segunda-feira, novembro 28, 2016
Velocidade de cruzeiro
Vencemos o Moreirense por 3-0 e aumentámos a distância para sete pontos em
relação ao CRAC (empate a zero no Restelo), mantendo os cinco para a lagartada (vitória no Bessa por 1-0).
Esteve longe de ser uma exibição deslumbrante, o Moreirense raramente passou de
meio-campo e só por uma vez obrigou o Ederson a defender, mas continuamos nesta
onda de, jogando melhor ou pior, ganharmos sempre com relativa tranquilidade os
jogos em casa.
Em relação a Istambul, o Rui Vitória deu a titularidade ao Jiménez em vez
do Mitroglou. No entanto, aos 16’ tivemos que fazer a primeira substituição,
porque o Eliseu se lesionou, entrando o André Almeida para a lateral-esquerda. Basta
ver os jogos do fim-de-semana seguinte da maioria das equipas que participam na
Champions para ver que raramente são
fáceis e nunca há grandes exibições. Ainda para mais, com uma equipa que
defendia com 11 jogadores no último terço do terreno, a coisa torna-se ainda
mais complicada. Rodámos muito a bola entre os nossos jogadores, mas ocasiões
só tivemos uma num centro do Salvio que o Jiménez correspondeu com um remate de
primeira, que saiu por cima (foi pena, porque seria um golão). No entanto, aos
32’ lá começámos a desatar o nó, com o 1-0 pelo Pizzi: jogada do Cervi na
esquerda, passe para o meio, o André Almeida deixa passar a bola (não percebi
se de propósito ou não) e o Pizzi à entrada da área engana o guarda-redes e
atira-lhe a bola para o lado contrário. Parecia um penalty. Suspirei de alívio,
porque seria muito mau para a nossa estabilidade (e também para o nosso aspecto
físico) se chegássemos ao intervalo sem estar em vantagem. O Moreirense abusava
das entradas duras e finalmente, na parte final da 1ª parte, o sr. Luís Godinho
lá começou a mostrar cartões.
Na 2ª parte, o jogo manteve-se igual: o Moreirense fechava-se lá atrás
certamente na esperança de chegar perto do fim só com um golo de desvantagem
para então poder tentar qualquer coisa no ataque. Por isso mesmo, era essencial
marcar o segundo golo para acabar de vez com as dúvidas. O Pizzi e o Cervi na
mesma jogada tiveram hipótese de o fazer, mas o remate do primeiro foi
interceptado por um defesa e o do segundo viu o Makaridze (georgiano de 1,93m,
bom guarda-redes) fazer a mancha. Aos
58’, fizemos então o 2-0 numa boa abertura do Salvio (a única coisa de jeito
que fez no jogo todo) para o Pizzi, que rematou cruzado de pé esquerdo para
fazer o bis. A partir daqui, o Rui
Vitória começou a gerir a equipa, fazendo entrar o Carrillo para o lugar do
apagado Salvio e mesmo o Moreirense deu o jogo por perdido ao tirar o lagarto Podence (bom jogador, mas
armou-se em vedeta e saiu chateado), que estava a ser o melhor deles. O Makaridze
lá ia adiando o terceiro golo, por duas vezes frente ao Cervi, mas aos 88’ nada
pode fazer: o Pizzi isolou o Rafa (entretanto entrado para o lugar do Gonçalo
Guedes), que passou o guarda-redes ainda fora da área, mas depois rematou fraco
para a baliza, um defesa cortou e o Jiménez na recarga lá molhou o bico. Saio sempre mais satisfeito da Luz com golos a nosso
favor no final dos jogos.
Em termos individuais, o Pizzi foi o homem do jogo, porque esteve nos três
golos. Também o Cervi continua a dar nas vistas tanto a atacar como a ajudar o
lateral. O Jiménez é muito esforçado, mas tem o grave defeito de sair muito da
área, o que faz com que muitas vezes não tenhamos lá ninguém para corresponder
ao jogo pelas alas. O lugar é claramente do Mitroglou e a equipa sente-se muito
mais à vontade com aquela referência no ataque. A acusar o desgaste europeu, o
Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e Salvio estiveram bastantes furos abaixo do
habitual. Quanto ao André Almeida, temos aqui um potencial jogador vitalício:
não há palavras para descrever a utilidade de quem faz quatro(!) lugares no
campo, cumpre sempre que é chamado, tem consciência das suas limitações (e
portanto raramente inventa) e nunca faz grandes ondas por não ser titular
indiscutível. Grande André!
Fizemos a nossa obrigação, sem grandes stresses,
mesmo que sem o brilhantismo que já vimos esta época. Teremos agora a ida aos
Barreiros que antecederá dois dos jogos mais importantes da época: as recepções
ao Nápoles e à lagartada (para a
qual, a menos de duas semanas, inacreditavelmente ainda não há data nem
hora!!!). Até pelo que virá depois, será importantíssima uma vitória na
Madeira.
P.S. - A jogar perante o penúltimo classificado, num domingo às 18h,
estiveram 55.970 espectadores na Luz! Em cinco jogos para o campeonato, sem
ainda termos recebido nenhum dos outros dois rivais, temos uma assistência
média de 55.174 pessoas. Impressionante!
quinta-feira, novembro 24, 2016
Inglório
Empatámos 3-3 em Istambul com o Besiktas e adiámos para a última jornada a
questão da qualificação para os oitavos. Se, à partida, um empate fora perante
um adversário directo não seria de desdenhar, o facto de ter acontecido depois
de chegarmos ao intervalo a ganhar por 3-0 deixa um inevitável sabor muito
amargo. Ainda para mais, porque uma vitória nossa selaria a qualificação e
assim teremos de ganhar em casa ao Nápoles na última jornada, para não estarmos
dependentes de um favor do Dínamo Kiev.
O jogo começou muito vivo, logo com um golo anulado ao Aboubakar por
fora-de-jogo na recarga a um mau alívio do Lindelof (que jogo para esquecer!)
que o Ederson defendeu. Pouco depois, foi o Eliseu a rematar de fora da área
com a bola ainda a embater no poste. Aos 10’, inaugurámos o marcador com um
grande golo do Guedes, isolado pelo Salvio, a aguentar a carga do defesa e a
contornar o guarda-redes. Os turcos acusaram muito o golo e nunca se
encontraram na 1ª parte. Fizemos o 0-2 aos 25’ num golão do Nélson Semedo com
um remate de fora da área com o pé esquerdo! As coisas não poderiam estar a
correr melhor e ainda se superaram com o 0-3 aos 31’ num dos lances mais
inacreditáveis que eu já vi num campo de futebol: na sequência de um livre, o
Mitroglou cabeceia à barra, no ressalto volta a cabecear à trave(!), a bola
fica à mercê do Salvio que, com um defesa sobre a linha mas a baliza
escancarada, também atira ao poste(!!), para finalmente o Fejsa fuzilar lá para
dentro com um remate de pé esquerdo. Até ao intervalo, o Aboubakar teve uma
oportunidade na área, mas o remate foi interceptado e o Salvio cabeceou por
cima quando estava em boa posição.
Porque inacreditavelmente há pessoas que não sabem que, quando o Benfica
joga, o mundo pára, compromissos parentais impediram-me de ver a 1ª parte em
directo (revi-a no final do jogo). Por isso mesmo, quando o Mitroglou falhou
isolado o 0-4 aos 54’ depois de uma abertura fabulosa do Salvio, que já tinha
proporcionado uma boa defesa ao guarda-redes minutos antes, tive um mau
pressentimento (ok, tenho-os sempre mesmo que estejamos a ganhar por 3-0 a 10’
do fim). No entanto, não conseguindo dar a machadada final no resultado e
estando a jogar no terreno do campeão turco, as coisas poderiam inevitavelmente
complicar-se com um golo madrugador deles. E assim foi: reduziram para 1-3 aos
58’ através do Tosun num remate acrobático, mas pareceu-me em ligeiro
fora-de-jogo. Apesar deste golo, conseguimos adormecer o jogo, mas não me
pareceu nada bem que o Rui Vitória tirasse o Cervi (que estava a ser dos
melhores, dando inclusive muita ajuda defensiva ao Eliseu) para colocar o Rafa
logo aos 64’. Ainda faltava muito tempo, o Salvio estava a ajudar menos o
lateral do que o Cervi e dar rodagem ao Rafa a golear contra o Marítimo é uma coisa,
em jogos da Champions e tão longe do
final é outra. Curiosamente ou talvez não, não conseguimos mais produzir
ataques com perigo a partir dessa altura. A 10’ do fim, entrou o Samaris para
segurar o meio-campo, mas o que é certo é que os turcos não faziam aquela
pressão que era expectável. Até que aos 83’, o cérebro do Lindelof parou e ele
cortou uma bola com o braço em plena grande-área! O penalty do Quaresma ainda
bateu no poste, mas entrou na baliza. Como o Ederson já tinha estado por duas
vezes lesionado, era expectável que o árbitro desse mais tempo de compensação,
e por isso ainda faltavam uma boa dezena de minutos para o final. E,
infelizmente, não conseguimos mesmo manter a vantagem: aos 89’, centro do
Quaresma na esquerda, o Lindelof falhou a intercepção e o Aboubakar antecipou-se
ao Eliseu para fazer a igualdade. O apuramento imediato escapava-se-nos perante
os dedos de um modo muito doloroso.
Na prática, jogámos 55’ e durante esse período grande parte da equipa
merece destaque: o Gonçalo Guedes, por ter insistido no lance em que fez golo,
o Nélson Semedo por um golão que vai correr mundo, o Fejsa por ser o tampão
habitual no meio-campo (com a mais-valia do golo), o Cervi tanto no ataque como
a ajudar na defesa e o Pizzi por comandar tudo a meio-campo. Na 2ª parte, a
equipa começou a desconcentrar-se com o golo sofrido relativamente cedo, antes
disso já o Mitroglou tinha obrigação de ter acabado de vez com o resultado e na
parte final o Lindelof teve dois erros crassos (um bastante maior do que o
outro) que nos custaram muito caro.
Esperemos que não venhamos a lamentar amargamente daqui a duas semanas a
maneira como deixámos escapar uma vantagem de três golos ao intervalo. Que este
jogo nos sirva de lição para não desperdiçarmos ocasiões soberanas para matar de vez os jogos. E um bocado mais
de concentração a defender também não seria mau de todo. Já em Kiev, depois do
0-2, desconcentrámo-nos e permitimos que o Dínamo Kiev tivesse mais do que uma
chance do golo. Valeu-nos na altura o Ederson. Agora, saímos deste jogo muito
frustrados.
P.S. – O Sr. Skomina fez uma arbitragem tremendamente caseira, como é seu
apanágio (recordam-se deste ladrão, não se recordam…?). É inacreditável como pactuou
com entradas muito duras do Besiktas sem mostrar amarelos. A dualidade de
critérios foi enorme e mesmo a justeza dos foras-de-jogo variava consoante a
camisola.
segunda-feira, novembro 21, 2016
De gala
Goleámos o Marítimo no sábado por
6-0 e estamos nos oitavos-de-final da Taça de Portugal. Há casos em que o
resultado coincide com a exibição e esta foi indiscutivelmente a melhor da
época. O que mais saltou à vista foi a consistência que apresentámos (espelhada
nos 3-0 da 1ª parte e 3-0 na 2ª), dado que jogámos os 90’ como se estivesse
sempre 0-0. E isso é algo que me agrada imenso.
Claro que marcar logo aos 2’ é o
melhor tónico que se pode pedir para uma partida: recuperação do Samaris perto
da área adversária, a bola vai ter com o Mitroglou, que permite a defesa do
Gottardi, o Salvio não desiste do ressalto, rouba a bola a um adversário e
assiste o Cervi para marcar. Os primeiros minutos foram sufocantes para o
Marítimo, que praticamente não saía do seu meio-campo. Tivemos oportunidades
pelo Guedes (desarmado quando ia rematar), Salvio (isolado pelo Pizzi, viu o
guarda-redes fazer-lhe a mancha),
Eliseu (remate de longe desviado para canto) e livre directo do Pizzi
(defendido para canto pelo Gottardi). Eu começava a ficar apreensivo, porque
era essencial chegar ao intervalo com dois golos de vantagem e lembro-me sempre
de ‘n’ jogos destes, com oportunidades falhadas e que depois nos custam caro.
Mas aos 38’, lá fizemos o segundo, numa combinação entre Mitroglou, Salvio e
Pizzi, com alguns ressaltos à mistura, que permitiu ao nº 21 atirar cruzado e
rasteiro para o fundo da baliza. Estava tudo bem encaminhado e melhor ficou aos
43’ com o terceiro golo: grande jogada do Nélson Semedo, a não permitir que a
bola saísse pela linha de fundo, a tirar magistralmente o defesa do caminho, a
ter sorte de a bola ter voltado para ele depois de ter sido interceptada no
primeiro centro e finalmente a assistir a cabeça do Mitroglou, que só teve que
encostar para a baliza deserta.
Em vésperas de uma partida muito
importante para a Champions e com a
eliminatória praticamente resolvida, era expectável que a equipa baixasse o
ritmo na 2ª parte. E se o Júlio César continuou a ser um espectador, resto da
equipa, não! Continuámos a jogar da mesma maneira e, depois de ter rematado por
cima numa boa jogada individual, o Gonçalo Guedes repetiu a dose em termos de
jogada, mas desta feita assistiu o Mitroglou para o 4-0 aos 53’. Até para mim,
a eliminatória ficou fechada! Entretanto, entrou o Jiménez para a poupança do
Mitroglou e foi o mexicano a marcar o 5-0 aos 68’. Penalty a punir braço de um
defesa que impediu que o remate do Salvio entrasse, expulsão respectiva, e o
Jiménez lá marcou no seu estilo peculiar (que eu não gosto nada, porque se o
guarda-redes acerta no lado defende facilmente, mas pelos vistos resulta porque
nunca falhou um penalty na vida e já lá vão 16). Também deu para o Rafa
regressar mais de dois meses depois da lesão e de fecharmos o marcador aos 88’
num golão do Gonçalo Guedes, com um remate de primeira de fora da área depois
de um canto do Pizzi directamente para ele.
Em termos individuais, o Gonçalo
Guedes destacou-se sobremaneira. Aliás, o melhor elogio que se lhe pode fazer é
que, em termos objectivos, não temos sentido a falta do Jonas: a equipa
continua a jogar bem e a ganhar. Também o Pizzi está bastante à vontade a
manobrar a equipa a meio-campo e, com a reincidência da lesão do André Horta, o
lugar será dele por um bom bocado. Menção igualmente para o Mitroglou, porque
dois golos são sempre de realçar. O Salvio esteve muito activo e com
participação directa nos golos. E, last
but not least, o Nélson Semedo confirmou que não vai passar muito tempo na
Luz. Que exibição!
Como já disse várias vezes ao longo
dos anos, gosto imenso da Taça de Portugal, porque adoro ir ao Jamor no final
da época. E fico sempre bastante chateado quando somos eliminados precocemente.
Espero que possamos finalmente lá voltar este ano.
segunda-feira, novembro 14, 2016
Portugal - 4 - Letónia - 1
Vencemos ontem a Letónia no Algarve e continuamos três pontos atrás da Suíça
na qualificação para o Mundial de 2018 na Rússia. O resultado está longe de
espelhar as dificuldades que tivemos, até porque aos 67’ os letões igualaram a
partida.
Na 1ª parte, fizemos uma exibição sofrível e só chegámos ao golo de penalty
a castigar uma falta sobre o Nani aos 28’. O C. Ronaldo não rematou muito
colocado, mas fê-lo com força e a bola passou por baixo do corpo do
guarda-redes. A 2ª parte foi um pouco melhor e tivemos novo penalty aos 59’ por
derrube ao André Gomes. O C. Ronaldo atirou colocado demais e a bola foi ao
poste. Em 13 penalties por Portugal, falhou cinco. Em 2016, tem quatro
penalties marcados e seis(!) falhados. Se calhar, é melhor começar a pensar em
dar a bola a outro, não…? Oito minutos depois desta grande oportunidade para
fecharmos o jogo, a Letónia empatou quando nada o fazia prever. O Quaresma, que
tinha entrada um bocado antes do empate, foi decisivo para a nossa vitória,
porque fez as assistências para o segundo e terceiro golo: o segundo surgiu
logo aos 69’, dois minutos depois do empate, numa cabeçada do William e foi o
melhor que nos aconteceu, porque nem deu para a equipa ficar nervosa, e o golo
da tranquilidade aconteceu aos 85’ num pontapé de moinho do C. Ronaldo. Já na
compensação, um livre para a área do Raphael Guerreiro encontrou a cabeça do
Bruno Alves para o resultado final.
Num ano inesquecível para a selecção, fechámos com uma goleada que pode vir
a ser útil na definição do vencedor do grupo, dado que o primeiro critério de
desempate é precisamente a diferença de golos. O resultado foi bastante melhor
do que a exibição, mas também foi assim que nos sagrámos campeões europeus,
portanto presume-se que a receita seja para manter.
segunda-feira, novembro 07, 2016
Doce sabor
Empatámos em Mordor
e mantivemos os cinco pontos de vantagem para o CRAC, que está agora em
igualdade pontual com a lagartada, (3-0
em casa ao Arouca). Foi maravilhoso como tudo aconteceu, dado que empatámos aos
93’. Poderia ser sido aos 92’, mas aos 93’ também está bem! [Correcção: é o que dá confiar nos jornais... Bem me parecia na transmissão que tinha sido aos 92', mas a definição da imagem não estava muito boa. De qualquer maneira, fica aqui a correcção: foi mesmo aos 92'! O que torna tudo ainda mais perfeito!] Dói, não dói? E a
dor deles não é nada comparada com a que nós tivemos, porque estamos apenas na
10ª jornada.
Por motivos
profissionais, vi este jogo através da net perto de Los Angeles, com este post a ser escrito em pleno aeroporto
LAX. Como já estou no aeroporto, acho que não vou ter problemas com a polícia,
porque aquando do golo do Lisandro tive receio que os hóspedes do hotel ou o
staff a chamasse, porque berrei como nunca! Empatar um jogo em Mordor em tempo
de desconto tem um sabor bastante especial, tomando em consideração aquilo que
sofremos naquele (e no outro) antro durante anos a fio.
A net não esteve
sempre perfeita e houve partes em que pausava, mas deu para ver a maior parte
do jogo. O primeiro tempo foi praticamente todo deles e o Ederson safou-nos porque
mais do que uma vez. Como se já não bastasse o Jonas, Jardel e Rafa, ficámos
sem o Grimaldo e o Fejsa depois do jogo frente aos ucranianos, e sem o Luisão
ainda no decorrer da 1ª parte, tendo entrado o Lisandro. Confesso que, quando
vi o capitão sair, a minha apreensão aumentou. Afinal, estávamos sem (pelo
menos) cinco titulares (para não dizer seis...). Apesar de termos visto a nossa
baliza passar perigo por mais do que uma vez (especialmente o remate de ressaca
do André Silva), a grande oportunidade foi nossa com um cabeceamento do
Lindelof ao poste num canto já em cima do intervalo.
A 2ª parte começou praticamente
com o golo do CRAC aos 50’, através do Diogo Jota num lance em que o Ederson
foi muito mal batido, com a bola a passar entre ele e o poste num remate do lado
esquerdo. A partir daqui, o CRAC foi recuando progressivamente e nós passámos a
ter o controlo do jogo. Tivemos uma boa oportunidade num remate do Samaris bem
defendido pelo Casillas, com o mesmo Samaris e o André Horta a terem outros
dois muito tortos. O Nuno Espírito Santo revelou o seu espírito de equipa
pequena e foi trocando jogadores ofensivos por defensivos. Claro está que o
CRAC deixou praticamente de criar perigo. Obrigado, Nuno! Até que chegámos ao
minuto 93, o penúltimo de descontos: o Herrera, também entretanto entrado, tenta
rematar contra um nosso jogador, mas acaba por atirar a bola para a linha de
fundo. Canto do Pizzi e cabeçada do Lisandro lá para dentro! Foi o completo delírio
num hotel perto de LA...! Servimos a vingança fria, como deve ser!
Em termos individuais,
o Pizzi foi um gigante em campo! Não só a comandar as operações a meio-campo,
como a ajudar defensivamente. O Lisandro fica inevitavelmente ligado à história
do jogo, mas também em termos defensivos esteve praticamente perfeito. E marcar um
golo nestas condições em Mordor garante-lhe entrada directa para uma certa eternidade
benfiquista (fazendo companhia ao Mostovoi e o Sabry, por exemplo). O Eliseu
realizou igualmente uma óptima exibição e raramente foi batido, assim como Nélson
Semedo. Apesar de não ser o Fejsa, o Samaris dá sempre tudo em campo e cumpriu.
Na frente, Salvio, Cervi, Gonçalo Guedes e Mitroglou é que estiveram uns furos
abaixo do que é habitual. Foi pena o frango,
porque o Ederson estava a ser essencial a manter a nossa baliza a zeros.
Foi um resultado
muito importante não só para manter a distância para o segundo classificado,
mas também pela maneira como foi obtido, que obviamente aumenta a nossa
confiança e mina a dos outros dois. Continuamos invictos no campeonato e a
vê-los no retrovisor. Que continuemos assim até final!
VIVA O BENFICA!
VIVA O BENFICA!
quarta-feira, novembro 02, 2016
Complicado
Vencemos o Dínamo
Kiev por 1-0 e, com o empate do Nápoles no Besiktas, estamos igualados com os
italianos no 1º lugar do grupo com 7 pontos, tendo os turcos seis pontos. Os
ucranianos, com apenas um ponto, já não têm hipóteses de chegar aos oitavos da Champions.
Foi um encontro
bastante mais difícil do que eu estava à espera. Nós não tivemos a dinâmica
habitual e os ucranianos mostraram porque é que são mais perigosos fora do que
em casa. Na 1ª parte, dominámos completamente a partida, mas sem criar grandes
oportunidades de golo. Uma cabeçada do Grimaldo defendida pelo guarda-redes e um
desvio do Mitroglou por cima a centro do Gonçalo Guedes foram as nossas melhores
ocasiões. Do lado ucraniano, foi o Derlis González a ter uma óptima
oportunidade, mas o Lindelof cortou in
extremis. Quando já todos pensávamos que íamos para o intervalo empatados,
num livre lateral a nosso favor, o Vida quis levar o Luisão para casa e o
árbitro naturalmente assinalou o respectivo penalty. O Salvio voltou a ser o
escolhido para marcar e atirou rasteiro para o meio da baliza, ligeiramente
para o lado esquerdo (lado oposto ao habitual), enganado o guarda-redes. Tenho
que dizer que não sou nada fã da maneira como o Salvio marca os penalties: é
invariavelmente para o meio da baliza e, se o guarda-redes acerta no lado ou
nem se mexe, defende facilmente. So far,
so good, mas prefiro muito mais os penalties que são desviados do
guarda-redes mesmo que este acerte no lado, porque esses têm mais de 50% de
possibilidade de serem golo.
Esperava eu que na
2ª parte jogássemos melhor, com os espaços que inevitavelmente os ucranianos
abririam. Só que não. Tivemos duas enormes ocasiões, num tiraço do Guedes à
barra (a sua potência de remate está a tornar-se um caso sério) e através do
Mitroglou que picou bem a bola sobre o guarda-redes quando este saiu, mas esta
passou ao lado. Aliás, o grego teve um jogo muito infeliz, porque já tinha tido
outras duas hipóteses de marcar logo no início da 2ª parte, mas numa delas
rematou por cima e noutra, num lance de um-para-um, rematou frouxo. A pior notícia
da noite foi uma entrada dura sobre o Fejsa que obrigou à sua substituição pelo
Samaris. Vamos lá a ver se recupera para domingo... Tanta oportunidade falhada
poder-nos-ia ter saído muito cara com o disparate do Ederson aos 68’: saída aos
pés de um avançado, este muda de direcção para a linha lateral, mas o nosso guarda-redes
esticou os braços na mesma e derrubou-o. Sem que nada o fizesse prever, os
ucranianos tinham uma hipótese soberana, todavia o Ederson corrigiu o erro e
defendeu o penalty. Até final, ainda passámos por alguns calafrios
especialmente nas bolas paradas, mas lá conseguimos manter a importantíssima
vantagem. Em termos ofensivos, a equipa começou a ressentir-se fisicamente e não
esteve tão solta como é habitual.
Não é muito fácil
destacar alguém num jogo como estes. O Pizzi foi o maestro a meio-campo e todo
o nosso jogo ofensivo passou por ele. Teve uma percentagem de passes certos
muito alta e, ou muito me engano, ou vai ser difícil tirá-lo daquela posição agora.
Até porque os argentinos nos extremos estão bem: o Salvio, apesar de uma
exibição mais fraca do que as anteriores, teve uma das suas arrancadas
habituais e marcou o penalty, enquanto o Cervi sobe a olhos vistos, com grande
comprometimento defensivo e confiança na forma como enfrenta os adversários. O
Guedes não esteve tão em destaque como na passada 6ª feira, mas continua
absolutamente indiscutível no onze. A defesa revelou-se segura na maior parte do
tempo e o Ederson corrigiu bem o enorme disparate que fez.
É absolutamente
fundamental não perder na Turquia daqui a três semanas. Já garantimos os
serviços mínimos (a Liga Europa), mas claro que queremos mais. Uma boa campanha
na Champions não só valoriza o nosso
prestígio internacional, como também nos dá uma enorme confiança para o grande
objectivo da época: o tetra.
domingo, outubro 30, 2016
Perfeito
Foi um fim-de-semana inesquecível! Na sexta-feira, ganhámos ao Paços
Ferreira por 3-0 e vimos a lagartada
ir empatar a zero na Choupana. Ontem foi a vez de acontecer história, porque o
CRAC empatou também a zero em Setúbal, algo que já não acontecia há quase duas
décadas! Ou seja, a uma semana de irmos a Mordor, temos agora cinco e sete
pontos de vantagem respectivamente. Que sonho!
A partida frente ao Paços começou muito disputada, com eles a não se
cingirem a defender. Tivemos inúmeras oportunidades para marcar, mas só o
conseguimos aos 26’ pelo Gonçalo Guedes, numa bomba já dentro da área sob o
lado direito. Até ao intervalo deveríamos ter resolvido o jogo, já que tivemos
mais que oportunidades para tal. Quanto ao adversário, teve a única
oportunidade de golo já perto do descanso numa saída do Ederson que não aliviou
a bola tanto quanto deveria, mas felizmente a recarga saiu por cima.
Com somente um golo de vantagem e na véspera da Champions, tive medo que a equipa fosse deixando arrastar o jogo à
espera do apito final. Não foi isso que aconteceu, mas voltámos a ver o Paços
entrar bem na partida e criar perigo num remate do Pedrinho a rasar o poste. O
Gonçalo Guedes respondeu com uma boa jogada em que o remate saiu ao lado, mas
aos 64’ marcámos mesmo: centro do Eliseu na esquerda, o Mitroglou deixou passar
a bola e o Salvio rematou na passada. Podíamos finalmente respirar um pouco
melhor e até deu para entrar o Carrillo (que poderia ter marcado, não fosse o
defesa cortar quase sobre a linha). Aos 87’, na enésima boa combinação entre
Pizzi e Salvio, desta feita com o Jiménez, foi o português a atirar sob as
pernas do guarda-redes e a fazer o resultado final.
Em termos individuais, destaque para ao Gonçalo Guedes. Está numa superforma
e neste momento é titular indiscutível. Também muito bem está o Nélson Semedo,
cujo pulmão atacante parece não acabar. O Pizzi teve um jogo ao seu nível, a
falhar alguns passes e a não tomar, de vez em quando, as melhores decisões, mas
depois lá marca um golito ou faz uma assistência. Voltámos a manter a baliza
intacta, o que é muito importante para a manutenção da confiança de Luisão
& Cia. O Cervi continua bastante lutador e numa fase bem positiva.
Sinceramente, no meu tempo de vida, não me lembro de ir a Mordor com esta
margem de segurança. Mas estamos só na 9ª jornada e há que manter a calma. Esta
exibição não foi tão conseguida como a de Belém, mas a solidez defensiva não
permitiu ao Paços ter grandes hipóteses de marcar. E relembro que continuamos
com jogadores fundamentais de fora. Nos últimos 30 jogos para o campeonato,
temos 28 vitórias, um empate e uma derrota. Impressionante!
segunda-feira, outubro 24, 2016
Categórico

Com mais uma alegria que o grande Petit nos deu na véspera (é
definitivamente o maior!), estava com grande expectativa para ver como a equipa
reagiria não só a isso como também ao jogo europeu em Kiev. E o que é certo é
que a resposta não poderia ter sido mais concludente. O Mitroglou teve uma
óptima oportunidade logo a abrir, mas não demorou muito a colocar-nos em
vantagem: canto muito bem marcado pelo Pizzi aos 10’ e cabeçada fulgurante do
grego a fuzilar o guarda-redes. A 1ª parte foi um festival de bom futebol da
nossa parte e golos falhados. Numa das melhores jogadas da partida, entre
Mitroglou, Pizzi e Salvio, o argentino rematou à figura. Até ao intervalo, o
Cervi viu um remate seu que ia para a baliza ser desviado por um defesa, o
Mitroglou atirou ao poste com a bola a percorrer a linha de golo e a sair pela
linha de fundo do outro lado (o guarda-redes desviou-a ligeiramente, impedindo
o golo, mas o árbitro não viu e marcou pontapé de baliza), e o mesmo Mitroglou
tentou servir o Gonçalo Guedes num lance em que deveria ter rematado cruzado.
Quanto ao Belenenses, só uma cabeçada do Yebda obrigou o Ederson a uma boa
defesa.
Saí para o intervalo bastante chateado por o jogo ainda não estar decidido,
porque nas ressacas dos encontros europeus as nossas segundas partes costumam
ser mais fracas e menos intensas, além de que, com a chuva a aparecer em força
a espaços, o campo poderia ficar impraticável aumentando o nível de
aleatoriedade. O Belenenses entrou e durante dez minutos jogou no nosso
meio-campo, mas sem criar verdadeiras oportunidades de golo com excepção de um
livre na meia-lua, que foi (felizmente) três pontos para o País de Gales. Logo
a seguir, uma arrancada do Salvio que permitiu nova defesa ao Joel Pereira
voltou a colocar-nos no controlo do jogo. Poderíamos (e deveríamos) ter feito o
segundo pelo Mitroglou noutra grande jogada colectiva, após um centro rasteiro
do Grimaldo, em que o grego só com o guarda-redes pela frente remata contra
ele, quando tinha a baliza completamente escancarada (pareceu o falhanço frente
ao CRAC na Luz na época passada, quando atirou ao lado com o Casillas batido).
No entanto, aos 65’ marcámos mesmo pelo Grimaldo com um remate cruzado rasteiro
do lado esquerdo, depois de uma abertura magnífica do Gonçalo Guedes. A partida
estava bem encaminhada, mas pouco depois o Ederson largou uma bola fácil e o
Belenenses só não marcou, porque o muro Fejsa ofereceu o corpo à bola
bloqueando o remate. Até final, ainda tivemos mais uma bola à trave pelo Cervi
e um remate do Jiménez, entretanto entrado para o lugar do Mitroglou, que foi
desviado por um defesa para canto.
Em termos individuais, há vários destaques a fazer: Nélson Semedo, que terá
feito provavelmente a melhor exibição desde que voltou de lesão; Grimaldo, pelo
golo e por ter conduzido imensos ataques pela esquerda; e Salvio, por estar
aparentemente de regresso aos bons velhos tempos. O Gonçalo Guedes é já uma
certeza e não vai ser fácil sair da equipa, porque tem uma aceleração como
poucos e fisicamente está muito mais poderoso, o que lhe permite aguentar muito
bem o choque com os defesas. O Cervi atravessa igualmente uma fase de grande
confiança e é uma grande ajuda também a defender. O Fejsa é absolutamente
intransponível e termos de volta o Luisão dos bons velhos tempos é priceless!
Fizemos um jogo brilhante e conseguimos a 16ª vitória consecutiva fora de
casa, batendo o recorde de mais de 40 anos do Jimmy Hagan. O que é mais de
realçar quando continuamos a ter uma série de jogadores importantes indisponíveis
(Jonas, Jardel, Rafa, André Horta e Samaris), aos quais espero que não se junte
o Grimaldo que saiu tocado desta partida. A equipa parece muito focada neste
objectivo histórico que é atingir o tetracampeonato. Esperemos que possa manter
esta regularidade até final.
quinta-feira, outubro 20, 2016
Supremacia
Vencemos o Dínamo em Kiev por 2-0 e colocámo-nos de novo na luta não só
pelo apuramento, como inclusive pelo primeiro lugar no grupo, já que o Besiktas
foi surpreendentemente ganhar a Nápoles.
Foi uma exibição categórica em que demonstrámos muita maturidade e a
justiça do nosso triunfo é incontestável, porque o Dínamo praticamente só criou
perigo quando já estava a perder por 0-2. Com o André Horta lesionado, o Pizzi
voltou a actuar no meio e o Rui Vitória, ao contrário de Nápoles, resolveu entrar
com 11 jogadores e o Carrillo ficou no banco com o Cervi a saltar para a
titularidade. Entrámos bem e marcámos logo aos nove minutos num penalty
indiscutível do Antunes sobre o Gonçalo Guedes que o Salvio concretizou
enganando o guarda-redes. Na 1ªparte, os ucranianos praticamente não criaram
perigo e, nas situações de remate que tiveram, este saía invariavelmente por
cima. Quanto a nós, também só tivemos mais uma ocasião, pelo Salvio, com um
remate fraco e à figura depois de uma boa combinação com o Nélson Semedo.
A 2ª parte foi mais movimentada e nós aumentámos a vantagem logo aos 55’: o
Salvio ganha um ressalto na direita, centra atrasado para o Cervi que remata
com a bola a embater no Mitroglou, sobra de novo para o argentino que finta um
defesa e atira para o lado contrário do guarda-redes. Bom golo do Cervi e
grande mérito ao nunca desistir da jogada. A partir daqui, o Dínamo aumentou a
pressão e nós possivelmente teremos relaxado um bocado. O que nos valeu foi que
na baliza estava o intransponível Ederson que por umas quantas vezes impediu
que sofrêssemos um golo (uma das quais com o Yarmolenko isolado perante ele).
Só teve uma falha numa saída dos postes, mas o mesmo Yarmolenko não estava à
espera e a bola bateu-lhe no corpo e saiu para fora. Da nossa parte, tivemos
remates do Salvio (à figura do guarda-redes) e Gonçalo Guedes (muito por cima)
que nos poderiam ter dado uma tranquilidade ainda maior.
Pelo golo que marcou, pelo que lutou e pela qualidade individual em duas ou
três fintas fantásticas, o destaque maior tem que ir para o Cervi. Parece
começar a ficar mais adaptado ao futebol europeu e, se seguir as pisadas dos
dois últimos extremos-esquerdos argentinos que tivemos, ficaremos muito bem
servidos. Gostei mais uma vez do Gonçalo Guedes, cujo nome está ligado à nossa
vitória pelo penalty que sofreu depois de uma boa jogada individual. O Fejsa
voltou a ser o muro do costume e o Ederson também foi fundamental para a
manutenção da nossa baliza a zeros. O Salvio só começou a jogar a partir dos 60’,
mas acabou por ter uma exibição positiva no global. Continuo muito contente por
ver o Luisão a voltar os bons velhos tempos. Quanto ao Nélson Semedo, continua
com as mesma virtudes a atacar e alguns defeitos a defender (a forma como foi
batido já perto do final num canto, em que o avançado só não marcou de cabeça
por aselhice, foi ridícula).
A cerca de oito minutos do final e certamente para estimular as relações
bilaterais entre Portugal e a Ucrânia, o Rui Vitória resolveu ser generoso para
com o Dínamo de Kiev e colocou o Celis em campo para equilibrar as coisas e dar
mais emoção ao jogo. No entanto, desta feita o colombiano não esteve ao seu
nível habitual e não ofereceu nenhum golo ao adversário. Na última substituição
e também porque não convém abusar, o Rui Vitória colocou (e bem) e Eliseu em
vez de dar mais uma benesse ao adversário fazendo entrar o Carrillo.
O triunfo do Besiktas em Nápoles é que não estava no programa e, mais do
que o empate, eu até preferia a vitória dos italianos. Desta forma, continuam
eles na frente com seis pontos, os turcos com cinco, nós com quatro e os
ucranianos com um. Convém não esquecer que estes mesmos ucranianos nos deram
uma grande alegria em Mordor na época passada, pelo que daqui a duas semanas teremos de
estar muito concentrados para ganhar o jogo na Luz. Da forma com a
classificação está, essa vitória é fundamental.
segunda-feira, outubro 17, 2016
À rasca
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Já se sabe que os jogos depois das selecções são sempre complicados e,
perante adversários de divisões inferiores, há a tendência para os
desvalorizar. O Rui Vitória apostou numa equipa de segundas linhas e pode
dizer-se que o chumbo foi quase colectivo. A 1ª parte teve duas velocidades da
nossa parte: devagarinho e parado. O 1º Dezembro, expectavelmente, fechou-se na
defesa e nós não conseguimos imprimir o ritmo necessário para os desposicionar.
Só uma cabeçada do José Gomes, perto do intervalo, deu a sensação de golo.
Na 2ª parte, voltámos a jogar com 11, porque saiu a nulidade exasperante
Carrillo e entrou o Gonçalo Guedes. O aumento do ritmo deu frutos logo aos 50’,
num bom lance do Danilo, que simulou perante um adversário, tirou-o do caminho
e meteu a bola por baixo das pernas do guarda-redes. Estávamos a controlar mais
ou menos o jogo, quando o Celis resolveu oferecer um penalty ao adversário, ao atrasar mal a bola ao Ederson e fazendo
com que este fizesse penalty. Como agora acabou a lei da tripla penalização
(penalty, expulsão e suspensão), desde que tente jogar a bola, um jogador não é
expulso mesmo que derrube um adversário que está em vias de fazer golo. Só me
lembrei disto a posteriori, pelo que durante o jogo pensei que o sr. Hélder
Malheiro (má arbitragem, muito permissivo com as entradas duras do 1º Dezembro)
tinha errado ao não expulsar o nosso guarda-redes. O Martim Águas (filho do
grande Rui e neto de enorme José) fez a igualdade aos 62’. Até final,
pressionámos mais, o Pizzi já tinha entrado antes do golo e ainda entrou o
Mitroglou, mas teve que ser o grande Luisão a marcar possivelmente um dos golos
mais tardios da nossa história, aos 96’ (confesso que não percebi o porquê de
tanto tempo de desconto), com um óptimo cabeceamento num canto do Pizzi.
Respirávamos todos de alívio, porque seria muito mau termos que disputar um
prolongamento nestas circunstâncias.
O Luisão foi, claro, o grande destaque da equipa. Estou muito contente por
esta subida de forma do capitão, pela sua reentrada em pleno no onze titular e
espero que isto se mantenha ao longo da época. O Danilo marcou um bom golo, mas
está naturalmente sem ritmo. O José Gomes batalhou muito na frente, mas sozinho
durante grande parte do jogo era difícil. O Cervi e o Zivkovic poderiam ter
aproveitado melhor a oportunidade, mas nada que se compare aos dois do costume:
o Carrillo continua sem interiorizar que tem um processo de higienização a
fazer e nem 10% faz; o Celis, eu juro que até estava a gostar minimamente dele
(e há testemunhas disso), mas depois resolve voltar ao seu estado natural de
oferecer golos aos adversários (é a terceira vez!). Ou muito me engano, ou são
dois jogadores que escusam de regressar depois do Natal.
Foi um jogo que não vai deixar saudades. Salvou-se o resultado e pouco
mais. Na próxima eliminatória, seria bom que jogássemos melhor, porque eu gosto
muito de ir ao Jamor em Maio.
terça-feira, outubro 11, 2016
6-0
Na jornada dupla de qualificação
para o Mundial de 2018, goleámos na 6ª feira Andorra e ontem as Ilhas Faroé por
este resultado. Tivemos o mérito de marcar cedo em ambos os jogos, o que os
tornou fáceis, e depois mantivemos a concentração para marcar mais golos que
podem ser muito importantes na qualificação, porque o primeiro critério de
desempate passou a ser a diferença de golos e não o confronto directo entre as
equipas.
Dois nomes sobressaíram nestes dois
jogos: Cristiano Ronaldo e André Silva. Em Aveiro, na passada 6ª feira, o
jogador do Real Madrid fez quatro golos e ontem o jovem avançado fez um hat-trick. No total dos dois encontros,
fizeram cinco e quatro golos, respectivamente. Frente a Andorra, aos 4’ já
estávamos a ganhar por 2-0 e, para além do C. Ronaldo e André Silva, o João
Cancelo também marcou. Ontem, marcámos o primeiro aos 12’ e o segundo aos 22’,
tendo os restantes golos sido marcados pelo João Moutinho e novamente pelo João
Cancelo. Aliás, o nosso defesa-direito tem o excelente registo de três golos em
três jogos pela selecção.
A menos boa notícia foi a Suíça ter
ido ganhar à Hungria na 6ª feira (com o golo da vitória a ser marcado no último
minuto), o que a mantém líder isolada do nosso grupo. Receberemos os suíços no
último jogo do grupo, mas serão as partidas frente à Hungria a decidir grande
parte da nossa sorte.
segunda-feira, outubro 10, 2016
Empate na Vila Belmiro
Empatámos no sábado com o Santos (1-1) no jogo de despedida do Léo e que
serviu igualmente para festejar o centésimo aniversário do estádio do Santos, a
casa do grande Pelé.
Com a maior parte dos jogadores nas selecções, mesmo assim fizemos uma
exibição bem interessante, especialmente nos primeiros 20’. Já se sabe que o
interesse maior destas partidas é ver em acção aqueles que não são titulares
indiscutíveis e, neste sentido, o Cervi teve bons pormenores no papel de
segundo avançado, o Danilo, enquanto teve pernas, mostrou personalidade, e o Zé
Gomes veio mexer com o nosso ataque na 2ª parte. Aliás, foram sobre ele os dois
penalties indiscutíveis de que beneficiámos: o primeiro concretizado pelo
Salvio aos 47’ e o segundo falhado pelo próprio Zé Gomes. Aos 87’, consentimos
a igualdade num grande frango do
Ederson, depois de uma cabeçada num livre. De negativo, salientar o toque que o
André Almeida levou na 1ª parte, que o fez sair ao intervalo (esperemos que não
seja nada de grave).
Foi pena que tivéssemos consentido a igualdade num jogo em que fomos
claramente melhores. Tempos houve em que estas partidas eram um suplício de
ver, porque o marasmo geralmente tomava conta dos nossos jogadores, mas é bom
verificar que hoje em dia mantemos a atitude competitiva em alta cada vez que
entramos em campo.
A festa do Léo foi bonita e gosto bastante de ver este género de homenagens a jogadores que deixam saudades por onde passam. O brasileiro foi um dos melhores defesas-esquerdos que passaram pela Luz nos últimos 10 anos e só foi pena que tenha saído de forma relativamente discreta, porque tivemos um treinador que achou que o Jorge Ribeiro era melhor do que ele…
segunda-feira, outubro 03, 2016
Goleada
Vencemos o Feirense na Luz por 4-0 e, com um sábado fantástico em que o V.
Guimarães, depois de estar a perder com a lagartada
por 0-3 aos 70’, conseguiu igualar a partida(!), estamos agora ainda mais
isolados na frente com três pontos de vantagem sobre os rivais. O nosso
resultado não espelha as dificuldades que tivemos, mas a vitória é
incontestável.
Já se presumia, desde Nápoles, que o André Horta não pudesse jogar e assim
passou o Pizzi para o meio, reentrando o Salvio na equipa. Regressaram também o
Gonçalo Guedes e o Ederson, mas a maior novidade foi (felizmente!) a entrada do
Luisão para o lugar do Lisandro. E que jogo fez o nosso capitão! O encontro não
começou nada bem e o Feirense só não se colocou em vantagem logo aos 2’, porque
um jogador seu conseguiu falhar isolado na pequena área o desvio a um
cruzamento da esquerda. Pouco depois, foi uma boa jogada do Gonçalo Guedes que
não deu golo do Mitroglou, porque a bola encontrou um defesa no seu caminho e,
na recarga, o Pizzi rematou com força, mas outro defesa cortou quase sobre a
linha. O Feirense não se remetia à defesa, mas verdade seja dita não criou
muito perigo. Ao invés, o Salvio teve duas boas oportunidades, mas o Peçanha
defendeu bem uma cabeçada e noutro lance (em que me pareceu que houve penalty
sobre o Mitroglou), a bola sobra para o argentino que atirou em boa posição ao
lado. Até que aos 35’, inaugurámos o marcador através de um autogolo do Luís
Aurélio num corte muito defeituoso depois de um lançamento lateral do Salvio.
Num lance caricato, mas chegámos finalmente à vantagem.
Na 2ª parte, o Feirense já não conseguiu exercer o mesmo tipo de pressão e,
depois de um remate do Salvio ao lado, fizemos o 2-0 aos 61’ noutro lance
atípico, em que um defesa tenta aliviar a bola, mas o mesmo Salvio estica-se
todo e consegue cortá-la na direcção da baliza. Muita sorte, mas também muito
mérito do argentino na sua acção defensiva. Pouco depois, voltávamos a jogar
com 11, porque saiu a nulidade Carrillo e entrou o Cervi, e foi mesmo ele a
fazer o 3-0 de cabeça(!) aos 70’ depois de um belo cruzamento do Nélson Semedo
na direita. Para todas as equipas, à excepção dos lagartos, o terceiro golo significa a vitória, mas, já agora e só
para variar, eu gostaria de não sofrer nenhum até final… O que esteve para
acontecer não fosse uma defesa por instinto do Ederson. No último minuto de
compensação, o entretanto entrado Zivkovic fez uma boa jogada e foi derrubado à
entrada da área. O árbitro, sr. Luís Ferreira, estava com problemas em
controlar a barreira, até que lá vai o grande Luisão meter ordem naquilo e o
Grimaldo só teve que colocar brilhantemente a bola na baliza. Um golão! Ao
invés de sofrer, marcar perto do fim é algo que faz com que saia do estádio
contentíssimo!
Em termos individuais, há vários destaques a fazer: grande jogo do Salvio,
especialmente a partir do seu golo, a fazer-nos salivar por (finalmente) um
regresso à sua forma habitual; exibição também excelente do Nélson Semedo; e, last but not least, gostei imenso do
regresso do capitão Luisão, que ganhou praticamente todos os lances de cabeça,
comandou magnificamente a defesa e, para quem ainda tivesse dúvidas acerca da
sua enorme mais-valia, basta ver o que fez no livre do quarto golo. Eu ia tendo
uma apoplexia quando houve aquela história do Wolverhampton: basta nós olharmos
para uma equipa mais a norte para vermos o que é que acontece quando se perde
as referências no plantel. Ainda bem não se cometeu esse disparate e que o
Luisão ficou! Voltei a gostar do Guedes (que, repito, não devia ter ficado do
fora em Nápoles) e do Fejsa (mais isto não é novidade). Pelo contrário, o
Carrillo precisa urgentemente de perceber que isto é o Benfica: jogadores como
ele, que já vêm com o pecado original, têm que fazer o dobro dos outros para
que nós nos esqueçamos da sua proveniência. Ora, este tipo nem 10% faz…! Ou
muda rapidamente, ou, à semelhança do outro, começo a ver horários dos voos
para o Peru…!
O Benfica anunciou lotação esgotada para este jogo, mas estiveram na Luz
58.637 espectadores. Era o jogo das Casas do Benfica e foi a partida com mais
assistência da Liga até agora, mas mesmo assim eu não percebo onde é que
estavam as restantes 5.000 pessoas… De qualquer maneira, uma assistência destas
contra o Feirense é obra! Tricampeões, primeiro lugar e jogos às 16h é o que
dá.
quinta-feira, setembro 29, 2016
Podia ter sido (ainda) pior
Perdemos em Nápoles por 4-2, um resultado que mascara um pouco o que se
passou em campo. Fizemos uma exibição que foi uma autêntica montanha-russa,
chegámos a estar goleados, mas os danos acabaram por ser minimizados no fim.
O Rui Vitória tirou o Salvio e o Gonçalo Guedes, lançando o André Almeida
para o meio-campo e o Carrillo. Por princípio não acho grande piada a grandes
alterações na equipa nos jogos da Champions,
mas o que é certo é que depois de uma entrada em que permitimos ao Nápoles ter
duas situações perto da nossa baliza, poderíamos ter feito também dois golos
pelo Mitroglou, que viu um defesa cortar a bola quase sobre o risco e o Reina
fazer uma boa defesa perante remates seus. No entanto, quem se adiantou no
marcador foram os italianos, pelo Hamsik aos 20’, num cabeceamento na sequência
de um canto, em que o Fejsa se deixou adormecer e foi antecipado pelo eslovaco.
Até final da 1ª parte, os italianos fecharam-se bem e nós revelámos sempre
bastante cerimónia para rematar à baliza.
Na 2ª parte, esquecemo-nos de entrar em campo: o Nápoles fez três golos em
apenas sete minutos! Uma falta do Lisandro permitiu ao Mertens fez o 0-2 num
livre directo em que, à semelhança do Talisca com o Ederson, me pareceu que o
Júlio César poderia ter feito mais. Aos 54’, um remate desviado isolou
inadvertidamente o Callejón e o Júlio César não foi tão lesto a sair da baliza
como deveria e derrubou-o. O Milik fez o 0-3 no penalty. Aos 58’, uma saída em
falso do nosso guarda-redes deu origem ao 0-4 pelo Mertens, em novo lance em
que os italianos beneficiaram de um ressalto. Jogo para esquecer o Júlio César.
Claro que nesta altura, tive medo de uma reedição de Vigo, não só no resultado,
como principalmente nas repercussões para o futuro (o contexto é obviamente
diferente, mas na altura de Vigo também estávamos em primeiro lugar no
campeonato e depois viemos por aí abaixo na classificação). Entre o terceiro e
o quarto golo, o André Horta agarrou-se à coxa e foi substituído pelo Salvio
(mais um para o estaleiro…). Felizmente, os italianos baixaram o ritmo e,
verdade seja dita, nós continuámos comprometidos com o jogo e conseguimos
reduzir a diferença pelo entretanto entrado Gonçalo Guedes aos 70’, com o
Salvio a marcar o seu primeiro golo desde a grave lesão de há dois anos aos 86’,
numa brilhante abertura do André Almeida.
Com uma derrota deste calibre, não é fácil referir ninguém em termos
individuais, mas a 1ª parte do Grimaldo não foi má (desapareceu na 2ª). O
Gonçalo Guedes provou que não deveria ter sido sacrificado, porque é dos nossos
jogadores em melhor forma. O Carrillo continua com o problema de sempre que é a
falta de corrida e intensidade. O Mitroglou deveria ter aproveitado melhor as
duas oportunidades ainda com 0-0. Se o Rui Vitória estava com dúvidas na
baliza, com esta partida elas ficaram dissipadas de vez: neste momento, o lugar
é do Ederson.
Aos 60’, a catástrofe estava à vista, mas os dois golos e, principalmente o
empate (1-1) no Besiktas – Dínamo Kiev acabou por amenizar bastante os estragos.
O primeiro lugar do grupo deve ser do Nápoles, mas estamos igualados com os
ucranianos e a apenas um ponto dos turcos. É fundamental, pelo menos, empatar
em Kiev na próxima jornada.
domingo, setembro 25, 2016
Sofrido
Vencemos ontem em Chaves (2-0) e mantivemos a liderança do campeonato, já
que ambos os rivais também tinham ganho. Tal como se previa, foi um jogo muito
difícil onde só através de duas bolas paradas na 2ª parte obtivemos o triunfo.
O Rui Vitória colocou o Ederson no lugar do Júlio César e foi a única
alteração em relação ao Braga. Na 1ª parte, o Chaves foi muito mais agressivo
do que nós e criou-nos diversos problemas. Nós tivemos um bom remate do
Mitroglou defendido pelo António Filipe e um golo mal invalidado ao grego que
não estava fora-de-jogo, mas os transmontanos também tiveram um golo (bem)
anulado e a melhor oportunidade dos primeiros 45’, com dois remates ao poste e
uma recarga de cabeça do Rafael Lopes para fora com a baliza escancarada, tudo
na mesma jogada! O André Horta passou completamente ao lado do jogo e, como o
Fejsa esteve abaixo do que é habitual, o nosso meio-campo era um passador e a
defesa via-se muito vezes em igualdade numérica perante os avançados
contrários.
A 2ª parte começou com uma grande oportunidade de cabeça do Salvio (que
terá provavelmente feito o pior jogo de sempre pelo Benfica), mas depois
tivemos grandes dificuldades para criar perigo. O Chaves já não contra-atacava
com o mesmo ritmo (era impossível mantê-lo) e começava a saga das lesões do
guarda-redes. Felizmente, à semelhança do Braga, estava lá o Dr. Mitroglou para
acabar com elas! Livre do Grimaldo muito bem marcado e desvio de cabeça do
grego aos 69’ para acabar de vez com as maleitas dos adversários. Pouco depois,
o ex-lagarto (entretanto entrado)
Vukcevic atirou às malhas laterais na única chance dos flavienses na 2ª parte
e, aos 84’, acabámos com o jogo, com novo livre do Grimaldo que bateu na
barreira e sobrou para a entrada da área, onde o Pizzi rematou rasteiro em arco
para o 2-0. Até final, ainda deu para o António Filipe impedir que o Carrillo
aumentasse o marcador, depois de uma boa abertura do Cervi, e para ver que o Celis deve ter perdido o voo para Bogotá, mas que continua a justificar-se que ele o apanhe.
Em termos individuais, gostei bastante do Gonçalo Guedes, apesar de não
estar directamente envolvido em nenhum dos golos, do Grimaldo, cujos livres se
estão a tornar uma séria mais-valia para nós, e da eficácia do Mitroglou (um
golo, outro mal anulado e ainda um terceiro bem anulado na 2ª parte). Também o
Pizzi merece uma palavra, porque apesar de muitas vezes não tomar as melhores
decisões, já não é a primeira vez que se torna decisivo com golos e/ou
assistências. No pólo oposto, temos os já referidos Salvio e André Horta. O
Nélson Semedo também estava a fazer uma exibição muito sofrível, mas é sobre ele
a falta que dá origem ao 1º golo.
A manter este nível exibicional, não vai ser fácil ganhar em Chaves. O
facto de o termos conseguido com uma série de jogadores importantes ainda de
fora (Jonas, Jardel, Jiménez, Samaris) só valoriza o triunfo. A exibição não
vai ficar na memória, mas nesta altura, e perante todas aquelas ausências,
ainda mais importante é a vitória.
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