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segunda-feira, junho 26, 2006

Portugal – 1 – Holanda - 0

Num jogo épico, eliminámos a Holanda e cumprimos o objectivo a que Scolari se propôs desde o início: chegar aos quartos-de-final do Campeonato do Mundo. Foi um jogo de grande sofrimento, mais por nossa culpa do que por qualquer outro motivo, mesmo apesar de o árbitro russo (Valentin Ivanov) não ter sabido ter mão na partida, que foi a mais indisciplinada da história dos Mundiais (16 amarelos e quatro vermelhos)!

Entrámos mal no jogo, os holandeses fizeram os primeiros remates com perigo, mas na nossa primeira jogada de ataque marcámos o que viria a ser o golo da vitória, aliás, um golão do Maniche, que continua na senda da transcendência cada vez que joga pela selecção. Quando tínhamos o jogo mais ou menos controlado fizemos o primeiro harakiri pelo Costinha (já lá vamos…), que levou o segundo amarelo antes do intervalo. A 2ª parte foi de grande sofrimento, com a Holanda a entrar em força, a atirar uma bola à barra e a permitir ao Ricardo fazer um par de boas defesas, mas pouco depois do quarto-de-hora um defesa holandês dá uma cotovelada ao Figo e também é expulso. As coisas voltaram a estar equilibradas, mas dois amarelos ao Deco em cinco minutos iam deitando tudo a perder novamente a cerca de 10 minutos do fim. Felizmente, soubemos não só defender bem o resultado, mas também criar algumas boas oportunidades para matar o jogo e acabámos por nos qualificar com bastante mérito.

Há que destacar em primeiro lugar a coesão da equipa e o grande espírito de entreajuda, especialmente durante a altura em que estivemos em inferioridade numérica. Em termos individuais, o Maniche foi dos melhores, porque não só marcou um golão como soube gerir muito bem o amarelo que tinha e não fez nenhuma falta depois de o ter visto, ao contrário de outros… O Simão entrou muitíssimo bem para o lugar do Cristiano Ronaldo, vítima de uma agressão logo aos sete minutos que o árbitro transformou em amarelo. O Petit também foi importantíssimo na 2ª parte para estancar a avalanche holandesa. O Figo mostrou mais uma vez a sua classe, ao reter a bola em momentos importantes do jogo. O Miguel secou o Robben e isto diz tudo. O Ricardo Carvalho esteve irrepreensível e até o Meira não se portou nada mal. O Nuno Valente esteve um bocado às aranhas com o Van Persie. O Pauleta teve uma participação muito importante no golo e poderia ter marcado o segundo pouco antes do intervalo, mas o Van der Sar defendeu in extremis com os pés. Graças ao Costinha, teve de ser substituído ao intervalo para entrar o Petit.

Ao intervalo estava tão furioso e pouco crente que conseguíssemos segurar a vantagem somente com 10 jogadores, que tinha já um título (inédito) para este post: “Vai à m****, Costinha!”. É INADMISSÍVEL que um jogador ainda por cima com a experiência que ele tem seja expulso por cortar a bola com a mão no meio-campo (!), depois de já ter visto um amarelo e lhe ter sido perdoado outro! Como é que é possível que seja tão ATRASADO MENTAL e ponha em causa o trabalho de dois anos inteiros com uma atitude daquelas? É pior do que o João Pinto contra a Coreia, porque o soco no árbitro só surgiu depois de ele ter visto o vermelho. Espero bem que o Costinha NUNCA MAIS vista a camisola da selecção, porque um tal comportamento não pode ter perdão. Uma coisa é uma atitude irreflectida no calor de uma disputa de bola, outra é ser ACÉFALO numa bola a meio-campo e prejudicar a equipa toda. Ainda por cima, o Petit está em excelente forma, pelo que espero que o Costinha esteja já no avião de regresso a Portugal.

Por outro lado, a expulsão do Deco é um pouco exagerada, mas convém não esquecer que já o primeiro amarelo deveria ter sido vermelho. O Deco atira-se contra as pernas do holandês depois de este, numa atitude à lá clube regional, não nos ter devolvido a bola, na sequência de uma bola ao solo. O holandês provavelmente lembrou-se do jogo entre o clube regional e o PSG há dois anos para a Liga dos Campeões, em que através do Maniche e Postiga o clube regional fez o mesmo, como é seu apanágio. Infelizmente para nós, neste lance o país foi confundido com esse clube (cujo presidente deve andar tristíssimo com estas vitórias da selecção do Scolari e sem o Baía e o Quaresma…)

Agora vêm aí os ingleses e temos pelo menos duas grandes dores de cabeça: o Deco não vai jogar e o Cristiano Ronaldo saiu magoado. Espero que ele recupere e que o Scolari mantenha o Simão na equipa, deslocando o Figo para o lugar do Deco, porque depois de uma exibição destas seria uma injustiça o Simão voltar ao banco. A Inglaterra fez um jogo muito mau frente ao Equador e só ganhou através de um livre do Beckham resultante de uma falta inexistente. Acho que temos equipa para eles, assim a sorte nos proteja como protegeu hoje e nós não tornemos o jogo ainda mais complicado do que ele já é. Como não joga o Costinha, isto não deve ser difícil…

quinta-feira, junho 22, 2006

Portugal – 2 – México – 1

Mesmo apesar de termos actuado sem cinco titulares, vencemos e cumprimos a nossa obrigação, terminando em 1º lugar do grupo. Entrámos muitíssimo bem no jogo e marcámos dois golos muito rapidamente, mas depois voltámos a “controlar o jogo” e só não empatámos porque o México falhou um penalty. Globalmente a actuação foi positiva, porque conseguimos os nossos intentos, mas a 2ª parte foi bastante fraca.

Achei inacreditável que a FIFA não tenha escolhido um jogador nosso como man of the match, que para mim foi indubitavelmente o Simão. Fez uma óptima assistência para o 1º golo do Maniche e marcou o 2º de penalty. Na 2ª parte foi através das suas assistências que voltámos a criar oportunidades de golo na parte final, já depois de estarmos a jogar contra 10. Outro jogador em destaque foi o Maniche, que continua a transcender-se quando joga pela selecção, em contraste com o Tiago que esteve mais uma vez muito discreto. Na defesa passámos alguns sustos e a solidez que patenteámos no Euro 2004 está morta e enterrada. O Meira é um susto quase permanente, o Ricardo Carvalho está em pior forma que há dois anos, o Caneira mostrou porque é que o Nuno Valente é titular e até o Miguel esteve abaixo do habitual, para além de ter cometido o penalty. No meio-campo, o Petit esteve regular e o Figo, apesar de menos em evidência que nos jogos anteriores, também não sabe jogar mal. O Postiga foi inexistente e espero que o Scolari tenha ficado convencido de quem deve ser a opção ao Pauleta. O Nuno Gomes fez mais em 20 minutos que o Postiga em 70!

Vem aí a Holanda, com o Robben e companhia. Teoricamente é mais acessível que a Argentina (assim como qualquer outra selecção deste Mundial em comparação com os alvi-celeste), mas vamos passar um mau bocado. E com a defesa a não dar a segurança que devia, vai ser difícil não sofrermos golos. Mas mesmo assim temos hipóteses de passar, o que espero bem que aconteça. Se porventura isso não acontecer, não considero que tenhamos feito um mau Mundial.


P.S. – Porque é que não houve nenhum jornalista a perguntar ao presidente do clube regional, quando ele disse que o Deco sozinho ganharia à Angola e Irão, se ele achava que o Deco sozinho também ganharia ao Artmedia?!

domingo, junho 18, 2006

Portugal – 2 – Irão – 0

Com este resultado estaremos nos oitavos-de-final de um Mundial 40 anos (!) depois. A exibição foi muito melhor do que no jogo frente a Angola e a entrada do Deco deverá ter contribuído para isso, apesar de ele não ter feito uma partida tão boa quanto a generalidade da imprensa diz. Teve um bom remate na 1ª parte e marcou um golão, mas pareceu-me ainda algo lento o que acabou por ser normal dado ter vindo de uma lesão. A equipa jogou com mais velocidade e mesmo depois do golo, tentou marcar o segundo com mais denodo do que no outro jogo. Defensivamente estivemos bem, não deixando o Irão criar grandes oportunidades de golo.

Para a melhoria exibicional da equipa contribuiu igualmente a subida de forma do Cristiano Ronaldo, que deixou de fazer rodriguinhos cada vez que tocava na bola, e a maior solidez no meio-campo. Tenho que reconhecer que o Costinha, apesar de ser uma nulidade em termos de ataque, e o Maniche foram mais eficazes que o Petit e o Tiago frente a Angola. O Figo, dentro da sua bitola sempre elevada, não sobressaiu tanto e o Pauleta praticamente não se viu. O Miguel também melhorou, mas continua com as mesmas pechas que tinha no Benfica: a maior parte dos lançamentos laterais vão para os adversários e o remate à baliza continua péssimo. A equipa está a crescer e mostra-se mais confiante, mas temos um grande problema na zona central chamado Fernando Meira. As duas falhas que teve proporcionaram dois remates ao Irão que, se fossem feitos pelo Van Nistelrooij ou o Crespo, dariam certamente golo. O Ricardo também teve uma saída em falso que poderia ter sido perigosa frente a uma selecção mais credenciada.

Agora vem aí a Argentina ou a Holanda. Não poderemos escolher o adversário, já que eles jogarão depois de nós, mas mesmo assim acho que prefiro a Holanda. Os 6-0 e principalmente a exibição dos argentinos frente à Sérvia-Montenegro impuseram respeito. E sobre uma selecção que se dá ao luxo de deixar no banco o Tevez e o Messi está tudo dito. Quanto à Holanda, o Robben e o Van Persie são muito perigosos, mas passaram um mau bocado frente à Costa do Marfim.

Há outra boa razão para ser preferível ficarmos em primeiro que é o facto de assim jogarmos no domingo em vez de ser no sábado. Para tal, bastará não perder com o México, mas acho que o Scolari deverá poupar pelo menos os jogadores que já tenham amarelo. Tivemos a sorte de estar no grupo mais fácil do Mundial, mas agora é que as coisas vão começar a doer. Teremos estaleca para as aguentar?

segunda-feira, junho 12, 2006

Portugal – 1 – Angola – 0

Nas duas últimas grandes competições perdemos o 1º jogo, pelo que a última vez que nos estreámos com uma vitória foi já há seis anos (no épico Portugal-Inglaterra do Euro 2000). Quero acreditar que foi por causa do nervosismo desta situação que o jogo de ontem foi tão mau. Claro que o mais importante era ganharmos, mas se compararmos a nossa exibição com a da Alemanha, Argentina ou Holanda verificamos que estivemos a anos-luz delas. Ainda por cima, defrontámos provavelmente a selecção mais fraca do Mundial.

A falta do Deco foi bastante notada, apesar de o Figo ter sido dos melhores jogadores em campo. O Scolari surpreendeu ao jogar com o Petit e o Tiago a meio-campo (tal e qual eu faria), mas apesar de melhor início ser impossível, com o golo do Pauleta logo aos quatro minutos, incompreensivelmente baixámos a velocidade pouco depois e começámos na ronha ainda na 1ª parte! Nunca hei-de perceber esta táctica de “controlar o jogo” com um só golo de vantagem. Estamos sempre dependentes da sorte, porque um lance fortuito é sempre passível de acontecer. Mas, enfim, Angola revelou-se sempre muito ingénua no ataque e só fez um remate com perigo ainda na 1ª parte. Atacámos sempre muito lentamente e só pela certa, quando foi perceptível que com um pouco mais de velocidade teríamos aumentado facilmente o marcador. Aliás, não deixa de ser significativo que este tenha sido o 1º jogo do Mundial em que se ouviram assobios da bancada perante o futebol exibido.

Individualmente para além do Figo, também o Pauleta esteve muito bem, batalhador e com dois remates que passaram a rasar o poste. A defesa não teve grande trabalho, mas o Meira não me convence (aqueles alívios para a bancada com companheiros colocados para receber a bola, não lembra o Diabo!). No meio-campo o Petit esteve no nível habitual, mas o Tiago só subiu de produção na 2ª parte. O Simão deve ter sido dos jogadores que mais correram, mas as coisas não lhe saíram muito bem. No entanto, sempre esteve melhor que o Cristiano Ronaldo que, quando se aperceber que está num campeonato do mundo e não num circo qualquer (incrível a forma como não intervinha em nenhum lance sem o adornar), certamente se tornará mais útil (isto mesmo apesar de ter atirado uma bola ao poste e feito um bom remate).

P.S. – É difícil lutar contra certas coisas. Dei por mim a empolgar-me cada vez que o Mantorras pegava na bola e tentava fazer qualquer coisa no ataque...

sexta-feira, junho 09, 2006

Febre

O mês de sonho para quem gosta de futebol começou hoje. 64 jogos em 30 dias vão servir para nos entreter sobremaneira. Faço tenções de ver o maior número possível de partidas e há alguns jogos já nesta 1ª fase que prometem ser imperdíveis (Holanda-Argentina, Suécia-Inglaterra e Itália-Rep. Checa, por exemplo). Espero sinceramente que Portugal faça um bom Mundial, mas é claro que o meu entusiasmo nunca é tão grande como com o Glorioso. Os serviços mínimos são passar à 2ª fase e aí, presumivelmente contra Argentina ou Holanda, é que se vai ver se nós temos estaleca ou não. Ainda no campo das suposições, se ficarmos em 1º lugar no grupo estaremos condenados a apanhar o Brasil nas meias-finais e contra ele não temos hipóteses. No entanto, nem acredito que cheguemos tão longe. Aqui fica o meu palpite para os quatro primeiros classificados, o que não quer dizer que deseje que o campeonato acabe assim: 1º Brasil, 2º Argentina, 3º Inglaterra, 4º França. A Rep. Checa pode ser uma surpresa (fez um óptimo Euro 2004) e a Itália também me parece forte. Em relação a Portugal, se a nossa selecção chegar aos quartos-de-final acho que terá feito um campeonato positivo.

Continuo sem perceber a insistência do Scolari no Costinha. Não jogou durante a época toda e prepara-se para ser titular frente a Angola. Ao invés, o Tiago que fez uma temporada bestial no Lyon vai para o banco e prevê-se que o Scolari jogue com dois trincos (!), Costinha e Petit. Se fosse eu, jogaria de caras com o Petit e Tiago, que são quem neste momento pode dar mais dinamismo ao nosso meio-campo. Por outro lado, colocaria o Cristiano Ronaldo no banco, porque duas agressões em dois jogos particulares seguidos deveriam ser castigadas pelo seleccionador. Corremos o risco de ele voltar a fazer o mesmo frente aos angolanos. Ainda por cima, o Simão marcou dois golos frente ao Luxemburgo e apresenta-se em boa forma. Mas ao menos o Scolari vai colocar o Miguel em vez do Paulo Ferreira, pelo que nem tudo é mau.

P.S. – Quanto ao Glorioso, confirmou-se a saída do Geovanni. Logo agora que temos alguém no meio-campo que sabe lançar em profundidade os avançados com passes de 30 a 40 metros é que despachamos o jogador mais veloz do plantel. Além disso, não estou a ver neste momento ninguém para o substituir convenientemente. Mais um campeão que se vai embora. Incompreensível!

segunda-feira, junho 05, 2006

Grandeza

Muitos dizem que a verdadeira dimensão do Glorioso só se vê fora do país. Já se sabe que quando temos uma grande vitória, os jornais desportivos invariavelmente aumentam as tiragens do dia seguinte, mas por experiência própria não posso estar mais de acordo com aqueles que dizem que é no estrangeiro que nos apercebemos da real grandeza do nosso clube. Este ano tivemos uma excelente amostra nas diversas deslocações que fizemos para a Champions. Ouviu-se a nossa voz em todos os estádios em que jogámos e o stock de bilhetes que nos cabia esgotou sempre.

No entanto, para mim a maior prova de quão grande e conhecido é o Benfica não aconteceu em nenhum estádio. Por motivos profissionais, estive nos EUA durante dois anos. Foi numa pequena cidade do interior de apenas 60.000 habitantes, em pleno Midwest, a pouco mais de 300km de Chicago e na qual eu era o único português. Comprado um carro em 2ª mão, havia a possibilidade de personalizar a matrícula por $25 USD. E “como em Roma sê romano”, não hesitei. A escolha foi a óbvia, conforme podem ver.


(clicar nas imagens para aumentar)

Para além disso havia que personalizar igualmente o interior do carro, tarefa que foi tratada numa posterior vinda a Portugal. Um galhardete (pouco perceptível na foto, mas está lá) e um autocolante “Benfiquista a Bordo” para o vidro traseiro cumpriram a função. Um belo dia, estaciono o carro numa loja de conveniência, à porta da qual estava um homem de aspecto latino entre os 30 e 40 anos. Ao ver o galhardete no vídeo dianteiro, exclama com pronúncia mexicana: “Benfica, Benfica, Eusébio, Eusébio!” E isto foi em 2000, numa altura em que infelizmente andávamos arredados dos grandes palcos internacionais e a passar a mais grave crise da nossa história. Até no meio de nenhures, numa região onde praticamente só se produz milho e a quase 7.000km de Lisboa, o Glorioso é conhecido!

segunda-feira, maio 29, 2006

Relembrar III - Perfume

Recordando lances mais agradáveis, e como forma de prosseguir as comemorações oficiais do regresso do maestro ao Glorioso, eis um pequeno exemplo do que poderemos ver para o próximo ano. Certamente o Rui Costa já não terá capacidade para fintar em corrida meia equipa contrária, mas uma jogada destas ainda é bem possível de acontecer. Foi, se não estou em erro, o único hat-trick dele com a camisola do Benfica e aconteceu na época 92/93 frente ao Espinho, num jogo em que goleámos por 5-1 (os outros dois golos foram do Paneira, de penalty, e do Futre, que aqui se estreou a marcar com a nossa camisola). Foi a partir deste jogo da 23ª jornada que o Rui Costa se afirmou definitivamente como titular do Benfica, estatuto que não mais perdeu até se transferir para a Fiorentina no final da época seguinte. Deliciem-se!

quinta-feira, maio 25, 2006

10

Estes últimos dias foram de uma ansiedade quase incontrolável perante a perspectiva do regresso do verdadeiro dono do nº da camisola que ficou orfão há 12 anos. Propositadamente não fiz nenhum post sobre este assunto até agora, porque há quase dois anos escrevi isto e o regresso não se consumou. Não valia a pena estar a desafiar as superstições… Neste dia, há precisamente 18 anos, o Veloso falhou uma grande penalidade que nos poderia ter dado a Taça dos Campeões Europeus, mas o 25 de Maio foi hoje resgatado da sua má sina pela vinda do Rui Costa para o nosso glorioso clube.

É difícil descrever tudo o que me vai na alma neste momento. Dizer que é o concretizar de um sonho é um pouco redutor. O Rui Costa representa aquilo que todos nós gostávamos de ser, mas infelizmente não temos jeito para tal. Quando ele entra em campo, é como se nós entrássemos com ele, porque quem está a suar aquela bela camisola é um adepto igualzinho a todos nós, mas com a pequena diferença da sua enorme classe a jogar futebol. Por nos sentirmos projectados nele é que há uma grande cumplicidade entre os adeptos do Benfica e o Rui Costa. Apesar de todo o “profissionalismo” que um jogador deve ter nos dias de hoje, o Rui é provavelmente o último jogador à antiga, daqueles que (ainda) joga por amor à camisola. Um pequeno, mas elucidativo exemplo: assinou pelo Benfica em branco! Só depois é que soube quanto ia ganhar! Quantos de nós não fariam o mesmo? Podem dizer que ele já ganhou muito dinheiro na sua carreira, mas quantos não o ganharam também e mesmo assim não abdicaram de um determinado salário até pendurarem as botas? Assinar em branco? Incrível!

Não se deve depreender destas minhas palavras que eu acho que o profissionalismo do Rui não é relevante. Tanto o é, quanto a sua trajectória o demonstra. Quantos “10” de classe mundial reagiriam como ele reagiu à chegada do Kaká a Milão? Não só não se lhe ouviram nenhumas palavras amargas, como o próprio Kaká sempre disse que ele foi dos jogadores que mais apoio lhe deram. Mas uma coisa é profissionalismo e outra é sentir a camisola. O brilho nos olhos dele no momento da conferência de imprensa e, principalmente, da sua subida ao relvado não enganou. Quem ali estava era um benfiquista e não apenas um “profissional” de futebol.

A magia, a classe, a fineza, a simplicidade de processos e a fluidez de jogo voltaram! A bola vai ter olhos novamente e nós vamos ter o privilégio de testemunhar isto ao vivo durante (pelo menos) uma época inteira. Deliciemo-nos com passes bem feitos, remates colocados, corridas sempre sem olhar para a bola, mas sim para qual o colega que está desmarcado, o tornar o difícil fácil e, acima de tudo, o tsunami de inteligência que vai emanar daqueles pés. Ninguém está à espera que o Rui faça 10 golos e 20 assistências durante a época, nem que sequer esteja sempre os 90 minutos em campo. Também não acho que ele vá ser a panaceia para todos os nossos males ou que vamos ganhar tudo pelo simples facto de ele vestir as nossas cores. Mas basta que o Rui seja igual a ele próprio para que o sublime esteja sempre presente nos nossos jogos. E o sublime, meus caros, tem sempre que ser um apelido do GLORIOSO SPORT LISBOA E BENFICA!

Por tudo isto, não podia faltar a este momento histórico. Muito bem acompanhado por este, este e este grandes benfiquistas, vou poder dizer aos meus netos: eu estava presente quando o Rui voltou a casa!



P.S. – Aqueles que acham que o Rui não presta porque já tem 34 anos são provavelmente os mesmo que recusariam a Mona Lisa por ser um quadro velho, pintado há mais de 500 anos, ou que acham que o Sunrise não é uma obra-prima por ser mudo e a preto-e-branco…

sábado, maio 20, 2006

Fernando Santos

O Benfica anunciou hoje o nome do novo treinador e mais valia que não o tivesse feito. Depois de se falar em técnicos que muitas saudades deixaram entre nós como o Eriksson ou o Camacho, vir o Fernando Santos é um balde de água fria. Eu até o considero um bom treinador, simplesmente não acho que tenha estofo para aguentar o barco se as coisas começarem a correr mal. Benefício da dúvida não vai ter, porque como é português toda a gente já sabe do que ele é (ou não) capaz. Ou muito me engano ou poderemos ter aqui um “Jesualdo no Benfica parte II”. Estou desiludido com esta escolha, mas tal como no caso do Trapattoni espero enganar-me no futuro.

Ele ser benfiquista desde pequenino está longe de ser uma mais-valia (também o Toni o é e viu-se como os sócios o tratavam; apesar disso, o seu último despedimento foi um erro histórico da direcção anterior). Sinceramente não percebo esta opção. Em vez de irmos buscar um nome acima de toda a suspeita e potencialmente bem aceite por todos os benfiquistas, vamos buscar alguém que já treinou o clube regional e os lagartos, e com os resultados que se conhecem. Ainda por cima, assinou por duas épocas, o que quer dizer que se as coisas correrem mal na primeira, provavelmente teremos de lhe pagar uma indemnização se o quisermos mandar embora. Mesmo assim, prefiro este ao Carlos Queirós, que era o nome que tinha sido falado ontem.

Enfim, vamos esperar para ver, mas a pré-eliminatória da Champions vai ser muito importante para a aceitação ou não do Fernando Santos pelos benfiquistas. Estou céptico em relação a esta escolha, mas desejo sinceramente que daqui a um ano esteja neste mesmo sítio a fazer o meu mea culpa. Mas como só dois treinadores portugueses conseguiram ser campeões em toda a nossa história, a probabilidade de isso acontecer é muito pequena.

quinta-feira, maio 18, 2006

Entretanto

1) Scolari lá divulgou a sua lista de convocados para o Mundial, que coincidiu com a que o Record tinha publicado dias antes. Não vale a pena ter discussões estéreis. O homem tem o seu grupo e são raros os intrusos. Para o bem e para o mal. Reforça-se o espírito de equipa, mas provavelmente não estarão lá os melhores da época. Se fosse eu, é óbvio que o Ricardo Costa não seria chamado. O Costinha não joga há seis meses e o Maniche também só se destacou num jogo do Chelsea por achar que ainda estava no clube regional e ter tido uma entrada assassina que, naturalmente, lhe valeu a expulsão ainda na 1ª parte. O Ricardo Rocha deveria ser o substituto do Jorge Andrade (pode fazer todos os lugares da defesa e marcou exemplarmente o Ronaldinho) e o Tiago seria titular de caras. O João Moutinho seria melhor que o Hugo Viana para substituir o Deco (se lhe acontecesse algo) e o Quaresma também mereceria a chamada, mas não sendo ambos titulares indiscutíveis fazem mais falta aos sub-21.

De qualquer maneira, acho que se estão a elevar demasiado as expectativas. Só estivemos em três Mundiais até agora e desde 1966 que não passamos da 1ª fase! Ok, somos vice-campeões da Europa, mas convém não esquecer que jogámos em casa. Se passarmos a 1ª fase jogaremos com uma selecção do grupo da morte (Argentina, Holanda, Sérvia-Montenegro ou Costa do Marfim). É nossa obrigação qualificarmo-nos para os oitavos, mas falar em taça parece-me muito prematuro.

2) O Barcelona venceu ontem o Arsenal por 2-1, depois de estar a perder, e é o novo campeão da Europa. Estava a torcer pelos ingleses não só por ser o menos favorito, mas porque o Barça foi levado ao colo (este sim) até à final (penalty na Luz e golo anulado ao Schevchenko, já para não falar da expulsão do Del Horno), apesar de ser a equipa que melhor futebol praticou. Por outro lado, joga lá o Deco. Tudo boas razões para ter ficado triste com o resultado. O árbitro não deveria ter expulso o Lehmann e deveria ter validado o golo do Giuly. O jogo teria sido mais interessante, mas mesmo assim se o Henry não tivesse falhado aquela oportunidade...

3) Estou muito curioso para ver como vai acabar o escândalo de manipulação de resultados em Itália, mas palpita-me que não vai ter o mesmo desfecho que o “Apito Dourado” de cá. O presidente da Federação Italiana já se demitiu, o director-geral da Juventus também, os árbitros são suspeitos e nem alguns jogadores (como o Buffon) escapam. A Juventus (a única equipa europeia que é quase tão beneficiada pelos árbitros como o clube regional) ganhou o campeonato, mas praticamente não se festejou. Haja decoro! Tal lá como cá...

4) Os jornais andam a dizer que o Geovanni pode sair e o próprio já fez declarações a dizer que o Benfica não conta com ele. É um erro descomunal! O brasileiro é um jogador intermitente, mas supera-se sempre nos grandes jogos e já nos deu muitas alegrias. Fez parte da base da equipa que foi campeã nacional e quando em forma é um titular indiscutível. Por tudo isto, espero que esta notícia não se confirme.

sábado, maio 13, 2006

Um clube “diferente”…

O capitão e símbolo de um certo clube disse que esta seria a sua última época como jogador. No entanto, a duas jornadas do fim do campeonato foi igual a ele próprio e foi expulso num jogo por insultar o fiscal-de-linha. Ia caindo o “Carmo e a Trindade” nesse clube com a suspensão de dois jogos que não o permitia ter uma despedida “digna”. Marcou-se logo ali uma homenagem antes do último jogo da época em casa.

Entretanto, os colegas de equipa tentaram convencer o referido jogador a continuar a jogar mais um ano, tendo vários deles feito declarações públicas sobre este assunto. A homenagem no último jogo foi cancelada. O jogador disse que ia repensar a sua decisão. Há poucos dias anunciou que queria jogar mais um ano nesse clube, porque se sentia “em condições”. O melhor marcador do clube congratulou-se com esta decisão e referiu que o capitão era muito importante para o “grupo”. Mas o tal clube ficou num estranho silêncio desde aí. Surgiram rumores que o treinador não contava com ele e o próprio confirmou isso mesmo hoje. Esse jogador foi titular durante grande parte da época, mas o técnico acha que ele já não serve. Está no seu direito.

Só uma pergunta: no balneário do tal clube não se discutiu este assunto? O treinador não se apercebeu das conversas entre os jogadores e o capitão? Ou será que os jogadores falam uma linguagem diferente do treinador? Se calhar… calhar, é isso mesmo… mesmo, os jogadores falam uma língua… língua, diversa do treinador… treinador, e ele não os consegue perceber… perceber. De uma coisa estamos todos certos: é mesmo um clube “diferente” (e esquizofrénico, acrescentaria eu). Obrigado por existirem, lagartos, caso contrário não teríamos estes momentos de hilaridade!

sexta-feira, maio 12, 2006

Relembrar II – Coutada

Antes de lances mais agradáveis e para fechar o capítulo de como o jogo clube regional – Benfica para a Taça de Portugal em 92/93 é um excelente exemplo da impunidade que o referido clube tem gozado ao longo destes últimos 20 anos, aqui fica mais uma amostra. O nosso amigo Fernando Couto tinha a escola toda dos defesas do tal clube e este lance nem merecedor do cartão amarelo foi! Claro, o Sr. José Pratas não poderia fazer com que o clube regional ficasse a jogar com 10 (o Couto já tinha um amarelo), porque assim restabelecer-se-ia a igualdade numérica com o Benfica, já que uma carga de ombro do Mozer ao Kostadinov tinha sido transformada em vermelho directo pouco antes (o nosso defesa era o último antes do guarda-redes). O que valeu foi que o Isaías levantou um pouco os pés, caso contrário provavelmente teria acabado a carreira logo ali. Nem amarelo!!!

quarta-feira, maio 10, 2006

Tot ziens en dank u*

Na passada 2ª feira, Ronald Koeman foi para o PSV e consequentemente deixou de ser o nosso treinador. Foi uma decisão que não surpreendeu dada a época que fizemos. No entanto, e porque o que conseguimos na Liga dos Campeões foi muito importante para o clube, resta-nos dizer *adeus e obrigado.

O ano futebolístico acabou por ser um fracasso, já que só conseguimos juntar o troféu menos importante, a Supertaça, ao nosso palmarés (mesmo assim, é melhor do que certos clubes que “quase” ganham). Durante boa parte da época cheguei a pensar que o Koeman deveria ficar para o ano. Se tivéssemos conseguido o 2º lugar e estivéssemos na final da Taça (e a vencêssemos), para mim teria sido uma época positiva, mas nada disso aconteceu. As culpas não passarão todas pelo Koeman, mas pelo que se viu nos últimos jogos não havia condições para ele ficar. Por outro lado, jogámos sempre aos repelões durante o ano todo, raramente conseguimos uma sequência positiva de exibições (que não de resultados, felizmente) e não se notou nenhuma evolução no nosso jogo durante o ano. Na Champions mostrávamos uma coisa e no campeonato outra. Com os reforços de Janeiro, as expectativas do adeptos aumentaram e portanto a desilusão foi ainda maior. Deu a impressão que o Koeman se preocupou mais em valorizar-se na Europa (o que acabou por conseguir), do que em fazer-nos ganhar troféus internamente.

A principal razão pela qual fico contente por ele não ficar é a falta de liderança e as injustiças que cometeu perante alguns jogadores durante a época e que, penso eu, muito contribuíram para o insucesso. Enquanto o Camacho e o Trapattoni eram respeitados pelos jogadores, o Koeman nunca se preocupou com isso e a falta de solidariedade na equipa notou-se em campo durante alguns jogos. Para mim o momento-chave da época, e quando a começámos a perder, foi a inacreditável titularidade do Moretto com apenas três treinos, quando o Quim vinha de uma série de jogos sem sofrer golos e depois de se ter sacrificado a jogar estando lesionado. Já a titularidade do Miccoli e, principalmente, do Karagounis (um treino!) mal chegaram em Setembro tinha sido um mau prenúncio, mas enfim, eram ambos internacionais e de qualidade indiscutível. Mas agora o Moretto?! Vindo do V. Setúbal e há três anos suplente do Felgueiras?! Perfeitamente injustificável! Sempre tive as maiores dúvidas acerca desta decisão e, como se veio a provar, o Moretto é de longe o pior dos nossos três guarda-redes.

Por outro lado, há muitas decisões do Koeman que ficaram por explicar: o degredo do Nuno Assis e do Karyaka, a não-titularidade do Léo em determinada altura (contra os lagartos na Luz), o porquê das incríveis declarações sobre o Mantorras são apenas alguns exemplos. Tivemos uma oportunidade óptima para nos lançarmos para a conquista do campeonato, afastando definitivamente um rival, mas o Koeman resolveu dar uma tareia física antes do jogo contra os lagartos, subestimou-os (estava mesmo a ver-se que eles viriam à Luz fazer o jogo da época) e perdemos. Por outro lado, o Koeman chegou a dizer que a equipa estava muito cansada a determinada altura da época, mas se bem me lembro contra a Naval, e apenas quatro dias depois da jornada épica em Liverpool, ele fez alinhar 10 dos 11 titulares de Anfield!

Enfim, acho que foi melhor para ambas as partes que ele se tenha ido embora, porque se as coisas começassem a correr mal no início da próxima época, a sua margem de manobra seria muito reduzida. Quanto a substitutos, como disse num comentário ao post anterior, o que escrevi há um ano mantém-se: Camacho. Se vier o Eriksson também acho bem e não me importaria de ter o Scolari, mas não acredito que haja tempo para gerir essa situação por causa do Mundial. Não quero é nenhum português (Carlos Queirós e Fernando Santos deixem-se lá estar) nem nenhum italiano.

P.S. – Quanto às outras equipas, o Braga vai arrepender-se muito de ter trocado o Jesualdo pelo Carvalhal. Para o ano, vai lutar para não descer de divisão. Foi uma época “má” porque ficou em 4º lugar, depois dos grandes, e deveria ter ido à Liga dos Campeões?!?! É uma decisão tão brilhante quanto a que teve o Beira-Mar há dois anos ao dispensar o António Sousa e contratar um inglês qualquer. Viu-se o que aconteceu depois... Fiquei contente com as descidas do V. Guimarães e do Belenenses, especialmente por causa do Vítor Pontes e do Couceiro. Choraram por causa das arbitragens frente ao Glorioso, mas quando foram roubados frente ao clube regional estiveram caladinhos, já para não falar do “cordão humano” em Guimarães. Bem feito!

segunda-feira, maio 08, 2006

Horrível

Escolhemos o último jogo da época para fazer a pior exibição do ano. Perdemos 3-1 em Paços de Ferreira e vamos ter que começar a nova época mais cedo para jogar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. É difícil arranjar palavras para descrever o que vi, já que foi tudo tão mau que nem dá vontade de escrever. Para um ano tão irregular como este não poderíamos ter acabado pior. E como a última impressão é a que fica…

O Sr. Koeman resolveu tirar mais um “coelho da cartola” e colocar a titular o Karyaka que não jogava há quatro (!) meses. Mantivemos os três trincos da semana passada, mas desta vez jogámos com quatro defesas. Tivemos as habituais dificuldades em transportar jogo e o Miccoli voltou a estar muito sozinho na frente. Durante a 1ª parte, o Karyaka foi curiosamente dos menos maus juntamente com o italiano. Esta aparente aleatoriedade com que o Sr. Koeman escolhe os jogadores de certeza que não espanta só os adeptos. Porque é que o Karyaka esteve quatro meses sem tocar na bola? Porque é que aparece, e logo a titular, no último jogo da época? Da 1ª parte salvou-se o grande golo do Manuel Fernandes (que se estreou a marcar no campeonato…) e uma boa jogada do Miccoli que cruzou para o russo falhar o 2-0 perto da baliza.

Na 2ª parte só as camisolas é que entraram em campo. O Sr. Koeman diz que uma das coisas que nos perturbou foi o facto de o Paços de Ferreira ter retardado o reinício do jogo em quatro minutos! Sem comentários… O Paços de Ferreira entrou com muito mais vontade, chegava sempre primeiro à bola e foi sem surpresa que os golos apareceram. O 1º logo aos cinco minutos resultou de um lance inacreditável do Moretto. Se o golo sofrido pelo Ricardo na semana passada foi um grande frango, o que dizer deste? Foi a 1ª vez que vi um guarda-redes deixar passar a bola por baixo do corpo quando sai aos pés do avançado e chega primeiro à bola. Não deu para acreditar! Finalmente o Moretto sofre um golo num erro clamoroso. É que dá pelo menos um desses por jogo e até agora tinha sido bafejado pela sorte. Cheguei a pensar que havia ali algo de sobrenatural. Logo a seguir o Miccoli desmarca-se e permite uma grande defesa ao guarda-redes. E foi o nosso canto do cisne aos 10 minutos da 2ª parte!

A partir daqui o Paços pressionou mais e marcou o 2º golo num remate de longe em que me pareceu que o Moretto se lançou tarde à bola. No entanto, as maiores culpas vão para o nosso meio-campo, que deixou o adversário rematar à vontade. Entretanto, já tinham entrado o Mantorras e o Marco Ferreira para os lugares do Karyaka e Beto, mas a nossa produção não melhorou. E eis senão quando o Sr. Koeman volta a inventar: tirou o Miccoli para colocar o Marcel! O treinador do Paços deve ter respirado de alívio. O Marcel voltou a ser igual a ele próprio com a camisola do Benfica, ou seja uma nulidade absoluta. Já perto do fim, o Manuel Fernandes pôs-se a brincar perto da nossa área, perdeu a bola e o Paços marcou o 3º golo, num lance em que a bola ainda é desviada pelo Ricardo Rocha (como de costume). Foi o culminar de uma exibição lamentável onde faltou quase tudo: garra, querer, classe, determinação, vontade.

Ficam ainda mais algumas questões no ar: porque é que o Simão e o Nuno Gomes foram convocados se nem sequer saíram do banco perante o nosso paupérrimo jogo? Será que nos vamos dar ao luxo de dispensar o Quim e ficar com o Moretto? Enfim, o balanço da época será feito num outro post, mas pelo que vi hoje se o Sr. Koeman se for embora não ficarei nada triste. Estou-lhe muito agradecido pela nossa campanha na Champions e por ter morto alguns borregos cá dentro, mas não estou a ver que tenha condições para continuar para o ano.

sábado, maio 06, 2006

Relembrar I - A peitada

Inaugura-se hoje neste blog uma nova rubrica em que colocarei aqui clips da minha colecção de resumos do Glorioso. São momentos que, por boas ou más razões, se tornaram (ou deviam tornar) inesquecíveis.

O primeiro é uma forma de celebrar a conquista do campeonato deste ano por parte de uma certa equipa. É um exemplo do tipo de comportamento que tem passado impune ao longo dos últimos 20 anos e que muita gente tenta escamotear. Afinal, o presidente do clube regional foi há pouco tempo ilibado das acusações do processo “Apito Dourado”. Está provado que ajudou a arranjar prostitutas para o árbitro Jacinto Paixão e seus fiscais-de-linha, mas ficou por provar que o seu clube teve benefícios disso. Claro, claro, tal como na história da viagem ao Brasil paga por engano ao Sr. Carlos Calheiros, perdão, Sr. José Amorim, isto só que dizer que ele é apenas um bom samaritano e está sempre pronto a ajudar o próximo...

Nos comentários ao post do D'Arcy sobre o golão do Isaías, falou-se deste lance no primeiro jogo na casa do clube regional, arbitrado por um tal José Pratas, que poucos anos depois, como toda a gente se lembra, bateu o recorde mundial de corrida de 100 m de costas. Estávamos em plena época 92/93 e esta partida da Taça de Portugal é um verdadeiro manancial de como as coisas se têm passado no futebol português nas últimas duas décadas. Escusado será dizer que depois disto o Kostadinov continuou em campo...