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sexta-feira, julho 21, 2006

Relembrar V – O domínio

Amanhã iremos defrontar uma equipa treinada por um dos melhores centrais que eu vi jogar pelo Glorioso e o primeiro estrangeiro a ter a honra de capitanear a nossa equipa: Ricardo Gomes. A carreira dele e a do Valdo seguiram em paralelo durante sete anos, desde a altura em que vieram para o Benfica na época 88/89. Três anos depois saíram os dois para o PSG e passados quatro anos regressaram ao Glorioso, tendo no entanto o defesa-central feito só mais uma época (95/96, na qual vencemos a Taça de Portugal) antes de arrumar as botas. Amanhã teremos finalmente a oportunidade de o voltar a aplaudir.

Este golo deu-nos a vitória frente ao Espinho na 21ª jornada da época 88/89, em que fomos pela primeira vez campeões com o Toni a treinador e que ficou célebre porque ganhámos seis (!) jogos nos últimos cinco minutos. No entanto, este tento foi marcado logo no início da 2ª parte e sempre me intrigou por um motivo: será que o Ricardo dominou mal a bola de peito, fazendo-a subir demasiado, que teve que rematar de cabeça? Tenha sido ou não de propósito, um golo destes só está ao alcance de jogadores de classe. Mas, sejamos honestos, o facto de o guarda-redes ser o Silvino (o que começou nas camadas jovens do clube regional), portador de pouco mais de 1,60m, também ajudou...


terça-feira, julho 18, 2006

Relembrar IV – O anterior 10

Antes de o Rui Costa aparecer, no início da década de 90, não tivemos que esperar 10 anos como agora para voltar a ter um “nº 10”. Esse número pertencia a um certo Valdo Cândido de Oliveira Filho, de nacionalidade brasileira, que veio para o Glorioso em 88/89 e esteve cá durante três anos (regressando mais tarde em 95/96 e ficando até ao final da época seguinte). Entre os vários momentos sublimes que ele nos proporcionou, resolvi escolher este, seguindo a sugestão de um dos leitores deste blog, que me tinha falado neste golo. Foi na 7ª jornada da época 90/91 (em que ganhámos o campeonato no célebre jogo do César Brito na casa do clube regional) num jogo frente ao E. Amadora em que vencemos por 4-0, sendo este o terceiro tento. O Valdo, que era dos melhores tecnicistas que vi jogar pelo Glorioso e que geralmente rematava em jeito, de vez em quando também desferia petardos destes.

domingo, julho 16, 2006

Derrota inesperada

Contra todas as expectativas perdemos contra o Sion por 3-2 no último jogo de preparação em terras suíças. Algumas graves falhas defensivas prejudicaram a nossa exibição que, longe de ser brilhante, não merecia tal resultado. Por outro lado, pareceu-me que os jogadores acusaram algum (natural) cansaço e que o plantel reduzido que temos nesta altura, juntamente com algumas lesões, não permite fazer a rotação devida.

Claro está que se o Marcel tem cumprido a sua obrigação logo no primeiro minuto, depois de um fantástico toque de calcanhar do maestro que o isolou, o jogo teria sido provavelmente diferente. Só que isso não aconteceu e pouco depois um esquecimento imperdoável da defesa num lance de bola parada deixou o João M. Pinto sozinho frente ao Moreira e sofremos o primeiro golo. Estar em desvantagem num jogo de pré-época é um grande contra, já que para dar a volta é preciso pernas o que raramente acontece nesta altura. Mesmo assim tivemos algumas ocasiões para igualar, mas quando o Diego não cobriu como devia ser um jogador suíço, permitindo-lhe rematar à vontade fora-da-área, acabámos por sofrer o segundo golo, num lance em que me deu igualmente a ideia que o Moreira poderia ter feito algo mais. Antes do intervalo, o Mantorras mostrou porque é um jogador útil ao plantel e num remate colocado fora-da-área reduziu para 2-1. Marcel, vê lá se aprendes!

Na 2ª parte tentámos empatar, mas não fomos felizes. As substituições tiraram ritmo à equipa, já que desta vez o Paulo Jorge não entrou bem na partida e o Manduca continua a ser exasperadamente lento. Num contra-ataque rápido o Sion fez um 3-1, mas antes do fim do jogo ainda tivemos tempo para nos deliciarmos com o primeiro golo do maestro neste regresso ao Glorioso, num óptimo remate fora-da-área. A última jogada da partida justificou por si só o seu visionamento. O maestro pegou na bola, correu em direcção à baliza, tirou dois adversários do caminho e rematou colocado, só que o desmancha-prazeres do guarda-redes fez a defesa da noite. Este Rui Costa está, sem dúvida, mesmo velho!

Para além do maestro, que nos abre cada vez mais o apetite futebolístico para a época, gostei dos dois gregos, das movimentações do Miccoli nos 30 minutos que jogou e do facto de o Mantorras se ter assumido como o terceiro ponta-de-lança na hierarquia do plantel. Tenho receio que a falta de extremos se venha a tornar um problema, nomeadamente quando é preciso acelerar o jogo. E a saída do Geovanni e, provavelmente, do Simão tiram-nos capacidade de sermos velozes. O Diego não esteve tão bem como nos outros jogos, mas entre ele e o Beto não há dúvidas. O Tiago Gomes pode ter muito potencial, mas a defender é um susto e precisamos mesmo de um lateral-esquerdo que compita com o Léo. O Marcel justificou mais uma vez o absurdo de se ter dispendido dinheiro na sua contratação e leva-me a reconsiderar a afirmação no post anterior sobre a não-pertinência de arranjarmos outro avançado. A sua aquisição, principalmente tendo em vista o que ele (não) produziu o ano passado, torna-se um grande mistério.

P.S. – Tal lá como cá… Em Itália julgou-se o “calciocaos” em apenas três meses, antes de se ir a tribunal os principais suspeitos demitiram-se dos seus cargos, o governo sugeriu uma (absurda) amnistia por causa da conquista do Mundial, mas os tribunais decidiram mesmo mandar a Juventus para a Série B com 30 pontos negativos, juntamente com a Lázio e a Fiorentina ficando o Milan na Série A, mas sem participar na Champions. Cá, está tudo em vias de ser arquivado, um dos arguidos é recebido pelos deputados e acha-se normal que ele arranje prostitutas para árbitros sem ter contrapartidas. É um homem que gosta muito de ajudar os outros… Haja vergonha!

quinta-feira, julho 13, 2006

Gregos

O Katsouranis e o Karagounis deram-nos a vitória frente ao Shakhtar Donetsk no 2º jogo de preparação. Tivemos alguma sorte na 1ª parte já que o primeiro golo resulta de um penalty muito duvidoso sobre o Marcel e, quando estávamos a sofrer a reacção dos ucranianos, marcámos o segundo na sequência de uma óptima abertura do maestro e um fantástico chapéu do Karagounis. Quando ao resto, o jogo ainda foi algo lento e notou-se que os ucranianos estão mais adiantados na preparação do que nós. Na 2ª parte com as substituições a partida decresceu bastante, mas defendemos bem e o Shakhtar praticamente não criou perigo.

Individualmente não sobressaiu ninguém em particular, mas o Rui Costa, como é óbvio, não sabe jogar mal, o Katsouranis é bom tecnicamente para além de recuperar bolas e só é pena que o Karagounis não seja regular ao longo do jogo todo. Na baliza, é bom ver o Moreira a titular e espero que se mantenha assim ao longo de toda a época, já que o Moretto continua a ser um susto, como se viu no 1º jogo. O Beto está cada vez pior e conseguiu falhar passes a cinco metros (!). Com o Petit, Katsouranis e Diego espero bem que passe para 4ª opção na posição de trinco. Acho que precisamos de mais um lateral-esquerdo, porque se o Léo se lesionar ter-se-á que adaptar outro ao lugar e o Nélson rende muito mais na direita. O Manú e o Paulo Jorge voltaram a mostrar qualidades técnicas e antevêem-se como boas opções de banco. Com o regresso do Miccoli e dos mundialistas ficaremos de certeza mais fortes. Um ataque com o italiano e o Nuno Gomes, servidos pelo maestro, promete grandes feitos. Neste sentido, não percebo a procura de outro ponta-de-lança. Temos dois claramente titulares e dois claramente suplentes, para quê mais um? Só se o Benfica estiver a contar que o Miccoli passe a maior parte da época outra vez lesionado...

terça-feira, julho 11, 2006

O regresso do Glorioso

No passado sábado, dia 8 de Julho, deu-se um acontecimento desejado por todos nós, benfiquistas: o Rui Costa voltou a vestir a gloriosa camisola vermelha! Foi no 1º jogo particular desta pré-época, frente ao Stade Nyonnais, em que vencemos por 3-0. Apesar de só termos uma semana de treinos, já deu para ver que com a presença dele a bola volta a ter olhos. Vai ser um prazer voltar a vê-lo ao vivo regularmente!

O jogo foi típico de início de temporada, sendo a 1ª parte mais agradável que a 2ª, o que é normal já que os titulares alinharam naquele período. Houve disponibilidade física q.b. e alguns movimentos atacantes interessantes, nomeadamente através do Léo que me parece já em forma. Estou um bocado céptico em relação à nova táctica em losango, já que a falta de extremos rápidos poderá ser prejudicial na maior parte dos jogos, mas aguardaremos o que nos reserva o futuro. O Marcel marcou dois golos e o Manduca falhou meia-dúzia deles, mas ambos serão certamente suplentes durante a temporada. O Katsouranis pareceu-me um pouco perro, mas não é mau tecnicamente. Na 2ª parte, destacou-se o Diego, que tem um remate potente e bom sentido posicional. O lugar de trinco deverá estar reservado ao Petit, mas ao menos aparentemente temos opções de mais qualidade que o Beto para o meio-campo. O Manú e o Paulo Jorge também estiveram mexidos e a sua presença poderá ser importante para certos jogos em que seja preciso mais velocidade.

Amanhã teremos um teste bem mais difícil frente ao Shaktar Donetsk, que também estará presente na pré-eliminatória da Champions, e aí teremos uma noção mais exacta de como está a nossa equipa.

P.S. –O Miccoli fica mais um ano. Excelente notícia! Os meus parabéns à direcção do Benfica, que conseguiu que o jogador ficasse sem ter que pagar os cinco milhões de euros à Juventus. No final desta época logo se verá se será necessário exercer o direito de opção ou não.

segunda-feira, julho 10, 2006

Portugal – 1 – Alemanha – 3

Um fim-de-semana prolongado não me permitiu postar mais cedo. Como se calculava, foi difícil vencer a equipa da casa no jogo para a atribuição do 3º e 4º lugar, todavia considero que o resultado foi muito injusto. Jogámos muito melhor que os alemães, mas infelizmente perdemos porque eles conseguiram marcar três golos em duas oportunidades (o autogolo do Petit não se pode considerar uma oportunidade). Algumas ideias sobre o jogo:

- Incompreensível a manutenção do Pauleta a titular. Falhou dois golos incríveis e viu-se bem o que o Nuno Gomes fez quando entrou. Tivesse ele jogado mais neste Mundial e certamente teríamos ido mais longe, quanto mais não fosse por jogarmos com 11... Felizmente, o Pauleta vai abandonar a selecção pelo que de certeza que nas próximas grandes competições melhoraremos a nossa produção atacante, quando os adversários forem mais fortes que Cabo Verde ou o Qatar;
- Porque é que o Deco não jogou desta maneira frente à França?
- Infelizmente o Maniche não fez um grande jogo, ao contrário de todo o campeonato anterior;
- Notou-se bem a falta do Miguel e, principalmente, do Ricardo Carvalho;
- Agora virou moda os adeptos das equipas adversárias assobiarem o Cristiano Ronaldo?
- O Scolari, apesar da não-aposta no Nuno Gomes, é óbvio que deve continuar ao serviço da selecção. Criou uma empatia especial com os jogadores e com o público e apresenta resultados muitíssimos positivos, apesar da azia que isso cria a algumas pessoas de um certo clube...


P.S. – O que é que terá passado pela cabeça do Zidane? Como é que alguém acaba a carreira com uma cabeçada na final de um campeonato do mundo? O que é que o Materazzi, que a propósito é um crápula (lembram-se da agressão ao jogador do Villarreal na Liga dos Campeões?), lhe terá dito? Fosse o que fosse, o Zidane tinha obrigação de não ter reagido daquela maneira.

quarta-feira, julho 05, 2006

Portugal – 0 – França – 1

Como era previsível, a nossa besta negra foi-o mais uma vez. Um penalty (indiscutível) do Ricardo Carvalho sobre o Henry permitiu ao Zidane tirar-nos de mais uma final. Num jogo bastante monótono e em que nunca tivemos arte para superar a boa defesa dos franceses, ganhou a equipa que teve melhores oportunidades de golo, apesar de estas serem muito escassas para ambos os lados. Aliás, esta pouca qualidade dos jogos com falta de ocasiões de golo está a ser exasperante, especialmente desde que o Mundial entrou nos oitavos-de-final. Tirando talvez o Espanha-França, todas as outras partidas foram globalmente más, estando as equipas mais preocupadas em defender do que atacar. Arriscou-se muito pouco e por isso não é de estranhar a média (baixíssima) de 1,71 golos (!) por jogo nesta 2ª fase.

A partida estava a ser equilibrada até à altura do penalty, aos 33 minutos da 1ª parte. Como já não estávamos em desvantagem há uma série de jogos e jogando com nove durante quase toda a partida, a tarefa a partir daí era praticamente impossível. O Deco e, principalmente, o Pauleta foram de uma nulidade atroz, mas infelizmente o Scolari demorou mais de uma hora a perceber isso em relação ao açoriano, substituindo-o novamente pelo Simão. Ainda por cima, o ponta-de-lança que acabou por entrar pouco depois foi outra vez o Postiga, em mais uma opção injustificável. O Scolari, que gosta tanto de fezadas, bem se poderia ter lembrado que o Nuno Gomes fazia anos hoje e que já marcou à França numa meia-final no Euro 2000. Por outro lado, deu sempre a ideia que a equipa estava cansada. O Figo batalhou imenso, mas está roto, o Deco falhou inacreditavelmente duas assistências facílimas ainda com 0-0 que nos poderiam ter dado vantagem. Para além disso não defendeu nada e não se viu em termos atacantes. O Cristiano Ronaldo foi o único a criar perigo e é dele o livre que nos dá a melhor oportunidade de todo o jogo, na recarga de cabeça do Figo na pequena-área que passou por cima da barra. O Maniche foi igualmente dos melhores, mas não pode fazer tudo sozinho. A defesa acabou por não ter muito trabalho, porque a França também não pressionou muito. O que mais custa é isto: a França nem teve que fazer um grande jogo para nos derrotar. Quanto à defesa, o Meira voltou a ser o melhor e acaba o Mundial em grande forma.

As desculpas de mau pagador em relação ao árbitro no final da partida são já uma imagem de marca nossa quando somos eliminados. O árbitro esteve bem nas duas decisões mais importantes: o Ricardo Carvalho fez penalty e o Cristiano Ronaldo atirou-se para o chão. Uma falta aqui e outra ali por assinalar ou um ou outro cartão por mostrar não foi isso que influenciou o jogo ou tira mérito à França. Aliás, querem-se os melhores jogadores para os jogos decisivos pelo que é natural que os árbitros se refreiem na amostragem de cartões nestas alturas (excepto em casos como o do Ricardo Carvalho que vai ficar de fora na partida para o 3º lugar porque teve uma entrada a matar). O defesa do Chelsea vai fazer muito falta no último jogo e é bom que o Scolari faça algumas alterações, porque há jogadores em muito má forma. O Deco e o Pauleta podem vir já para Portugal e mesmo o Figo está longe dos 100%. Todavia, espero que lutemos para conseguir o 3º lugar apesar de defrontarmos a equipa da casa. A Alemanha está perfeitamente ao nosso alcance, saibamos nós entrar com 11 jogadores em campo.

segunda-feira, julho 03, 2006

Sublime deleite



Esqueçamos por momentos que o vamos defrontar na próxima 4ª feira e que o queremos derrotar. Este senhor presenteou-nos no passado sábado, no jogo frente ao Brasil, com uma hora e meia de recital futebolístico do mais perfeito que já vi na vida. O futebol, quando passa pelos pés dele, deixa de ser apenas um jogo e torna-se numa arte. O prazer em ver este homem tratar a bola só é comparável ao prazer que se tem perante uma Mona Lisa, um David ou um North by Northwest.

Há algo de sobrenatural no Zidane e no jogo contra o Brasil percebeu-se bem a diferença entre ele e os demais. O Ronaldinho é inquestionavelmente um jogador fabuloso, mas a diferença entre ele e o Zidane é igual à diferença entre um malabarista de circo e um pintor. São duas formas de arte, mas uma é muito mais valorizada do que outra. O Ronaldinho é genial nas fintas para a plateia, mas essas mesmas fintas são muitas vezes gratuitas, adornos belos mas desnecessários. O Zidane domina a bola e finta em prol da equipa, raramente faz algo só para deleitar a plateia, mas sempre com um objectivo mais alto: fazer com que a bola chegue à baliza contrária. Por isso é que fiquei muito contente com a vitória da França sobre o Brasil. Quanto mais jogos do Zidane pudermos ver, melhor para nós que amamos futebol. E além disso, a perdermos o acesso à final, que seja para a França do Zidane do que para o Brasil dos artistas de circo.

A genialidade do Zidane é de um nível distinto da maioria dos grandes jogadores. Não é tão sufocante como por exemplo a do Maradona, que ganhava jogos sozinho. O Zidane raramente finta meia equipa contrária e marca golo, mas também não precisa. Há lá outros para os concretizar a passes seus. Ele prefere ir dando pinceladas subtis de classe durante o jogo, pozinhos de sublimidade como um toque, um domínio ou uma recepção de bola que nos deixam extasiados (a maneira como controlou uma bola em rosca de um alívio do Roberto Carlos na 1ª parte foi a perfeição em estado puro). É um atentado a todos nós que este senhor se queira reformar no fim do Mundial. A FIFA deveria instituir imediatamente a 18ª lei do jogo que proibisse este homem de deixar de jogar futebol. Faça-se uma petição e eu assino já!

P.S. – Apesar disto, obviamente que desejo que o seu jogo de despedida seja no próximo sábado em Estugarda.

domingo, julho 02, 2006

Portugal – 0 – Inglaterra – 0 (3-1 pen.)

Pela segunda vez na nossa história estamos nas meias-finais de um campeonato do mundo. Pela segunda vez em dois anos vencemos a Inglaterra nos penalties e pela segunda vez em dois anos o Ricardo foi o herói do jogo. Tal como o Maniche em relação à Holanda, é bom que o Ricardo não pense em pôr os pés em Inglaterra nos tempos mais próximos… O Scolari confirma-se como provavelmente o melhor seleccionador nacional de todos os tempos e quase tudo o que conseguimos nos últimos anos lhe devemos a ele. Através de opções nem sempre justificáveis conseguiu fazer da selecção uma equipa e daí também a razão para algumas dessas opções. Há determinados jogadores que não foram convocados, porque se calhar pensariam que entravam de caras nos titulares (instigados também pelo presidente de um certo clube) e, ao não acontecer isso, o espírito de grupo sairia certamente enfraquecido. As opções podem parecer estranhas, mas os resultados estão à vista e contra isso não há nada a fazer.

Todavia, acho que tínhamos obrigação de ter feito mais para ganhar o jogo de ontem antes dos penalties, especialmente desde que a Inglaterra ficou a jogar com 10 aos 62 minutos por expulsão do Rooney. A substituição do Pauleta pelo Simão, que estava programada antes da expulsão, deixou de ter razão de ser com a expulsão, mas o Scolari fê-la na mesma. Isto fez com que jogássemos sem ponta-de-lança durante uma boa parte do 2º tempo e que o Cristiano Ronaldo tenha desaparecido do jogo, enfiado que estava no meio dos centrais contrários. Posteriormente, a entrada do Postiga não lembra o diabo! O homem foi um zero absoluto contra o México durante 70 minutos, o Nuno Gomes jogou muito melhor só em 20, mas só porque há dois anos o Postiga marcou o golo do empate contra os ingleses, a fezada fez com que o Scolari o colocasse de novo em campo. Claro que não resultou! Por outro lado, não conseguimos criar perigo a jogar frente a 10, principalmente porque, como o Scolari referiu na conferência de imprensa, não sabemos rematar de longe. Fiquei desiludido com a nossa prestação durante esta altura do jogo, porque deveríamos ter arriscado um pouco mais para ganhar sem nos sujeitarmos à sorte dos penalties. Mas, como vencemos, escreveu-se direito por linhas tortas. Nos penalties, não percebi a escolha do Petit para marcar em vez do Maniche. Nunca vi o Petit marcar um penalty na vida, enquanto o Maniche costuma marcá-los, e bem. Felizmente que o falhanço do Petit não teve consequências nefastas.


Individualmente há que destacar o Ricardo. Defender três penalties (e não foram quatro por um bocadinho…) não é para todos e a confiança e mentalização que o Scolari sempre lhe manifestou está a dar os seus frutos. A defesa esteve toda impecável, nomeadamente o Meira que deve ter feito o melhor jogo da vida dele (e eu que estava tão céptico em relação a ele). No meio-campo notou-se (e de que maneira!) a ausência do Deco. Não sei o que se passa com o Tiago que continua a não mostrar na selecção a classe que patenteia nos clubes. Ontem voltou a passar ao lado do jogo. O Petit entrou pessimamente na partida, mas melhorou imenso como o decorrer da mesma. Levou um amarelo na 1ª parte que o vai impedir de jogar nas meias-finais, mas, como não é idiota como o Costinha, a partir daí não deve ter feito mais nenhuma falta. Lá vamos ter que levar com o Costinha no próximo jogo… O Maniche também jogou bem, mas esteve infeliz no remate e poderia ter sentenciado a partida mesmo no último minuto do prolongamento. O Figo nunca joga mal, mas começa a sentir o peso da sua idade quando o jogo é muito intenso. Notou-se que o Cristiano Ronaldo não está a 100%, mas é sempre um perigo quando toca na bola. O Pauleta passou ao lado do jogo, mas a bola nunca lhe chegava em condições. No entanto, para o tipo de jogo que estávamos a fazer, com tabelinhas à entrada da área, a presença do Nuno Gomes era mais que justificada. O Simão deu mais dinamismo ao ataque e o Hugo Viana, curiosamente, também entrou bem na partida, jogando muito melhor que o Tiago.

Depois de termos sido mais uma vez a besta negra da Inglaterra, vamos apanhar a nossa besta negra, a França. Já que chegámos até aqui era bonito que fôssemos mais além, mas perante o que os franceses mostraram frente ao Brasil (um banho de bola, com uma classe ímpar!) acho muito difícil. Mas pelo menos o 4º lugar (algo impensável para quase toda a gente, menos provavelmente o Scolari) já ninguém nos tira! FORÇA PORTUGAL!

P.S. - Tal como contra o México, a FIFA nomeou mais uma vez um jogador da equipa derrotada, Hargreaves, o man of the match. Pode ter feito uma grande partida, mas esta decisão, especialmente depois do que fez o Ricardo, é inacreditável!

segunda-feira, junho 26, 2006

Portugal – 1 – Holanda - 0

Num jogo épico, eliminámos a Holanda e cumprimos o objectivo a que Scolari se propôs desde o início: chegar aos quartos-de-final do Campeonato do Mundo. Foi um jogo de grande sofrimento, mais por nossa culpa do que por qualquer outro motivo, mesmo apesar de o árbitro russo (Valentin Ivanov) não ter sabido ter mão na partida, que foi a mais indisciplinada da história dos Mundiais (16 amarelos e quatro vermelhos)!

Entrámos mal no jogo, os holandeses fizeram os primeiros remates com perigo, mas na nossa primeira jogada de ataque marcámos o que viria a ser o golo da vitória, aliás, um golão do Maniche, que continua na senda da transcendência cada vez que joga pela selecção. Quando tínhamos o jogo mais ou menos controlado fizemos o primeiro harakiri pelo Costinha (já lá vamos…), que levou o segundo amarelo antes do intervalo. A 2ª parte foi de grande sofrimento, com a Holanda a entrar em força, a atirar uma bola à barra e a permitir ao Ricardo fazer um par de boas defesas, mas pouco depois do quarto-de-hora um defesa holandês dá uma cotovelada ao Figo e também é expulso. As coisas voltaram a estar equilibradas, mas dois amarelos ao Deco em cinco minutos iam deitando tudo a perder novamente a cerca de 10 minutos do fim. Felizmente, soubemos não só defender bem o resultado, mas também criar algumas boas oportunidades para matar o jogo e acabámos por nos qualificar com bastante mérito.

Há que destacar em primeiro lugar a coesão da equipa e o grande espírito de entreajuda, especialmente durante a altura em que estivemos em inferioridade numérica. Em termos individuais, o Maniche foi dos melhores, porque não só marcou um golão como soube gerir muito bem o amarelo que tinha e não fez nenhuma falta depois de o ter visto, ao contrário de outros… O Simão entrou muitíssimo bem para o lugar do Cristiano Ronaldo, vítima de uma agressão logo aos sete minutos que o árbitro transformou em amarelo. O Petit também foi importantíssimo na 2ª parte para estancar a avalanche holandesa. O Figo mostrou mais uma vez a sua classe, ao reter a bola em momentos importantes do jogo. O Miguel secou o Robben e isto diz tudo. O Ricardo Carvalho esteve irrepreensível e até o Meira não se portou nada mal. O Nuno Valente esteve um bocado às aranhas com o Van Persie. O Pauleta teve uma participação muito importante no golo e poderia ter marcado o segundo pouco antes do intervalo, mas o Van der Sar defendeu in extremis com os pés. Graças ao Costinha, teve de ser substituído ao intervalo para entrar o Petit.

Ao intervalo estava tão furioso e pouco crente que conseguíssemos segurar a vantagem somente com 10 jogadores, que tinha já um título (inédito) para este post: “Vai à m****, Costinha!”. É INADMISSÍVEL que um jogador ainda por cima com a experiência que ele tem seja expulso por cortar a bola com a mão no meio-campo (!), depois de já ter visto um amarelo e lhe ter sido perdoado outro! Como é que é possível que seja tão ATRASADO MENTAL e ponha em causa o trabalho de dois anos inteiros com uma atitude daquelas? É pior do que o João Pinto contra a Coreia, porque o soco no árbitro só surgiu depois de ele ter visto o vermelho. Espero bem que o Costinha NUNCA MAIS vista a camisola da selecção, porque um tal comportamento não pode ter perdão. Uma coisa é uma atitude irreflectida no calor de uma disputa de bola, outra é ser ACÉFALO numa bola a meio-campo e prejudicar a equipa toda. Ainda por cima, o Petit está em excelente forma, pelo que espero que o Costinha esteja já no avião de regresso a Portugal.

Por outro lado, a expulsão do Deco é um pouco exagerada, mas convém não esquecer que já o primeiro amarelo deveria ter sido vermelho. O Deco atira-se contra as pernas do holandês depois de este, numa atitude à lá clube regional, não nos ter devolvido a bola, na sequência de uma bola ao solo. O holandês provavelmente lembrou-se do jogo entre o clube regional e o PSG há dois anos para a Liga dos Campeões, em que através do Maniche e Postiga o clube regional fez o mesmo, como é seu apanágio. Infelizmente para nós, neste lance o país foi confundido com esse clube (cujo presidente deve andar tristíssimo com estas vitórias da selecção do Scolari e sem o Baía e o Quaresma…)

Agora vêm aí os ingleses e temos pelo menos duas grandes dores de cabeça: o Deco não vai jogar e o Cristiano Ronaldo saiu magoado. Espero que ele recupere e que o Scolari mantenha o Simão na equipa, deslocando o Figo para o lugar do Deco, porque depois de uma exibição destas seria uma injustiça o Simão voltar ao banco. A Inglaterra fez um jogo muito mau frente ao Equador e só ganhou através de um livre do Beckham resultante de uma falta inexistente. Acho que temos equipa para eles, assim a sorte nos proteja como protegeu hoje e nós não tornemos o jogo ainda mais complicado do que ele já é. Como não joga o Costinha, isto não deve ser difícil…

quinta-feira, junho 22, 2006

Portugal – 2 – México – 1

Mesmo apesar de termos actuado sem cinco titulares, vencemos e cumprimos a nossa obrigação, terminando em 1º lugar do grupo. Entrámos muitíssimo bem no jogo e marcámos dois golos muito rapidamente, mas depois voltámos a “controlar o jogo” e só não empatámos porque o México falhou um penalty. Globalmente a actuação foi positiva, porque conseguimos os nossos intentos, mas a 2ª parte foi bastante fraca.

Achei inacreditável que a FIFA não tenha escolhido um jogador nosso como man of the match, que para mim foi indubitavelmente o Simão. Fez uma óptima assistência para o 1º golo do Maniche e marcou o 2º de penalty. Na 2ª parte foi através das suas assistências que voltámos a criar oportunidades de golo na parte final, já depois de estarmos a jogar contra 10. Outro jogador em destaque foi o Maniche, que continua a transcender-se quando joga pela selecção, em contraste com o Tiago que esteve mais uma vez muito discreto. Na defesa passámos alguns sustos e a solidez que patenteámos no Euro 2004 está morta e enterrada. O Meira é um susto quase permanente, o Ricardo Carvalho está em pior forma que há dois anos, o Caneira mostrou porque é que o Nuno Valente é titular e até o Miguel esteve abaixo do habitual, para além de ter cometido o penalty. No meio-campo, o Petit esteve regular e o Figo, apesar de menos em evidência que nos jogos anteriores, também não sabe jogar mal. O Postiga foi inexistente e espero que o Scolari tenha ficado convencido de quem deve ser a opção ao Pauleta. O Nuno Gomes fez mais em 20 minutos que o Postiga em 70!

Vem aí a Holanda, com o Robben e companhia. Teoricamente é mais acessível que a Argentina (assim como qualquer outra selecção deste Mundial em comparação com os alvi-celeste), mas vamos passar um mau bocado. E com a defesa a não dar a segurança que devia, vai ser difícil não sofrermos golos. Mas mesmo assim temos hipóteses de passar, o que espero bem que aconteça. Se porventura isso não acontecer, não considero que tenhamos feito um mau Mundial.


P.S. – Porque é que não houve nenhum jornalista a perguntar ao presidente do clube regional, quando ele disse que o Deco sozinho ganharia à Angola e Irão, se ele achava que o Deco sozinho também ganharia ao Artmedia?!

domingo, junho 18, 2006

Portugal – 2 – Irão – 0

Com este resultado estaremos nos oitavos-de-final de um Mundial 40 anos (!) depois. A exibição foi muito melhor do que no jogo frente a Angola e a entrada do Deco deverá ter contribuído para isso, apesar de ele não ter feito uma partida tão boa quanto a generalidade da imprensa diz. Teve um bom remate na 1ª parte e marcou um golão, mas pareceu-me ainda algo lento o que acabou por ser normal dado ter vindo de uma lesão. A equipa jogou com mais velocidade e mesmo depois do golo, tentou marcar o segundo com mais denodo do que no outro jogo. Defensivamente estivemos bem, não deixando o Irão criar grandes oportunidades de golo.

Para a melhoria exibicional da equipa contribuiu igualmente a subida de forma do Cristiano Ronaldo, que deixou de fazer rodriguinhos cada vez que tocava na bola, e a maior solidez no meio-campo. Tenho que reconhecer que o Costinha, apesar de ser uma nulidade em termos de ataque, e o Maniche foram mais eficazes que o Petit e o Tiago frente a Angola. O Figo, dentro da sua bitola sempre elevada, não sobressaiu tanto e o Pauleta praticamente não se viu. O Miguel também melhorou, mas continua com as mesmas pechas que tinha no Benfica: a maior parte dos lançamentos laterais vão para os adversários e o remate à baliza continua péssimo. A equipa está a crescer e mostra-se mais confiante, mas temos um grande problema na zona central chamado Fernando Meira. As duas falhas que teve proporcionaram dois remates ao Irão que, se fossem feitos pelo Van Nistelrooij ou o Crespo, dariam certamente golo. O Ricardo também teve uma saída em falso que poderia ter sido perigosa frente a uma selecção mais credenciada.

Agora vem aí a Argentina ou a Holanda. Não poderemos escolher o adversário, já que eles jogarão depois de nós, mas mesmo assim acho que prefiro a Holanda. Os 6-0 e principalmente a exibição dos argentinos frente à Sérvia-Montenegro impuseram respeito. E sobre uma selecção que se dá ao luxo de deixar no banco o Tevez e o Messi está tudo dito. Quanto à Holanda, o Robben e o Van Persie são muito perigosos, mas passaram um mau bocado frente à Costa do Marfim.

Há outra boa razão para ser preferível ficarmos em primeiro que é o facto de assim jogarmos no domingo em vez de ser no sábado. Para tal, bastará não perder com o México, mas acho que o Scolari deverá poupar pelo menos os jogadores que já tenham amarelo. Tivemos a sorte de estar no grupo mais fácil do Mundial, mas agora é que as coisas vão começar a doer. Teremos estaleca para as aguentar?

segunda-feira, junho 12, 2006

Portugal – 1 – Angola – 0

Nas duas últimas grandes competições perdemos o 1º jogo, pelo que a última vez que nos estreámos com uma vitória foi já há seis anos (no épico Portugal-Inglaterra do Euro 2000). Quero acreditar que foi por causa do nervosismo desta situação que o jogo de ontem foi tão mau. Claro que o mais importante era ganharmos, mas se compararmos a nossa exibição com a da Alemanha, Argentina ou Holanda verificamos que estivemos a anos-luz delas. Ainda por cima, defrontámos provavelmente a selecção mais fraca do Mundial.

A falta do Deco foi bastante notada, apesar de o Figo ter sido dos melhores jogadores em campo. O Scolari surpreendeu ao jogar com o Petit e o Tiago a meio-campo (tal e qual eu faria), mas apesar de melhor início ser impossível, com o golo do Pauleta logo aos quatro minutos, incompreensivelmente baixámos a velocidade pouco depois e começámos na ronha ainda na 1ª parte! Nunca hei-de perceber esta táctica de “controlar o jogo” com um só golo de vantagem. Estamos sempre dependentes da sorte, porque um lance fortuito é sempre passível de acontecer. Mas, enfim, Angola revelou-se sempre muito ingénua no ataque e só fez um remate com perigo ainda na 1ª parte. Atacámos sempre muito lentamente e só pela certa, quando foi perceptível que com um pouco mais de velocidade teríamos aumentado facilmente o marcador. Aliás, não deixa de ser significativo que este tenha sido o 1º jogo do Mundial em que se ouviram assobios da bancada perante o futebol exibido.

Individualmente para além do Figo, também o Pauleta esteve muito bem, batalhador e com dois remates que passaram a rasar o poste. A defesa não teve grande trabalho, mas o Meira não me convence (aqueles alívios para a bancada com companheiros colocados para receber a bola, não lembra o Diabo!). No meio-campo o Petit esteve no nível habitual, mas o Tiago só subiu de produção na 2ª parte. O Simão deve ter sido dos jogadores que mais correram, mas as coisas não lhe saíram muito bem. No entanto, sempre esteve melhor que o Cristiano Ronaldo que, quando se aperceber que está num campeonato do mundo e não num circo qualquer (incrível a forma como não intervinha em nenhum lance sem o adornar), certamente se tornará mais útil (isto mesmo apesar de ter atirado uma bola ao poste e feito um bom remate).

P.S. – É difícil lutar contra certas coisas. Dei por mim a empolgar-me cada vez que o Mantorras pegava na bola e tentava fazer qualquer coisa no ataque...

sexta-feira, junho 09, 2006

Febre

O mês de sonho para quem gosta de futebol começou hoje. 64 jogos em 30 dias vão servir para nos entreter sobremaneira. Faço tenções de ver o maior número possível de partidas e há alguns jogos já nesta 1ª fase que prometem ser imperdíveis (Holanda-Argentina, Suécia-Inglaterra e Itália-Rep. Checa, por exemplo). Espero sinceramente que Portugal faça um bom Mundial, mas é claro que o meu entusiasmo nunca é tão grande como com o Glorioso. Os serviços mínimos são passar à 2ª fase e aí, presumivelmente contra Argentina ou Holanda, é que se vai ver se nós temos estaleca ou não. Ainda no campo das suposições, se ficarmos em 1º lugar no grupo estaremos condenados a apanhar o Brasil nas meias-finais e contra ele não temos hipóteses. No entanto, nem acredito que cheguemos tão longe. Aqui fica o meu palpite para os quatro primeiros classificados, o que não quer dizer que deseje que o campeonato acabe assim: 1º Brasil, 2º Argentina, 3º Inglaterra, 4º França. A Rep. Checa pode ser uma surpresa (fez um óptimo Euro 2004) e a Itália também me parece forte. Em relação a Portugal, se a nossa selecção chegar aos quartos-de-final acho que terá feito um campeonato positivo.

Continuo sem perceber a insistência do Scolari no Costinha. Não jogou durante a época toda e prepara-se para ser titular frente a Angola. Ao invés, o Tiago que fez uma temporada bestial no Lyon vai para o banco e prevê-se que o Scolari jogue com dois trincos (!), Costinha e Petit. Se fosse eu, jogaria de caras com o Petit e Tiago, que são quem neste momento pode dar mais dinamismo ao nosso meio-campo. Por outro lado, colocaria o Cristiano Ronaldo no banco, porque duas agressões em dois jogos particulares seguidos deveriam ser castigadas pelo seleccionador. Corremos o risco de ele voltar a fazer o mesmo frente aos angolanos. Ainda por cima, o Simão marcou dois golos frente ao Luxemburgo e apresenta-se em boa forma. Mas ao menos o Scolari vai colocar o Miguel em vez do Paulo Ferreira, pelo que nem tudo é mau.

P.S. – Quanto ao Glorioso, confirmou-se a saída do Geovanni. Logo agora que temos alguém no meio-campo que sabe lançar em profundidade os avançados com passes de 30 a 40 metros é que despachamos o jogador mais veloz do plantel. Além disso, não estou a ver neste momento ninguém para o substituir convenientemente. Mais um campeão que se vai embora. Incompreensível!

segunda-feira, junho 05, 2006

Grandeza

Muitos dizem que a verdadeira dimensão do Glorioso só se vê fora do país. Já se sabe que quando temos uma grande vitória, os jornais desportivos invariavelmente aumentam as tiragens do dia seguinte, mas por experiência própria não posso estar mais de acordo com aqueles que dizem que é no estrangeiro que nos apercebemos da real grandeza do nosso clube. Este ano tivemos uma excelente amostra nas diversas deslocações que fizemos para a Champions. Ouviu-se a nossa voz em todos os estádios em que jogámos e o stock de bilhetes que nos cabia esgotou sempre.

No entanto, para mim a maior prova de quão grande e conhecido é o Benfica não aconteceu em nenhum estádio. Por motivos profissionais, estive nos EUA durante dois anos. Foi numa pequena cidade do interior de apenas 60.000 habitantes, em pleno Midwest, a pouco mais de 300km de Chicago e na qual eu era o único português. Comprado um carro em 2ª mão, havia a possibilidade de personalizar a matrícula por $25 USD. E “como em Roma sê romano”, não hesitei. A escolha foi a óbvia, conforme podem ver.


(clicar nas imagens para aumentar)

Para além disso havia que personalizar igualmente o interior do carro, tarefa que foi tratada numa posterior vinda a Portugal. Um galhardete (pouco perceptível na foto, mas está lá) e um autocolante “Benfiquista a Bordo” para o vidro traseiro cumpriram a função. Um belo dia, estaciono o carro numa loja de conveniência, à porta da qual estava um homem de aspecto latino entre os 30 e 40 anos. Ao ver o galhardete no vídeo dianteiro, exclama com pronúncia mexicana: “Benfica, Benfica, Eusébio, Eusébio!” E isto foi em 2000, numa altura em que infelizmente andávamos arredados dos grandes palcos internacionais e a passar a mais grave crise da nossa história. Até no meio de nenhures, numa região onde praticamente só se produz milho e a quase 7.000km de Lisboa, o Glorioso é conhecido!