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sexta-feira, novembro 09, 2018

Inoperância

Empatámos (1-1) frente ao Ajax na 4ª feira e só um milagre nos livrará de ir para a Liga Europa a partir de Janeiro. Mesmo se tivéssemos vencido os holandeses, teríamos continuado atrás deles, mas assim, com quatro pontos de desvantagem e uma ida a Munique num dos dois jogos que faltam, a qualificação para os oitavos da Champions é praticamente impossível.

O Rui Vitória trocou os alas (Salvio e Cervi em vez de Rafa e João Félix) e sentou o Pizzi em favor do Gabriel em relação à catástrofe do Moreirense, mas ‘jogar futebol’ é algo que continua muito distante daquilo que fazemos em campo... Curiosamente, até entrámos bem nos primeiros seis minutos, com remates do Grimaldo e Cervi a permitirem defesas do Onana, mas depois só aos 29’ entrámos de novo na área e para fazer o único golo: saída em falso do Onana a um lançamento lateral nosso e a bola a sobrar para o Jonas não perdoar. Até ao intervalo, o mesmo Jonas cabeceou de raspão num livre, quando estava em boa posição para aumentar a vantagem, mas foi o Ajax a ter a melhor oportunidade, já em cima dos 45’, num livre defendido pelo Vlachodimos e a recarga a não entrar por milagre, com um adversário a falhar o desvio em cima da linha de golo!

Apesar de termos conseguido o objectivo de não sofrer golos até ao intervalo, a 2ª parte adivinhava-se muito complicada. E a nossa postura foi revelada logo no início: foi a primeira vez na vida que vi uma equipa nossa perder tempo com uma substituição aos 47’. O Salvio tinha-se lesionado no final da 1ª parte, não foi substituído ao intervalo para o ser logo no princípio da 2ª parte pelo Rafa. Ridículo! Aos 55’, foi o Jonas a pedir a substituição e a entrar o Seferovic, mas o Ajax estava por cima e o inevitável aconteceu aos 61’: bola nas costas da nossa defesa, o Vlachodimos não foi lesto a sair, o Tadic contornou-o e picou a bola sobre o Rúben Dias, que não conseguiu cortar. Logo a seguir, o Grimaldo entrou na área, rematou, mas o Onana defendeu. O Pizzi ainda entrou a 15’ do fim, mas as coisas não se alteraram significativamente até final. Mesmo assim, no último minuto da compensação tivemos uma grande oportunidade num ressalto num canto, com a bola a sobrar para o Gabriel, que rematou para uma defesa de recurso com a perna do Onana.

Em termos individuais, o Grimaldo foi o melhor, na medida em que foi o único a ter capacidade de levar a bola com perigo para a frente. O Jonas não está visivelmente a 100% (nem poderia), mas leva o segundo jogo consecutivo a marcar e é isso que se quer num avançado. Todos os outros estiveram num nível mediano, mas o problema é outro: não estamos a jogar nada! Não há fio de jogo, o futebol é aos repelões e basta contabilizarmos um indicador: a quantidade de vezes que saímos a jogar com o Vlachodimos a chutar para frente! Aquilo não é nada! E volto a repetir o que já escrevi aqui anteriormente: não vejo capacidade na equipa técnica para conseguir da a volta a esta situação.

Teremos a deslocação a Tondela no próximo domingo, em que não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar mais pontos. Um resultado negativo tornaria a situação insustentável. Espero que isso não aconteça, porque a distância para os primeiros começaria a ser muito difícil de ultrapassar.

segunda-feira, novembro 05, 2018

Descalabro

Perdemos na 6ª feira em casa frente o Moreirense (1-3) e, com nove jornadas decorridas e já tendo recebido a lagartada e o CRAC na Luz, estamos a dois e quatro pontos deles, respectivamente. Além de que corremos o risco de terminar esta jornada em 5º lugar, se o Rio Ave vencer hoje o Nacional. Ou seja, duas jornadas depois de termos ganho pela 4ª vez em 14 épocas ao CRAC na Luz e termos conseguido o 1º lugar, tudo mudou radicalmente. Porquê…?

Com a lesão do Seferovic, o Rui Vitória promoveu a natural titularidade do Jonas e entrou igualmente o João Félix para o lugar do Salvio. E foram estes dois a fabricar o primeiro golo logo aos 3’, numa abertura fabulosa do miúdo para o primeiro golo do Jonas no campeonato. Depois de duas derrotas consecutivas e alguma contestação à equipa técnica, este golo tão cedo deveria ter tranquilizado a equipa e dado o mote para uma boa exibição. Mas nada disso sucedeu. O Moreirense empatou pouco depois (aos 5’) na primeira de uma série de jogadas pelo nosso lado esquerdo, onde o Grimaldo é sempre muito ofensivo e o João Félix não foi feito para defender, que culminou com um remate do Chiquinho, que por ter sido nosso jogador (ainda que só nesta pré-época) não festejou. Registei. No minuto seguinte, o Rafa desmarcou-se bem, tentou o chapéu, mas o guarda-redes Jhonatan salvou quase sobre a linha. Aos 16’, o impensável aconteceu com a reviravolta no marcador, noutra jogada pelo nosso lado esquerdo, com o Fejsa a não conseguir compensar a subida do Grimaldo e a permitir o centro para a concretização do Pedro Nuno. À passagem da meia hora, um bom centro do Pizzi encontrou o Jonas sozinho na área, mas a cabeçada deste sem tirar os pés da relva saiu por cima da barra. Um jogador como o Jonas tinha a obrigação de acertar na baliza… Logo a seguir, foi a Rafa a ganhar uma bola que só ele conseguia, ultrapassando um defesa e o guarda-redes, como também a falhar como poucos conseguem, quando só tinha um defesa entre ele e a baliza. Pensava que estes momentos Rafa vintage tinham acabado esta época… O Moreirense não se limitava a defender a vantagem e aos 36’ o Loum fez o 1-3 num remate de muito longe, depois de um péssimo alívio do Jardel ter colocado a bola num adversário. O intervalo chegou pouco depois, com um natural coro de assobios e lenços brancos.

Na 2ª parte, o Rui Vitória fez entrar o Salvio e o Castillo para os lugares do André Almeida e Pizzi, e nos primeiros minutos apresentámos alguma vontade de inverter o catastrófico cenário. No entanto, não chegámos a ter nenhuma verdadeira oportunidade, ao contrário do Moreirense que, num livre para a área, esteve perto de fazer aumentar o escândalo. (De facto, a saída dos postes é de longe o ponto mais fraco do Vlachodimos.) O Benfica até tentava, mas não tinha engenho nenhum (à semelhança da 2ª parte no Jamor na semana passada) para criar desequilíbrios na defesa contrária. Por outro lado, os jogadores davam mostras de muito nervosismo, com o Jonas a disputar uma bola com bastante rudeza e a levar um amarelo, e o Jardel a dar uma cotovelada a um adversário na barreira num livre a nosso favor e a ser naturalmente expulso pelo Sr. Nuno Almeida. Nada a dizer, senão condenar veementemente a atitude do nosso capitão! Até final, houve dois lances discutíveis na área do Moreirense, sobre o Rafa e o Cervi, mas nada foi assinalado. O jogo chegou ao fim com enorme contestação à equipa técnica.

Não vou destacar ninguém individualmente, porque o que se passou foi muito mau. Quando um dos esteios da equipa, o Fejsa, passou completamente ao lado do jogo e outro, o Jardel, se fez expulsar daquela maneira, não é preciso acrescentar mais nada.

Tenho pensado muito nisto e não sei como se vai dar a volta a esta situação sem tomar decisões drásticas. A equipa está completamente descrente e isso é incompreensível, porque começámos bem a época com a qualificação para a Champions e tivemos a tal vitória sobre o CRAC. Há duas coisas especialmente graves: o desequilíbrio emocional dos jogadores, principalmente dos mais experientes, e a total incapacidade para dar a volta a um jogo quando estamos em desvantagem. É que, principalmente nessa altura, não se vê estratégia nenhuma para conseguir criar situações de golo: foi mau no Jamor e foi muito pior na 6ª feira. A equipa tenta, mas claramente não tem ideias. Não há dúvidas sobre a qualidade do plantel e estarmos na posição em que estamos tem que ser culpa de alguém… Ainda por cima, o calendário da 1ª volta é-nos muito mais favorável do que o da 2ª e já estarmos com esta desvantagem nesta altura não augura nada de bom para o futuro. Há que tomar medidas e rápido!

segunda-feira, outubro 29, 2018

Banhada

Perdemos no Jamor frente ao Belenenses SAD por 0-2 no sábado e não só desperdiçámos a oportunidade de ficarmos isolados na frente, como vimos o CRAC (2-0 em casa frente ao Feirense, com o primeiro golo do Felipe em claro fora-de-jogo, mas o VAR aparentemente só funciona para alguns...) passar à nossa frente. Foi a nossa segunda derrota consecutiva, mas ao contrário de Amesterdão com uma exibição muito pior.

Perante uma equipa que ainda só tinha ganho um jogo(!) no campeonato esta época e que estava há quatro sem marcar qualquer golo, até entrámos bem e deveríamos ter resolvido a partida logo na 1ª parte: Salvio, Rafa e Gedson tiveram excelente ocasiões, mas a bola saiu ao lado no primeiro, um defesa de costas no chão(!) evitou no segundo e o Muriel defendeu no terceiro. À passagem da meia-hora, o Salvio foi derrubado na área, mas o Artur Soares Dias teve que ir ao VAR (e demorou séculos!) para assinalar o penalty. O mesmo Salvio permitiu a defesa do Muriel e, a partir desse lance, nunca mais fomos os mesmos. Até porque aos 36’, o Vlachodimos fez penalty sobre o Licá e o Eduardo não desperdiçou. Com um penalty falhado e 0-1 no marcador, perdemo-nos em campo e sofremos o segundo golo aos 42’ pelo Keita, depois de entrar à vontade pelo meio da nossa defesa e rematar sem hipóteses para o Vlachodimos.

A 2ª parte começou com o Jonas no lugar do Salvio e um trio de oportunidades pelo Rafa e o próprio Jonas por cima, e o Pizzi ao lado. Aos 68’, o Rui Vitória achou que tinha de mudar alguma coisa e tirou o Pizzi para colocar o Castillo. Ficámos a jogar com três avançados e (surpresa das surpresas...!) passámos a afunilar o jogo, e deixámos praticamente de conseguir chegar à grande-área contrária. Até final, foi mesmo o Belenenses SAD a ter um par de oportunidades, com o Vlachodimos a salvar uma delas perante o Licá isolado.

Em termos individuais e no meio da mediocridade quase completa, salvou-se o Gedson e o Rafa, porque foram os únicos a imprimir alguma velocidade e intensidade ao nosso jogo.

No final do encontro, o Rui Vitória veio desculpar-se com a falta de eficácia. Sim, é verdade que, especialmente na 1ª parte, falhámos uma série de golos e inclusive um penalty, mas o que é mais grave é a incapacidade que demonstrámos depois de sofrer o golo. A equipa deixa de ter soluções, parece completamente perdida em campo e do banco não vêm sinais positivos, antes pelo contrário: o Rui Vitória tem o hábito de atirar jogadores para a frente, para a ‘molhada’, na esperança que caia alguma bola do céu. Ora, isto como táctica para derrubar uma defesa só pode ser para rir... Ainda nesta partida, o Rui Vitória disse que mudou, porque “era preciso fazer qualquer coisa”. Ora bem, com dois extremos no banco (Cervi e Zivkovic), não se percebe porque é que colocou mais um avançado, quando o que estava na cara era que precisávamos de velocidade na frente e mais bolas que chegassem à área, porque só tínhamos o Rafa a fazer isso. Colocar avançados é escusado se a bola não chega lá...! Só quando entrou o Zivkovic aos 84’, é que voltámos a ter alguém com capacidade decisória no meio-campo. E aí já foi tarde demais.

P.S. – Gosto muito de ir ao Jamor, MAS é em tardes de finais da Taça! À noite e com chuva, está longe de ser aprazível. Não se percebe como é que se faz uma lei que permita que um clube e uma SAD possam cada um deles ter a sua equipa de futebol. Que sentido é que isto faz?! Por outro lado, com a chuvada ao intervalo (que raios, as nossas idas ao Jamor estão enguiçadas pela chuva, já na final da Taça de há duas épocas foi a mesma coisa!) e a perder por 0-2, houve muitos adeptos do Benfica que se foram embora. Não vejo assim tanta diferença em relação àquelas pessoas que abandonam o estádio aos 85’ com 3-0 a nosso favor. O princípio (ou a falta dele) é o mesmo!

quinta-feira, outubro 25, 2018

Déjà vu

Um golo do Ajax aos 92’ derrotou-nos em Amesterdão (0-1) na 3ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, que decorreu na passada 3ª feira. Foi um fim muito cruel de um jogo onde não merecíamos ter sido derrotados. Por muito estranho que possa parecer, sai muito mais chateado do jogo frente ao AEK (apesar de termos ganho) do que deste. E já vi muita gente a cascar no Rui Vitória, mas acho que desta vez sem razão.

O regresso do Jardel, a titularidade do Rafa na esquerda e o Gedson no lugar do Gabriel foram as novidades em relação àquela que tem sido a equipa mais utilizada no campeonato. Entrámos muito bem na partida, com o Rafa a revelar-se um perigo para os defesas contrários e a ter um bom remate logo no início, bem defendido pelo guarda-redes. Pouco depois, foi o Salvio a centrar em vez de rematar, quando uma abertura do Rafa o colocou em excelente posição, tendo sido o Seferovic a rematar para um defesa salvar sobre a linha. O Ajax também teve as suas oportunidades na 1ª parte, com o Vlachodimos a começar a evidenciar-se. Em cima do intervalo, foi o Conti a fazer um corte fabuloso literalmente em cima da linha, que impediu a vantagem do Ajax (antes tivesse entrado esta bola, mas já lá vamos...). Fizemos uma boa exibição nos primeiros 45 minutos, com a ressalva da má finalização.

Na 2ª parte, não conseguimos sair tantas vezes para o ataque como na 1ª. Mesmo assim, o Seferovic teve um remate cruzado que o guarda-redes não conseguiu agarrar e, por volta da hora de jogo, o Salvio não chegou a tempo a um cruzamento do suíço, porque um defesa caiu sobre as suas costas, depois de tentar um carrinho e não chegar à bola. Penalty claro que o francês Ruddy Buquet não assinalou. A 15’ do fim, o Vlachodimos fez uma mancha fabulosa a um adversário que lhe apareceu sozinho na frente. Aos 79’, o Rui Vitória lá decidiu mexer pela primeira vez na equipa, com a entrada do Gabriel para o lugar do (muito apagado) Pizzi. Entretanto, em cima dos 90’, entrou igualmente o Cervi e saiu o Rafa, e foi o argentino que caiu na área, num lance que nem repetiram na televisão. Fiquei com muitas dúvidas... Chegando ao tal fatídico minuto 92, o Conti falhou clamorosamente uma intercepção relativamente fácil, não conseguiu igualmente impedir o centro do adversário, o André Almeida ainda obstou a que a bola chegasse a um jogador que Ajax, que só teria de encostar, mas sobrou para o Mazraoui, que rematou com a bola a ser desviada pelo Grimaldo e a trair o Vlachodimos. Foi inglório!

Em termos individuais, o melhor do Benfica foi indiscutivelmente o Vlachodimos que, se tivesse vindo no ano passado, talvez tivéssemos tido o tão desejado penta... Também gostei muito do Rafa, especialmente na 1ª parte, assim como do Seferovic, pese embora um lance no final da 1ª parte, em que a recepção não foi perfeita e inviabilizou que pudesse rematar só perante o guarda-redes. Quanto aos menos, o Pizzi praticamente não se viu e o Conti teve uma falha gravíssima, que deitou por terra o bom jogo que estava a fazer.

O Bayern foi ganhar a Atenas (2-0), o que faz com que estejamos agora a quatro pontos dos dois da frente. Vai ser muito difícil chegarmos aos oitavos-de-final, porque mesmo que ganhemos na Luz aos holandeses (o que está longíssimo de ser uma garantia), ainda ficamos um ponto atrás deles. E depois vamos a Munique, enquanto eles receberão na última jornada o Bayern, provavelmente já apurado. A boa notícia é que, com a vitória dos alemães na Grécia, a Liga Europa está muito perto estar garantida.

domingo, outubro 21, 2018

Natural

Vencemos na passada 5ª feira o Sertanense por 3-0 e seguimos em frente na Taça de Portugal. Por falta de condições do relvado na Sertã, o jogo decorreu em Coimbra e o Rui Vitória aproveitou para rodar a equipa e estrear alguns jogadores.

Metemos a bola na baliza logo aos 5’, mas o Jonas estava fora-de-jogo. Aos 29’, o Rafa em boa posição rematou por cima, mas redimiu-se aos 35’ ao inaugurar o marcador numa recarga a um remate do Zivkovic depois de centro do Yuri Ribeiro. Na 2ª parte, acabámos de vez com o jogo aos 53’ num golão do Gedson de fora da área. Aos 68’, deu para o Jonas regressar aos golos, numa excelente rotação sobre si próprio. Até final, o Ferreyra ainda colocou a bola na baliza mais uma vez, mas o lance foi anulado por pretenso fora-de-jogo.

Estes jogos perante equipas bastante mais fracas, são mais para aferir a entrega dos jogadores e, nesse sentido, a equipa cumpriu muito satisfatoriamente. Dos novos jogadores, o Corchia começou mal, mas foi melhorando ao longo do encontro (aliás, tal como o Yuri Ribeiro). O Rafa parece que descobriu finalmente o caminho da baliza (o que já não era sem tempo!) e o Jonas voltou a fazer o que tão bem sabe. O Svilar fez uma boa defesa que fez com que saíssemos a zeros do campo. O Gedson merece referência pelo golão que marcou e pelo dinamismo evidenciado, especialmente na 2ª parte. O Ferreyra entrou ao intervalo para o lugar do apagado Gabriel, mas infelizmente continua muito fora dela.

Veremos o que nos reserva o sorteio da próxima eliminatória, mas por agora iremos a Amesterdão para a Champions, onde era de todo conveniente conseguir pelo menos o empate.

sexta-feira, outubro 12, 2018

Polónia - 2 - Portugal - 3

Numa grande exibição, a selecção nacional foi ganhar na Polónia e colocar-se numa excelente posição para atingir a final four da Liga das Nações. Basta um empate entre polacos e italianos no domingo para podermos prescindir do resultado dos dois últimos jogos.

Com três dos nossos no onze titular (Rúben Dias, Pizzi e Rafa) e novamente sem o Cristiano Ronaldo (só volta à selecção em 2019), até começámos a perder aos 18', quando o Rui Patrício falhou na saída dos postes num canto. Mas empatámos aos 31' pelo André Silva, depois de uma assistência do Pizzi e colocámo-nos em vantagem pouco antes do intervalo (42') num autogolo (que foi pena não ter sido do Rafa, porque o defesa se antecipou a ele). No início da 2ª parte (52'), aumentámos para 3-1 pelo Bernardo Silva, depois de uma jogada individual, para sofrermos o 2-3 aos 77' pelo Blaszczykowski. Até final, os entretanto entrados Renato Sanches e, principalmente, Bruno Fernandes poderiam ter dado a machadada final, mas felizmente não foi necessário. De qualquer maneira, saliente-se a forma inteligente como escondemos a bola dos polacos nos minutos finais.

Pela amostra dos últimos dois jogos, até parece que a selecção nacional joga melhor quando o Cristiano Ronaldo não está, porque não está sempre preocupada em jogar para ele. O Bernardo Silva sobressaiu acima de todos, mas foi muito bem secundado pelo André Silva, Rafa e Pizzi. Lá está, a bola roda mais entre todos os jogadores e há mais jogo colectivo. Veremos se os próximos jogos confirmam esta tendência.

segunda-feira, outubro 08, 2018

Até qu’enfim!

Passados cinco anos, voltámos finalmente a vencer o CRAC (1-0) na Luz e, como o Braga empatou em casa (1-1) com o Rio Ave, estamos ex-aequo com eles na liderança do campeonato com 17 pontos, tendo o CRAC 15 e a lagartada (que perdeu em Portimão por 4-2) 13. Ou seja, foi um fim-de-semana perfeito!

Com o Lema no lugar do castigado Conti (e do lesionado Jardel) e o Gabriel e Cervi de volta ao onze, a 1ª parte foi para esquecer, porque não houve oportunidades de golo para nenhuma das equipas. O Seferovic ainda falhou isolado frente ao Casillas, depois de uma assistência do Cervi, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo. A postura do CRAC resume-se a um simples facto: o Casillas levou amarelo aos 19’ por demorar a repor a bola em jogo. Dezanove minutos!

Na 2ª parte, tivemos logo de início uma boa oportunidade num remate à meia-volta do Gabriel para boa defesa do Casillas, depois de uma boa combinação atacante da nossa parte. O Rafa entrou para o lugar do Cervi aos 58’ e arrancou logo um amarelo na primeira vez que tocou na bola. Aos 62’, a Luz quase veio abaixo com o 1-0: alívio do Gabriel para o Pizzi desmarcar brilhantemente de cabeça o Seferovic que, perante a saída do Casillas, colocou a bola no único sítio disponível. Grande golo! Nos minutos seguintes, tivemos alguns contra-ataques rápidos, onde poderíamos ter definido melhor, mas aos 83’ o Sr. Fábio Veríssimo resolveu desequilibrar os pratos da balança ao dar o segundo amarelo ao Lema, quando este nem toca no adversário! Antes disso, o CRAC só tinha criado perigo por uma vez, com uma cabeçada do Danilo ao lado num canto. O Alfa Semedo, que tinha acabado de entrar, recuou para central e claro que o CRAC veio para cima de nós a jogar com mais um. Tiveram duas grandes oportunidades: um remate cruzado do Brahimi que saiu rente ao poste e, na última jogada do encontro, um cabeceamento do Danilo num livre que fez a bola passar um pouco por cima. Com bastante sacrifício, lá conseguimos manter a vantagem preciosa e quebrar esta malapata dos jogos frente a eles.

Em termos individuais, destaque para o Seferovic não só pelo golo, mas também porque continua a aguentar os embates com os centrais e a conseguir manter a ter posse de bola, e tabelar com os companheiros. O Ruben Dias foi outro que fez um jogo fantástico, sendo praticamente intransponível para os adversários. O Salvio não começou nada bem, mas foi subindo de rendimento sendo sempre uma grande ajuda para o André Almeida, que também se exibiu a bom plano. Aliás, estes jogadores mais antigos no plantel, nestes jogos mais quentes, estão sempre lá para mostrar raça. O Grimaldo voltou a confirmar-se como um dos grandes destaques neste início de época e é fundamental na construção do nosso jogo atacante. Uma palavra para o Lema, que se estreou a titular logo numa partida destas, e foi-se aguentando bem a um amarelo ainda na 1ª parte, sendo depois injustamente expulso. Todos os outros se exibiram em bom plano, sendo irrepreensíveis na entrega e espírito de sacrifício.

Principalmente em termos psicológicos, esta é uma vitória muito importante, porque infelizmente não tem sido nada comum derrotar o CRAC nos últimos tempos. Vamos agora para nova pausa por causa das selecções e depois haverá Taça de Portugal, pelo que o campeonato só voltará no final do mês. Defrontaremos o Belenenses no Jamor e há que continuar esta senda vitoriosa.

P.S. – Havia, e bem, uma regra que determinava que os grandes fizessem entre si um jogo em casa e outro fora em cada volta do campeonato. Porque raio de carga de água a mudaram? É isto “defender o futebol”? Será que alguém acha bem que à 7ª jornada já tenhamos recebido a lagartada e o CRAC? E que pode dar-se o caso de, dependendo do sorteio da próxima época, durante o ano de 2019 não termos jogos grandes na Luz? Que estupidez!

quarta-feira, outubro 03, 2018

Milagre

Vencemos em Atenas o AEK por 3-2 na 2ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Foi uma vitória muito mais difícil do que a certa altura do jogo se esperava, muito por culpa própria (já lá vamos…), mas lá conseguimos finalmente quebrar um terrível ciclo de oito(!) derrotas consecutivas para a Champions.

O Salvio regressou à equipa e o Rafa manteve a titularidade depois do bis em Chaves. Não poderíamos ter tido melhor entrada no jogo: marcámos logo aos 6’ pelo Seferovic na recarga a um bom remate do Gedson de fora da área. Já antes disso, o Conti tinha tido uma cabeçada num canto defendida pelo guarda-redes e, a seguir ao golo, o Fejsa de cabeça proporcionou nova defesa do Barkas e o mesmo Seferovic viu um defesa cortar para canto um desvio seu na pequena-área, que estou convencido que entraria na baliza. Aos 15’, aumentámos a vantagem num centro largo do Pizzi, com o Grimaldo a entrar de cabeça(!) nas costas do defesa. A partir daqui, baixámos inexplicavelmente o ritmo e permitimos que o AEK voltasse a respirar. Valeu-nos por mais de uma vez o Vlachodimos e também má pontaria dos gregos noutro lance. Nós só tivemos mais uma oportunidade pelo Pizzi, mas o remate em arco de fora da área saiu ligeiramente por cima. Em cima do intervalo, o Rúben Dias teve uma paragem cerebral e tentou cortar uma bola com demasiada força, tendo já um amarelo. Um adversário antecipou-se e o nosso central acertou-lhe: segundo amarelo e expulsão. Imperdoável! Íamos jogar toda a 2ª parte com o Conti e Lema, o terceiro e quarto central (que fez a estreia absoluta pelo Benfica) do plantel…

Estava mesmo a ver-se o que iria acontecer depois de reatamento. O Salvio foi o sacrificado para a entrada do Lema e o Pizzi foi desviado para a direita, mas durante os primeiros 20’ nem tocámos na bola. Pior: demos imenso espaço nas costas da defesa, especialmente no lado direito, onde o André Almeida andou literalmente aos papéis e sofremos dois golos iguais por aquele lado, aos 53’ e 64’, ambos pelo Klonaridis. Portanto, um jogo que deveria estar decidido a nosso favor ficou empatado e só não sofremos o terceiro golo cerca de dez minutos depois, porque o Vlachodimos defendeu um remate deste mesmo jogador, que lhe apareceu isolado na frente (bastaria que ele tivesse dado para o lado, para um colega completamente à vontade, para estarmos agora a chorar…). Dois minutos depois, aos 75’, o entretanto entrado Alfa Semedo avançou praticamente sozinho pelo meio-campo grego, provavelmente na primeira vez que o fizemos na 2ª parte, e resolveu rematar de longe: a bola saiu rasteira e muito colocada ao ângulo inferior esquerdo da baliza. Um golão caído literalmente do céu no único(!) remate que fizemos depois do intervalo. Os gregos sentiram imenso este golo e até final lá conseguimos segurar a preciosíssima vantagem, até porque o Ajax empatou surpreendentemente em Munique (1-1) e ficaria com uma vantagem significativa se não tivéssemos conseguido os três pontos.

Em termos individuais, destaque absoluto para o Vlachodimos sem o qual não teríamos ganho. O Alfa Semedo foi o herói improvável, numa partida onde voltei a gostar do Seferovic. O Fejsa fez o que pode, mas não dá para tudo. O Lema que fez a sua estreia voltou a confirmar a impressão com que fiquei dele na pré-época: muito bom de cabeça, rins de pedra e muita dificuldade quando a bola está no relvado. E provavelmente vai ser titular contra o CRAC…

Há neste blog muita literatura nos últimos 14 anos que prova que, para mim, nem tudo está bem quando ganhamos, nem tudo está mal quando perdemos. Há que saber ver para além dos resultados e não estou nada contente com o que vi ontem. Caso não tivesse havido o chouriço do Alfa Semedo, estava indeciso se o título deste post seria “Adeus, Rui Vitória” ou “Poucochinho”. Sendo que o segundo é a razão principal para justificar o primeiro. Porque raio de carga de água é que nós, em jogos deste calibre, deixamos de jogar à bola quando estamos em vantagem?! É que já não é a primeira vez que isto acontece: temos a hipótese de matar de vez o adversário e preferimos “controlar o jogo”…! (Já aconteceu o mesmo frente ao Fenerbahçe na Turquia, onde não procurámos o segundo golo, mas aí acabou por correr bem.) Com a pequena nuance de que nós NÃO sabemos controlar o jogo! A 2ª parte demonstrou-o mais uma vez à saciedade: defendemos PESSIMAMENTE, sendo que o facto de estarmos com dez não serve de desculpa. É suposto as equipas fecharem-se mais com dez jogadores e nós estendemos a passadeira aos gregos por mais de uma vez!

Vamos lá a ver o seguinte: se o objectivo do futebol é meter a bola na baliza, porque é que nós deixámos de tentar fazer isso aos 15’, com 75’ para jogar…?! Começámos a jogar para o lado, a baixar o ritmo, quando os gregos estavam completamente encostados às cordas e mesmo à mercê de uma estocada final. Mas não, pusemo-nos a jeito de uma contrariedade, fosse sofrer um golo que abriria de novo o jogo ou uma expulsão como veio a acontecer. E isso, meu caro Rui Vitória, é “poucochinho”. Não é à Benfica. O AEK não é o Bayern de Munique! Se podemos dar três ou quatro, é para dar três ou quatro! Por uma simples razão: estaremos muito mais perto da vitória com três ou quatro do que só com dois! E a salvo de qualquer eventualidade. Espero que esteja consciente que o que aconteceu ontem foi um verdadeiro milagre: um remate na 2ª parte, Alfa Semedo, um golo. Escreva isto 100 vezes para tomar consciência do que aconteceu. E perceba que é muito improvável que volte a acontecer.

sexta-feira, setembro 28, 2018

Roubo de Capela

Empatámos em Chaves (2-2) e é quase certo que, não só vamos perder a liderança do campeonato, como vamos receber o CRAC para a semana um ponto atrás deles na classificação (jogam em casa com o Tondela). Num jogo que esteve quase para não se realizar, por causa do dilúvio que o obrigou a atrasar uma hora, o Sr. João Capela foi absolutamente decisivo para o resultado final.

Com os extremos do jogo anterior (Salvio e João Félix) lesionados, entraram, como seria de esperar, o Rafa e o Cervi, tendo o Grimaldo felizmente recuperado da lesão frente ao Aves. As coisas não poderiam ter começado melhor para nós, quando numa recuperação de bola o Seferovic fez uma abertura brilhante para o Cervi na esquerda, este correu e centrou para o Rafa entrar de rompante, e fazer o 1-0 logo aos 3’. Contra todas as expectativas, o que se viu a seguir fez parecer que o golo fez melhor ao Chaves do que a nós, já que fomos empurrados para a nossa área durante grande do primeiro tempo. Nessa altura, valeu-nos o Vlachodimos com duas intervenções brilhantes, que permitiram que fôssemos para o intervalo em vantagem. Quanto a nós, tivemos somente mais uma grande oportunidade num remate do Gabriel, ligeiramente desviado pelo guarda-redes Ricardo para o poste, na sequência de um livre para a área. A pior notícia não só da 1ª parte, como do jogo todo, foi a lesão do Jardel num sprint, que o obrigou a ser substituído pelo Conti. Vamos lá a ver quanto tempo vai ficar de fora…

A 2ª parte foi completamente diferente, porque estivemos muito melhor do que o Chaves, que raramente se conseguiu aproximar com perigo da nossa baliza. Infelizmente foi neste período que sofremos os golos. Culpa também nossa que não soubemos matar o jogo quando tivemos oportunidades para isso: remate cruzado do Cervi ao lado e, principalmente, dois lances do Seferovic, só com o guarda-redes pela frente, sem conseguir concretizar. Foi pena até porque o suíço foi dos melhores em campo com participação directa nos nossos dois golos. O Gabriel, que também já tinha um amarelo, saiu tocado, entrando o Gedson, e quando nada o fazia prever o Chaves empatou. Não me parece que tenha existido falta do Cervi, mas o livre era muito longe da área. Incompreensivelmente, até porque o Ghazaryan mostrava que ia rematar à baliza, colocámos somente dois(!) jogadores na barreira. Naturalmente que a bola passou ao lado dele e por entre o Pizzi e o Fejsa, que também não a tentaram cortar. O Vlachodimos acabou por ser surpreendido e atirou-se mais tarde do que devia, não conseguindo evitar o empate aos 75’. O Rui Vitória fez logo entrar o Jonas para o lugar do desta vez inoperante Pizzi, mas foi o Rafa a conseguir colocar-nos novamente na frente aos 85’: passe no círculo central do Rúben Dias, o Seferovic abriu as pernas e com esse movimento isolou o Rafa, que fuzilou o guarda-redes à sua saída. (Até qu’enfim que o Rafa já marca golos isolado!) Respirávamos de alívio, mas o jogo ainda não tinha terminado… O Sr. João Capela, que tinha deixado passar duas faltas claras sobre o Cervi na esquerda, entrou em campo e expulsou com vermelho directo o Conti por uma entrada aos 88’. O nosso central tentou cortar a bola, mas como tinha chovido imenso acabou por escorregar e derrubou o adversário SÓ com uma perna! E isso faz toda a diferença! Não foi uma entrada a pés juntos e foi derivada do estado do relvado. Era obviamente amarelo (a expressão do comentador na TV foi “entrada desastrada”) mas o Sr. João Capela (aquele que fez isto no ano passado, lembram-se?) resolveu equilibrar o jogo, expulsando o Conti. Recordo que já tínhamos perdido um central e, portanto, acabámos a partida com o Fejsa na defesa e o Gedson e Jonas(!) no meio-campo. Nos 5’ de descontos, conseguimos manter a bola longe da nossa baliza durante grande parte do tempo, mas aos 94’, numa jogada que envolveu boa parte da equipa, o Ghazaryan também bisou com um remate cruzado do lado direto e empatou definitivamente o jogo. O Sr. João Capela conseguiu os seus desideratos e matou dois coelhos numa cajadada: não só não ganhámos, como vamos ter que jogar contra o CRAC com o quarto central do plantel, que ainda não se estreou na equipa! Muitos parabéns para ele!

Em termos individuais, óbvio destaque para o Rafa pelos dois golos e porque está muito mais interventivo no jogo da equipa. Também gostei da envolvência do Seferovic com o nosso jogo atacante, mas ficou a dever-nos dois golos. O Conti ainda me tem que provar que não é um novo Lisandro, mas não deveria ter ido para a rua. O Vlachodimos foi brilhante na 1ª parte, mas provavelmente poderia ter feito mais nos golos, especialmente no primeiro. Todos nos outros estiveram num nível mediano, com o André Almeida a fazer uma 1ª parte horrível, mas a subir na 2ª.

Iremos agora a Atenas sem o Jardel e receberemos o CRAC no próximo domingo, possivelmente com o Lema a estrear-se na equipa. Em jogos equilibrados, pode haver sempre uma Capela a fazer pender o jogo para determinado lado. Cabe-nos a nós sermos mais eficazes nas oportunidades que criamos para não deixarmos que isso nos roube pontos. Mas lá que fomos terrivelmente prejudicados nesta partida, isso é indiscutível.

quinta-feira, setembro 27, 2018

Muito obrigado, Luisão!


Foto tirada da página de Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Palmarés: 6 Campeonatos Nacionais (22º); 3 Taças Portugal (35º); 7 Taças da Liga (1º); 4 Supertaças (1º);

Todos os jogos - 15 épocas; 599J (9º); 49G (67º);


Competições oficiais - 538J (3º); 47G (47º); 


Campeonato Nacional - 337J (6º); 26G (53º); 


Taça de Portugal - 44J; 8G; 


Taça da Liga - 24J; 2G; 


Supertaça - 6J; 


UEFA - 127J; 11G


[Dados do meu amigo João Tomaz]

Não é preciso acrescentar mais nada. Um enorme obrigado por tudo, grande capitão! Foste, és e serás sempre o maior!

segunda-feira, setembro 24, 2018

Convincente

Vencemos ontem o Aves por 2-0 e continuamos na frente do campeonato. Depois da derrota europeia a meio da semana, demos uma excelente resposta e fizemos uma exibição agradável, embora o resultado devesse ter sido mais avolumado.

O Rui Vitória surpreendeu e deu a titularidade ao Gabriel e João Félix, em vez do Gedson e Cervi. É bom que façamos alguma gestão do plantel para que todos tenham a rodagem necessária e ambos os que entraram foram dos melhores em campo. Tivemos um início muito forte e o João Félix marcou logo aos 4’, mas infelizmente estava fora-de-jogo. Por volta dos 15’, houve um toque nas costas do mesmo João Félix na área, mas o Sr. Rui Gomes Costa nem sequer foi consultar o VAR. O Salvio por duas vezes e o Pizzi também poderiam ter inaugurado o marcador, mas isso acabou por acontecer pelo inevitável João Félix aos 34’: grande abertura do Pizzi e o miúdo isolado perante o guarda-redes não falhou pela segunda vez, mas desta contou. Até ao intervalo, o Salvio noutra grande jogada atirou ao poste de pé esquerdo e o Vlachodimos teve de se aplicar num remate cruzado, naquela que foi a única ocasião do Aves.

Deveríamos ter ido para o intervalo com o jogo decidido, mas isso não aconteceu e, na 2ª parte, o Aves apareceu com outra disposição e teve logo uma oportunidade de início com um livre frontal muito bem defendido pelo Vlachodimos. Aos 50’, o João Félix colocou mal o pé esquerdo no relvado e teve de ser substituído. Foi pena, porque estava a ser o melhor em campo. Entrou o Cervi que acabou também por ser decisivo para o resultado final. No entanto, apanhámos um enorme susto antes com um mau passe do Jardel a permitir ao Baldé ter uma grande oportunidade, mas atirou ao lado com o Vlachodimos a fazer bem a mancha. Aos 62’, aumentámos a vantagem pelo Cervi, com um remate rasteiro de pé direito que ainda foi desviado por um defesa, depois de uma assistência do André Almeida na direita. Até final, ainda poderíamos ter aumentado mais o marcador, com oportunidades do Seferovic, num bom remate à meia-volta, e do Jardel a atirar de cabeça à barra num canto. O Aves poderia ter reduzido pelo entretanto entrado Derley, mas a bola picada sobre o Vlachodimos saiu felizmente torta.

Em termos individuais, destaque para o João Félix e não só pelo golo. Pelo toque de bola, vemos logo que temos ali jogador e esperemos que a lesão não o impeça de ficar de fora muito tempo. Outra lesão, bem mais preocupante, porque ao contrário desta as alternativas não existem, foi a do Grimaldo, que estava igualmente a fazer um bom jogo (com excepção da perda de bola de que resultou a oportunidade do Derley). Gostei muito do Gabriel, que não só consegue colocar bem a bola na frente, como recupera muitas delas e tem um bom remate. E, desde o Talisca, que não temos ninguém para rematar com perigo de fora da área. O Salvio fez uma boa 1ª parte, mas decaiu um pouco na 2ª. Outro que esteve em bom plano foi o Jardel, apesar do mau passe para a outra grande oportunidade do Aves na 2ª parte. Uma palavra para o regresso do Jonas, muito merecidamente aplaudido quando entrou.

A seguir aos jogos europeus, há sempre interrogações sobre a forma como as equipas se apresentam, mas a nossa exibição foi convincente. A minha grande preocupação no momento é a lesão do Grimaldo, porque é os jogadores mais insubstituíveis do plantel. Ainda por cima, já na próxima 5ª feira jogamos em Chaves, onde na época passada só ganhámos na compensação. E, na partida anterior a recebermos o CRAC, não podemos vacilar.

quinta-feira, setembro 20, 2018

Renato Sanches

Perdemos na Luz com o Bayern Munique por 0-2 na 1ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. A diferença entre as duas equipas é tão grande que nem vale a pena ficar muito chateado. São mesmo ‘de outro campeonato’ e a nossa luta tem que ser outra. 

Com o mesmo onze que defrontou o Nacional no dia 2 de Setembro, a nossa resistência durou 10’: uma arrancada do Renato Sanches, seguida de uma combinação entre o Ribéry e o Alaba na esquerda, centro deste para o Lewandovski, que tirou o Grimaldo do caminho e bateu o Vlachodimos. Por esta altura, já os bávaros controlavam perfeitamente o jogo, com trocas de bola imaculadas e um futebol geométrico de encher o olho. Só a partir dos 30’ conseguimos reagir e tivemos uma boa oportunidade pelo Salvio, mas o Neuer demonstrou porque é o... Neuer. No entanto, antes disso, já o Vlachodimos tinha tirado o golo ao Robben que lhe apareceu pela frente.

Na 2ª parte, as coisas ficaram decididas muito cedo: outra arrancada do Renato Sanches desde a sua grande área, depois de o Robben lhe ter dado de calcanhar num situação em que os estávamos a pressionar na defesa (‘é muito jogo’!), conseguiu aguentar a carga do Pizzi, abriu na direita, mudança de flanco para a esquerda, combinação e centro do James para o mesmo Renato Sanches marcar o primeiro golo de sempre com a camisola do Bayern. Não é por ser contra nós que vou deixar de achar que é um golão. A partir daqui, ambas as equipas perceberam que o jogo estava resolvido, mas mesmo assim ainda tivemos oportunidades em lances de bola parada pelos centrais (Rúben Dias e Jardel), mas o Neuer voltou a mostrar porque é um dos melhores guarda-redes do mundo (especialmente no primeiro caso). As substituições que o Rui Vitória fez não alteraram o resultado, embora o Rafa e o Gabriel tenham estado bem.

Em termos individuais não é fácil destacar ninguém, mas isto não significa que estivéssemos mal. Até fizemos um bom jogo tendo em conta que defrontámos uma equipa demasiado poderosa. O Gedson terá sido o melhor na 1ª parte, mas decaiu depois do intervalo (como é habitual). O Vlachodimos impediu que o resultado tivesse sido mais avolumado e só tem que melhorar a saída dos postes nos cantos (“melhorar” é uma forma de dizer: tem MESMO que sair algumas vezes). O Pizzi e o Salvio estiveram bem abaixo do que têm vindo a fazer e o André Almeida mostrou as suas limitações: chega e sobra para o campeonato português, mas isto ‘é outra loiça’. O Seferovic esforçou-se e esteve longe de ser dos piores, e o Gabriel mostrou que pode ser uma boa alternativa (tem sentido posicional, capacidade de luta e não tem medo de rematar de longe – algo de que estamos muito necessitados...!).

Para finalizar, eis a razão para o título do post. Já li por aí muito benfiquista indignado com as palmas ao Renato Sanches pelo segundo golo do Bayern. Digo desde já que eu me levantei e aplaudi efusivamente. MAS NÃO aplaudi o golo. Obviamente. Aplaudi a REACÇÃO do Renato ao golo. E isso, meus caros, faz TODA a diferença. Vamos lá a ver se nos entendemos: tivemos o privilégio, tal como neste jogo, de assistir ao vivo a uma grande equipa de futebol a jogar na Luz perante os nossos olhos. Que derrotou a nossa, porque é melhor. Ponto. A questão aqui é perceber o contexto e saber lidar com isso: não estamos na Champions para a ganhar. Isso é uma utopia. Estamos para ir o mais longe possível e honrar a camisola. E fizemos isso ontem. Há três anos, vendemos o primeiro jogador português para o Bayern. PRIMEIRO. Que fez um jogão contra nós. Eu senti orgulho disso. Não é ficar contente com o golo sofrido, como é lógico. É ver alguém que merece muito, pela campanha miserável que lhe fizeram enquanto esteve no Benfica, a ter finalmente algum sucesso num dos maiores clubes do mundo (o que, além do mais, nos poderá trazer grandes benefícios financeiros no futuro). E não aquele golo, MAS A REACÇÃO ao golo do Renato e a resposta do público vão ficar para sempre na memória de quem teve o privilégio de assistir ao vivo. Como ficará na do Renato. E na dos colegas (o Hummels elogiou-nas redes sociais). A reacção do Renato é obviamente merecedora do meu aplauso. Tal como o Rui Costa a chorar com a camisola da Fiorentina. Porque uma coisa é o Benfica ganhar e todos gostamos disso. Mas outra (e para mim mais importante) é o Benfica ser ‘Benfica’. E os adeptos do Benfica foram ‘Benfica’ com as reacções aos golos do Rui Costa e do Renato Sanches. O que me enche de orgulho. Foi um dos momentos mais belos em que tive a honra de participar enquanto adepto de futebol.

segunda-feira, setembro 17, 2018

Salvio

Vencemos o Rio Ave no sábado por 2-1 e, como no outro jogo houve um empate a zero entre o Paços de Ferreira e o Aves, estamos na frente do grupo A da Taça da Liga. Isto pode parecer informação pouco relevante, mas como no ano passado nem uma vitória conseguimos nesta competição...

O Rui Vitória fez alterações (poucas) certamente já a pensar no jogo frente ao Bayern Munique e, por isso mesmo, jogaram o Svilar, Conti, Yuri Ribeiro, Alfa Semedo e Rafa. O Rio Ave não se limitou a defender e o jogo foi bem disputado, com a posse de bola muito repartida. Infelizmente tivemos em campo uma das piores arbitragens que me lembro desde há muito tempo: o sr. Rui Oliveira é de uma incompetência (vamos ser simpáticos que a época ainda agora começou...) atroz! Conseguiu enervar o público presente, dado que só havia faltas contra nós. Pior: lances que nem faltas eram proporcionaram amarelos ao Alfa Semedo e Salvio! Aos 21’ inaugurámos o marcador num penalty marcado pelo Salvio a castigar um derrube ao Seferovic. No estádio, não consegui ver e mesmo na televisão não dá para ter a certeza se houve toque ou não, mas, pela tendência do sr. Rui Oliveira no resto do jogo, de certeza que foi falta! Até ao intervalo, o Rio Ave poderia ter empatado, mas o Jardel fez um corte providencial e o Gedson rematou ao lado numa óptima jogada do Salvio na direita.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor com o 2-0 a surgir logo aos 50’ através do Rafa, num remate com a parte exterior do pé direito, depois de uma arrancada bestial do Salvio e uma assistência perfeita. Pouco depois, boa jogada do Rafa na esquerda e assistência para o Seferovic atirar por cima. Logo a seguir (60’), o Rio Ave reduziu para 2-1 pelo Carlos Vinícius, depois de centro da esquerda, com o avançado a rematar à vontade na área. Até final, poderíamos ter aumentado, mas o Pizzi atirou por cima depois de nova jogada do Salvio na direita e o mesmo Salvio desmarcou muito bem o Gedson, também na direita, que centrou rasteiro, mas quando o Seferovic se preparava para encostar um defesa cortou a bola. Em cima dos 90’, apanhámos um grande susto, com um centro da direita e um mau cabeceamento do Bruno Moreira por cima, quando só tinha o Svilar pela frente. Teria sido inglório não termos ganho este jogo.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Salvio: um golo, uma assistência e quase todas as jogadas de perigo passaram por ele. Está numa forma fantástica, talvez só equiparada às primeiras épocas na Luz, antes das malfadadas roturas de ligamentos. Quando os jogadores estão com confiança, tudo lhes sai bem e o Pizzi e o Seferovic são bons exemplos disso. Não foi o melhor jogo de ambos esta época, mas a boa forma está lá. Tal como o Rafa, cujos golos nos dois últimos jogos, lhe levantaram bastante o moral. Quantos às estreias esta época, não fiquei (outra vez) nada entusiasmado: o Svilar continua muito bem sem perceber quando deve ou não sair da baliza e, no cruzamento no final, andou aos papéis (é melhor mesmo que seja emprestado, porque no momento não é opção); o Conti será, na melhor das hipóteses, um Lisandro mais novo; o Yuri Ribeiro fez uma 1ª parte horrível (em que até dominar a bola era um problema irresolúvel), mas melhorou ligeiramente na 2ª (pode ser que seja como o André Almeida cuja estreia na equipa do Benfica também foi de fugir...). Referência igualmente para a estreia do Gabriel no meio-campo, na parte final do jogo, que mostrou que gosta de ter a bola.

Esta é a competição menos importante de todas, mas é oficial e temos um grande histórico a defender, portanto é bom que a levemos a sério. Até porque há dois anos que não a ganhamos...

quinta-feira, setembro 13, 2018

Portugal - 1 - Itália - 0

Passados 61 anos(!), voltámos a vencer os italianos numa prova oficial, na nossa estreia na nova Liga das Nações, em que partilhamos o grupo também com a Polónia. Apesar de o Fernando Santos ter arriscado ao não convocar o Cristiano Ronaldo (que ficou a “ambientar-se” em Turim), foi uma boa exibição da selecção nacional e a vitória é mais do que justa.

Com o Pizzi e três ex-Seixal no onze (Rúben Dias, Cancelo e Bernardo Silva), mais dois no banco (Gedson e Renato Sanches), Portugal dominou praticamente o jogo todo e os italianos não tiveram uma evidente oportunidade de golo. Quanto a nós, entre outras oportunidades, um defesa tirou o golo ao Bernardo em cima da linha ainda na 1ª parte e, no início da 2ª, uma boa arrancada do Bruma (possivelmente o melhor em campo), culminou num bom remate de pé esquerdo do André Silva fazendo o golo aos 48’.

Como no jogo anterior, Itália e Polónia empataram (1-1), estamos isolados na frente do grupo. O próximo jogo é na Polónia em 11 de Outubro. Só o 1º classificado nesta poule a três passará para a final four da Liga das Nações, que se disputará em Junho do próximo ano.

segunda-feira, setembro 03, 2018

Convincente

Goleámos na Choupana o Nacional por 4-0 e, por causa da diferença de golos, estamos agora na frente do campeonato, em igualdade pontual com a lagartada (1-0 no WC ao Feirense, com o golo aos 88’!) e o Braga, com o CRAC (3-0 em Mordor frente ao Moreirense) um ponto atrás. Depois da gloriosa jornada europeia, a equipa voltou a responder muito bem em termos físicos e conseguiu uma vitória sem mácula.

O Rui Vitória apostou mesmo onze de Salónica, o que quer dizer que o Seferovic voltou a ser titular. E foi o melhor em campo. Entrámos muito pressionantes como é hábito, embora verdade seja dita o Nacional tentou responder contra-atacando sempre que podia, especialmente na 1ª parte. O Sr. Fábio Veríssimo não teve dúvidas em dois lances, nem reviu as imagens, que me parecem penalty por derrubes ao Seferovic e Cervi (este, então, é claríssimo). Em termos de oportunidades para nós, o Salvio, numa boa iniciativa pela direita, remata rasteiro ao lado e o Seferovic não consegue chegar a um cruzamento do Grimaldo na esquerda. Até que aos 28’ inaugurámos finalmente o marcador, numa óptima desmarcação do Salvio para o Seferovic isolado não falhar perante o guarda-redes Daniel Guimarães. Logo a seguir, tivemos uma enorme contrariedade com a saída por lesão do Fejsa e a entrada do Alfa Semedo. O Salvio voltou a ter uma boa chance, mas também chegou atrasado a um centro do Seferovic, no entanto em cima do intervalo os mesmos protagonistas cozinharam o 0-2, com o suíço a centrar muito bem na esquerda para o argentino só ter que encostar de cabeça.

Na 2ª parte, como seria de prever pelo resultado e pelo jogo na 4ª feira, baixámos o ritmo e começámos a controlar mais o jogo. Poderíamos ter feito o terceiro golo logo no reinício, mas um bom remate do Seferovic foi defendido pelo guarda-redes. Só por duas vezes o Nacional colocou o Vlachodimos à prova, mas este mostrou que temos guarda-redes, ao fazer duas belas defesas. Quanto a nós, fomos fazendo as substituições da praxe de troca de extremos, entraram o Rafa e o João Félix (este já muito perto do fim), saíram o Cervi e Salvio. Aos 76’, acabámos de vez com as (poucas) dúvidas ao fazer o 0-3, numa bela abertura do Pizzi, para uma boa concretização do Grimaldo, com a bola a passar novamente debaixo da perna do guarda-redes (tal como no golo do Seferovic). Já na compensação, o Pizzi teve uma outra fantástica assistência que isolou o Rafa que, desta feita, conseguiu marcar só com o guarda-redes pela frente: excelente a picar a bola por cima dele. Aleluia!

Em termos individuais, o Seferovic foi o melhor para mim, com um golo e uma assistência e muito trabalho dado aos centrais contrários. Mostra confiança, capacidade de trabalho, mantém a posse de bola, enfim, o lugar é dele no momento. O Salvio também teve um golo e uma assistência e foi outro dos melhores em campo: esteve completamente endiabrado na direita. Quem fez igualmente um jogão foi o Gedson, especialmente na 2ª parte quando foi necessário levar a bola para a frente para a equipa subir no terreno. O Vlachodimos foi também importante para garantir o nulo nas nossas redes. O Grimaldo voltou a ser dos melhores transportadores de jogo para a frente, mas convinha que não desatasse a fintar logo à saída da nossa área (sim, eu sei que já estava 0-3, mas mesmo assim…). Foi só pena a lesão do Fejsa, mas agora com a paragem do campeonato pode ser que tenha tempo pata recuperar.

Passámos o difícil mês de Agosto com louvor de distinção. Conseguimos o principal objectivo que era a ida à Champions e estamos na frente do campeonato. Para além disso, estamos a praticar bom futebol, algo que na temporada passada só muito esporadicamente conseguimos. Para ser tudo absolutamente perfeito, só faltou ganhar à lagartada na Luz.

P.S. – Na passada 5ª feira, houve o sorteio da Champions. Ficámos no grupo do Bayern Munique, Ajax e AEK Atenas. Temos MAIS QUE obrigação de ir pelo menos à Liga Europa, mas espero que possamos igualmente ficar à frente do Ajax. A 1ª volta vai ser complicada, com a recepção aos bávaros e depois dois jogos fora consecutivos. A nossa possível qualificação vai depender muito de como correrem estes três jogos.