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segunda-feira, maio 13, 2019

Só mais um

Vencemos o Rio Ave em Vila do Conde por 3-2 e estamos a um singelo ponto de festejarmos o 37º título de campeão do nosso historial. Tal como se esperava, foi um jogo muito complicado, em que o Rio Ave mostrou a razão de estar a fazer uma excelente ponta final de campeonato que lhe permitiu empatar com o CRAC há duas jornadas.

Com a goleada deles no Nacional (4-0) mesmo antes de entrarmos em campo, a ténue esperança de podermos ser já campeões ontem esfumou-se logo. Eu estava obviamente bastante nervoso, mas as coisas não poderiam ter começado melhor: golo do Rafa aos 3’ a aproveitar muito bem um mau alívio de um defesa a um centro do André Almeida, depois de uma boa transição da nossa parte, com o Pizzi a abrir muito bem na direita no nº 34. O mais difícil estava (teoricamente) feito e tínhamos o resto do tempo para assentar o nosso jogo e aproveitar eventuais falhar contrárias. Ainda antes do quarto de hora, o Pizzi deveria ter feito melhor, num remate em arco depois de tirar um adversário no caminho, quando estava em boa posição. A meio da 1ª parte, foi o Vlachodimos a ajudar-nos a garantir a vitória, numa excelente defesa a um livre directo do Nuno Santos. Depois de um golo bem anulado ao Tarantini por claro fora-de-jogo, foi novamente o Pizzi a colocar o Leo Jardim em respeito por duas vezes, com remates perto da entrada da área. Em cima do intervalo, aumentámos a vantagem através do João Félix, numa jogada de contra-ataque bem construída pelo trio Félix, Seferovic e Pizzi, com aquele a isolar o nº 21, que não chegou à bola, mas o Léo Jardim deu um grande frango ao não agarrá-la na saída, e o Félix só teve que encostar. O Rio Ave protestou muito o lance por uma hipotética falta do Florentino na nossa área, mas a haver falta (o que, para mim, não é de todo claro) ela começa fora da área, portanto teria de ser aí marcada. O Sr. Hugo Miguel ouviu o VAR (Sr. Luís Godinho) e validou o golo.

Com uma vantagem de dois golos no recomeço, tínhamos tudo a nosso favor. No entanto, já deveríamos ter mais que percebido, desde o WC na Taça e Frankfurt, que nós não sabemos “gerir o jogo”. Reentrámos muito adormecidos e o Rio Ave reduziu logo aos 50’ pelo Tarantini que, depois de um passe/remate do Nuno Santos, apareceu isolado frente ao Vlachodimos, porque o André Almeida não acompanhou o resto da defesa e o colocou em jogo. Reagimos muito bem e aos 56’ voltámos a ter uma diferença de dois golos: excelente abertura do Ferro na esquerda para o Grimaldo, centro atrasado, a bola ressalta num defesa e vai ter com o nosso lateral-esquerdo outra vez, novo centro que encontra o Pizzi perto da marca de penalty e remate rasteiro deste de pé direito, com a bola ainda a bater no poste antes de entrar. Não deixámos o Rio Ave ter tempo para saborear a diferença mínima e o jogo entrou numa fase de loucos com parada-resposta. Por volta da hora de jogo, jogada parecida, com o Pizzi a variar o flanco para a esquerda para o Grimaldo, centro deste que encontrou o André Almeida sozinho perto da pequena-área, mas o remate de pé esquerdo foi defendido com o pé pelo guarda-redes. A resposta veio logo depois, com nova excelente defesa do Vlachodimos a um cabeceamento do Gelson Dala (bom jogador que os lagartos aqui têm). Esta toada estava longe de nos ser favorável, porque tínhamos dois golos de vantagem e estávamos a ficar muito expostos aos contra-ataques adversários. O Bruno Lage mandou (e bem) acalmar o jogo, fechámos linhas e o Seferovic poderia ter dado a machadada final a 15’ do fim, mas o seu remate, depois de passe de calcanhar do Rafa, foi bem cortado pelo Rúben Semedo. Entretanto, entrou o Gedson, saindo o Pizzi, para dar mais consistência ao nosso meio-campo, mas o Rio Ave conseguir mesmo reduzir aos 84’ num bom cabeceamento do entretanto entrado Ronan. Bem vistas as coisas, ainda tínhamos uma margem de dois golos que nos manteria no 1º lugar, mas não conseguir ganhar um jogo com esta marcha do marcador teria sido muito frustrante e inevitavelmente deixaria a equipa nervosa para a última jornada. O Cervi e o Jonas ainda entraram para refrescar a equipa e tivemos engenho para não deixar o Rio Ave criar grande perigo nos minutos finais. Ao invés, o Rúben Semedo terá feito um dos cortes do campeonato mesmo em cima dos 90’, impedindo o remate do Jonas de chegar à baliza. Teria sido o nosso golo 100 no campeonato, mas esperemos que ele surja para a semana.

Em termos individuais, o Samaris foi dos melhores em campo e será pouco menos que incompreensível se não renovar. Tanto dinheiro gasto em Filipes Augustos, Lemas, Contis e afins, que me custa a perceber que não haja dinheiro para um jogador não só desta qualidade, como com estes anos de casa. O Rafa voltou a ser muito importante pelo golo e pela maneira como acelera o nosso jogo. O João Félix já fez jogos melhores, mas muito do sucesso do nosso jogo atacante passa pela maneira como ele trata a bola. O Vlachodimos fez duas defesas que salvaram os dois pontos de vantagem que temos.

Falta-nos um ponto e recebemos o Santa Clara na Luz na última jornada. Nada está ganho ainda, o futebol reserva-nos muitas surpresas e imponderáveis (pode sempre haver uma expulsão nossa logo aos 5’ num lance de penalty), mas sejamos realistas: caso não sejamos campeões, será uma tragédia pior do que a do Kelvin. No entanto, da mesma maneira que o prato principal é o mais importante num restaurante, eu quero menu completo! Ou seja, acima de tudo obviamente o 37, mas também uma vitória (até porque ela significará chegar aos 100 golos) e o Seferovic como melhor marcador (tem um golo de vantagem sobre o Bruno Fernandes, que irá a Mordor pelo que não é expectável que faça muitos golos). Vamos lá, Glorioso, está quase! VIVA O BENFICA!

segunda-feira, maio 06, 2019

Goleada stressante

Vencemos o Portimonense na Luz por 5-1 no sábado e mantivemo-nos com dois pontos de vantagem perante o CRAC, que ganhou em Mordor ao Aves por 4-0. Quem olhar para o resultado sem saber nada do jogo, não ficará a perceber as dificuldades por que passámos: não só estávamos a perder aos 53’, como só tínhamos a vantagem de um golo aos 83’. Portanto não, uma “goleada stressante” não é um oxímoro.

Com o Jardel no lugar do castigado Rúben Dias, até nem entrámos mal no jogo e logo aos 9’ deveríamos ter inaugurado o marcado, quando, desmarcado pelo João Félix, o Seferovic conseguiu falhar isolado perante o guarda-redes pela terceira(!) jornada consecutiva: a tentativa de chapéu saiu muito curta e o Ricardo Ferreira só teve que levantar os braços para agarrar a bola. A partir daqui e até ao intervalo, a partida foi toda do Portimonense: não só trocava muito bem a bola, como manietava as nossas saídas logo a partir do guarda-redes e poderia ter inaugurado o marcador por três(!) vezes: dois remates do Dener (ao lado e por cima) em excelente posição, só com o Vlachodimos pela frente, e outro isolado em que o nosso guardião defendeu com o pé poderiam ter dado ao marcador números difíceis para nós superarmos. Do nosso lado, dois remates do Pizzi relativamente frouxos e um grande livre do Samaris mesmo à beira do intervalo, bem defendido pelo Ricardo Ferreira, levaram algum perigo à baliza dos algarvios, mas muito menos do que o do lado contrário.

A impressão generalizada na bancada durante o descanso era a que estávamos a acusar a pressão de ter de ganhar, agravada pelo facto de o Portimonense estar a jogar muito bem. Ao contrário do que seria de esperar, as coisas não se alteraram muito no início da 2ª parte. Continuámos manietados e, para piorar as coisas, sofremos um golo aos 53’ através do Tabata, depois de uma triangulação que o deixou sozinho frente ao Vlachodimos. Foi um enorme balde de água fria, mas a Luz começou a despertar e respondeu com palmas e incentivos à equipa. Por volta da hora de jogo, entrou o Jonas para o lugar do Samaris e seguiu-se não 15’, mas uma meia-hora à Benfica! Tudo começou num excelente passe do Rafa, que isolou o João Félix, mas um defesa conseguiu acompanhá-lo e cortou a bola. Aos 62’, fizemos a igualdade pelo Refa, que ganhou muito bem a bola a um defesa numa zona proibida e, à saída do guarda-redes, picou-a por cima dele. Pouco depois, o mesmo Rafa permitiu a defesa do Ricardo Ferreira, depois de uma boa jogada de combinação da nossa parte, com o Seferovic a atirar à barra na recarga, mas já em fora-de-jogo. A nossa pressão era asfixiante e o Grimaldo teve um remate fora da área, que o guarda-redes defendeu para a lateral. Finalmente aos 66’, a Luz deu um grito que não se ouve muitas vezes com o 2-1 pelo Rafa, a concluir uma jogada de insistência, com o Pizzi a isolar o Seferovic, este a centrar para trás, ressalto no Grimaldo para o nº 27 concluir com êxito. O grito da Luz foi uma autêntica panela de pressão que explodiu, semelhante ao primeiro golo do tri. Ainda faltava muito tempo para o fim e a equipa não estava tranquila, até porque com a saída do Samaris, havia espaço a mais no nosso meio-campo. O Florentino fez um mau passe na saída para o ataque, mas felizmente o remate do Tabata foi defendido pelo Vlachodimos. Pouco depois, foi o Lucas Fernandes a rematar à vontade à entrada da nossa área e a permitir nova defesa ao Vlachodimos. Para terminar, o Jonas homenageou o Pizzi frente ao V. Setúbal no ano do tri e isolou um adversário, mas o Vlachodimos por uma vez foi lesto a sair da baliza e, na sequência do lance, o Jardel fez um corte providencial. Estávamos a pouco mais de 10’ e um golo sofrido nessa altura teria sido muito complicado. Com visíveis dificuldades em segurar o jogo, o Bruno Lage fez entrar o Gedson para o lugar do exausto João Félix e começámos a reequilibrar as coisas. Aos 84’, finalmente suspirámos todos de alívio com o 3-1 do Seferovic a corresponder com um bom remate cruzado a uma assistência do Pizzi. A partir daqui, o Portimonense foi às cordas e ainda marcámos mais dois golos: aos 88’, bis do suíço (importante para conseguir ganhar o troféu de melhor marcador), depois de uma jogada de contra-ataque e um centro rasteiro do André Almeida; e, já na compensação, o Jonas voltou aos golos, noutra jogada de contra-ataque iniciada por ele, com outro centro do André Almeida para o nosso nº 10 fazer de cabeça o 300º golo da sua carreira.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Rafa que desbloqueou o jogo para nós com o seu bis. O Pizzi, apesar de um jogo menos conseguido, fez mais uma assistência e o André Almeida mais duas. Ambos têm números inacreditáveis de passes para golo! O Samaris estava a ser dos menos maus, mas teve que ser sacrificado para a entrada do Jonas. O Florentino não pode arriscar tanto quando está no nosso meio-campo, mas há que ter noção de que tem apenas 19 anos. O Seferovic teve um falhanço escandaloso no início, mas somou mais dois golos (e ainda bem, porque o Bruno Fernandes fez um hat-trick frente ao Belenenses e o suíço só tem dois golos de vantagem agora). O João Félix, desta vez, passou mais despercebido, mas não se pode ser genial em todos os jogos.

Para a semana, vamos a Vila do Conde para a penúltima das finais. Faltam quatro pontos para sermos felizes. Está tão perto e ainda falta sofrermos tanto...!

segunda-feira, abril 29, 2019

Estofo

Vencemos em Braga por 4-1 e demos um passo muito importante na desejada conquista do 37, porque o CRAC empatou no Rio Ave na 6ª feira (2-2), depois de estar a ganhar por 2-0 aos 84’, e ficámos assim com dois pontos de vantagem sobre eles. Foi um fim-de-semana absolutamente maravilhoso!

Com quase dois dias para absorver a benesse de Vila do Conde, todos nós estávamos em pulgas pelo jogo de domingo. Teoricamente seria o jogo mais complicado até final do campeonato e havia que nos mentalizarmos que, quando o jogo começasse, estávamos um ponto atrás do CRAC (e não dois à frente!). Com um Lexotan no bucho, porque eu não arrisco nos finais dos campeonatos, estava obviamente muito nervoso e a 1ª parte veio dar razão aos nossos temores. Fomos completamente manietados pelo Braga, que raramente nos deixou sair a jogar, o Samaris e o Florentino no meio-campo pareciam perdidos, a bola quase nunca chegou em condições aos dois da frente e, para piorar as coisas, sofremos o 0-1 aos 35’ num penalty marcado pelo Wilson Eduardo: duplo erro nosso, do Florentino que foi batido pelo Fransérgio e não o derrubou, deixando-o entrar na área, e do Rúben Dias, que fez a falta numa altura em que o jogador do Braga flectia para a direita e o Vlachodimos estava pronto para fazer a mancha. Apesar da pressão exercida sobre nós, as oportunidades de golo tinham-se equivalido até então, com o Rafa a falhar escandalosamente um centro para o Seferovic, que estava completamente isolado, logo aos 3’, e um remate rasteiro do André Almeida, que saiu perto do poste. Quanto a eles, um lance do Paulinho que rematou contra o Rúben Dias poderia ter criado grande perigo e uma cabeçada do Wilson Eduardo, que se antecipou ao Grimaldo, saiu muito por cima.

Ao intervalo, o panorama estava muito negro, porque não só estávamos a perder, como não tínhamos dado sinais na 1ª parte de conseguir inverter isso. Havia, no entanto, também a expectativa de saber se o Braga conseguiria manter o nível de pressão do primeiro tempo. Não conseguiu. Entrámos fortíssimos na 2ª parte e um remate do João Félix foi defendido pelo Tiago Sá para o poste logo no reinício e já depois de um livre do Grimaldo, ainda muito longe, ter também sido defendido para o lado pelo guarda-redes. O Braga mal saía do seu meio-campo e aos 59’ beneficiámos de um penalty por falta do Esgaio sobre o João Félix. Há por aí muita polémica, mas é para malta que tem problemas de visão (ou de verticalidade na coluna): vê-se bem numa repetição que o pé esquerdo do Félix é tocado pelo defesa do Braga que, aliás, nem protesta! Deve ter sido dos poucos penalties em Portugal em que um jogador não esboçou um único protesto! O Pizzi rematou rasteiro para o lado esquerdo do guarda-redes, que se atirou para o lado contrário. Ainda com a 1ª parte muito fresca na memória, por mim, o jogo poderia ter acabado logo ali. No entanto, ainda bem que os jogadores do Benfica tinham outras ideias. Aos 66’, o Sr. Tiago Martins marcou o terceiro penalty do jogo, segundo a nosso favor, por mão do Bruno Viana depois de uma boa combinação atacante entre o Pizzi e o João Félix. O passe é um pouco à queima, mas o jogador do Braga abre os braços. Já vi muitos penalties marcados por muito menos. Pareceu-me nas imagens que o João Félix foi perguntar ao Pizzi se ele queria marcar, o nº 21 disse que sim e ainda marcou melhor do que o primeiro: remate para o mesmo lado, mas para o canto superior da baliza que não daria hipóteses ao guarda-redes, mesmo que ele tivesse acertado no lado. Dávamos a volta ao jogo e três minutos depois, aos 69’, criámos uma distância de segurança com o 1-3 pelo Rúben Dias, a corresponder muito bem de cabeça a um belo canto do Pizzi. Foi a loucura no nosso banco e o meu grito também se deve ter ouvido em Braga. Escaldados com o que se passou na 6ª e também com o nosso jogo frente ao Belenenses, havia que ter muita concentração para não sofrer um golo que pudesse abrir novamente o jogo. E jogámos de forma muito inteligente, defendendo bem e tentando sempre o contra-ataque para colocar o Braga em sentido. O Abel Ferreira ainda colocou o Dyego Sousa em campo, que numa bicicleta criou perigo, mas a bola saiu à figura do Vlachodimos. Quanto a nós, tivemos mais do que uma ocasião para aumentar a vantagem, com o João Félix a proporcionar mais uma defesa ao Tiago Sá, com o Rafa na recarga de cabeça a atirar também na direcção do guarda-redes, mas conseguimo-lo aos 90’: o Rafa isolou o Seferovic, que permitiu uma defesa do guarda-redes com o pé, a bola sobrou para um jogador do Braga que ficou a dormir, o Rafa roubou-a e fez uma jogada à Maradona, passando por três adversários, e atirando a bola com o pé esquerdo para um dos cantos da baliza. Estava dada a machadada final e selada a nossa brilhante vitória.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pizzi com dois golos e mais uma assistência, para o Rafa que dinamitou a defesa contrária na 2ª parte e para o Ferro, que foi sempre imperial na nossa defesa. O João Félix não marcou, mas muito do nosso jogo passou por ele, e o Seferovic está numa fase em que falha muitos golos, mas o seu trabalho de desgastar a defesa contrária é insubstituível. Em geral, toda a equipa subiu muito na 2ª parte e a justeza da vitória é indiscutível.

Faltam três jogos e sete pontos. Nunca é demais relembrar que já estivemos numa situação ainda melhor que esta, em que também faltavam três jogos, dois dos quais em casa, tínhamos não dois, mas quatro pontos de vantagem e conseguimos perder esse campeonato. Portanto, toda a concentração é pouca, porque ainda não ganhámos nada.

quarta-feira, abril 24, 2019

Moralizador

Vencemos o Marítimo por 6-0 na 2ª feira e reassumimos a liderança do campeonato, com os mesmos pontos do CRAC, mas com uns incríveis 25 golos marcados a mais (87 contra 62). Foi uma boa exibição, mas só na 2ª parte, apesar de os madeirenses raramente terem criado perigo durante todo o jogo.

O Marítimo trocou-nos as voltas e atacámos para a baliza sul na 1ª parte, ao contrário do que costumamos fazer. Com o castigo do Rafa, foi o Cervi a ocupar o seu lugar e não poderíamos ter começado melhor, com o 1-0 logo aos 3’ num golão do João Félix, na sequência de um canto à Camacho do Pizzi (finalmente resultou!). O mais difícil estava aparentemente feito, mas a nossa exibição foi um pouco descolorida no primeiro tempo. O Marítimo continuava a fechar-se muito e nós não tínhamos a dinâmica de jogos passados, sendo algo lentos nas variações de flanco. Mesmo assim, um remate do Grimaldo permitiu ao Charles uma defesa incompleta e o Seferovic começou a sua lista interminável de falhanços, ao permitir também a defesa do guarda-redes, quando estava isolado depois de um passe fantástico do João Félix. Pelo meio, o Marítimo colocou a bola na baliza num canto, mas o Vlachodimos não lhe conseguiu tocar por causa de um defesa que lhe fez parede na pequena-área. O Sr. Luís Godinho assinalou (e bem, para mim) a falta, mas o nosso guarda-redes tinha obrigação de sair de outra forma.

Na ressaca de um jogo europeu, as segundas partes costumam ser mais difíceis do que as primeiras, por causa da quebra física. No entanto, e apesar de a chuva ter caído quase ininterruptamente durante o jogo todo, isso não aconteceu desta vez. Voltámos a marcar muito cedo, aos 49’, pelo Pizzi na sequência de um centro do André Almeida, depois de o canto do Grimaldo ter sido aliviado para o nosso nº 34. O remate do Pizzi ainda desviou num defesa, antes de passar por baixo das pernas do guarda-redes. O resultado já nos punha a salvo de um erro que pudesse acontecer, mas uma das vantagens do Benfica actual é que não se sacia e fomos à procura de aumentar o marcador. O que deveria ter acontecido pouco depois, mas o Seferovic falhou provavelmente o golo mais fácil do ano, na marca de penalty só com o guarda-redes pela frente, depois de um passe do Pizzi. Aos 64’, dissipávamos as dúvidas de vez com o 3-0, num bis do João Félix de primeira depois de um centro da direita do André Almeida. Aos 74’, começámos a construir a goleada através do Cervi, que picou a bola à saída do Charles, depois de brilhantemente desmarcado pelo João Félix. Com o jogo ganho, o nº 79 foi descansar para entrar o Jonas. Jonas esse que assistiu a cabeça do Seferovic, mas o suíço estava definitivamente infeliz na concretização e a bola saiu muito ao lado. Entretanto, já o Rúben Dias tinha saído, não lhe fosse passar uma coisa má pela cabeça e visse um amarelo que o tirasse de Braga, entrando o Taarabt e depois foi a vez do Pizzi ir descansar para o Salvio poder acumular minutos. O Marítimo dava pancada escusada (o Samaris e o Ferro que o digam), mas não se livrou de sofrer mais um golo, aos 89’ num bis do Cervi, com um remate de ressalto de fora da área que entrou rasteiro junto ao poste. Em cima dos 90, ainda fizemos a meia-dúzia num excelente cabeceamento do Salvio a corresponder ao centro largo do Grimaldo.

Em termos individuais, destaque para o João Félix com um bis e uma assistência. Apesar de o que disse o nosso presidente, temo bem que tenha sido a antepenúltima vez que o vimos ao vivo na Luz... O Cervi, que até nem estava a fazer uma grande exibição, também merece destaque pelos golos, que espero que lhe aumentem a moral. O Samaris continua o patrão do meio-campo, muito bem acompanhado pelo Florentino que foi dos melhores em campo (seria mesmo o melhor para mim, caso o João Félix não tivesse feito dois golos e uma assistência). Falando em assistências, o André Almeida lá somou mais duas e o Pizzi mais uma para os respectivos currículos. O Vlachodimos não teve grande trabalho, mas tem que melhorar bastante as saídas dos postes.

No próximo domingo, teremos possivelmente o jogo mais complicado até final do campeonato. A ida a Braga poderá decidir muita coisa, porque se um resultado negativo deitará tudo a perder, um positivo dar-nos-á uma moral muito grande para os restantes três jogos. Espero que este resultado frente ao Marítimo tenha dado o alento à equipa que ela precisa, para entrar com tudo em Braga e voltar às exibições categóricas para o campeonato no WC e Mordor. Se assim for, a probabilidade de sairmos contentes de Braga é bastante grande.

domingo, abril 21, 2019

Desilusão

Perdemos em Frankfurt frente ao Eintracht (0-2) na passada 5ª feira e dissemos ingloriosamente adeus à Liga Europa. Depois do que vimos da 1ª mão, já se sabia que ia ser complicado, mas o que não se esperava é que déssemos uma tão pálida imagem daquilo que valemos.

O Bruno Lage lançou o Jardel, o Fejsa e o Gedson, como já tinha feito no jogo da Luz, mas o resto da equipa foram os habituais titulares. Apesar disto, cometemos o mesmo erro da Taça no WC: não entrámos para marcar um golo e ficámos na expectativa. Desde há muito tempo, e particularmente agora, que não temos equipa para estar à espera do que o adversário vai fazer. Quando entramos para ganhar, geralmente ganhamos. Foi assim no WC e em Mordor para o campeonato. Quando não fizemos, fomos eliminados de duas provas. Ao contrário do que eu esperaria, o Eintracht não entrou a todo o gás, parecendo temer o nosso contra-ataque que, diga-se de passagem, nunca existiu, até porque o Rafa terá feito dos piores jogos esta época. Obviamente que é mais fácil dizer isto a posteriori, mas colocá-lo na direita não terá sido grande ideia… Estava tudo a correr na modorra que pretendíamos, quando sofremos o primeiro golo aos 36’: remate ao poste do Gacinovic e o Kostic em claríssimo fora-de-jogo a marcar na recarga. Erro grosseiro da equipa de arbitragem do italiano Daniele Orsato que, como não há VAR na Liga Europa, não foi corrigido. Para piorar as coisas, o Bruno Lage foi expulso do banco por causa deste lance. A um golo da eliminação, ficou evidente que teríamos de mudar de atitude e tentar marcar.

E foi isso mesmo que tentámos fazer no início da 2ª parte, em que tivemos finalmente algumas oportunidades. Uma boa jogada pela esquerda do João Félix não encontrou o desvio pretendido na área e uma excelente abertura do Samaris para a cabeça do Seferovic deu a sensação que poderia ser golo, mas a bola não fez o arco suficiente para passar por cima do guarda-redes Trapp. Os alemães responderam e acabaram por marcar o golo da qualificação aos 67’: mau alívio da nossa defesa e remate do Rode à vontade à entrada da área, que fez a bola entrar no canto inferior direito da baliza. Tudo a dormir entre defesas e médios nossos! A necessitar de marcar um golo, o Bruno Lage começou a fazer substituições, mas a meu ver não foi feliz a escolher o Samaris para sair (estava a ser dos nossos menos maus jogadores) para entrar do Pizzi. Pouco depois, o Salvio regressou aos relvados desde o jogo de Istambul e saiu o Rafa. Na fase do desespero, ainda entrou o Jonas para o lugar do André Almeida. Os alemães foram defendendo bem, connosco a ter uma oportunidade ainda que relativa pelo João Félix de cabeça num livre e principalmente num remate de primeira do Salvio ao poste, após centro do Grimlado, com o guarda-redes a tocar muito ligeiramente na bola (nem canto foi), mas se calhar o suficiente para não entrar. Nos últimos minutos, não tomámos as melhores opções no ataque (muito mais coração do que cabeça) e não conseguimos criar mais perigo.

Em termos individuais, não vou destacar ninguém, porque a exibição foi fraca colectivamente. Quanto aos menos, se o Jardel começou mal, mas depois se recompôs, o mesmo não se poderá dizer do Fejsa: muito lento na reacção, os adversários passaram por ele com facilidade e as dificuldades habituais a fazer fluir o jogo. Neste momento, o jogador mais vezes campeão do plantel está completamente ‘fora dela’. Gosto imenso do Fejsa, mas até para ser protegido é melhor que só volte quando estiver em plena forma.

Jogaremos amanhã em casa frente ao Marítimo na única prova que poderemos ganhar este ano. Que é também o troféu mais desejado. Não podemos mesmo falhar, porque depois da recuperação que fizemos, morrer na praia seria inglório. Força Benfica!

segunda-feira, abril 15, 2019

Complicado

Vencemos o V. Setúbal na Luz por 4-2 e mantemo-nos na liderança do campeonato com os mesmos pontos do CRAC, que venceu 3-0 em Portimão. Foi mais um jogo em que tivemos que suar bastante para conseguir os três pontos, mas a justeza da nossa vitória é incontestável.

Com o regresso dos titulares, o Florentino voltou a ocupar a posição do Gabriel e não poderíamos ter tido melhor entrada no jogo: marcámos logo aos 2’ através do Rafa, a corresponder bem a um centro da direita do João Félix. Depois da partida europeia há apenas três dias, marcar logo no início era o melhor que nos podia acontecer para nos tranquilizar. Durante os minutos seguintes, continuámos a exercer enorme pressão e tivemos mais duas oportunidades, num pontapé de bicicleta falhado pelo Pizzi e, principalmente, numa jogada do João Félix que passou por vários adversários e rematou com a bola a ser desviada por um defesa para canto, com o Makaridze preso ao relvado. Do lado contrário, só um remate do Jhonder Cádiz criou perigo, ainda que relativo, porque o Vlachodimos estava a controlar a trajectória da bola. Aos 26’ tivemos uma ocasião soberana para fazer o segundo golo num penalty a castigar mão do Rúben Micael a desviar o remate do João Félix. O Sr. Rui Gomes Costa (continuo a recusar-me poluir o nome ‘Rui Costa’ com este senhor) teve que ir ver as imagens para o assinalar, mas o Pizzi rematou para defesa do Makaridze. Pouco depois foi uma cabeçada por cima do João Félix e outra tentativa (dupla) do Rafa que deveriam ter tido melhor destino, mas aos 36’ fizemos finalmente o 2-0: bis do Rafa a corresponder bem a mais uma assistência do João Félix, que ganhou a bola a um defesa depois de uma insistência do Seferovic. Deveríamos ter ido para o intervalo com esse conforto de dois golos de vantagem, mas sofremos o 2-1 aos 39’ numa boa jogada de contra-ataque, conduzida pelo Berto na direita, que bateu o Ferro, e bem concretizada pelo Nuno Valente, depois de uma assistência do Rúben Micael.

Nas partidas depois das competições europeias, há sempre o temor resposta física da equipa, que geralmente costuma ressentir-se na 2ª parte. E, de facto, não recomeçámos bem ao permitir ao V. Setúbal ter mais bola, sem no entanto criar ocasiões para marcar. Era imprescindível aumentar-nos de novo a vantagem que nos desse alguma folga e assim o fizemos aos 56’ numa jogada em que o Florentino roubou uma bola a meio-campo (já se fizeram os testes devidos para saber se não estamos em presença de um plastic man...? Eu iria jurar que vi a perna aumentar para fazer o corte...), esta sobrou para o Pizzi, que centrou para o João Félix fuzilar de primeira. O V. Setúbal não desarmou e o Berto teve um remate por volta da hora de jogo que proporcionou ao Vlachodimos a defesa da noite. Iríamos conseguir selar definitivamente a vitória aos 77’ no golo da praxe do Seferovic, a corresponder bem com um remate muito colocado de pé esquerdo a uma assistência do Rafa, numa jogada iniciada pelo próprio suíço que colocou a bola no nº 27 para depois a receber de novo. A dois minutos dos 90’, o Sr. Rui Gomes Costa voltou a recorrer às imagens para assinalar um penalty contra nós, por pretensa falta do Rúben Dias sobre o Vasco Fernandes na sequência de um livre. O Jhonder Cádiz (a propósito, se calhar deveríamos considerá-lo para reforçar o plantel para o ano, não? Estamos com falta de pontas-de-lança, este é alto, rápido, marca golos e deu imenso trabalho aos nossos centrais) marcou à Panenka e fez o resultado final. Que poderia não o ter sido, se o Jonas (entrou para o lugar do Seferovic) não tivesse falhado um dos golos mais fáceis da carreira ao atirar de cabeça ao lado, quando só tinha o Makaridze pela frente, depois de um centro perfeito do Taarabt (que também tinha entrado para o lugar do João Félix).

Em termos individuais, destaque para a dupla Rafa e João Félix: o primeiro com um bis e uma assistência, e o segundo com um golo e duas assistências foram absolutamente vitais para a nossa vitória. Voltei a gostar muito do Samaris no meio-campo e o Florentino também fez uma boa partida. O Pizzi esteve uns furos abaixo do habitual, mas lá fez mais uma assistência. Os centrais tiveram muito trabalho com o Jhonder Cádiz e o Rúben Dias tem que ter mais cuidado na abordagem aos lances, porque embora o penalty seja duvidoso, não o seria se ele tivesse tido esse cuidado.

Iremos agora a Frankfurt tentar selar o nosso apuramento para as meias-finais da Liga Europa, antes de recebermos o Marítimo. Será uma partida complicadíssima, mas, apesar de o 37 ser a prioridade,  esperemos que o nosso caminho para Baku não seja interrompido.

sexta-feira, abril 12, 2019

Conversas à Benfica

Depois de convidados ilustres como o Nicolia, o ex-treinador Rui Vitória, o grande Ricardo Rocha e o enorme Nuno Gomes, o Sérgio Engrácia resolveu convidar um palerma...! Teme-se o pior!

 

P.S. - Muito obrigado ao Sérgio pelo convite! Foi obviamente um prazer e um honra. Se se divertirem tanto a ver como nós a fazer, terá valido a pena.

João Félix

Vencemos o Eintracht Frankfurt por 4-2 na 1ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa. Se me propusessem este resultado antes do jogo, assiná-lo-ia de cruz. Mas com as condicionantes da partida, nomeadamente o facto de termos ficado a jogar contra dez aos 20’ e termos sofrido dois golos em superioridade numérica, o resultado acaba por ser curto e iremos ter muitas dificuldades na Alemanha na próxima semana.

O Bruno Lage rodou a equipa, como tem vindo a ser habitual na Liga Europa. Confesso que estranhei tantas mudanças (não só entraram o Corchia, Jardel, Fejsa, Cervi e Gedson, como jogámos em 4-3-3 com o João Félix a ponta-de-lança e não no habitual 4-4-2), mas como costuma dizer-se “o treinador é que sabe” e o Bruno Lage já provou que sabe mesmo. Mesmo assim, os primeiros 20’ foram muito complicados e, enquanto houve igualdade numérica, a superioridade dos alemães foi clara, a justificar o facto de estarem em 4º lugar na Bundesliga. A pressão deles a meio-campo era enorme e nós tínhamos grandes dificuldades para sair a jogar. Uma enorme asneira do Jardel permitiu que o Jovic se isolasse, mas felizmente o Grimaldo foi rápido na dobra. Jovic esse que viu o primeiro amarelo do jogo logo aos 4’ por agarrar o Rafa num contra-ataque nosso. (Se fosse no campeonato português, o árbitro teria aconselhado calma porque estávamos no início do jogo. Diferenças...) Depois de mais um par de remates à nossa baliza, aos 20’surgiu o lance que mudou o jogo: fabulosa abertura do João Félix a isolar o Gedson, que foi claramente empurrado pelas costas dentro da área, quando se preparava para rematar. Penalty claro e expulsão do Ndicka. Sem Jonas, nem Pizzi, nem Salvio na equipa, estava curioso para ver quem marcava o penalty. Foi o João Félix, que não acusou a responsabilidade e rematou muito colocado para o lado esquerdo da baliza, tornando infrutífera a estirada do Trapp (claro está que, pessimista como sou, quando vi que era ele a marcar lembrei-me logo do penalty que falhou na pré-temporada frente à Juventus... Felizmente não o repetiu!). Esperava que, em vantagem no marcador e em termos numéricos, pudéssemos construir um resultado confortável para a 2ª mão, mas os alemães deram logo mostras de que conseguiam equilibrar o jogo mesmo com dez. Naturalmente que não fizeram a pressão do início, mas foi a suficiente para aproveitarem um enorme erro do Fejsa aos 40’, que se deixou antecipar depois de receber um passe do Corchia (que também esteve mal, porque movimentou-se em direcção aos jogadores alemães, em vez de dar uma linha de passe ao sérvio) e proporcionou um contra-ataque vitorioso concretizado pelo Jovic. Foi um balde de água fria, bem escusado. No entanto, respondemos em grande três minutos depois num golão do João Félix, que recebeu um passe do Cervi e rematou rasteiro de fora da área ao canto inferior esquerdo da baliza. Antes do intervalo, o Cervi teve uma dupla oportunidade, num remate que saiu à figura e noutro, na sequência desse canto, muito por cima. Poderia e deveria ter feito melhor em ambos os casos. Mesmo em cima do intervalo, os alemães tiveram um golo anulado por fora-de-jogo, depois de um livre lateral em que eu não percebo como é que nós deixámos um adversário rematar à vontade à entrada da área.

Reentrámos em grande na 2ª parte e tivemos 10’ ‘muita’ fortes (como diria o outro). O Rafa atirou ao poste numa boa jogada, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo. Logo a seguir, aos 50’, fizemos o 3-1 na sequência de um canto, com um desvio ao primeiro poste de cabeça do João Félix e o Rúben Dias a mergulhar para colocar a bola na baliza. Os alemães abanaram e aos 54’ o resultado avolumou-se para 4-1: boa jogada colectiva com a bola a passar por vários jogadores, o Cervi abriu na esquerda no Grimaldo, este centrou e o João Félix fez o seu primeiro hat-trick com a gloriosa camisola, com um remate rasteiro de primeira que passou pelo meio das pernas do Trapp. Aos 60’, o Bruno Lage tirou o Rafa para entrar o Seferovic e aos 66’ tivemos o azar da lesão do Corchia, que fez com que o Gedson tivesse que recuar para lateral, entrando o Pizzi. Perdemos um pouco de gás, mas mesmo assim poderíamos ter feito mais um golo, com o Seferovic isolado brilhantemente pelo João Félix a rematar rasteiro para grande defesa com o pé do guardião contrário. Seria provavelmente o golpe de misericórdia na eliminatória, mas o que aconteceu foi o inverso: aos 72’, num canto para os alemães, o entretanto entrado Gonçalo Paciência reduziu para 4-2, com os nossos centrais a ficarem mal na fotografia, dado que nem saltaram. A bola entrou em arco no poste oposto. Foi outro balde de água fria, ainda mais escusado do que o primeiro. Abanámos com este golo e foram os alemães que poderiam ter feito mais um, num remate por cima do Kostic em boa posição. Ainda entrou o Zivkovic para o lugar do Samaris, num sinal do Bruno Lage para o campo de que queria mais um golo, mas o resultado não se alterou mais.

Em termos individuais, é impossível não destacar a noite de sonho do João Félix: três golos, uma assistência (e outra para o penalty) e tem a Europa a seus pés. Temo muito que tenhamos apenas mais sete (esperemos que dez) jogos para usufruirmos dele com o manto sagrado. Vai ser muito difícil mantê-lo apesar de, para a sua própria carreira, ser melhor que ficasse mais um (ou dois) anos cá. Há ‘n’ casos de jogadores que saíram novos demais de Portugal e não tiveram sucesso. Enfim, aguardemos para ver o que se irá passar. Outro que fez um jogo fantástico foi o Samaris. Imprescindível no meio-campo, já mais que justificou a renovação e tem o extra de ser uma das vozes mais importantes no balneário. É para ficar! O Gedson também reapareceu em grande e foi o que mais procurou entrar na defensiva contrária. Acabou a defesa-direito, onde não comprometeu. Menos bem estiveram o Jardel e principalmente o Fejsa, que denotaram clara falta de ritmo. O Corchia, que se acabou por lesionar, também mostrou porque é que o André Almeida é um titular indiscutível. O Cervi esforça-se imenso, ajuda muito o Grimaldo, mas as coisas já lhe correram melhor.

Na próxima semana em Frankfurt, é imprescindível marcarmos primeiro. Caso aconteça o contrário, iremos sofrer bastante, porque em igualdade numérica os alemães revelaram um poderio considerável. Claro que o foco principal é o campeonato, mas depois deste resultado seria frustrante não chegarmos às meias-finais da Liga Europa.

segunda-feira, abril 08, 2019

Difícil

Vencemos o Feirense em Santa Maria da Feira por 4-1 e mantivemo-nos em 1º lugar, em igualdade pontual com o CRAC (2-0 em casa com o Boavista, com mais um penalty muito duvidoso que desbloqueou o marcador). Ao contrário do que o resultado indica, foi um jogo muito complicado para nós e em que só perto do apito final pude respirar de alívio.

Com a lesão do Gabriel e o castigo do Rafa, o Bruno Lage apostou no Florentino e na surpresa Taarabt para os seus lugares. Entrámos bem na partida, com o João Félix a tentar um par de remates, mas sem sucesso, no entanto foi o Feirense a adiantar-se no marcador aos 10’ pelo Sturgeon de cabeça, a aproveitar o espaço entre o André Almeida e o Vlachodimos. O nosso defesa-direito não ficou bem na fotografia, já que não acompanhou a movimentação do adversário. Reagimos bem, com a dupla de avançados Seferovic e João Félix em destaque, porém com a pontaria desafinada. Todavia, foi o Feirense a colocar novamente a bola na baliza, num livre lateral para a área que entrou directo, mas com um jogador a movimentar-se à frente do Vlachodimos. O fiscal-de-linha levantou a bandeirola e o VAR confirmou a posição irregular do jogador. A câmara disponível não estava no enfiamento da jogada, mas deu para perceber uma camisola azul ligeiramente à frente das vermelhas. Ora, como estava em diagonal, é fácil perceber que se estivesse alinhada veríamos mais facilmente esse adiantamento. O Feirense começou a fechar-se muito lá atrás e numa boa jogada individual, em que passou por vários defesas, o Taarabt só pecou por rematar com pouca força. O mesmo Taarabt teve uma oportunidade bem melhor, numa recarga a um remate do Pizzi bem defendido pelo Caio Secco, mas a bola saiu muito por cima. Aos 40’ fizemos finalmente o golo, através de um penalty do Pizzi a sancionar falta sobre ele mesmo. O Sr. João Pinheiro não assinalou logo na altura, mas o VAR deu-lhe a indicação que o jogador do Feirense tocou na bota do Pizzi quando estavam os dois a tentar chegar à bola. Logo a seguir, o João Félix marcou na pequena-área na sequência de um bom cruzamento do Seferovic, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo do nº 79. Era importante chegarmos ao intervalo em vantagem e conseguimo-lo já nos descontos da 1ª parte, com o André Almeida a ser bem desmarcado pela cabeça do Samaris, num canto marcado pelo Pizzi, e a fuzilar o guarda-redes.

A 2ª parte não poderia ser recomeçado melhor, com o 1-3 logo aos 49’: bola bombeada pelo Grimaldo para a área, o guarda-redes sai, mas um defesa corta-a de cabeça a frente, e o Seferovic de primeira faz um chapéu magnífico. Grande golo! O Feirense sentiu o golo e, nos minutos seguintes, poderíamos (e deveríamos) ter aproveitado esse facto: um cabeceamento do André Almeida, que se antecipou ao guarda-redes num livre, saiu por cima da barra e um remate do Grimaldo na área foi desviado por um braço de um defesa, mas o árbitro considerou casual. Não demos o golpe de misericórdia e o Feirense deu um ar de sua graça a partir dos 70’. Tiveram mais bola, acercaram-se da nossa baliza, mas não conseguiram criar verdadeiras oportunidades. Só num par de vez, com o Vlachodimos a socar bolas que deveria ter agarrado, conseguiram criar perigo relativo. Nós começámos a fazer substituições, o Jonas entrou para o lugar do apagado João Félix e teve um remate perigoso a passe do Seferovic, defendido para a frente pelo guarda-redes. No último minuto, demos o golpe final num grande cruzamento do Grimaldo, depois de um canto no lado oposto, a encontrar a cabeça do Seferovic, que cabeceou para o lado mais distante do guarda-redes, ou seja, da maneira que deveria ter feito naquele último lance no WC na passada 4ª feira.

Em termos individuais, bom regresso do Seferovic à titularidade no campeonato com um bis. O Ferro fez um jogão, com cortes impecáveis, e seria um sério candidato a homem do jogo não tivéssemos nós feito quatro golos. O Grimaldo também foi muito importante ao conduzir, como habitualmente, muito jogo nosso e a ter acção directa em dois dos golos. Gostei igualmente bastante do Samaris, que continua rei do nosso meio-campo e muito menos conflituoso do que no passado (se calhar, já renovava o contrato, não?). O Pizzi subiu ligeiramente em relação aos jogos anteriores e o Taarabt evidenciou o que de positivo tinha feito como substituto: muito critério no passe, tentar jogar sempre para a frente e cabeça levantada para ter boas opções na resolução das jogadas. O João Félix parece-me numa fase de menor fulgor, mas esperemos que seja passageira.

Ultrapassado este obstáculo, iremos agora defrontar o Eintracht Frankfurt na Luz na 5ª feira. É outra competição, eu gostaria muito de voltar a outra final europeia, mas o principal objectivo é o campeonato.

P.S. – O CRAC e seus acólitos têm de facto uma lata descomunal para vir protestar lances deste jogo, (ainda por cima sem razão nenhuma) depois de tudo o que já beneficiaram (e ainda beneficiam) neste campeonato. Já sabemos que eles gostam de reescrever a história (começam logo com a da fundação do clube), mas nenhum de nós tem a memória curta. Não sejam ridículos!

sexta-feira, abril 05, 2019

Fracasso

Perdemos no WC (0-1) na passada 4ª feira e dissemos adeus ao segundo grande objectivo da época, a Taça de Portugal. Depois da 1ª mão na Luz há dois meses, em que fomos claramente mais fortes, mas deixámos a lagartada marcar um golo que manteve a eliminatória viva, na 2ª mão tivemos uma versão muito pálida do Benfica, a fazer lembrar tempos não muitos distantes. Jogámos para o empate, perdemos. É quase sempre assim.

Como é hábito nas taças, o Bruno Lage voltou a apostar no Svilar em vez do Vlachodimos. Achei mal, mas não foi por aí que a corda se partiu. O Jardel também regressou à equipa (não jogava precisamente desde essa 1ª mão) e os outros foram os habituais titulares. A lagartada preferiu atacar para a baliza onde estão as suas claques na 1ª parte, quando o habitual é fazê-lo na 2ª. Estranhei a opção, mas o que é facto é que eles entraram bem no jogo, connosco a relevarmos uma apatia pouco habitual desde que o Bruno Lage tomou conta da equipa. O 2-4 do campeonato permitiu-lhes tirar ilações e tivemos sempre muitas dificuldades em sair a jogar desde a nossa baliza. Para piorar as coisas, o Gabriel lesionou-se com gravidade logo aos 18’, entrando o Gedson, e não volta a jogar esta época. A vontade que eles demonstravam não chegou para criarem grandes situações de golo, mas nós também não as tivemos, excepção feita a um remate do Fejsa quando tinha colegas melhor colocados e um lance perto do final da 1ª parte, em que um defesa desviou uma bola que ia chegar redondinha ao Seferovic, com o suíço a acertar mal nela por causa disso.

Na 2ª parte, tivemos logo no início uma oportunidade de ouro de acabar com a eliminatória, quando o Pizzi isolou o Seferovic, que não se posicionou bem e teve que rematar com o pé direito em vez do esquerdo, tendo a bola saído ao lado, quando só tinha o Renan pela frente. Logo a seguir, o inevitável Bruno Fernandes atirou um livre à barra. A lagartada continuava com o domínio do jogo, mas as ocasiões não abundavam. O Bruno Lage resolveu mexer, tirando o muito apagado João Félix e colocando o Jonas. Jonas, esse, que teve uma grande oportunidade aos 70’, num penalty em andamento que saiu muito por cima, depois de um centro do Pizzi na direita. Cinco minutos depois, aconteceu o balde de água fria: perda de bola do Rafa e depois do Grimaldo que tentaram sair a jogar muito perto da nossa área, o Bruno Fernandes ficou com ela, fintou o Grimaldo e rematou fortíssimo de pé esquerdo sem hipóteses para o Svilar. Ainda faltavam cerca de 15’ para o final, mais os descontos, mas não conseguimos pressioná-los tanto quanto deveríamos, porque houve uma tendência que se manteve no jogo todo: fizemos incontáveis passes errados. Ainda entrou o Taarabt para o lugar do Fejsa e o marroquino, mais uma vez, teve algum critério na posse de bola. Mas só uma cabeçada do Seferovic ao lado, a centro do Gedson, criou algum perigo. Falhámos ingloriamente um dos grandes objectivos da época e, como se isto e a lesão do Gabriel não fossem suficientes, o Rafa envolveu-se com uns jogadores lagartos já depois do final do jogo e viu o segundo amarelo, indo por isso falhar a deslocação ao Feirense.

Em termos individuais, não vou destacar ninguém. A equipa esteve mais uma vez (à semelhança do Tondela) algo presa de movimentos, a não conseguir sair a jogar e mudámos do dia para a noite em relação à ida ao WC em Fevereiro. Ainda continuamos em duas provas, mas o campeonato é obviamente o maior objectivo. Sem o Gabriel, as coisas vão ser mais complicadas e (espero bem que me engane) parece-me que os nossos melhores dias já passaram. O João Félix está a decrescer de forma, assim como o Pizzi, e deste modo o nosso jogo atacante sai muito menos fluído. Veremos como a equipa vai reagir a estes contratempos, mas seria muito frustrante acabar esta época sem nenhum título.

P.S. – A arbitragem do Sr. Hugo Miguel não teve influência directa no resultado, mas foi lamentável. O critério disciplinar foi absurdo, parecendo ser obrigatório termos que ser nós a levar o primeiro amarelo, mesmo depois de dois ou três lagartos o merecerem.

terça-feira, abril 02, 2019

A ferros

Um golo do Seferovic aos 84’ deu-nos a vitória sobre o Tondela (1-0) no sábado e permitiu-nos assim continuar na frente do campeonato com os mesmos pontos do CRAC (que ganhou em Braga por 3-2, com dois penalties a favor). Todas as épocas há pelo menos um jogo destes em que temos que sofrer vários AVCs até conseguir a vitória. Foi o golo do Jonas na época do tri, o do Jiménez no tetra e esperemos que seja este o da reconquista.

A paragem das selecções deu para recuperar o Seferovic, que no entanto ficou no banco, tendo o Bruno Lage apostado na mesma equipa que derrotou o Moreirense. Apesar de não ter conseguido estrear-se na selecção por causa de uma lesão, o João Félix também conseguiu debelá-la e foi titular. Começámos bem, com oportunidades pelo Rafa (duas vezes, uma das quais isolado frente ao Cláudio Ramos) e João Félix, (também duas vezes) mas três dos remates saíram ao lado e no isolado o guarda-redes defendeu com a perna. Aos 10’, o Samaris entrou na área, mas foi rasteirado por um defesa. O Sr. Carlos Xistra nada assinalou e o VAR (Sr. Hélder Malheiro) inacreditavelmente também não. Um roubo autêntico! Pouco depois foi a perna do Jonas a estar ligeiramente adiantada, o que inviabilizou o golo do André Almeida. Em cima do intervalo, o Tondela teve uma grande oportunidade, mas o cruzamento não encontrou destino na área, porque o avançado deixou a bola passar-lhe ao lado.

No início da 2ª parte, o Bruno Lage optou logo pela entrada do Seferovic tendo saído o Samaris. O grego até estava a ser dos melhorzitos da equipa, com o Pizzi, por exemplo, a ter uma actuação muito fraca. É mais fácil comentar no final do jogo, mas a saída do Samaris desequilibrou-nos e o Tondela acabou por ter mais espaço na 2ª parte. Voltámos a colocar a bola na baliza aos 50’, mas o André Almeida tocou-lhe com o braço antes do remate vitorioso do Jonas. A equipa de arbitragem tinha a tendência muito irritante de nunca marcar foras-de-jogo contra nós à espera da decisão do VAR, o que fazia com que os nossos defesas se desgastassem em vão e o público se exasperasse com foras-de-jogo evidentes que não eram logo assinalados. Curiosamente a nosso favor eram logo marcados... Coincidências...! Não estávamos a conseguir entrar na defesa adversária e o Bruno Lage fez estrear o Taarabt no lugar do Pizzi. Achei mais fezada do que outra coisa, até porque estava o Gedson no banco, mas o marroquino nem entrou mal (excepção feita àquela entrada estúpida e imprudente perto do final). Logo a seguir, o Tondela proporcionou ao Vlachodimos a defesa da noite num remate em arco do Xavier. A cerca de 10’ do fim, o João Félix fez uma das poucas coisas boas do jogo e centrou para a cabeça do Jonas, que atirou ao lado quando raramente falha ocasiões daquelas. Pouco depois, um remate em arco do mesmo Jonas proporcionou ao Cláudio Ramos uma excelente defesa. E aos 84’ finalmente surgiu o tão desejado golo, num excelente cruzamento em arco do Grimaldo na esquerda, com o Seferovic a corresponder com um magnífico cabeceamento sem hipóteses para o guarda-redes. O jogo deveria ter acabado logo ali, mas ainda permitimos uma oportunidade flagrante ao Tondela no último minuto da compensação, num cruzamento da direita (culpa do João Félix que não cortou a linha de passe para o lateral) com o Patrick na pequena-área a atirar por cima, quando só tinha o Vlachodimos pela frente.

Em termos individuais, destaque para o Seferovic pelo golo. E poucos mais, porque a equipa pareceu muito presa de movimentos depois dos 15’ iniciais, com a paragem das selecções aparentemente a ter-nos feito mal. O Bruno Lage também não esteve particularmente brilhante nas substituições, com a equipa a ficar ainda mais perra na 2ª parte.

Iremos já amanhã tentar selar a ida à final do Jamor no WC e teremos jogos decisivos no campeonato e Liga Europa já na próxima semana. Esperemos que esta não tão-boa exibição seja apenas consequência de a equipa ter estado dispersa nas selecções, porque precisamos de estar na melhor forma possível para conseguir superar os opositores em campo. E na sala do VAR.

P.S. – Um misto de trabalho e normalização dos batimentos cardíacos, que param várias vezes no sábado, fizeram com que este post só pudesse sair hoje. Aqui ficam as minhas desculpas.

terça-feira, março 26, 2019

Ucrânia e Sérvia

Começámos mal a qualificação para o Euro 2020 ao empatar na Luz com a Ucrânia (0-0) na 6ª feira e ontem com a Sérvia (1-1). É uma tradição nossa não começar estas qualificações com bons resultados, mas costuma ser só no primeiro jogo. Desperdiçar quatro pontos em casa com os dois principais opositores não augura nada de bom.

Se calhar é melhor alguém avisar a selecção que, se conseguiu ser campeã europeia a ganhar um só jogo nos 90’, não vai conseguir qualificar-se para o próximo Europeu só com empates. Melhor dizendo, é melhor alguém avisar o Fernando Santos que, alinhar com dois trincos e um médio semi-defensivo (William, Rúben Neves e Moutinho) com os ucranianos e dois trincos (William e Danilo) com os sérvios, não será uma boa opção para quem tem que construir muito jogo atacante. E que só fazer a terceira substituição a 5’ do fim em ambos os jogos é poucochinho. Notou-se mais na 6ª feira do que ontem, mas a lentidão de processos da selecção fez muito lembrar o Benfica do Rui Vitória. 

Os ucranianos defenderam muito, mas mesmo assim poderiam ter ganho o jogo no último lance da partida, quando uma defesa incompleta do Rui Patrício a um remate de longe proporcionou uma recarga já na pequena área, cortada pelo Rúben Dias. Quanto a nós, só um par de remates do Cristiano Ronaldo na 1ª parte criaram situações iminentes de golo, mas o Pyatov defendeu ambos para canto. A equipa pareceu muito presa de movimentos e com uma grande tendência em jogar para o Cristiano Ronaldo. É verdade que é praticamente só ele que remata à baliza, mas o jogo colectivo é nitidamente pior com ele em campo, como se houvesse uma obrigatoriedade de tudo passar por ele. Parece que o Fernando Santos ainda não percebeu uma maneira de o potenciar melhor.

Ontem, frente aos sérvios jogámos melhor, mas começámos praticamente a perder com um penalty escusado do Rui Patrício, que o Tadic concretizou em golo aos 7’. O Cristiano Ronaldo saiu por lesão por volta da meia-hora, mas conseguimos empatar num golão do Danilo aos 41’, com um remate indefensável de fora da área. No resto do jogo, demos um recital de como falhar golos. Alguns deles em que era praticamente só encostar. Já se sabia que a Sérvia atacava melhor do que a Ucrânia, mas foram mais perigosos na 1ª do que na 2ª parte. Por último, há que salientar que fomos prejudicados pelo Sr. Szymon Marciniak da Polónia que, aconselhado pelo fiscal-de-linha, voltou atrás na decisão de marcar um penalty contra os sérvios por claro braço na bola a dez minutos do fim. Incompreensível. (Embora, na 1ª parte, tenha perdoado um vermelho claro ao Pepe por pisão ao Tadic...)

Na próxima pausa para selecções, teremos a fase final da Liga das Nações, pelo que só em Setembro voltaremos a esta fase de qualificação. É imprescindível que melhoremos a concretização, caso contrário arriscamo-nos a ter que ir ao play-off para podermos estar presentes no Euro.

segunda-feira, março 18, 2019

Poderoso

Goleámos o Moreirense em Moreira de Cónegos por 4-0 e mantivemo-nos na liderança do campeonato com os mesmos pontos do CRAC, que derrotou o Marítimo por 3-0. Depois das horas extra frente ao Dínamo Zagreb, estava muito apreensivo para este jogo, porque iríamos defrontar uma das melhores equipas da Liga, que está num surpreendente 5º lugar, com menos de 72h entre jogos. A nossa resposta não poderia ter sido melhor e mais categórica!

De regresso à equipa-tipo dos últimos tempos, deveríamos ter começado a ganhar logo aos 3’, quando o Pizzi bem isolado pelo Rafa atirou ao lado da baliza. Aquela bola tinha que entrar...! Pouco depois, o João Aurélio deu uma pisadela no tornozelo do Grimaldo e nem amarelo levou! O nosso lateral ficou a contorcer-se no relvado, temi o pior, mas felizmente conseguiu recuperar. Aos 6’, o mesmo João Aurélio deu outra pantufada no Pizzi e levou amarelo. Que deveria ter sido o segundo, obviamente! Se dúvidas houvesse quanto à nossa resposta física, elas ficaram dissipadas logo desde o início, porque imprimimos uma pressão constante sobre o Moreirense, com o Samaris e o Gabriel a destacarem-se no meio-campo. Variávamos de flanco de forma rápida e foi assim que o Rafa, depois de brilhantemente dominar a bola enviada pelo Samaris desde o flanco oposto, flectiu da esquerda para o centro e rematou cruzado ao lado. Ainda apanhámos outro susto, com o Gabriel a queixar-se da virilha ainda relativamente cedo, mas a conseguir recuperar a tempo de alinhar praticamente o jogo inteiro. A meio da 1ª parte, o Jonas foi bem isolado pelo Samaris, mas em vez de rematar à baliza preferiu passar para o Pizzi, tendo a bola sido interceptada por um defesa. Pouco depois da meia-hora, marcámos através do mesmo Jonas, mas o Pizzi que lhe fez a assistência estava ligeiramente adiantado e o Sr. Nuno Almeida, depois de alertado pelo VAR, anulou a jogada. Aos 37’, fizemos finalmente o 0-1 num passe longo do Grimaldo para o João Félix, que aproveitou a falha de um defesa, que não interceptou a bola, para fuzilar o guarda-redes Trigueira. Aos 43’, aumentámos a vantagem num canto muito bem marcado pelo Pizzi, com o Samaris a corresponder com um óptimo cabeceamento sem hipóteses para o guarda-redes. Era fundamental chegar ao intervalo com esta vantagem e, para isso, muito contribuiu o Vlachodimos, com uma defesa difícil para canto, depois de um cabeceamento do Pedro Nuno.

Nos últimos anos, na jornada a seguir aos jogos europeus, geralmente só durávamos a meia-parte. Razão pela qual era importante ter uma vantagem de pelo menos dois golos, mas melhor ainda era marcar logo no reinício e acabar (quase) de vez com o jogo. Foi o que fizemos logo aos 49’, numa boa assistência do Jonas, que isolou o Rafa, tendo este picado a bola por cima do Trigueira, que ainda lhe tocou, mas não a conseguiu desviar da baliza. Por causa da porcaria do VAR, não festejei logo, porque fiquei com dúvidas acerca da posição do nº 27, mas a repetição dissipou-as todas. O Moreirense sentiu este terceiro golo, como é natural, e não conseguiu criar-nos muitas dificuldades, excepção a um livre do Chiquinho no qual o Vlachodimos fez uma boa defesa. Nós fomos gerindo a equipa e o jogo, mas sem nunca deixar de ter a baliza contrária em vista. Isto é uma das grandes melhorias em relação ao que se via no passado: seja qual for o resultado, com maior ou menor rapidez de processos, nós tentamos sempre aumentá-lo. O que deixa naturalmente o adversário de pé atrás. E, quanto a durar só meia-parte depois dos jogos europeus, estamos conversados... O Gedson e depois o Florentino entraram para os lugares do desgastado Pizzi e do Gabriel, e aos 80’ o Jonas viu a bola ser cortada por um defesa, depois de a dominar bem de peito, quando se preparava para rematar. Três minutos depois, foi o Florentino a estrear-se a marcar na equipa principal e fazer o 0-4 num canto do Grimaldo: saída em falso do guarda-redes, a bola sobrou para um defesa, que a tentou dominar, mas o nosso jogador foi muito inteligente na forma como adivinhou o lance e antecipou-se com um remate para a baliza deserta.

O melhor em campo foi o Samaris, que culminou uma exibição perfeita em termos defensivos com o nosso segundo golo. Também o Rafa merece muito destaque, pelas constantes rupturas que criou na defesa contrária e vai numa sequência muito interessante a marcar (cinco golos nos últimos seis jogos para o campeonato). Para quem já começava a falar de um abaixamento de produção, o João Félix respondeu em grande com uma exibição muito solta e valorizada com o nosso primeiro golo. O Gabriel voltou a ser um monstro no meio-campo, mesmo com algumas limitações físicas. O Jonas ficou em branco, mas contribuiu para o resultado com uma assistência para o terceiro golo. O Vlachodimos foi essencial por ter mantido a nossa baliza em branco em alturas importantes do jogo. Quanto ao resto da equipa, esteve igualmente num nível bastante elevado de produção.

Chegámos à pausa das selecções em primeiro lugar no campeonato, como era desejável. Esperemos que ninguém se lesione nos jogos internacionais, como infelizmente já aconteceu no passado. E vamos estar todos a torcer para que o Seferovic recupere a tempo da recepção ao Tondela. Iremos entrar na fase final da época e convinha ter o máximo possível de jogadores operacionais.

sexta-feira, março 15, 2019

Nos quartos

Vencemos o Dínamo Zagreb no prolongamento por 3-0, depois de 1-0 no tempo regulamentar, e qualificámo-nos para os quartos-de-final da Liga Europa. Foi uma qualificação justa, mas com um possível preço alto em termos físicos, porque jogámos mais meia-hora do que era suposto e temos um jogo muito importante para o campeonato em Moreira de Cónegos a menos de 72h deste.

O Bruno Lage fez algumas poupanças na equipa titular e lançou o Yuri Ribeiro, Fejsa, Zivkovic e Jota. Infelizmente, demos 45’ de avanço aos croatas, porque raramente os conseguimos pressionar e consequentemente as ocasiões de golo foram escassas. A ala esquerda (Yuri e Zivkovic) desperdiçou esta oportunidade e já nem voltou para a 2ª parte. O Jota teve algumas movimentações interessantes, mas não me parece que seja para jogar a avançado. Fez dupla com o Rafa e, como seria de esperar, não conseguimos ter presença na área. Com o Jonas no banco, faltou um avançado de raiz e continuo a achar que a decisão de deixar sair os dois avançados em simultâneo em Janeiro é muito questionável. Só dois remates, do Pizzi e Rafa, e ambos já depois dos 35’ colocaram o guarda-redes adversário à prova.

Logo no reinício, entraram o Jonas e o Grimaldo e tudo melhorou de forma quase imediata. Pressionámos muito mais o Dínamo Zagreb, mas continuámos a falhar alguns passes em zona decisiva e a ter alguma cerimónia na hora de rematar à baliza. Esgotámos as substituições com a entrada do João Félix para o lugar do Jota aos 62’ e marcámos finalmente o golo que igualou a eliminatória aos 71’: bola conduzida pelo Ferro, lançamento para o Pizzi na área, este amortece de cabeça para trás, onde o Jonas se enquadra e remata de primeira sem hipóteses para o Livakovic. Tentámos evitar o prolongamento, mas um remate em arco do Jonas foi defendido pelo guarda-redes e noutro lance o João Félix falhou completamente o desvio na sequência de um livre, tendo a bola saído pela linha lateral. No último minuto da compensação, foi a vez do Vlachodimos estar bem ao desviar a bola num canto, quando um adversário por trás se preparava para cabecear.

O prolongamento não estava no programa, mas o principal era conseguirmos o apuramento e foi neste período que estivemos melhor em temos exibicionais. Até pertenceu aos croatas a primeira oportunidade, com o Vlachodimos a não conseguir agarrar um remate de meia-distância e o Rúben Dias a atirar para canto, todavia respondemos logo a seguir noutro remate do Jonas sacudido pelo Livakovic. Aos 94’, aconteceu o principal momento do jogo: canto curto a nosso favor, a defesa croata alivia mal, o Ferro recupera a bola e, à entrada da área, remata muito colocado ao ângulo inferior direito da baliza. Que golão! Foi o delírio nas bancadas, mas logo de seguida uma desconcentração defensiva só não resultou no golo do Dínamo Zagreb, porque o avançado falhou completamente o remate, quando estava só perante o Vlachodimos, depois de um cruzamento na esquerda. Aos 104’, um defesa contrário cometeu hara-kiri ao ver dois amarelos seguidos por protestar com o árbitro e, no minuto seguinte, o Grimaldo praticamente fechou com o jogo com novo golão, num remate à Grimaldo com a bola a subir e depois a descer muito rápido, tendo o Livakovic ficado pregado ao relvado. Na 2ª parte do prolongamento, com dois golos de vantagem e mais um jogador, esperava que o Bruno Lage fizesse a quarta substituição, mas só a realizou em cima dos 120’ (entrou o Gedson para o lugar do Pizzi). Noutra desconcentração nossa, os croatas poderiam ter reduzido a 10’ do fim, mas o Atiemwen rematou a rasar o poste quando estava isolado, depois de passar no meio do Rúben Dias e Ferro. Não se percebe como os deixámos ter esta oportunidade a jogarem com 10... Quanto a nós, de quando em vez acelerávamos o jogo que ficava completamente partido, mas geralmente não conseguíamos meter o penúltimo passe e só tivemos uma real situação para aumentar a vantagem, com o guarda-redes a evitar o quarto golo ao defender brilhantemente um remate do Pizzi.

Em termos individuais, destaque para o Ferro e não só pelo golo: esteve muito seguro nos duelos individuais e só naquele tal lance da 2ª parte do prolongamento foi batido. Tem meia-dúzia de jogos pela equipa principal e já fez três golos. Não vai sair da equipa tão cedo. O Pizzi também fez um jogo em crescendo, assim como o Rafa que se fartou de fazer sprints, alguns com a pecha de terem o último passe transviado. O Jonas e o Grimaldo materializaram com golos o facto de terem sido fundamentais na melhoria exibicional. O Fejsa revelou alguma natural falta de ritmo, mas aguentou fisicamente os 120’. O Gabriel também fez uma boa exibição, especialmente a partir da 2ª parte, tal como a maior parte da equipa.

É muito bom estarmos nos quartos-de-final de uma competição europeia, mas estou com bastante receio das repercussões físicas para o jogo de domingo, porque o Moreirense é uma das revelações do campeonato e nós deixámos de ter margem de manobra para errar. É fundamental chegarmos à última pausa para as selecções antes do final do campeonato na frente.

P.S. – Calhou-nos o Eintracht Frankfurt no sorteio com a 1ª mão na Luz. Eu preferia o Slavia Praga, mas dado que também poderíamos ter apanhado o Nápoles, Arsenal, Valência ou Chelsea (se passarmos, devemos levar com estes nas meias-finais), acabou por não ser muito mau. Mas cuidado com os alemães, que estão a fazer uma excelente época (5º classificado no campeonato). Seria é bom que chegássemos a estes jogos com o plantel todo operacional...

terça-feira, março 12, 2019

Infantilidades

Empatámos ontem com o Belenenses SAD na Luz (2-2) e ficámos sem margem de manobra para o CRAC, que venceu domingo em Santa Maria da Feira por 2-1. Estão colados a nós com os mesmos pontos, embora percam no confronto directo. Eu pensei que já tinha visto tudo desde que o Luisão se estreou pelo Benfica a 14 de Setembro de 2003 no Estádio Nacional, onde até marcou um golo, mas não conseguiu evitar que o Belenenses marcasse dois depois dos 90’(!) e empatasse o jogo (3-3). Até ontem! Quando o Samaris fez o 2-0 aos 63’, não havia uma única alminha na Terra que perspectivasse o que viria a suceder: dois erros clamorosos e dignos dos infantis fizeram com que perdêssemos dois pontos contra o mesmo Belenenses de forma inglória. E até patética, há que acrescentar.

Com a lesão do Seferovic e o castigo ao Gabriel, entraram o Jonas e o Florentino na equipa. O que quer dizer que o Bruno Lage não gostou muito do Gedson em Zagreb. Compreende-se. Deveríamos ter entrado a ganhar, mas o Rafa, em boa posição, atirou ao lado depois de uma jogada de insistência do Samaris. Tal como se esperava, o Belenenses dificultou-nos muito a vida, porque é uma equipa que troca bem a bola e defende bem. De tal modo que as oportunidades escassearam na 1ª parte, só havendo outro remate do Rafa em excelente posição, que saiu muito por cima. Não estivemos tão dinâmicos como em partidas anteriores, com a equipa a ressentir-se (e muito) das ausências do Gabriel e Seferovic. Mesmo os que não estiveram na Croácia (André Almeida, Pizzi e Jonas) não conseguiram mostrar nenhuma frescura adicional.

Na 2ª parte, as coisas foram diferentes e conseguimos encostar mais o adversário às cordas. Depois de um remate de ressalto do Pizzi muito por cima, inaugurámos finalmente o marcador aos 56’, num grande golo do Jonas (que praticamente não se tinha visto até então): dominou muito bem uma bola centrada pelo André Almeida e rematou de pronto sem hipóteses para o Muriel. O mais difícil estava feito, mas era curto e convinha marcarmos um segundo golo para que pudéssemos descansar, dado que iremos ter mais dois jogos em sete dias. E conseguimo-lo através do Samaris ao tal minuto 63’, num remate de ressalto à entrada da área, que ainda tabelou num defesa. Numa fantástica publicidade ao anti-VAR, o Sr. João Capela esperou pela indicação do mesmo para ver se ninguém estava fora-de-jogo. Ou seja, não conseguimos festejar decentemente o golo num lance que não oferece a mais pequena dúvida! A partir daqui, o jogo estava ganho, certo? Pois... estaria se nós não nos tivéssemos lembrado de (literalmente) oferecer dois golos ao adversário aos 68’ e 71’! Num livre bombeado para a área, o Vlachodimos achou melhor perder tempo e deixar a bola seguir para fora em vez de a agarrar. O problema foi que perdeu a noção de onde estava o poste e a bola entrou na baliza com ele a abrir os braços para não lhe tocar. Demasiado patético para ser verdadeiro! Mas, se o nosso guarda-redes ainda tem muito crédito já que nos safou várias vezes, pouco depois o Rúben Dias teve o segundo erro clamoroso em jogos consecutivos, ao falhar completamente um atraso para o Vlachodimos, isolando um adversário que o bateu sem dificuldade. Inacreditavelmente, deixámos o Belenenses empatar com dois dos golos mais ridículos do campeonato! Claro que ficámos afectados por isso e até final procurámos o golo com muito menos discernimento do que é habitual. Só numa cabeçada do Jonas ao lado e num remate em arco do entretanto entrado Jota é que conseguimos criar perigo, mas em ambos os casos relativo dado que a bola nem sequer foi à baliza. O jogo chegou ao fim com um enorme sentimento de frustração em todos nós.

Em termos individuais, gostei bastante do Ferro, especialmente na 1ª parte e o Samaris fez igualmente uma exibição bem razoável. O André Almeida fez mais uma assistência e melhorou de produção na 2ª parte, o que também não era difícil dado o que (não) tinha mostrado na 1ª. Assim como o Pizzi, acrescente-se. O João Félix esteve relativamente apagado, dando a sensação de estar a acusar em termos físicos os jogos consecutivos que tem feito. Quanto ao Rúben Dias, é bom que volte a ter a cabeça no lugar. Já o lance no último minuto nas Aves, em que arriscou um segundo amarelo escusadíssimo com o jogo ganho (e com o Ferro já expulso) não augurou nada de bom, mas o que fez ontem juntamente com o penalty na Croácia tornam esta a semana mais negra da sua carreira até agora. É bom que se recomponha rapidamente.

Os próximos dois jogos (Dínamos Zagreb e Moreirense) serão fundamentais, mas temo bastante pela capacidade física da equipa. Teremos muito poucos dias de intervalo entre eles e já mostrámos estar mais fortes no aspecto físico do que agora. E serão dois jogos sem segundas oportunidades. Não gosto nada de ter de prescindir de uma competição, mas as fichas têm que estar todas no campeonato. A ida a Moreira de Cónegos irá ser especialmente difícil e, se jogarem muitos titulares na 5ª feira, não sei se nos conseguiremos apresentar nas melhores condições no domingo. Perder dois pontos desta maneira foi o pior que nos poderia ter acontecido nesta altura.

sexta-feira, março 08, 2019

Fraco

Perdemos ontem em Zagreb frente ao Dínamo (0-1) e estamos em desvantagem nos oitavos-de-final da Liga Europa. Ao 15º jogo da era Bruno Lage, fizemos finalmente uma má exibição e até tivemos sorte de não voltar a Lisboa com a eliminatória já perdida, dado que o Vlachodimos foi um dos melhores em campo. Como se não bastasse a derrota, a pior notícia da noite foi a lesão do Seferovic, cuja extensão ainda estamos para saber.

À semelhança do que fez em Istambul, o Bruno Lage fez algumas alterações no onze, deixando o André Almeida e Pizzi em Lisboa e apostando no Corchia, Florentino, Gedson e Krovinovic. E até entrámos bem, com uma enorme oportunidade do Grimaldo, brilhantemente desmarcado pelo João Félix, que, isolado frente ao guarda-redes, permitiu a defesa deste com a perna. Foi logo aos 7’ e foi a nossa melhor oportunidade no jogo inteiro. O Dínamo Zagreb estudou-nos muito bem e foi fechando os espaços com inteligência, não tendo nós a sagacidade necessária para contornar a defesa deles. Os extremos (Gedson e Krovinovic) flectiam muito para o meio e raramente procuravam os desequilíbrios no flanco. As coisas começaram a correr mal aos 31’, quando o Seferovic saltou e ficou a agarrar-se à virilha. Entrou o Cervi para o seu lugar e, se estávamos com dificuldades em encontrar o nosso futebol até aí, a partir da saída do suíço isso foi só uma miragem. O Vlachodimos já tinha efectuado um par de boas defesas até então e aos 38’ o Rúben Dias derrubou escusadamente um adversário, quando este fazia um movimento em direcção à bandeirola de canto! O árbitro assinalou penalty, que o Petkovic converteu para o meio da baliza (o Vlachodimos esteve quase a tocar na bola…). Até ao intervalo, um erro de posicionamento do Ferro fez com que um adversário se isolasse, valendo-nos o Vlachodimos para manter o jogo em aberto.

Na 2ª parte, o Dínamo ainda abdicou mais da posse de bola, mas foi perigoso no contra-ataque. Quanto a nós, tivemos sempre enormes dificuldades para conseguir chegar à área contrária, sentindo imenso a falta de um ponta-de-lança de raiz. O Rafa entrou por volta da hora de jogo, mas passou muito ao lado dele. Ainda entrou também o Zivkovic que deu razão ao Bruno Lage por não o colocar a jogar mais vezes. Assim como o Cervi, acrescente-se, que fez dos piores jogos que me lembro com a camisola do Benfica (salvo os aspectos defensivos no últimos minutos). Nunca demos a sensação de estar perto do golo e devemos à aselhice adversária (em dois ou três lances) ainda podermos ter esperança na qualificação.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Vlachodimos. O Corchia foi dos menos maus, mas não se safou praticamente mais ninguém. O João Félix ficou desprotegido depois da saída do Seferovic e não é para jogar como ponta-de-lança. O Krovinovic acusou muita falta de ritmo (habitual), o Gabriel também esteve a léguas do que tem vindo a produzir. O Grimaldo não dá para tudo e é outro que infelizmente é insubstituível. O Gedson na direita de início não resultou e o Florentino acabou por ser dos sacrificados quando colocámos mais homens na frente, se bem que o o Cervi e o Zivkovic tenham sido demasiado inoperantes. O Rúben Dias tem definitivamente que ter mais cuidado na forma como aborda os lances: já na Vila das Aves, salvou-se de um segundo amarelo já nos descontos com o jogo resolvido a nosso favor nem sabe como e ontem o penalty é escusadíssimo. Não sei se a braçadeira de capitão lhe pesou no braço, mas há que ter a inteligência de perceber a melhor forma de se fazer aos lances. E este disparate de ontem, custou-nos muito caro.

Em sete dias, vamos ter três jogos que irão definir muito daquilo que será a nossa época. Começaremos frente ao Belenenses na Luz, que está numa boa fase e bem classificado, e, ainda por cima, quase de certeza que não teremos o Seferovic. E teremos o Dínamo Zagreb três dias depois e a ida a Moreira de Cónegos três dias a seguir. Vai ser muito desgastante e vamos ver como a equipa irá reagir a esta série infernal.

P.S. - Logo aqui, eu fui um dos que manifestaram preocupação por irmos enfrentar metade da época só com um ponta-de-lança de raiz. Era muito duvidoso que o Seferovic pudesse aguentar tantos jogos seguidos sem poder descansar. Só espero que a lesão seja facilmente recuperável, porque o suíço é dos mais insubstituíveis do plantel. Vamos lá a ver se o erro que cometemos em Janeiro (se era inevitável a saída do Ferreyra e Castillo, dever-nos-íamos ter acautelado com a contratação de outro ponta-de-lança) não nos vai custar títulos. É que o Jonas tem as limitações físicas que tem (nem foi à Croácia) e nem o Félix, nem o Rafa, nem o Jota são pontas-de-lanças no sentido daqueles três. Aliás, viu-se ontem como o Félix baixou logo de produção quando passou a jogar no meio dos centrais.

segunda-feira, março 04, 2019

Soberbo

Vencemos em Mordor no sábado (2-1) e assumimos a liderança do campeonato com dois pontos de vantagem sobre o CRAC. No dia 2 de Janeiro, quando perdemos em Portimão, ficámos a sete pontos deles e, dois meses depois, conseguimos recuperar nove pontos! É verdadeiramente impressionante o que conseguimos em tão pouco tempo, tanto em termos de resultados como principalmente em termos de qualidade futebolística. Mérito total (apesar de ele ter a humildade dos grandes e passar a responsabilidade para os jogadores) para o Bruno Lage.

Entrámos em Mordor com a mesma personalidade dos jogos anteriores e isso foi logo um óptimo início. Ou seja, não exibimos aquele temor habitual sempre que visitávamos a casa do CRAC e que, muitas vezes conjugado com a inclinação que existe sempre naquele campo, nos fazia começar o jogo já a perder. Com a equipa-tipo e à semelhança da meia-final da Taça da Liga em Braga, a primeira oportunidade foi deles, num remate fora da área do Alex Telles que o Vlachodimos defendeu para a linha lateral. Nos primeiros minutos, estiveram eles mais próximos da nossa área, mas sem conseguirem mais pôr à prova o nosso guarda-redes. Respondemos por volta do quarto de hora, num lance em que o Pizzi é puxado pelo Manafá na área. Voltamos à questão da intensidade, mas de uma coisa tenho certeza: se fosse ao contrário, o Sr. Jorge Sousa teria assinalado penalty. Aos 20’, o CRAC colocou-se em vantagem: livre directo do Adrián López, a bola bate na barreira, ressalta para ele que remata mais devagar (pareceu que quis assistir um colega na área), a bola desvia no peito do Marega, o Pepe baixa-se e o Vlachodimos não consegue chegar-lhe. É muito duvidoso que o Pepe esteja em linha com o Rúben Dias na altura do remate do Adrián López, mas o que não é nada duvidoso é que, quando a bola desvia no peito do Marega, o Pepe está claramente fora-de-jogo e a sua acção influencia o Vlachodimos. O VAR Sr. Tiago Martins achou que não e o Sr. Jorge Sousa nem sequer foi consultar as imagens! Típico (quando é contra nós)...! Não poderíamos ter reagido mais rapidamente, com o Pizzi a ficar frente-a-frente com o Casillas, mas o remate saiu à figura e o espanhol conseguiu defender com as pernas. Aos 26’, conseguimos a igualdade, numa bola ganha a meio-campo pelo incansável Gabriel ao Adrián López, sobrou para o Manafá que perdeu no corpo-a-corpo com o Seferovic e o suíço assistiu o João Félix que, na marca de penalty, fuzilou o Casillas. O CRAC sentiu muito o golo e, até ao intervalo, só através do Brahimi, num remate que acabou muito bem interceptado pelo André Almeida criou perigo e mesmo assim relativo. Quanto a nós, tivemos mais uma oportunidade flagrante em cima do intervalo pelo Seferovic, isolado pelo Pizzi, que rematou à figura do Casillas.

Na 2ª parte, mantivemos a tendência do final da 1ª e colocámo-nos em vantagem aos 52’ numa excelente combinação atacante, com o Pizzi a reter a bola na área e a soltá-la na altura exacta para o Rafa que, com um remate rasteiro e colocado já dentro da área, desfeiteou o guardião espanhol. O CRAC naturalmente reagiu e começou a colocar mais gente na frente, mas nós estivemos bastante bem a defender. Remates do Brahimi por cima e do Marega à figura do Vlachodimos não deram a sensação de golo. Em termos atacantes, acabámos por não conseguir ter grande produção, porque o CRAC pressionava, mas mesmo assim o Seferovic isolou o Rafa pouco depois da hora de jogo, sendo o lance anulado por pretensa mão do suíço. Só houve uma repetição e não vi falta nenhuma! O Pizzi na direita não estava a conseguir suster o Alex Telles e o Gedson entrou aos 71’ para o seu lugar. Pouco depois, o Samaris safou um golo certo ao cortar a bola no último momento, quando o Herrera já tinha armado o remate. Conseguimos reagir a seguir, com o Rafa a ter uma ocasião parecida com a do golo, mas o remate saiu infelizmente ao lado. Aos 78’, o Gabriel viu dois amarelos no mesmo lance(!) e foi expulso. O Sr. Jorge Sousa até pode ter a lei do seu lado (o nosso nº 8 agarrou o Otávio e depois reagiu mal ao facto de este lhe ter batido nas costas), mas não me lembro de muitas vezes em que um jogador visse dois amarelos no mesmo lance. Mais: tenho a certeza absoluta que, se fosse ao contrário, isto jamais teria sucedido. A partir daqui, a pressão dos de Mordor intensificou-se e o Felipe teve duas ocasiões num cabeceamento que bateu na parte superior da barra, depois de um canto inexistente, e num grande remate de fora da área, em que o Vlachodimos fez outra fantástica defesa. Perto do fim, nova boa defesa do guardião grego a desvio do Marega na pequena área, mas se entrasse o lance teria de ser (espero eu) invalidado por fora-de-jogo. O Corchia e o Cervi também entraram para ajudar a defender e o final do jogo surgiu finalmente com um enorme suspiro de alívio da nossa parte.

Em termos individuais, destaque para o Gabriel, que teria sido o melhor em campo, não fosse a expulsão. Independentemente de eu achar que foi exagerada, o nosso nº 8 não tinha nada que reagir daquela maneira à palmada que levou. Tem que ter a consciência de contra quem está a jogar e em que campo. Todo o cuidado é pouco e as desculpas para se expulsar jogadores nossos são muito pequenas. O Rafa foi decisivo no golo da vitória, assim como o Pizzi, apesar de este nem ter feito um jogo por aí além. Palavra também para a nossa defesa, em especial a dupla de centrais (Rúben Dias e Ferro), que esteve intratável. O Vlachodimos foi novamente essencial a garantir os três pontos, assim como o Samaris naquele corte providencial. O Seferovic desta feita ficou em branco, mas somou mais uma assistência ao currículo.

Faltam dez jogos para o final do campeonato. Conseguimos o mais difícil e que era impensável há meia dúzia de jornadas. Ganhámos no WC e em Mordor na mesma época pela primeira vez deste 1990/91! Há que manter o foco para conseguirmos um feito histórico. Estamos a jogar um futebol maravilhoso, como há muito não se via, e seria uma injustiça se não conseguíssemos títulos. Mas a história do futebol está cheia de injustiças...

P.S. – O Pepe continua uma criatura execrável. O modo como ele se virou ao João Félix, num lance em que nem sequer foi tocado diz tudo acerca do seu “carácter”. Grande “carácter” tem também o Sérgio Conceição, que deixou o João Félix de mão estendida no final do jogo. Estão ambos MUITO bem no clube onde estão.

terça-feira, fevereiro 26, 2019

Inteligência

Vencemos o Chaves por 4-0 e mantivemos a distância de um ponto para o CRAC (3-0 em Tondela) a uma semana de irmos a Mordor. Com a derrota do Braga em casa frente ao Belenenses (0-2) e o empate na lagartada no Marítimo (0-0), temos agora sete e dez pontos de vantagem sobre eles, respectivamente. Depois da vitória do CRAC na 6ª feira, estávamos pressionados para não os deixar alargar a vantagem na véspera de os visitarmos e jogámos com grande paciência e inteligência emocional, conseguindo uma vitória tranquila e mais que justa.

Apesar de estar nos lugares de descida, o Chaves até entrou bem no jogo e pôs à prova o Vlachodimos por duas vezes no primeiro quarto de hora. E terminou aí as iniciativas flavienses no jogo! Nós respondemos entre esses dois lances com um cabeceamento(!) do Rafa à figura, mas inaugurámos o marcador aos 19’ através do mesmo Rafa, num dos inúmeros passes teleguiados do Gabriel para o flanco oposto, onde o Pizzi centrou, o João Félix teve uma recepção deliciosa e cruzou para o centro da área, onde um jogador do Chaves chutou contra outro, tendo a bola sobrado para o nº 27 só ter que encostar. Pouco depois, o mesmo Rafa teve uma boa oportunidade de bisar, mas o remate de primeira a centro do Grimaldo saiu por cima, e o Seferovic falhou uma recarga relativamente fácil a um cabeceamento do João Félix, que o António Filipe não conseguiu segurar. No entanto, aos 37’, marcámos o segundo graças à dupla de avançados: boa desmarcação do João Félix a passe do Seferovic, remate forte do miúdo que o guarda-redes só teve tempo de rechaçar para a frente, com o Félix a fuzilar na recarga de pé esquerdo. A bola entrou e ainda bem, mas o remate poderia ter sido colocado em vez de com força, porque deu a sensação que, caso o Félix não tivesse acertado bem na bola, ela não teria levado a direcção da baliza. Em cima do intervalo (43’), fizemos o 3-0 noutra abertura fabulosa do Gabriel a isolar o Seferovic e o suíço a desfeitear o guarda-redes, mesmo tendo sofrido um empurrão por trás. Aliás, eu já estava de pé a gritar penalty, quando a bola entrou.

Para a 2ª parte, esperava-se a reacção do Chaves, mas ela não aconteceu. Pareceu que estavam a tentar minimizar os prejuízos para não levarem uma dose igual à do Nacional. E, se foi isso, conseguiram-no. Mesmo assim, isso só aconteceu, porque também não estivemos tão felizes na concretização, com um remate do Félix logo no reinício muito por cima, quando estava em excelente posição na área, e um par de grandes defesas do António Filipe a remates do Pizzi, muito bem desmarcado pelo Gabriel (outro inacreditável lançamento longo) e pelo entretanto entrado Jonas. O Grimaldo tentou marcou um golo igual ao frente ao Boavista, mas o guarda-redes voltou a defender, porém no último minuto fizemos finalmente o quarto golo através do Jonas, bem desmarcado pelo Félix, que recargou com êxito um remate seu defendido pelo guarda-redes. Foi bom que não tivesse ficado 0-0 na 2ª parte.

Em termos individuais, destaque absoluto para o Gabriel cuja precisão no passe é superior ao GPS dos nossos telemóveis e, ainda por cima, decidiu jogar apesar de ter sabido da morte de um familiar muito próximo horas antes da partida. O Florentino exibiu-se novamente em grande plano e não engana ninguém: é craque. O Samaris, que recuou para central para o lugar do castigado Ferro, deu conta do recado e o Corchia também não esteve mal no lugar do André Almeida. O Rafa teve as melhores oportunidades na 1ª parte e está com uma veia goleadora de saudar, assim como grande parte da equipa: não me lembro de haver uma época em que tivéssemos cinco jogadores entre os oito primeiros(!) na tabela dos goleadores, sendo esta liderada pelo Seferovic com 15 golos (o Jonas está com nove e o Pizzi, João Félix e Rafa com oito).

Teremos agora finalmente quase uma semana para preparar o próximo jogo, que será em Mordor. Em condições normais, com uma arbitragem decente, não duvido que teríamos boas hipóteses de ganhar. Mas, pela amostra da Taça da Liga em Braga, tenho grandes dúvidas que isso possa acontecer. De qualquer maneira, estamos a jogar um grande futebol e não há nenhum benfiquista que não esteja contente com isso. A maneira como nesta partida fomos variando a forma de jogar para tentar entrar numa defesa superpovoada roçou o brilhantismo. E demonstra como a equipa está a crescer de jogo para jogo, relevando uma inteligência colectiva como há muito não se via: não perdemos a calma, sabemos ser pacientes, desaceleramos e aceleramos quando é preciso, é um gosto ver o Benfica actualmente. Veremos o que se irá passar no sábado.

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Q.B.

Empatámos com o Galatasaray (0-0) na 2ª mão dos 16 avos-de-final da Liga Europa e conseguimos assim qualificar-nos para os oitavos. Foi um jogo com muito menos intensidade do que temos vindo a exibir, mas isso fez parte da estratégia, que passou muito por não dar espaço aos turcos e, de facto, eles não tiveram praticamente oportunidades de golo.

Ao contrário da partida da 1ª mão, o Bruno Lage só trocou três jogadores: a dupla de meio-campo (Samaris e Gabriel por Florentino Luís e Gedson) e o Cervi na esquerda no lugar do Rafa. Ou seja, André Almeida, Grimaldo e Pizzi foram titulares. Depois de surpreender o adversário uma vez, convinha não repetir a dose, que deixaria de ser surpreendente. Na 1ª parte, cedemos a iniciativa ao Galatasaray, tentando partir em contra-ataques rápidos quando ganhássemos a bola. E foi desta maneira que criámos uma boa oportunidade pelo Cervi, logo nos minutos iniciais, mas o seu remate saiu ao lado. Tivemos igualmente oportunidades pelo Pizzi, que permitiu a defesa do guarda-redes num remate fora da área, e pelo André Almeida, mas um defesa cortou a bola antes de o lateral poder rematar. O Vlachodimos não teve praticamente trabalho nenhum.

Na 2ª parte, carregámos mais logo nos minutos iniciais e o João Félix teve uma excelente oportunidade num canto, depois de um desvio de cabeça do Ferro, mas atirou por cima, quando tinha a baliza muito perto. O Seferovic teve uma óptima jogada na direita, mas o passe atrasado para o Félix não saiu na perfeição e o remate deste foi defendido pelo Muslera. Os turcos tentavam principalmente de bola parada, mas a nossa defesa esteve muito bem. O Bruno Lage fez entrar o Rafa para o lugar do Cervi, numa tentativa de aumentar a velocidade e criar mais desequilíbrios. Rafa, esse, que já perto do final teve uma boa iniciativa, mas o remate saiu frouxo e ao lado. Uma perda de bola do Gedson em zona mais que proibida teria dado golo, se o jogador do Galatasaray não estivesse fora-de-jogo. A cinco minutos do final, o Galatasaray meteu novamente a bola na baliza, mas foi assinalado outro fora-de-jogo, este bastante mais duvidoso (o jogador parece em linha).

Em termos individuais, grande jogo do Ferro, só é pena ter tido aquela expulsão na Vila das Aves, que o vai tirar da partida frente ao Chaves. O Florentino foi outro que encheu o campo, com números inacreditáveis em termos de desarmes. O Seferovic deu imensa luta aos centrais, mas acabou o jogo de rastos fisicamente (continuo sem perceber porque é que despachámos dois pontas-de-lança em Janeiro e não veio ninguém para o lugar de pelo menos um deles….). Todos os outros estiveram a um nível mediano, mas ontem não era dia daquelas cavaladas de outros jogos. Sinceramente, achei uma exibição muito consistente da nossa parte, em que reduzimos o espaço ao adversário e não o deixámos acercar-se da nossa baliza.

Acabámos por ter alguma sorte no sorteio, porque entre vários tubarões acabou por nos calhar o Dínamo Zagreb. Até a ordem dos jogos é favorável, porque não só a eliminatória se resolverá em Lisboa, como o jogo seguinte é em Moreira de Cónegos. E com três dias de intervalo entre jogos, é bom que os jogadores não se cansem escusadamente em viagens.

Na próxima 2ª feira, receberemos o Chaves para o campeonato e temos imperiosamente de ganhar para irmos a Mordor só com um ponto de desvantagem.