quinta-feira, julho 28, 2016
Torino na Eusébio Cup
Perdemos com o Torino nos penalties
(5-6) depois de uma igualdade (1-1) nos 90’ e, pelo quarto ano consecutivo, a
Eusébio Cup não fica em casa. Estamos muito beneméritos neste troféu, mas toda
a gente se lembrou que, como nos três anos anteriores conquistámos o tri, pode
ser que isto seja bom prenúncio para o tetra.
Esta partida estava carregada de
simbolismo pelo que que passou a 4 de Maio de 1949, com o desastre de avião na
Basílica de Superga que vitimou toda a comitiva do Gran Torino, tetracampeão
italiano, que tinha acabado de defrontar o Benfica no dia anterior, por ocasião
de uma homenagem ao nosso jogador Francisco Ferreira. Numa altura em que ainda
não havia competições europeias, a nossa vitória por 4-3 foi um grande feito,
mas o que se passou no dia seguinte ensombrou obviamente tudo o resto e foi uma
das maiores tragédias de sempre do futebol mundial. Por todas estas razões,
saúda-se calorosamente a ideia de convidar o Torino para a Eusébio Cup, porque
uma grande equipa só tem grandeza se souber honrar a sua história. E,
felizmente, nós sabemo-lo.
Em termos de futebol, ao contrário
da partida frente ao Wolfsburgo, nesta estivemos uns furos abaixo. Marcámos
logo aos 12’, num frango do
guarda-redes do qual resultou um autogolo do Vives, mas este bom arranque
inicial não teve seguimento no resto do jogo. O Torino empatou aos 32’ num
livre do Ljajic (aplaudido, num gesto bonito, por grande parte do estádio). Apesar de ser um pouco longe da área e a bola ter sido bem
colocada, acho que o Paulo Lopes poderia ter sido mais rápido a fazer-se ao
lance. Na 2ª parte, destaque para dois remates mal enquadrados do Jiménez,
quando estava em boa posição em ambas as ocasiões.
O Nelson Semedo e o André Horta, que
tinham estado em evidência em encontros anteriores, mostraram-se muito
discretos desta vez. Continuo a não ver nada do Cervi que justifique tanto
entusiasmo aquando da sua contratação. Ao invés, o Carrillo, que entrou na 2ª
parte, lá começou a mexer-se um pouco mais do que anteriormente e a sua
produção subiu de maneira lógica. Assustei-me com o facto de o Jardel nem
sequer estar no banco (é imprescindível que fique no plantel!), mas foi por
causa de uma lesão. O Luisão, um dos poucos a jogar os 90’, subiu em relação a
jogo anteriores.
Teremos mais um jogo contra o Lyon
antes da Supertaça. Será o momento para vermos qual dos jogos foi uma excepção:
se este ou se o frente ao Wolfsburgo.
P.S. –
Voltando ainda à tragédia de Superga, em Itália decidiu-se que as equipas que
defrontariam o Torino nas quatro jornadas até final do campeonato desse ano
jogariam com os juniores por uma questão de respeito, já que o Torino não tinha
outra hipótese que não alinhar com eles. Mas o Torino também estava envolvido
na primeira edição da Taça Latina em 1949 (que viria a ser ganha por nós na
época seguinte), em que se defrontavam os campeões de Portugal, Itália, Espanha
e França. Nas meias-finais, cabia-lhe defrontar o campeão português desse ano.
E hoje em dia ainda se encontra esta pérola
num site da internet ligado a esse clube: “Foi pois num
clima de alguma hostilidade, resultante também de uma natural solidariedade e
simpatia despertada pelos italianos, que o Sporting garantiu o seu lugar na
Final.” Convinha era contar a história completa e acrescentar que a essa
“hostilidade” não será alheio o facto de, demonstrando grande
espírito competitivo e vontade de
vencer, ter sido o único clube que não teve problemas em alinhar com
a sua equipa principal (onde
pontificavam os cinco violinos) perante os juniores do Torino... Que grandeza...!
segunda-feira, julho 25, 2016
Melhorias
Vencemos o Wolfsburgo por 2-0 na melhor exibição da pré-temporada, que
curiosamente surgiu perante o adversário mais difícil até agora. Os golos
aconteceram na 2ª parte, mas já na 1ª tínhamos dado mostras de alguma dinâmica,
com boas combinações atacantes.
Na equipa que iniciou o jogo, destaca-se a aposta no André Horta e no
Cervi, mas enquanto o português foi dos melhores em campo (fabuloso o passe a
desmarcar o Gonçalo Guedes para este assistir o Mitroglou para o 1-0 aos 63’),
o argentino, apesar do bom toque de bola, ainda não estará adaptado (espero que
seja só isso, porque por enquanto ainda não vi nada de especial...). Outro que
se exibiu a bom plano foi o Gonçalo Guedes, no papel de segundo avançado. A 2ª
parte ainda foi melhor do que a primeira, com o Salvio também a parecer
regressar à forma que lhe reconhecemos e o Jonas, a entrar a meio do segundo
tempo, mas ainda a tempo de fazer o 2-0 numa recarga a um remate do Jiménez aos
90’. Um jogador que eu espero sinceramente que comece a mostrar mais qualquer coisa
é o Carrillo. Quarto jogo do Benfica, quarto jogo em que utilizou duas
velocidades: devagar e parado. Bem sei que passou muito tempo sem jogar, mas
isto está a começar a ser ridículo...
Neste 4ª feira, teremos a apresentação aos sócios na Eusébio Cup frente
ao Torino. Será uma boa oportunidade para confirmar ao vivo esta subida de produção da equipa.
quinta-feira, julho 21, 2016
Derrota em Sheffield
No primeiro jogo do estágio em Inglaterra, averbámos a primeira derrota em
casa do Sheffield Wednesday (0-1), uma equipa da II Liga inglesa, treinada pelo
Carlos Carvalhal. Foi uma partida disputada num ritmo mais elevado do que as anteriores,
em que voltámos a estar melhor na 2ª do que na 1ª parte.
Sofremos o golo logo aos 22’, num lance em que o avançado passou muito
facilmente pelo Luisão e depois bateu o Paulo Lopes. Pouco depois, o mesmo
Luisão teve uma falha comprometedora, permitindo que um adversário se isolasse,
que lhe valeria o cartão vermelho se isto fosse um jogo a sério… Até ao
intervalo, só um remate do Rui Fonte é que chegou ao guarda-redes. Na 2ª parte,
melhorámos com as substituições, o Gonçalo Guedes foi o que mais se destacou, e
tivemos algumas ocasiões para empatar (duas cabeçadas do Lisandro,
nomeadamente), mas sem o conseguir. Nenhum dos reforços esteve em particular
evidência, com o Carrillo novamente a jogar a passo… Fez uma ou outra abertura
boa, mas (lá está) não teve que correr muito para tal…
Sente-se que a equipa ainda está à procura de adquirir ritmo e que as
pernas nem sempre correspondem ao que a cabeça pensa. Com a progressiva
integração dos jogadores que chegaram mais tarde por causa das selecções (Jonas
e Lindelof, por exemplo), será natural que as coisas melhorem.
segunda-feira, julho 18, 2016
Algarve Football Cup
Um empate (0-0) com o V. Setúbal na 5ª feira e uma goleada (4-0) com o
Derby County no sábado permitiram-nos ganhar o primeiro troféu de
pré-temporada. Tem o valor que tem (o Derby é da II Divisão inglesa), mas é
obviamente melhor começar a ganhar e, mais importante do que isso, depois da
desgraça que foi a pré-época passada, este ano estamos aparentemente a fazer as
coisas como deve ser.
Os resultados não enganam e o segundo jogo foi bem melhor do que o
primeiro, em que a equipa ainda pareceu um pouco presa (o que é normal para
início de época). Em ambas as partidas estivemos melhor na 2ª do que na 1ª
parte, embora a diferença fosse maior frente ao V. Setúbal, o que até é curioso
visto que nessa 1ª parte só o Carrillo é que não fazia parte do plantel na
temporada passada. Frente ao Derby County, marcaram o Nélson Semedo (bom golo)
e na 2ª parte o Rui Fonte (grande cabeçada), o André Almeida (remate em arco de
fora da área) e Salvio (boa jogada de combinação com centro do Zivkovic). Ainda
tivemos um golo inacreditavelmente anulado ao Salvio por pretenso fora-de-jogo,
quando o argentino estava um bom metro atrás do defesa!
Destaque para o Nélson Semedo, que parece querer voltar à boa forma
pré-lesão, e para o Salvio, especialmente frente aos ingleses. Dos novos
jogadores, o André Horta oferece dinâmica ao meio-campo (vamos a ver se
conseguirá substituir o Renato durante uma temporada inteira) e tem
inteligência a jogar, o Cervi tem óptimo toque de bola, mas não sei se a sua
constituição franzina consegue vingar no futebol europeu, o Benítez também me
parece bom tecnicamente, o Rui Fonte fez uma óptima 2ª parte frente ao V.
Setúbal e poderá eventualmente ser o substituto do Jonas, quando este não puder
jogar, e o Zivkovic já fez uma assistência. Uma boa surpresa foi o defesa-esquerdo
Reinildo, internacional moçambicano de 22 anos, que eu desconhecia de vez, mas
que jogou bastante descomplexado. Por sua vez, o Carrillo ainda está muito
lento e com pouca capacidade de reacção (já não jogava há mais de seis meses),
mas já ensaiou uma ou outra aceleração.
Veremos o que nos reservam os próximos jogos, mas parece que o plantel tem
mais soluções do que na temporada passada. O problema é que até 31 de Agosto
ainda falta muito tempo…
quinta-feira, julho 14, 2016
Obrigado, Nico!

Ajudaste-nos a ganhar três títulos de campeão, uma Taça de Portugal, cinco
Taças da Liga e uma Supertaça. E és também co-responsável por termos ido a duas
finais da Liga Europa e a dois quartos-de-final da Champions. Foram 253 jogos oficiais, 41 golos e incontáveis
assistências com o manto sagrado. Às
vezes, exasperavas-nos com o teu lema “porquê fazer as coisas fáceis se elas
podem ser difíceis?”, mas a maior parte das vezes esse “difícil” era conseguido
e então tínhamos o privilégio de assistir a verdadeiras obras de arte. Rui
Costa, Aimar e Gaitán. Foste um distinto herdeiro da nº 10!
quarta-feira, julho 13, 2016
Portugal - 1 - França - 0 (a.p.)
E o impensável aconteceu! Somos campeões da Europa de futebol! O dia 10 de
Julho vai sempre ser lembrado como o dia mais importante da história do futebol
português. Podemos sentir maior alegria quando são os nossos clubes a ganhar
(não vejo mal nenhum nisso e obviamente fiquei muito mais contente com o
tricampeonato), mas a dimensão que esta conquista atingiu a nível mundial é
incomparável. E a alegria que se sentiu no país (e fora dele – as imagens de
Timor são incríveis) extravasa (e muito) as fronteiras do futebol. Aliás, basta
perguntar a qualquer emigrante (e as televisões entrevistaram centenas deles) a
importância que isto tem para a vida deles. E, podem crer, quando vivemos fora
de Portugal sentimos o país de outra maneira. Não tenham dúvidas disso! Há quem
prefira armar-se em racional e frio, e desvalorizar um triunfo destes. Eu
prefiro celebrá-lo.
Disse a algumas pessoas antes do jogo que estava com alguma fezada para o
mesmo. Logo eu, que sou um pessimista inveterado! Por três razões:
1) Porque há 12 anos éramos a equipa da casa e, contrariando todas as
previsões, perdemos uma final contra a…Grécia;
2) Porque neste Europeu apresentámos um futebol muito parecido ao da…
Grécia em 2004!
3) Porque há 41 anos que não ganhávamos à França e nada faria mais sentido
do que quebrar este jejum numa final do Europeu em pleno… Stade de France! Ou
seja, uma vitória nossa permitiria fechar um círculo quase perfeito.
(Há que dizer que só tive esta fezada, porque para todos os efeitos não era
o Benfica e, se perdêssemos, o meu desgosto não seria de todo comparável ao que
tive em Amesterdão e Turim, por exemplo.)
Tivemos nos minutos iniciais um bom lance do Nani, que atirou por cima, mas
confesso que, quando o C. Ronaldo se lesionou aos 8’ num choque com o Payet, vi
(acho que todos vimos) a coisa tornar-se muito negra. Aliás, a cara dele a olhar
para o banco logo na altura não augurava nada de bom. Ainda fez um esforço para
continuar, saiu duas vezes de campo, mas não dava mais e acabou por ser
substituído aos 25’ pelo Quaresma, mais uma vez lavado em lágrimas. Como na
final de 2004. E aqui começa a fazer mais sentido o lado verdadeiramente cinematográfico
de toda esta conquista. Perdíamos o nosso melhor jogador, como é que era possível
ganharmos à equipa anfitriã? A uma selecção que da última vez que derrotámos eu
nem era nascido?! A nossa melhor hipótese eram os penalties, mas ainda
estávamos a uma hora e meia deles! A França carregou (e bem) e o Rui Patrício
foi decisivo. Para mim, foi de longe o melhor jogador da final. Aliás, não foi
surpresa para mim, porque o Rui Patrício tem-me dado várias alegrias ao longo
dos anos…! :-) Quatro ou cinco defesas decisivas dele e uma bola do Gignac ao
poste ao minuto… 92 (eu nem queria acreditar… logo no minuto 92!) e
conseguíamos chegar ao prolongamento.
Entretanto, já tinha entrado aos 78’ o Éder para o lugar do Renato Sanches.
Foi a última substituição de Portugal (o Moutinho já tinha substituído o
Adrien). O Éder?! Perdão, sr. Eng. Fernando Santos, o Éder em vez do Renato?!
Mas o senhor está maluco? Agora deve achar que vamos ganhar o Europeu com um
golo do Éder, não? Um ponta-de-lança que só tinha marcado três golos pela
selecção (em jogos particulares) em 27 internacionalizações! O que é certo é
que, logo desde que entrou, a bola começou a ficar mais tempo retida no nosso
ataque e o homem ganhou lances de cabeça e fez boas tabelinhas. Afinal, não foi
assim tão mal pensado… Mas daí a marcar o golo da vitória… Só se isto fosse um
filme, não…?! O filme tornou-se realidade ao minuto 108! Que golão num remate
fora da área, quase sem balanço, com o corpo todo desengonçado! Épico, épico!
Até final, só faltou ao C. Ronaldo entrar em campo com as indicações que dava
no banco, mas a equipa aguentou estoicamente e os franceses quase nem criaram
perigo.
Quanto mais penso nisto, mais acho que somos privilegiados por termos
assistido a algo deste calibre conseguido desta maneira. Só um argumentista
muito rebuscado se lembraria de um guião assim: em sete jogos, só ganhar um nos
90’(!); terceiro lugar num grupo com a Hungria, Islândia e Áustria, e mesmo
assim calhar no lado oposto do quadro onde estavam França, Alemanha, Espanha,
Itália e Inglaterra(!), selecções que só se encontraria na final; chegar a essa
mesma final perante a equipa da casa, que há quatro décadas não se conseguia
derrotar, perder o melhor jogador logo no início e ganhar o jogo com um golo do
jogador mais contestado e gozado dos 23! Incrível! In-crí-vel!
VIVA PORTUGAL!
quarta-feira, julho 06, 2016
Portugal - 2 - País de Gales - 0
Contra todas as expectativas, estamos na final do Euro! Estou desconfiado
que só o Fernando Santos é que se levava a sério ao dizer, desde o início, que
íamos à final. O que é certo é que lá estamos. Com um sorteio favorável, não há
como esconder isso, mas igualmente com mérito.
No final da 1ª parte, eu disse “espero sinceramente que com o mesmo
desfecho, mas os nossos jogos conseguem ser piores do que os da Grécia em 2004”.
Tínhamos acabado de assistir a mais uns entendiantes 45’ de um jogo onde
Portugal interveio. Na 2ª parte, lá nos consciencializámos que havia uma baliza
onde era suposto meter a redondinha e
ganhámos com muita naturalidade, porque somos melhores que os galeses. O C.
Ronaldo marcou um belo golo de cabeça depois de um centro do Raphael Guerreiro
num canto aos 50’ e três minutos depois rematou de fora da área, e o Nani
desviou a bola do guarda-redes. Até final, defendemos muito bem, o País de
Gales não teve praticamente oportunidade nenhuma de golo e o nosso primeiro
triunfo nos 90’(!) foi mais que merecido.
O homem do jogo foi naturalmente o C. Ronaldo com um golo (igualou o
Platini com nove golos em Europeus, mas o francês só necessitou de um enquanto
o madeirense vai no quarto) e uma assistência (involuntária). O Bruno Alves fez
a estreia para substituir o lesionado Pepe e não foi o animal do costume, sendo
dos melhores em campo, assim como o José Fonte. O Danilo está em bem melhor
forma do que o William Carvalho (e espero que jogue na final), que felizmente
estava castigado. O Renato não fez um jogo tão bom como os anteriores, mas
estava a subir quando foi substituído pelo André Gomes (que continua a jogar
devagar e parado). Também gostei do Adrien.
Amanhã saberemos se iremos defrontar a Alemanha ou a França. Têm sido dois
pesadelos sempre que jogámos contra eles, mas acho que preferia os alemães,
porque a outra é a equipa da casa que ganhou sempre Europeus e Mundiais quando
jogou no seu país.
sexta-feira, julho 01, 2016
Polónia - 1 - Portugal - 1 (3-5 pen.)
Eliminámos ontem a Polónia nos penalties e estamos nas meias-finais do Euro
2016. Mais um empate nos 90’, que desta vez se estendeu para os 120’, mas, ao
contrário da partida frente à Croácia, nesta fomos superiores e a vitória
assenta-nos bem.
Entrámos completamente desconcentrados e logo aos 2’ o Lewandowski
inaugurou o marcador depois de um falhanço incrível do Cédric. No entanto,
tivemos o mérito de não nos irmos abaixo e conseguimos a igualdade pelo Renato
Sanches aos 33’ num remate fora da área, depois de uma excelente tabelinha com
o Nani, que foi ligeiramente desviado por um defesa. Antes disso, pareceu-me
que ficou um penalty por marcar por empurrão pelas costas ao C. Ronaldo, mas o
sr. Félix Brych traz-nos péssimas recordações… A partir daqui, as equipas foram
mais cautelosas e o jogo foi um longo bocejo. O C. Ronaldo falhou duas
oportunidades clamorosas (uma em cima dos 90’ depois de uma assistência
brilhante do Moutinho e outra já no prolongamento, em que rematou com o pé
esquerdo em vez do direito), o Rui Patrício segurou o empate numa outra
ocasião, mas ambas as selecções estavam mais preocupadas em não sofrer do que
em marcar. Nos penalties, tivemos sorte em sermos os primeiros a marcar e todos
os cinco remataram sem hipóteses para o Fabianski. Destaque para o Renato
Sanches que não se coibiu de marcar (e que pontapé!) e para o penalty da
vitória do Quaresma.
O Renato Sanches voltou a ser eleito o homem do jogo e mais do que
justificou a titularidade, aproveitando a lesão do André Gomes. O Eliseu também
substituiu em bom nível (especialmente defensivo) o lesionado Raphael
Guerreiro. Voltei a gostar do Adrien a meio-campo, ao contrário do João Mário e
William Carvalho, cuja lentidão é exasperante (nomeadamente deste último, mas
como vai ficar de fora nas meias-finais, pode ser que a coisa melhore). O Rui
Patrício esteve muito seguro e defendeu o único penalty da noite. O Pepe foi
imperial e o José Fonte também esteve muito bem perante o Lewandowski.
O País de Gales, que ganhou surpreendentemente à Bélgica por 3-1 (mas de
forma totalmente merecida), é o último adversário no caminho para a final. Em
cinco jogos, temos quatro empates e só uma vitória. Mas estou como o Fernando
Santos: é para o lado que eu durmo melhor. Não damos espectáculo, não jogamos
um futebol por aí além, não conseguimos sequer ganhar nos 90’, mas estamos nas
meias-finais do Europeu de futebol. E o que importa no final é isso.
sábado, junho 25, 2016
Croácia - 0 - Portugal - 1 (a.p.)
Quando todos já pensávamos que íamos a penalties, o Quaresma marcou aos
117’ e estamos nos quartos-de-final do Euro 2016. Perante o adversário mais
difícil que encontrámos até agora (de longe), fizemos a nossa melhor exibição.
O Fernando Santos tirou o Vieirinha, Ricardo Carvalho e Moutinho, colocando o
Cédric, José Fonte e Adrien e a equipa melhorou substancialmente. Foi uma
partida sem grandes oportunidades, mas tacticamente evoluímos sobremaneira em
relação ao regabofe perante os húngaros.
Durante os 90’, o jogo esteve bastante fechado e uma mão basta para contar
os lances de perigo das duas equipas (e ainda ficam a sobrar dedos…). Nós
subimos bastante de produção com a entrada do Renato Sanches (que surpresa…!) aos 50’ para o lugar do
lentíssimo André Gomes e foi dele a nossa melhor jogada, numa tabelinha com o
João Mário, mas com o remate do Renato a sair muito torto. Por volta da hora de
jogo, há um lance na área croata que me pareceu penalty sobre o Nani. No
prolongamento, a Croácia veio para cima de nós e teve duas oportunidades
flagrantes: uma saída em falso do Rui Patrício num canto só não deu golo,
porque a bola bateu na cara do Vida em vez da testa e noutro cruzamento o
Perisic atirou ao poste. Na resposta, fizemos o golo: arrancada do Renato desde
o meio-campo, abertura para o Nani na esquerda, assistência para o único
remate(!) do C. Ronaldo em duas horas de futebol, defesa do Subasic e o
Quaresma só teve de encostar de cabeça na recarga (pareceu o Gaitán contra o
Zenit…). Até final, ainda apanhámos um susto, mas o remate do Vida passou a
rasar o poste.
Se o futebol fosse uma questão de merecimento, provavelmente não teríamos
passado. Mas felizmente não é. Fomos inteligentes na abordagem à partida, os
jogadores que entraram fizeram-no muitíssimo bem (mérito para o Fernando
Santos) e o Renato foi considerado o homem do jogo. Iremos agora defrontar a
Polónia nos quartos-de-final e espera-se que esta subida de produção seja para
continuar.
quinta-feira, junho 23, 2016
Hungria - 3 - Portugal - 3
Terceiro jogo, terceiro empate. Numa das piores fases de grupos de sempre,
conseguimos a qualificação para os oitavos-de-final sem ganhar nenhuma partida.
Ficámos em terceiro lugar e, caso não tivesse havido alargamento do número de
selecções participantes, teríamos vindo para casa. Isto num grupo em que
estávamos com a Hungria, Áustria e Islândia. Acho que não é preciso dizer mais
nada…
Quando entrámos em campo, já sabíamos que o empate nos bastaria. E a equipa deu mostras disso nos primeiros minutos, ao jogar a duas velocidades: devagar e parada. Só que a Hungria resolveu abanar as coisas e fez o 0-1 aos 19’ pelo Gera. Nós sentimos muito o golo e não fizemos nada para merecer o 1-1 pelo Nani aos 42’ depois de uma óptima abertura do C. Ronaldo. Mas o que interessa é que marcámos. Quando se esperava que o golo e o intervalo nos acalmasse, assistimos a uma 2ª parte de loucos. Aos 47’, o Dzsudzsák marcou um livre, a bola desviou no André Gomes na barreira e foi para dentro da nossa baliza. Três minutos depois, o C. Ronaldo surgiu finalmente e marcou um dos melhores golos do Europeu, de calcanhar depois de um centro do João Mário. Mas aos 55’, novo remate do Dzsudzsák de fora da área, novo desvio desta feita do Nani e Portugal de fora dos oitavos outra vez. O Quaresma entrou e aos 62’ cruzou para a cabeça do C. Ronaldo fazer o 3-3. Voltámos a entrar nos oitavos. Pouco depois, a Hungria começou a pagar a sorte dos ressaltos nos golos e atirou uma bola ao poste. Até final, o C. Ronaldo ainda nos poderia ter dado a vitória, mas o remate saiu por cima. Entretanto, no outro jogo, a Islândia e a Áustria estiveram empatadas até ao último minuto, quando os islandeses marcaram e ficaram com o 2º lugar do grupo, atirando-nos para o terceiro que, em termos de adversários futuros, é bastante mais simpático.
Destaque óbvio para o C. Ronaldo com dois golos e uma assistência. Mas, se calhar, era melhor alguém dizer-lhe que não é preciso estar sempre a rematar à baliza… Remates a 35 ou 40 m da baliza têm poucas hipóteses de dar em golo… É só estragação de jogo. A entrada do Renato Sanches ao intervalo mexeu (e de que maneira!) com a equipa e, por exemplo, fez com que o João Mário subisse imenso de produção. No entanto, a defesa está uma desgraça, o Ricardo Carvalho já era, o William fez figura de corpo presente no meio-campo e o Eliseu não substituiu nada bem o lesionado Raphael Guerreiro.
Como a Croácia derrotou a Espanha, iremos encontrá-la nos oitavos em vez de nuestros hermanos. A benesse dos islandeses fez com que só possamos defrontar a França, Inglaterra, Itália, Espanha ou Alemanha na final! Mas não nos deixemos enganar, se não conseguimos ganhar à Islândia, Áustria ou Hungria, não estou mesmo nada a ver como poderemos, a manter o mesmo nível exibicional, ganhar aos croatas. A não ser que a estratégia passe por ir sendo apurado sempre nos penalties até à final… Já sei que há-de vir gente falar da Itália de 82, que também teve três empates na fase de grupos e depois foi campeã do mundo, mas é impossível alguém não ficar preocupado com o que a selecção (não) tem mostrado até agora. Arriscamo-nos a sair sem honra nem glória. O que, principalmente depois do discurso do “vamos lá para ganhar o Euro”, vai parecer muito mal. Esperemos que, ao fim de três jogos, as coisas melhorem daqui para a frente.
Quando entrámos em campo, já sabíamos que o empate nos bastaria. E a equipa deu mostras disso nos primeiros minutos, ao jogar a duas velocidades: devagar e parada. Só que a Hungria resolveu abanar as coisas e fez o 0-1 aos 19’ pelo Gera. Nós sentimos muito o golo e não fizemos nada para merecer o 1-1 pelo Nani aos 42’ depois de uma óptima abertura do C. Ronaldo. Mas o que interessa é que marcámos. Quando se esperava que o golo e o intervalo nos acalmasse, assistimos a uma 2ª parte de loucos. Aos 47’, o Dzsudzsák marcou um livre, a bola desviou no André Gomes na barreira e foi para dentro da nossa baliza. Três minutos depois, o C. Ronaldo surgiu finalmente e marcou um dos melhores golos do Europeu, de calcanhar depois de um centro do João Mário. Mas aos 55’, novo remate do Dzsudzsák de fora da área, novo desvio desta feita do Nani e Portugal de fora dos oitavos outra vez. O Quaresma entrou e aos 62’ cruzou para a cabeça do C. Ronaldo fazer o 3-3. Voltámos a entrar nos oitavos. Pouco depois, a Hungria começou a pagar a sorte dos ressaltos nos golos e atirou uma bola ao poste. Até final, o C. Ronaldo ainda nos poderia ter dado a vitória, mas o remate saiu por cima. Entretanto, no outro jogo, a Islândia e a Áustria estiveram empatadas até ao último minuto, quando os islandeses marcaram e ficaram com o 2º lugar do grupo, atirando-nos para o terceiro que, em termos de adversários futuros, é bastante mais simpático.
Destaque óbvio para o C. Ronaldo com dois golos e uma assistência. Mas, se calhar, era melhor alguém dizer-lhe que não é preciso estar sempre a rematar à baliza… Remates a 35 ou 40 m da baliza têm poucas hipóteses de dar em golo… É só estragação de jogo. A entrada do Renato Sanches ao intervalo mexeu (e de que maneira!) com a equipa e, por exemplo, fez com que o João Mário subisse imenso de produção. No entanto, a defesa está uma desgraça, o Ricardo Carvalho já era, o William fez figura de corpo presente no meio-campo e o Eliseu não substituiu nada bem o lesionado Raphael Guerreiro.
Como a Croácia derrotou a Espanha, iremos encontrá-la nos oitavos em vez de nuestros hermanos. A benesse dos islandeses fez com que só possamos defrontar a França, Inglaterra, Itália, Espanha ou Alemanha na final! Mas não nos deixemos enganar, se não conseguimos ganhar à Islândia, Áustria ou Hungria, não estou mesmo nada a ver como poderemos, a manter o mesmo nível exibicional, ganhar aos croatas. A não ser que a estratégia passe por ir sendo apurado sempre nos penalties até à final… Já sei que há-de vir gente falar da Itália de 82, que também teve três empates na fase de grupos e depois foi campeã do mundo, mas é impossível alguém não ficar preocupado com o que a selecção (não) tem mostrado até agora. Arriscamo-nos a sair sem honra nem glória. O que, principalmente depois do discurso do “vamos lá para ganhar o Euro”, vai parecer muito mal. Esperemos que, ao fim de três jogos, as coisas melhorem daqui para a frente.
domingo, junho 19, 2016
Portugal - 0 - Áustria - 0
Segundo jogo, segundo empate de Portugal. E lá voltamos nós à matemática do
apuramento na última jornada, contas essas que são muito fáceis: ou ganhamos ou
teremos a pior prestação de sempre em fases finais de grandes competições.
O Fernando Santos colocou o Quaresma de início, juntamente com o C. Ronaldo
e o Nani, voltando portanto ao 4-3-3, e o que é certo é que a exibição foi
melhor do que no jogo anterior. Tivemos algum azar, com duas bolas aos postes,
uma delas num penalty falhado pelo C. Ronaldo aos 79’, mas o maior problema é
que não podemos fazer quase 50 remates em dois jogos e marcar apenas um golo. Outro
aspecto que voltou a ser negativo foram as substituições: o João Mário tinha
sido dos piores frente à Islândia e foi o primeiro a sair do banco, e o Rafa só
entrou aos 88’ quando o Nani já não fazia nada há muito tempo.
Para quem chegou ao Europeu a dizer que era favorito a ganhá-lo, a coisa não
está muito famosa. Temos mais que equipa para ganhar à Hungria, mas também tínhamos
para vencer a Islândia e a Áustria. E no entanto…
quarta-feira, junho 15, 2016
Portugal - 1 - Islândia - 1
Contra muitas das expectativas, empatámos
ontem na estreia no Euro 2016 perante uma selecção que está a fazer a sua estreia nas
grandes provas internacionais. O Nani ainda nos colocou em vantagem aos 31’,
mas os islandeses empataram pouco depois do intervalo (50’) pelo Bjarnason. Entrámos
muito nervosos e, não fosse o Rui Patrício, poderíamos ter ficado a perder
ainda antes dos 10’. Lá nos recompusemos e tivemos o nosso melhor período na
última meia-hora da 1ª parte, onde, para além do golo, ainda tivemos mais uma
grande ocasião pelo C. Ronaldo depois de ser brilhantemente desmarcado pelo
Pepe. A 2ª parte foi mais fraca, sentimos muito o golo e só demos um ar da
nossa graça depois das substituições a partir dos 70’. Até final, o C. Ronaldo
teve outra grande oportunidade de cabeça, mas atirou à figura e, no último
lance da partida, rematou contra a barreira num livre muito perigoso.
Quando se deixa em Portugal um lateral
tricampeão e se coloca um extremo adaptado na lateral-direita (Vieirinha), não
se devem esperar muitos milagres. Duvido que o André Almeida não cortasse de
cabeça a bola do golo islandês… Para além disso, o Fernando Santos demorou eternidades
a fazer substituições, porque o meio-campo já não estava a funcionar bem desde
há muito tempo. Bastou entrar o Renato para ver a diferença abissal em relação
ao Moutinho, João Mário e mesmo André Gomes. Infelizmente, só esteve 20’ em
campo. Para além disso, o Quaresma também deveria ter entrado mais cedo, porque
não havia ninguém para imprimir velocidade ao nosso jogo nas alas.
Este balde de água fria teve o condão de
fazer descer à terra muito boa gente que achava que éramos favoritos de caras.
Obviamente que nada está perdido, mas um pouco de humildade nunca fez mal a
ninguém.
sexta-feira, maio 27, 2016
O balanço da época – parte II
2) A nível desportivo
Comecemos pelo início: depois de termos conseguido algo pela primeira vez em 31 anos, o bicampeonato, fizemos uma das piores pré-épocas de sempre. Algo que nunca saberemos é como teria sido o nosso arranque de temporada se não tivéssemos passado o mês de Julho e Agosto a viajar pelas Américas. Eu percebo que houvesse compromissos para serem respeitados, mas com uma (tão grande) mudança desportiva, com um treinador novo que tinha o (enorme) fantasma do outro com que lidar, estava na cara que aquele género de preparação fosse correr tudo menos bem. E o grande problema é que iríamos encontrar o antigo treinador logo na primeira competição oficial da temporada. Que naturalmente perdemos.
Aliás, aqueles primeiros meses de futebol continuaram a deixar-me muito de pé atrás. Tivemos vitórias sofridas (Estoril e Moreirense) e derrotas incríveis (Arouca), com exibições globalmente medíocres, onde só a espaços conseguíamos apresentar bons momentos (os últimos 15’ do Estoril, por exemplo), intercaladas com derrotas em jogos em que estivemos bem (Mordor) e triunfos históricos (Madrid). Tivemos durante muito tempo uma montanha-russa exibicional, mas o que é certo é que íamos ganhando jogos, mesmo em campos bastante complicados onde no passado isso não acontecia. Como, por exemplo, em Braga (com alguma dose de sorte, 0-2 aos 11’ e três bolas sofridas nos ferros) ou em Guimarães (génio do Renato Sanches a resolver a 15’ do fim). Pelo meio, tivemos a derrota traumática na Luz frente à lagartada (mas em que a reacção do público no célebre minuto 70 foi um dos despertadores da época), a eliminação da Taça e a partida em que eu pensei que tínhamos entregue a época. Percebo muito disto…! Felizmente!
Devo dizer que o primeiro jogo do Benfica que me encheu as medidas em termos exibicionais foi o da Choupana frente ao Nacional. Já tínhamos tido algumas goleadas, mas em termos de futebol foi o primeiro a ser brilhante. A partir especialmente daí, entrámos na nossa melhor fase, com resultados convincentes, aliados a grandes exibições (Moreira de Cónegos e Belém, por exemplo). A equipa subia nitidamente de rendimento e, mais importante do que isso, de confiança, caso contrário aquela derrota injusta com o CRAC na Luz ter-nos-ia deitado abaixo. Outra questão que ajudou ao aumento dessa confiança foi a Champions, especialmente o facto de termos de termos eliminado o Hulk, Witsel, Garay, Javi García & Cia. com duas vitórias, tendo a da Rússia sido conseguida com Lindelof e Samaris como centrais(!), e os dois magníficos jogos frente ao Bayern (empatámos na Luz sem Gaitán, Jonas e Mitroglou!). No meio da eliminatória contra os russos, tivemos a vitória mais importante de todas, aquela que bem vistas as coisas foi essencial para o tri. Como se disse, podemos não ganhar os derbies todos, desde que ganhemos o certo! (Aliás, a bem da sã convivência, assim fica tudo contente: daqui a 20 anos, eles vão recordar e celebrar as três vitórias que tiveram sobre nós, tal como ainda fazem hoje em dia com os 7-1 em ano de dobradinha para os nossos lados, e nós faremos o mesmo por causa do tricampeonato. Cada clube celebra aquilo que é mais importante para ele.)
Depois do Bayern, a equipa pareceu mais cansada, mas aí valeu-lhe o coração: triunfos muito sofridos no Bessa (especialmente), Coimbra e Vila do Conde, e em casa frente aos dois Vitórias. Valeu-lhe o coração e valemos-lhe nós, o verdadeiro “colinho” como jogadores e técnicos se fartaram de reconhecer durante e no final da época.
Houve obviamente vitórias dentro do campo muito importantes, por diferentes razões (Braga, Estoril, WC e Bessa, por exemplo), mas um dos momentos-chave da época para mim foram as inacreditáveis declarações do Jesus acerca do Rui Vitória (a história do “não o qualifico como treinador”, “não sabe conduzir um Ferrari”, etc.). A partir daí, acabou-se o meu luto pelo anterior treinador. Há limites que não podem ser ultrapassados e o Jesus, ao ultrapassá-los, perdeu o respeito que ainda subsistia em alguns benfiquistas por ele. As declarações são inclassificáveis sob todos os pontos de vistas: um ataque nojento e desmedido a um colega de profissão, ao treinador do Benfica e, no limite, a nós, benfiquistas. Não deixa de ser significativo que, na sequência disso, o toque a reunir da equipa e dos adeptos, que já era forte (volte a lembrar-se o minuto 70), se tenha tornado inquebrável. Estávamos juntos.
Olhando exclusivamente para o futebol jogado pelas equipas do Benfica nos últimos anos, o do Jesus até pode ter sido mais espectacular (a célebre nota artística), mas é difícil preferi-lo a ele quando temos o recorde de pontos, recorde de golos e recorde de vitórias esta temporada (para além do melhor marcador e da segunda melhor defesa). E depois, há outra coisa que é secundária para mim (porque o que fica para a história são os títulos), mas que para quem vive as situações no presente sabe muito bem: temos um treinador civilizado, que tem nível, que diz sempre “nós”, e que sabe que o Benfica já era grande sem ele e vai continuar a ser grande quando ele sair. Como se diz, e estou completamente de acordo, agora ganhamos à Benfica: no campo e na atitude. Para além disso, o Rui Vitória é muito melhor treinador do que eu estava à espera. Fomos campeões alinhando nos últimos três meses da época com o ex-guarda-redes do Rio Ave, um suplente do ano passado, um ex-central da equipa B, um ex-jogador do Olhanense e o… Eliseu! Basta só comparar com a defesa titular do primeiro ano do tricampeonato (Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Garay e Siqueira) para se ver a diferença… Se isto não demonstra qualidade do treinador, não sei o que a demonstrará…! E já para não falar na coragem de apostar no Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Lindelof e Renato Sanches. Mesmo que alguns deles não tenham sido titulares durante a época toda, sempre foram mais importantes e úteis do que um Patrick, um Djaló, um Sidnei ou um Felipe Menezes, não…?
Foi um ano inesquecível e um dos títulos mais saborosos que tivemos. Não só por ter sido um tricampeonato histórico, como principalmente por causa de todas as condicionantes que tivemos. Muito obrigado a todos os que tornaram isto possível, com especial ênfase ao Luís Filipe Vieira e ao Rui Vitória!
Comecemos pelo início: depois de termos conseguido algo pela primeira vez em 31 anos, o bicampeonato, fizemos uma das piores pré-épocas de sempre. Algo que nunca saberemos é como teria sido o nosso arranque de temporada se não tivéssemos passado o mês de Julho e Agosto a viajar pelas Américas. Eu percebo que houvesse compromissos para serem respeitados, mas com uma (tão grande) mudança desportiva, com um treinador novo que tinha o (enorme) fantasma do outro com que lidar, estava na cara que aquele género de preparação fosse correr tudo menos bem. E o grande problema é que iríamos encontrar o antigo treinador logo na primeira competição oficial da temporada. Que naturalmente perdemos.
Aliás, aqueles primeiros meses de futebol continuaram a deixar-me muito de pé atrás. Tivemos vitórias sofridas (Estoril e Moreirense) e derrotas incríveis (Arouca), com exibições globalmente medíocres, onde só a espaços conseguíamos apresentar bons momentos (os últimos 15’ do Estoril, por exemplo), intercaladas com derrotas em jogos em que estivemos bem (Mordor) e triunfos históricos (Madrid). Tivemos durante muito tempo uma montanha-russa exibicional, mas o que é certo é que íamos ganhando jogos, mesmo em campos bastante complicados onde no passado isso não acontecia. Como, por exemplo, em Braga (com alguma dose de sorte, 0-2 aos 11’ e três bolas sofridas nos ferros) ou em Guimarães (génio do Renato Sanches a resolver a 15’ do fim). Pelo meio, tivemos a derrota traumática na Luz frente à lagartada (mas em que a reacção do público no célebre minuto 70 foi um dos despertadores da época), a eliminação da Taça e a partida em que eu pensei que tínhamos entregue a época. Percebo muito disto…! Felizmente!
Devo dizer que o primeiro jogo do Benfica que me encheu as medidas em termos exibicionais foi o da Choupana frente ao Nacional. Já tínhamos tido algumas goleadas, mas em termos de futebol foi o primeiro a ser brilhante. A partir especialmente daí, entrámos na nossa melhor fase, com resultados convincentes, aliados a grandes exibições (Moreira de Cónegos e Belém, por exemplo). A equipa subia nitidamente de rendimento e, mais importante do que isso, de confiança, caso contrário aquela derrota injusta com o CRAC na Luz ter-nos-ia deitado abaixo. Outra questão que ajudou ao aumento dessa confiança foi a Champions, especialmente o facto de termos de termos eliminado o Hulk, Witsel, Garay, Javi García & Cia. com duas vitórias, tendo a da Rússia sido conseguida com Lindelof e Samaris como centrais(!), e os dois magníficos jogos frente ao Bayern (empatámos na Luz sem Gaitán, Jonas e Mitroglou!). No meio da eliminatória contra os russos, tivemos a vitória mais importante de todas, aquela que bem vistas as coisas foi essencial para o tri. Como se disse, podemos não ganhar os derbies todos, desde que ganhemos o certo! (Aliás, a bem da sã convivência, assim fica tudo contente: daqui a 20 anos, eles vão recordar e celebrar as três vitórias que tiveram sobre nós, tal como ainda fazem hoje em dia com os 7-1 em ano de dobradinha para os nossos lados, e nós faremos o mesmo por causa do tricampeonato. Cada clube celebra aquilo que é mais importante para ele.)
Depois do Bayern, a equipa pareceu mais cansada, mas aí valeu-lhe o coração: triunfos muito sofridos no Bessa (especialmente), Coimbra e Vila do Conde, e em casa frente aos dois Vitórias. Valeu-lhe o coração e valemos-lhe nós, o verdadeiro “colinho” como jogadores e técnicos se fartaram de reconhecer durante e no final da época.
Houve obviamente vitórias dentro do campo muito importantes, por diferentes razões (Braga, Estoril, WC e Bessa, por exemplo), mas um dos momentos-chave da época para mim foram as inacreditáveis declarações do Jesus acerca do Rui Vitória (a história do “não o qualifico como treinador”, “não sabe conduzir um Ferrari”, etc.). A partir daí, acabou-se o meu luto pelo anterior treinador. Há limites que não podem ser ultrapassados e o Jesus, ao ultrapassá-los, perdeu o respeito que ainda subsistia em alguns benfiquistas por ele. As declarações são inclassificáveis sob todos os pontos de vistas: um ataque nojento e desmedido a um colega de profissão, ao treinador do Benfica e, no limite, a nós, benfiquistas. Não deixa de ser significativo que, na sequência disso, o toque a reunir da equipa e dos adeptos, que já era forte (volte a lembrar-se o minuto 70), se tenha tornado inquebrável. Estávamos juntos.
Olhando exclusivamente para o futebol jogado pelas equipas do Benfica nos últimos anos, o do Jesus até pode ter sido mais espectacular (a célebre nota artística), mas é difícil preferi-lo a ele quando temos o recorde de pontos, recorde de golos e recorde de vitórias esta temporada (para além do melhor marcador e da segunda melhor defesa). E depois, há outra coisa que é secundária para mim (porque o que fica para a história são os títulos), mas que para quem vive as situações no presente sabe muito bem: temos um treinador civilizado, que tem nível, que diz sempre “nós”, e que sabe que o Benfica já era grande sem ele e vai continuar a ser grande quando ele sair. Como se diz, e estou completamente de acordo, agora ganhamos à Benfica: no campo e na atitude. Para além disso, o Rui Vitória é muito melhor treinador do que eu estava à espera. Fomos campeões alinhando nos últimos três meses da época com o ex-guarda-redes do Rio Ave, um suplente do ano passado, um ex-central da equipa B, um ex-jogador do Olhanense e o… Eliseu! Basta só comparar com a defesa titular do primeiro ano do tricampeonato (Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Garay e Siqueira) para se ver a diferença… Se isto não demonstra qualidade do treinador, não sei o que a demonstrará…! E já para não falar na coragem de apostar no Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Lindelof e Renato Sanches. Mesmo que alguns deles não tenham sido titulares durante a época toda, sempre foram mais importantes e úteis do que um Patrick, um Djaló, um Sidnei ou um Felipe Menezes, não…?
Foi um ano inesquecível e um dos títulos mais saborosos que tivemos. Não só por ter sido um tricampeonato histórico, como principalmente por causa de todas as condicionantes que tivemos. Muito obrigado a todos os que tornaram isto possível, com especial ênfase ao Luís Filipe Vieira e ao Rui Vitória!
VIVA O BENFICA!
* Publicado em
simultâneo com a Tertúlia
Benfiquista.
terça-feira, maio 24, 2016
O balanço da época – parte I
O prometido é devido e cá está o post a fazer o balanço final da época. Como
isto ia ficar quilométrico, resolvi excepcionalmente dividi-lo em dois: balanço a nível
pessoal e balanço a nível desportivo.
1) A nível pessoal
Uma das pessoas mais brilhantes deste país já disse muito daquilo que eu queria dizer. Para quem esteve em Marte e ainda não viu, cá está:
Uma das pessoas mais brilhantes deste país já disse muito daquilo que eu queria dizer. Para quem esteve em Marte e ainda não viu, cá está:
De tudo o que o grande RAP disse (incluindo obviamente o tom em que o disse), eu só alteraria uma coisa: no meu caso, não é a saúde das miúdas, é a saúde dos miúdos. Tudo o resto subscrevo integralmente.
Também eu deixei muito claro (uma e outra vez) que, se ganhássemos o campeonato, teria “todo o gosto em vir aqui no final da época dizer que eu afinal não percebo nada disto e que sou um idiota por não ter acreditado nos tricampeões.” Pois bem, eu sou um IDIOTA porque não acreditei (absolutamente NADA) que pudéssemos ser tricampeões! Quem se satisfizer com esta explicação (aliás, completamente verdadeira), pode ficar por aqui.
Também eu deixei muito claro (uma e outra vez) que, se ganhássemos o campeonato, teria “todo o gosto em vir aqui no final da época dizer que eu afinal não percebo nada disto e que sou um idiota por não ter acreditado nos tricampeões.” Pois bem, eu sou um IDIOTA porque não acreditei (absolutamente NADA) que pudéssemos ser tricampeões! Quem se satisfizer com esta explicação (aliás, completamente verdadeira), pode ficar por aqui.
Para todos vocês, os cinco, que não se satisfizeram, continuarei. O facto
de eu me assumir como idiota, não faz com que me arrependa do que escrevi (um
leitor perguntou por este,
este
e ambos os posts do parágrafo anterior, e eu
ainda acrescento este
e este).
Incoerência? Talvez não. Porque eu posso ter muitos defeitos, mas assumo sempre
tudo o que escrevo e detesto quem reescreve ou oculta propositadamente a
história para favorecer um determinado argumento. São ridículos aqueles posts à luz de hoje? Claro que sim!
Eram-no na altura? Claro que não! A não ser por quem não tem espírito crítico
ou tinha uma fé incomensurável fundada… em coisa nenhuma! Quantas pessoas,
depois do empate na Choupana frente ao União, seriam capazes de apostar que
iríamos ganhar 20 dos 21 jogos seguintes…?! Pois…! Meus caros leitores, é muito
mais fácil fazer o Totobola à 2ª feira ou nunca expressar opiniões vinculativas
para não sermos apanhados na curva. Mas eu não fui, não sou e jamais serei
assim. Não é por um qualquer Patrick ou Pesaresi vestir a camisola do Benfica
que se torna imediatamente no melhor lateral do mundo. Eu não sou abutre, mas
também não sou foca. Critico quando acho que tenho que criticar e elogio quando
acho que tenho de elogiar. Nunca tive feitio para defender publicamente aquilo em
que não acredito. Pode ser um grande defeito no mundo contemporâneo, mas é como
eu sou. Só defendo com unhas e dentes aquilo em que acredito profundamente e já
estou velho demais para mudar. Agora, se me garantirem que, se eu fizer figura
de idiota, ganharemos o campeonato todos os anos, vamos lá embora a isso, então: o Paulo Almeida foi indiscutivelmente um dos melhores trincos que passaram
pelo campeonato português!
Não, o RAP sabe que não estava
sozinho. Eu também não via mesmo luz nenhuma ao fundo do túnel
desta época. Manifestei-o publicamente e não me arrependo de o ter feito.
Arrepender-me-ia é se tivesse estado na posição confortável de nada dizer ou de
fingir que a pré-época era ‘apenas’ a pré-época ou que chegar à 8ª jornada com
quatro vitórias e três derrotas era ‘normal’ em período de transição. E porque
é que me arrependeria? Porque, caros leitores, citando o grande RAP, estamos a falar da minha vida! Tal como ele
diz, não se trata de querer ou desejar que o Benfica ganhe: trata-se de
PRECISAR que o Benfica ganhe. Porque muita da minha vida está organizada à
volta do Benfica e, se o Benfica não ganhar, ela nunca fará sentido na
totalidade. Digo-vos sinceramente que eu poderia estar com o Euromilhões ganho que,
se estivéssemos a fazer uma época tal como as dos finais dos anos 90, eu não
estaria nada realizado. Acredite quem quiser, mas quem me conhece sabe bem que
é verdade. Eu não pretendo evangelizar, nem ser modelo para ninguém, mas também ninguém me dá lições
de benfiquismo. Não sou menos benfiquista por criticar, nem mais benfiquista
por apoiar as decisões de quem representa o Benfica. E, por muito que até possam merecer, também não passo cheques em branco a ninguém. Se eu critico decisões que dirigentes, treinador e/ou jogadores do
Benfica tomam, é porque acho que aquele não é o melhor caminho para o sucesso.
FELIZMENTE que me engano às vezes (não sou como o outro que nunca se enganava e
raramente tinha dúvidas…). No entanto, tal como referiu igualmente o RAP, o princípio que motivou as minhas críticas no
início da época estava errado. E continua a estar hoje: em teoria, não se deixa
ir para o rival um treinador bicampeão. No fundo bem fundo, isso sempre me pareceu (e ainda continua a parecer) que era o presidente Luís Filipe Vieira a querer provar a toda a gente que poderia ganhar sem o Jorge Jesus. E AINDA BEM(!) que o conseguiu e que tudo correu ao contrário
da teoria (também com a ajuda do próprio Jesus,
mas isso fica para a segunda parte deste post),
porém isso só aconteceu porque fizemos história. Nunca uma equipa campeã tinha
feito tantos pontos num campeonato, nunca tinha marcado tantos golos e,
principalmente, nunca tinha recuperado de uma desvantagem de sete pontos à 13ª
jornada. Está explicada a razão pela qual a prática superou a teoria. Teve de
haver história. E, graças a Eusébio, que houve! E, como houve, o mérito do LFV é total e é ele o principal responsável por este título, porque tenho a certeza que houve alturas em que ele era mesmo o único a acreditar que isto seria possível.
Dos 338 jogos (oficiais e particulares) que se disputaram na nova Luz desde que foi
inaugurada, eu faltei a dois (este
e este),
já fiz pausas
em casamentos, o jantar do 89º aniversário da minha avó teve de ser adiado
por um dia, a celebração de um aniversário da minha mulher teve de ser ao
almoço, porque ao jantar
não podia ser, o segundo aniversário de um dos miúdos teve de ser lanche
ajantarado, porque à tarde
era impossível. Estes factos não servem para mostrar que sou mais benfiquista
do que o próximo, porque comparações de benfiquismos sempre me pareceram muito estúpidas. A maioria de nós faz coisas pelo Glorioso que
(incompreensivelmente) muitas pessoas não acham “normal”. Se eu conto isto, é
para que se perceba que o Benfica não é uma brincadeira para mim. Eu levo isto
muito a sério e, por consequência, ganhar ou não ganhar não é indiferente. Eu
nunca gozo com amigos dos rivais no momento em que perdem, porque não admito
que eles gozem comigo em caso inverso. Isso fazem todos aqueles que levam isto
na desportiva. Eu não levo, portanto nenhum amigo tem sequer a veleidade de
começar esse tipo de conversa comigo. Tendo o Benfica a importância que tem na minha vida, eu não o consigo viver sem paixão. E isso faz com que eu não me
consiga calar quando acho que as coisas estão a ir por maus caminhos ou que
estamos na iminência de cometer erros. Históricos ou não.
No entanto (e termino esta primeira – e longa - parte deste post, tal como
a comecei), ainda bem que eu sou um idiota e que me enganei!
segunda-feira, maio 23, 2016
Carta aberta a Maxi Pereira

Falhaste ontem um penalty que acabou por ser decisivo para a vitória do
Braga na final da Taça. Neste momento, certamente difícil para ti, há muitos
benfiquistas que estão a gozar-te por isso. Devo dizer-te que não me
revejo nada nessa atitude. Sempre te admirei e deste-me muitas alegrias durante
oito anos. Não percebo que haja benfiquistas que, não só se esqueçam disso,
como, MAIS IMPORTANTE QUE TUDO,
não te agradeçam por nos continuares a dar alegrias! Posso ter muitos defeitos,
mas a falta de gratidão não é um deles, portanto deixa-me dizer-te do fundo do
meu coração bem vermelho: muito obrigado, Maxi! Um grande bem-haja para ti!
Um abraço sentido de um tricampeão e continua a sentir-te “valorizado”
porque isso é o mais importante.
S.L.B.
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