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quarta-feira, janeiro 30, 2019

Nos carris

Goleámos o Boavista por 5-1 no regresso à Luz quase um mês depois do último jogo. Este tipo de resultado não mente e fizemos uma boa exibição, com o lado ofensivo em natural destaque, dando uma resposta forte depois da roubalheira de que fomos vítimas na semana passada.

Com o Fejsa e o Jonas ainda de fora, o Rui Vitória [que acto mais que falhado!] Bruno Lage voltou a apostar na mesma equipa que defrontou o CRAC, exceptuando a troca de guarda-redes. Não entrámos bem e um erro inacreditável do Gabriel num atraso para o Vlachodimos quase ia proporcionando o golo ao Boavista, mas o remate saiu ao poste. Reagimos de pronto e inaugurámos o marcador aos 9’ através de uma cabeçada do João Félix, a corresponder brilhantemente a um livre do Pizzi devido a falta sobre o próprio João Félix. Continuámos a insistir e o Seferovic iniciou a sua senda de golos falhados só com o guarda-redes pela frente, num passe excepcional do João Félix que o isolou. Pouco depois, foi o Rúben Dias num livre a atirar ao poste, mas aos 28’ fizemos o 2-0 pelo Pizzi: jogada iniciada pelo Gabriel, um passe de trivela do Rafa a isolar o Seferovic, o remate deste a ser novamente defendido pelo Helton Leite e o ressalto em balão a ir ter ao Pizzi, que atirou de primeira para dentro da baliza. O Boavista quase não passava do meio-campo, mas teve um canto aos 42’ e reduziu para 2-1 pelo Talocha, depois de ganhar um ressalto na área, num lance em que a nossa defesa deveria ter feito melhor para aliviar a bola.

Na 2ª parte, os axadrezados tentaram ser mais perigosos, ainda tiveram um remate bem blocado pelo Vlachodimos, mas nós voltámos a ter dois golos de vantagem aos 54’ num óptimo contra-ataque pelo João Félix, que ultrapassou um defesa, avançou pela direita e depois colocou a bola no único sítio possível entre o defesa e o guarda-redes para o Seferovic rematar vitoriosamente (não sem antes a bola ter ainda batido no Helton Leite...!). Pouco depois, o mesmo Seferovic falhou um desvio relativamente fácil a um remate do Gabriel, mas conseguimos finalmente descansar de vez aos 73’, ao fazermos o 4-1 no bis do suíço, de recarga, depois de um remate cruzado do Pizzi que o guarda-redes defendeu para o lado. O Seferovic cedeu o seu lugar ao Ferreyra minutos depois, mas foi o Grimaldo a destacar-se até final com o seu golão de fora da área a fazer o 5-1 aos 86’. No último minuto, uma imprudência do Samaris deu um penalty ao Boavista, mas o Vlachodimos brilhou a grande altura ao defender o remate do Mateus.

Em termos individuais, destaque para o João Félix, Pizzi e Seferovic que estiveram presentes em quase todos os nossos golos, sejam marcando-os, seja fazendo as assistências. Bom jogo novamente do Gabriel (desatenção inicial à parte), que tem o grande mérito de saber colocar a bola na frente a 30 m. Também gostei do Samaris, embora tenha de ter mais cuidado quando tenta aliviar bolas dentro da nossa grande-área. Uma palavra final para o Vlachodimos, que efectuou uma enorme defesa no penalty.

Só não vê quem não quer o que melhorámos em poucas semanas com o Bruno Lage. A equipa está mais confiante, muito mais subida em campo, o pressing que faz para recuperar a bola é impressionante, a saída a jogar desde a defesa não tem comparação com o passado, enfim, estamos finalmente a jogar futebol. Iremos agora ter um duplo confronto com a lagartada, que irá permitir ver até que ponto vai esta nossa evolução. Só espero que, caso haja uma estagnação dessa evolução, ela não se deva a outros elementos que não os jogadores adversários. É que dava jeito que jogássemos só contra onze.

segunda-feira, janeiro 28, 2019

Benfica FM em directo

Logo à noite, às 21h30, vou estar à conversa sobre a maior roubalheira dos últimos 20 anos com os grandes Nuno Picado e Bakero. Em directo aqui.


quarta-feira, janeiro 23, 2019

R O U B A L H E I R A__N O J E N T A !

Marcámos dois golos limpos e sofremos dois irregulares, e perdemos com o CRAC por 1-3 na final four da Taça da Liga em Braga. Numa partida bem disputada, em que as equipas deixaram o calculismo de lado, tivemos o privilégio de usufruir de uma magnífica viagem até aos maravilhosos anos 90, onde arbitragens como a de ontem eram prática corrente nos jogos com o CRAC (mais do que eu escrever, que tal recordar isto, isto e isto?).

O Bruno Lage voltou a dar a baliza ao Svilar, como tem sido prática nas taças, e o Rafa também regressou à titularidade. Os primeiros minutos foram loucos, com o guardião belga a evitar um golo do Marega isolado e num canto o João Félix a cabecear para defesa do Vaná, com o Jardel e o Seferovic a não conseguirem fazer a recarga. E isto tudo com apenas 2’ de jogo! A 1ª parte foi toda assim, com ocasiões para ambos os lados, até que aos 24’ o CRAC inaugurou o marcador através do Brahimi: o Gabriel está a proteger a bola de costas para o Oliver, este empurra-o e fica naturalmente com ela, lança o Marega que tenta picar sobre o Svilar, o nosso guarda-redes defende com o pé, mas a bola sobra para o Brahimi que só teve que encostar. Nem o Sr. Fábio Veríssimo, o VAR, nem o Sr. Carlos Xistra, o árbitro, consideraram que era um lance de dúvida e que valia a pena o árbitro revê-lo na televisão. Nada! Zero! Respondemos bem com uma oportunidade de Rafa, que infelizmente tabelou nas pernas de um defesa quando ia com a direcção da baliza, mas conseguimos a igualdade aos 31’ numa boa jogada atacante, com o Pizzi a cruzar, o João Félix a baixar-se para o Seferovic ficar isolado, este a permitir a defesa do guarda-redes, mas a bola a sobrar para o Rafa de primeira marcar. Havia quatro jogadores do CRAC de frente para o Seferovic e nenhum deles protestou (e faziam-no a cada lance dividido em que iam parar ao chão), mas mesmo assim o Sr. Carlos Xistra resolveu ir ver as imagens e milagrosamente considerou o que toda a gente viu: o domínio do Seferovic foi mais que com o peito! Mas já se tinha percebido antes e voltou a perceber-se pouco depois que esta decisão dele foi mesmo um milagre! Este interlúdio com o VAR (que durou 4’) desconcentrou a nossa equipa e o CRAC respondeu com o 2-1 no reatamento aos 35’: centro do Brahimi na esquerda sem que o Pizzi fizesse oposição, o Rafa também não acompanhou o Corona, que recebeu a bola na direita e cruzou para o meio onde o Marega, que tinha empurrado o Grimaldo aquando do primeiro centro e portanto estava sem marcação, atirou para a baliza com a bola a passar por baixo das pernas do Svilar. Novo golo precedido de falta que não mereceu ida ao VAR. Tudo certo…! Voltámos a reagir bem e o Seferovic atirou ao lado de pé esquerdo quando estava em boa posição, mas em cima do intervalo aconteceu o MAIOR ROUBO do séc. XXI: jogada de contra ataque nossa, com o Seferovic a isolar o Rafa, este correu e, à saída do Vaná, deu para o lado para o Pizzi atirar para a baliza deserta. O VAR não disse nada e o Sr. Carlos Xistra anulou o golo SEM consultar as imagens! Repito: SEM consultar as imagens!

Agradeço que alguém me elucide qual é a penalização por uma equipa abandonar o campo na Taça da Liga. É que, se for só a exclusão desta competição, era mesmo isto que nós deveríamos ter feito! Já deixámos de jogar uma final da Taça de Portugal em hóquei em patins por uma vergonha deste calibre e teria sido uma mensagem muito forte a todos: fiquem lá com a taça que vocês sempre desmereceram que uma ROUBALHEIRA destas é ASQUEROSA e nós não pactuamos com ela! No entanto, infelizmente voltámos para a 2ª parte.

Durante grande parte do segundo tempo, o controlo do jogo foi nosso. O Seferovic voltou a ter uma excelente oportunidade só com o Vaná pela frente, conseguiu atirar por baixo dele, mas a bola foi ao lado e o João Félix e o Rafa tiveram ocasiões em excelente posição na grande-área, mas ambos os remates saíram muito tortos. As substituições do Bruno Lage não resultaram, o Gedson e o Castillo não trouxeram nada de especial, até porque as saídas do Gabriel e Pizzi tiraram-nos capacidade de colocar a bola na frente. Ainda entrou o Salvio para o lugar do André Almeida, mas aos 86’ num contra-ataque em que o Gedson não pressionou o Soares a meio-campo, este isolou o Fernando Andrade, que desviou do Svilar à sua saída para fazer o 1-3.

Com o jogo nos foi espoliado, não se justifica muito falar de exibições individuais, até porque não acho que estivéssemos estado mal perante uma equipa com processos muito mais definidos e trabalhados do que nós. Vou antes voltar a realçar que assistimos a algo histórico que iremos recordar daqui a 20 anos, tal como ainda hoje nos lembramos desta maravilha made by Donato Ramos (a minha preferida entre todas deste género!). Houve quatro golos na 1ª parte, três deles em lances duvidosos. Qual é o ÚNICO em que o Sr. Carlos Xistra vai ver as imagens? Precisamente aquele que não oferece dúvidas nenhumas! E isto é que é a principal questão: a não-consulta das imagens em lances duvidosos é a maior prova de que isto foi, de facto, o MAIOR ROUBO do século! Para mim, há faltas claras sobre o Gabriel no primeiro e o Grimaldo no segundo golo deles, mas eu até dou isso de barato.













Agora, achar que estas imagens não oferecem dúvidas nenhumas sobre o Rafa estar em fora-de-jogo e que portanto nem é preciso o árbitro ir ver as imagens é a maior prova de que houve um ROUBO INTENCIONAL do Sr. Fábio Veríssimo com a conivência do Sr. Carlos Xistra. E, como bem disse o Luís Filipe Vieira, quem olha para isto e não tem dúvidas de que há fora-de-jogo não pode apitar mais jogos. Porque ou é profundamente incompetente ou é absolutamente desonesto. Em qualquer dos casos, RUA!

sábado, janeiro 19, 2019

Importante

Voltámos ontem a vencer em Guimarães pelo mesmo resultado (1-0) desta feita para o campeonato e mantivemos a distância de cinco pontos para o CRAC (ganhou 4-1 em Chaves). Foi um triunfo bastante difícil, como se esperava, onde tornámos a ter o mérito defender bem e aproveitar uma das poucas oportunidades de que usufruímos.

Com somente três dias de intervalo entre os jogos, o Bruno Lage efectou algumas alterações: o Rúben Dias (castigado), Fejsa (lesionado) e o Zivkovic e Seferovic (no banco) foram substituídos pelo Conti, Samaris, Cervi e, a maior surpresa de todas, Castillo, para além do já esperado regresso do Vlachodimos à baliza. O V. Guimarães entrou muito melhor do que na Taça e não nos concedeu tanto espaço nos minutos iniciais. Mesmo assim, ainda conseguimos criar perigo num remate à figura do João Félix, noutro bastante mais forte do Pizzi que o Douglas defendeu para canto e, principalmente, num lance em que um ressalto foi parar ao Castillo em excelente posição, mas um defesa cortou o seu remate, que saiu com menos força do que o desejável. Do lado contrário, dois remates de fora da área do André André e do Tozé (o primeiro por cima, o segundo defendido pelo Vlachodimos) criaram-nos problemas, mas foi já quase em cima do intervalo que o V. Guimarães teve a sua grande oportunidade, quando o Conti deixou que o Guedes se isolasse, valendo-nos a pouca colocação do remate para uma defesa não muito complicada do nosso guarda-redes.

Na 2ª parte, tivemos ainda mais dificuldades em chegar à área contrária, mas também fechámos bem a nossa. O Luís Castro falou no final do jogo sobre as oportunidades que tiveram, mas sinceramente só me lembro de um remate de fora da área do Rafa Soares que passou perto do poste. Quanto a nós, soubemos defender bem quando o V. Guimarães aumentou a pressão (mas, lá está, sem conseguir criar situações de golo) e melhorámos com a entrada do Rafa para o lugar do Pizzi. Aos 81’, o Gabriel rodou sobre si mesmo e desmarcou brilhantemente o André Almeida na direita, este entrou e o recém-entrado Seferovic só teve que encostar. Estava feito o 1-0 para nós já perto do final do jogo! O V. Guimarães sentiu muito o golo e nunca mais conseguiu aproximar-se da nossa baliza, mas nós poderíamos e deveríamos ter mantido mais a bola nos últimos minutos: tentámos ir à procura do segundo golo já nos descontos, o que levou a que o adversário tivesse depois mais posse de bola do que seria desejável.

Em termos individuais e à semelhança do que aconteceu na Taça (e que eu me esqueci de referir no post), o Gabriel foi o melhor do Benfica: muita cabeça e muito critério na definição dos lances a meio-campo e a soberba abertura para o André Almeida que deveria contar como assistência para golo. O nosso defesa-direito tem algumas limitações, mas já tem seis assistências para golo. Não é para todos…! O Fejsa fez falta no meio-campo, embora o Samaris não tenha estado mal, considerando que é o seu primeiro jogo a titular no campeonato. Quando aos novos, o Castillo poderia ter estado melhor, embora se note a falta de ritmo, e o Conti definitivamente não me convence: cortes deficientes para zona de remate adversária, muito mal batido no lance do Guedes na 1ª parte e, noutro lance sob a esquerda na 2ª, falhou clamorosamente o corte, deixando que o adversário ficasse livre para centrar. O Rafa entrou muitíssimo bem, nomeadamente ajudando na defesa e torna-se desde já um sério candidato à titularidade. Menção final para o Seferovic, que estava no lugar certo para fazer o golo.

Passámos com distinção esta dupla jornada em Guimarães. Segue-se o CRAC para a final four da Taça de Liga e veremos como a equipa vai reagir a mais um teste muito difícil. Mas não posso deixar de dizer que finalmente tenho gozo em ver o Benfica jogar esta época: mesmo quando não há nota artística, a maneira como sabemos estar em campo e o que fazer em cada momento do jogo não pode deixar de nos satisfazer.

P.S. – O Sr. Tiago Martins fez das arbitragens mais miseráveis dos últimos tempos: não há falta nenhuma do Jardel sobre o guarda-redes na 1ª parte, o fora-de-jogo ao Cervi é um autêntico roubo de igreja, ficava dois para dois com o Seferovic isolado na área (é que nem se deixou decorrer o lance para depois o VAR decidir) e o amarelo ao André Almeida (para ele ficar tapado), depois de protestar com o André André por este o ter pisado, é uma vergonha! Isto tudo ainda valoriza mais a nossa vitória.

quinta-feira, janeiro 17, 2019

Consistência

Vencemos em Guimarães por 1-0 na passada 3ª feira e qualificámo-nos para as meias-finais da Taça de Portugal. Foi uma vitória num campo muito difícil, sem grande nota artística, mas onde tivemos o mérito de minimizar os pontos fortes do adversário.

A Taça de Portugal é a segunda competição na hierarquia nacional e, com o primeiro lugar a cinco pontos, ainda se torna mais importante que a vençamos. Nesse sentido, o Bruno Lage só fez uma alteração em relação aos Açores, com a troca de guarda-redes, entrando o Svilar para o lugar do Vlachodimos. À semelhança do encontro frente ao Santa Clara, entrámos bem na partida e tivemos logo uma oportunidade pelo Zivkovic, bem defendida pelo Miguel Silva. Foi o prenúncio para o único golo que aconteceu aos 15’, num lançamento longo do Rúben Dias que o João Félix dominou muito bem e desviou do guarda-redes à sua saída. O V. Guimarães respondeu bem, embora só num remate ao lado do Guedes tivesse criado algum perigo. Quanto a nós, uma incursão pela esquerda do André Almeida foi pena que não tivesse sido concluída com um passe à altura, porque tínhamos jogadores na área em boa posição para concretizarem.

Na 2ª parte, tivemos mais dificuldades em chegar à área contrária, porque o último passe raramente entrou. No entanto, fomos muito coesos na defesa, o Samaris entrou para o lugar do Fejsa logo ao intervalo e praticamente não se notou diferença nenhuma (aliás, gostaria de saber o que estamos à espera para renovar com o grego: é tricampeão, já está cá há algum tempo e tem experiência para dar e vender). O V. Guimarães só num remate cruzado, em que o Svilar ficou só a olhar, é que esteve perto do golo, porque os (poucos) cruzamentos que fez foram invariavelmente cortados pelos centrais ou blocados pelo nosso guarda-redes.

Em termos individuais, destaque óbvio para o João Félix pelo golo. O resto da equipa esteve muito combativa, com o Svilar a dar uma resposta melhor do que em Montalegre e nas Aves para a Taça da Liga.

A equipa está mais tranquila, os jogadores sabem o que têm que fazer em cada momento do jogo, se não conseguimos jogar bonito, ao menos não damos espaço ao adversário para explanar o seu futebol, enfim, a subida de produção é evidente. Como vêm aí jogos muito complicados, isto acontece na altura certa. Para chegar ao Jamor, teremos de eliminar a lagartada em duas mãos, sendo o jogo na Luz três dias depois de visitarmos o WC para o campeonato. No entanto, já amanhã jogaremos novamente em Guimarães para o campeonato e espero que esta senda vitoriosa com melhoria exibicional seja para continuar.

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Esperança

Vencemos o Santa Clara nos Açores por 2-0 na passada 6ª feira. Foi uma óptima jornada para nós, porque o CRAC empatou na lagartada (0-0) e o Braga também não conseguiu melhor do que uma igualdade em Portimão (1-1). Reduzimos a diferença para o 1º lugar para cinco pontos e estamos com o Braga a um e a lagartada a três.

Depois da boa resposta à desvantagem inicial perante o Rio Ave, estava curioso para ver como a equipa reagiria no jogo seguinte, num campo complicado, onde os outros grandes tiveram dificuldades para vencer. O Bruno Lage apostou no Gabriel para o meio-campo (passou da bancada para titular) e deixou o Salvio e Cervi no banco, entrando também o Zivkovic para o onze, mas mantivemos o 4-4-2. O que se pode dizer é que, jogue quem jogar, em pouco mais de uma semana já se viu melhorias substanciais na equipa. O Seferovic teve uma grande oportunidade logo de início, mas fez um chapéu por cima, quando só tinha o guarda-redes pela frente, o João Félix também falhou uma emenda relativamente fácil depois de uma boa jogada na esquerda e o Rúben Dias, numa bola parada, atirou muito torto numa recarga. Eram os indícios do nosso primeiro golo, que surgiu aos 22’ pelo Seferovic a aproveitar a escorregadela do central Fábio Cardoso e a atirar fora de hipótese para o guarda-redes Serginho. Continuámos sempre por cima do jogo e, em cima do intervalo, o Sr. João Capela assinalou penalty sobre o Pizzi, mas corrigiu posteriormente para livre depois de ver as imagens, alertado pelo VAR. Não se consegue perceber bem se a falta é fora ou dentro da área, mas, não sendo penalty, o Fábio Cardoso viu o vermelho directo porque o Pizzi estava isolado. Infelizmente, e não foi caso único, o Sr. João Capela já não mostrou tanta competência a medir a distância da barreira e o livre do Grimaldo bateu naturalmente nela.

Se na 2ª parte já iríamos ter a vantagem de jogar com mais um, ainda ficámos melhor com o 2-0 logo aos 48’: canto do Pizzi na direita e cabeceamento de rompante do Jardel a não dar hipóteses ao guarda-redes. A partir daqui e ao contrário de jogos no passado, não nos limitámos a “gerir o jogo” (expressão que eu abomino) e fomos à procura do terceiro golo que nos colocaria definitivamente a salvo de um deslize defensivo. O Seferovic por duas vezes, o Pizzi e o Grimaldo tiveram boas ocasiões para dilatar o resultado, mas infelizmente isso não aconteceu. Nos últimos 15’, o Santa Clara reagiu, mas só por uma vez o Vlachodimos teve que se aplicar e mesmo assim foi a sair aos pés de um adversário praticamente sem ângulo para rematar.

Em termos individuais, o Seferovic deu a luta habitual, marcou um golo, mas falhou pelo menos mais três, o Pizzi, a jogar na direita tal como na época do tri, melhorava quando flectia para o centro, o Gabriel, curiosamente, voltou muito bem à equipa (parece que o banco e a bancada às vezes fazem bem) e o Zivkovic empresta sempre um toque de classe nas suas intervenções. Mas no geral toda a equipa esteve a um nível bastante satisfatório o que, com menos de 10 dias de treino, não pode deixar de nos deixar esperançosos que o bom futebol esteja para regressar de vez.

Teremos agora, pelo menos, três jogos muito difíceis: a dupla deslocação a Guimarães para Taça de Portugal e campeonato, e o CRAC na final four da Taça da Liga. Será uma semana muito intensa, em que seremos postos à prova e teremos uma ideia mais concreta do que podemos esperar até final da época.

P.S. – O Luís Filipe Vieira veio hoje confirmar aquilo que eu desejei logo aquando do seu anúncio: o Bruno Lage será o treinador principal no resto da época. Depois, logo se verá. Os primeiros indícios foram bons e esperemos que assim continue.

segunda-feira, janeiro 07, 2019

Reviravolta

Vencemos o Rio Ave na Luz por 4-2 na estreia do Bruno Lage à frente da equipa técnica. Quando aos 20’ nos encontrávamos perder por 0-2, o mundo parecia que ia desabar sob a nossa cabeça, mas uma reacção de carácter da equipa permitiu-nos uma reviravolta que já não acontecia na nossa casa há 17 anos (3-2 ao Varzim em 2001/02).

O Bruno Lage surpreendeu toda a gente ao voltar ao 4-4-2. Disse na conferência de imprensa no final que foi por feeling, depois do que viu na 2ª parte em Portimão e porque temos muitos avançados no plantel. A palavra “felling” está um pouco queimada para mim nos próximos tempos, mas adaptar o sistema aos jogadores e não o inverso parece-me um excelente princípio. O facto é que fomos campeões quatro anos seguidos sempre a jogar com dois avançados e, na maioria dos jogos no campeonato português, ainda para mais na Luz, não tem lógica jogar só com um avançado na frente. No entanto, temos graves problemas no processo defensivo e isso é o que tem que ser corrigido mais rapidamente. Nas duas primeiras vezes que foi à nossa área, o Rio Ave marcou com dois golos (17’ e 20’), através do Gabrielzinho e Bruno Moreira, com uma facilidade inacreditável. Aliás, convém referir que os vilacondenses, que também estrearam o Daniel Ramos como treinador, não vieram defender o resultado, antes pelo contrário, alinhando com dois pontas-de-lança, um dos quais, o Carlos Vinicius, está emprestado pelo Nápoles e deu trabalho de sobra aos centrais. A nossa reacção aos golos foi excelente e os avançados Seferovic e João Félix estiveram em destaque, com este a deixar passar a bola depois de um centro rasteiro do Grimaldo aos 27’ e o suíço com um trabalho excelente (calcanhar a bater o defesa e bola por entre as pernas do guarda-redes) a reduzir a desvantagem. O estádio empolgou-se e ainda mais ficou com o empate aos 31’: jogada de insistência do Seferovic pela direita, centro atrasado, o João Félix a antecipar-se brilhantemente a dois defesas, a dominar a bola o que fez com que o guarda-redes Leo Jardim caísse e a rematar de um modo fulminante. Estava feito o empate ainda antes do intervalo.

A 2ª parte deveria ter começado com o golo do ano, possivelmente da década: aos 48’, o Grimaldo passou por cinco(!) jogadores do Rio Aves e atirou ao poste na saída do guarda-redes! Se querem melhor prova de que Deus não existe, está aqui! O jogo estava muito repartido e a nossa defesa continuava a permitir ao Rio Ave criar ocasiões de perigo. O que os valeu foi que a pontaria esteve bastante desafinada, porque por três(!) ocasiões poderíamos ter sofrido o terceiro golo. O Galeano, emprestado pelo CRAC, fez a cabeça do André Almeida em água e num destes lances o seu remate saiu fraco, depois de uma brilhante jogada. O Zivkovic entrou para o lugar do Cervi aos 61’ e foi dele aos 64’ o centro rasteiro que assistiu o João Félix para o 3-2. Excelente desvio no primeiro bis do miúdo pela equipa principal e reviravolta consumada. Como o jogo estava, era essencial fazermos mais um golo, até porque em termos defensivos as coisas não estavam nada seguras. E esse golo aconteceu aos 70’ através de um contra-ataque! Aleluia! Três anos e meio depois voltámos a fazer contra-ataques! O Seferovic iniciou a jogada, deu para o Pizzi, que conduziu a bola, aproveitou a movimentação do suíço para o desmarcar brilhantemente, o Seferovic enquadrou-se muito bem com a baliza e fez o 4-2. Pouco depois, mais outro sinal do Bruno Lage na substituição do João Félix: em vez de um médio para segurar o jogo, colocou o Ferreyra, que assim regressou à equipa mais de dois meses depois. O argentino esforçou-se, ainda tentou, mas não conseguiu ter nenhum lance para rematar à baliza. Até final, o Rúben Dias de cabeça num livre deveria ter feito melhor, porque estava em excelente posição para marcar, e o Carlos Vinicius viu o Jardel impedi-lo de desfeitear o Vlachodimos.

Em termos individuais, o melhor em campo foi o Seferovic: dois golos, uma assistência e uma enorme capacidade de luta. O João Félix teve igualmente um jogo para mais tarde recordar, com dois golos muito importantes. Houve muito querer, mas também a evidência de que há muito trabalho pela frente, especialmente no aspecto defensivo. Não podemos deixar o adversário rematar com tanta facilidade, porque se a eficácia for melhor do que a do Rio Ave teremos graves problemas.

Já o disse e volto a repetir: eu manteria o Bruno Lage até final da época e aí faria uma reavaliação. Gostei do que vi (excepto na defesa), gostei do discurso final e não esqueçamos que só houve dois treinos. Não vejo nenhum treinador para a nossa capacidade financeira disponível no momento e, para entrar a meio da época, acho preferível alguém que já esteja lá dentro. Veremos que luzes vão acontecer na cabeça do nosso presidente.

sábado, janeiro 05, 2019

Apagou-se


Benfica oficializa saída de Rui Vitória 

E, pronto, o previsível aconteceu na passada 5ª feira: uma decisão sem sustentabilidade racional, baseada só na emoção, feeling, chame-se o que quiser, só podia dar no que deu. Pouco mais de um mês depois de o presidente do Benfica ter dito que viu a luz, quando todos nós víamos tudo negro, deu finalmente o braço a torcer e dispensou o treinador. Perdeu-se tempo e perdeu-se mais três pontos para o 1º classificado, com este adiamento do inevitável. Estamos agora a sete pontos da liderança com uma 2ª volta muitíssimo difícil. Foi uma incompreensível bazucada no pé.

Nesta altura, resta agradecer ao Rui Vitória pelos seis títulos que nos ajudou a ganhar, em especial o tri e o tetra. Isso é o que ficará na história e é muito bom. Seja por mérito próprio, seja porque aproveitou o trabalho anterior, o que é certo é que o seu nome fica ligado aos troféus conquistados. Esta última época e meia, onde tudo correu mal, acaba por manchar um pouco o seu percurso e o facto de não ter sabido sair a tempo também não abona a seu favor. A qualidade do futebol produzido pela equipa vinha degradando-se a olhos vistos, mas daqui a uns anos lembrar-nos-emos essencialmente dos títulos. Capítulo fechado.

Quando ao futuro, ainda antes do primeiro jogo sem o Rui Vitória, manifesto já a minha opinião: eu confirmaria o Bruno Lage como treinador até final da época e depois logo se via como as coisas correriam. Se é para apostar na formação do Seixal, porque não um treinador que vem de lá? E que está bem referenciado por quem o conhece? E que colocou a equipa B, que no ano passado estava a lutar para não descer, a jogar bom futebol e nos primeiros lugares? O campeonato está praticamente perdido, mas ainda estamos em três outras competições. Ainda há muito para ganhar esta época. O plantel é bom e só falta quem consiga tirar rendimento dele. A comparação pode ser injusta e longe de mim estar a colocar pressão no Bruno Lage, mas o Zidane veio do Castilla e também era para ser interino, e o Guardiola veio do Barça B. Depois dos erros sucessivos nesta época na gestão da questão do treinador, sinceramente eu não mudaria mais até final.

quinta-feira, janeiro 03, 2019

Expectável

Perdemos em Portimão (0-2) e, caso o CRAC ganhe nas Aves hoje como é previsível, devemos ter dito adeus ao título. A confirmar-se os sete pontos de desvantagem, não poderíamos ter tido pior arranque de ano. Mas não haverá ninguém com olhos na cara e dois dedos de testa que possa dizer que não estava à espera disto mais cedo ou mais tarde. Os indícios estiveram sempre lá, exceptuando o oásis frente ao Braga, e as vitórias só enganaram quem quiser ter sido enganado.

Entrámos pessimamente e, logo aos 12’, uma falha de comunicação entre o Rúben Dias e o Vlachodimos fez com que o nosso central fizesse autogolo. Reagimos sempre muito lentos, como é habitual, e deste modo era impossível criar desequilíbrios na defesa contrária. Só uma cabeçada do Jardel depois de um centro do Zivkovic deu a sensação de golo, mas a bola acabou por sair à figura do guarda-redes Ricardo Ferreira. Aos 38’, aconteceu o impensável com o nosso segundo autogolo! Lançamento para o Jackson Martínez, o Vlachodimos não foi lesto a sair dos postes, bola por cima dele e, com todo o tempo do mundo, o Jardel cabeceou... para dentro da nossa baliza!

Para a 2ª parte, o Rui Vitória trocou os inoperantes Cervi e Gedson pelo Salvio e Seferovic, e a jogar com dois avançados as coisas melhoraram. Tivemos uma boa hipótese logo na reentrada, mas o Jonas não conseguiu rematar depois de assistido pelo Seferovic. Apesar das nossas tentativas, só com um remate do Grimaldo, bem desmarcado pelo Pizzi, voltámos a estar próximos de marcar, mas um defesa desviou para canto. O Portimonense não se limitou a defender e devemos ao Vlachodimos o marcador não ter aumentado: por três(!) vezes tirou golos certos aos algarvios (remates do Manafá, Paulinho e João Carlos). Aos 79’, o Sr. Manuel Mota, alertado pelo VAR, considerou um lance em que o Jonas fez pé em riste e depois recolheu a perna como uma agressão ao guarda-redes, e expulsou o nosso jogador! Inacreditável! Ainda entrou o João Félix para o lugar do André Almeida, mas nada mais havia a fazer.

Num jogo em que perdemos 0-2 com dois autogolos e o nosso melhor jogador é o guarda-redes, pouco mais é preciso dizer. Dos restantes, só o Fejsa esteve próximo do seu nível, mas como não teve ninguém a secundá-lo foi baixando de produção ao longo do jogo.

Nunca tínhamos perdido como Portimonense e, a fazer fé nas estatísticas, há 72 anos que não fazíamos dois autogolos num só jogo. Mais dois marcos históricos para o currículo do Rui Vitória. Sinceramente já nem me dá para estar muitíssimo chateado com isto. É tudo uma questão de quanto tempo e quantas competições iremos perder até que aquele que já está (metaforicamente) morto receber finalmente a certidão de óbito em casa. Até isso acontecer não tenho esperanças nenhumas que isto melhore.

domingo, dezembro 30, 2018

Medíocre

Empatámos na Vila das Aves (1-1) na 6ª feira e qualificámo-nos para a final four da Taça da Liga. Depois do magnífico resultado frente ao Braga, voltámos à normalidade, o que quer dizer que futebol foi coisa que não exibimos. Salvou-se a qualificação, já que não conseguimos ganhar na casa do 16º classificado…

O Rui Vitória não arriscou e alinhou com a maior parte dos titulares, com as novidades Svilar, Yuri Ribeiro e Seferovic. A precisar apenas do empate, entrámos em campo com isso na cabeça e devagar e parado foram as nossas duas velocidades. O Aves aproveitou para nos criar problemas com a velocidade dos avançados e esteve muito perto de marcar por duas vezes, num remate do Derley que saiu a rasar o poste e noutro lance pela direita, em que o Rúben Dias fez um corte providencial. Quanto a nós, só criámos perigo uma vez, logo no início, com um calcanhar do Rúben Dias a ser defendido pelo guarda-redes, depois de um desvio de cabeça do Jardel na sequência de um livre do Pizzi. Pouco, muito pouco para o que devia ser o Benfica.

A 2ª parte principiou praticamente com o golo do Aves aos 49’: lançamento em profundidade do Rúben Dias que ficou curto, contra-ataque contrário, centro largo da direita e o Mama Baldé a desfeitear o Svilar de cabeça, depois de bater o André Almeida. Tínhamos de ir à procura do golo, porque estávamos virtualmente eliminados, mas o Aves no contra-ataque ainda nos causou um par de calafrios. Juntamente com isto, começaram a fazer o habitual antijogo, com bastantes jogadores a provarem o conforto do relvado. Lá teve que entrar o Jonas, saindo o Cervi, e a bola começou a ter mais olhos. Um centro deste encontrou o Pizzi, que cabeceou atrasado, mas o Seferovic já se tinha movimentado em direcção à baliza. Aos 70', marcámos finalmente pelo Seferovic, depois de um centro largo da esquerda do Zivkovic, com o suíço a dominar de peito e a atirar por baixo do corpo do guarda-redes. A partir daqui, curiosamente deixou de haver lesões para o Aves…! Até final, ainda sofremos bastante, com o Aves a estar perto de marcar num ressalto depois de um livre para a área, com o Svilar aos papéis e a bola a rasar o poste.

Em termos individuais, não houve ninguém que se tenha destacado muito acima dos outros. Os dois obreiros do golo, Zivkovic e Seferovic, merecem uma palavra, precisamente por o terem fabricado. Mas este jogo deu para tirar algumas conclusões, nomeadamente que há dois jogadores do Benfica que não podem, DE TODO, lesionar-se: Vlachodimos e Grimaldo. O Svilar mostrou fortíssimo a desviar a bola da baliza com… o olhar! Não foram uma, nem duas, nem três vezes que o fez e sempre com bastante competência, mas, mesmo sem ter esta capacidade, acho que prefiro o grego. Quanto ao Yuri Ribeiro, é óptimo rapaz, certamente, mas como alternativa ao Grimaldo por favor…!

Teremos um mês de Janeiro com muitos jogos e tudo começará já em Portimão no dia 2. Não estou nada optimista para o que aí vem, porque, do que vimos nos últimos tempos, só se salvou o Braga, já que tudo o resto foi de uma pobreza atroz. Por quanto mais tempo vamos continuar assim?

sexta-feira, dezembro 28, 2018

Milagre natalício

Goleámos o Braga por 6-2 no passado domingo e todos nós tivemos uma inesperada prenda de Natal antecipada. De certeza que nem na cabeça do adepto mais optimista estaria um resultado deste calibre contra uma das melhores equipas do campeonato, que, por exemplo, só perdeu em Mordor muito perto do fim do jogo. No entanto, a par do bom jogo que fizemos, tivemos igualmente uma eficácia inusitada o que justifica estes números inimagináveis.

O jogo até principiou equilibrado, mas colocámo-nos em vantagem relativamente cedo (19’) com um golo do Pizzi, que, a partir da esquerda, flectiu para o meio e rematou cruzado sem hipótese para o Tiago Sá. O Braga respondeu com força, atirando uma bola ao poste do meio da rua pelo Fransérgio, um remate à malha lateral pelo Dyego Sousa e noutro lance pelo Ricardo Horta isolado com o Vlachodimos a fazer muito bem a mancha. Nós respondemos com eficácia aos 35’, com o 2-0 pelo Jardel de cabeça num canto, com o guarda-redes contrário a sair muito mal dos postes e a deixar-se antecipar pelo nosso capitão fora da pequena-área. O Sr. Artur Soares Dias ainda esperou pelo VAR, mas o golo foi confirmado, porque falta… só se foi a de jeito do Tiago Sá. Até ao intervalo, ainda poderíamos ter aumentado o marcador, mas o guarda-redes do Braga fez bem a mancha ao Jonas, que estava isolado.

Se a 1ª parte foi muito mexida, o que dizer da 2ª? Nos primeiros nove minutos, houve três golos! Aos 48’, o Grimaldo avançou pela esquerda depois de tabelar com o Cervi, centrou, a bola bateu num adversário e voltou ao Grimaldo, que enganou o guarda-redes com um desvio com o pé direito. Muitos terão pensado que o jogo estava acabado, mas o Braga respondeu aos 51’ com uma cabeçada do Dyedo Sousa a fazer o 1-3, depois de um bom centro da esquerda. Nem deu muito tempo para ver se o golo sofrido nos desestabilizaria, porque fizemos o 4-1 aos 54’ pelo inevitável Jonas, depois de uma boa jogada do Gedson, que isolou o Cervi na esquerda, para este centrar para o Jonas só ter que encostar. Jonas, esse, que saiu pouco depois para entrar o Seferovic, que teve participação fundamental no quinto golo aos 63’, desmarcando o Zivkovic na direita depois de um lançamento lateral, com o sérvio a assistir o Cervi no meio para uma bomba de primeira com o pé esquerdo. Tudo ao primeiro toque! Que maravilha! Aos 67’, o jogo deveria ter acabado com o 6-1: canto na esquerda, jogada do Pizzi que passou por alguns adversários, centrou, um defesa aliviou de cabeça e o André Almeida, de fora da área, de primeira e com o pé esquerdo(!) colocou a bola na gaveta. Se isto não é motivo para acabar logo ali o jogo, então não sei o que será… Era impossível as coisas melhorarem a partir dali! Aos 74’, o Braga reduziu para 2-6 pelo entretanto entrado João Novais, com um remate colocado de pé direito de fora da área. Até final, ainda deu para o Krovinovic ter mais alguns minutos e para o Pizzi tentar um chapéu que saiu ligeiramente por cima.

Em termos individuais, o Cervi merece destaque, porque marcou um golo e participou directamente em mais dois. O Pizzi voltou (FINALMENTE!) às boas exibições e foi importantíssimo para o desbloquear do marcador. Aliás, um dos segredos desta enorme melhoria exibicional foi que os três homens do meio-campo (Pizzi, Gedson e Fejsa) jogaram todos muito bem. O Zivkovic esteve igualmente muito participativo e é um daqueles jogadores de quem se espera sempre algo diferente. O Jonas voltou a marcar e está numa sequência de quatro jogos para o campeonato a fazê-lo consecutivamente.

Onde é que esta exibição esteve escondida? É a grande pergunta do momento. Estou muito curioso para ver se isto tem consequência no futuro ou se foi só “uma vez sem exemplo”. É que, para além de termos ultrapassado o Braga, passámos igualmente a lagartada, que perdeu em Guimarães (0-1). Estamos neste momento em 2º lugar com os mesmos quatro pontos de desvantagem para o CRAC (ganhou em casa 2-1 ao Rio Ave, com outro penalty inacreditável por derrube do Soares a não ser assinalado nem pelo árbitro, nem pelo VAR!). Teremos amanhã o jogo na Vila da Aves para a última jornada da Taça da Liga, onde um empate nos garante um lugar na final four. Veremos como a equipa se vai comportar e se este milagre natalício terá continuação.

quinta-feira, dezembro 20, 2018

Deprimente

Vencemos o Montalegre no seu estádio por 1-0 e qualificámo-nos para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Perante uma equipa que está no 8º lugar da Série A do Campeonato de Portugal (a III Divisão, na prática), voltámos a ser muito democráticos na abordagem ao jogo, deixando o resultado estar em suspenso até final da partida. É bom saber que, quer joguemos contra o Bayern, quer contra o Montalegre, permitimos sempre que o adversário possa discutir o jogo connosco. Para quê ganhar tranquilamente, quando se pode manter a emoção até final...?

Cada vez tenho menos vontade de escrever sobre os nossos jogos. Estão a ser progressivamente mais penosos. Voltámos a fazer uma exibição paupérrima, sem chama, nem alegria. O Rui Vitória mudou nove jogadores, mas aparentemente o marasmo está incutido em todos os jogadores do plantel. Marcámos de bola parada, no primeiro golo do Conti pelo Benfica, a corresponder bem de cabeça aos 31’ a um canto do Zivkovic na direita. Tivemos mais algumas oportunidades, mas o guarda-redes Tiago Guedes foi um dos melhores em campo. No entanto, revelámos novamente uma lentidão exasperante na maior parte do tempo.

Nem vou fazer destaques individuais, porque não houve ninguém que sobressaísse muito e porque é inadmissível jogarmos tão pouco perante um adversário obviamente inferior. Sim, eu sei que temos seis vitórias consecutivas e há 540 minutos que não sofremos golos. Mas, para ser sincero, acho virtualmente impossível que haja alguém que considere que esteja tudo bem e que o pior já passou. Defrontaremos o Braga na Luz no domingo e isso será um bom teste para ver a nossa (real) valia actual. Mas tenho que recuar muito anos para me lembrar de exibições do calibre das que temos vindo a fazer...

segunda-feira, dezembro 17, 2018

Confrangedor

Vencemos o Marítimo nos Barreiros por 1-0 e mantivemos a distância para os da frente, que também ganharam (o CRAC por 2-1 nos Açores, frente ao Santa Clara, a lagartada deu a volta em casa frente ao Nacional por 5-2 e o Braga goleou o Feirense por 4-0). Os três pontos foram mesmo o melhor do jogo de ontem, onde voltámos a evidenciar os mesmos problemas de sempre e a exibir um ‘futebol’ perto da indigência.

Defrontámos um adversário em crise de resultados (não ganha desde Setembro) e que tem agora o Petit como técnico, que actua num campo onde não ganhávamos desde o tricampeonato em 2016. Com o Cervi no lugar do lesionado Rafa, revelámos novamente imensas dificuldades em conseguir chegar à área contrária. As combinações não saem, porque é tudo muito lento e previsível. Só o Zivkovic na direita é que ia tentando fazer algo diferente, mas sempre muito só nos seus intentos. O Marítimo justificava o porquê de estar tão mal classificado, mas mesmo assim criou um lance de perigo, com um remate de primeira a passar rente ao poste depois de um centro da direita. Quanto a nós, tivemos uma cabeçada do Cervi à entrada da área, num lance em que o argentino poderia eventualmente ter dominado a bola, um falhanço clamoroso do Pizzi, que rematou na atmosfera, quando estava em boa posição à entrada da área, e dois lances do Grimaldo que proporcionaram defesas ao guarda-redes Abedzadeh, um num livre directo e outro num remate cruzado da esquerda. Em cima do intervalo, um centro de trivela do Cervi na direita tocou ligeiramente num defesa e chegou ao Jonas, que dominou e, quando se preparava para contornar o guarda-redes, foi clamorosamente derrubado por ele. Foi de tal maneira evidente, que nem senti aquela dúvida comum sobre se o árbitro vai marcar ou não penalty. O próprio Jonas encarregou-se da marcação e atirou rasteiro com força para o lado esquerdo do guarda-redes, que se lançou para o lado contrário.

Perante as fragilidades do adversário e em vantagem no marcador, esperava-se que na 2ª parte matássemos o jogo com a expectável subida em campo do Marítimo. Isto aconteceu, mas aquilo não. Tivemos alguns lances em que poderíamos ter criado perigo, mas ou o último passe saía mal ou o remate era fraco. Do lado contrário, houve um cabeceamento que saiu por cima, na sequência de um corte de cabeça falhado do Grimaldo, e nos últimos 10’ o Marítimo remeteu-nos para o nosso meio-campo, com alguns cantos que foram bem resolvidos por nós. Durante o período de compensação, lá conseguimos ter bola e afugentar a pressão.

Em termos individuais, destaque para o Jonas por ter ganho e ter marcado o penalty, e para o Zivkovic, que foi praticamente o único a tentar criar momentos de ruptura no jogo. O Gedson esteve muito interventivo, mas as coisas nem sempre lhe saíam bem. Quanto aos outros dois do meio-campo, reside aí um dos nossos grandes problemas: tanto o Fejsa, como principalmente o Pizzi estão longíssimo da melhor forma. Aliás, neste momento, bola no nº 21 é bola emperrada e já se sabe que vai sair para o lado ou para trás.

Depois do descalabro de Munique, é a 5ª vitória seguida sem sofrer golos. Em condições normais, seria algo que nos poderia dar alento para o resto da época, mas o que (não) se vê em campo faz-nos logo cair na real e perceber que isto vai ser sol de pouca dura. Não se vê evolução nenhuma na equipa, o futebol continua paupérrimo e tem-se a sensação que bastará encontrar um adversário um pouco melhor para as coisas descambarem outra vez. Depois da ida a Montalegre para a Taça a meio da semana, vamos receber o Braga no próximo domingo. Veremos como a equipa se vai portar nesse jogo.

P.S. – Decorreu hoje o sorteio da Liga Europa. Saiu-nos o Galatasaray, uma equipa que, tal como nós, veio da Champions, mais especificamente do grupo do CRAC, que venceu os dois jogos. Ou seja, é inevitável que se vá fazer comparações, que não nos serão nada lisonjeiras, se não os ultrapassarmos. Os turcos foram a última bola a sair, sendo a penúltima o BATE Borisov. Poderíamos, de facto, ter tido mais sorte, mas se em Fevereiro estivermos a jogar o que estamos agora, o nome do adversário é indiferente...

domingo, dezembro 16, 2018

Estrelinha

Na passada 4ª feira, um golo do Grimaldo num livre directo aos 88’ deu-nos a vitória sobre o AEK Atenas por 1-0, 2,7 M€ e um lugar de cabeça-de-série no sorteio da Liga Europa nesta 2ª feira. Costuma dizer-se que tudo está bem quando acaba bem, mas não é o caso. Acabou tudo bem, mas tudo está MUITO longe de estar bem. Estamos a jogar de forma miserável e isso, aliado ao facto de ter andado andado bastante ocupado em termos profissionais, faz com que só hoje tenha tido tempo para escrever sobre este jogo.

Para mim, nunca é, mas esta época, com o aumento significativo do prémio monetário por vitória, deixou de haver jogos a feijões na Champions, mesmo quando tudo já está definido. Recebíamos a única equipa com zero pontos das 32 da fase de grupos e, para além do aliciante financeiro, tínhamos a hipótese de lutar por ser um dos melhores terceiros classificados que nos permitiria enfrentar na Liga Europa, por exemplo, um BATE Borisov em vez de um Chelsea… Diferença pouca…! Não estávamos dependentes só de nós, mas sem uma vitória nem valia a pena fazer contas. No entanto, especialmente na 1ª parte, parece que ninguém avisou os jogadores do Benfica disto. Voltámos a ser, como disse o nosso presidente na famosa conferência de imprensa da “luz que lhe deu”, “lentos, lentos, lentos”. Os gregos mal passavam de meio-campo, não por pressão nossa, mas porque eram a única equipa com zero pontos da Liga dos Campeões por alguma razão. A lesão do Rafa, substituído pelo Zivkovic, e um remate de primeira do Seferovic ao lado são os únicos destaques de uma das primeiras partes mais enfadonhas de sempre na nova Luz.

Na 2ª parte, lá melhorámos um bocado, especialmente a partir da entrada do Cervi para o lugar do inoperante Pizzi por volta da hora de jogo. Ainda assim foi o AEK a criar uma boa ocasião, mas um remate de cabeça num canto saiu ao lado, com o Vlachodimos batido. Atirámos uma bola à barra pelo Seferovic, depois de um centro do Zivkovic, o Gedson isolado permitiu um desvio ao guarda-redes e foi só com o tal livre exemplarmente marcado pelo Grimaldo muito perto do fim que conseguimos marcar. Já em tempo de compensação, foi novamente o Seferovic a acertar na barra e poste num tiraço de fora da área. Nos outros três jogos, os resultados alinharam-se para nos colocarem na última vaga para melhor terceiro classificado. Bem podemos agradecer aos deuses do futebol esta benesse!

Em termos individuais, óbvio destaque para o Grimaldo pelo importante golo, mas o melhor do Benfica foi o Seferovic, que esteve nas nossas melhores jogadas e teve bastante azar em não ter marcado.

Veremos o que nos reserva o sorteio desta 2ª feira, mas a (chamemos-lhe) jogar como estamos a nossa caminhada europeia infelizmente não deve ser muito longa.

segunda-feira, dezembro 10, 2018

Complicado

Um golo do Jonas deu-nos a vitória no Bonfim (1-0) no passado sábado. Já se sabe que as idas a casa do V. Setúbal são geralmente difíceis e mais ficaram este ano, porque agora são treinados pelo Lito Vidigal e estão a fazer um belo campeonato, bem perto dos lugares europeus. Como se isto já não bastasse, o Sr. Carlos Xistra homenageou com muita competência os anos 90, ele, que já nos tinha proporcionado belas viagens até essa altura em tempos mais recentes (por ordem cronológica decrescente, uma, duas, três, quatro chega…?!), voltou a fazê-lo com grande mestria agora.

Entrámos bem e marcámos logo aos 17’ numa arrancada do Grimaldo na esquerda (a nossa forma preferencial – e única – de levar a bola para a frente desde o nosso meio-campo), tabelinha com o Zivkovic e posterior abertura para o Gedson na esquerda, que centra rasteiro muito bem com o pé esquerdo para o Jonas rematar de primeira, também com o pé esquerdo, sem hipóteses para o guarda-redes Cristiano. Era fundamental marcar cedo para tirar pressão sobre nós e obrigar o adversário a correr mais riscos. No entanto, o V. Setúbal acabou por não criar grandes oportunidades até ao intervalo, enquanto nós ainda atirámos a (inevitável) bola ao poste pelo Zivkovic de pé direito, para além de um remate anterior do Grimaldo que passou perto do poste, depois de uma tabela com o Pizzi.

Na 2ª parte, continuámos a controlar o jogo e tivemos mais duas enormes oportunidades pelo Rafa, com uma bola picada sobre o guarda-redes que saiu por cima, quando estava sozinho perante ele, e um remate que só não entrou porque o Cristiano defendeu in extremis. O V. Setúbal só criou perigo nos últimos dez minutos, com uma bola na área que o Grimaldo impediu que chegasse ao ponta-de-lança, que só tinha que encostar, e mesmo em cima dos 90’ com a melhor ocasião, em que o Vlachodimos, depois de ficar a meio da viagem, defendeu uma cabeçada do Cádiz. O facto de não termos matado o jogo a tempo colocou-nos vulneráveis a estas situações e livrámo-nos por pouco de um empate que seria injusto.

Em termos individuais, destaque para o Jonas por ter sido o autor do golo, para o Grimaldo por ter estado nos nossos melhores lances na 1ª parte e para o Zivkovic que esteve muito activo praticamente no jogo todo. Uma palavra também para o Vlachodimos, que fez uma defesa decisiva a corrigir o erro de ter falhado uma saída dos postes.

Como os outros dois ganharam em casa por 4-1 (o CRAC frente ao Portimonense e a lagartada frente ao Aves), ficou tudo na mesma na frente, connosco a permanecer a quatro pontos dos azuis e a dois dos verdes.

Uma palavra final para a ESCANDALOSA arbitragem do Sr. Carlos Xistra: foi sempre muito complacente com as inúmeras faltas que o V. Setúbal fez e, como se isso não fosse suficiente, na 1ª parte, o Jonas é projectado para o chão por um defesa e leva cartão amarelo(!), e na 2ª o Zivkovic parte antes do meio-campo(!) e vê um golão de chapéu anulado por fora-de-jogo(!!), e há um agarrão e rasteira ao Rafa, quando estava em boa posição, que nem falta foi! Foram lances a mais para ser só coincidência, mas todos nós já sabemos que o legado dos Carlos Calheiros, Fortunatos Azevedos, José Guímaros, já para não falar do actual presidente da Liga, e afins está bem defendido por este indivíduo.