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segunda-feira, julho 16, 2018

Empate

Vencemos na passada 6ª feira o Torneio Internacional do Sado ao empatar com o V. Setúbal por 1-1. Foi uma partida já com cheirinho a campeonato, dado que o V. Setúbal mostrou ser muito apreciador das canelas dos nossos jogadores. Mesmo assim, devido à melhor diferença de golos, acabámos por ganhar o torneio.

A 1ª parte foi totalmente nossa e marcámos o golo aos 33’ através do Ferreyra, num excelente golpe de cabeça a centro do Pizzi na direita. Mais uma vez, o Gedson destacou-se na posição oito, porque cada vez que pegava na bola empurrava a equipa para a frente, a fazer lembrar o Renato Sanches quando começou. Talvez por isso mesmo, foi dos mais castigados pelo adversário, com especial destaque pela negativa para o Semedo que, caso o jogo fosse oficial, seria um escândalo se o tivesse acabado. A movimentação do Ferreyra no golo é fantástica e também nos deixa água no bico para a parceira que se avizinha com o Jonas.

Na 2ª parte, baixámos muito o nível com as substituições e sofremos o empate aos 53’ através do Vasco Fernandes, na sequência de um livre para a área. Bola no ar ganha por duas vezes pelo V. Setúbal e o Bruno Varela, entretanto entrado, já se sabe que as bolas aéreas não são de todo a sua especialidade. Há que dizer, no entanto, que a defesa também ficou a dormir.

A partir de agora, os jogos terão um novo grau de dificuldade com a participação na International Champions Cup: Sevilha, Borussia Dortmund e Juventus dar-nos-ão uma imagem mais real sobre o que vale a equipa neste momento.

quarta-feira, julho 11, 2018

Primeiro jogo

Vencemos os sérvios do Napredak por 3-0 no Torneio Internacional do Sado, naquela que foi a estreia da nova época 2018/19. É sempre bom começar com uma vitória, apesar de o adversário não ter dado grande réplica, mas mesmo assim era uma equipa profissional da I Divisão sérvia. Os golos foram todos marcados na 1ª parte pelo Castillo, num remate cruzado ao ângulo inferior esquerdo da baliza, e um bis de cabeça do Jardel.

Antes de tudo o resto, quem é que se lembra de marcar um jogo do Benfica à mesma hora de uma meia-final do campeonato do Mundo?! Se nos tivéssemos qualificado, até poderia ser Portugal a jogar! Que raio de planificação é esta?! Por outro lado, desde há algum tempo que relativizo bastante estes jogos de pré-temporada, porque já me levaram a pensar que o Djuricic era um digno sucessor da camisola 10 do Aimar (cruzes, credo!) e a duas pré-épocas miseráveis sucederam o bi e o tricampeonato. Portanto, vamos lá colocar as coisas na perspectiva devida.

O Rui Vitória utilizou duas equipas totalmente diferentes em ambas as partes. Na que iniciou o jogo, deu para ver que o Castillo parece ser de remate fácil (o golo que marcou foi muito bom) e que o João Félix tem toque de bola, mas ainda não estará no ponto para a equipa principal. Na da 2ª parte, o Alfa Semedo é um todo-o-terreno, mas perdeu algumas vezes a posição, o Heriberto é muito rápido, todavia tem muita concorrência na frente e não deverá ter espaço no plantel, e o Yuri Ribeiro assustou-me um pouco com erros básicos de domínio e posse de bola.

Na próxima 6ª feira, defrontaremos o V. Setúbal para o mesmo torneio e dará certamente para tirar mais algumas ilações. De qualquer maneira, não temos muito tempo para experiências, porque Agosto vai ser terrível em termos de exigência competitiva.

terça-feira, julho 03, 2018

Uruguai - 2 - Portugal - 1

E, pronto, os campeões da Europa ficaram pelos oitavos-de-final do Mundial 2018 ao serem eliminados pelos uruguaios no passado sábado. Já se sabia que íamos defrontar uma selecção muito difícil (ainda não tinha sofrido golos em 2018), com uma das melhores (senão mesmo a melhor) duplas de avançados do mundo, Suárez e Cavani, pelo que o resultado não nos pode espantar. Mesmo assim, teremos feito a nossa melhor exibição deste Mundial (embora as más línguas tenham dito que talvez fosse esse o problema...!).

Entrámos praticamente a perder com um grande golo do Cavani (faz um movimento com a cabeça, mas parece que a bola lhe bate no peito) a centro do Suárez logo aos 7’. Antes disso, o Cristiano Ronaldo tinha feito um bom remate de primeira, mas à figura do Muslera, mas até ao intervalo foi um livre do Suárez, que passou pelo meio da barreira, a criar maior perigo, com uma boa defesa do Rui Patrício. Na 2ª parte, empatámos relativamente cedo (55’), com uma cabeçada do Pepe a centro do Raphael Guerreiro na sequência de um canto. No entanto, não conseguimos usufruir dessa vantagem por muito tempo, com o 1-2 do Cavani (novamente num golão) a aparecer aos 62’: o Pepe falha a intercepção num pontapé vindo do guarda-redes e o Bentancur assiste o Cavani, desta feita para um remate em arco. Até final, a nossa melhor oportunidade foi um remate do Bernardo Silva por cima, numa recarga, a uma saída em falso do Muslera.

O Bernardo Silva, apesar deste lance em que poderia ter feito melhor, foi de longe o nosso jogador em maior destaque, porque era o único que conseguia transportar a bola com qualidade. O Gonçalo Guedes voltou à titularidade, mas esteve novamente muito abaixo da sua valia. Os centrais (Pepe e Fonte) fizeram um bom jogo, assim como o Raphael Guerreiro. Ao invés, o Cristiano Ronaldo passou relativamente ao lado da partida, mas ainda conseguiu fazer uma enorme idiotice perto do final, ao ver um amarelo por protestos (injustificados, ainda por cima), que o tiraria do jogo frente à França, nos quartos-de-final, se por acaso tivéssemos uma sorte descomunal e marcássemos em cima do apito (ou se o árbitro fosse como o Capela e dissesse 3’, mas desse 8’ de compensação...).

Foi uma prestação da selecção nacional que soube a pouco, principalmente por causa daquele jogo frente ao Irão. Se, em vez de termos jogado para manter a vantagem mínima na 2ª parte, a tivéssemos tentado ampliar, teríamos conseguido o 1º lugar do grupo e ficaríamos no lado bom do quadro, onde em vez de Uruguai, Brasil ou França, teríamos Rússia, Croácia ou Colômbia/Inglaterra. Exactamente o que nos aconteceu no Euro 2016, que teve o resultado que teve.

quarta-feira, junho 27, 2018

Irão - 1 - Portugal - 1

Empatámos com o Irão na passada 2ª feira e qualificámo-nos para os oitavos-de-final do Mundial de 2018. O objectivo mínimo foi cumprido, apesar de não ter tido brilhantismo nenhum. Como a Espanha empatou 2-2 com Marrocos, ficámos em igualdade pontual, mas no 2º lugar por termos menos um golo marcado do que eles.

Com o Fernando Santos a optar pelo Quaresma, Adrien e André Silva, em vez do Bernardo Silva, Moutinho e Gonçalo Guedes, até começámos bem a partida. O Irão voltou a revelar as virtudes dos jogos anteriores, embora nos primeiros minutos tenha tremido um pouco. No entanto, nós não aproveitámos essa tremedeira e, quando já se pensava que o intervalo chegaria com o nulo, o Quaresma tirou uma trivela da cartola e marcou um golão aos 45’. Como a Espanha estava empatada com Marrocos, estávamos provisoriamente no 1º lugar, o que faria com que defrontássemos a Rússia na fase seguinte.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor, com o árbitro a ir ao VAR para assinalar um evidente penalty sobre o Cristiano Ronaldo aos 53’. No entanto, o capitão de Portugal não se concentrou minimamente antes da marcação, olhou para todo o lado e mais algum (comparem estas imagens com as de antes de marcar o livre frente à Espanha e vejam as diferenças...), e como seria de prever permitiu a defesa ao guarda-redes. Este lance teve o condão de entusiasmar os iranianos, enquanto a nossa exibição a partir daí fez-me recordar porque é que eu não gostei nada do Fernando Santos como treinador do Benfica: em vez de aproveitar o natural adiantamento do adversário para dar o golpe de misericórdia, cada vez que passávamos do meio-campo baixávamos o ritmo, jogávamos para o lado e para trás na tentativa (que me tira sempre dos nervos) de “controlar o jogo” (lembram-se?). Claro que seria previsível o que acabou por acontecer: o golo do Irão num penalty de VAR por pretensa mão do Cédric (por acaso, até acho que não foi...) aos 93’. Até final do tempo de compensação, só não fomos borda fora, porque só um avançado do Irão (ou do Panamá ou da Arábia Saudita) é que atiraria à malha lateral quando estava sozinho perante o Rui Patrício. Só para terem noção, terminei o jogo num estado de nervos semelhante ao de um Benfica-Leixões para a Taça da Liga...!

Como a Espanha também marcou perto do fim e salvou-se de uma derrota perante Marrocos, que entretanto se tinha colocado em vantagem, perdemos o 1º lugar e iremos agora defrontar o Uruguai do Suarez e Cavani nos oitavos. Ou seja, por culpa própria, iremos enfrentar um adversário bem mais poderoso do que a Rússia. Caso continuemos a jogar desta maneira, é bom que a Nossa Senhora de Fátima esteja em óptima forma, porque senão não se está bem a ver como poderemos seguir em frente...

sexta-feira, junho 22, 2018

Portugal - 1 - Marrocos - 0

Vencemos Marrocos na 4ª feira e estamos a um ponto de nos qualificarmos para os oitavos-de-final do Mundial 2018. Um golo do Cristiano Ronaldo logo aos 4’, numa excelente entrada de cabeça a um canto curto do João Moutinho, resolveu a partida. E, pronto, o aspecto positivo resume-se a isto. A partir daqui, assistimos a uma cópia do que se passou na estreia, com o pequeno pormenor de Marrocos estar muito longe da valia dos espanhóis. Mas nunca conseguimos ter bola e os dedos de uma mão chegam e sobram para contar as nossas oportunidades. Não fosse o Rui Patrício ter efectuado um par de óptimas defesas e o Benatia, central da Juventus, ter revelado igual dose de aselhice e estaríamos aqui a lamentar pontos perdidos.

Como a Espanha também ganhou por 1-0 ao muro do Irão, estamos igualados com eles e só em desvantagem por um cartão amarelo. A partida frente aos iranianos irá decidir a nossa sorte no Mundial, mas seria escandaloso se não nos qualificássemos. É certo que fomos campeões da Europa a jogar um futebol muito sofrível, mas convinha que mostrássemos um pouco mais neste mundial, porque estar à espera de dois milagres consecutivos talvez seja abusar um pouco, não...?

segunda-feira, junho 18, 2018

Portugal - 3 - Espanha - 3

Estreámo-nos no Mundial 2018 na 6ª feira passada, com um empate (3-3) frente a uma das melhores selecções do mundo. Apesar de sermos os campeões europeus em título, não perder numa grande competição contra uma das mais fortes candidatas ao troféu é sempre um excelente resultado. Ainda para mais, mediante tudo o que se passou no jogo.

Entrámos bem com um penalty sobre o Cristiano Ronaldo (bem ganho por este) logo aos 4’, que o próprio converteu sem hipóteses para o De Gea. A Espanha desconcentrou-se um pouco, mas depois começou a ter muita bola e nós nem vê-la. Mesmo assim, conseguimos meter dois contra-ataques muito perigosos, que o Gonçalo Guedes não teve arte para concretizar. Aos 24’, o Diego Costa atingiu com o braço o Pepe, nem o árbitro nem o VAR assinalaram nada, e na jogada fez a igualdade com um excelente trabalho perante dois dos nossos defesas. A Espanha pressionava-nos de tal modo que mal passámos do meio-campo, atirou uma bola ao poste que bateu em cima da linha, mas a um minuto do intervalo o De Gea resolveu dar um frango descomunal num remate à figura do C. Ronaldo. Um pouco sem saber como, íamos para o intervalo em vantagem.

Na 2ª parte, em menos de 15’ a Espanha deu a volta ao jogo: primeiro, num livre para a nossa área aos 55’, assistência de cabeça para o Diego Costa bisar muito perto da baliza; três minutos depois, um remate de ressaca de fora da área do Nacho, que bateu num dos postes e entrou. A partir daqui, a Espanha fez o que nós tentámos fazer quando estivemos em vantagem, mas muito melhor: baixou o ritmo, trocou a bola e controlou o jogo. No entanto, cometeu a imprevidência de fazer uma falta perto da área aos 88’. E o C. Ronaldo não perdeu a oportunidade de assegurar ainda mais o seu lugar no Olimpo do futebol com um livre perfeito ao canto superior direito da baliza, a pregar o De Gea ao relvado. Que golão!

Assegurávamos assim um empate saboroso, mesmo que um pouco lisonjeiro. Mas estamos num Mundial e todos nos lembramos como o Euro 2016 foi ganho: isto não é para a nota artística. No outro jogo do grupo, o Irão (apesar de ser treinado pelo Carlos Queiroz...) ganhou 1-0 a Marrocos no último minuto através de um autogolo. O que torna o nosso próximo jogo, frente aos marroquinos, muito importante para eles. Todo o cuidado é pouco, até porque, pelo que se tem visto neste Mundial, os favoritos não têm tido a vida nada fácil: a França só ganhou à Austrália a 10’ do fim com um autogolo, a Argentina empatou com a Islândia, o Brasil com a Suíça, e a Alemanha perdeu com o México!

sexta-feira, junho 15, 2018

Carta aberta à Sport TV - "Abaixo Ver a Bola, Queremos Mais Rodapés!"

Cara Sport TV,

Isto é uma situação que já acontece há algum tempo, mas agora atingiu provavelmente um ponto máximo com o Mundial 2018 e por isso tomo a liberdade de vos enviar esta carta aberta.

Vejam lá que coisa estranha, mas há pessoas que, quando vêem o resumo de um jogo de futebol, gostam de ver... a bola! É uma mania lá delas, mas também há malucos para tudo...! De tal modo que não compreendem o verdadeiro serviço público que vocês fazem de fornecer todo um leque de informações (que não podem MESMO deixar de ser dadas durante os longos três minutos do resumo) muito mais importantes do que ver... a bola! Pessoas incultas que não percebem que os ecrãs 16:9 foram inventados não para vermos mais imagem, mas obviamente para vermos mais... rodapés! Para quê mostrar o resultado final e os marcadores dos golos só no início e/ou no fim do resumo, quando os podemos ver em letras GARRAFAIS durante o tempo todo, não vá uma pessoa ser de compreensão lenta e ter de demorar três minutos a ler essa informação...?! Como não dar valor a esse assunto fundamental no jogo de ontem que foi o facto de o Ignashevich ser, com 38 anos, o jogador mais velho a representar a Rússia num Mundial...?! Até qu’enfim! Isso, sim, é algo sem o qual a nossa vida estaria incompleta e que merece que o saibamos em vez de vermos esse pormenor de somenos importância num jogo (e, neste caso, em dois dos lances de golo) que é... a bola!

Se me permitem, tenho uma sugestão: em vez de ocuparem somente 25%(!) do ecrã com a informação dos rodapés (sim, eu medi!), não se acanhem e ocupem os restantes 75% da imagem com outras notícias em rodapé. Vamos ocupar a totalidade do ecrã com rodapés, porque durante um resumo de futebol o espectador quer é ver todo um leque de informações e não essa minudência que é ver... a bola! Aliás, espero que se juntem a mim no movimento que estou a criar intitulado: ABAIXO VER A BOLA, QUEREMOS MAIS RODAPÉS!

Em baixo, podem ver onze exemplos do que eu estou a dizer. Os primeiros sete são em relação ao jogo de ontem, entre a Rússia e a Arábia Saudita:

- Em seis deles, podemos sempre brincar ao “Onde Está o Wally?” com a bola (e só o segundo não é um dos lances de golo).







- No sétimo, a locução diz que pode ter havido uma falta no salto no primeiro golo, mas é sempre melhor saber quem marcou os golos do que ver os braços do jogador...


Os restantes quatro são de jogos de campeonatos europeus desta época:

- Para quê ver se, em jogadas de possível penalty, um jogador toca efectivamente no outro ou não...?!



- Para quê ver se existe mesmo fora-de-jogo, quando podemos nem sequer ver o jogador...?! (Este é um dos meus favoritos, ou não fosse jogar às escondidas uma das minhas actividades preferidas quando era miúdo!)


- Para quê tirar dúvidas sobre uma pisadela que levou a uma expulsão, quando há todo um nome do programa para se saber...?!


Esperando que acolham com interesse esta sugestão e tornem realidade este meu sonho de ver 100% do ecrã preenchido com rodapés, despeço-me agradecendo antecipadamente a vossa atenção. 

Com os meus mais respeitosos cumprimentos,

Sérgio

segunda-feira, maio 28, 2018

Balanço da época

Tal como tinha prometido, e antes que eu feche para obras durante um mês com o Mundial de futebol, cá vai o post sobre o rescaldo da temporada que agora findou. Pode resumir-se numa única palavra: desilusão! Depois de um tetra inédito, e quando tínhamos oportunidade de igualar o único recorde relevante do futebol português que ainda não nos pertence, achámos que conseguíamos ganhar o penta “sem mãos e sem pés” e acabámos naturalmente “sem dentes” como na anedota da bicicleta. Mais: tivemos a pior prestação de uma equipa portuguesa e de uma equipa vinda do pote 1 na Champions (seis jogos, seis derrotas, 1-14 golos!), a nossa pior participação de sempre na Taça da Liga (pela 1ª vez, desde que há fase de grupos, não chegámos às meias-finais, e não conseguimos sequer ganhar um jogo!) e fomos precocemente eliminados nos oitavos-de-final da Taça de Portugal em Vila do Conde. Ou seja, chegámos a Janeiro só a disputar o campeonato. Tínhamos de o ganhar para tornar esta época positiva. Não aconteceu. Logo, foi péssima!

Fazendo uma retrospectiva da temporada, é fácil ver que as coisas começaram mal logo na pré-época com derrotas humilhantes frente ao Young Boys e nova participação lamentável na Emirates Cup. Dir-me-ão: “claro que sim, só que no passado também fizemos péssimas pré-temporadas e depois fomos campeões”. Certo, porém... tínhamos um plantel melhor! Na altura dessas derrotas, estávamos um pouco apreensivos, mas com esta experiência passada muitos de nós pensámos que seria repetível. E a temporada oficial até começou bem com a vitória na Supertaça frente ao V. Guimarães e uma 1ª jornada com uma muito agradável exibição e triunfo contra o Braga. Todavia, a partir da 4ª jornada, com o empate em Vila do Conde, as coisas começaram a descambar em termos exibicionais e de resultados. Estamos a falar do início do Setembro e, nas provas todas, isto durou até... Janeiro! Não colmatámos devidamente as saídas do Ederson, Nélson Semedo e Mitroglou (só o Rúben Dias fez esquecer o Lindelof), havia jogadores-chave da época passada em muito má forma (o caso mais evidente foi o do Pizzi) e o Rui Vitória insistiu demasiado em evidentes erros de casting (Filipe Augusto acima de todos os outros, bem entendido). Como disse, este marasmo em termos globais durou até ao início de 2018, mas no campeonato as coisas começaram a melhorar a partir da vitória em Guimarães a 5 de Novembro, quando o Rui Vitória apostou na titularidade do Krovinovic e na mudança de sistema para 4-3-3, com o Jonas a ponta-de-lança. Fomos começando a ganhar jogos mais confortavelmente e isso deu confiança à equipa, que infelizmente não se reflectiu nas outras três provas.

O ano de 2018 começou com o inglório empate na Luz frente à lagartada e depois tivemos a nossa melhor fase que durou até à vitória em Santa Maria da Feira a 19 de Março. Sobrevivemos à lesão do Krovinovic frente ao Chaves a 21 de Janeiro, ainda empatámos no Restelo na jornada seguinte, mas depois o Zivkovic substituiu bem o colega croata e o nível exibicional manteve-se. No entanto, a pausa das selecções no final de Março fez-nos muito mal. As exibições caíram a pique e a lesão do Jonas na fase crucial da época foi a machadada final. Mesmo assim, vimo-nos numa posição privilegiada a seis jornadas do fim, com a derrota do CRAC em Belém que nos empurrou para o 1º lugar e a vantagem de os receber na Luz. Porém, a 2ª parte desse jogo vai ficar por muito tempo na nossa memória, quando simplesmente deixámos de jogar e esperámos ansiosamente pelo final da partida. Já se sabe o que acontece quando se joga para empatar e ganhou quem jogou para ganhar. Depois da inconcebível derrota em casa com o Tondela, ficámos obrigados a marcar um golo e não perder no WC sob pena de deixarmos de depender de nós para manter o importantíssimo (do ponto de vista financeiro) 2º lugar. Apesar de termos feito uma boa exibição, não conseguimos marcar e restou-nos esperar pela ajuda do Marítimo na última jornada. Que veio (a lagartada raramente nos desilude!), permitindo-nos assim a ida à 3ª pré-eliminatória da Champions. Serve isto para considerar esta uma boa época? Nem por sombras!

A grande questão é: deve ou não manter-se o Rui Vitória? Pelo que aconteceu esta época, a resposta será claramente não! Um único título e piores prestações de sempre em duas das outras competições parecem-me uma razão mais que justificada para não continuar. Por todo o percurso de três anos, ainda assim tenho dúvidas. O meu problema com o Rui Vitória é que se nota uma quebra de produção da equipa de ano para ano, sem que ele tenha conseguido dar a volta. Eu sei que a equipa tem sido progressivamente desfalcada dos melhores jogadores e isso não é culpa dele. No entanto, caber-lhe-ia a ele chamar a atenção dos responsáveis que, com um Bruno Varela a titular, as coisas seriam muito difíceis, que o André Almeida é bom que faça a carreira toda no Benfica, mas como 12º jogador, que o Gabriel Barbosa não tinha as características do Mitroglou, e que, por muito que ele se chame Jonas, não podemos estar tão dependentes de um jogador de 33 anos (não esqueçamos que, no tetra, o Gonçalo Guedes fez-nos esquecê-lo durante a primeira parte da época). E também lhe cabia a ele ter mexido com mais sagacidade na equipa em jogos importantes: a entrada do Seferovic naquelas condições em Vila do Conde para a Taça de Portugal foi uma enorme estupidez, assim como a substituição do Rafa e posterior entrada do Samaris na fatídica recepção ao CRAC. E isto só para dar dois exemplos.

Por mim, e dado que o Marco Silva está livre, apostaria nele, principalmente porque, em mais do que um clube, se notou uma enorme melhoria com a entrada dele. No entanto, já sabemos que o Luís Filipe Vieira quase de certeza que manterá o Rui Vitória. Resta-nos desejar a aposta na continuidade esteja certa, mas é bom que comecemos com o pé direito, porque muito do que será a nossa temporada ficará definido logo no início com as eliminatórias de apuramento para a Champions.

segunda-feira, maio 14, 2018

Segundo lugar

Vencemos o Moreirense por 1-0 e, com a derrota da lagartada no Marítimo (1-2), conseguimos ficar no 2º lugar e qualificarmo-nos para a 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões do próximo ano, competição que, se nos qualificamos (ainda teremos que passar igualmente um play-off), nos assegurará 40M€ só pela presença. Acabámos o campeonato a conseguir os mínimos, mas, Prof. Rui Vitória, esta época está MUITO longe de ter sido satisfatória!

Com o Jonas de regresso ao onze, esperava que melhorássemos em termos exibicionais, mas isso não aconteceu. O Salvio rendeu o lesionado Rafa, voltando o Cervi à ala esquerda, todavia continuámos sempre muito lentos a trocar a bola e com dificuldades em entrar na compacta defesa do Moreirense. Tanto assim foi, que não criámos muitas oportunidades de golo: um remate do Grimaldo passou ligeiramente ao lado, o Pizzi teve dois em boa posição, mas saíram ambos ao lado e, na nossa melhor jogada, um centro do Cervi proporcionou um desvio ao Jonas, mas a bola continuou a não atingir a baliza. Do lado oposto, ainda a lutar pela manutenção, o Moreirense jogava tudo no 0-0. Como estávamos dependentes do resultado na Madeira, o estádio festejou o primeiro golo do Marítimo, mas a lagartada empatou logo no minuto seguinte.

Na 2ª parte, era conveniente que aumentássemos o ritmo, até porque o resultado na Madeira só nos era conveniente se ganhássemos o nosso jogo. O recomeço demorou alguns minutos, porque os jogos tinham que se iniciar todos ao mesmo tempo (vá lá, uma medida acertada da Liga!). O Salvio com um toque de calcanhar em voo, na sequência de um centro do Zivkovic, fez a bola passar muito perto do poste (seria um golo épico, a fazer lembrar um do Gaitán na Amoreira) logo nos primeiros minutos, mas aos 52’ inaugurámos finalmente o marcador: penalty indiscutível por mão na bola de um adversário, depois de um centro do Grimaldo, e o Jonas não perdoou. Lá está, sem paradinha, a coisa resulta sempre muito melhor! A bola foi tão colocada no canto superior direito da baliza, que quase me deu a sensação de ir para fora, mas foi completamente indefensável. A partir daqui, com a inevitável subida em campo do Moreirense, pensei que teríamos mais espaço para aumentar a vantagem e nos tranquilizarmos de vez, mas isso não aconteceu. A nossa maior preocupação foi defender bem e não dar chances ao adversário, o que conseguimos fazer melhor, especialmente a partir da entrada do Samaris para o lugar do apagadíssimo Pizzi. Antes disso, o Moreirense tinha proporcionado ao Bruno Varela uma defesa para canto num livre e teve outro remate por cima, mas depois não conseguiu criar mais perigo. Quanto a nós, também não pusemos à prova o guarda-redes Jhonatan. A cereja no topo do bolo aconteceu já em tempo de compensação com o golo da vitória do Marítimo, celebrado efusivamente no estádio! Já o empate nos servia, mas assim o 2º lugar ficava seguro de vez, até porque o histórico da lagartada este ano em marcar em tempo de compensação era enorme.

Em termos individuais, destaque para o Jonas pelo golo e para o Zivkovic, que me pareceu dos mais inconformados. O Salvio esteve activo na direita, embora nem sempre tomando as melhores decisões, já o Cervi na esquerda voltou a estar discreto. Todos os outros estiveram muito medianos.

O balanço desta temporada far-se-á num próximo post, mas se o Benfica nos desilude de vez em quando, a lagartada raramente nos falha! Foram iguais a eles próprios e, valha a verdade, o Rui Vitória tem razão neste caso: já na semana passada deveríamos ter fechado esta questão do 2º lugar no WC e temo-lo conseguido agora foi mais do que justo.

segunda-feira, maio 07, 2018

Banho de bola inglório

Empatámos sábado no WC a 0-0 e ficámos em desvantagem no confronto directo com a lagartada pelo 2º lugar no campeonato. No entanto, isso só será visível na classificação depois da última jornada, porque, numa daquelas regras incompreensíveis do nosso futebol, até lá é a diferença de golos que determina a ordenação dos lugares e não o confronto directo. Com este resultado o CRAC foi campeão no sofá, porque só ontem jogou com o Feirense (2-1). Aliás, esta é outra coisa que deveria ser alterada, e rapidamente: uma equipa ser campeã em campo, junto aos adeptos, tem indiscutivelmente outro sabor. Portanto, é óbvio que os jogos que podem atribuir o título deveriam ser à mesma hora (como era antigamente com as três últimas jornadas). De certeza que esta modernice de permitir que se seja campeão no sofá, com jogos decisivos a horas desfasadas, veio de mentes que não são adeptas de futebol.

Fui ao WC com as expectativas muito baixas, fruto do descalabro tanto a nível pontual como exibicional das últimas semanas. No entanto, tenho que dizer que, se tivéssemos jogado o campeonato inteiro como jogámos as duas partidas frente a eles, teríamos ganho o penta com uma perna às costas. O Rui Vitória reforçou o meio-campo com o Samaris ao lado do Fejsa, saindo o Cervi do onze habitual dos últimos tempos. O Jonas esteve finalmente de volta, mas como seria de prever ficou no banco. Entrámos muitíssimo bem na partida, com o Rafa a atirar ao poste logo aos 8’, depois de um excelente passe em diagonal do Jiménez o ter desmarcado. O nosso nº 27 bateu em velocidade o Piccini e, à saída do Rui Patrício, desviou para o poste, com o guardião da lagartada a varrê-lo depois. É certo que ele vai à bola, mas o facto é que derruba o Rafa. Ou seja, penalty por marcar pelo Sr. Carlos Xistra. À passagem da meia-hora, o Douglas (que foi titular no lugar do lesionado André Almeida), na sequência de um ressalto, ficou em posição frontal fora da área, mas o remate de pé esquerdo foi desviado pelo Coates. Éramos a única equipa a criar perigo em campo e o Rafa atirou de novo ao poste, num remate de pé direito fora da área, ainda desviado pelo Patrício. Uma cabeçada ao lado do Coentrão foi o único perigo criado na nossa área em toda a 1ª parte. Uma óptima abertura do Douglas isolou o Samaris descaído pela direita, mas o remate cruzado foi desviado pelo Patrício, apesar de o Sr. Carlos Xistra não ter assinalado o respectivo canto. Já em cima do intervalo, jogada do Rafa pela esquerda, centro para remate de primeira do Pizzi para nova defesa do Patrício, que susteve igualmente a recarga do Jiménez, já de um ângulo muito desviado. Em cima do intervalo, o Bas Dost teve uma grande jogada individual, mas, em vez de rematar quando só tinha o Varela pela frente, tentou assistir o Gelson, tendo a bola sido cortada pelo Douglas.

A 2ª parte não teve tantas ocasiões como a primeira, porque a lagartada fechou-se melhor. Mesmo assim, pertenceu-nos a melhor delas todas numa jogada pela direita, com o Salvio, entretanto entrado para o lugar do Pizzi (vá lá, o Rui Vitória acertou nas substituições desta vez...!), a centrar para o Jiménez chegar ligeiramente atrasado. Uma cabeçada do Bryan Ruiz por cima num canto foi a única ocasião da lagartada. Entretanto, o Jonas entrou e, apesar da evidente falta de ritmo, o nosso jogo fluiu logo de outra maneira. O Bruno Fernandes deveria ter visto um vermelho por entrada às pernas do Cervi (que substituiu o Rafa nos instantes finais), mas o Sr. Carlos Xistra só lhe mostrou o amarelo. Na sequência dessa falta, atirámos a bola para a área, o Patrício agarrou, mas como chocou com um defesa largou a bola, que sobrou para um nosso jogador, tendo o Sr. Carlos Xistra assinalado... falta! Teria sido uma grande ocasião para nós, até porque o Jiménez atirou de letra lá para dentro (embora, valha a verdade, o Coates, que estava em cima da linha, não se tivesse feito ao lance). Foi o último lance de um encontro, que deveríamos ter ganho tranquilamente.

Em termos individuais, o Rafa merece destaque principalmente pela 1ª parte, mas os nossos centrais, Jardel e Rúben Dias, estiveram excelentes o jogo todo (a única falha do Jardel foi na marcação ao Bryan Ruiz naquele canto). Grande jogo igualmente do Fejsa e o Samaris esteve igualmente muito bem, só foi pena o falhanço isolado. Pelo Zivkovic passou grande parte do nosso jogo atacante, até porque quem jogou na direita foi o Pizzi, com o Rafa na esquerda. Outro que merece uma palavra é o Douglas que, ao contrário do que é habitual, nos permitiu jogar com onze. E até teve participação em algum do perigo que criámos!

Tal como na 1ª volta, empatámos um jogo em que merecíamos claramente ganhar. Resta-nos esperar uma escorregadela da lagartada no Marítimo na última semana para irmos à pré-eliminatória da Liga dos Campeões e arrecadarmos só com isso 40M€. Mas duvido muito que isso aconteça, até porque o Marítimo já não consegue ir ao 5º lugar. De qualquer maneira, temos que ganhar ao Moreirense para acabarmos com dignidade esta época. Que, no entanto, será sempre, com ou sem 2º lugar, péssima. Mas esse balanço far-se-á no final do campeonato.

segunda-feira, abril 30, 2018

Finito

Perdemos em casa no sábado frente ao Tondela (2-3) e não só dissemos adeus ao sonho do penta (o CRAC ganhou no Marítimo por 1-0 aos... 89’), como agora temos o 2º lugar em risco com a lagartada colada a nós (2-1 em Portimão aos... 89’!). Ou seja, estamos a ter um final de época absolutamente penoso.

Entrámos em campo sem o Jardel e o Fejsa, que constavam no boletim médico, mas, como estão com quatro amarelos, é sempre de desconfiar se não foi essa a verdadeira razão. Se o foi, foi um erro enorme, porque o Luisão acusou (e de que maneira) o facto de não jogar há quatro meses e meio (esteve presente nos três golos que sofremos) e o Samaris também não tem grande ritmo de jogo nesta altura. Mesmo assim, colocámo-nos em vantagem logo aos 12’ através do Pizzi depois de uma assistência do Rafa. Comentei com os meus companheiros de bancada que esperava que não fizéssemos como no Estoril e tirássemos o pé do acelerador, mas foi exactamente isso que aconteceu! O Cervi ainda teve um remate cruzado defendido pelo Cláudio Ramos (apesar de o árbitro ter marcado pontapé de baliza), mas foi um mau passe do mesmo Cervi que deu origem a um contra-ataque adversário aos 31’, do qual resultado o empate pelo Miguel Cardoso num chapéu sobre o Bruno Varela: bola metida nas costas do Luisão, o Douglas (entretanto entrado para o lugar do lesionado André Almeida) ficou nas covas, o Bruno Varela ficou a meio caminho entre sair ou não (para variar...), e a bola foi lá para dentro. Aos 39’, o incrível aconteceu num lançamento lateral para a nossa área, com o Luisão a aliviar mal de cabeça para a marca de penalty, o Douglas a nunca saber a quantas anda em termos defensivos e remate de primeira do Miguel Cardoso para um bis, com a bola a entrar a meio da baliza (estar lá o Bruno Varela ou não estar ninguém é praticamente a mesma coisa...). Até ao intervalo, lá acelerámos um pouco, mas não conseguimos marcar.

Para a 2ª parte, entrou o Salvio para o lugar do (novamente inoperante) Cervi e as coisas melhoraram ao início. O mesmo Salvio teve duas magníficas oportunidades logo no reinício, mas atirou contra um adversário na recarga a uma defesa do guarda-redes e muito por cima depois de um centro do Douglas. Logo aqui poderíamos ter dado a volta ao jogo. Um remate do Rafa sob a esquerda foi igualmente defendido pelo Cláudio Ramos, assim como remates do Jiménez e Luisão quase à queima-roupa num canto. Finalmente, a pouco mais de dez minutos do fim, o Rafa assistiu o Jiménez, mas o desvio deste tabelou num defesa e saiu a rasar o poste. Das poucas vezes que o Tondela foi à nossa baliza na 2ª parte (a outra foi num lance em que o Varela defendeu com a cabeça(!) e o golo na recarga foi anulado por pé em riste sobre o Luisão), acabou com o jogo: aos 81’, o Tomané deu um nó cego no Luisão e atirou cruzado desfeiteando o Varela (eu não quero estar sempre a bater no ceguinho, mas um bom guarda-redes poderia ter defendido aquela bola). Já no final do tempo de compensação (94’), o Salvio reduziu para 2-3 num chapéu ao Cláudio Ramos depois de um passe do Jiménez e um bom domínio de cabeça do argentino.

Em termos individuais, o Pizzi, provavelmente estimulado pelo golo, foi dos menos maus. O Zivkovic era outro que estava a tentar levar a equipa para a frente, mas o Rui Vitória inexplicavelmente tirou-o aos 62’ para fazer entrar o inoperante do Seferovic. Foi tão inacreditável que o estádio veio abaixo com assobios e foi das poucas vezes que eu me lembro de ter assobiado uma substituição do Benfica (a outra terá sido esta). Como toda a gente (menos o Rui Vitória) antecipou, piorámos imenso com a saída do sérvio e passámos a fazer as coisas sem critério, com o próprio Seferovic a aparecer mais do que uma vez na linha para centrar! Perfeitamente incompreensível...! Outra coisa em que temos que pensar urgentemente é nesta dependência do Jonas: quatro jogos sem ele, duas derrotas em casa e duas vitórias fora ambas em tempo de desconto. E, fundamentalmente, a qualidade do nosso futebol a descer a pique.

Portanto, chegamos à penúltima jornada de uma época onde só ganhámos a Supertaça a lutar pelo acesso à Champions. Acesso esse que passará sempre por não perder e marcar pelo menos um golo no WC. Tudo o que não for isso, tornará esta temporada um pesadelo ainda pior do que o que já é. Principalmente, num aspecto muito valorizado pela estrutura nos dias de hoje: o financeiro. Espero é que, de uma maneira ou de outra, as consequências desta debacle sejam tiradas. E os responsáveis as assumam.

segunda-feira, abril 23, 2018

Salvio salva

Vencemos o Estoril na Amoreira no sábado (2-1), mas como muito dificilmente o CRAC não ganhará hoje em casa ao V. Setúbal, o mais provável é que continuemos a dois pontos deles e com vantagem de três sobre a lagartada, que ganhou em casa ao Boavista por 1-0 com um penalty do Bas Dost. Apesar de estarmos no terreno do penúltimo classificado, o jogo foi bastante difícil e só conseguimos o golo da vitória aos 92’ pelo Salvio.

O Rui Vitória manteve a mesma equipa que perdeu com o CRAC na semana passada, porque o Jonas continua a “recuperar de lesão” (infelizmente, estou cá desconfiado que não vai jogar mais esta época...). E não poderíamos ter entrado melhor, com um golo do Rafa logo aos 10’, num remate rasteiro cruzado depois de uma assistência brilhante do Zivkovic, o melhor em campo. Com o mais difícil a ser feito tão cedo, pensei ingenuamente que iríamos ter uma partida calma como resposta à desilusão da semana passada. Pura ilusão...! Na 1ª parte, ainda controlámos bem e tivemos algumas oportunidades para dilatar a vantagem, mas um remate do Rafa saiu ao lado e duas cabeçadas do Jiménez não tiveram o destino desejado, com o guarda-redes Renan Ribeiro a defender uma delas e na outra, já em cima do intervalo, mesmo com uma saída em falso deste fora da área, o nosso avançado atirou ao lado. 

Na 2ª parte, devem ter-se esquecido de avisar os nossos jogadores (e treinador?) que não estávamos a jogar com o CRAC. É que, à semelhança daquele jogo, também neste não reentrámos em campo... O Estoril veio para cima de nós e inclusive até marcou aos 51’, mas o lance foi bem invalidado pelo VAR, por fora-de-jogo. Isto teve o condão de nos assustar e finalmente reentrámos em campo. O Rafa iniciou então a sua série de desperdício e, completamente isolado, permitiu uma defesa ao Renan meio com a cabeça. Como diz uma das máximas do futebol, não marcámos e sofremos o empate aos 63’ num livre para a área, com o André Almeida completamente a dormir e o Halliche a contorná-lo e a marcar por baixo das pernas do Bruno Varela. Pouco depois, livrámo-nos de boa, com uma bola do Lucas Evangelista, desviada pelo Rúben Dias, a bater no poste. Com o jogo completamente partido, o Rafa roubou a bola a um defesa, voltou a ficar isolado perante o Renan, mas tentou de trivela e a bola foi direitinha às suas mãos. Incrível...! Entretanto, entrou o Salvio, para o lugar do inoperante Cervi, que, a quinze minutos dos 90, centrou para o Jiménez fazer um remate à meia-volta de pé esquerdo, defesa do guarda-redes com o pé e ressalto para o Rafa, que não conseguiu voltar a rematar porque um defesa cortou a bola. Das três oportunidades do Rafa, foi a menos escandalosa. A partir daqui, deixámos inexplicavelmente de jogar. O Seferovic voltou a substituir o Pizzi, que pura e simplesmente não esteve em campo, mas nós perdemos o fio de jogo. Não conseguimos fazer dois passes seguidos, o Zivkovic bem tentava, mas ninguém o seguia, começámos a enviar bolas para a frente à maluca, com enorme vantagem dos centrais contrários e já com o Jardel a fazer companhia aos dois avançados, enfim, um desalento completo. Na única jogada de jeito nos últimos 22’ de jogo (o sr. Hugo Miguel deu, e bem, sete minutos de compensação, porque o Estoril, em especial o guarda-redes, abusou do antijogo), o Grimaldo centrou para a área e o Salvio teve uma brilhante entrada de cabeça, antecipou-se ao defesa e deu-nos a vitória. Foi uma mistura de delírio e alívio na Amoreira! Arrisco-me a dizer que, da maneira como estava o jogo, já ninguém contava com isto.

Em termos individuais, o Zivkovic foi de longe o melhor do Benfica. O Fejsa esteve igualmente em destaque a cortar algumas bolas no meio-campo, mas mesmo disfarçando bem não pode estar em todo o lado. O Rafa é dos poucos a imprimir velocidade no último terço do campo, mas definitivamente tem que treinar (e muito!) lances de um para um com o guarda-redes. É exasperante os golos que falha isolado. Todos os outros estiveram num nível muito mediano, para não dizer pior...

O sonho do penta esteve a poucos minutos de ter terminado, mas lá nos conseguimos manter ligados à máquina. No entanto, a jogar desta maneira não se está bem a ver como vamos ganhar ao WC daqui a duas jornadas. Principalmente se o Jonas não recuperar. Caímos a pique em termos exibicional desde a sua lesão e é algo que temos que rever para o ano. Eu gosto imenso do Jonas, mas não podemos ficar dependentes de um só jogador, especialmente quando o mesmo já tem 34 anos.

segunda-feira, abril 16, 2018

Frustrante

Perdemos com o CRAC (0-1) na Luz e dissemos adeus ao sonho do penta. Bem se pode vir com os discursos de que “só estamos a dois pontos”, “continuamos na luta” ou “isto só acaba no final” que seria preciso não um, mas dois milagres para podermos ser campeões. Dois milagres, porque não basta o CRAC empatar um jogo, teriam de ser dois (ou uma derrota), o que em quatro jogos não é nada fácil. Além de que nós teríamos de ganhar todos, incluindo a ida ao WC, algo que nesta altura a jogar(?!) como estamos, não se vislumbra bem como.

Como se calculava pelas declarações do Rui Vitória na véspera, o Jonas ficou mesmo de fora. Enfrentar o segundo classificado no jogo mais importante da época, sem o melhor jogador do campeonato, foi logo um handicap terrível. Mas durante a 1ª parte, dominámos a partida embora sem criar grandes oportunidades, com excepção a uma do Pizzi já perto do intervalo que ficou sozinho perante o Casillas, mas permitiu a defesa deste. Antes disso, o Rafa atirou ao poste num lance em que o Casillas estava a fechar o ângulo e o Cervi proporcionou uma defesa ao guardião espanhol, num remate também de ângulo difícil. Do outro lado, houve a surpresa da titularidade do Marega e foi dele a única chance do CRAC, num remate de primeira ao lado já depois da perdida do Pizzi.

Na 2ª parte, e à semelhança de Setúbal, desaparecemos do jogo. O CRAC aproveitou isso e transfigurou-se para melhor, pertencendo-lhe as melhores oportunidades: o Bruno Varela fez uma boa mancha ao Marega, o Brahimi rematou em arco muito perto do poste e, em cima dos 90’ (para não variar), o Herrera disparou forte de fora de área, no meio de cinco(!) jogadores do Benfica (sem que nenhum lhe fizesse obstrução!), decidiu o jogo e, muito provavelmente, o campeonato. Quanto a nós, tivemos as seguintes oportunidades de golo no segundo tempo: .......................


O que é que se passou ao intervalo para haver assim uma tão radical transformação na nossa equipa? Não sei, mas será melhor perguntar ao Rui Vitória. Porque o mesmo se passou em Setúbal. E, tal como na capital do Sado, as substituições foram desastrosas. Aos 66’, para entrar o Salvio saiu o Rafa, o nosso jogador mais rápido, que já tinha provocado dois amarelos ao adversário e que, da maneira como estávamos a jogar em contra-ataque, era o único que poderia criar desequilíbrios em velocidade na frente. Tal como em Setúbal, sai o Rafa com o Cervi a jogar muito pior do que ele (na semana passada, ainda poderia haver a desculpa com a condição física do Grimaldo, mas ontem tínhamos o Eliseu no banco para qualquer eventualidade). E eu sou absolutamente insuspeito para dizer isso, basta ler os posts passados para ver o quanto eu sempre gostei do argentino e as (enormes) dúvidas que tinha acerca do português. Não contente com isto (se já mal passávamos do meio-campo antes desta substituição, depois dela deixámos de o fazer de vez), aos 74’ tira o Cervi para colocar o... Samaris! Que não jogava tanto tempo desde... 3 de Março frente ao Marítimo! E até me arrisco a dizer, que foi a primeira vez que o Samaris entrou em campo para ajudar a defender um resultado, sem que nós estivéssemos a ganhar. Ou seja, do banco veio claramente o sinal para dentro de campo que era para defender o empate. E escuso de dizer qual é uma das máximas do futebol acerca de jogar para o empate, certo...?! Não só os nossos jogadores perceberam isso, como o adversário também, o que fez com que houvesse logo depois duas substituições mais atacantes (entraram o Corona e o Aboubakar). A cereja no topo do bolo foi a nossa última substituição aos 86’: com o meio-campo à rasca, o Rui Vitória resolveu tirar o Pizzi para colocar o... Seferovic! Vão lá rever o golo do CRAC e vejam quem é o jogador que (não) faz pressão sobre o Herrera na altura de ele rematar à baliza...! Elucidados...?!

Pedia-se coragem para fazermos história, uma vitória colocava-nos muito próximos de entrar (ainda mais) no Olimpo do futebol português e igualar o único recorde que nos falta. Mas pior do que ter perdido, é não ter jogado para ganhar. É absolutamente incompreensível! É que, mesmo no dia do Kelvin, o CRAC criou muito poucas oportunidades e nem esteve muito em cima de nós. Além do pequeno pormenor de o jogo ter sido em Mordor. Ontem, não! Foi tudo ao contrário. Aquela 2ª parte prometia o que veio a acontecer. Não foi surpresa nenhuma, nem um pontapé fortuito como há cinco anos. Pedia-se coragem e sagacidade do banco. Não aconteceu nem uma coisa, nem outra. Aquela 2ª parte foi de equipa pequena. Não se percebe, não se entende e não se desculpa.

P.S. – Com a vitória da lagartada em Belém (4-3), passámos a ter só três pontos de vantagem para eles. O que faz com que o jogo no WC continue a ser decisivo, mas agora pelas piores razões: uma derrota tira-nos do segundo lugar.

quinta-feira, abril 12, 2018

Benfica FM em directo

Logo à noite, às 21h30, vou estar à conversa sobre o assunto mais importante do mundo com os grandes Nuno, JG e Bakero. Em directo aqui.


segunda-feira, abril 09, 2018

Jiménez

Vencemos em Setúbal por 2-1 e vamos defrontar o CRAC para a semana com um ponto de vantagem sobre eles (ganharam ao Aves em Mordor por 2-0). Quanto à lagartada, depois de uma semana absolutamente surreal com o presidente e os jogadores em guerra aberta, ganhou em casa ao Paços de Ferreira por 2-0 e mantém-se seis pontos atrás de nós, tendo ganho dois pontos ao Braga, que empatou em Santa Maria da Feira (2-2).

Já se sabia que o nosso jogo na capital do Sado seria extremamente complicado e mais ficou, ainda antes de começar, com a lesão do Jonas no aquecimento, o que fez com que tivesse que entrar o Jiménez para titular. Como se já não bastasse perder o melhor marcador do campeonato, ficámos em desvantagem logo aos 3’ com um golo do Costinha, depois de um centro largo da esquerda, num lance em que o Bruno Varela talvez pudesse estar melhor colocado para suster o remate cruzado. Tivemos uma boa resposta ao golo sofrido e um remate de primeira do Cervi poderia ter dado a igualdade logo a seguir, mas saiu ao lado. Continuámos a tentar e tivemos duas boas hipóteses: um desvio do Cervi a rasar o poste e uma cabeçada do Jardel bem defendida pelo guarda-redes Cristiano. Era muito importante chegar ao golo antes do intervalo e finalmente conseguimo-lo aos 28’: centro largo do Rafa na direita e o Jiménez ao segundo poste, de pé esquerdo, não falhou. Até ao intervalo, o próprio Jiménez poderia ter rematado de primeira em boa posição, na sequência de um centro do Cervi, mas dominou de peito e perdeu tempo de remate.

Na 2ª parte, estivemos incompreensivelmente bastante piores. Tanto assim foi que pertenceram ao V. Setúbal as melhores oportunidades, nomeadamente uma pelo Edinho que, já depois da marca de penalty e completamente sozinho, conseguiu rematar por cima na sequência de um cruzamento da direita (muito mal o Grimaldo a ir à bola à queima e ser batido), e um remate cruzado ao lado do André Pereira (emprestado pelo CRAC esteve sempre a tentar sacar amarelos aos nossos jogadores). Aos 66’, o Rui Vitória fez entrar o Seferovic para o lugar do Rafa. Não resultou mesmo nada. O suíço parecia fazer figura de corpo presente, completamente fora de forma, e até ter entrado o Salvio para o lugar do Grimaldo aos 77’ continuámos fora do jogo. A sete minutos do fim, uma bicicleta do Jiménez proporcionou uma defesa a dois tempos do Cristiano (se desse um toque para a esquerda, o Zivkovic estava completamente à vontade) e pouco depois foi o Salvio a isolar-se, na sequência de um corte deficiente de um defesa contrário, mas o remate de pé esquerdo saiu por cima. Em cima dos 90’, marcámos pelo Jardel, mas infelizmente estava fora-de-jogo. Até que aos 92’, aconteceu o lance do jogo: o Luís Felipe, entretanto entrado no V. Setúbal, agarra o Salvio na área e este aproveita e cai. O Sr. Luís Godinho foi perentório a assinalar penalty e o VAR (Hugo Miguel) confirmou. Sim, estou de acordo: não é um penalty tão escandaloso quanto o do ano passado sobre o Carrillo, também no final da partida, mas para mim é penalty. Como o Jonas não estava, coube ao homem que nunca falhou um penalty na vida tentar (ainda bem!) e o Jiménez não falhou! Bola rasteira, colocadíssima na malha lateral esquerda da baliza, que tornou infrutífera a estirada do guarda-redes para aquele. Foi o delírio no estádio e não só!

Em termos individuais, o destaque é obviamente para o Jiménez. Dois golos e mais uma vitória muito importante graças a ele (se formos felizes em Maio, este jogo vai juntar-se aos dois de Vila do Conde para mais que justificar o que pagámos por ele). Também gostei bastante do Zivkovic, que só baixou de produção quando o Rui Vitória o desviou para a direita depois da saída do Rafa. Felizmente, quando entrou o Salvio, voltou para o lado esquerdo. O Fejsa, por causa de estar tapado por amarelos, não foi tão pressionante como habitualmente, e os centrais também não (o Rúben levou um e também ficou tapado). Quando saiu o Rafa, não percebi porque não foi o Cervi, mas depois de ter saído o Grimaldo fez-se luz: como o espanhol nunca é de fiar em termos físicos, o argentino é a melhor opção para a lateral esquerda no final das partidas.

Foi uma vitória muito difícil, suada e, não me custa admiti-lo, até lisonjeira. Mas também são destas que se fazem os campeonatos. Como diria o outro, isto não é para a nota artística. Iremos receber o CRAC no próximo domingo num jogo decisivo. Há um mês, ninguém acreditaria que estivéssemos à frente deles nesta altura, mas o que é certo é que isso aconteceu. Cabe-nos tirar partido dessa situação e colocá-los a quatro pontos, o que a quatro jornadas do fim pode ser decisivo. No entanto, não será nada fácil e os números comprovam-no: desde que existe novo estádio, em 13 épocas, só por três vezes(!) é que lhes ganhámos em casa para o campeonato (esta, esta e esta). Espero que a perspectiva de fazer história com um inédito penta inspire os nossos jogadores a aumentar este número para quatro.

P.S. – Uma vitória é fundamental, mas convém ter atenção ao seguinte: temos o Rúben Dias, o Jardel e o Fejsa em risco de exclusão. Seria muito mau irmos ao Estoril sem nenhum deles.