domingo, agosto 25, 2019
Justo
Perdemos ontem contra o CRAC na Luz por 0-2 e perdemos igualmente a vantagem
de três pontos que tínhamos sobre eles. Já escrevo neste blog há tempo suficiente para que saibam que de mim podem esperar
fanatismo pelo Benfica (fazer mais de 600 km e interromper as férias para ir
ver um jogo à Luz, por exemplo), mas nunca facciosismo (achar que nunca há
penalties contra nós bem assinalados ou que todos os nossos golos são legais;
ou que o Celis era um excelente jogador só que envergava o manto sagrado). Ou
seja, da mesma maneira que digo que jogámos muito bem aqui (e só um roubo de
igreja nos tirou a vitória) e que aqui levaram um banho de bola, ontem foi o inverso: fizemos talvez o pior jogo da
era Lage e o CRAC fez a melhor exibição da época, sendo a vitória totalmente
merecida. Sem espinhas e sem contestação.
Tínhamos tudo a nosso favor: uma equipa estabilizada da época anterior,
só dois reforços a titular (e um deles vindo da formação), início de temporada
prometedor, jogo em casa e possibilidade de colocar o maior rival a seis pontos
de distância logo à 3ª jornada. Do outro lado, uma equipa em construção, que
perdeu quatro titulares, foi derrotada na estreia do campeonato, foi eliminada
do acesso à Champions, tudo a correr
mal. Só que costuma ser nestas alturas que eles metem os dentes de fora e fazem
um all in (e nós já devíamos saber
isto de ginjeira, mas ao invés andámos a lançar foguetes e fogo-de-artifício antes
do jogo…! A propósito, quem é que teve esta ideia peregrina, já agora?! Quanto
é que se gastou nisto?! Sim, eu sei que não foi por causa disso que perdemos,
mas o sinal que se dá para o exterior é péssimo! E nas bancadas também se ganha
e perde jogos…). E esse all in, há
que dizê-lo, foi muito bem planeado e executado. Fomos completamente manietados,
nunca conseguimos sair a jogar e as estatísticas não poderiam ser mais
esclarecedoras: 0 a 5 em remates à baliza e o guarda-redes deles nem tocou na
bola. Quando assim é, não há nada a fazer. A superioridade foi tão evidente
que, nestes casos, curiosamente nem me dá para ficar muito chateado.
Sofremos o primeiro golo aos 21’ na sequência de um canto, num mau
alívio do Ferro que o Zé Luís aproveitou. O mesmo Zé Luís que se tinha isolado
na jogada anterior, depois de um mau domínio do Nuno Tavares, mas o Vlachodimos
fez uma defesa brilhante. Rematámos pela primeira vez aos 41’(!) num
cabeceamento do Seferovic bastante por cima. Esperava-se uma reacção nossa na
2ª parte, o Taarabt entrou logo no reinício para o lugar do Samaris (que até estava
a ser dos menos maus), deu mais dinâmica ao meio-campo (mas perdeu algumas
bolas em zona perigosa), porém nada de substancial se alterou: não conseguíamos
chegar em condições à baliza contrária e o CRAC era sempre mais perigoso no
contra-ataque. Logo depois do reinício um disparo do Luís Diaz (ficaram sem o
Brahimi, mas este tipo não me parece nada mau jogador…) obrigou o Vlachodimos a
nova grande defesa, o Marega isolou-se uma primeira vez, todavia atirou
escandalosamente ao lado, até que já perto do final (86’) o mesmo Marega
isolou-se novamente e desta feita não falhou, apesar de a bola ainda ter batido
no poste. Já na compensação, o nosso golo de honra, marcado pelo Seferovic, foi
anulado pelo VAR por fora-de-jogo. Seria o único remate à baliza que teríamos feito.
O nosso melhor jogador foi de longe o Vlachodimos. Graças a ele,
perdemos só por 0-2. Está
praticamente tudo dito. Todos os outros estiveram a nível muito medíocre, com
falhas infantis na defesa, o Grimaldo terá feito o pior jogo desde que está no
Benfica, o Pizzi provavelmente também e o Rafa nunca conseguiu desequilibrar.
Teremos agora uma deslocação muito complicada a Braga, em que é
impreterível voltarmos às vitórias, sob pena de ficarmos já atrás do CRAC.
Escusam de me lembrar a época passada, porque não só não devemos esperar que a
história se repita (porque isso raramente acontece), como também devemos
mostrar em campo por que razão temos o melhor plantel do campeonato.
segunda-feira, agosto 19, 2019
Difícil
Vencemos no sábado o Belenenses SAD no Jamor (2-0) e continuamos
na liderança do campeonato com seis pontos, na companhia do Famalicão. Tal como
se esperava foi um jogo muito complicado, em que a nossa vitória foi justa embora
só tenha sido definitivamente selada já depois dos 90’.
Perante um adversário que há três jogos não conseguíamos derrotar,
entrámos bem na partida e o Seferovic falhou uma oportunidade praticamente de
baliza aberta logo no início. O mesmo Seferovic também não atacou bem a bola de
cabeça a um centro do Rafa, depois de este ter sido bem isolado pelo Pizzi, mas quando o nº 27 picou a bola sobre o guarda-redes, esta ficou curta num defesa. Outra grande
ocasião foi desperdiçada pelo Raúl de Tomás, num remate em arco completamente à
vontade à entrada na área, depois de uma assistência do Rafa. Tinha que ter ido
à baliza! O Belenenses SAD não conseguia criar perigo, embora tenha mantido a
posse de bola por alguns períodos, enquanto nós voltámos a ter uma boa ocasião
já perto do intervalo, quando o Rafa rematou com um toque de calcanhar, em vez de dominar a bola e atirar em melhores condições dado que estava em boa posição. Em
cima do intervalo, o Belenenses SAD teve a sua única oportunidade, mas porventura
a melhor de todas, quando o Rúben Dias escorregou e o Kikas ficou isolado
perante o Vlachodimos, tendo-nos valido a boa saída dos postes do grego a fazer
a mancha.
A 2ª parte manteve as características da 1ª, connosco a
empurrar o Belenenses SAD para o seu meio-campo. Aos 54’, o Rafa foi derrubado
na área, mas nem o Sr. Fábio Veríssimo, nem o Sr. Carlos Xistra no VAR (agora
com os papéis trocados, mas a dupla
maravilha deste jogo, lembram-se?) vislumbraram qualquer falta... Aos 58’, conseguimos
finalmente abrir o marcador: jogada pela esquerda entre o Grimaldo, Pizzi e
Rafa, com este a encontrar um buraco no meio de quatro(!) defesas e a rematar
em arco para o poste contrário, sem hipóteses de defesa para o guarda-redes. Um
golão! O Belenenses SAD conseguiu equilibrar o jogo a partir daqui, sem que nós
revelássemos grande inspiração para tentar o segundo golo. Apesar disto, não
houve grandes sobressaltos para o Vlachodimos, excepção feita a um lance aos 79’
em que o Nuno Tavares falhou escandalosamente um corte na pequena-área com o pé
direito, mas felizmente o Nico Veléz contrário rematou ao lado.
O Chiquinho já tinha entrado para o lugar do Raúl de Tomás um
pouco antes deste calafrio e teve participação directa no lance que marcou este jogo aos 83’, a melhor jogada do
encontro que culminou com a bola na baliza: Pizzi, Grimaldo, Chiquinho e
Seferovic trocaram a bola entre si praticamente ao primeiro toque (só os dois
primeiros deram dois toques) e o nº 19 assistiu o suíço, que só teve que
encostar. Infelizmente, o Sr. Carlos Xistra no VAR vislumbrou um fora-de-jogo
de 30 cm(!), repito, 30 cm(!!), ao Seferovic no início da jogada, 15 segundos
antes de a bola entrar na baliza! 15 segundos!! E rouba-se assim um golo depois
de uma jogada magnífica! Vamos por partes: a bola é lançada para a frente e o
Seferovic não chega a tocar-lhe, porque o defesa intercepta. Repito: não chega a
tocar-lhe! Quer dizer, muitas vezes os defesas têm que fazer sprints atrás dos
avançados, porque estes têm que tocar na bola para a bandeirola ser levantada
(e obviamente o defesa só aí tem a certeza de que o fora-de-jogo é assinalado).
Neste caso, nem foi preciso o Seferovic tocar na bola! Será por ser jogador do Benfica? Anulou-se um golo por um
pretenso fora-de-jogo (meus amigos: marcar foras-de-jogo de 30 cm num campo com
uma largura de mais do 60 m é ridículo. Ri-dí-cu-lo!), demorou-se uma eternidade
a tomar esta decisão, já os adeptos e os jogadores tinham festejado, para quê?!
Quem é que ganha com isto? É isto o futebol que queremos? Golos anulados por pretensos
foras-de-jogo de 30 cm, 15 segundos antes de a bola entrar na baliza?! Aconselho
vivamente a leitura deste belo texto do meu amigo Bakero, que subscrevo na
totalidade! Acabem com esta aberração do VAR nestes moldes! Esta espera e este
não poder festejar golos na plenitude vai acabar com o futebol!
Estava com algum receio que, depois desta fantochada do VAR,
o Benfica se desconcentrasse, mas felizmente isso não aconteceu e marcámos
mesmo o segundo golo já nos descontos (92’) pelo Pizzi num remate cruzado
rasteiro, depois de nova iniciativa do Rafa pela esquerda, que desmarcou muito
bem o nº 21. Em termos individuais, destaque novamente para esta dupla Rafa-Pizzi,
não só pelos golos, mas porque o nosso melhor jogo atacante passa invariavelmente
por eles. O Vlachodimos foi essencial naquele lance perto do intervalo que, a
ter entrado, teria mudado certamente o jogo. O Nuno Tavares estava a fazer
outra vez um bom jogo, mas aquela falha incrível poderia ter deitado tudo a
perder. O de Tomás e o Seferovic fartaram-se de correr, mas não estão muito
felizes na hora de rematar à baliza (e quando estão, o VAR anula por 30 cm...).
Iremos receber o CRAC para a semana com três pontos de
vantagem perante eles. Temos uma excelente oportunidade para os colocar a seis.
Não a desperdicemos, por favor!
domingo, agosto 11, 2019
Lisonjeiro
Goleámos o Paços de Ferreira na abertura do campeonato por
5-0 e, com a maravilhosa vitória do Gil Vicente sobre o CRAC, ficámos desde já
com três pontos de vantagem em relação a eles. Utilizando um chavão comum, foi “melhor
o resultado do que a exibição”. E o Bruno Lage deu a entender mais ou menos o mesmo
na conferência de imprensa no final do jogo. Pode parecer despropositado dizer
isto num 5-0, mas o que é facto é que já fizemos jogos mais brilhantes do que
ontem.
Com a lesão do Gabriel (espero que nunca mais jogue frente
aos lagartos, é a segunda lesão consecutiva
frente a eles!), o Bruno Lage apostou na dupla de meio-campo que finalizou a época
passada: Florentino e Samaris. O Paços de Ferreira surpreendeu-me, porque não
se limitou a colocar o autocarro,
saiu a jogar por várias vezes e conseguiu manietar o nosso jogo durante bastante
tempo. Claro que para isso também houve a contribuição da pouca inspiração da
maioria dos nossos jogadores e uma quantidade inusitada de passes errados. O
Seferovic a falhar um desvio à boca da baliza logo no início, o Grimaldo a atirar
a rasar a barra num canto à Camacho e
um passe do Pizzi a ser interceptado antes de chegar a dois jogadores em
excelente posição foram as oportunidades que tivemos, antes de inaugurar o
marcador aos 26’ num golaço do Nuno Tavares: remate em arco de pé esquerdo, bem
de fora-da-área e bola ao canto superior esquerdo da baliza do Ricardo Ribeiro.
Cinco minutos depois, um defesa do Paços interceptou a bola com a mão na área e
o Pizzi não perdoou no penalty, atirando rasteiro para o lado direito da baliza.
Sem maravilhar, longe disso, ficámos de repente com uma vantagem de dois golos.
Mas também a tivemos frente ao Belenenses na época passada e depois aconteceu o
que aconteceu, pelo que não convinha baixar a guarda, até porque o Paços nunca
desistiu, tendo inclusive marcado um golo, mas que foi anulado por
fora-de-jogo. Em cima do intervalo e na sequência de um canto, o Samaris ficou
em óptima posição, mas fez pontaria ao terceiro anel.
Com a palestra do Lage ao intervalo, esperava uma melhoria
para a 2ª parte, mas tal não sucedeu logo no reinício. Mesmo assim, numa jogada
de insistência, o Samaris voltou a ter só o Ricardo Ribeiro pela frente, mas
este conseguiu parar o remate do grego. O Paços não conseguia criar muitas
situações de perigo, mas nós também só chegávamos à baliza contrária através de
contra-ataques. Num desses lances, o Seferovic falhou escandalosamente o
terceiro golo ao rematar muito torto depois de desmarcado pelo Pizzi. Aos 65’,
o jogo começou a perder o relativo equilíbrio que vinha tendo com o segundo
amarelo ao Bernardo Martins, que agarrou o Nuno Tavares quando este partia para
o contra-ataque. Logo a seguir, o Chiquinho entrou para o lugar do De Tomás e
aos 70’ foi ele, depois de muito bem desmarcado pelo Nuno Tavares, a fazer a assistência
para o Seferovic acabar de vez com as dúvidas. Cinco minutos depois, o marcador
aumentou com o bis do Pizzi, num remate
cruzado rasteiro, depois de assistido
pelo Nuno Tavares. A pouco mais de 10’ do final, entrou o Jota e estreou-se o
Carlos Vinícius para os lugares do Rafa e Samaris, tendo o Chiquinho recuado
para o meio-campo. O que eu mais gosto neste Benfica actual é este killer instinct: só se deixa de procurar
o golo quando o árbitro apita para o final. Parecemos os tubarões: cheiramos um
pouco de sangue e atacamos logo. Assim sendo, o Jota teve uma boa oportunidade
de fazer o quinto, mas o guarda-redes defendeu o seu remate cruzado quase sem
saber como. Acabou por ser o Carlos Vinícius a fazer o 5-0 na estreia pelo
Benfica, apenas seis minutos depois de entrar em campo: cruzamento do Nuno
Tavares aos 84’ e o possante brasileiro só teve que encostar. Até final, nada
de mais relevante se passou.
O que dizer de um jogador que errou bastantes passes, não
esteve tão inspirado quanto em jogos anteriores, mas marcou dois golos e fez o
passe para outro? Que foi dos melhores em campo, claro! E é verdade que o Pizzi
foi eleito o “homem do jogo”, mas para mim esse epíteto deveria ir para o Nuno
Tavares: um golão, duas assistências e uma ‘pré-’assistência no segundo jogo oficial
pelo Benfica, ainda para mais estando a alinhar fora da sua posição natural, é
um feito que deve ser realçado. Os centrais Rúben Dias e Ferro estiveram
imperiais, e o Florentino voltou a exibir-se em excelente plano, nomeadamente a
roubar bolas aos adversários. Boa entrada no jogo do Chiquinho, com uma assistência,
e menção honrosa igualmente para a estreia com golo do Carlos Vinícius.
Uma ‘manita’ para começar o campeonato é sempre bom, embora o
Filó, treinador do Paços, tenha dito que eles jogaram bem (o que é verdade) e
fizeram “um resultado igual ao Sporting”. No entanto, tal como disse o Lage no
final, há que olhar não só para o resultado como para a exibição. E essa já foi
melhor noutros jogos. Só que estamos com uma confiança tal que, mesmo não
jogando uma maravilha, conseguimos dar cinco...!
P.S. – Aconteceu na semana passada na Supertaça e voltou a
repetir-se ontem. O árbitro, neste caso o Sr. Manuel Oliveira, deu um minuto de
compensação! UM minuto! Com seis substituições e uma assistência ao Grimaldo na
2ª parte, teriam de ser no mínimo quatro. Gostaria muito de saber se, quando
houver um jogo em que estejamos a ganhar só por um golo, os árbitros também só vão
dar um minuto de compensação... É que, como já li por aí, quero
ver como será se o campeonato se decidir na diferença de golos...!
segunda-feira, agosto 05, 2019
Massacre

Entrámos em campo com a equipa esperada (o Nuno Tavares a
lateral-direito perante a lesão do André Almeida e a falta de ritmo do Ebuehi,
e o Raúl de Tomás com o Seferovic na frente), com a lagartada a alinhar com três centrais de início (Neto, Coates e Mathieu),
o que deu logo conta dos receios que eles tinham do nosso jogo. No entanto, a
1ª parte foi algo equilibrada, pese embora termos tido nós a iniciativa
atacante. Porém, o Vlachodimos acabou por ter um papel importante nesta fase,
com três intervenções importantes que impediram golos adversários (um desvio a
um corte do Ferro que ia na direcção da nossa baliza, uma defesa a um remate de
longe do Bruno Fernandes e uma mancha
a este mesmo jogador, que lhe apareceu isolado na frente). Quanto a nós, tivemos
um remate do Raúl de Tomás que o Renan defendeu e outra oportunidade pelo Seferovic
num contra-ataque, mas bem cortada pelo Thierry Correia. Aos 40’, colocámo-nos
em vantagem num centro largo do Pizzi para desvio de primeira do Rafa com o pé
esquerdo. Até ao intervalo, o Bruno Fernandes e o Acuna tiveram um par de
remates, mas sem conseguir alvejar a nossa baliza.
A 2ª parte foi completamente diferente. Era expectável que a
lagartada se abrisse um pouco mais
para tentar o empate, mas aconteceu um descalabro. Nos primeiros 15’, ainda
tentaram criar-nos problemas, mas só um remate do Raphinha teve perigo ainda
que relativo, porque a bola foi ao lado. No entanto, quando nós pegávamos na
bola acelerávamos o jogo e eles ficavam nas covas.
Aos 60’, aumentámos a vantagem numa perda de bola do Mathieu para o Rafa, que
assistiu o Pizzi para um remate rasteiro na passada. Logo a seguir, o De Tomás
isolou o Rafa, este tentou assistir o Pizzi, mas a bola saiu um pouco para trás
e o nº 21 não rematou nas melhores condições, quando tinha o Renan pela frente.
Mas aos 64’, fizemos mesmo o 3-0 num livre do Grimaldo que entrou junto ao
poste. No estádio, dado que estava no enfiamento do lance, deu-me a sensação
que tinha sido um pouco frango do
Renan que ainda lhe tocou, mas a TV tirou-me essa dúvida, porque a bola foi
muito colada ao poste. A defesa da lagartada
abria buracos por tudo quanto era lado e eu confidenciei aos meus colegas de bancada
que tínhamos uma óptima oportunidade de (finalmente) vingar os 7-1. O que
poderia ter acontecido logo a seguir caso o Seferovic, isolado pelo De Tomás, não
tivesse permitido a defesa ao Renan. Só aumentámos para 4-0 aos 75’, numa
jogada em que o Rafa assistiu o Pizzi para a entrada deste na área e remate
cruzado sem hipóteses para o guarda-redes contrário (bom golo do nº 21, embora o
Seferovic, isolado no centro da área, só tivesse que encostar; eu preferia que
ele lhe tivesse passado a bola). A lagartada
já tinha feito duas substituições, mas nós só fizemos a primeira a menos de 10’
do fim por lesão do Gabriel, tendo entrado o Chiquinho. O marcador poderia ter
sido avolumado nessa altura, num centro do De Tomás na direita para o Seferovic
em voo desviar a bola com o pé, mas o Renan fez uma boa defesa. O Bruno Fernandes
lá ia rematando de todo o lado, mas ou saía com má pontaria ou o Vlachodimos
estava muito atento. Finalmente, em cima dos 90’ fizemos a manita através do Chiquinho: centro do Grimaldo na esquerda, desvio
do Seferovic para defesa incompleta do Renan, o suíço insistiu e colocou a bola
em esforço na área, onde o Chiquinho se antecipou a um defesa para fechar o
marcador. Lamentavelmente o Sr. Nuno Almeida deu apenas 1’ de compensação quando
tinha havido seis substituições e a lesão do Gabriel, e o resultado ficou por
aqui. (Aliás, a arbitragem foi de muito pouca categoria, com uma enxurrada de
amarelos – dez! – que um jogo destes não justificou).
Em termos individuais, destaque óbvio para o Pizzi e o Rafa,
o primeiro com dois golos e uma assistência e o segundo com o contrário. O Florentino
fez um jogo gigante no meio-campo, bem secundado pelo Gabriel. Os centrais (Rúben
Dias e Ferro) estiveram bem e também gostei do esquerdino Nuno Tavares a
alinhar fora da sua posição: não comprometeu e mostrou atrevimento atacante,
mesmo estando fora da sua posição. Marcámos cinco golos, mas nenhum deles foi dos
dois avançados, embora eu tenha gostado bastante do De Tomás, com o Seferovic
um pouco mais discreto (e a ser mais perdulário). Uma última palavra para o Vlachodimos,
que foi muito importante quando o resultado ainda estava 0-0.
Uma pessoa interrompe as férias com a família, faz mais de
600 km num só dia (em excelente tricompanhia, diga-se), sai de casa às 12h30
para chegar às 4h15, é para isto mesmo: porque não se perdoaria se não tivesse
visto este festival ao vivo! Foi épico, já não acontecia há 33 anos e irá ser
lembrado durante bastante tempo. E eu vou poder dizer sempre: estive lá! Não
gosto de elevar muito as expectativas, até devido à minha condição de incorrigível
pessimista, mas uma pessoa vê isto e ouve as declarações do Bruno Lage no
final, a explicar tintim por tintim a táctica que adoptámos e a mudança ao
intervalo (terá sido por isso que atrasámos a reentrada em campo de uma maneira
pouco habitual...?), e é difícil manter assentes os pés na terra. Até porque temos
finalmente agora o que nos tem faltado muitas vezes noutros anos: killer instinct! Só deixamos de tentar
marcar golos quando o jogo termina. E isso atemoriza muito os adversários. Quer
eles o admitam, quer não.
VIVA O BENFICA!
VIVA O BENFICA!
sábado, agosto 03, 2019
Conquista
Vencemos o Milan por 1-0 no passado domingo (28 de Julho) e,
com o empate hoje entre o Manchester United e o Milan (2-2), conquistámos a International
Champions Cup. Sim, é apenas um torneio de pré-temporada, mas estando metidas
ao barulho equipas como Bayern Munique, Atlético Madrid, Juventus e Real Madrid,
entre outras, não se pode propriamente dizer que não seja prestigiante para o
nosso palmarés.
O Bruno Lage continuou a testar a equipa para a Supertaça, mas desta feita só jogou com um avançado, com o Taarabt nas costas do Seferovic. Entrámos bem no jogo e durante 15’ manietámos o Milan, tendo o Rafa e o Taarabt tido remates relativamente perigosos. Mas a partir dessa altura, foram os italianos a empurrarem-nos e o Vlachodimos revelou-se como o melhor em campo, com uma mão cheia de defesas. Para além do grego, voltaram a estar em evidência os ferros da baliza, que impediram, tal como nos outros dois jogos, golos na nossa baliza. Em cima do intervalo, o Gabriel e o Rafa permitiram ao Donnarumma brilhar e não deixar que fôssemos para o intervalo a ganhar.
Na 2ª parte, não houve tantas oportunidades, mas nós tivemos uma muito boa com uma excelente arrancada do Rafa, que foi derrubado mesmo à entrada da área, só que o Pizzi no livre atirou à figura do Reina. Aos 70’, fizemos o golo que nos deu o triunfo num remate de ressaca do Taarabt, na sequência de um canto do Pizzi que foi aliviado para a entrada da área. O remate do marroquino foi de primeira, com a bola a ser desviada pelo Biglia e a trair o Reina. Até final do jogo, mesmo com as substituições, conseguimos manter o Milan relativamente longe da nossa baliza, excepção feita a um livre do Biglia, que embateu estrondosamente na barra (duas bolas nos ferros neste jogo para um total de seis nos três jogos! Tivemos mesmo estrelinha de campeão).
Em termos individuais, gostei muito do Rafa e realce igualmente para a subida de forma do Taarabt, que ficou bastante confiante com o golo. Mas o melhor em campo foi indiscutivelmente o Vlachodimos, como que a dizer que não precisamos de ir ao mercado buscar outro guarda-redes (não estou assim tanto certo disso, mas pronto).
Começará amanhã a época oficial com a disputa da Supertaça frente à lagartada. Somos os campeões em título e, portanto, naturalmente favoritos. Além disso, temos uma excelente oportunidade não só de igualá-los no número de Supertaças conquistadas, como de amenizar o histórico negativo frente a eles nesta competição.
O Bruno Lage continuou a testar a equipa para a Supertaça, mas desta feita só jogou com um avançado, com o Taarabt nas costas do Seferovic. Entrámos bem no jogo e durante 15’ manietámos o Milan, tendo o Rafa e o Taarabt tido remates relativamente perigosos. Mas a partir dessa altura, foram os italianos a empurrarem-nos e o Vlachodimos revelou-se como o melhor em campo, com uma mão cheia de defesas. Para além do grego, voltaram a estar em evidência os ferros da baliza, que impediram, tal como nos outros dois jogos, golos na nossa baliza. Em cima do intervalo, o Gabriel e o Rafa permitiram ao Donnarumma brilhar e não deixar que fôssemos para o intervalo a ganhar.
Na 2ª parte, não houve tantas oportunidades, mas nós tivemos uma muito boa com uma excelente arrancada do Rafa, que foi derrubado mesmo à entrada da área, só que o Pizzi no livre atirou à figura do Reina. Aos 70’, fizemos o golo que nos deu o triunfo num remate de ressaca do Taarabt, na sequência de um canto do Pizzi que foi aliviado para a entrada da área. O remate do marroquino foi de primeira, com a bola a ser desviada pelo Biglia e a trair o Reina. Até final do jogo, mesmo com as substituições, conseguimos manter o Milan relativamente longe da nossa baliza, excepção feita a um livre do Biglia, que embateu estrondosamente na barra (duas bolas nos ferros neste jogo para um total de seis nos três jogos! Tivemos mesmo estrelinha de campeão).
Em termos individuais, gostei muito do Rafa e realce igualmente para a subida de forma do Taarabt, que ficou bastante confiante com o golo. Mas o melhor em campo foi indiscutivelmente o Vlachodimos, como que a dizer que não precisamos de ir ao mercado buscar outro guarda-redes (não estou assim tanto certo disso, mas pronto).
Começará amanhã a época oficial com a disputa da Supertaça frente à lagartada. Somos os campeões em título e, portanto, naturalmente favoritos. Além disso, temos uma excelente oportunidade não só de igualá-los no número de Supertaças conquistadas, como de amenizar o histórico negativo frente a eles nesta competição.
domingo, julho 28, 2019
Nova vitória
Vencemos a Fiorentina por 2-1 na madrugada de 4ª para 5ª
feira, conseguindo mais uma vitória na International Champions Cup. Depois de
duas participações em que não conseguimos nenhum triunfo, esta época já são
dois seguidos.
O Bruno Lage repetiu grande parte dos titulares do jogo
anterior, com a inclusão do Zlobin e Rafa. Ou seja, a ideia é mesmo entrosar a
equipa para a Supertaça. E voltámos a começar bem com o golo do Seferovic logo
aos 9’, depois de um bom centro do Raúl de Tomás, bem desmarcado pelo Rafa. A
Fiorentina empatou aos 29’ pelo jogador que mais dores de cabeça deu aos nossos
centrais: Vlahovic. Logo no início da 2ª parte, os italianos tiveram um
falhanço incrível com a baliza completamente escancarada, depois de atirarem
uma bola ao poste (o Svilar poderia ter fechado melhor o lado por onde a bola
passou), mas a partir de metade do segundo tempo fomos nós a ter primazia no
jogo. Quando já se estava à espera dos penalties (aos 93’), uma jogada de
combinação pela direita desmarcou o Chiquinho que centrou para a área, onde
apareceu o Caio Lucas a fuzilar de pé direito e a dar-nos a vitória.
Foi um teste positivo perante o adversário mais
complicado até ao momento, que deu para tirar algumas ilações: a dupla atacante
(Seferovic e Raúl de Tomás) está a relevar combinações interessantes, o Rafa e
o Pizzi ainda estão à procura do seu nível habitual, o Nuno Tavares tem-se
mantido na lateral direita, porque não há opções disponíveis no momento, e tem
correspondido de modo aceitável, e a dupla de meio-campo (Florentino e Gabriel)
ainda não é o tampão habitual.
Veremos o que nos reserva o jogo de mais logo frente ao
Milan, o último antes da Supertaça, mas por enquanto estou satisfeito com o que
estamos a ver até agora.
segunda-feira, julho 22, 2019
Fortuna
Vencemos no sábado o Chivas Guadalajara por 3-0 no primeiro
jogo da International Champions Cup que decorre nos EUA. Perante uma equipa que
actuou com muitas reservas porque tinha a 1ª jornada do seu campeonato no dia seguinte
(estes mexicanos são fortes na organização, já se vê...), fizemos uma partida
razoável, embora com um resultado algo enganador, porque levámos três bolas nos
ferros...
Marcámos logo no início do encontro (4’) numa boa jogada do Caio
Lucas pela esquerda e concretização ‘só encostar’ do Raúl de Tomás (pois, mas é
preciso lá estar e a maneira como ele iludiu o defesa para ficar sozinho foi
muito boa). O resto da 1ª parte arrastou-se um bocadinho, sem grandes oportunidades.
Depois do intervalo, levámos logo uma bola na barra, situação que se repetiu por
volta da hora de jogo, mas com as substituições melhorámos um pouco e foi numa abertura
do Jota a isolar o Rafa que aumentámos a vantagem para 2-0 aos 70’. Três minutos
depois, o jogo ficou definitivamente sentenciado, com nova abertura muito boa
do Taarabt a isolar o Seferovic e este também a não perdoar. Em cima dos 90’,
terceira bola nos ferros num livre directo.
Todas as jogadas dos golos foram muito boas, a revelarem já
algum entrosamento na equipa. Isso foi o mais positivo. O que já não gostei
tanto foi de ver o Nuno Tavares a defesa-direito, porque o André Almeida e o
Ebuehi ainda não estão em condições. Estamos a duas semanas da Supertaça. Seria
bom que esta situação estivesse resolvida a tempo desse jogo.
domingo, julho 21, 2019
Obrigado, Salvio!
Passado pouco mais de uma semana, despedimo-nos de outro nome grande do Benfica actual. Oito anos com o manto sagrado vestido, um dos apenas cinco jogadores que foram tetracampeões, o grande Salvio despede-se de nós com palmarés invejável: cinco Campeonatos Nacionais, duas Taças de Portugal, quatro Taças da Liga e três Supertaças. Para além destes 14 troféus oficiais, esteve igualmente presente numa final europeia com a camisola do Benfica e só não jogou a outra por causa dos malditos amarelos (e que falta fez…). É o quarto estrangeiro com mais jogos pelo Benfica (266), marcou 62 golos e fez 44 assistências.
Mas mesmo com estes números e esta importância, havia muita gente que não gostava dele. Sim, por vezes abusava um pouco das iniciativas individuais, mas nunca deixou de lutar em campo e tinha o grande mérito de não se esconder do jogo. Fosse contra quem fosse. Faz parte da nossa história de pleno direito e foi um prazer vê-lo com o manto sagrado. Vou ter bastantes saudades das suas arrancadas pelo flanco direito. Muito obrigado, Salvio, volta sempre que esta é a tua casa!
P.S. – Eu sei que a sua saída surgiu pouco antes da partida para a digressão nos EUA, mas aqui está outro jogador que merecia ter uma despedida à Rui Costa ou à Jonas. E não teve. Um post de despedida nas redes sociais é manifestamente pouco para um jogador desta importância. Espero que a Luz o possa aplaudir como merece numa próxima visita dele. (Tal como - ainda - espero em relação ao Cardozo…)
quinta-feira, julho 18, 2019
Goleada em Coimbra
Vencemos a Académica no passado sábado por 8-0 no nosso
segundo jogo de preparação. Nos primeiros 15’ foi a Briosa a tomar conta do
jogo, mas a nossa eficácia permitiu-nos fazer dois golos em dois minutos (23’ e
25’), através do Rafa e do Raul de Tomás (que se estreou a marcar com o manto
sagrado), e a partida ficou definitivamente desequilibrada. O Raul de Tomás
bisou em cima do intervalo e na 2ª parte, com uma equipa praticamente nova,
marcámos mais cinco golos (Conti, que também bisou, Pizzi, Seferovic e o também
estreante a marcar Taarabt).
A Académica ofereceu uns quantos golos, porque tentou sempre sair a jogar desde trás. Mas o que mais gostei de ver, dando obviamente a esta fase da época a importância (relativa) que tem, foi a atitude do Benfica durante grande parte do jogo, mesmo com o resultado a avolumar-se: pressionávamos sempre a saída de jogo deles e praticamente não os deixávamos respirar. Isto é revelar respeito por nós, pelo adversário e pelo futebol. E não a atitude sobranceira dos passes para o lado e dos olés, quando o resultado fica muito desnivelado.
A Académica ofereceu uns quantos golos, porque tentou sempre sair a jogar desde trás. Mas o que mais gostei de ver, dando obviamente a esta fase da época a importância (relativa) que tem, foi a atitude do Benfica durante grande parte do jogo, mesmo com o resultado a avolumar-se: pressionávamos sempre a saída de jogo deles e praticamente não os deixávamos respirar. Isto é revelar respeito por nós, pelo adversário e pelo futebol. E não a atitude sobranceira dos passes para o lado e dos olés, quando o resultado fica muito desnivelado.
sexta-feira, julho 12, 2019
Recomeço
Perdemos na 4ª feira por 1-2 com o Anderlecht no primeiro
jogo de pré-temporada. O mais importante era sem dúvida a despedida do Jonas (o
10 saiu ao minuto 10 do dia 10: perfeito!), mas perante uma equipa que vai
começar o campeonato daqui a duas semanas, tendo nós só 10 dias de treino, o
que se viu não dá para tirar grandes ilações. Jogaram todos os jogadores disponíveis,
o que naturalmente também ajudou a quebrar o ritmo e os internacionais só
entraram em campo na 2ª parte (e nem jogaram até ao fim).
Na 1ª parte, gostei do Gabriel e do Salvio a defesa-direito,
e o Raúl de Tomás mostrou alguns pormenores interessantes (não pára quieto e ia
fazendo um golo de meio-campo, o que teria sido uma estreia inolvidável). Mas
fomos a perder 0-2 para o intervalo. Na 2ª parte, o Nuno Tavares a
defesa-esquerdo deu nas vistas (e ainda bem, porque o Grimaldo precisa de um
substituto em condições) e foi dele a assistência para o nosso golo, marcado
pelo Chiquinho, que já antes tinha falhado uma dupla oportunidade. Muita
miudagem teve a oportunidade de se estrear com o manto sagrado, mas nem todos vão
obviamente ficar no plantel principal. E outros menos miúdos mostraram que ainda não regressaram bem das férias.
Amanhã iremos a Coimbra defrontar a Académica e veremos como a equipa reagirá...
P.S. - Alguém me consegue explicar como é que, depois deste roubo monumental, deixamos que este sr. Fábio Veríssimo venha arbitrar o nosso jogo de apresentação...?
Amanhã iremos a Coimbra defrontar a Académica e veremos como a equipa reagirá...
P.S. - Alguém me consegue explicar como é que, depois deste roubo monumental, deixamos que este sr. Fábio Veríssimo venha arbitrar o nosso jogo de apresentação...?
quinta-feira, julho 11, 2019
Obrigado, Jonas!
O jogo de apresentação frente ao Anderlecht passou inevitavelmente
para segundo plano, quando uma lenda decide terminar a carreira com o manto
sagrado vestido. Claro que o clube está, e estará, sempre acima de qualquer pessoa,
mas dado que o clube não existe sem pessoas, quando estas se destacam e contribuem
para o seu engrandecimento, nada é mais justo do que prestar-lhes essa
homenagem. Em público, no estádio, perante os adeptos, para que estes tenham a oportunidade
de se despedirem convenientemente de quem lhes deu inúmeras alegrias. E de quem
esteve tempo suficiente dentro do clube para gravar indelevelmente o seu nome na
história desse mesmo clube. (Sim, ainda me custa imenso que isto não se tenha
passado com o Luisão e Nuno Gomes, por exemplo!)
Tal como o Rui Costa, o Jonas teve uma despedida à sua altura. Tal como o Rui Costa, o Jonas vestiu a mítica camisola 10 (agora, lembrem-se de a dar a um Djuricic qualquer...!). Tal como o Rui Costa, o Jonas esteve cinco anos no Benfica. Mas foram seguidos. E, felizmente, bem mais titulados: quatro Campeonatos Nacionais, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e duas Supertaças. Duas vezes melhor marcador do campeonato (e não foram três, porque logo na época de estreia lhe foi vergonhosamente roubado um golo no último jogo por inexistente fora-de-jogo), fez 137 golos em 183 jogos (incrível média de 0,75 golos/jogo), o segundo estrangeiro mais goleador só atrás de Cardeuz (para citar o meu amigo João Gonçalves) com 171, dos quais 110 no campeonato. Para além dos números, um perfume inconfundível sempre que a bola tinha a felicidade de encontrar os seus pés, colocando-o indiscutivelmente na galeria dos melhores jogadores de sempre do nosso clube. Até porque o inédito tetra tem a sua marca em três desses títulos. E são os títulos que tornam as lendas imortais.
Foram cinco anos maravilhosos pelos quais te estarei eternamente grato, grande Jonas! Foi um privilégio inigualável ver ao vivo praticamente todos os teus jogos na Luz (a excepção é o Manchester United há dois anos). Porque quando alguém nos oferece Arte (sim, com ‘A’ maiúsculo), manda a decência nós agradecermos. Por tudo isto, muito obrigado, Jonas! Estarás para sempre (bem acompanhados por uns quantos) num degrau abaixo da águia.
Tal como o Rui Costa, o Jonas teve uma despedida à sua altura. Tal como o Rui Costa, o Jonas vestiu a mítica camisola 10 (agora, lembrem-se de a dar a um Djuricic qualquer...!). Tal como o Rui Costa, o Jonas esteve cinco anos no Benfica. Mas foram seguidos. E, felizmente, bem mais titulados: quatro Campeonatos Nacionais, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e duas Supertaças. Duas vezes melhor marcador do campeonato (e não foram três, porque logo na época de estreia lhe foi vergonhosamente roubado um golo no último jogo por inexistente fora-de-jogo), fez 137 golos em 183 jogos (incrível média de 0,75 golos/jogo), o segundo estrangeiro mais goleador só atrás de Cardeuz (para citar o meu amigo João Gonçalves) com 171, dos quais 110 no campeonato. Para além dos números, um perfume inconfundível sempre que a bola tinha a felicidade de encontrar os seus pés, colocando-o indiscutivelmente na galeria dos melhores jogadores de sempre do nosso clube. Até porque o inédito tetra tem a sua marca em três desses títulos. E são os títulos que tornam as lendas imortais.
Foram cinco anos maravilhosos pelos quais te estarei eternamente grato, grande Jonas! Foi um privilégio inigualável ver ao vivo praticamente todos os teus jogos na Luz (a excepção é o Manchester United há dois anos). Porque quando alguém nos oferece Arte (sim, com ‘A’ maiúsculo), manda a decência nós agradecermos. Por tudo isto, muito obrigado, Jonas! Estarás para sempre (bem acompanhados por uns quantos) num degrau abaixo da águia.
domingo, julho 07, 2019
O milagre de Lage
Estava prometido desde o jogo com o Santa Clara, mas excesso de
trabalho e consequente falta de tempo fizeram com que este post só pudesse surgir agora. Sim, já é um assunto do passado, mas
uma promessa cumpre-se sempre e de qualquer maneira fica para memória futura.
O 37 foi um dos campeonatos mais épicos que conquistámos. Eu só tenho
pena de não ter apostado 50€ em como seríamos campeões no dia 2 de Janeiro à
noite. Neste momento, estaria certamente a escrever-vos das Seychelles. Quando
nessa fatídica noite em Portimão, ficámos a sete pontos do primeiro lugar, a duas
jornadas do final da 1ª volta, não havia uma santa alminha que pudesse
vaticinar o que viria a suceder. E, verdade seja dita, era preciso ser louco para
o fazer. Não só precisávamos de duas derrotas e um empate do 1º classificado,
como iríamos visitar o terreno das equipas que acabaram por ficar nos sete
primeiros lugares da época que findou (Mordor, WC, Braga, Guimarães, Moreirense
e Rio Ave). Era impossível, obviamente! E no entanto…!
Bem pode muita gente vir dizer que teve grande influência nesta
conquista (presidente incluído), que a verdade é só uma: o grande responsável
foi exclusivamente Bruno Lage. Ponto final! Por uma razão muito simples: todos
os outros já lá estavam desde o início da época e não só os resultados eram
insatisfatórios, como a qualidade do nosso futebol foi bastante sofrível (para
não dizer miserável) durante a maior parte do tempo. Foi só a vinda de Bruno Lage
(e da sua equipa técnica) que permitiu potenciar enormemente todas as
qualidades do plantel que estavam adormecidas e ainda ir buscar mais-valias à
equipa B (Ferro e Florentino acima de tudo). Só assim foi possível, com todas
aquelas saídas complicadíssimas, uma inacreditável série de 18 vitórias em 19
jogos (sendo o empate com o Belenenses SAD em casa consentido da maneira que foi).
As vitórias no WC e em Mordor, e especialmente o modo categórico como foram
conseguidas, ficarão para sempre na memória de todos nós, bem como a 2ª parte
em Braga depois de estarmos a perder ao intervalo. Já em Guimarães, tivemos a
sorte do jogo com o golo a surgir perto do fim, numa partida muito equilibrada.
Mas o jogo de que eu me vou lembrar melhor no futuro é o 10-0 ao Nacional.
Porque ele simboliza o que eu quero sempre do Benfica: a buscar constante do
golo até o árbitro apitar para o final. O nunca abrandar e tentar sempre mais,
independentemente do resultado. Ao contrário de muita estupidez que se disse e
escreveu na altura, isso é que é respeitar o jogo, o adversário e o futebol.
Houve vários jogadores que se destacaram durante a época: o Pizzi com 13
golos e incríveis 18 assistências, o Rafa que finalmente atinou com a baliza e
ficou em 3º lugar nos melhores marcadores com 17 golos, o Seferovic que foi o
melhor marcador com 23 golos, o Rúben Dias que foi um esteio na defesa, o
Samaris e o Gabriel como dupla de meio-campo que permitiu que jogássemos muito
subidos, e o João Félix que entrou para titular com o Bruno Lage, originado a
mudança do sistema para 4-4-2, e fez 20 golos (em todas as competições), 15 no campeonato,
na sua época de estreia. Aliás, merece óbvio destaque os 103 golos marcados
para o campeonato, que igualaram a nossa melhor marca conseguida em 1963/64, e
o facto de termos tido cinco jogadores nos 11 melhores marcadores do campeonato
(faltou referir o Jonas com 11 golos). Na baliza, melhorámos imenso com o
Vlachodimos (também ficaria sempre a ganhar por comparação), apesar de este ter
que melhorar (e muito) as saídas. As entradas do Ferro e do Florentino permitiram
suprimir com bastante qualidade as lesões do Jardel e Gabriel em alturas
cruciais da temporada.
A nova época já arrancou e estou muito curioso para ver como nos iremos
apresentar. As expectativas são naturalmente altas, porque se em apenas quatro
meses o Bruno Lage conseguiu melhorar o que conseguiu, eu faço ideia numa temporada
inteira… Para já, perdemos o João Félix para o Atlético de Madrid, mas 120 M€
eram absolutamente irrecusáveis. Pontos para o Luís Filipe Vieira que disse que
só vendia as pérolas do Seixal pela cláusula de rescisão e assim foi. No
entanto, com a sua saída e a previsível reforma do Jonas, temos uma questão
sobre o segundo avançado para resolver. Mas estou certo que o Bruno Lage saberá
como fazê-lo. Porque já todos vimos que milagres é com ele.
quarta-feira, junho 12, 2019
Final Four
A selecção
nacional venceu a Suíça por 3-1 há precisamente uma semana nas meias-finais e
conquistou a 1ª edição da Liga das Nações ganhando 1-0 à Holanda no passado
domingo. As duas últimas semanas de intenso trabalho impediram-me de postar mais cedo, mas de qualquer
maneira não queria deixar de saudar este facto. É uma competição nova da UEFA,
uma espécie de Taça da Liga, mas é oficial e portanto é prestigiante para nós
sermos os primeiros vencedores. Jogámos em casa, é certo, mas como infelizmente sabemos desde 2004 isso por si só não era garantia de nada.
No jogo da meia-final, o Fernando Santos tentou inovar o sistema (4-4-2) com a estreia absoluta do João Félix ao lado do Cristiano Ronaldo, mas as coisas não resultaram bem, com aquele a passar ao lado do jogo. Os três golos de Portugal foram marcados pelo C. Ronaldo (25’, 88’, 90’) depois de o Felix Brych (este ladrão, lembram-se?) ter assinalado com a ajuda do VAR um penalty mais que duvidoso do Nélson Semedo, permitindo a igualdade dos suíços aos 57’. A exibição da selecção não foi nada de especial, os suíços equilibraram durante grande parte do tempo, mas o C. Ronaldo fez tombar a balança a nosso favor.
Na final frente à Holanda, o Fernando Santos deixou o Félix no banco, promoveu a titularidade do Gonçalo Guedes e voltou ao 4-3-3. Portugal melhorou consideravelmente em relação ao jogo anterior, com a equipa a parecer bastante mais concentrada e coesa. A 1ª parte foi muito boa, a Holanda praticamente não chegou à nossa baliza, mas acabámos por fazer o golo da vitória só na 2ª através de um forte remate do Gonçalo Guedes à entrada da área, depois de uma assistência do Bernardo Silva (60’). Depois do golo, defendemos muito bem com o Rúben Dias em destaque e fomos uns justos vencedores.
O Bernardo Silva foi considerado o melhor jogador da final four, o C. Ronaldo foi absolutamente decisivo na meia-final e o Rúben Dias valorizou-se imenso com estes dois jogos. Em Setembro, voltarão os jogos de qualificação para o Euro 2020, onde se espera que consigamos corrigir a falsa partida de dois empates consecutivos em casa.
No jogo da meia-final, o Fernando Santos tentou inovar o sistema (4-4-2) com a estreia absoluta do João Félix ao lado do Cristiano Ronaldo, mas as coisas não resultaram bem, com aquele a passar ao lado do jogo. Os três golos de Portugal foram marcados pelo C. Ronaldo (25’, 88’, 90’) depois de o Felix Brych (este ladrão, lembram-se?) ter assinalado com a ajuda do VAR um penalty mais que duvidoso do Nélson Semedo, permitindo a igualdade dos suíços aos 57’. A exibição da selecção não foi nada de especial, os suíços equilibraram durante grande parte do tempo, mas o C. Ronaldo fez tombar a balança a nosso favor.
Na final frente à Holanda, o Fernando Santos deixou o Félix no banco, promoveu a titularidade do Gonçalo Guedes e voltou ao 4-3-3. Portugal melhorou consideravelmente em relação ao jogo anterior, com a equipa a parecer bastante mais concentrada e coesa. A 1ª parte foi muito boa, a Holanda praticamente não chegou à nossa baliza, mas acabámos por fazer o golo da vitória só na 2ª através de um forte remate do Gonçalo Guedes à entrada da área, depois de uma assistência do Bernardo Silva (60’). Depois do golo, defendemos muito bem com o Rúben Dias em destaque e fomos uns justos vencedores.
O Bernardo Silva foi considerado o melhor jogador da final four, o C. Ronaldo foi absolutamente decisivo na meia-final e o Rúben Dias valorizou-se imenso com estes dois jogos. Em Setembro, voltarão os jogos de qualificação para o Euro 2020, onde se espera que consigamos corrigir a falsa partida de dois empates consecutivos em casa.
domingo, junho 02, 2019
José Antonio Reyes (1983-2019)
Foi um prazer ver-te com o manto sagrado. Tive pena que só estivesses na época 2008/09 com ele, mas os golos frente à lagartada e ao Nápoles vão ficar para sempre na nossa memória. E quando voltaste à Luz na pré-temporada de 2009/10, tiveste a ovação merecida.
Um acidente de viação tirou-te ontem a vida. Todos nós ficámos em choque. Descansa em paz!
Um acidente de viação tirou-te ontem a vida. Todos nós ficámos em choque. Descansa em paz!
domingo, maio 19, 2019
O trinta e sete
Vencemos ontem o Santa Clara por 4-1 e sagrámo-nos campeões nacionais pela
37ª vez no nosso historial. Foi o quinto título nos últimos seis anos e esperemos
que esta reconquista signifique igualmente o reinício de uma senda gloriosa que
foi infelizmente interrompida na época passada.
Bastava-nos um ponto para sermos campeões, mas não só nenhum jogo se
ganha antes de ser jogado, como também seria um pouco frustrante terminar o
campeonato com um empate em casa e não ter conseguido assim uma brilhante série
de 18 vitórias nos últimos 19 jogos. (E aquele empate com o Belenenses SAD foi
tão escusado quanto estúpido…) Neste sentido, encarámos esta partida com a
seriedade que se impunha, até porque há que dizer que o Santa Clara mostrou que
pratica bom futebol e nunca desistiu durante todo o jogo. No entanto, nós
revelámos uma eficácia enorme e marcámos em praticamente todas as ocasiões que
tivemos. O primeiro golo surgiu aos 16’ numa abertura fantástica do Samaris,
que isolou o Seferovic na área, este dominou de peito e à meia-volta rematou
sem hipóteses para o guarda-redes Marco Pereira. Chegávamos aos 100 golos no campeonato!
Impressionante! Os açorianos reagiram pouco depois e, na sequência de um canto,
só não igualaram porque a cabeçada do Fábio Cardoso na pequena-área saiu
ligeiramente por cima. Aos 23’, ampliámos a vantagem numa jogada de insistência
do Rafa, com a bola a sobrar para o João Félix, que com uma simulação partiu os rins ao César (nosso
ex-central) e fuzilou o guarda-redes. O trinta e sete estava perto, mas o Santa
Clara voltou a criar perigo num livre do Bruno Lamas (bom jogador!) a passar
muito perto do poste do Vlachodimos. A nossa vantagem começou a ficar
insuperável com o 3-0 aos 39’: centro do André Almeida na direita, o Seferovic
não conseguiu acertar bem na bola de cabeça, esta ressaltou num defesa e ficou
à mercê do Rafa, que só teve que disparar para dentro da baliza. Mesmo em cima
do intervalo, noutra boa jogada de combinação da nossa parte, o João Félix em
excelente posição entro da área rematou ligeiramente por cima da barra.
Na 2ª parte, poderíamos ter aumentado o marcador logo no recomeço, mas
o Rafa não dominou bem uma bola que tinha sido recuperada pelo Pizzi. O Santa
Clara também teve uma boa chance, num remate de trivela do Ukra depois de uma bola
perdida pelo Ferro em zona proibida, mas o remate saiu ao lado. Ainda assim fizemos
o 4-0 relativamente cedo: centro do Grimaldo na esquerda aos 56’ e bis do Seferovic num remate de primeira
de pé esquerdo. Igualávamos o nosso melhor registo de sempre de golos em
campeonatos, conseguido em 1963/64, com o incrível número de 103! Pouco depois,
aos 59’, o Santa Clara reduziu (justamente, diga-se) através de um canto, com o
César a marcar na recarga, depois de uma cabeçada do Fábio Cardoso ao poste.
Num gesto bonito e apesar de só ter estado uma época no Benfica, o nosso
ex-central pediu desculpa pelo golo. Um dos momentos do jogo foi a entrada do
Jonas aos 69’ para o lugar do João Félix. Quiçá a fazer o último jogo da
carreira, o genial brasileiro entrou muito emocionado em campo e teve a equipa
a tentar dar-lhe um golo, o que de certa maneira impediu que estabelecêssemos um
novo recorde de golos no campeonato. Ainda teve duas ou três situações para
marcar, mas o guarda-redes defendeu uma no limite e nas outras a pontaria
esteve bastante desafinada. Do outro lado, o César poderia ter bisado, mas o
Vlachodimos defendeu quase por instinto o remate de cabeça num canto e a
recarga saiu muito por cima. Até final, ainda houve uma bola a bater na parte
superior da nossa barra, entraram o Taarabt e o Salvio, para os aplausos ao
Samaris (bem merecido para um jogador essencial na equipa e no plantel, e que tinha
finalmente renovado esta semana) e Rafa, mas o resultado não se alterou mais.
Em termos individuais, destaque para o bis do Seferovic, que ajudou a torná-lo o melhor marcador do
campeonato com 23 golos. O João Félix não começou bem o jogo, mas foi subindo
de produção ao longo dele e também marcou o seu golito. O Rafa é outro dos
imprescindíveis e acaba a época no 3º lugar dos marcadores com 17 golos.
Incrível para quem nos anos anteriores tinha tido sempre uma relação muito
difícil com a baliza…! O Samaris voltou a estar imperial no meio-campo, bem
secundado pelo Florentino. Menos positiva é a prestação da nossa defesa e
terminamos a época com 31 golos sofridos em 34 jogos, o que é manifestamente
muito.
A análise desta brilhante conquista merecerá um post à parte, mas os números praticamente falam por si. E só quem não tem cérebro pode tirar mérito a esta vitória.
A análise desta brilhante conquista merecerá um post à parte, mas os números praticamente falam por si. E só quem não tem cérebro pode tirar mérito a esta vitória.
CAMPEÕES, CAMPEÕES, NÓS SOMOS CAMPEÕES!!!
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