Obtivemos uma vitória importantíssima em Braga por 1-0 e continuamos na
liderança do campeonato com o CRAC a um ponto e a lagartada a dez. Pelo segundo
jogo consecutivo, o Mitroglou resolveu e desta feita com um do melhores golos
do campeonato. Tal como se esperava, foi uma partida complicadíssima em que só
marcámos a dez minutos do fim, mas numa altura em que estávamos a ser a melhor
equipa.
Já se sabe que as jornadas depois da Champions
têm sempre um nível de dificuldade acrescido (basta ver os resultados de todas
as equipas que participam naquela competição) e não ajudava nada que esta fosse
a ida a Braga, mesmo que os locais não passem por um bom momento. Com o Jonas
ainda sem estar recuperado, voltou a jogar o Rafa no seu lugar, tendo reentrado
o Zivkovic na equipa em vez do Carrillo. Entrámos melhor nos primeiros minutos,
mas foi sol de pouca dura, porque o adversário foi superior na maior parte do
primeiro tempo. Mesmo assim, as (poucas) oportunidades foram repartidas, porque
o Mitroglou desviou por cima num lance em que o Marafona ainda tocou na bola
antes de ela chegar ao grego e levámos com uma bola ao poste pelo Battaglia, na
sequência de um canto já perto do intervalo.
A 2ª parte principiou na mesma toada, mas com o passar o tempo o Braga
foi-se afundando e nós subindo de produção. O problema foi que não conseguíamos
rematar à baliza, porque o último passe invariavelmente não saía e nós tínhamos
alguma cerimónia perto da área. Os treinadores foram fazendo substituições, mas
as nossas acrescentaram mais do que as deles, com destaque para a entrada do
Jiménez que acabou por ter acção no golo: roubo de bola do Pizzi ao Assis aos
80’, contra-ataque nosso com o mexicano a abrir no Mitroglou descaído sobre a
direita, o grego parecia que estava a demorar muito, mas num espaço mínimo de
terreno desenvencilhou-se de dois defesas, aguentou a carga de um terceiro e
atirou por entre as pernas do Marafona! Um lance genial que não desmereceria ao
Messi! Até final, conseguimos manter o Braga longe da nossa área, com excepção
de um livre já depois dos 90’ em que deixámos um adversário cabecear à vontade,
mas a bola foi fraca para as mãos do Júlio César.
Em termos individuais, o Mitroglou é obviamente o homem do jogo. Um golo
daqueles, ainda por cima sendo o único, é razão mais do que suficiente. Também
gostei bastante do Rafa, que terá feito o melhor jogo desde que chegou.
Bastante rápido, a antecipar-se muitas vezes aos defesas, tem que aprender a
definir melhor o último passe e a aprender a rematar. O Lindelof estava a fazer
um óptimo jogo, mas aquela última bola foi responsabilidade sua. O Eliseu
estava igualmente bem, mas resolveu sair a fintar no meio-campo a meio da 2ª
parte e provocou um contra-ataque muito perigoso ao Braga. Grande parte do
nosso problema neste jogo (e frente ao Dortmund) residiu no facto de tanto o
Pizzi como o Fejsa não estarem na sua melhor forma. O nosso meio-campo nunca se
conseguiu impor de forma consistente e acho que o Rui Vitória terá de pensar
numa solução alternativa em partidas perante adversários mais fortes:
claramente neste momento só Pizzi e Fejsa não são suficientes.
Depois do que se viu na 6ª feira (com o CRAC a ganhar 4-0 ao Tondela, mas
com o primeiro golo perto do intervalo a sair de um penalty inventado e logo a
seguir uma expulsão por duplo amarelo em que foi o Soares a fazer falta sobre o
defesa, cortesia do sr. Luís
Ferreira), este jogo era crucial para mostrar que, apesar de estarem a fazer
tudo para puxar outra equipa lá para cima, nós não nos deixamos abater assim
tão facilmente. Mesmo não tendo feito uma exibição por aí além, conseguimos o
mais importante e, se ficarmos todos felizes em Maio, ir-nos-emos lembrar desta
vitória no final da época como um dos momentos mais marcantes.
P.S. – Nomear o sr. Tiago Martins, que tinha expulsado o Rui Vitória na
meia-final da Taça da Liga, para este jogo foi claramente uma provocação. Se o
golo invalidado ao Mitroglou ainda se pode aceitar, porque é muito difícil de
ver, e no penalty sobre o Salvio a maneira como ele cai pode suscitar dúvidas
(mas é penalty, porque é rasteirado na perna esquerda), há dois lances que o
definem enquanto árbitro. Na 1ª parte, o Rafa é rasteirado, mas a bola sobra
para o Salvio que ia fazer um ataque perigoso, mas ele não dá a lei da vantagem
e apita para mostrar o amarelo ao jogador do Braga. Na 2ª parte, o Eliseu
agarra o Rui Fonte, este cai e tenta passar a bola para dois colegas que
ficariam em boa posição para um ataque perigoso, mas não o consegue e só aí o
árbitro assinalou a falta e o amarelo. Ou seja, esteve claramente à espera para
ver no que o lance ia dar antes de apitar. De falta de coerência não pode ser
acusado...!