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segunda-feira, julho 30, 2007

Devagar, devagarinho

Interrompi a minha praia algarvia para ver o Glorioso a jogar no Egipto, mas mais valia que não o tivesse feito. Perdemos por 1-2 e regredimos em termos exibicionais em relação ao jogo na Roménia. Para além disso, e o que é pior, mostrámos quão órfãos ficámos do Simão. O jogo decorreu a duas velocidades (devagar e parado), o Al Ahly está longe de ser uma equipa temível, mas nós nunca tivemos velocidade e fomos muito fraquinhos.

O Fernando Santos recorreu ao Butt na baliza, no losango do meio-campo jogaram o Petit, Katsouranis, Manuel Fernandes e o regressado Nuno Assis, tendo ficado o maestro no banco, e o ataque voltou a ser sul-americano. O jogo começou praticamente com o penalty (muito duvidoso) assinalado por falta do Luisão e consequente 0-1. O Al Ahly pouco mais fez durante a 1ª parte, mas nós a mesma coisa. Só na parte final acelerámos um pouco e criámos perigo através do Bergessio (no único lance de jeito que teve), com um excelente remate para defesa do guarda-redes, e do Cardozo, numa óptima rotação em que o remate saiu infelizmente à figura.

Na 2ª parte, com o Rui Costa em campo, melhorámos claramente e foi sem surpresa que chegámos ao empate, através de um passe deste para o Nuno Assis finalizar de primeira. Infelizmente a melhoria exibicional não durou o segundo tempo todo, mas teria chegado para (pelo menos) empatar o jogo, não fosse o Nélson cometer uma suprema burrice num atraso despropositado, que isolou um adversário para fazer o 1-2. Até final, e ainda faltavam cerca de 25’, não conseguimos ser mais perigosos e acabámos mesmo por perder o jogo.

Em termos individuais não houve um jogador que sobressaísse muito em relação aos outros. O Nuno Assis mostrou alguma dinâmica e a entrada do Rui Costa fez com que procurássemos a baliza com mais clarividência. O Petit exibiu alguma da raça habitual e não há dúvida que o Cardozo é bom jogador, apesar de ter estado menos vistoso que na Roménia. O Manuel Fernandes é titular indiscutível, ao contrário, por este andar, do Katsouranis que continua a evidenciar uma lentidão exasperante. O Bergessio continua a mostrar muito pouco, além de me parecer pesado e com pouco pique, e na defesa o Luisão precisa de melhorar a forma, o Nélson de ter rapidamente um concorrente e o David Luiz e o Léo terão lugar cativo. Não deu para ver grandes coisas nos guarda-redes, porque os egípcios não foram muito perigosos. Em relação aos que entraram na 2ª parte, o Fábio Coentrão ainda está um pouco verde, o Zoro irá ver um amarelo em cada jogo que fizer, o Manú praticamente nem se viu e o Mantorras precisa de mais minutos de jogo, assim como o Dabao.

Não foi um bom teste e vamos ver como nos portamos no Torneio do Guadiana. Diz-se que na pré-época os resultados não são o mais importante, mas precisamos rapidamente de começar a ganhar jogos ou a confiança começa a diminuir. E não podemos dar-nos ao luxo de ter um mau arranque de época.

sexta-feira, julho 27, 2007

Obrigado Simão

Embora a notícia já fosse esperada desde 3ª feira, ainda me estou a recompor do choque que vai ser ver o Benfica sem o Simão. Foi um grande profissional e de longe o nosso melhor jogador nos últimos seis anos. E foi também importante para o futebol português, porque se não se tivesse lesionado gravemente na selecção logo no primeiro ano de Benfica, o clube regional não teria ganho a Taça Uefa na época seguinte. Podíamos sempre esperar qualquer coisa de diferente, sempre que a bola lhe chegava aos pés. A sua capacidade de acelerar o jogo era única e julgo que é disso que iremos sentir mais falta. Por outro lado, era bom festejar cada penalty a nosso favor como se de um golo se tratasse, porque em 95% dos casos era isso mesmo que acontecia (que me lembre só falhou três penalties pelo Glorioso: contra o Belenenses no Torneio do Guadiana, Nacional para a Taça de Portugal e Gil Vicente). E nos livres directos a expectativa também era grande, embora sem o galáctico índice de concretização do Van Hooijdonk. Pelas grandes memórias de Manchester, Liverpool, Estádio Nacional contra o clube regional, Luz contra os lagartos para a Taça e por não tremer no penalty do Bessa, só me resta agradecer-lhe profundamente.

Percebo que a saída fosse inevitável, mas não compreendo a opção pelo Atlético de Madrid. Vai auferir o dobro do que ganhava na Luz, mas ou muito me engano ou vai passar cinco anos sem ganhar nenhum título. Um jogador como o Simão merecia uma equipa com mais nome na Europa e que não se limitasse a lutar por um lugar na Uefa. Trocar o maior clube do mundo pelo Belenenses de Espanha parece-me descer de cavalo para burro, mas ele é que sabe. De qualquer modo, e porque não tive, não tenho e jamais terei a memória curta, desejo-lhe toda a sorte do mundo.

De qualquer maneira, não posso deixar de concordar com muito do que já li por alguns blogs benfiquistas. Estarei sempre grato ao Simão, mas nunca o senti como um verdadeiro benfiquista. Como um dos nossos. Como é o Nuno Gomes, o Petit, o Luisão e, acima de todos, o INCOMPARÁVEL Rui Costa. Nada de mal nisso, se o rendimento for o que o Simão sempre mostrou, todavia este facto atenua-me um pouco a pena de o ver sair. Até porque a iniciativa de deixar o Glorioso partiu dele e quando assim é pouco há a fazer. O episódio da braçadeira foi sempre uma pedra no sapato, assim como as constantes novelas de final de época. No entanto, tenho que referir que, à semelhança do João V. Pinto, nunca o vi fazer um frete em campo. Podia haver jogos que não lhe saíam tão bem, mas sempre lutou os 90 minutos e qualquer que fosse o resultado (recordo-me de um lance na Amadora nos minutos finais das meias-finais da Taça, quando já ganhávamos por 3-0, em que o Simão pressionou um adversário no meio-campo deles como se estivéssemos a perder). Mas o que me leva a dizer que nunca o senti como um verdadeiro benfiquista é um gesto muito simples: raramente era ele que chamava os companheiros para a saudação aos adeptos no final dos jogos na Luz. Era quase sempre o Luisão, Petit e Nuno Gomes. Podia ser feitio, mas para mim é defeito.

P.S. – Não tenho por hábito emitir opinião sobre jogadores antes de os ver jogar, mas disseram-nos que o substituto de Simão poderia fazer aumentar a venda de cativos. Foi talvez só uma boca presidencial, mas não acho que seja com o Angel Di Maria e o Andrés Díaz que isso vá suceder, pelo menos no imediato. O primeiro tem 19 anos e, apesar de ter feito um bom Mundial de Sub-20 (não esquecer que o melhor jogador do Portugal 91 foi o... Peixe e o 3º foi o... Paulo Torres), precisará certamente de se ambientar. O segundo, ao que se pode ler, não era titular indiscutível do seu clube, além de ter ficado sem jogar durante um mês por “problemas pessoais”. Não é um bom cartão de visita, mas esperemos que o desminta em campo.

quarta-feira, julho 25, 2007

Etapas

Equipa de Morgado concluiu 53 inquéritos, dos quais 20 resultam em acusações

Primeiro era suspeito, depois arguido, agora acusado (três vezes). Só falta ser réu e a seguir condenado. Entretanto, aguarda-se obviamente a sua irradiação do dirigismo desportivo para que possamos respirar outro ar. Até lá, tudo continua muito pestilento. Esperemos que a verdade desportiva, que há mais de 20 anos é falsificada, reapareça finalmente o mais depressa possível. Ah, e que os títulos que o seu clube comprou, perdão, conquistou (incluindo, é claro, os internacionais) lhe sejam retirados. Que eu saiba o Marselha não é considerado campeão europeu.

Quando a melhor defesa é argumentar a vingança amorosa da ex-concubina ou que Maria José Morgado não tem poderes (!) para proferir as acusações, não é preciso acrescentar mais nada. Só não vê quem não quer. Ou quem é burro.

domingo, julho 22, 2007

Longa foi a espera

Quase dois meses depois tivemos o privilégio de ver o Glorioso jogar outra vez. Até que enfim! Empatámos na Roménia com o Cluj (2-2), mas a principal notícia é se confirmou que contratámos um GRANDE ponta-de-lança. Eu sei que um jogo bom todos os jogadores têm (e um mau também), mas, tal como disse aqui logo na estreia de um jogador que nos deixou saudades, este não engana. É MESMO bom! Marcou um golão e fez mais (pelo menos) quatro remates à baliza dos quais só um passou por cima da barra. Para além disso, tem um óptimo toque de bola, ganha muitas bolas de cabeça no ataque e quando a recebe de costas para a baliza o seu pensamento é logo virar-se para rematar (o que fez pelo menos duas vezes). Enfim, foi desta que acertámos na mouche. Má sorte daqueles que embandeiraram em arco com a sua actuação no 1º jogo do Paraguai na Copa América...

A equipa foi a esperada, com as ausências por diferentes motivos de indiscutíveis como o Léo, Nélson, Petit e Nuno Gomes, às quais se juntou o Nuno Assis. O Zoro actuou a lateral-direito, o Miguelito a esquerdo e a dupla de sul-americanos formou o ataque. Outro grande destaque tem que ir para o Manuel Fernandes, que voltou de Inglaterra ainda melhor jogador do que era antes. Vai ser inquestionavelmente um dos indiscutíveis no meio-campo. Está muito mais possante, mais confiante e com maior participação no jogo ofensivo da equipa. O Simão e o Rui Costa não sabem jogar mal, mas ainda podem fazer melhor, se bem que o nº 10 tenha marcado um bom golo. O David Luiz parece igualmente em boa forma, ao contrário do Luisão, se bem que este tenha feito o primeiro jogo desde Março(!), o que torna compreensível esta não tão boa actuação. Na 2ª parte, gostei igualmente do Fábio Coentrão, que se mantiver a cabeça no lugar pode ser um caso sério, e do Romeu Ribeiro que entrou muito bem para o meio-campo. A rever e com o benefício da dúvida estão o Bergessio e o Zoro. O primeiro esteve muito discreto, apesar de um ou dois bons toques, enquanto o segundo já se percebeu que não é lateral-direito, tornando muito urgente a contratação de alguém para dar luta ao Nélson. Quanto ao Stretenovic não acho igualmente que seja hipótese para lateral-direito. Alcides já tivemos um nessa posição e já bastou. Restará vê-lo a central, mas confesso que não fiquei muito entusiasmado com o que vi.

Não gostei do Katsouranis (muito lento e com culpas no primeiro golo deles, já que não acompanhou o adversário que ficou livre à entrada da área para o remate), do Miguelito (grandes dificuldades para marcar o Semedo) e do Butt (que, apesar de ter feito uma boa defesa no final, sofreu um golo “à Moretto”). Os restantes jogadores estiveram a um nível mediano, o que se entende dado que estamos no início da época.

Todos os quatro golos aconteceram na 2ª parte, mas na 1ª o Cluj esteve melhor que nós. Falhámos alguns passes fáceis que hipotecaram possíveis contra-ataques e estivemos algo lentos na transição para o ataque. Na 2ª melhorámos (a que não é alheio a melhoria que teve igualmente o Rui Costa) e passámos a mandar no jogo. Foi pena a falha do Butt, já que estou convencido que sem ela o resultado teria sido 2-1 a nosso favor. O que parece inegável é que temos um plantel com bastantes mais soluções do que no ano passado, queira o Fernando Santos dar oportunidades a todos. Basta só ver a lista dos que não actuaram nesta partida. Pode ter sido só do entusiasmo de ver o Benfica outra vez, mas acho que já estamos a um nível aceitável para primeiro jogo da época e com o 3º classificado da 1ª Divisão romena. Agora o que não tenho dúvidas é que o Cardozo foi uma GRANDE aquisição!

sexta-feira, julho 06, 2007

Relembrar XVI – Falhanços II

Num dia em que se fala muito de chineses e antes de gozar uma semana de férias, aqui fica mais um falhanço que nos deixa de olhos em bico. Um ano antes de assinar dois memoráveis golos na casa do clube regional, que nos deram praticamente a conquista do respectivo campeonato, o César Brito conseguiu (é mesmo o termo) falhar este golo de baliza aberta nesse mesmo estádio. Perderíamos este jogo e o título deste ano foi igualmente lá para cima, consubstanciado em 11(!) penalties assinalados para o especialista Demol converter (marca esta só superada pela célebre época dos 19 penalties assinalados a favor dos lagartos para o Jardel). O golo deste jogo foi naturalmente obtido de penalty a castigar uma falta do nosso defesa-esquerdo Fonseca, que curiosamente existiu mesmo! Só mais uma curiosidade: a partida foi arbitrada pelo senhor... Francisco Silva!

Só venceríamos uma Supertaça nesta época, mas chegaríamos à final da Taça dos Campeões, em que um golo do Rijkaard deitou por terra os nossos sonhos.


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