um adversário e é substituído pelo Manú (que entrou pessimamente). O Simão derivou para o meio-campo, como nº 10, onde é muito menos perigoso do que nas linhas. Lá na frente o Miccoli continuava a tentar batalhar contra defesas muito mais altos do que ele.

Na 2ª parte, voltámos a pressionar e começámos a falhar golos certos. O primeiro foi um remate do Miccoli, sem oposição já dentro da grande-área, que passou ao lado. Quando parecia que estávamos balanceados para matar o jogo com o segundo golo, o Léo tem a tal paragem cerebral e ficámos a jogar com 10. Espero que tenha uma multa de pelo menos metade do ordenado, porque um jogador experiente como ele, já com 31 anos, NÃO pode fazer aquilo. Já se sabe que os árbitros estão condicionadíssimos, porque o “Apito Dourado” continua sem estar resolvido, e a arbitragem de hoje do Sr. Lucílio Baptista foi muito habilidosa. Os jogadores do Benfica foram encharcados de amarelos e deviam saber que têm que ser como anjinhos, porque à mais pequena coisa os árbitros punem-nos (queria ver um jogador do clube regional ser expulso como foi o Léo; mais depressa eu dormiria numa pocilga…). Apesar de termos menos um jogador conseguimos conter o Paços de Ferreira que não criou perigo nenhum, com excepção de um remate rasteiro que o Quim blocou muito bem. Numa jogada de contra-ataque de dois para um, o Simão não conseguiu meter a bola no Mantorras (que entretanto entrara para o lugar do Miccoli) e perdemos a segunda grande ocasião de golo. A 15’ do fim há um jogador do Paços já amarelado, que corta a bola com a mão (apesar dos portist…, perdão, jornalistas da Sport TV acharem que foi com o peito), e foi naturalmente expulso. As coisas voltavam a estar igualadas. Pouco depois, na sequência de um livre, o Luisão remata ao poste e a 5’ do fim é a vez do Katsouranis, completamente isolado e só com o guarda-redes pela frente (!), também acertar naquele mesmo poste. E no tal 2’ de compensação, o Miguelito (que entrara para o lugar do Manú depois da expulsão do Léo) dá todo o tempo de mundo para o extremo do Paço centrar e o ponta-de-lança antecipa-se ao Anderson (Bessa revisited) e marca o golo do empate. Maior balde de água fria não podia haver!

Não achei que globalmente tenhamos jogado mal, mas continuamos a padecer de dois grandes males: a indisciplina em campo e o fraco poder de concretização. O Benfica tem que se capacitar que é IMPERATIVO ter dois golos de vantagem, para ficar a salvo de lances fortuitos como o de hoje. Já na semana passada o Nacional teve uma boa oportunidade perto do fim e poderia ter empatado se não fosse o Quim. Hoje, lixámo-nos mesmo! Por outro lado, não sei o que se passa na equipa para tão grande indisciplina. Ainda por cima, o Fernando Santos veio dizer no final que já tinha alertado os jogadores depois do jogo no Bessa, e hoje voltámos a ser reincidentes. Ora, ou eles são surdos ou como os jogadores são maioritariamente os mesmos da época passada e isto não acontecia nessa altura, parece-me que só há um culpado para isto…

Com tudo isto e o jogo em atraso, já estamos a oito pontos do clube regional. Os nossos responsáveis dizem que “ainda é muito cedo”, mas ou muito me engano ou já tinha ouvido esta cantilena no ano passado e os resultados no fim da época foram o que foram. As perspectivas para a próxima 3ª feira não são nada boas…

quinta-feira, setembro 21, 2006

Relembrar VII - Decisivo

Na sequência da nossa paupérrima exibição em Copenhaga e seguindo a sugestão de alguns leitores do blog, deixo-vos aqui os golos de uma eliminatória memorável para nos animar um pouco: época 82/83, quartos-de-final da Taça Uefa, calha-nos a Roma. O jogo da 1ª mão na capital italiana, que ganhámos por 2-1, terá sido provavelmente a maior vitória europeia do Benfica que me lembro de ver até à fantástica noite de Anfield Road no ano passado. A Roma, para além de ser do país que se tinha sagrado campeão mundial no ano anterior em Espanha, contava com nomes como Bruno Conti, Falcão, Ancelotti, Vierchowod, o goleador Pruzzo e o capitão Di Bartolomei, e acabaria por ganhar o scudetto nessa mesma época. Na Luz empatámos 1-1, com o golo da Roma a surgir nos últimos cinco minutos depois de uma pressão intensa que sofremos na segunda parte. Está aqui um excelente relato desse jogo (alô, TMA, esta é a tua deixa; agora que já somos 14.000.003 podes talvez retomar as tuas magníficas memórias, não? :-)

Os três golos do Benfica foram todos marcados pelo mesmo senhor: Zoran Filipovic. Este ponta-de-lança jugoslavo esteve no Glorioso durante três épocas (81/82 a 83/84), mas foi nesta de 82/83 que mais se fez notar. Marcou oito dos 18 golos dessa campanha europeia e contribuiu decisivamente para a nossa qualificação para a final, que acabaríamos por perder com o Anderlecht. Era um típico jogador de área, muito felino e com uma técnica bastante razoável. Constituía com o Néné (reparem como este deixa passar a bola entre as pernas no golo em Lisboa) a dupla perfeita para aproveitar as jogadas dos Alves (o seu passe (!) para o primeiro golo em Roma), Chalanas (dois centros teleguiados para outros tantos golos), Strombergs, Carlos Manuéis e Diamantinos. Enjoy!


segunda-feira, setembro 18, 2006

Desperdício

Num jogo em que deveríamos ter ganho folgadamente, acabámos por sofrer um bocado no fim para ganhar ao Nacional apenas por 1-0. É certo que eles tiveram uma bola ao poste, mas nós desperdiçámos pelo menos meia dúzia de oportunidades flagrantes, incluindo algumas em superioridade numérica. Assim, tivemos que nos contentar somente com o golo do Luisão, na sequência de um canto muito bem marcado pelo Simão por volta da meia-hora de jogo.

O Fernando Santos surpreendeu-me ao colocar o Karagounis de início (até que enfim!), em vez do Beto, para colmatar a ausência do Petit. Provou-se mais uma vez (como se necessário fosse…) que seria um erro muito grande deixar sair o Karagounis, que foi juntamente com o Nuno Assis o melhor em campo. Recuperou muitas bolas, desmarcou companheiros de equipa e tentou marcar pelo menos por duas vezes. Devemos ter um plantel de luxo para achar que o Karagounis não fazia falta… Por seu lado, ficou também demonstrado que em jogos em casa, e contra equipas que vêm para a Luz contentar-se com o empate, não é justificável jogar com dois trincos, pelo que entre o Katsouranis e o Petit só um é que deve alinhar. O meio-campo de hoje, com o Nuno Assis e o Karagounis foi muito mais interventivo, perigoso e deu muito mais fluidez ao nosso jogo atacante do que em qualquer outro jogo esta época (sim, estou a pensar em todos os jogos que fizemos até agora). O Nuno Assis deve ter feito o melhor jogo desde que está no Benfica. Não só participou, e bem, nos lances de ataque, como ainda ajudou a defender no meio-campo, algo que não era muito habitual ver-se nele. Mereceu bem a ovação que recebeu quando foi substituído.

Com o regresso do Simão, mesmo a meio gás (que falhanço incrível no último minuto!), a equipa fica diferente para melhor. Está-se sempre à espera que saia qualquer lance de perigo pelo lado esquerdo. O Léo também jogou bem, ao contrário das duas últimas partidas. A defesa tremeu um bocado na parte final, mesmo com o Nacional somente com 10 jogadores, mas o Quim tem-se revelado fundamental. Hoje fez mais duas excelentes defesas, sendo a segunda num livre directo já no último quarto-de-hora. O Fonseca jogou pela primeira vez de início, mostrou bons pormenores (nomeadamente a ganhar lances de cabeça), mas nota-se que ainda não está bem entrosado com os companheiros. Quanto à equipa titular apenas não percebi a inclusão do Alcides em vez do Nélson. O Alcides é uma nulidade a criar desequilíbrios atacantes e raramente consegue ir à linha centrar. Frente a equipas contra as quais temos que atacar a maior parte do tempo, é incompreensível que jogue em vez do Nélson. A não ser que o Fernando Santos o esteja a treinar para defrontar o Cristiano Ronaldo…

A vitória, embora escassa, foi mais que justa. A primeira parte foi mais fraca do que a segunda e com a expulsão do jogador do Nacional, abriram-se mais espaços na defesa contrária que não soubemos aproveitar para aumentar o resultado. A qualidade do plantel é bem visível, num jogo em que quatro titulares não jogaram (Nuno Gomes, Petit, Rui Costa e Ricardo Rocha), conseguimos mesmo assim apresentar uma equipa cujos substitutos destes jogadores eram todos internacionais pelos seus países (Fonseca, Karagounis, Nuno Assis e Anderson). Será que vamos manter e aumentar o (bom) nível exibicional de hoje, de preferência com mais golos, ou este jogo vai ser um oásis no deserto, tal como o contra o Áustria de Viena foi? Na próxima sexta-feira já saberemos, mas uma coisa é certa: se com este plantel não conseguirmos fazer uma boa época, a culpa não é de certeza dos jogadores…

P.S. – Os lagartos perderam em casa contra o Paços de Ferreira com um golo marcado escandalosamente com a mão, num jogo arbitrado pelo Sr. João Ferreira. Vingou-se deste modo o golo que o Leiria marcou lá no ano passado e em que o fiscal-de-linha não viu. É bem feito! Continuem amiguinhos do presidente do clube regional e a achar que o Benfica é que é beneficiado que hão-de ir longe…

sexta-feira, setembro 15, 2006

Brilhante Leonor Pinhão

O link está sempre aí do lado esquerdo para ninguém se esquecer. Mas a crónica desta semana da grande Leonor Pinhão é absolutamente imperdível. O que ela escreve nesta 5ª feira é subscrito pela maioria dos adeptos de futebol, excepto provavelmente pelos do clube regional (caso contrário já se teriam organizado para correr com o seu presidente). Deixo aqui um pequeno excerto com o respectivo link:


A Federação Portuguesa de Futebol e a Liga de clubes têm órgãos de justiça e de disciplina. Do que estão à espera para intervir, saneando o futebol da manipulação com cara e com nome?

O que mais será preciso para irradiar dirigentes, empresários, árbitros e outros figurões mais ou menos simpáticos?

A figura disciplinar da irradiação não existe na Lei de Bases do Sistema Desportivo?

Pode o Ministério Público arquivar tudo o que quiser. Mas quando o procurador escreve que «o modo de actuação» passa pela sugestão de nomes de árbitros, pelo conhecimento antecipado de nomes de árbitros, pela pressão directa ou indirecta sobre os mesmos árbitros e transcreve diálogos com frases como «o chefe da caixa», «bem roubadinho», «se quer umas viagens para o ano temos de atalhar caminho», «tu pediste, foi-te concedido», «é a malta que o pode fazer chegar onde ele quer», «queriam um penalty mas eu dei-lhe um amarelo», «dou-lhe uma beijoca», «ai se não fosse eu», «o senhor para mim é como um pai», «conceda-me essa graça», «trouxemos um carregamento que nem cabia na mala», «12 minutos que eu dei e nem assim», «o Serafim vai vacinado», «não pode fazer muito porque o jogo dá na televisão, percebe?», toda a gente percebe.

E porque temos nós, os que gostamos de futebol, de continuar a aturar estas pessoas todas nos seus postos de sempre, impunes, viciosas, trocando graçolas promíscuas com políticos em funções, em directo na televisão, ou recebendo honras de Estado em nome dos votos das «massas associativas»?

E não se pode irradiá-los?



A solução para mim seria muito simples: os dirigentes e árbitros arguidos no processo “Apito Dourado” seriam todos obviamente irradiados e até que os novos árbitros tivessem estaleca necessária, os campeonatos seriam apitados por árbitros estrangeiros (franceses, espanhóis ou ingleses, de preferência) durante os anos que fossem precisos.