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segunda-feira, novembro 28, 2016

Velocidade de cruzeiro

Vencemos o Moreirense por 3-0 e aumentámos a distância para sete pontos em relação ao CRAC (empate a zero no Restelo), mantendo os cinco para a lagartada (vitória no Bessa por 1-0). Esteve longe de ser uma exibição deslumbrante, o Moreirense raramente passou de meio-campo e só por uma vez obrigou o Ederson a defender, mas continuamos nesta onda de, jogando melhor ou pior, ganharmos sempre com relativa tranquilidade os jogos em casa.

Em relação a Istambul, o Rui Vitória deu a titularidade ao Jiménez em vez do Mitroglou. No entanto, aos 16’ tivemos que fazer a primeira substituição, porque o Eliseu se lesionou, entrando o André Almeida para a lateral-esquerda. Basta ver os jogos do fim-de-semana seguinte da maioria das equipas que participam na Champions para ver que raramente são fáceis e nunca há grandes exibições. Ainda para mais, com uma equipa que defendia com 11 jogadores no último terço do terreno, a coisa torna-se ainda mais complicada. Rodámos muito a bola entre os nossos jogadores, mas ocasiões só tivemos uma num centro do Salvio que o Jiménez correspondeu com um remate de primeira, que saiu por cima (foi pena, porque seria um golão). No entanto, aos 32’ lá começámos a desatar o nó, com o 1-0 pelo Pizzi: jogada do Cervi na esquerda, passe para o meio, o André Almeida deixa passar a bola (não percebi se de propósito ou não) e o Pizzi à entrada da área engana o guarda-redes e atira-lhe a bola para o lado contrário. Parecia um penalty. Suspirei de alívio, porque seria muito mau para a nossa estabilidade (e também para o nosso aspecto físico) se chegássemos ao intervalo sem estar em vantagem. O Moreirense abusava das entradas duras e finalmente, na parte final da 1ª parte, o sr. Luís Godinho lá começou a mostrar cartões.

Na 2ª parte, o jogo manteve-se igual: o Moreirense fechava-se lá atrás certamente na esperança de chegar perto do fim só com um golo de desvantagem para então poder tentar qualquer coisa no ataque. Por isso mesmo, era essencial marcar o segundo golo para acabar de vez com as dúvidas. O Pizzi e o Cervi na mesma jogada tiveram hipótese de o fazer, mas o remate do primeiro foi interceptado por um defesa e o do segundo viu o Makaridze (georgiano de 1,93m, bom guarda-redes) fazer a mancha. Aos 58’, fizemos então o 2-0 numa boa abertura do Salvio (a única coisa de jeito que fez no jogo todo) para o Pizzi, que rematou cruzado de pé esquerdo para fazer o bis. A partir daqui, o Rui Vitória começou a gerir a equipa, fazendo entrar o Carrillo para o lugar do apagado Salvio e mesmo o Moreirense deu o jogo por perdido ao tirar o lagarto Podence (bom jogador, mas armou-se em vedeta e saiu chateado), que estava a ser o melhor deles. O Makaridze lá ia adiando o terceiro golo, por duas vezes frente ao Cervi, mas aos 88’ nada pode fazer: o Pizzi isolou o Rafa (entretanto entrado para o lugar do Gonçalo Guedes), que passou o guarda-redes ainda fora da área, mas depois rematou fraco para a baliza, um defesa cortou e o Jiménez na recarga lá molhou o bico. Saio sempre mais satisfeito da Luz com golos a nosso favor no final dos jogos.

Em termos individuais, o Pizzi foi o homem do jogo, porque esteve nos três golos. Também o Cervi continua a dar nas vistas tanto a atacar como a ajudar o lateral. O Jiménez é muito esforçado, mas tem o grave defeito de sair muito da área, o que faz com que muitas vezes não tenhamos lá ninguém para corresponder ao jogo pelas alas. O lugar é claramente do Mitroglou e a equipa sente-se muito mais à vontade com aquela referência no ataque. A acusar o desgaste europeu, o Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e Salvio estiveram bastantes furos abaixo do habitual. Quanto ao André Almeida, temos aqui um potencial jogador vitalício: não há palavras para descrever a utilidade de quem faz quatro(!) lugares no campo, cumpre sempre que é chamado, tem consciência das suas limitações (e portanto raramente inventa) e nunca faz grandes ondas por não ser titular indiscutível. Grande André!

Fizemos a nossa obrigação, sem grandes stresses, mesmo que sem o brilhantismo que já vimos esta época. Teremos agora a ida aos Barreiros que antecederá dois dos jogos mais importantes da época: as recepções ao Nápoles e à lagartada (para a qual, a menos de duas semanas, inacreditavelmente ainda não há data nem hora!!!). Até pelo que virá depois, será importantíssima uma vitória na Madeira.

P.S. - A jogar perante o penúltimo classificado, num domingo às 18h, estiveram 55.970 espectadores na Luz! Em cinco jogos para o campeonato, sem ainda termos recebido nenhum dos outros dois rivais, temos uma assistência média de 55.174 pessoas. Impressionante!

quinta-feira, novembro 24, 2016

Inglório

Empatámos 3-3 em Istambul com o Besiktas e adiámos para a última jornada a questão da qualificação para os oitavos. Se, à partida, um empate fora perante um adversário directo não seria de desdenhar, o facto de ter acontecido depois de chegarmos ao intervalo a ganhar por 3-0 deixa um inevitável sabor muito amargo. Ainda para mais, porque uma vitória nossa selaria a qualificação e assim teremos de ganhar em casa ao Nápoles na última jornada, para não estarmos dependentes de um favor do Dínamo Kiev.

O jogo começou muito vivo, logo com um golo anulado ao Aboubakar por fora-de-jogo na recarga a um mau alívio do Lindelof (que jogo para esquecer!) que o Ederson defendeu. Pouco depois, foi o Eliseu a rematar de fora da área com a bola ainda a embater no poste. Aos 10’, inaugurámos o marcador com um grande golo do Guedes, isolado pelo Salvio, a aguentar a carga do defesa e a contornar o guarda-redes. Os turcos acusaram muito o golo e nunca se encontraram na 1ª parte. Fizemos o 0-2 aos 25’ num golão do Nélson Semedo com um remate de fora da área com o pé esquerdo! As coisas não poderiam estar a correr melhor e ainda se superaram com o 0-3 aos 31’ num dos lances mais inacreditáveis que eu já vi num campo de futebol: na sequência de um livre, o Mitroglou cabeceia à barra, no ressalto volta a cabecear à trave(!), a bola fica à mercê do Salvio que, com um defesa sobre a linha mas a baliza escancarada, também atira ao poste(!!), para finalmente o Fejsa fuzilar lá para dentro com um remate de pé esquerdo. Até ao intervalo, o Aboubakar teve uma oportunidade na área, mas o remate foi interceptado e o Salvio cabeceou por cima quando estava em boa posição.

Porque inacreditavelmente há pessoas que não sabem que, quando o Benfica joga, o mundo pára, compromissos parentais impediram-me de ver a 1ª parte em directo (revi-a no final do jogo). Por isso mesmo, quando o Mitroglou falhou isolado o 0-4 aos 54’ depois de uma abertura fabulosa do Salvio, que já tinha proporcionado uma boa defesa ao guarda-redes minutos antes, tive um mau pressentimento (ok, tenho-os sempre mesmo que estejamos a ganhar por 3-0 a 10’ do fim). No entanto, não conseguindo dar a machadada final no resultado e estando a jogar no terreno do campeão turco, as coisas poderiam inevitavelmente complicar-se com um golo madrugador deles. E assim foi: reduziram para 1-3 aos 58’ através do Tosun num remate acrobático, mas pareceu-me em ligeiro fora-de-jogo. Apesar deste golo, conseguimos adormecer o jogo, mas não me pareceu nada bem que o Rui Vitória tirasse o Cervi (que estava a ser dos melhores, dando inclusive muita ajuda defensiva ao Eliseu) para colocar o Rafa logo aos 64’. Ainda faltava muito tempo, o Salvio estava a ajudar menos o lateral do que o Cervi e dar rodagem ao Rafa a golear contra o Marítimo é uma coisa, em jogos da Champions e tão longe do final é outra. Curiosamente ou talvez não, não conseguimos mais produzir ataques com perigo a partir dessa altura. A 10’ do fim, entrou o Samaris para segurar o meio-campo, mas o que é certo é que os turcos não faziam aquela pressão que era expectável. Até que aos 83’, o cérebro do Lindelof parou e ele cortou uma bola com o braço em plena grande-área! O penalty do Quaresma ainda bateu no poste, mas entrou na baliza. Como o Ederson já tinha estado por duas vezes lesionado, era expectável que o árbitro desse mais tempo de compensação, e por isso ainda faltavam uma boa dezena de minutos para o final. E, infelizmente, não conseguimos mesmo manter a vantagem: aos 89’, centro do Quaresma na esquerda, o Lindelof falhou a intercepção e o Aboubakar antecipou-se ao Eliseu para fazer a igualdade. O apuramento imediato escapava-se-nos perante os dedos de um modo muito doloroso.

Na prática, jogámos 55’ e durante esse período grande parte da equipa merece destaque: o Gonçalo Guedes, por ter insistido no lance em que fez golo, o Nélson Semedo por um golão que vai correr mundo, o Fejsa por ser o tampão habitual no meio-campo (com a mais-valia do golo), o Cervi tanto no ataque como a ajudar na defesa e o Pizzi por comandar tudo a meio-campo. Na 2ª parte, a equipa começou a desconcentrar-se com o golo sofrido relativamente cedo, antes disso já o Mitroglou tinha obrigação de ter acabado de vez com o resultado e na parte final o Lindelof teve dois erros crassos (um bastante maior do que o outro) que nos custaram muito caro.

Esperemos que não venhamos a lamentar amargamente daqui a duas semanas a maneira como deixámos escapar uma vantagem de três golos ao intervalo. Que este jogo nos sirva de lição para não desperdiçarmos ocasiões soberanas para matar de vez os jogos. E um bocado mais de concentração a defender também não seria mau de todo. Já em Kiev, depois do 0-2, desconcentrámo-nos e permitimos que o Dínamo Kiev tivesse mais do que uma chance do golo. Valeu-nos na altura o Ederson. Agora, saímos deste jogo muito frustrados.

P.S. – O Sr. Skomina fez uma arbitragem tremendamente caseira, como é seu apanágio (recordam-se deste ladrão, não se recordam…?). É inacreditável como pactuou com entradas muito duras do Besiktas sem mostrar amarelos. A dualidade de critérios foi enorme e mesmo a justeza dos foras-de-jogo variava consoante a camisola.

segunda-feira, novembro 21, 2016

De gala

Goleámos o Marítimo no sábado por 6-0 e estamos nos oitavos-de-final da Taça de Portugal. Há casos em que o resultado coincide com a exibição e esta foi indiscutivelmente a melhor da época. O que mais saltou à vista foi a consistência que apresentámos (espelhada nos 3-0 da 1ª parte e 3-0 na 2ª), dado que jogámos os 90’ como se estivesse sempre 0-0. E isso é algo que me agrada imenso.

Claro que marcar logo aos 2’ é o melhor tónico que se pode pedir para uma partida: recuperação do Samaris perto da área adversária, a bola vai ter com o Mitroglou, que permite a defesa do Gottardi, o Salvio não desiste do ressalto, rouba a bola a um adversário e assiste o Cervi para marcar. Os primeiros minutos foram sufocantes para o Marítimo, que praticamente não saía do seu meio-campo. Tivemos oportunidades pelo Guedes (desarmado quando ia rematar), Salvio (isolado pelo Pizzi, viu o guarda-redes fazer-lhe a mancha), Eliseu (remate de longe desviado para canto) e livre directo do Pizzi (defendido para canto pelo Gottardi). Eu começava a ficar apreensivo, porque era essencial chegar ao intervalo com dois golos de vantagem e lembro-me sempre de ‘n’ jogos destes, com oportunidades falhadas e que depois nos custam caro. Mas aos 38’, lá fizemos o segundo, numa combinação entre Mitroglou, Salvio e Pizzi, com alguns ressaltos à mistura, que permitiu ao nº 21 atirar cruzado e rasteiro para o fundo da baliza. Estava tudo bem encaminhado e melhor ficou aos 43’ com o terceiro golo: grande jogada do Nélson Semedo, a não permitir que a bola saísse pela linha de fundo, a tirar magistralmente o defesa do caminho, a ter sorte de a bola ter voltado para ele depois de ter sido interceptada no primeiro centro e finalmente a assistir a cabeça do Mitroglou, que só teve que encostar para a baliza deserta.

Em vésperas de uma partida muito importante para a Champions e com a eliminatória praticamente resolvida, era expectável que a equipa baixasse o ritmo na 2ª parte. E se o Júlio César continuou a ser um espectador, resto da equipa, não! Continuámos a jogar da mesma maneira e, depois de ter rematado por cima numa boa jogada individual, o Gonçalo Guedes repetiu a dose em termos de jogada, mas desta feita assistiu o Mitroglou para o 4-0 aos 53’. Até para mim, a eliminatória ficou fechada! Entretanto, entrou o Jiménez para a poupança do Mitroglou e foi o mexicano a marcar o 5-0 aos 68’. Penalty a punir braço de um defesa que impediu que o remate do Salvio entrasse, expulsão respectiva, e o Jiménez lá marcou no seu estilo peculiar (que eu não gosto nada, porque se o guarda-redes acerta no lado defende facilmente, mas pelos vistos resulta porque nunca falhou um penalty na vida e já lá vão 16). Também deu para o Rafa regressar mais de dois meses depois da lesão e de fecharmos o marcador aos 88’ num golão do Gonçalo Guedes, com um remate de primeira de fora da área depois de um canto do Pizzi directamente para ele.

Em termos individuais, o Gonçalo Guedes destacou-se sobremaneira. Aliás, o melhor elogio que se lhe pode fazer é que, em termos objectivos, não temos sentido a falta do Jonas: a equipa continua a jogar bem e a ganhar. Também o Pizzi está bastante à vontade a manobrar a equipa a meio-campo e, com a reincidência da lesão do André Horta, o lugar será dele por um bom bocado. Menção igualmente para o Mitroglou, porque dois golos são sempre de realçar. O Salvio esteve muito activo e com participação directa nos golos. E, last but not least, o Nélson Semedo confirmou que não vai passar muito tempo na Luz. Que exibição!

Como já disse várias vezes ao longo dos anos, gosto imenso da Taça de Portugal, porque adoro ir ao Jamor no final da época. E fico sempre bastante chateado quando somos eliminados precocemente. Espero que possamos finalmente lá voltar este ano.

segunda-feira, novembro 14, 2016

Portugal - 4 - Letónia - 1

Vencemos ontem a Letónia no Algarve e continuamos três pontos atrás da Suíça na qualificação para o Mundial de 2018 na Rússia. O resultado está longe de espelhar as dificuldades que tivemos, até porque aos 67’ os letões igualaram a partida.

Na 1ª parte, fizemos uma exibição sofrível e só chegámos ao golo de penalty a castigar uma falta sobre o Nani aos 28’. O C. Ronaldo não rematou muito colocado, mas fê-lo com força e a bola passou por baixo do corpo do guarda-redes. A 2ª parte foi um pouco melhor e tivemos novo penalty aos 59’ por derrube ao André Gomes. O C. Ronaldo atirou colocado demais e a bola foi ao poste. Em 13 penalties por Portugal, falhou cinco. Em 2016, tem quatro penalties marcados e seis(!) falhados. Se calhar, é melhor começar a pensar em dar a bola a outro, não…? Oito minutos depois desta grande oportunidade para fecharmos o jogo, a Letónia empatou quando nada o fazia prever. O Quaresma, que tinha entrada um bocado antes do empate, foi decisivo para a nossa vitória, porque fez as assistências para o segundo e terceiro golo: o segundo surgiu logo aos 69’, dois minutos depois do empate, numa cabeçada do William e foi o melhor que nos aconteceu, porque nem deu para a equipa ficar nervosa, e o golo da tranquilidade aconteceu aos 85’ num pontapé de moinho do C. Ronaldo. Já na compensação, um livre para a área do Raphael Guerreiro encontrou a cabeça do Bruno Alves para o resultado final.

Num ano inesquecível para a selecção, fechámos com uma goleada que pode vir a ser útil na definição do vencedor do grupo, dado que o primeiro critério de desempate é precisamente a diferença de golos. O resultado foi bastante melhor do que a exibição, mas também foi assim que nos sagrámos campeões europeus, portanto presume-se que a receita seja para manter.

segunda-feira, novembro 07, 2016

Doce sabor

Empatámos em Mordor e mantivemos os cinco pontos de vantagem para o CRAC, que está agora em igualdade pontual com a lagartada, (3-0 em casa ao Arouca). Foi maravilhoso como tudo aconteceu, dado que empatámos aos 93’. Poderia ser sido aos 92’, mas aos 93’ também está bem! [Correcção: é o que dá confiar nos jornais... Bem me parecia na transmissão que tinha sido aos 92', mas a definição da imagem não estava muito boa. De qualquer maneira, fica aqui a correcção: foi mesmo aos 92'! O que torna tudo ainda mais perfeito!] Dói, não dói? E a dor deles não é nada comparada com a que nós tivemos, porque estamos apenas na 10ª jornada.

Por motivos profissionais, vi este jogo através da net perto de Los Angeles, com este post a ser escrito em pleno aeroporto LAX. Como já estou no aeroporto, acho que não vou ter problemas com a polícia, porque aquando do golo do Lisandro tive receio que os hóspedes do hotel ou o staff a chamasse, porque berrei como nunca! Empatar um jogo em Mordor em tempo de desconto tem um sabor bastante especial, tomando em consideração aquilo que sofremos naquele (e no outro) antro durante anos a fio.

A net não esteve sempre perfeita e houve partes em que pausava, mas deu para ver a maior parte do jogo. O primeiro tempo foi praticamente todo deles e o Ederson safou-nos porque mais do que uma vez. Como se já não bastasse o Jonas, Jardel e Rafa, ficámos sem o Grimaldo e o Fejsa depois do jogo frente aos ucranianos, e sem o Luisão ainda no decorrer da 1ª parte, tendo entrado o Lisandro. Confesso que, quando vi o capitão sair, a minha apreensão aumentou. Afinal, estávamos sem (pelo menos) cinco titulares (para não dizer seis...). Apesar de termos visto a nossa baliza passar perigo por mais do que uma vez (especialmente o remate de ressaca do André Silva), a grande oportunidade foi nossa com um cabeceamento do Lindelof ao poste num canto já em cima do intervalo.

A 2ª parte começou praticamente com o golo do CRAC aos 50’, através do Diogo Jota num lance em que o Ederson foi muito mal batido, com a bola a passar entre ele e o poste num remate do lado esquerdo. A partir daqui, o CRAC foi recuando progressivamente e nós passámos a ter o controlo do jogo. Tivemos uma boa oportunidade num remate do Samaris bem defendido pelo Casillas, com o mesmo Samaris e o André Horta a terem outros dois muito tortos. O Nuno Espírito Santo revelou o seu espírito de equipa pequena e foi trocando jogadores ofensivos por defensivos. Claro está que o CRAC deixou praticamente de criar perigo. Obrigado, Nuno! Até que chegámos ao minuto 93, o penúltimo de descontos: o Herrera, também entretanto entrado, tenta rematar contra um nosso jogador, mas acaba por atirar a bola para a linha de fundo. Canto do Pizzi e cabeçada do Lisandro lá para dentro! Foi o completo delírio num hotel perto de LA...! Servimos a vingança fria, como deve ser!

Em termos individuais, o Pizzi foi um gigante em campo! Não só a comandar as operações a meio-campo, como a ajudar defensivamente. O Lisandro fica inevitavelmente ligado à história do jogo, mas também em termos defensivos esteve praticamente perfeito. E marcar um golo nestas condições em Mordor garante-lhe entrada directa para uma certa eternidade benfiquista (fazendo companhia ao Mostovoi e o Sabry, por exemplo). O Eliseu realizou igualmente uma óptima exibição e raramente foi batido, assim como Nélson Semedo. Apesar de não ser o Fejsa, o Samaris dá sempre tudo em campo e cumpriu. Na frente, Salvio, Cervi, Gonçalo Guedes e Mitroglou é que estiveram uns furos abaixo do que é habitual. Foi pena o frango, porque o Ederson estava a ser essencial a manter a nossa baliza a zeros.

Foi um resultado muito importante não só para manter a distância para o segundo classificado, mas também pela maneira como foi obtido, que obviamente aumenta a nossa confiança e mina a dos outros dois. Continuamos invictos no campeonato e a vê-los no retrovisor. Que continuemos assim até final!

VIVA O BENFICA!

quarta-feira, novembro 02, 2016

Complicado

Vencemos o Dínamo Kiev por 1-0 e, com o empate do Nápoles no Besiktas, estamos igualados com os italianos no 1º lugar do grupo com 7 pontos, tendo os turcos seis pontos. Os ucranianos, com apenas um ponto, já não têm hipóteses de chegar aos oitavos da Champions.

Foi um encontro bastante mais difícil do que eu estava à espera. Nós não tivemos a dinâmica habitual e os ucranianos mostraram porque é que são mais perigosos fora do que em casa. Na 1ª parte, dominámos completamente a partida, mas sem criar grandes oportunidades de golo. Uma cabeçada do Grimaldo defendida pelo guarda-redes e um desvio do Mitroglou por cima a centro do Gonçalo Guedes foram as nossas melhores ocasiões. Do lado ucraniano, foi o Derlis González a ter uma óptima oportunidade, mas o Lindelof cortou in extremis. Quando já todos pensávamos que íamos para o intervalo empatados, num livre lateral a nosso favor, o Vida quis levar o Luisão para casa e o árbitro naturalmente assinalou o respectivo penalty. O Salvio voltou a ser o escolhido para marcar e atirou rasteiro para o meio da baliza, ligeiramente para o lado esquerdo (lado oposto ao habitual), enganado o guarda-redes. Tenho que dizer que não sou nada fã da maneira como o Salvio marca os penalties: é invariavelmente para o meio da baliza e, se o guarda-redes acerta no lado ou nem se mexe, defende facilmente. So far, so good, mas prefiro muito mais os penalties que são desviados do guarda-redes mesmo que este acerte no lado, porque esses têm mais de 50% de possibilidade de serem golo.

Esperava eu que na 2ª parte jogássemos melhor, com os espaços que inevitavelmente os ucranianos abririam. Só que não. Tivemos duas enormes ocasiões, num tiraço do Guedes à barra (a sua potência de remate está a tornar-se um caso sério) e através do Mitroglou que picou bem a bola sobre o guarda-redes quando este saiu, mas esta passou ao lado. Aliás, o grego teve um jogo muito infeliz, porque já tinha tido outras duas hipóteses de marcar logo no início da 2ª parte, mas numa delas rematou por cima e noutra, num lance de um-para-um, rematou frouxo. A pior notícia da noite foi uma entrada dura sobre o Fejsa que obrigou à sua substituição pelo Samaris. Vamos lá a ver se recupera para domingo... Tanta oportunidade falhada poder-nos-ia ter saído muito cara com o disparate do Ederson aos 68’: saída aos pés de um avançado, este muda de direcção para a linha lateral, mas o nosso guarda-redes esticou os braços na mesma e derrubou-o. Sem que nada o fizesse prever, os ucranianos tinham uma hipótese soberana, todavia o Ederson corrigiu o erro e defendeu o penalty. Até final, ainda passámos por alguns calafrios especialmente nas bolas paradas, mas lá conseguimos manter a importantíssima vantagem. Em termos ofensivos, a equipa começou a ressentir-se fisicamente e não esteve tão solta como é habitual.

Não é muito fácil destacar alguém num jogo como estes. O Pizzi foi o maestro a meio-campo e todo o nosso jogo ofensivo passou por ele. Teve uma percentagem de passes certos muito alta e, ou muito me engano, ou vai ser difícil tirá-lo daquela posição agora. Até porque os argentinos nos extremos estão bem: o Salvio, apesar de uma exibição mais fraca do que as anteriores, teve uma das suas arrancadas habituais e marcou o penalty, enquanto o Cervi sobe a olhos vistos, com grande comprometimento defensivo e confiança na forma como enfrenta os adversários. O Guedes não esteve tão em destaque como na passada 6ª feira, mas continua absolutamente indiscutível no onze. A defesa revelou-se segura na maior parte do tempo e o Ederson corrigiu bem o enorme disparate que fez.

É absolutamente fundamental não perder na Turquia daqui a três semanas. Já garantimos os serviços mínimos (a Liga Europa), mas claro que queremos mais. Uma boa campanha na Champions não só valoriza o nosso prestígio internacional, como também nos dá uma enorme confiança para o grande objectivo da época: o tetra.

domingo, outubro 30, 2016

Perfeito

Foi um fim-de-semana inesquecível! Na sexta-feira, ganhámos ao Paços Ferreira por 3-0 e vimos a lagartada ir empatar a zero na Choupana. Ontem foi a vez de acontecer história, porque o CRAC empatou também a zero em Setúbal, algo que já não acontecia há quase duas décadas! Ou seja, a uma semana de irmos a Mordor, temos agora cinco e sete pontos de vantagem respectivamente. Que sonho!

A partida frente ao Paços começou muito disputada, com eles a não se cingirem a defender. Tivemos inúmeras oportunidades para marcar, mas só o conseguimos aos 26’ pelo Gonçalo Guedes, numa bomba já dentro da área sob o lado direito. Até ao intervalo deveríamos ter resolvido o jogo, já que tivemos mais que oportunidades para tal. Quanto ao adversário, teve a única oportunidade de golo já perto do descanso numa saída do Ederson que não aliviou a bola tanto quanto deveria, mas felizmente a recarga saiu por cima.

Com somente um golo de vantagem e na véspera da Champions, tive medo que a equipa fosse deixando arrastar o jogo à espera do apito final. Não foi isso que aconteceu, mas voltámos a ver o Paços entrar bem na partida e criar perigo num remate do Pedrinho a rasar o poste. O Gonçalo Guedes respondeu com uma boa jogada em que o remate saiu ao lado, mas aos 64’ marcámos mesmo: centro do Eliseu na esquerda, o Mitroglou deixou passar a bola e o Salvio rematou na passada. Podíamos finalmente respirar um pouco melhor e até deu para entrar o Carrillo (que poderia ter marcado, não fosse o defesa cortar quase sobre a linha). Aos 87’, na enésima boa combinação entre Pizzi e Salvio, desta feita com o Jiménez, foi o português a atirar sob as pernas do guarda-redes e a fazer o resultado final.

Em termos individuais, destaque para ao Gonçalo Guedes. Está numa superforma e neste momento é titular indiscutível. Também muito bem está o Nélson Semedo, cujo pulmão atacante parece não acabar. O Pizzi teve um jogo ao seu nível, a falhar alguns passes e a não tomar, de vez em quando, as melhores decisões, mas depois lá marca um golito ou faz uma assistência. Voltámos a manter a baliza intacta, o que é muito importante para a manutenção da confiança de Luisão & Cia. O Cervi continua bastante lutador e numa fase bem positiva.

Sinceramente, no meu tempo de vida, não me lembro de ir a Mordor com esta margem de segurança. Mas estamos só na 9ª jornada e há que manter a calma. Esta exibição não foi tão conseguida como a de Belém, mas a solidez defensiva não permitiu ao Paços ter grandes hipóteses de marcar. E relembro que continuamos com jogadores fundamentais de fora. Nos últimos 30 jogos para o campeonato, temos 28 vitórias, um empate e uma derrota. Impressionante!

segunda-feira, outubro 24, 2016

Categórico

Vencemos em Belém por 2-0, mantivemos a distância de três pontos para o CRAC e aumentámos para cinco pontos em relação à lagartada, que empatou em casa com o Tondela (1-1) com um golo aos 96 minutos. Fizemos a melhor exibição da temporada e o resultado é bastante escasso para as oportunidades de que usufruímos.

Com mais uma alegria que o grande Petit nos deu na véspera (é definitivamente o maior!), estava com grande expectativa para ver como a equipa reagiria não só a isso como também ao jogo europeu em Kiev. E o que é certo é que a resposta não poderia ter sido mais concludente. O Mitroglou teve uma óptima oportunidade logo a abrir, mas não demorou muito a colocar-nos em vantagem: canto muito bem marcado pelo Pizzi aos 10’ e cabeçada fulgurante do grego a fuzilar o guarda-redes. A 1ª parte foi um festival de bom futebol da nossa parte e golos falhados. Numa das melhores jogadas da partida, entre Mitroglou, Pizzi e Salvio, o argentino rematou à figura. Até ao intervalo, o Cervi viu um remate seu que ia para a baliza ser desviado por um defesa, o Mitroglou atirou ao poste com a bola a percorrer a linha de golo e a sair pela linha de fundo do outro lado (o guarda-redes desviou-a ligeiramente, impedindo o golo, mas o árbitro não viu e marcou pontapé de baliza), e o mesmo Mitroglou tentou servir o Gonçalo Guedes num lance em que deveria ter rematado cruzado. Quanto ao Belenenses, só uma cabeçada do Yebda obrigou o Ederson a uma boa defesa.

Saí para o intervalo bastante chateado por o jogo ainda não estar decidido, porque nas ressacas dos encontros europeus as nossas segundas partes costumam ser mais fracas e menos intensas, além de que, com a chuva a aparecer em força a espaços, o campo poderia ficar impraticável aumentando o nível de aleatoriedade. O Belenenses entrou e durante dez minutos jogou no nosso meio-campo, mas sem criar verdadeiras oportunidades de golo com excepção de um livre na meia-lua, que foi (felizmente) três pontos para o País de Gales. Logo a seguir, uma arrancada do Salvio que permitiu nova defesa ao Joel Pereira voltou a colocar-nos no controlo do jogo. Poderíamos (e deveríamos) ter feito o segundo pelo Mitroglou noutra grande jogada colectiva, após um centro rasteiro do Grimaldo, em que o grego só com o guarda-redes pela frente remata contra ele, quando tinha a baliza completamente escancarada (pareceu o falhanço frente ao CRAC na Luz na época passada, quando atirou ao lado com o Casillas batido). No entanto, aos 65’ marcámos mesmo pelo Grimaldo com um remate cruzado rasteiro do lado esquerdo, depois de uma abertura magnífica do Gonçalo Guedes. A partida estava bem encaminhada, mas pouco depois o Ederson largou uma bola fácil e o Belenenses só não marcou, porque o muro Fejsa ofereceu o corpo à bola bloqueando o remate. Até final, ainda tivemos mais uma bola à trave pelo Cervi e um remate do Jiménez, entretanto entrado para o lugar do Mitroglou, que foi desviado por um defesa para canto.

Em termos individuais, há vários destaques a fazer: Nélson Semedo, que terá feito provavelmente a melhor exibição desde que voltou de lesão; Grimaldo, pelo golo e por ter conduzido imensos ataques pela esquerda; e Salvio, por estar aparentemente de regresso aos bons velhos tempos. O Gonçalo Guedes é já uma certeza e não vai ser fácil sair da equipa, porque tem uma aceleração como poucos e fisicamente está muito mais poderoso, o que lhe permite aguentar muito bem o choque com os defesas. O Cervi atravessa igualmente uma fase de grande confiança e é uma grande ajuda também a defender. O Fejsa é absolutamente intransponível e termos de volta o Luisão dos bons velhos tempos é priceless!

Fizemos um jogo brilhante e conseguimos a 16ª vitória consecutiva fora de casa, batendo o recorde de mais de 40 anos do Jimmy Hagan. O que é mais de realçar quando continuamos a ter uma série de jogadores importantes indisponíveis (Jonas, Jardel, Rafa, André Horta e Samaris), aos quais espero que não se junte o Grimaldo que saiu tocado desta partida. A equipa parece muito focada neste objectivo histórico que é atingir o tetracampeonato. Esperemos que possa manter esta regularidade até final.

quinta-feira, outubro 20, 2016

Supremacia

Vencemos o Dínamo em Kiev por 2-0 e colocámo-nos de novo na luta não só pelo apuramento, como inclusive pelo primeiro lugar no grupo, já que o Besiktas foi surpreendentemente ganhar a Nápoles.

Foi uma exibição categórica em que demonstrámos muita maturidade e a justiça do nosso triunfo é incontestável, porque o Dínamo praticamente só criou perigo quando já estava a perder por 0-2. Com o André Horta lesionado, o Pizzi voltou a actuar no meio e o Rui Vitória, ao contrário de Nápoles, resolveu entrar com 11 jogadores e o Carrillo ficou no banco com o Cervi a saltar para a titularidade. Entrámos bem e marcámos logo aos nove minutos num penalty indiscutível do Antunes sobre o Gonçalo Guedes que o Salvio concretizou enganando o guarda-redes. Na 1ªparte, os ucranianos praticamente não criaram perigo e, nas situações de remate que tiveram, este saía invariavelmente por cima. Quanto a nós, também só tivemos mais uma ocasião, pelo Salvio, com um remate fraco e à figura depois de uma boa combinação com o Nélson Semedo.

A 2ª parte foi mais movimentada e nós aumentámos a vantagem logo aos 55’: o Salvio ganha um ressalto na direita, centra atrasado para o Cervi que remata com a bola a embater no Mitroglou, sobra de novo para o argentino que finta um defesa e atira para o lado contrário do guarda-redes. Bom golo do Cervi e grande mérito ao nunca desistir da jogada. A partir daqui, o Dínamo aumentou a pressão e nós possivelmente teremos relaxado um bocado. O que nos valeu foi que na baliza estava o intransponível Ederson que por umas quantas vezes impediu que sofrêssemos um golo (uma das quais com o Yarmolenko isolado perante ele). Só teve uma falha numa saída dos postes, mas o mesmo Yarmolenko não estava à espera e a bola bateu-lhe no corpo e saiu para fora. Da nossa parte, tivemos remates do Salvio (à figura do guarda-redes) e Gonçalo Guedes (muito por cima) que nos poderiam ter dado uma tranquilidade ainda maior.

Pelo golo que marcou, pelo que lutou e pela qualidade individual em duas ou três fintas fantásticas, o destaque maior tem que ir para o Cervi. Parece começar a ficar mais adaptado ao futebol europeu e, se seguir as pisadas dos dois últimos extremos-esquerdos argentinos que tivemos, ficaremos muito bem servidos. Gostei mais uma vez do Gonçalo Guedes, cujo nome está ligado à nossa vitória pelo penalty que sofreu depois de uma boa jogada individual. O Fejsa voltou a ser o muro do costume e o Ederson também foi fundamental para a manutenção da nossa baliza a zeros. O Salvio só começou a jogar a partir dos 60’, mas acabou por ter uma exibição positiva no global. Continuo muito contente por ver o Luisão a voltar os bons velhos tempos. Quanto ao Nélson Semedo, continua com as mesma virtudes a atacar e alguns defeitos a defender (a forma como foi batido já perto do final num canto, em que o avançado só não marcou de cabeça por aselhice, foi ridícula).

A cerca de oito minutos do final e certamente para estimular as relações bilaterais entre Portugal e a Ucrânia, o Rui Vitória resolveu ser generoso para com o Dínamo de Kiev e colocou o Celis em campo para equilibrar as coisas e dar mais emoção ao jogo. No entanto, desta feita o colombiano não esteve ao seu nível habitual e não ofereceu nenhum golo ao adversário. Na última substituição e também porque não convém abusar, o Rui Vitória colocou (e bem) e Eliseu em vez de dar mais uma benesse ao adversário fazendo entrar o Carrillo.

O triunfo do Besiktas em Nápoles é que não estava no programa e, mais do que o empate, eu até preferia a vitória dos italianos. Desta forma, continuam eles na frente com seis pontos, os turcos com cinco, nós com quatro e os ucranianos com um. Convém não esquecer que estes mesmos ucranianos nos deram uma grande alegria em Mordor na época passada, pelo que daqui a duas semanas teremos de estar muito concentrados para ganhar o jogo na Luz. Da forma com a classificação está, essa vitória é fundamental.

segunda-feira, outubro 17, 2016

À rasca

Vencemos o 1º de Dezembro no Estoril por 2-1 e qualificámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Perante uma equipa do terceiro escalão do futebol português (agora denominado Campeonato de Portugal), tivemos dificuldades acima do esperado e só conseguimos o golo da vitória no sexto e último minuto de compensação.

Já se sabe que os jogos depois das selecções são sempre complicados e, perante adversários de divisões inferiores, há a tendência para os desvalorizar. O Rui Vitória apostou numa equipa de segundas linhas e pode dizer-se que o chumbo foi quase colectivo. A 1ª parte teve duas velocidades da nossa parte: devagarinho e parado. O 1º Dezembro, expectavelmente, fechou-se na defesa e nós não conseguimos imprimir o ritmo necessário para os desposicionar. Só uma cabeçada do José Gomes, perto do intervalo, deu a sensação de golo.

Na 2ª parte, voltámos a jogar com 11, porque saiu a nulidade exasperante Carrillo e entrou o Gonçalo Guedes. O aumento do ritmo deu frutos logo aos 50’, num bom lance do Danilo, que simulou perante um adversário, tirou-o do caminho e meteu a bola por baixo das pernas do guarda-redes. Estávamos a controlar mais ou menos o jogo, quando o Celis resolveu oferecer um penalty ao adversário, ao atrasar mal a bola ao Ederson e fazendo com que este fizesse penalty. Como agora acabou a lei da tripla penalização (penalty, expulsão e suspensão), desde que tente jogar a bola, um jogador não é expulso mesmo que derrube um adversário que está em vias de fazer golo. Só me lembrei disto a posteriori, pelo que durante o jogo pensei que o sr. Hélder Malheiro (má arbitragem, muito permissivo com as entradas duras do 1º Dezembro) tinha errado ao não expulsar o nosso guarda-redes. O Martim Águas (filho do grande Rui e neto de enorme José) fez a igualdade aos 62’. Até final, pressionámos mais, o Pizzi já tinha entrado antes do golo e ainda entrou o Mitroglou, mas teve que ser o grande Luisão a marcar possivelmente um dos golos mais tardios da nossa história, aos 96’ (confesso que não percebi o porquê de tanto tempo de desconto), com um óptimo cabeceamento num canto do Pizzi. Respirávamos todos de alívio, porque seria muito mau termos que disputar um prolongamento nestas circunstâncias.

O Luisão foi, claro, o grande destaque da equipa. Estou muito contente por esta subida de forma do capitão, pela sua reentrada em pleno no onze titular e espero que isto se mantenha ao longo da época. O Danilo marcou um bom golo, mas está naturalmente sem ritmo. O José Gomes batalhou muito na frente, mas sozinho durante grande parte do jogo era difícil. O Cervi e o Zivkovic poderiam ter aproveitado melhor a oportunidade, mas nada que se compare aos dois do costume: o Carrillo continua sem interiorizar que tem um processo de higienização a fazer e nem 10% faz; o Celis, eu juro que até estava a gostar minimamente dele (e há testemunhas disso), mas depois resolve voltar ao seu estado natural de oferecer golos aos adversários (é a terceira vez!). Ou muito me engano, ou são dois jogadores que escusam de regressar depois do Natal.

Foi um jogo que não vai deixar saudades. Salvou-se o resultado e pouco mais. Na próxima eliminatória, seria bom que jogássemos melhor, porque eu gosto muito de ir ao Jamor em Maio.

terça-feira, outubro 11, 2016

6-0

Na jornada dupla de qualificação para o Mundial de 2018, goleámos na 6ª feira Andorra e ontem as Ilhas Faroé por este resultado. Tivemos o mérito de marcar cedo em ambos os jogos, o que os tornou fáceis, e depois mantivemos a concentração para marcar mais golos que podem ser muito importantes na qualificação, porque o primeiro critério de desempate passou a ser a diferença de golos e não o confronto directo entre as equipas.

Dois nomes sobressaíram nestes dois jogos: Cristiano Ronaldo e André Silva. Em Aveiro, na passada 6ª feira, o jogador do Real Madrid fez quatro golos e ontem o jovem avançado fez um hat-trick. No total dos dois encontros, fizeram cinco e quatro golos, respectivamente. Frente a Andorra, aos 4’ já estávamos a ganhar por 2-0 e, para além do C. Ronaldo e André Silva, o João Cancelo também marcou. Ontem, marcámos o primeiro aos 12’ e o segundo aos 22’, tendo os restantes golos sido marcados pelo João Moutinho e novamente pelo João Cancelo. Aliás, o nosso defesa-direito tem o excelente registo de três golos em três jogos pela selecção.

A menos boa notícia foi a Suíça ter ido ganhar à Hungria na 6ª feira (com o golo da vitória a ser marcado no último minuto), o que a mantém líder isolada do nosso grupo. Receberemos os suíços no último jogo do grupo, mas serão as partidas frente à Hungria a decidir grande parte da nossa sorte.

segunda-feira, outubro 10, 2016

Empate na Vila Belmiro

Empatámos no sábado com o Santos (1-1) no jogo de despedida do Léo e que serviu igualmente para festejar o centésimo aniversário do estádio do Santos, a casa do grande Pelé.

Com a maior parte dos jogadores nas selecções, mesmo assim fizemos uma exibição bem interessante, especialmente nos primeiros 20’. Já se sabe que o interesse maior destas partidas é ver em acção aqueles que não são titulares indiscutíveis e, neste sentido, o Cervi teve bons pormenores no papel de segundo avançado, o Danilo, enquanto teve pernas, mostrou personalidade, e o Zé Gomes veio mexer com o nosso ataque na 2ª parte. Aliás, foram sobre ele os dois penalties indiscutíveis de que beneficiámos: o primeiro concretizado pelo Salvio aos 47’ e o segundo falhado pelo próprio Zé Gomes. Aos 87’, consentimos a igualdade num grande frango do Ederson, depois de uma cabeçada num livre. De negativo, salientar o toque que o André Almeida levou na 1ª parte, que o fez sair ao intervalo (esperemos que não seja nada de grave).

Foi pena que tivéssemos consentido a igualdade num jogo em que fomos claramente melhores. Tempos houve em que estas partidas eram um suplício de ver, porque o marasmo geralmente tomava conta dos nossos jogadores, mas é bom verificar que hoje em dia mantemos a atitude competitiva em alta cada vez que entramos em campo.

A festa do Léo foi bonita e gosto bastante de ver este género de homenagens a jogadores que deixam saudades por onde passam. O brasileiro foi um dos melhores defesas-esquerdos que passaram pela Luz nos últimos 10 anos e só foi pena que tenha saído de forma relativamente discreta, porque tivemos um treinador que achou que o Jorge Ribeiro era melhor do que ele…

segunda-feira, outubro 03, 2016

Goleada

Vencemos o Feirense na Luz por 4-0 e, com um sábado fantástico em que o V. Guimarães, depois de estar a perder com a lagartada por 0-3 aos 70’, conseguiu igualar a partida(!), estamos agora ainda mais isolados na frente com três pontos de vantagem sobre os rivais. O nosso resultado não espelha as dificuldades que tivemos, mas a vitória é incontestável.

Já se presumia, desde Nápoles, que o André Horta não pudesse jogar e assim passou o Pizzi para o meio, reentrando o Salvio na equipa. Regressaram também o Gonçalo Guedes e o Ederson, mas a maior novidade foi (felizmente!) a entrada do Luisão para o lugar do Lisandro. E que jogo fez o nosso capitão! O encontro não começou nada bem e o Feirense só não se colocou em vantagem logo aos 2’, porque um jogador seu conseguiu falhar isolado na pequena área o desvio a um cruzamento da esquerda. Pouco depois, foi uma boa jogada do Gonçalo Guedes que não deu golo do Mitroglou, porque a bola encontrou um defesa no seu caminho e, na recarga, o Pizzi rematou com força, mas outro defesa cortou quase sobre a linha. O Feirense não se remetia à defesa, mas verdade seja dita não criou muito perigo. Ao invés, o Salvio teve duas boas oportunidades, mas o Peçanha defendeu bem uma cabeçada e noutro lance (em que me pareceu que houve penalty sobre o Mitroglou), a bola sobra para o argentino que atirou em boa posição ao lado. Até que aos 35’, inaugurámos o marcador através de um autogolo do Luís Aurélio num corte muito defeituoso depois de um lançamento lateral do Salvio. Num lance caricato, mas chegámos finalmente à vantagem.

Na 2ª parte, o Feirense já não conseguiu exercer o mesmo tipo de pressão e, depois de um remate do Salvio ao lado, fizemos o 2-0 aos 61’ noutro lance atípico, em que um defesa tenta aliviar a bola, mas o mesmo Salvio estica-se todo e consegue cortá-la na direcção da baliza. Muita sorte, mas também muito mérito do argentino na sua acção defensiva. Pouco depois, voltávamos a jogar com 11, porque saiu a nulidade Carrillo e entrou o Cervi, e foi mesmo ele a fazer o 3-0 de cabeça(!) aos 70’ depois de um belo cruzamento do Nélson Semedo na direita. Para todas as equipas, à excepção dos lagartos, o terceiro golo significa a vitória, mas, já agora e só para variar, eu gostaria de não sofrer nenhum até final… O que esteve para acontecer não fosse uma defesa por instinto do Ederson. No último minuto de compensação, o entretanto entrado Zivkovic fez uma boa jogada e foi derrubado à entrada da área. O árbitro, sr. Luís Ferreira, estava com problemas em controlar a barreira, até que lá vai o grande Luisão meter ordem naquilo e o Grimaldo só teve que colocar brilhantemente a bola na baliza. Um golão! Ao invés de sofrer, marcar perto do fim é algo que faz com que saia do estádio contentíssimo!

Em termos individuais, há vários destaques a fazer: grande jogo do Salvio, especialmente a partir do seu golo, a fazer-nos salivar por (finalmente) um regresso à sua forma habitual; exibição também excelente do Nélson Semedo; e, last but not least, gostei imenso do regresso do capitão Luisão, que ganhou praticamente todos os lances de cabeça, comandou magnificamente a defesa e, para quem ainda tivesse dúvidas acerca da sua enorme mais-valia, basta ver o que fez no livre do quarto golo. Eu ia tendo uma apoplexia quando houve aquela história do Wolverhampton: basta nós olharmos para uma equipa mais a norte para vermos o que é que acontece quando se perde as referências no plantel. Ainda bem não se cometeu esse disparate e que o Luisão ficou! Voltei a gostar do Guedes (que, repito, não devia ter ficado do fora em Nápoles) e do Fejsa (mais isto não é novidade). Pelo contrário, o Carrillo precisa urgentemente de perceber que isto é o Benfica: jogadores como ele, que já vêm com o pecado original, têm que fazer o dobro dos outros para que nós nos esqueçamos da sua proveniência. Ora, este tipo nem 10% faz…! Ou muda rapidamente, ou, à semelhança do outro, começo a ver horários dos voos para o Peru…!

O Benfica anunciou lotação esgotada para este jogo, mas estiveram na Luz 58.637 espectadores. Era o jogo das Casas do Benfica e foi a partida com mais assistência da Liga até agora, mas mesmo assim eu não percebo onde é que estavam as restantes 5.000 pessoas… De qualquer maneira, uma assistência destas contra o Feirense é obra! Tricampeões, primeiro lugar e jogos às 16h é o que dá.

quinta-feira, setembro 29, 2016

Podia ter sido (ainda) pior

Perdemos em Nápoles por 4-2, um resultado que mascara um pouco o que se passou em campo. Fizemos uma exibição que foi uma autêntica montanha-russa, chegámos a estar goleados, mas os danos acabaram por ser minimizados no fim.

O Rui Vitória tirou o Salvio e o Gonçalo Guedes, lançando o André Almeida para o meio-campo e o Carrillo. Por princípio não acho grande piada a grandes alterações na equipa nos jogos da Champions, mas o que é certo é que depois de uma entrada em que permitimos ao Nápoles ter duas situações perto da nossa baliza, poderíamos ter feito também dois golos pelo Mitroglou, que viu um defesa cortar a bola quase sobre o risco e o Reina fazer uma boa defesa perante remates seus. No entanto, quem se adiantou no marcador foram os italianos, pelo Hamsik aos 20’, num cabeceamento na sequência de um canto, em que o Fejsa se deixou adormecer e foi antecipado pelo eslovaco. Até final da 1ª parte, os italianos fecharam-se bem e nós revelámos sempre bastante cerimónia para rematar à baliza.

Na 2ª parte, esquecemo-nos de entrar em campo: o Nápoles fez três golos em apenas sete minutos! Uma falta do Lisandro permitiu ao Mertens fez o 0-2 num livre directo em que, à semelhança do Talisca com o Ederson, me pareceu que o Júlio César poderia ter feito mais. Aos 54’, um remate desviado isolou inadvertidamente o Callejón e o Júlio César não foi tão lesto a sair da baliza como deveria e derrubou-o. O Milik fez o 0-3 no penalty. Aos 58’, uma saída em falso do nosso guarda-redes deu origem ao 0-4 pelo Mertens, em novo lance em que os italianos beneficiaram de um ressalto. Jogo para esquecer o Júlio César. Claro que nesta altura, tive medo de uma reedição de Vigo, não só no resultado, como principalmente nas repercussões para o futuro (o contexto é obviamente diferente, mas na altura de Vigo também estávamos em primeiro lugar no campeonato e depois viemos por aí abaixo na classificação). Entre o terceiro e o quarto golo, o André Horta agarrou-se à coxa e foi substituído pelo Salvio (mais um para o estaleiro…). Felizmente, os italianos baixaram o ritmo e, verdade seja dita, nós continuámos comprometidos com o jogo e conseguimos reduzir a diferença pelo entretanto entrado Gonçalo Guedes aos 70’, com o Salvio a marcar o seu primeiro golo desde a grave lesão de há dois anos aos 86’, numa brilhante abertura do André Almeida.

Com uma derrota deste calibre, não é fácil referir ninguém em termos individuais, mas a 1ª parte do Grimaldo não foi má (desapareceu na 2ª). O Gonçalo Guedes provou que não deveria ter sido sacrificado, porque é dos nossos jogadores em melhor forma. O Carrillo continua com o problema de sempre que é a falta de corrida e intensidade. O Mitroglou deveria ter aproveitado melhor as duas oportunidades ainda com 0-0. Se o Rui Vitória estava com dúvidas na baliza, com esta partida elas ficaram dissipadas de vez: neste momento, o lugar é do Ederson.

Aos 60’, a catástrofe estava à vista, mas os dois golos e, principalmente o empate (1-1) no Besiktas – Dínamo Kiev acabou por amenizar bastante os estragos. O primeiro lugar do grupo deve ser do Nápoles, mas estamos igualados com os ucranianos e a apenas um ponto dos turcos. É fundamental, pelo menos, empatar em Kiev na próxima jornada.

domingo, setembro 25, 2016

Sofrido

Vencemos ontem em Chaves (2-0) e mantivemos a liderança do campeonato, já que ambos os rivais também tinham ganho. Tal como se previa, foi um jogo muito difícil onde só através de duas bolas paradas na 2ª parte obtivemos o triunfo.

O Rui Vitória colocou o Ederson no lugar do Júlio César e foi a única alteração em relação ao Braga. Na 1ª parte, o Chaves foi muito mais agressivo do que nós e criou-nos diversos problemas. Nós tivemos um bom remate do Mitroglou defendido pelo António Filipe e um golo mal invalidado ao grego que não estava fora-de-jogo, mas os transmontanos também tiveram um golo (bem) anulado e a melhor oportunidade dos primeiros 45’, com dois remates ao poste e uma recarga de cabeça do Rafael Lopes para fora com a baliza escancarada, tudo na mesma jogada! O André Horta passou completamente ao lado do jogo e, como o Fejsa esteve abaixo do que é habitual, o nosso meio-campo era um passador e a defesa via-se muito vezes em igualdade numérica perante os avançados contrários.

A 2ª parte começou com uma grande oportunidade de cabeça do Salvio (que terá provavelmente feito o pior jogo de sempre pelo Benfica), mas depois tivemos grandes dificuldades para criar perigo. O Chaves já não contra-atacava com o mesmo ritmo (era impossível mantê-lo) e começava a saga das lesões do guarda-redes. Felizmente, à semelhança do Braga, estava lá o Dr. Mitroglou para acabar com elas! Livre do Grimaldo muito bem marcado e desvio de cabeça do grego aos 69’ para acabar de vez com as maleitas dos adversários. Pouco depois, o ex-lagarto (entretanto entrado) Vukcevic atirou às malhas laterais na única chance dos flavienses na 2ª parte e, aos 84’, acabámos com o jogo, com novo livre do Grimaldo que bateu na barreira e sobrou para a entrada da área, onde o Pizzi rematou rasteiro em arco para o 2-0. Até final, ainda deu para o António Filipe impedir que o Carrillo aumentasse o marcador, depois de uma boa abertura do Cervi, e para ver que o Celis deve ter perdido o voo para Bogotá, mas que continua a justificar-se que ele o apanhe.

Em termos individuais, gostei bastante do Gonçalo Guedes, apesar de não estar directamente envolvido em nenhum dos golos, do Grimaldo, cujos livres se estão a tornar uma séria mais-valia para nós, e da eficácia do Mitroglou (um golo, outro mal anulado e ainda um terceiro bem anulado na 2ª parte). Também o Pizzi merece uma palavra, porque apesar de muitas vezes não tomar as melhores decisões, já não é a primeira vez que se torna decisivo com golos e/ou assistências. No pólo oposto, temos os já referidos Salvio e André Horta. O Nélson Semedo também estava a fazer uma exibição muito sofrível, mas é sobre ele a falta que dá origem ao 1º golo.

A manter este nível exibicional, não vai ser fácil ganhar em Chaves. O facto de o termos conseguido com uma série de jogadores importantes ainda de fora (Jonas, Jardel, Jiménez, Samaris) só valoriza o triunfo. A exibição não vai ficar na memória, mas nesta altura, e perante todas aquelas ausências, ainda mais importante é a vitória.