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sábado, julho 29, 2006

Muitíssimo preocupante

Voltámos a perder para o torneio do Guadiana, desta feita com o Deportivo da Corunha por 1-0 e ficámos no último lugar com a fantástica performance de duas derrotas e 0-4 em golos! A equipa sofreu algumas alterações em relação ao jogo de ontem, mas o nível manteve-se na mesma muito baixo. O Moretto justificou porque deve ser o terceiro guarda-redes do plantel ao oferecer o golo ao Corunha logo aos três minutos num frango descomunal. Voltámos a demonstrar imensa lentidão na transição para o ataque, com o jogo totalmente afunilado porque os médios-centro raramente vão à linha e os laterais não têm estofo para fazer o vai e vem durante 90 minutos.

Individualmente, é difícil destacar alguém. No entanto, dos menos maus terá sido o Manú, que é dos poucos que imprime velocidade ao jogo. O Léo também se incorporou bem no ataque, mas falhou alguns cruzamentos fáceis. O Diego voltou a provar que tem lugar no plantel, quanto mais não seja porque remata bem fora-da-área. Mas tenho que manifestar aqui a minha indignação em relação ao Marcel. Já não bastava não jogar nada, ser um reforço permanente da defesa adversária, como ainda marcou dois penalties (ontem e hoje) exactamente da mesma forma, para o meio da baliza, falhando ambos. Não satisfeito com isso, quando voltou para o pé dos colegas, este PALHAÇO vinha a rir! Se isto não é gozar com os adeptos não sei o que será. Por mim, era motivo para despedimento com justa causa!

Estou a ficar seriamente preocupado, porque faltam 10 dias para a 1ª mão da pré-eliminatória da Champions e não se vê a equipa a subir de nível, muito pelo contrário. Não querendo ser como alguns que anunciam o desastre da época logo nas primeiras jornadas, o que é certo é que ou damos uma grande volta ou isto não augura nada de bom. A pré-eliminatória da Liga dos Campeões vai ser importantíssima, até para motivação do plantel. O Áustria de Viena está teoricamente ao nosso alcance, mas a jogar desta maneira será muito difícil sermos bem sucedidos.

P.S. – Já se percebeu que o Fernando Santos não conta com o Karyaka, mas escusava de colocá-lo em campo aos 86 minutos de um jogo de preparação. Independentemente do valor do jogador, acho uma falta de respeito…

sexta-feira, julho 28, 2006

Deplorável

A vontade de escrever sobre uma derrota por 3-0 com os lagartos é, como devem imaginar, muito pouca. Quem parecia ter começado a época com 10 dias de avanço eram eles e não nós. Chegavam sempre primeiro à bola e mostraram uma condição física nada habitual para quem está a treinar há apenas 15 dias. Das duas uma, ou vão rebentar a meio da temporada ou então tomaram umas vitaminas especiais para este jogo, o que também seria normal ou não fosse derrotar o Benfica o grande objectivo da sua época.

Ao invés, nós parecíamos zombies. Raramente conseguimos fazer uma jogada ligada durante o jogo. Ninguém transportava a bola para a frente e os avançados mal tocaram nela. O Rui Costa esteve muitos furos abaixo do que já fez e toda a equipa se ressentiu disso. Aliás, não percebo porque é que ele, que esteve lesionado durante dois dias, foi titular. Viu-se bem que não estava nas condições físicas ideais. Por outro lado, espero que esta pesada derrota nos faça reflectir bem como é que vamos jogar durante a época. A táctica do losango revelou-se um desastre absoluto, sendo facilmente anulada pelos lagartos, porque não há ninguém que imprima velocidade ao jogo. Sem extremos é o que dá e quando o Petit entra na 2ª parte para o lado direito do meio-campo, assumindo o papel de extremo quando atacávamos, está tudo dito. Ou muito me engano ou o Petit e o Katsouranis não podem jogar juntos.

Mais uma vez volto a dizer, a saída do Simão já era de esperar, mas a do Geovanni é incompreensível. Temos défice de explosão na zona do ataque e não se vê como é que podemos acelerar o jogo quando é preciso. Pode ser que tenha sido só um dia mau, mas esta exibição meteu medo ao susto.

P.S. – Tirando o golo a Portugal nunca tinha ouvido falar do Kikin Fonseca, o nosso novo avançado. Mas, olhando para aqui, as suas estatísticas impressionam. Tem uma média de um golo em pouco mais de dois jogos que, a ser mantida cá, o podem tornar numa excelente contratação.

quarta-feira, julho 26, 2006

Instantâneos IV - Ao intervalo

Esta é provavelmente a melhor substituição da história do Glorioso.

domingo, julho 23, 2006

Agradável

No jogo de apresentação aos sócios, que valeu sobretudo pelos primeiros 30 minutos, ganhámos ao Bordéus por 2-0. Naquele período, enquanto as pernas da maioria dos jogadores responderam, chegámos a ter momentos empolgantes de trocas de bola. O Rui Costa e o Miccoli mostraram que quando se tem classe tudo fica mais fácil e prometem um trio maravilha com o Nuno Gomes durante a época. Tal como estava previsto, o Fernando Santos colocou o Nuno Assis a titular com o Karagounis e o Katsouranis mais atrasado. Sinceramente gostei desta constituição da equipa, já que ficamos com três médios criativos mais dois avançados, o que para a maioria dos jogos no campeonato português deve ser suficiente.

Mas voltamos ao mesmo problema de sempre. Com o jogo afunilado sem alas, precisamos de ter uma óptima circulação de bola para conseguir criar desequilíbrios, o que exige aos jogadores grandes esforços físicos que nesta altura da época ainda não são possíveis. E sem o Simão, que nem sequer foi apresentado, é mesmo esta táctica que vamos adoptar durante o ano. É tudo uma questão de treino e gostei de ouvir o Fernando Santos no final do jogo a querer que o Benfica tente marcar o terceiro golo quando já está a ganhar por 2-0. Se isto for posto em prática morrerá de vez o tal “controlo de jogo” com a vantagem mínima, tão ao gosto trapattoniano, que nos torna vulneráveis a um qualquer lance fortuito do adversário.

Individualmente, escuso de referir o Rui Costa para não me tornar repetitivo. Só para o ver vale a pena comprar um cativo! O Miccoli também esteve muito mexido e será fundamental, se não voltar a ter problemas físicos. O Karagounis esteve mais discreto, assim como o Nuno Assis, mas este tem a desculpa de estar há sete meses sem jogar. Todavia, são ambos jogadores de grande capacidade técnica, dos quais se pode sempre esperar uma assistência decisiva. O Mantorras perdeu uma boa ocasião de golo a passe do Miccoli, mas esteve menos trapalhão que o costume. Além disso, facto certamente inédito na sua carreira, não foi apanhado uma única vez em fora-de-jogo! O Katsouranis voltou a mostrar-se bastante útil, mas não sei como é que vai ser compatível com o Petit. O grego rende mais na posição de trinco e eu não estou a ver o Petit jogar a médio-interior direito. Na defesa estivemos bem, com a habitual excepção do Moretto que, seja frente ao Stade Nyonnais ou ao Barcelona, dá sempre pelo menos uma fífia por jogo. Ontem largou uma bola fácil que só não deu golo, porque o adversário não foi lesto. Será que é preciso perdermos um jogo por causa dele, para sair da equipa? Nos suplentes destacou-se o Diego, muito emlhor tecnicamente que o Beto e com um excelente pontapé. O Marcel lá marcou um golo, mas não fez mais nada durante o resto do jogo e o Paulo Jorge fez um excelente cruzamento para esse golo, mas acabou expulso juntamente com um adversário. O Marco Ferreira esteve muito em jogo e mostrou vontade, ao contrário do Manduca que continua de uma lentidão exasperante.

Na próxima quinta-feira iremos defrontar os lagartos e aí as coisas serão mais difíceis. Mas acho que estamos no bom caminho para enfrentarmos o jogo mais importante da época: a pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

sexta-feira, julho 21, 2006

Relembrar V – O domínio

Amanhã iremos defrontar uma equipa treinada por um dos melhores centrais que eu vi jogar pelo Glorioso e o primeiro estrangeiro a ter a honra de capitanear a nossa equipa: Ricardo Gomes. A carreira dele e a do Valdo seguiram em paralelo durante sete anos, desde a altura em que vieram para o Benfica na época 88/89. Três anos depois saíram os dois para o PSG e passados quatro anos regressaram ao Glorioso, tendo no entanto o defesa-central feito só mais uma época (95/96, na qual vencemos a Taça de Portugal) antes de arrumar as botas. Amanhã teremos finalmente a oportunidade de o voltar a aplaudir.

Este golo deu-nos a vitória frente ao Espinho na 21ª jornada da época 88/89, em que fomos pela primeira vez campeões com o Toni a treinador e que ficou célebre porque ganhámos seis (!) jogos nos últimos cinco minutos. No entanto, este tento foi marcado logo no início da 2ª parte e sempre me intrigou por um motivo: será que o Ricardo dominou mal a bola de peito, fazendo-a subir demasiado, que teve que rematar de cabeça? Tenha sido ou não de propósito, um golo destes só está ao alcance de jogadores de classe. Mas, sejamos honestos, o facto de o guarda-redes ser o Silvino (o que começou nas camadas jovens do clube regional), portador de pouco mais de 1,60m, também ajudou...


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terça-feira, julho 18, 2006

Relembrar IV – O anterior 10

Antes de o Rui Costa aparecer, no início da década de 90, não tivemos que esperar 10 anos como agora para voltar a ter um “nº 10”. Esse número pertencia a um certo Valdo Cândido de Oliveira Filho, de nacionalidade brasileira, que veio para o Glorioso em 88/89 e esteve cá durante três anos (regressando mais tarde em 95/96 e ficando até ao final da época seguinte). Entre os vários momentos sublimes que ele nos proporcionou, resolvi escolher este, seguindo a sugestão de um dos leitores deste blog, que me tinha falado neste golo. Foi na 7ª jornada da época 90/91 (em que ganhámos o campeonato no célebre jogo do César Brito na casa do clube regional) num jogo frente ao E. Amadora em que vencemos por 4-0, sendo este o terceiro tento. O Valdo, que era dos melhores tecnicistas que vi jogar pelo Glorioso e que geralmente rematava em jeito, de vez em quando também desferia petardos destes.

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domingo, julho 16, 2006

Derrota inesperada

Contra todas as expectativas perdemos contra o Sion por 3-2 no último jogo de preparação em terras suíças. Algumas graves falhas defensivas prejudicaram a nossa exibição que, longe de ser brilhante, não merecia tal resultado. Por outro lado, pareceu-me que os jogadores acusaram algum (natural) cansaço e que o plantel reduzido que temos nesta altura, juntamente com algumas lesões, não permite fazer a rotação devida.

Claro está que se o Marcel tem cumprido a sua obrigação logo no primeiro minuto, depois de um fantástico toque de calcanhar do maestro que o isolou, o jogo teria sido provavelmente diferente. Só que isso não aconteceu e pouco depois um esquecimento imperdoável da defesa num lance de bola parada deixou o João M. Pinto sozinho frente ao Moreira e sofremos o primeiro golo. Estar em desvantagem num jogo de pré-época é um grande contra, já que para dar a volta é preciso pernas o que raramente acontece nesta altura. Mesmo assim tivemos algumas ocasiões para igualar, mas quando o Diego não cobriu como devia ser um jogador suíço, permitindo-lhe rematar à vontade fora-da-área, acabámos por sofrer o segundo golo, num lance em que me deu igualmente a ideia que o Moreira poderia ter feito algo mais. Antes do intervalo, o Mantorras mostrou porque é um jogador útil ao plantel e num remate colocado fora-da-área reduziu para 2-1. Marcel, vê lá se aprendes!

Na 2ª parte tentámos empatar, mas não fomos felizes. As substituições tiraram ritmo à equipa, já que desta vez o Paulo Jorge não entrou bem na partida e o Manduca continua a ser exasperadamente lento. Num contra-ataque rápido o Sion fez um 3-1, mas antes do fim do jogo ainda tivemos tempo para nos deliciarmos com o primeiro golo do maestro neste regresso ao Glorioso, num óptimo remate fora-da-área. A última jogada da partida justificou por si só o seu visionamento. O maestro pegou na bola, correu em direcção à baliza, tirou dois adversários do caminho e rematou colocado, só que o desmancha-prazeres do guarda-redes fez a defesa da noite. Este Rui Costa está, sem dúvida, mesmo velho!

Para além do maestro, que nos abre cada vez mais o apetite futebolístico para a época, gostei dos dois gregos, das movimentações do Miccoli nos 30 minutos que jogou e do facto de o Mantorras se ter assumido como o terceiro ponta-de-lança na hierarquia do plantel. Tenho receio que a falta de extremos se venha a tornar um problema, nomeadamente quando é preciso acelerar o jogo. E a saída do Geovanni e, provavelmente, do Simão tiram-nos capacidade de sermos velozes. O Diego não esteve tão bem como nos outros jogos, mas entre ele e o Beto não há dúvidas. O Tiago Gomes pode ter muito potencial, mas a defender é um susto e precisamos mesmo de um lateral-esquerdo que compita com o Léo. O Marcel justificou mais uma vez o absurdo de se ter dispendido dinheiro na sua contratação e leva-me a reconsiderar a afirmação no post anterior sobre a não-pertinência de arranjarmos outro avançado. A sua aquisição, principalmente tendo em vista o que ele (não) produziu o ano passado, torna-se um grande mistério.

P.S. – Tal lá como cá… Em Itália julgou-se o “calciocaos” em apenas três meses, antes de se ir a tribunal os principais suspeitos demitiram-se dos seus cargos, o governo sugeriu uma (absurda) amnistia por causa da conquista do Mundial, mas os tribunais decidiram mesmo mandar a Juventus para a Série B com 30 pontos negativos, juntamente com a Lázio e a Fiorentina ficando o Milan na Série A, mas sem participar na Champions. Cá, está tudo em vias de ser arquivado, um dos arguidos é recebido pelos deputados e acha-se normal que ele arranje prostitutas para árbitros sem ter contrapartidas. É um homem que gosta muito de ajudar os outros… Haja vergonha!

quinta-feira, julho 13, 2006

Gregos

O Katsouranis e o Karagounis deram-nos a vitória frente ao Shakhtar Donetsk no 2º jogo de preparação. Tivemos alguma sorte na 1ª parte já que o primeiro golo resulta de um penalty muito duvidoso sobre o Marcel e, quando estávamos a sofrer a reacção dos ucranianos, marcámos o segundo na sequência de uma óptima abertura do maestro e um fantástico chapéu do Karagounis. Quando ao resto, o jogo ainda foi algo lento e notou-se que os ucranianos estão mais adiantados na preparação do que nós. Na 2ª parte com as substituições a partida decresceu bastante, mas defendemos bem e o Shakhtar praticamente não criou perigo.

Individualmente não sobressaiu ninguém em particular, mas o Rui Costa, como é óbvio, não sabe jogar mal, o Katsouranis é bom tecnicamente para além de recuperar bolas e só é pena que o Karagounis não seja regular ao longo do jogo todo. Na baliza, é bom ver o Moreira a titular e espero que se mantenha assim ao longo de toda a época, já que o Moretto continua a ser um susto, como se viu no 1º jogo. O Beto está cada vez pior e conseguiu falhar passes a cinco metros (!). Com o Petit, Katsouranis e Diego espero bem que passe para 4ª opção na posição de trinco. Acho que precisamos de mais um lateral-esquerdo, porque se o Léo se lesionar ter-se-á que adaptar outro ao lugar e o Nélson rende muito mais na direita. O Manú e o Paulo Jorge voltaram a mostrar qualidades técnicas e antevêem-se como boas opções de banco. Com o regresso do Miccoli e dos mundialistas ficaremos de certeza mais fortes. Um ataque com o italiano e o Nuno Gomes, servidos pelo maestro, promete grandes feitos. Neste sentido, não percebo a procura de outro ponta-de-lança. Temos dois claramente titulares e dois claramente suplentes, para quê mais um? Só se o Benfica estiver a contar que o Miccoli passe a maior parte da época outra vez lesionado...

terça-feira, julho 11, 2006

O regresso do Glorioso

No passado sábado, dia 8 de Julho, deu-se um acontecimento desejado por todos nós, benfiquistas: o Rui Costa voltou a vestir a gloriosa camisola vermelha! Foi no 1º jogo particular desta pré-época, frente ao Stade Nyonnais, em que vencemos por 3-0. Apesar de só termos uma semana de treinos, já deu para ver que com a presença dele a bola volta a ter olhos. Vai ser um prazer voltar a vê-lo ao vivo regularmente!

O jogo foi típico de início de temporada, sendo a 1ª parte mais agradável que a 2ª, o que é normal já que os titulares alinharam naquele período. Houve disponibilidade física q.b. e alguns movimentos atacantes interessantes, nomeadamente através do Léo que me parece já em forma. Estou um bocado céptico em relação à nova táctica em losango, já que a falta de extremos rápidos poderá ser prejudicial na maior parte dos jogos, mas aguardaremos o que nos reserva o futuro. O Marcel marcou dois golos e o Manduca falhou meia-dúzia deles, mas ambos serão certamente suplentes durante a temporada. O Katsouranis pareceu-me um pouco perro, mas não é mau tecnicamente. Na 2ª parte, destacou-se o Diego, que tem um remate potente e bom sentido posicional. O lugar de trinco deverá estar reservado ao Petit, mas ao menos aparentemente temos opções de mais qualidade que o Beto para o meio-campo. O Manú e o Paulo Jorge também estiveram mexidos e a sua presença poderá ser importante para certos jogos em que seja preciso mais velocidade.

Amanhã teremos um teste bem mais difícil frente ao Shaktar Donetsk, que também estará presente na pré-eliminatória da Champions, e aí teremos uma noção mais exacta de como está a nossa equipa.

P.S. –O Miccoli fica mais um ano. Excelente notícia! Os meus parabéns à direcção do Benfica, que conseguiu que o jogador ficasse sem ter que pagar os cinco milhões de euros à Juventus. No final desta época logo se verá se será necessário exercer o direito de opção ou não.

segunda-feira, julho 10, 2006

Portugal – 1 – Alemanha – 3

Um fim-de-semana prolongado não me permitiu postar mais cedo. Como se calculava, foi difícil vencer a equipa da casa no jogo para a atribuição do 3º e 4º lugar, todavia considero que o resultado foi muito injusto. Jogámos muito melhor que os alemães, mas infelizmente perdemos porque eles conseguiram marcar três golos em duas oportunidades (o autogolo do Petit não se pode considerar uma oportunidade). Algumas ideias sobre o jogo:

- Incompreensível a manutenção do Pauleta a titular. Falhou dois golos incríveis e viu-se bem o que o Nuno Gomes fez quando entrou. Tivesse ele jogado mais neste Mundial e certamente teríamos ido mais longe, quanto mais não fosse por jogarmos com 11... Felizmente, o Pauleta vai abandonar a selecção pelo que de certeza que nas próximas grandes competições melhoraremos a nossa produção atacante, quando os adversários forem mais fortes que Cabo Verde ou o Qatar;
- Porque é que o Deco não jogou desta maneira frente à França?
- Infelizmente o Maniche não fez um grande jogo, ao contrário de todo o campeonato anterior;
- Notou-se bem a falta do Miguel e, principalmente, do Ricardo Carvalho;
- Agora virou moda os adeptos das equipas adversárias assobiarem o Cristiano Ronaldo?
- O Scolari, apesar da não-aposta no Nuno Gomes, é óbvio que deve continuar ao serviço da selecção. Criou uma empatia especial com os jogadores e com o público e apresenta resultados muitíssimos positivos, apesar da azia que isso cria a algumas pessoas de um certo clube...


P.S. – O que é que terá passado pela cabeça do Zidane? Como é que alguém acaba a carreira com uma cabeçada na final de um campeonato do mundo? O que é que o Materazzi, que a propósito é um crápula (lembram-se da agressão ao jogador do Villarreal na Liga dos Campeões?), lhe terá dito? Fosse o que fosse, o Zidane tinha obrigação de não ter reagido daquela maneira.

quarta-feira, julho 05, 2006

Portugal – 0 – França – 1

Como era previsível, a nossa besta negra foi-o mais uma vez. Um penalty (indiscutível) do Ricardo Carvalho sobre o Henry permitiu ao Zidane tirar-nos de mais uma final. Num jogo bastante monótono e em que nunca tivemos arte para superar a boa defesa dos franceses, ganhou a equipa que teve melhores oportunidades de golo, apesar de estas serem muito escassas para ambos os lados. Aliás, esta pouca qualidade dos jogos com falta de ocasiões de golo está a ser exasperante, especialmente desde que o Mundial entrou nos oitavos-de-final. Tirando talvez o Espanha-França, todas as outras partidas foram globalmente más, estando as equipas mais preocupadas em defender do que atacar. Arriscou-se muito pouco e por isso não é de estranhar a média (baixíssima) de 1,71 golos (!) por jogo nesta 2ª fase.

A partida estava a ser equilibrada até à altura do penalty, aos 33 minutos da 1ª parte. Como já não estávamos em desvantagem há uma série de jogos e jogando com nove durante quase toda a partida, a tarefa a partir daí era praticamente impossível. O Deco e, principalmente, o Pauleta foram de uma nulidade atroz, mas infelizmente o Scolari demorou mais de uma hora a perceber isso em relação ao açoriano, substituindo-o novamente pelo Simão. Ainda por cima, o ponta-de-lança que acabou por entrar pouco depois foi outra vez o Postiga, em mais uma opção injustificável. O Scolari, que gosta tanto de fezadas, bem se poderia ter lembrado que o Nuno Gomes fazia anos hoje e que já marcou à França numa meia-final no Euro 2000. Por outro lado, deu sempre a ideia que a equipa estava cansada. O Figo batalhou imenso, mas está roto, o Deco falhou inacreditavelmente duas assistências facílimas ainda com 0-0 que nos poderiam ter dado vantagem. Para além disso não defendeu nada e não se viu em termos atacantes. O Cristiano Ronaldo foi o único a criar perigo e é dele o livre que nos dá a melhor oportunidade de todo o jogo, na recarga de cabeça do Figo na pequena-área que passou por cima da barra. O Maniche foi igualmente dos melhores, mas não pode fazer tudo sozinho. A defesa acabou por não ter muito trabalho, porque a França também não pressionou muito. O que mais custa é isto: a França nem teve que fazer um grande jogo para nos derrotar. Quanto à defesa, o Meira voltou a ser o melhor e acaba o Mundial em grande forma.

As desculpas de mau pagador em relação ao árbitro no final da partida são já uma imagem de marca nossa quando somos eliminados. O árbitro esteve bem nas duas decisões mais importantes: o Ricardo Carvalho fez penalty e o Cristiano Ronaldo atirou-se para o chão. Uma falta aqui e outra ali por assinalar ou um ou outro cartão por mostrar não foi isso que influenciou o jogo ou tira mérito à França. Aliás, querem-se os melhores jogadores para os jogos decisivos pelo que é natural que os árbitros se refreiem na amostragem de cartões nestas alturas (excepto em casos como o do Ricardo Carvalho que vai ficar de fora na partida para o 3º lugar porque teve uma entrada a matar). O defesa do Chelsea vai fazer muito falta no último jogo e é bom que o Scolari faça algumas alterações, porque há jogadores em muito má forma. O Deco e o Pauleta podem vir já para Portugal e mesmo o Figo está longe dos 100%. Todavia, espero que lutemos para conseguir o 3º lugar apesar de defrontarmos a equipa da casa. A Alemanha está perfeitamente ao nosso alcance, saibamos nós entrar com 11 jogadores em campo.

segunda-feira, julho 03, 2006

Sublime deleite



Esqueçamos por momentos que o vamos defrontar na próxima 4ª feira e que o queremos derrotar. Este senhor presenteou-nos no passado sábado, no jogo frente ao Brasil, com uma hora e meia de recital futebolístico do mais perfeito que já vi na vida. O futebol, quando passa pelos pés dele, deixa de ser apenas um jogo e torna-se numa arte. O prazer em ver este homem tratar a bola só é comparável ao prazer que se tem perante uma Mona Lisa, um David ou um North by Northwest.

Há algo de sobrenatural no Zidane e no jogo contra o Brasil percebeu-se bem a diferença entre ele e os demais. O Ronaldinho é inquestionavelmente um jogador fabuloso, mas a diferença entre ele e o Zidane é igual à diferença entre um malabarista de circo e um pintor. São duas formas de arte, mas uma é muito mais valorizada do que outra. O Ronaldinho é genial nas fintas para a plateia, mas essas mesmas fintas são muitas vezes gratuitas, adornos belos mas desnecessários. O Zidane domina a bola e finta em prol da equipa, raramente faz algo só para deleitar a plateia, mas sempre com um objectivo mais alto: fazer com que a bola chegue à baliza contrária. Por isso é que fiquei muito contente com a vitória da França sobre o Brasil. Quanto mais jogos do Zidane pudermos ver, melhor para nós que amamos futebol. E além disso, a perdermos o acesso à final, que seja para a França do Zidane do que para o Brasil dos artistas de circo.

A genialidade do Zidane é de um nível distinto da maioria dos grandes jogadores. Não é tão sufocante como por exemplo a do Maradona, que ganhava jogos sozinho. O Zidane raramente finta meia equipa contrária e marca golo, mas também não precisa. Há lá outros para os concretizar a passes seus. Ele prefere ir dando pinceladas subtis de classe durante o jogo, pozinhos de sublimidade como um toque, um domínio ou uma recepção de bola que nos deixam extasiados (a maneira como controlou uma bola em rosca de um alívio do Roberto Carlos na 1ª parte foi a perfeição em estado puro). É um atentado a todos nós que este senhor se queira reformar no fim do Mundial. A FIFA deveria instituir imediatamente a 18ª lei do jogo que proibisse este homem de deixar de jogar futebol. Faça-se uma petição e eu assino já!

P.S. – Apesar disto, obviamente que desejo que o seu jogo de despedida seja no próximo sábado em Estugarda.

domingo, julho 02, 2006

Portugal – 0 – Inglaterra – 0 (3-1 pen.)

Pela segunda vez na nossa história estamos nas meias-finais de um campeonato do mundo. Pela segunda vez em dois anos vencemos a Inglaterra nos penalties e pela segunda vez em dois anos o Ricardo foi o herói do jogo. Tal como o Maniche em relação à Holanda, é bom que o Ricardo não pense em pôr os pés em Inglaterra nos tempos mais próximos… O Scolari confirma-se como provavelmente o melhor seleccionador nacional de todos os tempos e quase tudo o que conseguimos nos últimos anos lhe devemos a ele. Através de opções nem sempre justificáveis conseguiu fazer da selecção uma equipa e daí também a razão para algumas dessas opções. Há determinados jogadores que não foram convocados, porque se calhar pensariam que entravam de caras nos titulares (instigados também pelo presidente de um certo clube) e, ao não acontecer isso, o espírito de grupo sairia certamente enfraquecido. As opções podem parecer estranhas, mas os resultados estão à vista e contra isso não há nada a fazer.

Todavia, acho que tínhamos obrigação de ter feito mais para ganhar o jogo de ontem antes dos penalties, especialmente desde que a Inglaterra ficou a jogar com 10 aos 62 minutos por expulsão do Rooney. A substituição do Pauleta pelo Simão, que estava programada antes da expulsão, deixou de ter razão de ser com a expulsão, mas o Scolari fê-la na mesma. Isto fez com que jogássemos sem ponta-de-lança durante uma boa parte do 2º tempo e que o Cristiano Ronaldo tenha desaparecido do jogo, enfiado que estava no meio dos centrais contrários. Posteriormente, a entrada do Postiga não lembra o diabo! O homem foi um zero absoluto contra o México durante 70 minutos, o Nuno Gomes jogou muito melhor só em 20, mas só porque há dois anos o Postiga marcou o golo do empate contra os ingleses, a fezada fez com que o Scolari o colocasse de novo em campo. Claro que não resultou! Por outro lado, não conseguimos criar perigo a jogar frente a 10, principalmente porque, como o Scolari referiu na conferência de imprensa, não sabemos rematar de longe. Fiquei desiludido com a nossa prestação durante esta altura do jogo, porque deveríamos ter arriscado um pouco mais para ganhar sem nos sujeitarmos à sorte dos penalties. Mas, como vencemos, escreveu-se direito por linhas tortas. Nos penalties, não percebi a escolha do Petit para marcar em vez do Maniche. Nunca vi o Petit marcar um penalty na vida, enquanto o Maniche costuma marcá-los, e bem. Felizmente que o falhanço do Petit não teve consequências nefastas.


Individualmente há que destacar o Ricardo. Defender três penalties (e não foram quatro por um bocadinho…) não é para todos e a confiança e mentalização que o Scolari sempre lhe manifestou está a dar os seus frutos. A defesa esteve toda impecável, nomeadamente o Meira que deve ter feito o melhor jogo da vida dele (e eu que estava tão céptico em relação a ele). No meio-campo notou-se (e de que maneira!) a ausência do Deco. Não sei o que se passa com o Tiago que continua a não mostrar na selecção a classe que patenteia nos clubes. Ontem voltou a passar ao lado do jogo. O Petit entrou pessimamente na partida, mas melhorou imenso como o decorrer da mesma. Levou um amarelo na 1ª parte que o vai impedir de jogar nas meias-finais, mas, como não é idiota como o Costinha, a partir daí não deve ter feito mais nenhuma falta. Lá vamos ter que levar com o Costinha no próximo jogo… O Maniche também jogou bem, mas esteve infeliz no remate e poderia ter sentenciado a partida mesmo no último minuto do prolongamento. O Figo nunca joga mal, mas começa a sentir o peso da sua idade quando o jogo é muito intenso. Notou-se que o Cristiano Ronaldo não está a 100%, mas é sempre um perigo quando toca na bola. O Pauleta passou ao lado do jogo, mas a bola nunca lhe chegava em condições. No entanto, para o tipo de jogo que estávamos a fazer, com tabelinhas à entrada da área, a presença do Nuno Gomes era mais que justificada. O Simão deu mais dinamismo ao ataque e o Hugo Viana, curiosamente, também entrou bem na partida, jogando muito melhor que o Tiago.

Depois de termos sido mais uma vez a besta negra da Inglaterra, vamos apanhar a nossa besta negra, a França. Já que chegámos até aqui era bonito que fôssemos mais além, mas perante o que os franceses mostraram frente ao Brasil (um banho de bola, com uma classe ímpar!) acho muito difícil. Mas pelo menos o 4º lugar (algo impensável para quase toda a gente, menos provavelmente o Scolari) já ninguém nos tira! FORÇA PORTUGAL!

P.S. - Tal como contra o México, a FIFA nomeou mais uma vez um jogador da equipa derrotada, Hargreaves, o man of the match. Pode ter feito uma grande partida, mas esta decisão, especialmente depois do que fez o Ricardo, é inacreditável!